Nota da Autora:
Música do capítulo: "The Promise", de When in Rome.
Por favor, por favor, por favor, ouçam essa música durante a leitura deste capítulo. Ela se encaixa perfeitamente. E é um clássico de todos os tempos. Confiem em mim.
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Capítulo 13 – Pensando nas palavras certas
Tradução: NaiRobsten
~ Edward ~
'Oi. Você ligou para Isabella Swan na CCW Publicidade. Desculpe-me, mas não posso atender sua ligação agora, mas se você deixar o seu nome, número e uma mensagem, eu retornarei em breve. Obrigada'.
"Bella, é Edward novamente. Por favor, ligue-me quando você estiver de volta em sua mesa. Eu realmente preciso falar com você." Eu hesitei, baixando a minha voz; implorando. "Por favor, Bella, apenas deixe-me explicar".
Pela quinta vez naquela manhã, eu desliguei o telefone. Exalando alto, lancei-me de volta contra a minha cadeira de couro.
Como diabos isso tinha acontecido? Exatamente quando estávamos começando a chegar a algum lugar. As coisas estavam finalmente começando a ficar bem. A audiência em Washington tinha sido resolvida em favor de Bella, os Cartwright tinham amado a campanha, e Bella... Bella finalmente estava voltando ao redor. Se eu fechasse meus olhos, eu ainda podia sentir o roçar dos seus lábios quentes nos meus...
E então eu tinha chegado e fodido tudo.
Devo voltar para o cubículo dela? Eu não podia esperar em frente à sua mesa para sempre. Eu esperei 15 minutos antes e ela não tinha aparecido. Se eu tivesse ficado mais tempo, as pessoas poderiam começar a falar, e enquanto eu não me importava com o que eles pensavam, eu tinha certeza que isso não teria deixado Bella feliz.
Baixei minha cabeça, apertando a ponte do meu nariz. Isso era parte do problema aqui, não era? Eu ainda não tinha certeza de quais partes da minha vida eu precisava manter em segredo, e quais eram um jogo justo para o público. A secura na minha boca me lembrou de quanto regiamente eu estraguei tudo ontem à noite, e enquanto eu estendi a mão para a minha terceira garrafa de água da manhã, fiz uma promessa mental para ficar longe de tequila, de qualquer forma, e ficar longe de qualquer lugar ou pessoa - ou seja, Tanya - que me associasse com o antigo Edward, aquele que eu estava tentando desesperadamente deixar para trás.
Uma batida na porta me assustou, fazendo meu coração cair aos meus pés. A porta abriu lentamente. Talvez...
Rosalie enfiou a cabeça pela fresta da porta. Ela falou com uma voz fria, olhando para um ponto um pouco além de mim. "Só queria que você soubesse que eu falei com Bella e estamos de volta no caminho certo".
Eu balancei a cabeça, mais uma vez sentindo vergonha do meu desabafo anterior.
"Em algum ponto no início da próxima semana nós devemos provavelmente fazer uma reunião, decidir em qual direção-"
"Rosalie, entre, por favor. Eu gostaria de falar com você, se você não se importa".
Rose respirou fundo. "Edward, eu realmente não tenho-"
"Por favor, Rose".
Ela sorriu e entrou lentamente, fechando a porta atrás dela e se recusando a olhar em meus olhos.
"Por favor, sente-se." Eu indiquei, sinalizando para uma das cadeiras.
"Eu ficarei de pé, obrigada".
Eu suspirei. "Olha, Rose, eu só queria... pedir desculpas, por antes." Ela manteve seus olhos nas janelas atrás de mim, sem qualquer reconhecimento das minhas palavras. "Eu entrei no seu escritório esta manhã em um humor seriamente ruim, e eu não deveria ter falado com você do jeito que eu falei. Emmett estava certo em ficar chateado comigo".
Ela revirou seus olhos. "Eu posso cuidar de mim mesma".
"Eu sei que você pode. Eu apenas queria que você soubesse que eu realmente sinto muito, pela forma como eu agi e pelo que eu disse para você. Eu fui muito fora da linha. Você estava... certa, sobre um monte de coisas".
Finalmente, ela virou seus olhos para mim, parecendo mais decepcionada do que com raiva. Ela me olhou por um longo momento, e então cerrou seus lábios. "Como você pôde fazer isso, Edward? Depois do quanto você foi inflexível na semana passada sobre não querer colocar em risco a carreira dela, e não querer brincar com ela. E em uma fodida manhã você provou exatamente o idiota que você é-"
"Rose." Eu tentei, mas eu sabia que seria inútil, "Eu não estava tentando prejudicar a carreira dela. Eu fui estúpido, eu sei disso, ok? Eu fui estúpido e egoísta e um hipócrita. Eu sei." Respirei fundo, passando a mão pelo meu cabelo. "Eu sei o quanto eu ferrei com tudo".
Rose arqueou uma sobrancelha, buscando em meus olhos por algo. Ela finalmente estreitou seus olhos azuis e disse, "Você sabe, tudo aquilo poderia ser corrigido, poderia ser explicado, mas ficar com Tanya novamente? Ugh! O quanto você pode ser estúpido?"
"Rose!" Eu silvei. "Isso não foi o que aconteceu!"
"Pfft!" Ela disse, virando-se para sair.
"Rose, ouça-me." Ela virou-se lentamente, o ceticismo gravado claramente em seu rosto. "Rose, você me conhece".
Ela levantou suas sobrancelhas. "Exatamente".
Eu exalei. "Sim, eu sou um idiota. Eu fiz... coisas estúpidas ao longo dos últimos anos. Mas você me conhece desde a faculdade, Rose. Quando foi que eu algum dia neguei algo que eu fiz?"
Ela olhou para mim.
"Eu posso ser um monte de coisas, Rose, mas mentiroso não é uma delas. Você sabe disso".
Rose olhou para mim por um longo tempo, ainda duvidosa. "Você estava praticamente aos amassos com ela no banco de trás daquele táxi".
Fechei meus olhos e balancei minha cabeça. "Não. Olhe, eu tinha bebido muito na noite passada. Tanya estava sendo... insistente, e, sim, eu provavelmente me meti naquela situação, em primeiro lugar, mas aquelas fotos, elas são mentira. Eu estava bêbado, eu tropecei, e eu estava apenas tentando me levantar. Isso é tudo. Em seguida, ela foi embora em seu táxi, e eu no meu. Essa foi a última vez que eu a vi".
Ela me estudou de novo. Eu podia sentir minhas mãos ficando suadas sob o seu escrutínio. Finalmente, ela bufou e cruzou os braços em frente a ela.
"Rapaz, você realmente fez uma bagunça das grandes, não é?"
Esfreguei minha testa com os dedos, ainda sentindo os efeitos colaterais de José*. "Nem me fale. Eu já liguei para ela cinco vezes e ela não atende as minhas ligações".
*José aqui é a tequila José Cuervo.
Rose mordeu o interior do seu lábio. "Bem, ela provavelmente está realmente chateada com você. Você pode culpá-la?"
Respirei fundo e exalei lentamente. "Não, acho que não." Ergui a cabeça e olhei para Rose. Eu tinha certeza que o desespero estava escrito claramente no meu rosto. "O que eu faço, Rose?" Eu implorei.
Ela continuou mordendo seu lábio pensativamente. Após uma longa pausa, ela respondeu, "Você a deixe em paz e deixe-a fazer o seu trabalho".
Eu suspirei. "Olha, eu sei que você precisa que ela se concentre na conta Cartwright agora, mas eu preciso falar com ela".
Ela revirou seus olhos e ergueu a mão com a palma para cima. "Eu não estou dizendo isso como a chefe dela – embora, como chefe dela, eu tenha que pedir a você para parar de distraí-la do seu trabalho – eu estou dizendo isso como amiga dela," sua voz suavizou, "e como sua cunhada".
Ela sorriu hesitantemente. "Olhe, Bella teve uma semana difícil. Ela acabou de voltar ao trabalho hoje e tem toneladas de coisas para colocar em dia, e agora a conta Cartwright para lidar. Dê a ela uma pausa, Edward. Deixe que ela recupere o fôlego. Como eu disse, ela está provavelmente todos os tipos de irritada com você agora. Dê a ela uma chance para se acalmar, e então, você sabe, esta tarde, quando você estiver no hall de entrada, espionando-a como um pervertido," sua boca se contorceu se em um sorriso malicioso, "talvez você possa tentar falar com ela então".
Por mais difícil que tenha sido, eu segui o conselho de Rosalie e forcei-me a deixar Bella em paz durante o dia. Continuei com a rotina diária, tanto quanto eu podia e, quando faltavam dez minutos para às 17hs, esperei no hall de entrada, nervoso e ansioso. Minhas mãos estavam suadas, meu maldito coração parecia que estava prestes a saltar do meu peito, e minha pulsação corria descontroladamente em minhas veias. Finalmente, às 17hs10min, as portas do elevador se abriram e Bella saiu rapidamente, seus olhos focados diretamente para frente enquanto ela fazia uma linha reta direto para a saída.
Preparando-me e de repente esquecendo o meu discurso bem pensado, eu caminhei até ela.
Bella me viu quando eu estava a poucos metros de distância, e quando ela olhou para mim, algo cruzou suas feições, mas exatamente quando cheguei a ela, ela parou em seu caminho e lançou-me um largo sorriso.
"Oh, oi, Edward." Ela disse agradavelmente, nenhum traço de irritação em sua voz. "Desculpe por não ter retornado suas ligações hoje, mas tem sido um dia agitado." Ela disse com uma risada. "Entre tudo o que eu perdi durante a semana e agora com a conta dos Cartwright, eu mal tive tempo para recuperar o fôlego".
Franzi as sobrancelhas, intrigado com a sua atitude. Quando abri minha boca para dizer alguma coisa, nada saiu.
Ela sorriu para mim novamente. "Parece que eu perdi uma semana agitada no escritório. A reunião com os Cartwright, Rose disse que o pessoal da Springtime Organix está querendo fazer algumas mudanças, isso me levará o final de semana todo para me recuperar." Ela deu um tapinha na sua pasta.
"Um, Bella, eu queria falar com você sobre, bem, você sabe, esta manhã no escritório de Rosalie-"
"Oh. Não se preocupe, Edward." Ela acenou sua mão com desdém, ainda sorrindo. "Eu percebo que cabeças diferentes podem ter opiniões diferentes. Eu vou simplesmente, você sabe, tentar o meu melhor e esperemos que os resultados falem por si".
Minhas sobrancelhas se juntaram. Eu estava ficando mais e mais confuso pela sua atitude 'miss simpatia'. "O quê? Não, Bella. Não é isso - olha, eu sei que você viu-"
Ela olhou para o relógio e, em seguida, olhou para mim. "Edward, podemos adiar esta conversa para segunda-feira? Eu sei que Rose quer todos nós em uma reunião na próxima semana para elaborar um novo plano para a conta da EverSoft, e eu prometo que trabalharei duro nisso neste final de semana, mas agora eu realmente tenho que ir para casa. Minha filha e eu ficamos acordadas até tarde na noite passada e eu realmente tenho que buscá-la na casa da babá. Ela provavelmente está exausta".
"Você quer dizer, Maddie e Sue".
"Como?" Ela perguntou.
"Você quer dizer que tem que pegar Maddie na casa de Sue".
Ela hesitou. "Sim. Foi isso o que eu disse. Minha filha, na casa da sua babá." Ela disse as palavras lentamente, e eu tive a nítida sensação de que isso significava alguma coisa.
Minha frequência cardíaca acelerou e minha carranca aprofundou. "Você pode chamá-las pelos seus nomes, Bella. Eu sei de quem você está falando".
Ela engoliu em seco, mas não respondeu.
"Bella," eu implorei em um sussurro baixo, "deixe-me levá-la para casa. Nós podemos conversar-"
Ela sorriu novamente, mas em vez de me acalmar, foi enervante. Era um sorriso falso, vazio, desprovido de qualquer calor. Senti como se meu coração fosse explodir em meu peito.
"Obrigada, Edward, mas isso não é realmente necessário. Eu me tornei muito confortável com o sistema de metrô da cidade. Mas, obrigada novamente pela oferta. Eu realmente aprecio isso. Tenha um bom fim de semana e eu o verei na segunda-feira." Ela terminou, antes de se virar e ir embora rapidamente.
Eu a observei se afastar, minha boca escancarada enquanto eu me perguntava o que tinha acabado de acontecer. Isso não tinha acontecido da maneira que eu esperava. Eu esperava raiva, talvez algumas acusações, mas definitivamente não o Coringa encarnado.
"Bella! Bella, espere!" Eu gritei, mas ela continuou andando. Eu a segui e a alcancei exatamente do lado de fora das portas giratórias.
"Bella, por favor!" Sussurrei atentamente, bloqueando seu caminho.
Por uma fração de segundo ela olhou para mim e, por incrível que pareça, eu me senti aliviado. Mas sua expressão rapidamente mudou, e tudo que estava lá era um sorriso impaciente.
"Edward, eu sinto muito, mas eu realmente tenho que ir. Se eu perder o trem das 17hs23min, então eu perderei o F das 17hs30 no Rockefeller e-"
"O que está acontecendo, Bella? Por que você está agindo tão estranha?"
Ela encolheu os ombros e balançou a cabeça. "Nada está acontecendo. Eu só preciso chegar em casa para a minha filha-"
"Por que você continua a chamando de sua filha?"
Ela franziu a testa, o sorriso infernal ainda no lugar. "Porque é isso o que ela é".
"Simplesmente a chame de Maddie quando falar comigo".
Ela franziu os lábios. "Minha filha Madisen teve um longo dia ontem, e agora eu preciso levá-la para casa. Então, se você me der licença, Edward, eu realmente tenho que ir." Ela passou por mim novamente.
Eu parei na frente dela. "Bella".
Pela primeira vez desde esta manhã, ela olhou nos meus olhos, e o que eu vi neles me fez estremecer. Foram-se os olhos de chocolate quente que assombravam meus sonhos. Estes novos olhos eram frios, impassíveis, completamente estranhos para mim. E a forma como ela olhou para mim enviou um calafrio na minha espinha, como uma estranha, como você olha para um passageiro no metrô, cautelosa - pronta para correr para o outro lado com um movimento em falso.
E, exatamente assim, eu soube que poderia manter Bella aqui a noite toda e isso não mudaria nada. O que quer que tivéssemos começado antes de ela partir para Washington, havia desaparecido.
Entendi agora o que ela estava fazendo. Por que Maddie já não era Maddie, por que tudo, até mesmo o nome da babá que eu nunca conheci, mas tinha ouvido falar muito, estava sendo tirado. Ela estava se distanciando de mim, levando-nos de volta para o primeiro dia, quando ela era apenas a nova funcionária e eu era o patrão que tinha sido pego fodendo na sala de conferência.
Toda a esperança, todas as expectativas e desejos que estiveram se acumulando ao longo dos últimos dias, desapareceram. Com a minha energia de repente esgotada, levantei minha mão lentamente e ofereci a ela a pequena sacola da Barney que eu estive segurando, a que esteve esperando para ser entregue em um canto da minha mesa por mais de uma semana.
"Você pode, por favor, entregar isto a... Maddie por mim? São meias de balé. Ela rasgou as dela, então eu comprei alguns pares novos. Eu prometi que eu... as levaria para ela".
Mais uma vez, eu pensei ter visto algo atravessar suas feições, mas foi rapidamente embora e substituído por aquele sorriso enlouquecedor novamente. Ela estendeu a mão cautelosamente e pegou a sacola.
"Isso é realmente agradável da sua parte, Edward. Obrigada. E minha filha agradece também".
Balancei minha cabeça, mas não consegui dizer nada.
"Bem, tenha um bom final de semana." Ela repetiu e se afastou. Desta vez, eu não tentei impedi-la.
Eu estava exausto como todo o inferno depois da minha corrida naquela noite. Fiz o percurso em torno do lago uma e outra vez, tentando limpar minha cabeça. Tentando conciliar a Bella que eu vim a conhecer ao longo das últimas semanas com aquela que eu tinha conversado esta tarde, encolhendo-me toda vez que eu comparava os sorrisos quentes e afetuosos que ela me deu ao longo das últimas semanas com os frios e vazios que ela me deu hoje. E seus olhos... merda, eu não podia sequer pensar em seus olhos. Maldito seja, eu estraguei tudo. Coloquei-me em uma situação ontem à noite que, com toda a honestidade, provavelmente poderia ter sido evitada, e então esta manhã... bem, eu deixei meu ciúme obter o melhor de mim. Mas agora ela não queria sequer me ouvir. Como diabos eu consertaria isso?
Dormi como merda naquela noite. Alternando entre sonhos onde Maddie estava perdida em uma estação de trem - Grand Central*? - e cada vez que eu a via, ela virava uma esquina e desaparecia. Em seguida, um sonho onde eu estava correndo pelo Central Park e me deparava com Bella, sentada em um dos bancos de concreto ao longo da trilha. Assim que eu me aproximava dela, ela olhava para cima e me dava o sorriso que deu-me hoje. E então ela de repente se transformava em Tanya. Então eu acordava ofegante e voltava a dormir, só para ter os mesmos sonhos repetidas vezes; uma rodada infinita do meu próprio inferno pessoal.
*Grand Central Station: principal estação de metrô de Nova York.
Passei o sábado dentro de casa, suando minha irritação na esteira, no supino, e ignorando as ligações de todos, principalmente de Alice. Na sexta-feira à tarde ela me deixou uma mensagem cheia de tantos palavrões que eu tive que procurar online o que significavam alguns deles. Perguntei-me se Jasper sabia com que tipo de boca ele estava se casando. O que seja. Eu não queria falar com ninguém. Bem, só com uma pessoa, e ela não estava me ligando. Não mais.
Naquela noite, quando a Joalheria Winston entregou o colar e brincos de safiras que eu tinha arrematado no leilão, eu quase os joguei no vaso sanitário. No último segundo, eu imaginei novamente o quanto eles ficariam bonitos contra a pele cremosa e branca de Bella, e como ela sorriria para mim quando eu os desse a ela, um sorriso genuíno, cheio de emoção, e seus olhos brilhariam como os diamantes incrustados na corrente de platina. Suspirando, eu os depositei na caixa de veludo preto e guardei em uma das gavetas da minha cozinha.
Domingo de manhã eu estava deitado na cama, tentando descobrir como eu passaria pelo dia seguinte se eu tivesse que olhar para aquele sorriso enlouquecedor no rosto de Bella novamente, quando recebi um telefonema de Louie, o porteiro.
"Sr. Cullen, o Dr. Cullen está aqui para vê-lo".
Revirei meus olhos. Fazia anos que me pai não me visitava por conta própria. Ele provavelmente viu o jornal da última sexta-feira. Isso seria interessante.
"Obrigado, Louie, mande-o subir." Eu disse. Respirando fundo, fui até o meu armário e vesti um par de jeans e uma camiseta e rapidamente escovei meus dentes antes da campainha tocar.
"Edward." Meu pai me cumprimentou quando eu abri a porta.
"Ei, pai." Eu respondi com cuidado. "O que o traz aqui?"
Ele me seguiu até a cozinha. "Oh, eu apenas estava no bairro e pensei em aparecer e dizer oi".
Eu sorri antes de virar para ele. No bairro minha bunda. "Quer alguma coisa para comer?" Eu perguntei, tirando alguns ovos da geladeira.
"Você ainda não comeu?" Ele perguntou.
"Não." Eu disse, pegando uma tigela e o batedor de ovos.
"Bem," ele disse lentamente, "por que você e eu não vamos até a cidade alta, no Havana Central para o brunch? Eu não estive lá em algum tempo." Ele bateu no seu estômago liso. "Eu poderia realmente apreciar um sanduíche cubano".
Trinta minutos depois, estávamos sentados no meio de um restaurante barulhento comendo o melhor brunch de Cuba que a cidade tinha para oferecer. Os olhos do meu pai arregalaram quando seu enorme sanduíche cubano prensado foi colocado diante dele, e eu, bem, eu não era ninguém para falar, a baba praticamente escorreu pelo canto da minha boca com a visão dos meus ovos com chouriço e o queijo frito prensado no pão cubano. Malditamente delicioso. Era quase o suficiente para manter a minha mente longe... bem, não, não era tão bom.
"Como está?" Meu pai perguntou, dando outra mordida no seu sanduíche.
"Fodidamente incrível." Consegui dizer enquanto empurrava outra garfada dos ovos em minha boca.
"Bom, bom. Estou feliz que você esteja gostando." Carlisle disse. "Você parecia que precisava de uma distração esta manhã".
Levei outra garfada, menor desta vez, e mastiguei lentamente, observando Carlisle cuidadosamente. Pousei meu garfo no prato.
"Então, eu assumo que você viu os jornais na sexta-feira?"
Ele balançou a cabeça lentamente, mantendo seus olhos em mim.
Mordi um pedaço do meu pão, engolindo-o inteiro. Depois de alguns minutos, eu perguntei, "Esta não é a parte onde você me repreende e me diz o quanto você está desapontado comigo?"
"Eu deveria estar?"
"Bem, você leu o artigo. Você viu as fotos".
"Sim. Mas eu estou esperando para ouvir o que você tem a dizer sobre isso".
"Desde quando você quer ouvir o que eu tenho a dizer sobre isso?"
Ele colocou seu sanduíche para baixo, sua expressão calma como de costume, mas com uma emoção que eu nunca tinha visto antes. "Desde que eu estou tentando, Edward. Desde que eu tenho visto você tentando".
Eu não respondi.
"O artigo era verdadeiro? As fotos eram precisas?"
Eu olhei em seus olhos. "Não".
Eu esperei, sabendo o que viria a seguir, as acusações, a descrença.
"Tudo bem." Ele disse finalmente.
Eu empurrei minha cabeça para trás, surpreso. "Tudo bem?" Eu repeti.
"O que mais você quer que eu diga?"
"Nada! Quero dizer... apenas... isto é... diferente".
"Sim, bem. Muitas coisas estão diferentes ultimamente".
Eu balancei a cabeça lentamente, incapaz de pensar em algo mais para dizer. Nós comemos nossa comida em silêncio por um tempo.
"Você foi capaz de... explicar as coisas para Bella?"
A ansiedade, a decepção, a dor, voltaram com tudo. Joguei o garfo no meu prato e passei a mão pelo meu cabelo. Antes que eu pudesse me controlar, as palavras simplesmente derramaram.
"Ela não quis me ouvir, pai. Ela nem sequer me deixou explicar. E a coisa é, ela não estava sequer perturbada, ou decepcionada, ou completamente irritada. Ela não me xingou, ou algo assim. Eu teria preferido isso. Qualquer coisa teria sido melhor do que a maneira como ela agiu. Toda imparcial. Como se eu fosse nada mais do que Edward Cullen, seu chefe. Como se não tivéssemos chegado tão perto de... "Deixei escapar um grande suspiro. "Como se nunca tivesse havido nada ali".
"Ela está chateada." Meu pai disse, colocando seu amado sanduíche de lado.
"Essa é exatamente a coisa, pai. Ela não está. Ela só está completamente se distanciando de mim. E Maddie," - uma pontada aguda esfaqueou meu peito e eu empurrei o meu prato para longe com raiva - eu tinha terminado - "eu nem sei se ela vai me deixar ver Maddie novamente".
"Bella não me parece ser do tipo vingativa, Edward".
"Você está certo. Ela não é. Eu sei que ela não é. É só que," - coloquei meus cotovelos sobre a mesa e segurei minha cabeça, "eu simplesmente não sei o que está acontecendo mais. Eu não tenho nenhuma ideia do que fazer".
Meu pai ficou em silêncio por um tempo. Eu fiquei sentado ali com a cabeça em minhas mãos, ouvindo o tilintar de pratos e copos, utensílios raspando contra pratos vazios, vozes altas rindo com os amigos e familiares; a batida distinta de ritmos cubanos ecoando através do sistema de som. Deus, eu perdi Bella, e ela nunca sequer tinha sido minha.
"Dê a ela algum tempo, Edward." Carlisle finalmente disse.
"Tempo para quê?" Eu gemi, minha cabeça ainda embalada em minhas mãos. "Tempo para ela se distanciar ainda mais? Nesse ritmo, até a próxima semana ela estará me chamando de Sr. Cullen".
Carlisle riu uma vez, usando um sorriso confuso. Eu olhei para ele, incapaz de ver o humor na situação. Inclinando-se, ele disse,
"Filho, você tem que entender que as mulheres trabalham de forma muito diferente dos homens. Eu não vou afirmar entendê-las um pouco, independentemente de quanto tempo sua mãe e eu estamos casados. Mas uma coisa eu aprendi, é que elas processam a informação de uma forma muito diferente de nós. Considerando que nós, como homens, precisamos de uma resolução imediata para os nossos problemas, as mulheres gostam de tomar o seu tempo, consultar seus sentimentos por dias a fio, refletir sobre um problema de centenas de diferentes ângulos. E quando algo as perturba, elas não procuram por uma rápida correção, ou uma solução fácil. Por uma questão de fato," ele se inclinou ainda mais e baixou a voz, como se estivesse compartilhando comigo um segredo importante, "a resposta certa para elas é geralmente a última coisa que você pensaria".
Eu gemi, não me sentindo nem um pouco motivado pelas suas palavras.
Carlisle riu novamente. "Dê tempo a ela, Edward." Ele olhou para o seu prato com saudade. "É meio como este sanduíche cubano aqui." Dei-lhe um olhar perplexo. "Você coloca a carne de porco e presunto, os pepinos, e maionese suíça, e nesse ponto, parece dar água na boca, mas não está pronto. Tem que ir para a prensa. E se você tirá-lo antes do tempo, ele não será torrado adequadamente, e não terá o sabor certo".
Eu tinha certeza que minha expressão demonstrava o quanto eu achava que ele era louco. Ele sorriu.
"Tudo se resume a uma só coisa. Você não pode apressar uma boa mulher, mas elas definitivamente valem a pena o trabalho extra. E, Edward, Bella é uma boa mulher".
Eu balancei a cabeça. "Eu sei, pai".
Enquanto caminhávamos ao longo da West End* pela Hudson, de volta ao carro do meu pai, um flash chamou minha atenção e eu olhei para cima para ver um cara com uma câmera tirando uma foto nossa. Fazendo uma careta, eu rosnei e mostrei o dedo do meio para ele, com ambas as mãos. Ele se virou e caminhou rapidamente para longe.
*West End: bairro em que eles se encontram, no subúrbio de Manhattan.
"O que foi isso?" Meu pai perguntou quando chegamos ao seu carro.
"Malditos paparazzi. Nunca me deixam em paz." Eu fiz uma careta.
Nós entramos no carro. "Bem, eles nunca o deixarão em paz se você continuar agindo assim".
"Como diabos eu deveria agir? Devo fazer uma pose? Dar a eles o meu itinerário diário?"
Carlisle guiou o carro para a West End Avenue, ao longo das mansões de tijolos escuros e moradias do século XIX que revestiam a via.
"Edward," ele disse enquanto virava para a Broadway, "você tem que tratar os paparazzi como se fosse um valentão".
"Você quer dizer, quebrar a cara deles?"
"Não. Quero dizer, ignorá-los".
Eu sorri. "Uhm, pai, você não pode ignorar os valentões".
"Você sabe o que eu quero dizer. Apenas pare de dar a eles razões para tirar fotos suas. Eventualmente eles ficarão cansados de você e seguirão em frente".
Eu balancei a cabeça, considerando suas palavras. "Então o que você está dizendo é que as pessoas que ficam intimidadas pedem por isso?"
"O quê? Não, eu não disse isso!"
"Sim. Você disse. Você disse 'pare de dar a eles razões para tirar fotos suas'. Em outras palavras, o que implica que aqueles que são intimidados dão razão para isso".
Ele revirou seus olhos. "Eu estava falando sobre os paparazzi".
"Mas você estava comparando os paparazzi aos valentões".
"Você vai esquecer sobre os valentões?"
"Claro, mas você os trouxe à tona".
Ele agarrou o volante mais apertado e deu-me um olhar de lado exasperado. "Ignore os malditos paparazzi." Ele rangeu entre os dentes. Eu segurei uma risada, totalmente gostando de vê-lo ficar agitado. "Não sorria para eles." Ele continuou. "Não faça caretas, não mostre o dedo para eles, não cante uma pequena canção e dance para eles. Eventualmente eles ficarão cansados de você e seguirão para histórias mais emocionantes".
Quando ele me deixou na frente do meu prédio, eu disse adeus e saí do carro, mas antes de ir embora, inclinei-me para o carro para olhar para ele.
"Ei, pai? Obrigado. Você sabe, não apenas pelo brunch, mas... bem... isso foi... diferente".
"Eu sei, Edward. De nada".
Segunda de manhã eu entrei no escritório repetindo as palavras do meu pai para mim mesmo. 'Dê tempo a ela, dê tempo a ela, dê tempo a ela', eu cantava enquanto saía do elevador. Eu tentaria do jeito do meu pai um pouco, e se isso não funcionasse, bem, sempre teria a opção de rastejar de joelhos. Eu me encolhi.
Infelizmente, assim que eu a vi na sala de conferência mais tarde naquela manhã - onde estávamos reunidos com Rosalie, Emmet e Jasper para descobrir nossa nova direção com ela como responsável pela Conta da EverSoft – minha nova resolução quase derreteu. Por duas razões. Uma, ela ficou ainda mais bonita no fim de semana, se isso era possível. Sua pele estava tão cremosa como sempre, mas suas bochechas estavam coradas com um rosa tentador, e seus olhos castanhos estavam mais escuros e mais misteriosos do que nunca. E a saia lápis escura que ela usava com uma blusa azul escura absolutamente me matou. Duas, ela me cumprimentou com o mesmo sorriso enlouquecedor que me deu na sexta-feira à tarde. Aquele que dizia, 'Bom dia, Sr. Cullen, você é o meu chefe e colega de trabalho e nada mais'. 'Dê tempo a ela', eu repeti para mim mesmo, sorrindo para ela quando ela se sentou tão longe de mim quanto possível.
Com tudo isso eu poderia lidar. Eu poderia cerrar meus dentes e esperar por uma semana, talvez duas, até que ela processasse seja lá o que as mulheres deveriam processar e olhasse para a situação pelos milhares de ângulos que as mulheres supostamente examinavam.
Mas na tarde seguinte, quando eu estava caminhando pelo saguão, indo almoçar, eu a vi em sua hora do almoço junto às pessoas na minha frente, lutando seu caminho através da multidão ansiosa para sair do prédio por alguns minutos de diversão no centro da cidade. Sem qualquer pensamento consciente, minhas pernas me levaram mais rápido, até que eu consegui alinhar meu passo com ela.
E embora eu tivesse certeza que ela não tinha me visto se aproximando, sua cabeça de repente chicoteou ao redor para me encarar, e ela me olhou, momentaneamente assustada.
Limpei minha garganta. "Ei, Bella. Indo almoçar?"
A surpresa desapareceu do seu rosto e foi substituída pela máscara fria e amigável que ela usava comigo agora. "Oh, oi, Edward. Sim, estou apenas saindo para comer alguma coisa".
E embora eu quisesse seguir os conselhos do meu pai, quando eu a tinha assim perto de mim - mesmo se não houvesse calor visível em seu rosto - eu podia sentir o calor que irradiava dela; a atração elétrica entre nós que sua química não poderia negar, tanto quanto o resto dela tentasse. E eu estava tão indefeso contra ela quanto eu tinha estado naquele dia no aeroporto, quando tanto a química dela como seus lábios tinham me dito que ela sentia por mim pelo menos perto do que eu sentia por ela.
Então eu disse, "Você quer comer um sanduíche, ou algo assim? Ou correr para a Starbucks para um chocolate quente? Há uma delicatessen virando a esquina que-"
"Na verdade, eu a estou levando para a pizzaria na 59 com a Broadway, onde eles fazem as melhores pizzas de frango da cidade." Veio uma voz do outro lado dela. Como se estivesse em câmera lenta, eu forcei meus olhos a deixarem o rosto dela, onde pousaram em James, que estava me observando com um meio sorriso, partes iguais de triunfo e aviso.
Filho. Da. Puta.
Minha visão borrou por um momento e minhas mãos fecharam em punhos ao meu lado. Inferno. Fodido. Isto. Não. Estava. Acontecendo.
"Quer que a gente traga uma fatia para você mais tarde?" Ele perguntou alegremente. Tradução Masculina: Nem fodendo pense em vir junto.
Não, eu não iria. Eu me conhecia bem o suficiente para saber que se eu fosse, James acabaria em 50 pedaços e enfiado em um daqueles fornos de tijolos.
Balancei minha cabeça, incapaz de pronunciar qualquer palavra. Olhei de volta para Bella enquanto caminhávamos para fora do prédio, mas não havia nada lá. Nenhum pedido de desculpas. Nenhum desconforto. Nada do olhar 'isso é o que você recebe por foder por aí comigo'. Só aquele maldito sorriso sem expressão.
"Aproveite o seu almoço." Eu disse e me afastei.
E, simplesmente assim, todos os bons conselhos do meu pai saíram pela janela.
Esperei por ela no hall de entrada no final do dia. Quando ela saiu do elevador, seus olhos imediatamente moveram para mim, como se ela pudesse sentir-me lá esperando por ela. E mesmo que sua boca tenha se transformado imediatamente em um sorriso, por uma fração de segundo, antes que ela fosse capaz de apagá-lo, eu pensei ter visto algo nos olhos dela. Saudade. Tristeza. Dor.
"Edward, obrigada pelas suas sugestões na reunião de ontem. Eu acho que você está certo. Agora é a hora de atacar os Cartwright com todas as nossas novas ideias. Eles parecem estar abertos para qualquer coisa no momento. Eu estava pensando que, quando eu encontrá-los na sexta-feira de manhã, eu sugerirei que nós-"
Toda negócios, logo de cara.
"Bella." Eu a cortei gentilmente, mantendo o ritmo com sua caminhada rápida. "Amanhã é quarta-feira. A que horas você quer sair para pegar Maddie para a aula de balé?"
Eu não era estúpido. Eu mais ou menos sabia que não devia esperar a resposta que estive esperando. Mas depois de vê-la com James hoje - Deus, isso fodidamente me matou - eu não consegui evitar.
Ela parou em seu caminho e virou-se para mim, suas sobrancelhas voltadas para baixo, pelo o que eu podia apenas imaginar ser choque pela minha ousadia. "Edward, eu falei com Rosalie no outro dia. Ela concordou em me deixar sair mais cedo às quartas-feiras, desde que eu chegue mais cedo para trabalhar no meu intervalo de almoço." Ela levantou a mão e hesitantemente a descansou no meu braço. Milhares de arrepios surgiram na minha carne, e eu podia jurar que ouvi um pequeno suspiro escapar dos seus lábios. Deus, ela tinha que ter sentido isso. Eu não poderia ser o único sentindo aquilo.
"Obrigada por tudo." Ela disse friamente. "Mas você não precisa mais me levar para casa às quartas-feiras".
"Bella, por que você está fazendo isso? Olha, eu sei que eu errei, mas se você apenas me deixasse explicar-"
"Eu tenho que ir, Edward. Vejo você amanhã." Ela disse antes de virar e ir embora rapidamente.
O pesadelo em que eu não conseguia chegar a Maddie, onde cada vez que eu quase a tinha em minhas mãos, ela desaparecia em torno de outro canto, veio novamente naquela noite. Quando acordei na manhã seguinte, eu tinha uma nova missão. Eu sentia falta de ver Maddie tanto quanto eu sentia de ver a verdadeira Bella. Ela não era vingativa, meu pai e eu tínhamos concordado, mas o que ela diria?
Infelizmente, eu não tive a chance de perguntar a ela. Entre minhas próprias reuniões e agenda, eu não tive a oportunidade de falar com Bella naquele dia no escritório. Então, só para estar no lado seguro, eu apareci no estúdio de dança de Alice meia hora antes, para que eu pudesse falar com Bella antes da aula começar e dar a ela a chance de me xingar se ela sentisse necessidade, sem ter que interromper a aula de Maddie.
O lado negativo deste plano era ter que enfrentar Alice, a quem eu estive cuidadosamente evitando por dias. Ela, ao contrário de Bella, não tinha nenhum problema em deixar-me saber em termos inequívocos o idiota que ela achava que eu era, como evidenciado pelas muitas mensagens desagradáveis que ela deixou na minha secretária eletrônica nos últimos dias.
Assim, entrando em seu estúdio, eu me preparei para a ira de Alice, mas quando me aproximei do seu escritório, fiquei surpreso ao encontrar não apenas ela, com a previsível carranca em seu rosto, mas também, curiosamente, um par de quentes olhos castanhos que eu não estava esperando ainda.
"Edwood!" Maddie gritou, pulando de trás da mesa onde estava sentada no colo de Alice, colorindo. Ela pulou em meus braços, como sempre fazia. E foi tão bom abraçá-la novamente, sentir seus bracinhos enrolados em torno do meu pescoço. Saber que pelo menos uma das minhas belas de olhos castanhos não estava fingindo que eu era um estranho.
"Oi, princesa. O que você está fazendo aqui tão cedo?" Eu perguntei, ajustando um fio de cabelo quando ela se afastou para olhar para mim. A alegria em seu rostinho suave era quase o suficiente para acabar com a semana de merda que eu estava tendo.
"Ally me pegou na casa de Sue porque hoje a mamãe teve que ir a um compomisso. Edwood, você veio! Você veio me ver! Perguntei a mamãe e Ally se você vinha me ver hoje, mas elas disseram que não sabiam. Mas eu sabia que você vinha! Você sempre vem me ver dançar. Eu disse ao Tio Jake que você vem dançar comigo, e ele disse que você deve ficar bonito em seu traje, e eu disse que gosto do seu traje." Ela franziu as sobrancelhas. "Edwood, o que é um traje?" Ela perguntou, mas continuou antes que eu pudesse pensar em uma resposta. "Olha, Edwood, estou usando as meias que você me deu! Mamãe me deu elas e eu fiquei triste porque pensei que você ia trazê-las. Mas você está aqui agola! Você vai ficar comigo? Porque a mamãe não está aqui. Ela está com um amigo. Você vai ficar?" Ela perguntou esperançosamente.
"Claro que eu vou ficar." Eu assegurei a ela, acariciando seus cabelos. "Eu não fico sempre?"
Ela sorriu largamente, mostrando-me todos os seus perfeitos dentinhos brancos. "Sim! E então nós vamos ter pizza depois, como sempre fazemos?"
"Pepperoni para mim, e queijo para você." Eu a lembrei, batendo em seu narizinho delicadamente com meu dedo.
Ela riu animadamente. "Talvez a mamãe vai estar de volta até lá, e então você pode compatilar com ela." Ela desviou o olhar pensativamente. "Mas Ally disse que a mamãe talvez coma com o amigo dela, então você pode ter que comer o seu pepeuoni sozinho".
Eu olhei para Alice. Ela estava me observando com um sorriso no rosto.
Voltei minha atenção para Maddie. "Ei, princesa, por que você não vai colorir na mesa por alguns minutos? Eu só vou levar Ally perto da janela por um segundo para mostrar algo a ela, ok?"
"Ooh, eu posso ver também? O que é?" Ela perguntou, saltando para cima e para baixo.
"Que tal eu mostrar a você em poucos minutos? Deixe-me mostrar para Ally primeiro. Você sabe como ela pode ser impaciente".
Alice revirou seus olhos. Eu olhei para ela. Nossa discussão definitivamente ficaria aquecida em ambos os lados".
"O que é impaxente?"
"Significa que você é uma bruxa traidora." Eu murmurei em voz baixa, olhando ameaçadoramente para a minha irmã.
Alice estreitou seus olhos para mim, mas não disse nada na frente de Maddie.
"Uma o quê?" Maddie repetiu.
Olhei para ela e sorri. "Significa que ela não pode esperar, então eu vou mostrar a ela primeiro e, em seguida, já que você é uma boa menina, eu mostrarei a você. Ok?"
"Tudo bem." Ela concordou alegremente e pulou de volta para a mesa de Alice para pegar seus lápis de cor.
Alice, sorriso ainda no lugar, passeou lentamente para fora do escritório, olhando para mim por todo o caminho. Eu a segui até a janela do estúdio.
"Onde está Bella?"
Ela continuou olhando, nada de resposta.
Eu exalei alto. "Olha, eu sei que você está chateada comigo agora. Mas eu preciso saber onde Bella está".
"Por que diabos você se importa onde Bella está?" Ela silvou. Ela respirou fundo e fez uma pausa. "Edward, eu vou admitir que no começo eu era a sua maior líder de torcida aqui, mas depois da merda que você fez na semana passada, eu acho que você deveria apenas deixá-la em paz. Confie em mim, a última coisa que ela precisa em sua vida é alguém se esgueirando e jogando jogos estúpidos-"
Levantei minhas mãos para a minha cabeça, puxando meu cabelo. "Eu não estava jogando, ou me esgueirando por aí!" Eu sussurrei/gritei. Felizmente, ainda era cedo, e nenhum das crianças da próxima aula de Alice tinha chegado ainda.
"Alice, ouça-me. Aquele artigo era besteira total. Aquelas fotos minhas e de Tanya... não foi como as coisas aconteceram. Eu não fodendo por aí com Tanya. Eu não fui para casa com ela".
Alice continuou olhando para mim, suas mãos em miniatura colocadas com raiva em sua minúscula cintura.
"Rrrrrr!" Eu rosnei. "Eu estou tão enjoado e cansado de explicar essa merda para todos, exceto para a única pessoa que precisa ouvir isso!"
"Então, você está me dizendo que nada aconteceu com Tanya naquela noite?" Ela perguntou.
"Sim. É exatamente isso que eu estou dizendo a você. E é isso que eu quero dizer a Bella, exceto que ela não que me escutar".
Alice deu-me um olhar mau por mais algum tempo, antes de suspirar dramaticamente, sacudindo a cabeça.
"Quantas vezes eu avisei a você que algo assim aconteceria? Hein? Quantas vezes eu disse a você para ter os malditos paparazzi e aquela puta sem vergonha da Tanya sob controle? Hmm? Mas nãããão. Você é o Edward Fodido cullen, o Menino de Ouro dos Paparazzi. Aquele que é imune aos tablóides. Nada atinge você, certo? 'Eles podem publicar o que quiserem', ela me citou em um tom de zombaria, - 'Isso não me incomoda'.
"Certo, Alice, eu entendi!" Eu disse entre dentes cerrados. "O que você quer ouvir? Que você estava certa, como de costume? Tudo bem, você estava absolutamente certa pra caralho! Feliz agora? Vou escrever uma maldita proposta de mercado, 50 páginas frente e verso, sobre como você estava certa. Apenas me diga onde diabos Bella está!"
Ela me estudou por um longo tempo, sua boca desenhada em uma linha apertada, antes de finalmente responder.
"Ela está em um encontro".
"O quê?"
Ela deu um suspiro e revirou os olhos. "Eu gaguejei? Ela. Está. Em. Um. Encontro. Você sabe, conhecendo um ao outro durante o jantar e bebidas? Encarando um ao outro sobre a mesa, 'acidentalmente'," – ela fez aspas no ar - "esfregando-se um contra o outro debaixo da mesa?"
Senti a bile subir na minha garganta. Eu vomitaria. A única coisa boa nisso tudo era que eu provavelmente vomitaria em cima de Alice. A coisa ruim era que Maddie provavelmente veria. Mas minha irmã não havia terminado.
"Oh, não se preocupe com isso, Edward. Tenho certeza de que nada desse tipo acontecerá no pequeno encontro de Bella. Ela não é como as putas sem vergonha que você está acostumado a sair." Ela bateu um dedo no seu queixo, pensativamente. "Hmm... no entanto... Bella tem sido celibatária por um bom tempo. Ela pode estar propensa a algum momento sexy, se você sabe o que eu quero dizer." Ela piscou para mim com um sorriso torto. "Não posso realmente culpá-la; ela é, afinal, uma mulher bonita e solteira. E eu tenho que dizer, embora ele possa não ser tão encantador, ou o homem tão cobiçado como você é, James Smyth não é muito ruim".
Meu rosto se contorceu de dor. Raiva. Confusão. Tudo de uma só vez.
Bella estava em um encontro. Minha Bella estava em um encontro. Com James Fodido Smyth.
Como diabos tínhamos ido de nos beijar poucos dias atrás, para ela estar em um encontro com outra pessoa?
Minha Bella estava em um encontro.
"Onde eles foram?" Eu meio silvei, meio rosnei, olhando ameaçadoramente para Alice.
"Eu não sei." Ela resmungou indignada. "E mesmo que eu soubesse, eu não diria a você".
Havia formas de fazer Alice falar. Eu não as tinha empregado em uns bons 20 anos, mas agora parecia ser um momento tão bom quanto qualquer outro para trazê-las de volta ao serviço. Eu espreitei para mais perto dela.
"Venha, irmão mais velho!" Ela zombou, trancando suas pequenas pernas no lugar e erguendo os punhos na frente dela.
"Sua pequena traidora-"
"Ally, Edwood, vocês estão brigando?" Maddie estava parada quieta a poucos metros de nós, suas pequenas sobrancelhas viradas para baixo em confusão.
"Não! Não, princesa." Assegurei a ela rapidamente, virando-me para atirar a Alice um último olhar indignado antes de correr para Maddie e ajoelhar-me em frente a ela. "Ally estava apenas me mostrando todas as caras feias que ela pode fazer para o Dia das Bruxas. Olhe para ela, ela nem sequer precisa de uma máscara." Eu disse, sorrindo para a expressão de perplexidade de Maddie.
Maddie deu uma risadinha. "Eu acho que Ally é munita." Eu torci meus lábios e bufei.
"Sim, Maddie." Alice disse docemente por trás de mim. "E Edward estava apenas praticando sua cara de menininha chorona para o Halloween. Tudo o que ele precisa é de um vestido e tranças e ele estará pronto. Não é, Edward?"
"Ooh! Talvez você possa pegar emprestado um dos vestidos da mamãe, Edwood!" Maddie exclamou, saltando para cima e para baixo em seus calcanhares com entusiasmo.
Atirei a Alice um olhar assassino. Ela estreitou seus olhos. "Obrigado, Maddie, mas eu não acho que será necessário".
Maddie olhou de mim para Alice e encolheu os pequenos ombros, como se algum pequeno instinto lhe dissesse que ela estava perdendo alguma coisa. Passando para algo mais interessante para ela, ela disse, "Edwood, você pode me mostrar o que você estava mostrando para a Ally agora? Pufavô?"
"Uh, tudo bem." Eu disse lentamente, erguendo-a em meus braços e não tendo qualquer ideia do que eu mostraria para ela. Naquele momento, alguns dos estudantes de Alice e seus pais tinham chegado.
"Estou indo me preparar para a aula." Alice murmurou, afastando-se. "Maddie, querida, não demore muito".
Eu ignorei a traidora e voltei minha atenção total para a minha princesinha. Assim que eu a virei para a janela, ela gritou,
"Oh, isso é malaviloso, Edwood!" Ela apontou o dedinho para alguma coisa lá fora. Eu segui o seu olhar e o dedo para a fonte da sua excitação.
"Mamãe diz que quando eu ficar mais velha, eu posso ganhar um cachorrinho. Eu quero um igual aquele!" Ela disse, envolvendo seus braços ao redor do meu pescoço.
A dor se arrastou de volta para o meu peito com o pensamento de Bella. Onde ela estava agora?
"Sua mamãe ama muito você." Eu assegurei a Maddie, colocando um beijo suave em seus cabelos. "Agora é melhor você ir para a aula antes que Alice tenha um ataque cardíaco." Eu a soltei suavemente e ela correu para o estúdio.
Ela virou-se abruptamente. "Não vá embora, Edwood, ok?"
Engoli em seco. "Eu não vou a lugar nenhum".
Isso foi o suficiente para ela. Ela sorriu feliz e saltitou de volta para a sua aula.
A aula começou e eu me movi para a frente da tela plana contra a parede, observando Maddie através dela.
"Ok, classe." Alice se dirigiu aos seus alunos com sua voz estridente, "Alguém pode me dizer o que teremos na sexta-feira?"
Várias pequenas vozes responderam em uníssono, "A festa de Halloween!"
"Isso mesmo! Nossa própria festa de Halloween!" Alice gritou de volta. "Todo mundo virá?"
"Sim!" Vieram mais gritos em intervalos e timbres diferentes.
"Nossas mamães e papais podem vir?" Perguntou uma criança.
"Claro!" Alice respondeu docemente. "Vocês podem trazer seus pais e seus amigos-"
"Edwood pode vir?" Maddie perguntou, saltando para cima e para baixo.
Mesmo através da TV, eu podia ver Alice lutando contra um sorriso. "Claro." Ela concordou, mas eu podia ouvir o desdém em sua voz.
"Sim!" Maddie gritou, pulando para cima e para baixo. "Eu vou trazer o meu melhor amigo para a festa de Dia das Buxas!"
"Apenas certifiquem-se de lembrar aos seus papais, mamães e amigos," Alice ressaltou, olhando para a TV, "que todos aqueles que vierem tem que usar uma fantasia." Ela olhou diretamente para a TV. "Todo mundo".
"Eu vou ser a Princesa Belle".
"Eu vou ser a Dora!"
"Eu vou ser..."
Eu ri, apesar da minha miséria, enquanto ouvia todos eles passarem por seus pequenos comentários, até que Alice começou a aula. Com minhas mãos firmemente em meus bolsos, eu me encostei contra a parede e tentei muito, muito mesmo, não pensar em Bella em seu encontro. Haveria tempo de sobra para isso mais tarde, sozinho na cama. Apesar da dor no meu peito, um pequeno sorriso rastejou em meus lábios enquanto eu observava a tela, porque era tão óbvio que Maddie era a melhor na classe. Divertia-me assistir seus rodopios perfeitos, e a forma como seus braços se erguiam graciosamente sobre a sua cabeça-
"Eu não tinha certeza se você viria." Disse uma voz, tão dolorosamente familiar, como se eu a conhecesse por toda a minha vida, em vez de poucas semanas. Virei-me para Bella, preenchido com partes iguais de alívio e dor, tudo ao mesmo tempo. Seus olhos estavam voltados para a tela plana, olhando para Maddie.
"Ela me perguntou se você viria hoje, mas eu não sabia o que responder." Sua voz era tão baixa que eu era o único que podia ouvi-la.
"Eu queria perguntar a você primeiro." Assegurei a ela em uma voz igualmente baixa. "Mas eu não tive a chance de falar com você hoje. E então eu vim mais cedo, mas..."
Ela finalmente se virou para olhar para mim, uma carranca de perplexidade em seu belo rosto. E seus olhos não pareciam tão frios e imparciais como tinham estado durante toda a semana, eles pareciam procurar algo nos meus.
"Perguntar-me o quê?"
"Se você não se importaria se eu viesse ver Maddie hoje".
Ela parecia ainda mais confusa. "Por que você me perguntaria isso?"
'Porque você esteve me afastando a semana toda. Porque você deixou claro na semana passada que Maddie já não era um assunto aceitável entre nós', eu queria dizer. Mas eu me encontrei com a língua presa.
Após alguns segundos, ela suspirou e olhou de volta para a tela.
Como se tivesse lido a minha mente, ela respondeu, "Eu disse a você algumas semanas atrás, Edward, o seu relacionamento com a minha filha é muito importante para ela. Eu não tentaria tirar isso dela. Eu não sabia... se você ainda se sentia dessa maneira-"
Agora foi a minha vez de franzir a testa. "Por que eu não me sentiria?"
Ela me estudou cuidadosamente. "Edward, eu estou realmente feliz por você ter vindo ver Maddie esta noite. Eu quero que você saiba que a maneira como você interage com ela não precisa mudar com base na maneira como você e eu... interagimos um com o outro. Eu não tinha certeza se você via isso dessa forma," ela sorriu suavemente, "mas você está aqui, então eu acho que você vê".
"O que você está tentando me dizer?"
Ela me olhou como se não conseguisse entender por que eu estava sendo tão lento. "Apenas isso, eu estou feliz por você ainda querer ser amigo da minha filha".
"Ao contrário de não querer ser seu amigo?" Eu perguntei.
"Você e eu, nós trabalhamos juntos. É claro que ainda precisamos interagir." Ela afirmou com naturalidade.
"Interagir? É isso o que fazemos agora? Nós interagimos um com o outro?"
Ela me olhou fixamente.
Virando todo o meu corpo em direção a ela, eu disse, "Bella, eu não quero apenas 'interagir' com você. Eu quero mais que isso. Eu achei que eu tivesse deixado isso bem claro para você." Eu disse atentamente.
Ela fechou os olhos por um segundo e, quando os abriu, foi embora o olhar impassível que tinha estado lá durante toda a semana. Havia um fogo ardendo neles que me dizia que eu tinha que pisar com cuidado. Minhas palavras haviam despertado algo.
"Edward," ela disse, soando mais calma do que parecia, "eu disse a você que eu não tenho relacionamentos casuais".
"E eu disse a você que eu não queria um relacionamento casual." Respondi com firmeza.
Ela recuou e franziu seus lábios. "Olha, você e eu obviamente temos definições diferentes para o que significa casual. Então, vamos apenas, você sabe, chamar os bois pelos nomes, e concordar que nós estamos melhor como conhecidos".
Eu gemi e passei a mão pelo meu cabelo. Ela parou de falar e ficou me olhando, como se não conseguisse entender por que eu estava sendo tão difícil.
"O que você quer de mim, Edward?" Ela sussurrou em um tom exasperado. "O que exatamente você quer ouvir de mim?"
Eu parei e inclinei-me para mais perto dela, meus olhos perfurando os dela, tentando fazê-la entender.
"Eu quero que você me deixe explicar." Eu disse com uma voz trêmula. "Eu quero dizer a você o que realmente aconteceu".
"Não!" Ela assobiou através dos dentes cerrados. "Apenas... não. Vamos deixar as coisas como estão, para que possamos, pelo menos, ser civilizados um com o outro".
Ela começou a se afastar e, num primeiro momento, eu a deixaria ir. Mas eu tive o suficiente dela se afastando de mim esta semana. Eu rapidamente segurei seu braço. Ela ofegou surpresa e tentou se afastar, mas eu segurei firme e a levei calmamente ao escritório da minha irmã.
Fechei a porta atrás de nós. Quando me virei para encará-la, ela estava olhando com raiva. Estranhamente, eu me senti tão fodidamente aliviado. Porque era mais do que apenas um olhar em branco com um sorriso vazio.
Inclinei-me contra a mesa de Alice e fui direto ao assunto. "Na sexta-feira passada, quando eu fui ao leilão do meu tio-"
"Edward, pare." Ela sibilou, erguendo as mãos como para me deter. "Por favor. Eu não quero que você explique".
Lentamente, eu estendi a mão e peguei as suas mãos. Elas estavam frias, tremendo, como as minhas. Ela resistiu por apenas um instante, mas quando eu entrelacei nossos dedos, ela cedeu.
"Maldição, Bella. Por que você não me deixa consertar as coisas entre nós?"
Quando ela olhou para mim, seus olhos estavam aqui e a mil quilômetros de distância. "Porque não há nada que você possa me dizer que eu não tenha ouvido antes." Ela riu uma vez, com amargura. "Não fui eu, foi um erro, não foi o que pareceu, eu estava bêbado, ela estava bêbada, ele fez isso, ela fez isso, eles estão apenas com inveja de mim, eles estão apenas com ciúmes de você, ela está fazendo essas coisas porque ela me quer, ele está inventando coisas porque ele quer você. E assim por diante. Eu já ouvi todas, Edward, e eu não quero ouvi-las de você".
Tudo estava começando a fazer sentido agora. Eu aumentei meu aperto ao redor das suas mãos. Elas ainda estavam tremendo, mas mais quentes.
"Então, porque alguém já mentiu para você antes, você já decidiu que o que quer que eu diga deve ser mentira também. Você não vai nem me dar uma chance".
Ela olhou para baixo em nossas mãos, a forma como os nossos dedos estavam entrelaçados até que era difícil ver onde suas mãos terminavam e onde começavam as minhas. Ela estava tão perto que eu podia sentir o calor da sua respiração no meu pescoço. Eu podia sentir o cheiro doce de morangos que flutuava no ar em torno de mim. Eu quase podia sentir a batida do seu coração contra o seu peito. Ela apertou minhas mãos, quase dolorosamente, mas logo tentou se afastar novamente. Eu não a deixei. Segurei suas mãos firmemente, e depois de alguns segundos, ela parou de lutar, apertando as minhas de novo, como se ela estivesse tentando usar nossas mãos para se firmar de pé. Ela levantou uma das nossas mãos unidas e, com um sorriso triste, acariciou minha bochecha suavemente com as costas da sua mão. Fechei meus olhos, mas qualquer estímulo que o gesto pudesse ter me dado, foi-me negado pelas suas palavras seguintes.
"Edward, no segundo em que eu deixar você me oferecer uma explicação, no segundo em que eu ouvi-lo proferir uma dessas frases, eu perderei todo o respeito por você. E então eu perderei qualquer auto-respeito que eu consegui reunir por mim mesma. Eu não quero que isso aconteça." Ela deixou nossas mãos caírem de volta para baixo.
Soltei uma das suas mãos e movi a minha para o seu queixo, levantando-o suavemente e forçando-a a encontrar meu olhar. Ela ainda estava lutando. Eu podia ver a luta em seus olhos. Se ela estava lutando por nós, ou contra nós, eu não poderia dizer.
"Bella," eu murmurei baixinho, "você disse que queria ver o meu verdadeiro eu, não o dos tablóides. Mas agora você não me deixa mostrá-lo para você".
"Eu pensei que estava começando a conhecer o verdadeiro Edward." Ela olhou para longe de mim novamente. "Mas agora eu não sei..."
"Sim, você sabe." Eu insisti, seguindo os olhos dela com os meus. Ela ainda não olhou para mim. "Bella, olhe para mim." Eu implorei. "Por favor, olhe para mim." Hesitantemente, ela encontrou meus olhos novamente. Eu podia ver a dor neles, a dúvida, e eu sabia que, embora parte disso houvesse sido causado por aquelas malditas fotos, parte dessa mágoa a acompanhava há muito tempo, quando as sementes da desconfiança que a estavam cutucando agora inicialmente tinham sido plantadas.
"Eu odeio o que ele fez com você." Eu sussurrei. "Eu odeio que você esteja se fechando assim. E eu odeio não poder culpá-la pelo que você pensa que eu sou. Mas, Bella, eu juro a você, eu não sou Paul." Eu trouxe uma mão até sua bochecha, acariciando-a suavemente. Ela se inclinou na minha mão e o calor da sua pele macia viajou todo o caminho até meu braço e através do meu corpo. Seus olhos escuros estavam quase completamente escondidos pelas pálpebras pesadas, e os meus próprios olhos percorriam seus lábios ligeiramente entreabertos, lembrando da sua suavidade, o calor escaldante que irradiava através deles. Ela estava tão perto, sua respiração quente caindo sobre os meus lábios agora, não levaria nada para me inclinar e roçar meus lábios nos dela. Se ela se afastasse, eu não a forçaria. Mas se ela respondesse, se ela deixasse seus lábios se moverem com os meus, se ela me puxasse para mais perto...
Seus olhos se abriram de repente. "Essas são palavras bonitas, Edward, mas eu as ouvi antes também." Ela se afastou, olhando para longe.
Eu balancei minha cabeça. "São mais do que apenas palavras, Bella." Eu murmurei de volta seriamente. "Deixe-me provar isso." E, sem pensar, eu me inclinei nela, trilhando de um lado a outro em seu queixo e bochecha com o meu nariz, e inalei profundamente. Ela cheirava tão bem, ela era tão macia, tão suave contra mim. "Eu não estou desistindo de nós." Eu sussurrei em seu ouvido. Ela estremeceu.
Tracei círculos com o meu polegar ao longo do interior de seu pulso, tentando acalmá-la. Eu poderia ter ficado ali para sempre assim, sentindo a batida do seu coração apenas a alguns centímetros do meu. Mas o tempo se recusou a ficar parado e a porta se abriu. Maddie entrou, olhando entre eu e sua mãe. Rapidamente, Bella se afastou e foi para a sua filha.
"Mamãe, você está aqui!" Maddie exclamou alegremente. "Você me viu dançando?" Ela perguntou.
Bella recompôs suas feições rapidamente e deu à sua filha um sorriso enorme. "Sim, eu vi, querida. Você foi maravilhosa." Maddie se iluminou para a sua mãe. Ela olhou para mim novamente.
"Você estava mostrando para Edwood as caretas que você pode fazer para o Dia das Buxas, como Ally estava?"
Bella franziu a testa. "O quê?"
"Não importa." Eu disse rapidamente, assim que Alice entrou. Ela olhou entre Bella e eu e sorriu ironicamente.
"Bella, como foi o seu encontro?"
Eu estremeci, sentindo uma pontada aguda de dor no meu peito. De repente, ocorreu-me que Bella não queria ouvir as minhas explicações porque ela simplesmente não ligava mais... porque ela tinha encontrado alguém...
"Que encontro?" Bella disse, parecendo realmente intrigada. Seus olhos arregalaram. "Oh, você quer o dizer jantar com James e Rosalie? Foi tudo bem, nós fomos capazes de discutir um par de ideias muito boas".
Alice olhou para mim e deu-me um sorriso travesso. "Oh, é mesmo. Esqueci que Rose foi também".
Bella deu a Alice um meio sorriso confuso. "Ok".
"Espere. Você - você quer dizer – você quer dizer." Eu falei, enquanto as três mulheres olhavam para mim. "Você saiu para jantar com Rose e James?"
"Sim." Bella respondeu lentamente. "Bem," ela acrescentou, "foi mais um jantar de trabalho. James tem sido muito útil esta semana em me ajudar a me inteirar com a conta da Eversoft," eu reprimi um sorriso, é claro que ele tinha sido útil, idiota fodido - "e então ele teve uma ideia para um novo slogan, mas que precisava ser elaborada um pouco. E você sabe que é geralmente uma boa ideia discutir enquanto tudo ainda está fresco na sua cabeça, então ele sugeriu que terminássemos de dissecá-la durante o jantar, e-"
Eu arqueei uma sobrancelha. "Ele sugeriu que quem terminasse de dissecar?"
Bella deu de ombros. "Ele e eu".
Senti os músculos da minha mandíbula tensos. Eu sabia que o filho da puta não era bom. Ele provavelmente passou o mês elaborando esse plano.
"Então eu disse a Rose," Bella continuou o assunto com naturalidade, "e ela decidiu vir junto para que pudesse nos ajudar a estruturar nossas ideias. Você sabe, ela é realmente boa nisso".
Um sorriso torto se formou em meus lábios. "Sim, ela realmente é boa nisso, não é?" Eu deveria à Rose até a próxima encarnação. Nenhuma dúvida sobre isso. E eu pagaria feliz. Eu nunca amei mais a minha cunhada.
Minha irmã, por outro lado...
Ela estava sorrindo presunçosamente, seus olhos debochando de mim. "Dói como o inferno, não é?"
Eu balancei a cabeça, sabendo exatamente ao que ela estava se referindo.
"Talvez da próxima vez você use um pouco dessa inteligência que Deus lhe deu." Ela disse.
Bella olhou entre nós dois, completamente perdida.
Felizmente, minha princesinha salvou o dia antes de eu ser obrigado a explicar. "Mamãe, Edwood está vindo para a festa de Dia das Buxas com a gente!"
Eu olhei para Bella para ver sua reação, mas isso não pareceu afetá-la de jeito nenhum. Então, novamente, ela já havia me dito que meu relacionamento com Maddie não tinha nada a ver com a minha falta de relacionamento com ela.
"Ele vem, querida?" Ela sorriu para Maddie. "Isso parece divertido".
Maddie se aproximou de mim e colocou sua mãozinha quente na minha, oferecendo-me um enorme sorriso. Vê como é fácil, Bella? Pensei comigo mesmo. Por que você tem que lutar tanto?
"Edwood, eu e mamãe-"
"Mamãe e eu." Bella corrigiu suavemente.
"Mamãe e eu," - Maddie continuou - "vamos ser pincesas para a festa da Ally. O que você vai ser?"
Eu estava prestes a falar, quando Alice entrou na conversa.
"Bem, se você e sua mamãe serão princesas, então, obviamente, Edward tem que ser o príncipe. Você não acha, Edward?" Alice perguntou docemente.
Eu estava prestes a dizer que de nenhuma maneira no inferno, quando Maddie puxou minha mão. "Oh, pufavô, Edwood. Pufavô, seja o Píncipe Encantado. Ele é tão bonito, assim como você." Alice se engasgou com um grunhido. "Pufavô?" Ela pediu novamente, olhando para mim com esperança através daqueles grandes olhos castanhos e cílios longos.
Eu algum dia seria capaz de dizer não a esse rostinho?
Eu balancei a cabeça uma vez, fazendo com que Alice e Bella rissem, quando Bella de repente ficou séria.
"Ei, Alice, quando é mesmo essa festa?"
"Sexta-feira." Alice respondeu.
"Oh, droga!" Bella gemeu. "É na cidade, certo?"
Alice balançou a cabeça. "Eu aluguei um dos salões de festas no Madame Tussaud, na Times Square. O estúdio não é suficientemente grande para conter todos os alunos e pais".
"Droga!" Bella repetiu.
"Qual é o problema?" Eu perguntei.
"Eu levaria Maddie para o trabalho comigo nesse dia, assim eu não teria que voltar para o Brooklyn depois do trabalho só para fazer todo o caminho de volta para a cidade".
"Isso é uma boa ideia, Bella." Eu disse, apertando a minha mão em torno da mão de Maddie. "Tenho certeza que Rose não terá problema com isso também".
"Eu não acho que ela teria," Bella concordou, "mas eu tenho uma reunião com os Cartwright na sexta-feira de manhã. Eu não posso levar Maddie na reunião comigo".
Um enorme sorriso surgiu no meu rosto e eu me abaixei rapidamente e peguei Maddie no colo. Ela riu alegremente. "Não tem problema. Eu poderia cuidar de Maddie na sexta-feira de manhã enquanto você está na sua reunião".
Ela franziu seus lábios. "Edward, eu não poderia pedir a você para fazer isso".
Revirei meus olhos. "Você não está pedindo. Eu estou me voluntariando. Eu não tenho nenhuma grande reunião prevista para sexta-feira. vou limpar a minha agenda na parte da manhã e ela pode ficar comigo".
"O que você acha?" Eu perguntei, voltando-me para Maddie. Seus olhos castanhos brilhavam. "Você gostaria de ficar comigo no trabalho na sexta-feira? Poderíamos colorir tudo que você quiser, e brincar com a máquina de xerox, e incomodar Emmett e Jasper".
Maddie gritou de alegria, saltando em meus braços. "Eu quero fazer mais cópias da minha mão, e do rosto de Angie!"
Nós dois nos viramos para Bella, que nos observava com ceticismo.
"Pufavô, mamããããããããe." Maddie pediu.
Bella suspirou em derrota. "Bem, se você tem certeza, Edward".
"Sim!" Maddie gritou de novo, batendo as mãozinhas juntas e, em seguida, jogando os braços em volta de mim. Eu ri. Perguntei-me se isto era como Bella se sentia, tendo Maddie ao redor para fazê-la sentir melhor sobre qualquer situação.
Olhei para Bella e ela estava me observando com um pequeno sorriso em seu rosto. O sorriso frio e vazio havia desaparecido. Ela ainda estava cautelosa, mas havia algo mais ali. Eu suspirei e sorri para ela. Eu não estava desistindo. Eu lhe daria tempo, como meu pai disse, porque eu sabia que ela valia à pena. Sorri ainda mais, lembrando que sexta-feira estava a apenas dois dias de distância.
Nota:
Não fiquem com raiva de Bella nesse capítulo, lembrem-se de tudo o que ela passou e por que ela é tão cautelosa em deixar Edward se aproximar dela novamente... mas, claro, sempre tem Maddie na história para tornas as coisas melhores... e eu só digo que essa sexta-feira com Maddie e Edward juntos é de chorar de rir...
Deixem reviews e até o próximo capítulo!
Bjs,
Ju
