Aviso 16: Saint Seiya não me pertence. Adorei as mudanças no FFN. Parabéns aos donos deste site. Os novos recursos são ótimos. Principalmente a parte de estatística.
Quero me desculpar por ter demorado tanto a atualizar a fic. Sofri todos esses dias com falta de tempo e criatividade, sem falar na inspiração que me abandonou por completo... Mas acabou que voltou e FINALMENTE eu consegui publicar esse capítulo. Sinceramente, eu odeio ele. Ele me deu trabalho demais e não saiu como eu queria ¬¬. Bom, mas espero que os leitores que se dispuserem a ler mais este enorme capítulo não levem em consideração a minha opinião...
CAPÍTULO XIV – Agulha Escarlate
Depois que Jim deixou o quarto Shaka ficou olhando para a porta reprimindo com louvor a própria vontade de ir atrás dela. Chegou a se levantar e ir até a porta mas parou antes de abrir. Acabou se convencendo de que aquilo fora o melhor. Mais uma vez se angustiou com a culpa. Não tinha nada que traze-la para o quarto de novo, pois não queria que aquilo acontecesse. Só teve vontade de passar mais noite ao lado do corpo quente e perfumado de Jim. Não queria toca-la, mas acabou sendo levado pelo desejo mais uma vez. Logo ele que sempre fora tão controlado nesses assuntos... Imerso em sua religião conseguiu se livrar dos desejos da carne com muita dificuldade, mas conseguiu. E durante muitos anos realmente não sentiu falta, já que se sentia completo servindo Atena e a humanidade. Mas agora ele estava vendo tudo aquilo que ele conquistou com tanto esforço ruir. Resultado: separados, ambos não conseguiram dormir direito naquela noite.
No dia seguinte Jim acordou bem mais cedo do que o mestre. Na noite passada tinha ido dormir muito contrariada, principalmente por que não entendia por que Shaka sempre recuava quando eles estavam quase lá. Se ele não era gay, nem virgem, qual era o problema então? Mas não adiantava ficar martelando aquele assunto. Decidiu ficar quieta durante um tempo, e não provocar mais o homem mais próximo de deus daquela forma tão descarada. Eles já estavam juntos mesmo, portanto teriam tempo de sobra para se conhecerem melhor. Ainda viriam muitos momentos quentes como aquele. Jim não era tola, sabia que mais cedo ou mais tarde Shaka ia cair nas suas garras.
Enquanto comia alguma coisa e tomava sua vitamina para ir treinar, pensava em coisas banais. Como nas roupas sujas que tinha para lavar e na quantidade de roupas que tinha que consertar. Praticamente todos os seus uniformes de treino estavam rasgados. Culpa das inúmeras quedas que levou no chão de terra da arena e dos golpes de Lucy e de seus outros colegas durante os treinos. 'Nota mental: tenho que arrumar linha e agulha para costurar meus uniformes de treino. Mestre me disse uma vez que eu tinha que costurar minhas próprias roupas. E vou mesmo, não quero que aquelas sonsas das servas toquem nos meus uniformes. Será que se eu pedir ao mestre para me deixar ir ao shopping de Atenas comprar umas roupas novas ele deixa? Com certeza vai fechar o olhos e dizer que não. O Afrodite vai com a Lucy praticamente todo domingo ao shopping, e se eu pedir para ela me trazer algumas coisas... Bem que o mestre podia me levar ao shopping de vez em quando, já que não me deixa ir sozinha para lugar nenhum... Com certeza compras está fora de cogitação. Vou ter que me virar remendando meus uniformes mesmo. Será que o Afrodite tem linha e agulha? Se ele nao tiver eu vou ter que ir lá no templo te Atena... ', e continuou pensando sobre como faria para conseguir linha e agulha para remendar seus uniformes enquanto terminava o desjejum.
Ainda com o pensamento ocupado com banalidades foi guardando tudo depois que terminou de comer nos armários da cozinha. Se não estivesse irritada com Shaka, ela teria esperado ele acordar para tomar café da manhã juntos como sempre faziam, mas naquela manhã não tinha a menor vontade de olhar para a cara de Shaka. Se ele tinha perdido a hora, não seria ela que iria acorda-lo. Ainda estava chateada com ele pela noite passada, de modo que depois de arumar a cozinha, iria para o treino dar boas pancadas e mais nada. De costas guardando os materiais da vitamina no armário, Jim não se deu conta que o mestre já tinha acordado e estava a observando.
Shaka não chegou a entrar, parou na porta a observar sua discípula em silencio. Observando não era bem a palavra, ele estava babando. Ia falar alguma coisa assim que entrou mas sua fala foi interrompida pelo pijama que Jim usava. Se é que se podia chamar aquele pedaço de pano de pijama. Estava usando uma blusa branca de malha de alçinhas com o ursinho Pooh desenhado no centro. O short (que mais parecia uma calcinha caleçon) era curto na cor rosa, tinha um lacinho na frente e uma renda discreta por cima da malha. Shaka se perguntou como alguém podia acordar daquele jeito tão sexy e sem fazer o menor esforço. Jim se quer tinha se penteado! No entanto parecia uma ninfa dos campos Elíseos de tão bela vestida com aquela roupinha de dormir clara.
Se repreendeu por estar olhando daquele jeito para a própria pupila, e se o Mu entrasse em sua casa e a visse vestida daquele jeito? E se de repente entrasse qualquer outro cavaleiro ou servo? Mas Shaka de tão hipnotizado que estava não conseguiu se mexer nem tão pouco fechar a boca. Tudo isso por que Jim agora de costas, se esticava toda para guardar a granola no alto do armário da cozinha. E tão mimosa ela ficava na pontas dos pés! Fora que empinava graciosamente o bumbum sem saber que Shaka estava olhando. Se abaixa para guardar alguma coisa na parte de baixo do armário, e preciso dizer que Shaka se demorou olhando para o bumbum agora quase completamente exposto da interna? Aquela posição deixa qualquer homem louco, por mais santo que fosse.
Joga os cabelos desalinhados para o lado e percebe finalmente o mestre parado na entrada da cozinha de queixo caído. Ela sorri. Percebeu tudo na hora a diaba! Assim que viu Shaka concluiu que ele estava ali parado a tempo suficiente para ver todo o seu movimento na frente do armário. Podia jurar que ele saberia dizer todos os detalhes do seu pijama. Ela também não deixou de secar o mestre que tinha acabado de acordar lindo como sempre com aquela carinha de Buda sonolento vestido com uma calça de pijama folgada e mais nada. Jim mordeu de leve o lábio inferior olhando para a parte de cima desnuda do mestre. Estava até com a respiração um pouco descompassada o budista. Na mesma hora que Jim desce o olhar pelo corpo de Shaka ele fica vermelho de vergonha por não conseguir esconder sua ereção. Ficou muito sem jeito. Ele nem tinha chegado perto dela, apenas a viu de longe e já ficou daquele jeito! Praguejou por ter saído da quarto e por ser tão fraco.
Devia ter passado mais tempo na cama, já que não conseguiu dormir direito pensando em Jim no quarto ao lado. Por muito pouco não levantou no meio da noite para deitar com ela em sua pequena cama de solteiro. Pior era que Jim, parecia estar gostando de tudo aquilo, de toda aquela situação constrangedora, dele alí parado na frente dela naquele estado. Quando finalmente desvia o olhar do corpo dele ela se vira dando um sorriso sapeca. Já que não havia outro jeito, Shaka resolveu encarar a fera:
- Bom dia Jim. – diz polidamente.
- Bom dia mestre. – responde se virando e encarando o mestre com uma expressão maliciosa, pois ela ainda via o quanto ele estava animado por baixo daquela calça de pijama.
- Já meditou?
- Já.
- Sério? Que horas você acordou?
- Faz mais ou menos uma hora.
- Desculpe por ter perdido a hora, sei que devia-mos fazer isso juntos... – ele disse passando a mão nos cabelos loiros um pouco envergonhado e sem saber também que estava muito sexy.
- Tudo bem. Não estou brava. – disse Jim observando cada movimento dele. Aquela aparição a aquela manifestação de desejo matinal haviam feito a raiva dela passar instantaneamente. Ele a desejava, já não tinha mais nenhuma dúvida. Era questão de tempo...
- Que bom, por um momento achei que você...
Antes dele terminar a frase ela se aproximou e parou na frente dele. Baixou os olhos mais uma vez parecendo muito interressada na parte sobressalente da calça de pijama. Subiu o olhar devagar até o rosto de Shaka que por sua vez, se sentia como se estivesse sendo devorado. Antes de falar alguma coisa ela ainda morde de leve o lábio inferior o que o deixa ainda mais mexido.
- Me diga uma coisa mestre, acaso é contra sexo?
- Eu o que? Eu... ... ... Ora que pergunta é essa agora, Jim? – diz tentando desviar do decote, já que ela era mais baixa que ele e para olhar para o rosto dela acabava baixando a cabeça e vendo a forma dos seios de Jim por baixo da blusinha branca.
- Fiquei curiosa, sabe... – diz ainda encarando e dá um passo para cima de Shaka que recua outro para trás.
O nervosismo de Shaka só aumentava a cada minuto. Tinha mesmo a impressão que ela estava se divertindo com aquilo tudo. Mas ela, ao contrário do que ele esperava, não o tocou, só ficou mais próximo dele o encarando com aqueles olhos safados como se não quisesse permitir que ele fugisse dela. Mas como ele poderia fugir se estava completamente hipnotizado por aquela sedução tácita? Com aqueles lábios vermelhinhos tão próximos aos dele... De repente achou que morreria se não a beijasse naquele momento e assim o fez. Imprensou seu corpo contra o dela no armário que balançou um pouco com a batida brusca. Passou um braço pela cintura dela colando os corpos, mas ela não se deixou ser beijada de imediato. Virou o rosto apoiando uma das mãos no armário enquanto usava a outra para segurar o ombro do Shaka. Estavam quase acoplados, agora sim, Jim sentiu o quanto ele estava excitado, aquela parte grudou nela como cola lhe fazendo esquentar no mesmo segundo.
Mas não queria se entregar, agora quem não queria era ela. Permaneceu sem olha-lo, ao mesmo tempo que olhava para a entrada da Casa de Virgem para ver se via alguém. Seria terrível se alguém flagrasse os dois alí naquele amasso. Principalmente por que era um horário de grande movimento de servos e cavaleiros. Dominado pelo desejo, e por não conseguir beijar a boca que ansiou, Shaka esfrega de leve o nariz da orelha até o pescoço de Jim... Fechou os olhos por que daquela partezinha vinha um cheiro muito bom, aquele que ele adorava... Cheiro de fruta.
- Responde para mim mestre... – sussurra Jim toda arrepiada com os beijos do mestre em seu pescoço.
- Eu não posso... – sussurra sentindo igual arrepio tomar-lhe o corpo.
- Tudo bem. Não precisa mais responder... – e olha finalmente para Shaka sorrindo agora docimente.
Muito intrigado com aquele olhar e aquela afirmação ele a solta. Os corpos se separam. Os rosto dele estava novamente corado e o peito ofegava, fora a vergonha que sentia por ter agarrado a própria discípula mais uma vez em plena cozinha de sua casa. Ia falar alguma coisa para feze-la explicar por que ele não precisava mais responder a pergunta, mas ela o interrompe:
- Eu preciso ir se não me atraso.
- Está certo... – disse Shaka sentindo uma mistura de surpresa, incredulidade e alívio.
Antes de sair, Jim dá um beijo no rosto de Shaka e vai para o seu quarto se arrumar sem nem ao menos olhar para trás. Não precisava ter se irritado na noite passada. Naquele momento ela entendeu que a resistência dele era por culpa por estar apaixonado por uma discípula. Algo completamente impensável para a responsável e integra reencarnação de Buda. Pelo menos foi o que ela pensou, sem saber que havia outros motivos por trás...
Da cozinha, Shaka a viu sair sentindo um certo alívio. Não gostava nem de pensar no que teria acontecido se ela não lembrasse do treino. Mas não deixou de ficar surpreso com aquela atitude. Logo ela que na noite passada pulou em cima dele na cama daquela forma. Passou um tempo na cozinha tentando entender tudo o que se passou. Pobre Shaka, ainda era puro perante algumas atitudes maliciosas de Jim, não sabia ainda indentificar o que era provocação e o que era acaso. Se soubesse não teria acreditado que ela estava com sono na noite passada.
Jim fingiu que estava dormindo para que Shaka a colocasse na cama e assim pega-lo desprevenido. Só que, ele se quer imaginou isso. Agora era oficial, não tinha mais nenhum controle sobre o seu corpo. Isso por que Jim já tinha saído e ele ainda estava naquele 'estado'. Quando aquela maldita ereção ia passar? Irritado resolve tomar outro banho frio. Entrou no quarto, tirou a calça do pijama e jogou longe num canto. Ficou embaixo da água fria rezando para Buda o livrar daquele calor, e arrancar a imagem de Jim vestida naquele pijama curto da sua cabeça. Demorou pelo menos vinte e cinco minutos no banho frio, e quando saiu ainda estava duro. Praguejou mais uma vez por ser tão fraco. Saiu do quarto já vestido e começou a andar pela casa. Cruzou com o pequeno Fred que ao vê-lo andar em círculos, começou a segui-lo pela casa.
Não teve como não achar graça. Pegou o filhote de gato e começou a falar com ele:
- Isso é culpa da sua dona. Ela não devia usar aquelas roupas pela casa. Já imaginou se o Milo de Escorpião fosse mestre dela ao invés de mim?
Em resposta o filhote amarelo só piscava os olhinhos verdes. A quem ele queria enganar? O único culpado dele estar daquele jeito incontrolável era ele mesmo. Quem mandou ignorar os chamados do corpo durante tantos anos? Mas no caso de Shaka teve que ignorar em nome de treinamento que fora obrigado a seguir. Não que ele se sentisse arrependido, longe disso, pela humanidade e por Atena ele faria qualquer sacrifício. Olhou para a flor de lótus sabendo que tinha que meditar como fazia em todas as manhãs, mas naquela estava achando muito ruim ficar parado por muito tempo. Estava se sentindo transbordando de energia. De repente teve uma ideia. Achou que se treinasse um pouco ajudaria a aliviar as tensões de seu corpo e a descarregar um pouco a sua energia acumulada. Liberar o cosmo lhe faria com certeza se sentir melhor e ainda afastaria os pensamentos impuros da mente. Não perdeu mais tempo, colocou o gato amarelo no chão e saiu de seu templo em direção a casa de Áries. Objetivo: arrastar Mu para treinar com ele. Depois de uma luta-treino e de liberar o cosmo acumulado, não lembraria mais da existência do sexo. Pelo menos era o que ele esperava.
***L***
Descendo as escadas das doze casas, Jim se sentia completamente diferente do dia anterior. Não martelava mais sobre as atitudes de Shaka, ou sobre ele ser virgem ou não. Depois de vê-lo excitado só de olhar para ela entendeu todos os mistérios. Aquilo fora a resposta esperada por ela durante todo aquele tempo de questionamentos. E pensar que chegou a pensar que o mestre fosse virgem quando ele estava apenas sofrendo de remorso por desejar uma discípula. Nao havia mais preocupação nenhuma em sua mente por que sabia que conseguiria fazer aquela culpa desaparecer em pouco tempo com uma porção de beijos.
Quando passou pela casa de Gêmeos avistou um cavaleiro alto de longos cabelos azulados e esvoaçantes parado na saída sul do templo. Sorriu achando que fosse Saga, mas logo reconheceu o engano quando se aproximou um pouco mais.
- Bom dia bonequinha. – disse Kanon com os mesmos olhos de sempre.
- Ah é vc. Pensei que fosse o Saga. – disse Jim sem pudor em demonstrar seu desapontamento por dar de cara com o gêmeo do mau.
- Onde estão os seus modos bonequinha?
Bufou e respondeu para depois não ser chamada de mal educada: - Bom dia Kanon. – se precipitou para sair mas ele a impediu se colocando na frente de seu caminho.
- Espere. Quero falar com você.
- Não tenho nenhum assunto para tratar com você homem sereia. Quer fazer o favor de me deixar passar?
- Por que você é sempre tao hostil comigo bonequinha? Logo eu que salvei a sua vida...
- E você ainda pergunta?
O ex-general marina dá uma risada debochada antes de falar : - Ainda está com raivinha por que eu bati no seu querido mestre?
- Tenha santa paciência! Você fez intriga pelo santuário dizendo que o meu mestre era gay. – e avançou mordida de raiva com as mãos na cintura para cima de Kanon – Fique você sabendo que o meu mestre não tem nada de gay, nem ele nem o Mu...
- Pelo seu tom, até parece que você já experimentou um deles, bonequinha.
- Já ouvi o bastante! Vai me deixar passar pela sua casa sim ou não? – perguntou ficando corada com a insinuação.
Ele ri mais uma vez: - Desculpe bonequinha. Nao quis te ofender. Saiba que eu fiz tudo isso por uma unica razão: o seu bem.
- Fala sério! – disse ficando novamente corada. Estranhou na verdade tudo aquilo. Principalmente por que de uma hora para outra o olhar malicioso deu lugar a uma expressão terna. Lembrava muito o olhar bondoso de Saga.
- Não é brincadeira. Eu só acho que se você recebesse um treinamento mais adequado seria mil vezes mais poderosa do que é hoje. Você tem uma coisa que esses aprendizes não tem... Não devia ficar só sentada meditando trancada em casa.
- É você por acaso quem me daria este 'maravilho treinamento'? – perguntou cheia de ironias.
- Não tenho a menor dúvida de que se você fosse minha discípula seria a melhor futura amazona deste santuário. Mas não se preocupe, não vou me meter mais nesse assunto. Apenas gostaria que soubesse que se um dia mudar de ideia com relação ao seu treinamento ou se precisar de um mestre de verdade, pode contar comigo.
Mais uma vez ela se surpreendeu com as palavras de Kanon. Ele tinha mesmo um quê de confiável em seu rosto. Parecia tão despreendido, tão sincero... Porém em se tratando daquele que enganou até um deus, todo cuidado era pouco. Ainda se pegou imaginando como seria esse tipo de treinamento que Kanon tanto alardeava. Mas não entendia o porquê daquela proposta afinal. Com tantos aprendizes espalhados pelo santuário, Kanon havia encarnado justamente nela... Também não conseguiu imaginar o motivo que a faria trocar Shaka por Kanon, até por que se na pior das hipóteses improváveis disto acontecer ainda teria Mu de Áries como mestre. Portanto, não havia motivo algum no mundo que a faria dispensar dois mestres ótimos que ela tanto gostava. Interrompeu suas divagações tidas como absurdas para dizer:
- Agradeço sua proposta, mas no momento me encontro muito bem servida de mestres.
- Eu sei... – e de um sorriso malicioso – Quem sabe no futuro possa precisar dos meus ensinamentos. Estarei aqui a sua disposição, bonequinha.
- Valeu. Mais alguma coisa homem sereia? Por que preciso mesmo ir andando para o meu treinamento...
- Chama aquilo que vocês fazem com a Shina de treinamento? – deu uma gargalhanda – Isso é só mais uma prova de que o Shaka não é bom mestre, por que se você fosse minha discípula, eu, um cavaleiro de ouro, e mais ninguém ia te treinar. Você não seria obrigada a ficar perto de aprendizes inferiores nem de uma amazona mal amada como a Shina de Cobra... – ele falava se aproximando perigosamente dela - Esse programa de internato é uma piada. Se eu fosse seu mestre você não teria que passar um ano perdendo tempo... – tentou tocar o queixo de Jim, mas ela o impediu batendo com força na mão do ex-general marina.
- Já terminou? – perguntou com olhar frio.
- Já.
- Que bom. Até mais. – e saiu andando calmamente da casa de Gêmeos.
Ainda deu uma última olhada para Kanon quando passou por ele. Ele fez o mesmo, ambos se encararam, e naquele momento que os olhos se cruzaram pela última vez, Jim notou de novo sinceridade. Coisa mais esquisita, nunca poderia imaginar alguma bondade vinda de Kanon. Tudo naquele homem lhe lembrava apenas malícia, manipulação e falta de caráter, mas aquele olhar e aquelas palavras não tiverem essa temática. O fato era que Kanon, era de confundir qualquer ser humano. O mesmo homem que arquitetou toda a queda do santuário de Atena, primeiro levando o próprio irmão gêmeo para o lado do mal, depois se aliando a Poseidon para destruir o planeta, ironicamente voltou redimido nos dias da Guerra Santa para ajudar os cavaleiros de bronze e a deusa que um dia queria ver morta. Assim como os outros cavaleiros de Atena, Kanon deu sua vida em nome da paz no planeta que ele tentou destruir outrora. Tendo em vista tudo isso, pode-se dizer que Kanon não é tão mal assim como Jim pensa? Ou ele teria buscado perdão de Atena e salvado a Terra unicamente por ele mesmo e não pelos outros? Sinceramente, não sei dizer...
Mas o fato era que, com relação a Jim, Kanon tinha mesmo as melhores intenções. Cavaleiro experiente que era, enxergou um potencial incomum naquela jovem interna. Potencial que ele saberia explorar como ninguém. Fora as conhecidas rusgas com o cavaleiro de Virgem, praticamente duas forças opostas naquele santuário, Kanon tinha suas opiniões muito bem formadas com relação ao treinamento imposto a Jim e queria verdadeiramente o bem dela. Ele ficou a vendo descer as escadas calma e decidida lembrando do jeito que ela o enganou no Bar. Muitos só citavam o bloqueio mental que ela possuía como razão de seus poderes misteriosos, mas Kanon era o único que via além. Viu a esperteza fora do comum, o raciocínio rápido e certeiro, a personalidade forte, e por que não dizer capacidade de manipulação... ( ?). Logicamente também tinha vontade de derruba-la na cama e faze-la gemer sob seu corpo. Havia mais sim, além da cobiça, do desejo e vontade de tomar aquilo que era de Shaka.
***A***
A tarde caiu. Noutro ponto do santuário, Mu e Shaka treinavam a todo vapor. Correção, Shaka estava a todo vapor. Já tinha pegado Mu desprevenido e o derrubado pela terceira vez no chão de terra. Estavam treinando atrás de uma cadeia de montanhas ao sul do santuário. Normalmente os cavaleiros de ouro treinavam na grande arena, mas esta estava sendo usada por Shina e seus aprendizes. A tempos os dois usavam aquela área isolada do santuário para treinar. O local era ermo mesmo, cheio de rochas espatifadas, ou então esburacadas pelos golpes. Naquele dia pelo menos cinco tinham sido pulverizadas pelas explosões que Shaka provocava, forçando Mu a usar a barreira de cristal dezenas de vezes para não morrer, tinha até se arrependido de não chamar sua armadura.
- Shaka, você está tentando me matar? Por que se for avise logo para eu chamar minha armadura... – disse Mu depois de defender outro golpe fortíssimo usando a muralha de cristal.
- Não estou tentando te matar, você é que está muito destreinado e nao aguenta um mísero golpe meu.
Mau terminou de falar e já partiu para cima de Mu com intenção de atingir a cara do amigo com um soco. Shaka atacou com tanta velocidade que Mu não teve tempo de fazer a muralha, foi obrigado a se defender usando os dois braços em x na frente do rosto. Logo depois de receber o impacto, tratou de se teletransportar para longe de Virgem. Conforme o previsto, Shaka saltou bem alto sabendo que Mu apareceria em pleno céu. Concentrou todo o seu cosmo no punho mais uma vez para golpear Mu que desta vez, foi capaz de se defender usando a muralha de cristal. Os impactos dos cosmos de Virgem e Áries, causaram um enorme clarão no céu seguido de um estrondo que lembrava muito o barulho de um raio caindo na terra.
A muitos quilômetros dali, todos na arena de treinamento pararam para obeservar o clarão e ouviram o som dos choques dos cosmos muito espantados. Ninguém era capaz de adivinhar a causa daquele estrondo, sobretudo os internos que não tinham tanto poder quanto Jim e Lucy. Estas, foram as únicas a se manifestar, sendo que os outros ficaram apenas de boca aberta.
- Que diabos foi isso Ji? - perguntou Lucy olhando para a região de onde veio o clarão.
- Não sei direito, parece que era o cosmo do mestre e do Mu... Por que eles estão lutando?
- Pode-se saber quem deu permissão para as duas convesarem durante o treino? – perguntou Shina aparecendo de repente no meio delas com cara nada satisfeita
- Perdão mestra, só ficamos curiosas para saber o que foi aquele barulho todo... – disse Lucy olhando para Shina.
- Aquilo é o som de dois cavaleiro de outro treinando. Mas isso não é da conta de nenhuma de vocês. Andem, voltem ao treinamento! – respondeu a mestra ainda mais ríspida.
Voltaram mesmo, assim como o dois cavaleiros de outro em questão. Passado um tempo de mais clarões e estrondos, Mu finalmente conseguiu derrubar Shaka. Cansado, pediu um tempo ao amigo para se restabelecer. Sentaram na grama embaixo de uma árvore, abrigados do sol forte e aproveitaram para conversar:
- Você parece fora de forma carneiro.
- Isso por que você não tem o Kiki para tomar conta e dezenas de armaduras para reparar. Quer trocar a Jim pelo Kiki?
- Nem pensar. – respondeu não gostando nada dos pensamentos do amigo ariano.
- A propósito como vocês estão?
- Bem... – disse desviando o olhar. Teve vontade de contar sobre quão bem eles estavam mas se segurou. Jim pediu segredo e ele mesmo já tinha se convencido que era melhor ser discreto. Mas ia contar ao melhor amigo sim, só não sabia quando.
- Pelo visto bem demais para você está assim tão animado para treinar... Nunca te vi desse jeito Shaka.
- Não tem nada a ver com ela. Tem a ver com o que foi acertado na última reunião, que devia-mos treinar dobrado por conta desse inimigo misterioso. – disse Shaka estrategicamente para mudar de assunto.
- Não adiantou nada o Saga pedir segredo. Todo o Santuário está comentando que seremos atacados em breve...
- Não acho que esse inimigo seja assim tão estúpido para atacar o Santuário com todo os cavaleiros presentes. E você sabe que o Santuário de Atena adora um boato... – disse Shaka e depois tomou um gole de água.
- É verdade. Conversei com o mestre Shion ontem longamente, ele me pareceu muito tranquilo... Não sei como o Dohko conseguiu convence-lo a não fazer alarmes. Se fosse em outros tempos, a mínima ameaça de guerra já deixava o grande mestre uma pilha.
- Dohko fez isso por influencia de Saga. Saga ainda tem muita influencia neste Santuário, mesmo Shion não adimitindo e sempre querendo manter ele longe das decisões...
- Atena confia muito nele apesar de tudo o que aconteceu no passado... Quem não confia nada é o mestre Shion, mas parece que desta vez meu mestre está se dobrando... – disse Mu e tomou um longo gole de água de sua garrafa.
- Shion não tem mais com que se preocupar com relação a Saga. Todo mundo sabe disso. Saga não tem mais nenhum motivo para querer o cargo de grande mestre do santuário. A tendência é ele se manter cada vez mais afastado do décimo terceiro templo, ainda mais agora, que Gisty voltou para o santuário...
- O que tem a Gisty?
- Nada, é só intuição minha... – respondeu Shaka com um meio sorriso, lembrando do clima na praia.
- Sempre desconfiei daqueles dois. Eu já peguei uma troca de olhares suspeita entre Saga e Gisty no dia da luta com Jim.
Era muito difícil uma coisa passar desapercebida por Shaka e Mu. Shaka era a reencarnação de Buda e tinha a habilidade de enxergar a essência das pessoas. Já Mu era um lemuriano com imenso poder telepático. Os dois eram quetinhos, mas muito observadores. Definitivamente, nada escapava daqueles olhos. Como Shaka estava com energia sobrando e com muita vontade de treinar para afastar os desejos sexuais para com sua doce interna, resolve dar um fim naquela conversa logo:
- Já descançamos demais. Precisamos voltar a treinar.
- Treine você sozinho, eu preciso de mais dez minutos... – disse Mu se deitando na grama com as mãos atrás da cabeça.
- Quanta moleza carneiro!
- Que nada. Se quer saber, estou achando muito suspeita essa sua disposição toda...
- O que há de suspeito em querer treinar?
- Você sabe do que eu estou falando, não se faça de desentendido. Eu sei muito bem o motivo de você estar com tanta energia... É falta de sexo.
- Está errado. Sabes muito bem que eu não sinto falta destas coisas...
- Mesmo Shaka? Não sente nenhuma falta quando olha para uma jovem linda e sexy como a Jim andando pela sua casa?
- Não. – e procurou mais uma vez desviar dos olhos de Mu.
- Conta outra Shaka! Você até adimitiu que acha ela bonita outro dia e fora o ciúme doentio que sente...
- Mas isso não significa que eu esteja a assediando em minha própria casa... – disse Shaka lutando contra a vergonha, sentindo o rosto queimar pelas lembranças e por ter que mentir para o amigo. Mas era difícil mesmo adimitir para outra pessoa tudo o que ele sentia.
- Agora você vai começar a dizer que é o mestre dela, que tem que respeita-la e ensina-la, blá, blá, blá... Que a enxerga como uma filha... blá, blá, blá... A quem está tentando enganar Shaka? Esqueceu que eu sou o seu melhor amigo e te conheço a anos?
Sem ter aonde enfiar a cara, Shaka voltou a se sentar ao lado de Mu na grama. Foi então que Mu notou o quanto o amigo estava envergonhado, como se tivesse feito algo terrível...
- Aconteceu alguma coisa entre vocês não foi? – disparou a queima roupa.
- Não aconteceu nada... – disse Shaka evitando olhar o amigo nos olhos.
- Aconteceu sim... Rolou alguma coisa entre vocês, você não me engana mais Shaka de Virgem... – disse Mu com um tom de voz de quem já tinha descoberto tudo. – Sabe que eu acho que a Jim também está enteressada em você, Buda? É fácil notar um climinha entre vocês...
- Que climinha? – disse Shaka jogando verde para tentar descobrir o que o amigo sabia. Será que estava tão na cara assim o envolvimento dos dois? Se for assim logo logo todo o santuário estaria sabendo e isso não era nada bom.
- Com certeza. Acho até que ela gosta quando você banca o Buda ciumento... Mas me conta, já rolou alguma coisa tipo um beijo ou...
Nesse momento Shaka titubiou. Teve vontade de contar tudo, mas ainda não era hora. Gostou de ouvir do amigo que seus sentimentos estavam sendo correspondidos. Na verdade se sentia muito tímido em falar sobre esses assuntos e Mu sabia disto. Como era difícil esconder as coisas de Mu! Foi então que Shaka resolveu falar, sem saber na verdade que o pouco era muito.
- Não aconteceu isto que você está pensando... Quer dizer, nos beijamos sim... E dormimos juntos também...
- VOCÊS DORMIRAM JUNTOS? – perguntou arregalando os olhos.
- Não aconteceu nada de mais. – justificou-se - Apenas dormimos juntos na mesma cama, mas foi com muita inocência... Na verdade eu estou desesperado Mu. Isso não devia estar acontecendo!
- Eu sabia que isto ia acontecer mais cedo ou mais tarde. Só não entendo por que você está tão desesperado...
- Como não estaria? Ela é minha discípula e é uma criança! Não devia estar tendo este tipo de pensamento libidinoso com ela...
- Criança? – e dá uma gargalhada – Shaka, quantos anos acha que a Jim tem?
- Quinze, não mais do que dezesseis. Por que?
- Está errado meu amigo. A Jim tem vinte e cinco anos. Ela tem quase a nossa idade.
- Como é que é?
- Isso mesmo que você ouviu. Ela mesma me disse no primeiro dia de treinamento, que tinha vinte e cinco anos.
- Não pode ser...
- Por que ela mentiria Shaka? Você nunca errou a idade de alguém deste jeito. Todo esse tempo você achou que estava treinando uma adolescente? – disse Mu segurando o riso.
- É muito estranho, ela não aparenta a idade que tem... – e se perguntou como não percebeu um detalhe tão importante como esse antes.
- Shaka, você precisa conheçer sua interna melhor, sabe, ficar mais íntimo. Já que agora estão até dormindo juntos...
- Não sei se isto voltará a acontecer.
- Agora tenho certeza da causa dessa energia extra. É falta de sexo mesmo, você está na seca meu amigo e de frente para um banquete proibido... – e Mu deu mais uma gargalhada.
- Não estou na seca e você sabe muito bem que eu não devo pensar nesses assuntos.
- Não pensava mesmo. Até a Jim morar na sua casa e bagunçar todo o auto-controle do homem santo do santuário. Por Atena Shaka, como pode ter demorado tanto? Com uma mulher linda daquelas morando na sua casa...
- Pare de falar assim da minha discípula! Não tenho intenções em fazer dela minha amante.
- E quem está falando em só sexo? Se você a ama pode namorar com ela, casar ter filhos... pense nisso. Pense também na possibilidade de... Você sabe... Em outro meio de gastar toda essa energia acumulada... Vai te fazer bem, eu sempre te disse isso.
- Podemos voltar a treinar? Não quero perder mais tempo conversando bobagens... – disse Shaka torcendo para aquela conversa acabar logo.
- Sempre fugindo desses assuntos não é Shaka? É por isso que o Milo aprontou aquela roubada para você, a casa de Madame Fifi...
- Por que todo mundo tem sempre que lembrar desse dia? Não consigo entender...
- E eu não consigo entender por que você fica tão arredio quando se começa a falar nesse dia. Me diz uma coisa Shaka, o que aconteceu na casa de Madame Fifi? – pergunta mais uma vez a queima roupa.
- Não aconteceu nada, eu já te disse mais de mil vezes...
- Mentira! Você sempre muda de assunto ou foge da conversa. Shaka – e Mu coloca a mão no ombro de Shaka. - Eu sou o seu melhor amigo. Nunca tivemos segredos um para o outro. O que pode ter acontecido lá que te deixa tão nervoso?
De fato, o incidente 'casa de Madame Fifi' era um assunto tabu para Shaka. Depois do ocorrido, todo mundo quis saber o que aconteceu durante aquelas três horas que passou no bordel, mas Shaka nunca falou nada a respeito. A dúvida pairava sobre as cabeças de todos os amigos e ninguém entendia o porquê daquele silencio. Depois do interrogatório de Mu, e de tudo o que estava passando, Shaka resolveu falar. Cansou de fazer mistério...
- Mu, acreditaria se eu dissesse que nada aconteceu naquela casa? – disse Shaka encarando o amigo de olhos abertos.
- Como assim?
- Não toquei em nenhuma daquelas mulheres. Essa é a verdade. – disse Shaka com a cara mais natural do mundo.
- Você está dizendo que ficou três horas num bordel, rodeado de putas e que não... Só pode ter perdido o juízo se acha que eu vou acreditar nessa estória estapafúrdia...
- Mu.. é verdade. Vou te contar tudo. O Milo me jogou lá dentro desacordado por conta da droga que ele pôs no meu chá. Então quando acordei estava rodeado por aquelas... jovens... Assim que acordei elas vieram para cima de mim. Eu fiquei desesperado por que eu não podia me desvirtuar. Estava muito próximo de atingir a iluminação, e fora que estava muito perto de despertar ao oitavo sentido também. Não podia fraquejar de jeito nenhum. Dai eu tentei argumentar com elas, já que não podia permitir que elas me...
- Você argumentou com as prostitutas para elas desistirem de fazer sexo com você? – perguntou Mu com um semblante totalmente consternado.
- Isso mesmo. Eu conversei com elas, disse que não podia cometer aquele pecado, que era a reencarnação de Buda, que tinha um dever para com a humanidade, por isso tinha que me manter casto. E provei através do meu cosmo. Por incrível que pareça, Mu, elas entenderam. Elas entenderam que estavam diante do homem mais próximo de deus, e me adoraram como Buda. Na verdade, aquelas mulheres não eram libidinosas. Eram todas mulheres muito tristes, com histórias de vida terríveis. A prostituição é uma vida muito difícil. Nós conversamos longamente. Eu ouvi todas elas, dei conselhos, falei sobre o Budismo, de como elas podiam buscar o equílibrio espiritual e serem pessoas melhores, além de muitas outras coisas...
- Você não existe Shaka. – disse Mu rindo.
- Depois que elas viram quem eu era elas desistiram de seguir o plano maligno de Milo. Eu até as ensinei a meditar! Muitas delas se tornaram minhas seguidoras depois da minha visita. – disse Shaka com toda a sua postura de homem mais próximo de deus.
- Quer dizer então que você não perdeu sua virgindade no bordel como todo mundo acha.
- Exatamente. Despois deste dia Milo e companhia me deixaram em paz. Por que todo mundo pensou que eu tinha feito sexo. Daí eu resolvi não falar nada e deixar que pensassem o que quisessem.
- Você enganou todo mundo Shaka!
- Eu não enganei ninguém. Eu apenas deixei que fantasiassem o que quisessem sobre aquele dia. Ninguém tem nada a ver com a minha vida ou com as minhas escolhas... O Milo precisava desta lição. E depois da ida ao bordel ele deixou de pegar no meu pé.
- Mas não teve nenhum contato? Não pode ter ficado lá dentro rodeado de mulheres safadas só conversando, é impossível para qualquer homem.
- Na verdade, teve 'algum contado' sim, mas não rolou sexo, nenhuma forma de sexo se quer saber.
Depois daquela última afirmação Mu ri como nunca. Não dava para acreditar que um jovem de dezoito anos passou três horas trancado num bordel e não fez se quer sexo oral. Era impossível de comceber, até mesmo para Shaka de Virgem. Terminada a risada, Mu se levanta e diz para o amigo em tom debochado:
- Shaka, eu não acredito em você. Se você chegou naquele local bêbado, pode muito bem ter feito algo e não se lembrar. Você não me engana, a mim não. – e saiu andando da frente do amigo.
Shaka ainda foi falando e seguindo Mu, tentando argumentar que estava falando a verdade, mas o melhor amigo não acreditou, e não acreditou mesmo. Por mais que Shaka contasse e recontasse a estória não conseguia convencer Mu. Acabou que Shaka ficou frustado, e no fim, continuaram com o treinamento até tarde da noite.
***N***
Passou-se três dias. Conforme o combinado, os mestres intensificaram os treinamentos à suas discípulas. Na arena, Shina não dava descanço nem nos exercícios nem nas broncas. Terminou aquela semana ainda mais mau humorada (como se fosse possível). Helena dizia que a mestra estava nos cascos por que não estava nada contente com as intervenções impostas ao seu treinamento. Como ela mesma dizia: não queria nenhum maldito cavaleiro de ouro botando as botas douradas e rigorosamente polidas por uma serva em sua arena nem metendo o bedelho em seu treinamento. Mas como fora consenso aprovado por Atena e o Grande Mestre, tinha que acatar. Nas doze casas o clima era de vigília. Os cavaleiros se revezavam nas rondas noturnas e diurnas pelo santuário. Tudo era feito com muita descrição. Shaka, Afrodite e Aldebaram que tinham suas internas se atinham a treinar as respectivas. E com essa desculpa, a de dedicação máxima aos treinos, Shaka se manteve firme em seu objetivo de não ceder a tentação da carne. Eles treinavam as lições de ocultação do cosmo todas as noites depois que ela voltava da arena. E nada de sexo.
Jim acabou se conformando. Não estava mais determinada a provocar Shaka. Daria tempo ao tempo. Sabia no fundo que as coisas aconteceriam mais cedo ou mais tarde. Cada vez que dormiam juntos as caricias esquentavam ainda mais. Felizmente a intimidade de mestre e discípula nao fora descoberta pelos fofoqueiros do santuário. Mu até deixou de frenquentar a casa de Virgem com intenção de deixar o 'casalzinho' a sós. Quando chegou o domingo, junto com a merecida folga dada depois de tanto treino pesado. A paciência de Jim já nao estava lá essas coisas. Isso por que já estava subindo pelas paredes por ficar só no beijo e abraço. Seu corpo clamava pelo de Shaka, que por sua vez parecia se fazer de desentendido. Por mais que o amasse, não suportaria por muito tempo um namoro celibatário.
Por isso, naquele domingo ela iria fazer cair por terra toda a santidade de Shaka de Virgem, nem que fosse um pouquinho. Acordou cedo, tomou um perfeito banho e se perfumou mais uma vez. Vestiu uma rouba básica, porém chamativa: uma bermudinha jeans curta, com uma blusa branca de algodão baby look. O mestre sempre condenava quando ela usava suas roupas curtas dizendo que algum cavaleiro libidinoso pode passar e te ver vestida assim, eram sempre as palavras dele. Mas os domingos não eram mais os mesmos. Os cavaleiros de ouro não saiam mais do santuário. A vigília secreta que eles faziam impedia tais luxos. Por isso, domingo era dia de ficar em casa. No caso dela, dia de provocar o mestre Shaka.
Depois de tanto se arrumar, deixou Fred dormindo na cama e foi para a sala esperar o mestre que tinha ido a casa de Áries tagarelar com o Mu. Assim que sentou no sofá seu celular tocou:
- Oi Milo.
- Pudinzinho, preciso de você.
- Para quê?
- Preciso da sua ajuda, pode vir até a casa de Escorpião?
- Agora?
- Sim pudinzinho. Só você pode me ajudar...
- O que seria?
- Que desconfiança! Preciso que me ajude com o meu computador. Ele não está respondendo aos meus comandos.
- Me fala o que está acontecendo, quem sabe eu possa te ajudar por telefone... – dise Jim sem a menor vontade de sair de casa. Queria muito esperar pelo mestre sossegada e passar o domingo todo com ele.
- Poxa pudinzinho, vai deixar o seu amigo na mão numa hora como essa? Vem na casa do Escorpião, vem amor. Prometo te devolver para o Shaka inteirinha...
- Milo... – disse segurando o riso por que Milo tinha falado tudo aquilo com uma voz tão sedutora que seria capaz de derreter qualquer uma.
- Por favor?
- Ta eu vou. – e desligou o celular para ir a casa de Escorpião.
Que mal haveria em ir ajudar um amigo? Seria uma visita rápida, com certeza voltaria para casa antes do mestre chegar. Se teletransportou até lá chegando em menos de cinco minutos. Entrou na oitava casa e encontrou o dono na sala sentado em frente a escrivaninha que ficava o computador. Jim reconheceu logo de cara que aquele era um dos micros novos enviados por Saori para seus cavaleiros. Se era novo não devia estar dando problema, a não ser que Milo estivesse aprontado alguma. Curiosamente, desde que fora liberado internet no santuário, via-se pouco o cavaleiro de escorpião fora de sua casa.
Andou pela sala que estava um pouco bagunçada com muitas coisas jogadas em cima dos sofás. Jim nunca tinha se demorado na casa de Escorpião. Sempre passava por lá para ir a casa de Peixer ver Lucy, mas nunca ficava. Só naquele dia estava reparando no templo do amigo cavaleiro de ouro. Viu muitos cds de bandas de rock, Iron Maiden, Rolling Stones, AC/DC, etc, dispostos no que parecia mais um mini estudio musical, com direito a uma guitarra e equipamento para distorção preparado em um canto. A guitarra preta com detalhes vermelhos estava encostada em uma parede. Estranho, nunca ouviu som nenhum desde que chegou ao santuário. Com um equipamentos daqueles, Milo podia acordar todas as doze casas, mas por que nunca o tocava?
Andou um pouco mais olhando em volta e viu uma pequena luminária daquelas tipo de lava com gelatina brilhante dentro. E não havia só uma nao, habiam várias espalhadas pela casa. No momento em que viu as luminárias psicodélicas, Jim imaginou as farras que o escorpião fazia com aquelas luzes vermelhas e aquela guitarra. Devia transformar a casa em uma boate... Não tinha como não imaginar o dono dançando no meio de muitas mulheres no maior clima de sedução junto com aquelas luzes acesas pela casa... Bem quando estava parada olhando para a luminária desligada, seus pensamentos são interrompidos pela voz sussurrante de Milo em seu ouvido:
- Em fim sós, pudinzinho...
Ela toma um grande susto, mas responde educadamente depois de virar de frente para ele: - Oi Milo.
- Fica gatinha de óculos de grau sabia... – diz observando ela de cima a baixo.
- Estou aqui, o que você quer de mim?
– Posso imaginar muitas opções... – e completou com um sorriso muito do sedutor e um abraço apertado.
- Espero que esteja se referindo ao computador.
- Claro que é! O que você pensou? - disse Milo imediatamente desfazendo o sorriso sedutor adiquirindo uma expressão séria. Ainda abraçado a ela disse: - Humm, ta cherosa... isso tudo é para mim?
- Que nada. – olhou para a guitarra encostada na parede – Não sabia que você tocava guitarra Milo.
- Pois é, você disse certo, tocava. – disse caminhando até onde estava o computador sendo seguido por Jim.
- Por que não toda mais?
- Perdeu a graça...
- Que pena, eu adoraria te ouvir tocando Milo. Também gosto muito de Rock. – disse Jim parada em frente ao instrumento.
- Sério pudinzinho? Você parece tão delicada para gostar desse tipo de música...
- Delicada eu Milo? Ahahahah, fala sério! – e continuou rindo.
- Delicadinha sim, é o meu pudinzinhoooou... – e apertou a bochecha de Jim com fofura. Ela protestou na hora.
- Ahh paraaa com isso, saco. Se você soubesse o quanto eu 'gosto' desse apelido tosco... – e fez imediatamente uma cara de emburrada. – Gostei muito da sua guitarra, é linda. Podia tocar para mim qualquer dia desses, o que acha? – perguntou meio jogando verde para saber mais sobre os motivos dele não achar mais graça no rock'n'roll. Ficou intrigada na hora, também por que Milo olhava para a guitarra com uma expressão meio nostálgica, como se lhe trouxesse lembranças tristes.
- Toco uma para você com todo prazer... – disse com outro sorriso mega sedutor.
- Espero que esteja falando de tocar uma canção, seu escorpião safadeenho. – disse Jim muito séria. Milo riu de novo.
- Pudinzinho, você tem uma mente muito da poluída...
- Mente poluída, eu? Sei... Vamos ver esse problema no pc logo de uma vez.
- Por que a pressa?
- Por que eu quero passar o meu domingo de folga em casa relaxando, posso? E também, mestre não gosta que eu fiquei muito tempo fora de casa...
- Shaka te monopoliza demais. Você nunca vem me visitar por que ele não deixa, isso é muito injusto.
Passada as reclamações, Milo puxou a cadeira para Jim sentar em frente ao pc. rapidamente Jim identificou o problema:
- O pc ta normal Milo, o problema é no mouse que não ta respondendo. Ta vendo... – e Jim monstrou alguns comandos que sabia fazer no teclado. – deve ser problema de mal contato... – levantou da cadeira para verificar o encaixe no gabinete.
Foi obrigada a se inclinar para checar a parte de trás do micro. É claro que Milo adorou a bela visão que teve do bumbum da interna naquela micro bermuda jeans. Fora que a blusa curta subio mostrando bem a barriguinha da jovem. Sabendo que o escorpião a estava comendo com o os olhos, Jim diz muito séria meio divertida:
- Para de olhar para a minha bunda, Milo.
- Desculpe, mas é impossível não olhar. Acabei de descobrir que também gosto dos bumbums pequenos e empinadinhos como o seu. – disse Milo virando o rosto para olhar melhor - Mas ainda gosto mais do traseiro da Helena.
- Você nao tem jeito Milo. - disse Jim constatando que realmente o plug do mouse estava mal encaixado. Provavelmente alguma serva deve ter puxado sem querer enquanto limpava a casa de Escorpião.
- O traseiro da Helena é sem comparação. Nunca vi nada tão perfeito em toda minha vida... Vocês brasileiras são muito afortunadas...
- Milo, mais respeito quando falar da minha amiga, ok?
- Ta bom.
- Acho que agora o mouse voltou ao normal...
- Valeu pudinzinho. Já que está aqui pode me fazer outro favor ? Eu preciso de uma imgem que encontrei sem querer na internet semana passada, mas não lembro a página nem o nome que coloquei para pesquisar. Tem como achar pelo...
- ... Histórico de paginas visitas? Tem sim, por que você mesmo nao fez a busca?
- Eu tentei, mas acabei me enrolando. Achei outras coisas que não queria achar, menos a imagem que eu queria.
- Entendi. Vou ver o que posso fazer.
Nesse momento ficaram os dois com os olhos grudados na tela. Milo via com muito interesse a brasileira pesquisar em seu histórico. Jim usou o filtro e encontrou a página que Milo queria. Mas inda não era a imagem pretendida.
- Como é a imagem que você quer Milo.
- É uma foto de uma pimenta daquelas vermelhas e compridas...
- Para que você quer uma foto de uma pimenta?
- É para uns assuntos, Jim...
- Sei... Milo o seu histórico está repleto de paginas pornográficas. Não acredito que você passa o dia vendo essas porcarias...
- Eu não, eu treino vinte e quatro horas por dia pudim, não tenho tempo para essas coisas.
- Sei... Olha aqui a imagem da sua pimenta.
- É essa mesmo! Valeu de novo pudinzinho. Agora a minha postagem ficará completa.
- Postagem?
- É... não é nada de importante. Quer beber alguma coisa? Já que está aqui, podemos aproveitar e conversar um pouco mais, já que você nunca vem me visitar...
- Não posso me demorar, tenho que voltar para a casa de virgem e... – disse desviando o olhar para Milo não descobrir as suas más intenções com Shaka.
- Não me diga que o Shaka vai te faze treinar em pleno domingo de folga?
- Não mas... – sem querer viu uma pagina suspeita no meio do histórico de Milo – Milo o que é isso aqui? Perai, você tem um blog? Você é o Escorpião Grego?
- Eu pudinzinho? Que nada! Eu nem sei do que você ta falando... – disse visivelmente constrangido.
- Mas eu to vendo aqui... – e deu um clique no link da página. Segredo descoberto – Eu conheço esse blog, já visitei algumas vezes. Esse é você, to reconhecendo a foto... – e apontou botando o dedo na tela.
Milo estava suando frio. Suas atividadas na rede eram segredo absoluto, a não ser para Camus e Afrodite que de vez em quando ajudavam nas postagens. O blog do Escorpião Grego falava basicamente de sexo. O autor postava pequenos contos eróticos (experiências próprias algumas vezes), imagens sensuais, dicas para apimentar a relação, tirava dúvidas de todo tipo, dava dicas de conquista também. Para mulheres e homens, por que Milo era tão bem resolvido a ponto de não ter qualquer tipo de preconceito. Ressalte-se que era hetero convicto, mas seu blog era visitado por pessoas de todos os gêneros, fascinados pela sensualidade das fotos misteriosas e das postagens do dono. Milo adorava todo esse assedio de ambos os sexos, inflava o seu ego cada vez mais. Jim como muitas era fan do Escorpião Grego, adorava os contos, e as diquinhas. Nunca lhe havia passado pela cabeça que aquela obra de arte da literatura erótica fosse de autoria de Milo de Escorpião. Estava estupefata... mas se recompôs logo de sua surpresa (obviamente ela ficou vermelha lembrando de tudo que tinha lido). Fez muitos elogios ao blog para alegria do dono.
- Milo, você bem que podia ter colocado uma foto mais discreta, já pensou se o Shion acessa esse blog? Vai te reconhecer na hora, cara.
- Será?
- Lógico, vou tentar fazer umas alterações nela para dificultar o reconhecimento... posso?
- Fique a vontade.
A foto em questão era uma que mostrava todo o peitoral desnudo e suado do escorpião indo até um pedacinho do lábio. Não dava muito para ver os cabelos loiros pela pose sensual em que estava enquadrada. Era a imagem de capa do blog. Era uma daquelas fotos de deixar qualquer mulher babando. Milo tinha um corpo Excessivamente sensual, nada fora do lugar e era muito musculoso também. Um deus grego em todos os sentidos, principalmente quando sorria os seus sorrisos sedutores. Rapidamente, Jim baixou um programa de edição de foto para colocar a imagem em preto e branco. Ainda alterou a iluminação para dificultar ainda mais o reconhecimento. Em menos de dez minutos a foto já estava colocada na capa. Milo adorou o resultado.
- Duvido o Shion me descobrir agora. – e deu um sorriso satisfeito.
- Não tem de quê. Eu adoro esse blog, de vez em quando eu acesso.
- Sério?
- Umhum, sou uma admiradora do Escorpião Grego. Aprendeu como se mexe nas fotos? Agora você pode alterar todas as imagens que quiser e assim ninguém mais te reconhece.
- Vou fazer isso mesmo.
- O que te deu na cabeça de fazer um blog erótico, Milo? Sim por que, se o grande mestre Shion te pega postando safadezas na rede ele te mata...
- Não tenho medo. O culpado foi ele mesmo por ter queimado os meus livros. Shion é muito antiquado.
- Então é você o autor dos tais livros proibidos da biblioteca do templo de Atena... nossa, já ouvi falar nesses livros. Dizem que são ótimos, mas ninguém os vê a anos.
- Por causa da rabugice do cabelo de alface. Foi por isso também que eu resolvi criar o blog. Eu percebi que existem muitas pessoas aflitas com questões envolvendo sexo e conquista. E meu papel como cavaleiro de Atena é ajudar a humanidade, se tenho conhecimentos valiosos nessa área, por que não ajudar? Eu gosto muito de ajudar as leitoras, de tirar suas dúvidas. Recebo muitas mensagens de agradecimento. Isso me faz muito feliz.
- Ai Milo, só você mesmo... Só toma cuidado para não ser descoberto. A humanidade precisa muito do Escorpião Grego.
- Pode deixar. Você já colocou em prática algumas das minhas dicas?
- Não mas quem sabe um dia.
- Safadeenha.
- Milo, como você consegue ser tão... Onde arranjou todo aquele material?
- A maioria é experiencia própria. Mas eu não faço isso sozinho, Camus e Afrodite as vezes colaboram.
- Eu adoro os livros do Camus. Os manuais de treinamento dele são os melhores, já li todos.
- E quanto ao autor, o que acha dele? – jogou verde para colher maduro.
- Eu gosto do Camus, ele é muito legal. Se não fosse ele talvés eu tivesse pirado no dia da balada. Mas por que ta me perguntando isso Milo?
- Por nada. E você não acha o meu amigo aquariano bonito não?
- Bonito não, o acho lindo. Eu e a maioria das mulheres deste santuário.
- Cá para nós Jim, meu amigo não tá nem ai para as outras murelhes, só para uma interna do primeiro ano em especial...
- Ta de brincadeira comigo? Quem é? Eu conheço? – pergunto intrigada.
- É uma que mora na casa de Virgem... – disse Milo com falsa displicência.
- EU? Que estória é essa Escorpião? – disse ficando imediatamente corada.
E não foi uma vez só que Camus de Aquário falou bem de Jim para Milo. Sempre exaltando suas qualidades, sua doçura, sua inteligência, seu poder, sua beleza. Milo como conhecia Camus de longa data, percebeu em dois tempos que o amigo ficara interessado na interna de Shaka. Mas Camus não era como Kanon que caia matando na primeira oportunidade, sabia ser paciente, usando todo o seu charme e poder de observação, dava o bote no momento certo. Resolveu esperar, também em respeito a Shaka que demostrava para quem quisesse o seu ciúme. Mas Milo começou a achar aquela espera infrutífera, por isso estava jogando todo aquele verde para cima de Jim. queria colher informações para repassa-las ao muito vê-los juntos e felizes. Eram tão parecidos, gostavam igualmente de literatura, formavam um belo casal, na cabeça de Milo, por isso estava bancando o cupido.
- Isso mesmo que você ouviu, pudinzinho. Então, me diz vai, você acha que o meu amigo tem alguma chance...
- Eu... eu acho... – nem conseguia falar! Aquela notícia havia a pego de surpresa. Saber que um gato de arrasar quarteirão como Camus de Aquário estava interessada nela havia a deixado deveras encabulada. 'Então aquele convite para jantar naquele dia não era normal, nao devia ser um simples jantar de amigos... mother of god..', pensou rapidamente tentando organizar a mente. A única saída que viu foi fugir do assunto: - Ahh Milo, fala sério. Eu ando muito atarefada com o meu treinamento para pensar nessas coisas.
- Se não estivesse interessada não demoraria tanto para responder... – falou o grego rindo.
- Acho que não estou interessada do jeito que você está pensando. De qualquer forma, já ta na minha hora. Tenho que voltar para a casa de Virgem. – e se levantou apressada sendo observada por Milo.
- Até pudinzinho, e pensa no que eu falei tá.
- Até Milo. – disse muito corada.
'É impressão minha ou ele ta querendo me juntar com o Camus? É impressão, só pode ser Buda, ai ai...', pensava Jim enquanto voltava para casa. Mau chegou deu de cara com o mestre que esperava por ela na sala. Quando ele a viu chegar, não pareceu surpreso, mas não dispensou a celebre pergunda:
- Onde esteve?
- Na... – e ponderou as palavras seguintes sabendo que não adiantava mentir para aquele ali. Ele não podia ouvir seus pensamentos para descobrir a verdade mas podia sentir 'cheiro' de mentira longe. Sendo assim, Jim achou melhor falar de uma vez: - Na casa de Escorpião.
- Que? – e abriu os olhos na hora – Quantas vezes já disse para não...
- Sim, sim. Só que o Milo estava com um problema e pediu minha ajuda, mestre. Era um problema com o computador...
- Ele podia chamar qualquer outra pessoa. Qualquer servo daqui saber usar um computador. Por que logo você? – disse Shaka se sentando no sofá contrariado.
- Ah mestre, eu não sei. Mas o que custa ajudar um amigo e... já conversamos sobre isso, o Milo é so um amigo querido... – disse sentando ao lado de Shaka. Ficou surpresa quando este se levantou assim que ela sentou.
- Sim, comversamos muito sobre isso, e você sempre dá muita confiança para o Milo. Se soubesse tudo o que ele fez no passado, não o defenderia tanto. – disse Shaka parando de falar em frente a lareira apagada.
- Não entendo o motivo de tanto ciúme. Eu mau saiu de casa mestre! E não vejo o Milo como um maníaco sexual que você vê. – disse Jim sem entender por que o mestre falava de costas para ela.
- Não é ciúme. – disse Shaka depois de certo silencio, agora sim ele finalmente se volta para ela: - Acredite em mim, o Milo não é de confiança e você correu um risco muito grande indo na casa dele sozinha...
- Nossa mestre! Não gosto quando você fala assim do Milo. – disse Jim agora já com um tom de voz alterado. – E você está com ciumes sim, só não adimite.
- Jim... – disse mansamente tentando acalma-la. – Como seu mestre meu dever é te proteger. Não sabe o risco que correu indo a casa de Escorpião sozinha, ainda mais vestida deste jeito... – e olhou para o micro short de Jim com olhar de reprovação, isso a deixou ensandecida de raiva.
- Então o problema é a minha roupa? – disse quase gritando. Ela tinha se arrumado toda daquele jeito para ele e ele ainda a condenava...
- É um dos problemas sim. você sabe que eu não gosto que se vista com roupas tão mínimas. Você devia ter me esperado para ir com você ao menos. – tentou se aproximar para tocar-lhe a face mas ela se afastou com uma expressão séria.
Continuaram brigando. Jim se sentia inconformada com mais uma demonstração de ciúme sem fundamento. E mais, estava começando a se sentir mal de ter sempre que pedir a permissão de Shaka para fazer alguma coisa. Como se ela fosse uma criança que não pudesse tomar conta de si sozinha. O pior era sempre ouvir as mesmas coisas, que Milo não era de confiança, mas Jim achava que era, pois Milo sempre demonstrou ser um bom amigo. Acabou passando o domingo de folga trancada no quarto descarregando a raiva nos zumbis, jogou até de noite, deu pouca atenção a Shaka. A noite, Lucy veio visita-la junto com Afrodite. Enquanto as duas tagarelavam no quarto, Afrodite e Shaka conversavam na entrada da casa de Virgem. Eles debatiam principalmente sobre o treinamento de suas discípulas. Shaka ficou sabendo por meio de Mu, que por sua vez tinha ouvido do grande mestre Shion que havia chegado a hora dos cavaleiros de ouro dar aulas aos internos do primeiro ano. Segundo Mu, o grande mestre era da opinião que não apenas Lucy e Jim mereciam atenção redobrada, eram as melhores sem sombra de dúvidas, mas haviam outros talentos a serem lapidados. Mais do que isso, o grande mestre já andava bastante preocupado com as desconfianças de todos sobre a segurança do santuário. Tinha pressa que aqueles guerreiros se desenvolvessem logo para fazer crescer a força do exercito de Atena. Contudo, Shion não revelou o nome do primeiro cavaleiro que seria designado a treinar o primeiro ano naquela semana. Para aqueles mestre zelosos e ciumentos, so restava esperar. Afrodite não queria que fosse Mascara da Morte e Shaka não admitia Camus...
***A***
Antes de raiar o dia a notícia de que um cavaleiro de ouro havia sido designado para treinar o primeiro ano junto com Shina se epalhou como fogo em rastro de pólvora. Todo mundo chegou mais cedo a arena para saber quem seria o tal cavaleiro mandado por Shion para 'atrapalhar', segundo a palavras de Shina de Cobra, o treinamento do primeiro ano. Essa intervenção deixou Shina literalmente soltando fogo pelas ventas. Nem ela sabia quem era o cavaleiro que chegaria naquele dia, o que só aumentou sua revolta. Na sua opinião, Shion só queria testar a paciência dela mandando um maldito cavaleiro de ouro para se intrometer nas suas aulas. Além disso pensava também que aquilo era uma prova cabal de que Shion não confiava nela como mestra. Shina não poupou adjetivos pejorativos à classe masculina de guerreiros de Atena naquela manhã. Revoltada, despejava todo o seu ódio numa grande rocha num canto da arena de treinamentos, ao seu lado estava Marin de Águia tentando apaziguar os animos da fera:
- Shina, ainda acho que não há motivo para tanta raiva. Está fazendo uma tempestade no copo d'água minha amiga... – dizia Marin de braços cruzados calma como sempre.
- Tempestade no copo d'água? Não me faça rir Marin. – disse Shina antes de dar mais um soco cheio de fúria na enorme rocha.
- Isso mesmo. Saiba que o Aioria vive me ajudando com meus discípulos e eu acho ótimo.
- Marin... – disse Shina afastando a franja verde dos olhos com raiva. – Cada mestre tem seu jeito de treinar seus discípulos. O meu é exatamente este: muita disciplina, trabalho duro e...
- Humilhações, gritaria, lutar até a exaustão... Shina, você exagera, exagera mesmo. Não precisa ser tão carrasca com eles...
- Se eu sou dura é para o bem destes bebês chorões. Eles não viveram a guerra santa, não sabem nem o que é lutar até a morte contra um inimigo de verdade. E antes que você me interrompa mais uma vez, o meu estilo de treinamento é sem nenhuma intervenção! – disse a Cobra enfatizando bem as últimas palavras.
- Shina... – disse Marin ainda mais calma. – Começo a achar que um pouco de ajuda iria te fazer bem. Te ajudaria a ser menos severa, menos dura e mais sensível... Você precisa de um descanço, treina dia e noite esses aprendizes, fora as suas outras obrigações na Vila das Amazonas.
- Nunca fui de fazer corpo mole. Acho bom ocupar o meu tempo. Sou uma amazona de Atena, não temo o trabalho, faço com muito orgulho.
- Eu sei amiga, eu sei. Acredite em mim, o grande mestre Shion te fez um bem enorme te mandandando esta ajuda. Um dia você ainda vai agradecer a ele...
Depois daquelas palavras, Shina parou de golpear a rocha. Já começava a se sentir mais calma. Marin era a única amazona que conseguia dobrar Shina de Cobra, possivelmente a única pessoa naquele santuário com essa capacidade, fora a própria deusa Atena. Marin sempre tão calma, tão terna... era vista como uma mãe por muitos aprendizes. A valoroza amazona que treinou Seiya de Pégaso, Marin de Água. Com certeza digna de admiração e uma referência para qualquer aprendiz de amazona e de cavaleiro naquele santuário. A conversa das duas é interrompida pela chegada dos internos, que por sua vez, estavam curiosíssimos para saber quem viria para treina-los. A expectativa era grande, pois muitos ali, só conheciam o treinamento de Shina, logo, sentiam-se felizes por serem treinados também por um cavaleiro de ouro. Tinham esperanças de ficarem tão fortes quanto Jim e Lucy que recebiam um treinamento concomitante de um dourado. O burburinho é interrompido pela tão aguardada chegada, o cavaleiro de ouro adentra a arena chamando a atenção de todos. Shina fica possessa de raiva na hora e queima o seu cosmo trincando os dentes, prestes a lançar as garras do trovão para todos os lados... Motivo de tanta raiva: o cavaleiro de ouro designado pelo grande mestre fora Milo de Escorpião.
Quando Shina viu o cavaleiro entrando na arena sentiu na hora seu sangue ferver. Aquele maldito andar pretensioso e o sorriso sedutor estampado na face. Ela ia aturar aquele sorriso na sua arena? Não mesmo! Avançou em direção ao cavaleiro decidida a expulsa-lo a pontapés, mais foi detida por Marin:
- Shina, por favor, não vai fazer uma cena criatura! Foi o grande mestre Shion que o mandou... – disse Marin segurando-a pelo braço.
- O grande mestre só pode ta ficando gagá! Quero esse escorpião maldito fora da minha arena agora!
- Shina, por Atena! – disse com voz firme. – Está na hora de você esquecer o passado e seguir em frente...
- Você nao entende, Marin...
E continuaram discutindo. Marin tentando aliviar a barra de Milo e Shina gritando possessa de raiva como sempre. Aquilo acontecia sempre quando os dois estavam num mesmo lugar. Milo não deu bola para os ataques de Shina, seguiu seu caminho em direção aos aprendizes para se apresentar e falar os motivos que levaram a prensença dele ali. E fazia isso com muita simpatia e segurança, todos prestavam atenção vidrados. Principalmente as meninas, que praticamente babavam pelo cavaleiro de Escorpião. É claro que Milo não poupou nenhum sorriso sedutor, mas fazia sem pretenção, era o seu jeito natural de ser e nada mais. Encantava facil, fácil. Terminou as explicações dizendo:
- Não se enganem não, essa semana não vou dar moleza para ninguém. A minha presença aqui significa treino puxado e dobrado. Alguma pergunta antes de começar-mos?
Dito isso muitos internos e internas aproveitaram para tirar dúvidas sobre essa nova etapa de treinos na arena e também sobre os boatos de uma possível invasão. Milo respondeu tudo com muita tranquilidade e mais uma vez enfatizou que o Santuário estava seguro e que não haviam motivos para receios. Era impressionante o quanto Milo era desenvolto na hora de falar sério, de dar instruções. Era muito simpático, brincalhão, mas extremamente responsável e cuidadoso como bom cavaleiro de Atena que era. Quando se falou em redobrar a vigília e os treinos, Milo foi o primeiro a se oferecer para fazer as rondas pelo santuário. Nem fora preciso lembrar que deveria treinar dobrado de agora em diante, Milo já fazia isso todo santo dia. Era ótimo também como mestre, sendo que seus alunos eram aqueles já em estágio avançado de treinamento, prestes a ganhar suas armaduras. Também era muito bom liderando as tropas de soldados. Como seria a primeira vez que treinaria aprendizes iniciantes, Milo estava um pouco apreensivo, mas nada que pudesse atrapalha o seu desempenho. Seria uma boa experiência, além do mais ficaria junto de suas amigas, Lucy e Jim. E foi com elas mesmo que ele foi falar depois de tirar as dúvidas:
- Quem diria que eu receberia o treinamento do grande Milo de Escorpião. Até que falam bem de você como mestre. Quero só ver como vai ser esse treinamento. – disse Jim provocativa.
- Vamos ver se o escorpiano faz juz a fama quem tem... – disse Lucy também no mesmo tom.
- Para começar, nenhuma das duas me abraçou nem me deu um beijo, portanto, estou muito magoado com tamanha falta de consideração para com um amigo que veio com tanta boa vontade treinar vocês.
- Ah vá Milo. Mau chegou e já ta se achando...
- Pudinzinhooou... Lucynhaa... – disse apertando as duas ao mesmo tempo com um abraço. – Vai ser tão legal passar esses dias aqui com vocês. Estava cansado de só treinar machos fedorentos.
- Aaiinn Milo, ta bagunçando meu cabelo todo! – disse Lucy antes de se soltar e arrumar o cabelo.
- Você nao escapa de mim pudinzinho. – e forçou mais ainda o abraço colando o rosto no de Jim.
- Milo... você poderia me soltar, realmente eu preciso de ar para viver... – dizia Jim empurrando o grego sem conseguir se soltar.
- Só solto se você disser que ficou feliz em me ver. – Jim balançou a cabeça negativamente, Milo apertou mais. – Ohhhh, não vou soltar não. – agora ria divertido junto com Lucy perante o desespero de Jim.
- Buda dai-me paciência! Ta bom eu fiquei feliz, satisfeito? – e respirou aliviada por que ele finalmente a soltou. Estava feliz mesmo de ter o amigo por perto, só nao sabia como Shaka iria reagir quando soubesse, provavelmente faria outra cena de ciúme.
- Assim que eu gosto de ver. – e tentou dar uma mordida no rosto de Jim, mas ela fugiu a tempo. – Linda.
- Vê se não fica me chamando o tempo todo por aquele apelido tosco, ta Milo?
- Mas eu gosto tanto, você não pode me tirar essa alegria Jim.
- Por favor, por favor, por favor não me chama daquele jeito na frente da turma. Eles vão me zoar até o fim dos meus dias. – implorava Jim enquanto Milo e Lucy continuaram rindo. – Ta Lucy, pode rir, mas eu sei de um apelido tão tosco quanto o meu que só uma pessoa te chama nesse santuário... – completou com uma cara maléfica.
- Por acaso essa pessoa é o Mascara? – perguntou Milo batendo em Lucy com o cotovelo.
- JI! Sua linguarudaaaaa. – ia avançar na amiga mas esta se teletransportou para o canto oposto antes de Lucy chegar.
- Eu vo dizer, não vou pagar esse mico sozinha não. O Mascara chama ela de tor...
- Xiiiuuu! Se você fala eu te mato! – ameaçou Lucy tampando rapidamente a boca de Jim com uma mão.
- Hummm, se já estão na faze dos apelidos carinhosos é por que devem estar muito íntimos...
- Íntimos nada Milo de Escorpião! Não tenho nada com o Mask, quero dizer, com o Mascara da Morte de Câncer... – argumentou em tom sério tentando contornar a situação.
- Se não tem nada então por que o Afrodite proibiu o Mascara de pisar na Casa de Peixes? E ainda anda jurando o Mascara pelo santuário inteiro. Eles eram melhores amigos antes de você chegar, praticamente unha e carne... – deu um sorriso debochado. – O que você anda aprontando safadeenha?
- Eu nada, por que diz isso... – disse Lucy caprichando na cara de santa.
- Que horas vai começa esse treino heim Milo? – perguntou Jim.
- Já devia ter começado. Só estou esperando a sua mestra se juntar a nós... – disse Milo e olhou para Shina e Marin que ainda brigavam num canto da arena, isso por que Shina insistia em expulsar seu desafeto da arena enquanto Marin defendia o grego.
O olhar de Lucy, Jim e dos outros internos também foram parar nas duas amazonas que discutiam. Marin até já tinha perdido sua costumeira calma enquanto Shina praticamente gritava, berrava também muitos palavrões em italiano e em grego. Ninguém entendia nada do que estava acontecendo, principalmente o porquê de Shina ter ficado tão brava. Até que Milo pede licença as duas internas para ir falar com as amazonas. E caminhou até elas sob os olhares curiosos dos internos, mas infelizmente pela distancia eles não puderam ouvir nada do que era falado.
Vendo Milo se aproximar as duas param de brigar na mesma hora, aparentemente Marin havia convencido Shina:
- ... Espero que você tenha entendido mesmo Shina. Não vale a pena ficar brava por isso, uma coisa que aconteceu a tanto tempo não pode influenciar as suas obrigações de mestra. Você já perdoou tanta coisa ruim que aconteceu neste santuário, por que não pode perdoar o Milo?
- Agora você está pedindo demais Marin. Perdoar aquele cafageste está fora de cogitação...
- Disfarça ele vem vindo ai... – sussurou Marin para a amiga se recompor.
- Eu me recuso a falar com ele! – disse Shina e se precipitou para sair do local mas Marin a impediu segurando-a pelo braço.
- Shina, por Atena! Já está mais do que na hora de você encarar esta situação. Chega de fugir! Ou vai me dizer que está com medo dele? – disse Marin firme.
- Eu não tenho medo de nada!
- Ótimo. Se não quer perdoa-lo pelo menos seja profissional. Já que foi o grande mestre Shion que o mandou aqui para te ajudar, você não tem outra escolha a não ser aceitar...
Shina ia responder alguma coisa desaforada sobre o grande mestre Shion ter aprontado está última com ela e dizer também que era muito profissional sim, mas não conseguiu falar tendo em vista que Milo estava nesse momento diante dela. O olhar que ele lhe dirigiu foi sério e muito tranquilo, não teve como não se sentir estranha já que fazia tempo que Shina não encarava o grego assim tão de perto. Ela o evitou por anos depois da briga horrenda que tiveram, e de fato, não tinha vontade de ver o grego na sua frente nem pintado de ouro. Mas naquele momento não tinha como fugir, era como Marin disse, tinha que encarar a situação de frente. E ela faria exatamente como sempre fez diante de qualquer inimigo, postura ereta, olhar ameaçador, sem medo nenhum. Dar o braço a torcer e baixar a cabeça para algum homem? Nem morta!
Contudo se sentiu abalada mesmo pela proximidade do cavaleiro que lhe foi tão íntimo no passado, talvés o único que lhe tenha representado alguma coisa... e estava belo como sempre o maldito. Mesmo olhar penetrante, mesmos olhos azuis magníficos, mesmo porte atlético e altivo, mesma postura orgulhosa, mesmo sorriso sedutor. Não tinha como fugir de jeito maneira. Milo era exatamente assim, as vezes ganhava ares de dominador, mas de uma maneira tácita. Como se tivesse aplicado a restrição no observador sem que ele percebesse. De tão maravilhada e preocupada em não demonstrar seus sentimentos diante dele, Shina não percebeu que era observada também do mesmo jeito, com a mesma curiosidade... a diferença é que Milo tinha mais controle sobre suas emoções. Sabia ser profissional como ninguém, por isso foi o primeiro quebrar o silêncio:
- Como vai Shina? – perguntou como quem não quer nada.
- Ótima até você chegar. – disse se esforçando muito para manter-se fria mesmo estando diante dele.
- Shina... – e se aproximou um pouco mais da Cobra. – Não vim para brigar. Estou aqui cumprindo ordens do grande mestre Shion. Aliás... – sorriu com ternura sincera – Só assim para agente se ver, não é?
- Poupe-me da tua falsidade Escorpião. O grande mestre cometeu um erro terrível de achar que eu estou precisando de alguma ajuda, ainda mais vinda de você. – e olhou para Milo de cima a baixo, secando mas com olhar bastante frio.
- Shina, não culpe o grande mestre, ele só está querendo te ajudar, assim como eu. – a última oração fez Shina rir sarcástica – Está treinando demais a si mesma e a estes aprendizes, e trabalhando demais também. Soube até que dispensou ajuda para terminar os relatórios sobre o desempenho da sua turma e de seus outros discípulos...
- Isso é verdade Milo, ela fica até de madrugada trabalhando nesses relatórios e não aceita ajuda de ninguém... – interrompeu Marin.
- Você também tem quase a mesma rotina, Marin. Trabalho nunca matou ninguém e quando foi que alguém nos viu reclamando? – inquiriu Shina no meio deles.
- Eu nao reclamo por que o Aioria sempre me ajuda. – reforçou Marin.
- Só que eu não pedi nem estou pedindo nenhuma ajuda mesmo assim o grande mestre... – disse um pouco nervosa, mas logo se recompôs. – Milo, realmente, não estamos precisando de ajuda por aqui. Pode dizer isso ao grande mestre...
- Não adianta Shina, ele me deu ordens expressas para treinar o primeiro ano durante uma semana e assim eu farei. – disse Milo sério encarando a amazona.
- Está fazendo isso de propósito! – disse Shina novamente com raiva.
- De jeito nenhum, só estou fazendo o meu trabalho, mas se você acha que não consegue ser profissional por conta de algumas questões do passado, eu... – completou com ironia.
- EU NÃO CONSIGO SER PROFISSIONAL? COMO OUSA FALAR ASSIM COMIGO SEU... SEU... – foi então que percebeu que estava gritando e chamando a atenção de todos na arena. Respirou fundo e voltou a falar normalmente. – Milo... – recebeu o olhar penetrante de Milo, não teve como não ficar vermelha, por que sempre que falava aquele nome lembrava do passado, por isso evitava até de mencionar o cavaleiro de Escorpião em conversas. – Não vou dizer duas vezes: saia da minha arena! Agora!
- Shina, por favor seja razoável... – pediu Marin com medo que uma luta começasse a qualquer segundo, já que agora os dois se encaravam a centímetros um do outro.
Antes de receber as garras do trovão, e não tenham dúvidas de que Shina faria isso mesmo, Milo segura Shina pelo braço e a conduz até onde estavam os internos falando com a cara mais cínica do mundo:
- É muito bom te ver também Shina. Tenho certeza que está será uma semana bastante proveitosa para todos...
- O que você ta fazendo desgraçado? Eu mandei você sair... – dizia Shina entre dentes enquando era levada pelo braço até os internos.
- Eu não vou sair de jeito nenhum. – sussurrou no ouvido dela e levou um mega empurrão no ato.
- Tira a mão de mim, seu cachorrooo! – gritou motrando as garras para Milo que ria divertido.
- Cachorro não, escorpião... – e deu uma piscadinha seguida de um sorriso sedutor.
Não teve como não ficar vermelha mais ainda, como reação imediata levantou a mão para dar um belo tapa na cara de Milo que segurou a mão com força antes de ser atingido. Levou-a até a frente dos alunos e disse cheios de ironias:
- Meus querido e queridas, esté raio de sol chamado Shina de Cobra acaba de me confessar que me ama muito a ponto de não conter a felicidade em me ver aqui nesta arena.
- MENTIRAAA, EU NÃO FALEI NADA DISTO!
- Mas eu ouvi, você também não ouviu Marin? – Marin apenas riu discretamente da cena, já os outros internos riam de se dobrar. – Podemos começar o treinamento logo amor, seus alunos estão esperando a horas e...
- Cheeeegaaaa. – interrompeu com um grunhido. – Marin, não sou obrigada a aturar esta palhaçada. Não fico mais um minuto nesta arena enquanto este cavaleiro estiver presente! – e saiu pisando duro mordida de raiva.
Marin foi atrás da amiga, ainda tentou argumentar mas esta estava irredutível a não ficar perto de Milo. Nem conseguir falar Shina conseguia, de tanta raiva que sentia. Era muito difícil ser profissinal perto daquele sorriso sedutor ambulante, ele continuava do mesmo jeito, nunca perdia a mania de alfinetar com ironia o cafageste! Mas o pior mesmo foi quando ele a chamou de raio de sol... 'Podia jurar que você tinha esquecido esse apelido Milo de Escorpião. Raio de Sol... já faz tanto tempo...', pensava enquanto caminhava. Aquele apelido lhe trazia tantas lembranças maravilhosas, sempre que ouvia Milo a chamar assim, era como se ouvisse a mais bela música dos anjos. Mergulhada em lembranças, Shina parou de andar e olhou em volta. Percebeu que estava no meio do caminho para a vila das amazonas. Um trajeto que eles faziam sempre juntos a anos atrás. Foram tantas vezes em que pararam para dar ums amassos atrás de uma daquelas colunas, ou de uma árvore... trincou os dentes e voltou a caminhar. Concluio na hora que nao adiantava ficar se lembrando de um passado carregado de mentiras.
Marin acabou voltando para a arena sozinha, pois não teve santo, ou argumento que fizesse Shina voltar. Milo entendeu tudo pelo olhar de Marin, nem precisou ela dizer nada. Em todo caso, preferiu minizar o ocorrido, deu mais um de seus belos sorrisos e se voltou para a turma de internos dizendo:
- Bom, parece que nossa querida mestra Shina teve um pequeno problema de ordem feminina, vulgarmente conhecida como TPM. – todos riram depois da última frase.
Mandou todo mundo se aquecer rapidamente para iniciar logo o treino. Como mestre, Milo era competentíssimo. Não gostava de dar moleza, a todo momento dava instruções, corrigia os erros de postura e execução dos golpes. Era rígido mas não carrasco como Shina. Ganhou a simpatia de todos os alunos bastante rápido. Marin ficou na arena para ajudar, mas quase não fez nada, Já que Milo tomou as rédeas da situação rapidamente. Deixou os aprendizes treinando e foi falar com Marin que estava sentada na arquibancada:
- E ai Águia, acha que a Shina volta para esta arena algum dia?
- Volta sim, amanhã ela ta de volta. Shina não deixaria seus alunos sozinhos por muito tempo.
- Tomara que volte mesmo. – disse Milo com uma expressão pensativa.
- E você, como está depois de mais uma briga?
- Quem eu? Estou ótimo! Por que não estaria? Já recebi xingamentos piores da Shina.
- Verdade... – disse Marin rindo. – Eu sei que no fundo ela te ama, só não adimite para si mesma. Shina é teimosa, como uma mula.
- Acha isso mesmo Marin?
- Claro! Ou você não percebeu como ela ficou abalada com a sua presença? Ela sempre fica.
- Todas ficam abaladas com a presença do Escorpião.
- Não sei quem é mais convencido, você ou o Aioria. – disse Marin séria.
Milo riu e voltou para o treino. Mesmo não demonstrando nada de preocupação, no fundo ele também ficou abalado com aquele reencontro. Gostaria mesmo que Shina voltasse para a arena sem hostilidades ou ressentimentos. Todo aquele tempo que passaram separados havia deixado marcas... Era difícil ficar frente a frente depois de tanto tempo se evitando e não demonstrar nada. Mas o trabalho estava em primeiro lugar, era um cavaleiro de Atena ciente de suas obrigações e delas nunca fugiu.
Longe da arena, Shina entrou em sua casa na vila das amazonas como um tsunami. Chutou o sofá, derrubou objetos que estavam em cima da mesa, quebrou pratos. Continuava com raiva de Milo e do passado. Ainda martelava o maldito apelido... raio de Sol, raio de Sol... aquele sorriso, aquele cabelo loiro, aquele sorriso. Milo, Milo, Milo... Deu um soco forte na mesa, por que ia ficar com aquele sorriso na mente durante o dia todo. Mas ia tratar de esquecer, já havia conseguido uma vez, conseguiria outra. Pensou em ir ao templo de Atena reclamar a Shion por ter mandado Milo interferir no seu treino. 'Ele podia ter mandado qualquer um, menos ele... ele não. Não aquele traidor!', pensou antes de derrubar em fim a mesa. Arremessou-a contra a parede. Ficou olhando para o móvel quebrado num canto, acabou caindo sentada exausta. Concluiu que não adiantaria nada ir falar com Shion, o grande mestre quase nunca voltava atrás em suas decisões. Com certeza daria um de seus sorrisos mágicos de quem não estava levando a sério a situação. Colocaria a mão no seu ombro e falaria manso como sempre...
- Grande mestre Shion... – disse Shina com escárnio. – São todos iguais. – e respirou fundo se sentindo um pouco mais calma depois de destruir parte da própria casa.
***D***
Depois daquele primeiro dia de treino com o cavaleiro de Escorpião. Jim e Lucy voltaram para suas casas mais cansadas do que nunca. Assim que entrou na casa de Virgem, imaginou a cara que o mestre faria quando descobrisse quem estava dando treinamento para ela agora. Já estava até esperando outra cena de ciúmes de Shaka. E a cena veio mesmo, brigaram mais uma vez por que Shaka insistia em dizer que um cavaleiro como Milo não deveria estar treinando jovens aprendizes, já Jim não aceitava os argumentos contra o amigo e jogou na cara de Shaka que ele estava com toda aquela birra por ciúme. E mais uma vez dormiram separados depois daquela briga.
Mas não por muito tempo, já que um pesadelo horrível fez Jim acordar gritando no meio da noite. Sonhou que era perseguida dentro de um templo por uma criatura coberta por um manto negro que mais parecia uma sombra ambulante. Não se podia ver o rosto da criatura, apenas os olhos vermelhos brilhantes que despontavam como tochas do que parecia ser uma cabeça coberta pelo manto negro esfarrapado. A criatura sombria era muito rápida e a medida que avançava engolia o monumental templo numa escuridão aterrorizante comgelando tudo a sua volta. Sem ter para onde fugir, encurralada tendo atrás de si um relevo com um enorme Sol talhado na parede, Jim no sonho tremia de pavor. Olhava com os olhos cheios de lágrimas para seu perseguidor que nesse momento fez um movimento que fez surgir inúmeros corvos em volta de si. Também os corvos possuiam olhos vermelhos brilhantes e voaram todos na direção dela a assustando mais ainda.
De repente todos os corvos voaram para longe e de dentro do manto saiu um tiro. O disparo atinge em cheio o coração de Jim que é jogada violentament contra o a parede pintada com o enorme Sol. No mesmo segundo sente uma dor aguda na região do peito que se espalhou por todo o corpo. Um filete de sangue escorre pelo pequeno orifício pingando no chão de pedra formando uma pequena poça. Apavorada com a dor, com o sangue e com a morte proxima, Jim grita...
O sonho fora tão real que mesmo acordada ela podia sentir a dor no peito causada pelo tiro. O corpo todo tremia involuntariamente no que ela procurava desesperada o sangue e a marca do tiro em seu peito, mas não encontrou, ambos haviam sumido. Mas e quanto a criatura? Não teve como não olhar em volta a procura do manto negro. O medo era tanto que ela nem conseguia raciocinar, ia correr para o quarto de Shaka, mas este entrou de repente em seu quarto pois tinha sido acordado com o grito que ela deu. Ele viu Jim procurando desesperada o ferimento inexistente no próprio peito, entendeu na hora do que se tratava:
- Está tudo bem, fique calma. Foi só um pesadelo. Não tenha medo... – dizia enquanto a abraçava forte.
Perguntou o que aconteceu, o que ela tinha sonhado, mas ela não conseguiu falar por que ainda se encontrava tremendo. Tremendo e chorando.
- Vou pegar um copo d'água para você se acalmar... – e fez menção de se soltar dela, mas a jovem o impediu.
- Não! Fique aqui comigo mestre, por favor... – e chorou mais agarrada ao corpo quente de Shaka.
- Não se preocupe, não vou sair de perto de você. – disse enquanto a apertava forte contra o peito.
Deu um beijo entre os cabelos de Jim e a trouxe mais para perto de si, quase a colocou no colo. 'Foi só um pesadelo... Foi só um pesadelo... ele repetia tentando acalma-la. Usava o corpo, os braços e as mãos para esquenta-la, ficou abismado no quanto ela estava gelada. Jim estava suando frio na verdade. Permaneceram deste jeito por longos minutos. Pouco a pouco Jim foi parando de tremer como vara verde. Shaka só a soltou quando sentiu que ela tinha finalmente se acalmado. Deitou na cama estreita junto com ela e cobriu os dois com o lençol. Vendo que ela não chorava nem tremia mais ele finalmente perguntou:
- Quer falar a respeito deste sonho?
- Não, não tenho coragem.
- Vamos Jim, contar o pesadelo ajuda a esqueçer, não sabia?
Jim respirou fundo e começou a contar o pesadelo. Contou tudo, sobre a criatura de manto negro, o tiro no coração, os corvos e o templo onde estava. Shaka ouviu tudo prestando muita atenção a cada palavra. Na mesma hora lembrou que o ataque sofrido por Jim durante o sonho era muito parecido com a Anteres, último dos 15 tiros da poderosa Agulha Escarlate de Milo de Escorpião, e o templo que Jim descreveu se parecia muito com o templo de Abel, o deus Sol. O mais estranho era que esse templo não existia mais no santuário, pois tinha sido destruído a séculos. Ficou muito intrigado com aquelas semelhanças. Em sua mente amaldiçoou mais uma vez o bloqueio mental que Jim possuia. Se não houvesse a tal barreira, ele poderia entrar na mente de Jim atravéz de telepatia e descobrir tudo sobre esse sonho misterioso.
- Acha que pode ser um algum tipo de sinal mestre? – perguntou aflita sentindo o medo voltar só de lembrar do sonho.
- Não acredito. Foi apenas um pesadelo e nada mais. Você deve ter ficado impressionada com o treinamento com o Milo, ele deve ter falado sem parar da Agulha Escarlate, por isso sua mente produziu este sonho. – disse depois a abraçou mais uma vez. – Não tenha medo. Vou ficar aqui até você dormir, está bem?
- Desculpe ter te assustado e pela briga...
- Não se preocupe. Volte a dormir, precisa descançar. – e deu um beijo na testa de Jim e voltou a aperta-la entre os braços.
Ela demorou para dormir. Vez ou outra acordava como se tivesse levado um susto. Shaka permaneceu ao lado dela a noite toda em estado de alerta. Ficou preocupado com o sonho e com o treinamento que Milo estava dando para sua doce Jim. O grande mestre poderia ter escolhido qualquer outro cavaleiro, Aldebaram, Dohko, Aioros, qualquer um seria melhor do que o Escorpião libidinoso.
***E***
De manhã tudo tinha voltado a normalidade. Depois de dormir um pouco Jim realmente parecia ter esquecido o pesadelo, apenas conservava uma expressão pensativa. Estavam mestre e pupila na sala, esperando Lucy descer da Casa de Peixes para irem juntas para o treino. Shaka ajudava Jim a enrrolar ataduras nas mãos, com muito cuidado, ele passava cada faixa na mão de Jim com intenção de proteger a pele fina, já bem marcada pela rotina exaustiva de treinos. Ambos estavam calados, apenas Jim de vez em quando sorria para o mestre cada vez que ele desviava os olhos de suas mãos para o seu rosto. Shaka não falava nada já que por dentro estava muito chateado por não poder acompanhar a discípula no treino naquele dia. Acompanhar era gentileza, ele queria mesmo era vigiar Milo.
- Que cara é essa Buda? – perguntou Jim depois que ele terminou de enrolar as faixas em um de seus braços.
- Cara nenhuma, estou bem.
- Sei... Está chateado por que Atena te chamou e você não pode ir me vigiar na arena.
- Não ia para a arena vigiar você, ia vigiar o Milo.
- Tanto ciúme por conta de um treino, mestre...
- Não é ciúme, é proteção... – apertou com força a faixa na mão de Jim, ela soltou um AI na hora – Ciúme é a sua resposta para tudo não é?
- No seu caso sim. – e sorriu marotamente.
- Estou preocupado com você, nada mais.
Depois de alguns minutos em silencio, Shaka finalmente termina de cobrir as mãos de Jim com faixas. Cobriu das mãos até o cutuvelo e ficou orgulhoso do próprio trabalho.
- Agora não vai mais ganhar calos nas mãos. – disse puxando Jim pela cintura para que se sentasse em seu colo.
- Hummm... Obrigado mestre. Posso te perguntar uma coisa? – disse esticando os dedos para ajustar as ataduras nas mãos. Esperou aquele momento propício para satisfazer sua curiosidade, o momento em que Shaka fosse querer mais do que dar conselhos de mestre...
- A vontade. – e fez um carinho nas coxas de Jim.
- Por que o Milo e a Shina se odeiam tanto?
- Não acho que eles se odeiem. O caso é que tiveram um desentendimento no passado...
- Que tipo de desentendimento? – perguntou tinindo de curiosidade.
- Este assunto só diz respeito a sua mestre a ao cavaleiro de Escorpião. Já lhe disse mais de mil vezes para não ser tão curiosa, Jim.
- Se você tivesse visto a briga feia que os dois tiveram ontem também ficaria curioso. Eles pareciam ex namorados, essa é a verdada! Me diz mestre, eles já tiveram um lance?
- Sim, tiveram um relacionamento amoroso pouco tempo depois que ressuscitamos, a mais ou menos três anos atrás... Mas não acho que um fato como esse interferiria no treinamento de vocês. Shina e Milo sempre foram muito profissionais.
- Não foi o que pareceu ontem, pois a Shina saiu soltando fumaça depois da briga com o Milo. Nunca a vi daquele jeito.
- Não tiro a razão dela. Também não acho que Milo de Escorpião seja uma boa influencia, principalmente para uma turma como o primeiro ano cheio de internas.
Ia sair em defesa do amigo mais uma vez, mas resolveu mudar de assunto para não iniciar uma nova briga entre eles. Saiu do colo do mestre e andou alguns passos parando em frente a estatua de Buda.
- Sabe mestre, também estou preocupada comigo.
- Preocupada, por que?
- Acordei com a senssação que não deveria ter saído da cama. Como se fosse um pressentimento ruim...
- Que tipo de presentimento? – perguntou se aproximando.
- Um pressentimento de que eu vou morrer hoje.
- Que bobagem Jim! Só está assim por conta do pesadelo de ontem a noite. Já conversamos sobre isso, foi apenas um sonho. Você ficou impressionada com o falatório do Milo. Não fique preocupada com isso.
- Tem razão.
- Vamos fazer assim: qualquer coisa que acontecer de diferente, ou se você precisar de alguma coisa pode me chamar pelo cosmo que eu venho correndo. Já te ensinei a fazer isso, portanto, não exite em me chamar caso alguma coisa aconteça, está bem? – disse Shaka depois de vira-la de frente para ele e segurando firme as mãos dela querendo passar segurança.
- Ok. – e deu um sorriso tímido.
Aquelas palavras a confortaram mas no fundo ela queria que o mestre não fosse falar com Atena e sim descesse junto com ela e Lucy para a arena. Segundos depois daquela conversa, Lucy aparece no templo de Virgem junto com Milo. O virginiano acaba pedindo para Milo ficar, pois tinha assuntos a tratar com ele, enquanto Lucy e Jim seguiam o caminho pelas escadarias das doze casas em direção a arena...
Continua...
PS: No próximo capítulo Shaka vai perder a santidade (=P). Quanto a Jim, não vou ter pena dela, dela não...
*CCADMCF: o blog do Milo é fictício. Não adianta procura no Google.
LDR
