Capítulo 14: Final do Primeiro Ano

Era semana de prova e por conta disto, os meninos mal tinham tempo de conversarem decentemente. Estavam todos ocupados em estudar, exceto Gui e Terry, que não estudavam como os outros três.

Gui e Terry haviam desenvolvido um hábito de visitarem o Guardião das Chaves de Hogwarts, Hagrid, desde o acontecido na Floresta Proibida. Gostavam quando este os contava sobre os bichos que viviam na floresta. Hagrid não desconfiava que eles tivessem ido antes à Floresta Proibida e os meninos não falavam nada, lembrando da sua promessa ao centauro Nabb.

Com o fim das indesejáveis, porém necessárias, provas, Gui e Terry tomaram a liberdade de irem visitar seu novo amigo gigante. Eles bem que tentaram ir antes, porém, o gigante os repreendera, os mandando ir estudar.

Os dois despediram-se dos outros três amigos que iriam descansar após o almoço e dirigiram-se a cabana do gigante. Enquanto isso, falavam sobre as provas:

- Esta última foi do capeta. – Reclamou Terry. - Quase que eu me extrapolo. E o pior é que temos de tomar cuidado com Feitiços, é uma matéria tão importante.

- Não tive dificuldades nesta, e para ser sincero, em nenhuma outra. Oh, não, espere aí, teve uma Poção bastante complicada, mas depois de refletir consegui terminar. Sabe como é, o Snape com o nariz na tua cara a te observar nunca ajuda, sempre faz a gente sentir um calafrio.

- Bem, eu tento ignorar sua figura, por mais difícil que seja, e prossigo.

- Chega de se fazer de metido, Terry! Vai, fala, cospe, diz que você tem facilidade em Poções!

- Olha quem fala, menino inteligente da mamãe.

- Não fale isso, Terry.

- Mas não é verdade? Você não é o melhor de nós?

- Deixa disso! Eu só presto atenção nas aulas e faço os deveres, mas não estudo como o Hurt e o Dave. Não tenho paciência.

- Nem eu. – Confessou Terry. – E por isso mesmo fico com notas não tão boas. Mamãe briga bastante comigo por isso.

- É mesmo?

Pararam em frente a porta da cabana e bateram na porta. Hagrid os recebeu alegremente, como sempre. Na sala havia um pote de biscoitos, mas dessa vez estava vazio, o que fez os dois se aliviarem.

- Enfim as provas terminaram, hein? Lembro-me que não gostava nem um pouco da semana de provas finais quando tinha a idade de vocês. – o gigante fez uma careta. – Mas, foram bem?

- O Gui com certeza foi. O forte dele é Feitiços, mas ele consegue ser bom em todas as matérias.- Provocou Terry.

- É mentira dele, tenho dificuldades em Poções e Transfiguração. E além do mais, o Terry não pode falar, ele é bom em Poções, mas não é ruim nas outras matérias.

- Caso tenham se esforçado, qualquer nota será satisfatória. – Comentou Hagrid.

Os dois garotos ficaram sem graça, não haviam se esforçado, nem estudado. Terry com uma tossida falsa pediu licença para preparar um chá, enquanto Gui resolveu executar finalmente o plano dele e do amigo. Precisavam achar um meio de agradecerem Nabb, mas sem que Hagrid soubesse.

- Hagrid, enquanto estudávamos... – Gui olhou rápido para Terry que o olhou com uma careta enquanto enchia um bule, mentir também não era legal, ambos sabiam que não haviam estudado nada. -... lemos algo acerca de centauros, no livro diz que aqui na Floresta Proibida há muitos centauros. É verdade?

- Em parte sim, já houve muito mais, mas eles têm migrado. Os que restaram são os mais fáceis de se lidar, eles não gostam muito de humanos, mas comigo e Dumbledore eles se entendem.

- É mesmo? – Gui deu uma rápida olhadela para Terry, para se certificar de que esse ouvia, ao receber o sinal do amigo para que continuasse, indagou: - Mas eles salvariam um humano, não salvariam?

- Alguns, Gui, alguns. Ainda há alguns que só respeitam a mim e a Dumbledore, porém há sempre Firenze, Nabb... Oras, eu não deveria estar falando estas coisas para vocês!

- Por que não?

- Porque não é para ficar falando da Floresta Proibida para alunos. – Nervoso, o gigante levantou-se e tomou o bule com o chá da mão de Terry.

- Bem... – Insistiu Terry. – Mas, estes dois centauros que citou, não poderíamos conhecê-los?

- Conhecer para quê? – Hagrid perguntou, desconfiado, enquanto servia o chá para os meninos.

- Nos interessamos pelos centauros! Eles são inteligentes...

- É! E eles sabem muito sobre Astronomia, gostaríamos de uma ajudinha nesta matéria. – Acudiu Terry.

- Não sabia que se interessavam por centauros.

- Na verdade, o Terry adora criaturas mágicas. – Mentiu Gui, ignorando o olhar fuzilador do amigo.

- É mesmo, Terry? – Hagrid pareceu se animar. – Se quiser posso te ajudar no assunto, mostrar a ti alguns animais.

- Acho que ele ficaria mais feliz em ver centauros, não é Terry? – Insistiu Gui.

- Bem, sendo assim... – Parou Hagrid a refletir. – Podemos tentar. Será difícil, mas acredito que se um deles concordar não haverá problema. Dumbledore confia nos centauros, não acho que se importaria se eu os apresentasse um.

- Isto é ótimo! Nós... Terry! De certo está muito agradecido.

- Pode ter certeza, você não compreende como fico feliz. Eu sempre adorei centauros. – Apressou-se a dizer Terry, com medo de que Hagrid tivesse ouvido a falha de Gui.

Hagrid sorriu, e então, trouxe até eles uma caixa de biscoitos, a qual abriu e ofereceu a eles, que recusaram por precaução.

- Mas o que me contam de novidade?

- Nada, realmente. Nós fizemos as provas e só, tudo tem andando muito tedioso neste final de ano. – Mentiu Terry, a aventura deles conseguira cobrir todo o tédio, de fato os meninos não paravam de falar sobre aquilo.

- Vocês devem estar ansiosos para voltarem para casa. Devem estar sentindo saudades de suas famílias.

- Ah, eu estou, bastante. Até dos meus primos. – Comentou um nostálgico Terry.

- Você fala dos seus primos como se eles fossem diabos, mas esse teu comentário prova que no fundo, no fundo, você gosta e muito deles, não é mesmo? – Brincou Gui. – Como se fossem irmãos, não só no sentido de te chatearem.

Terry bem tentou contradizer o amigo, mas limitou-se a soltar um pequeno grunhido, sabendo que não poderia argumentar. Hagrid que assistia os dois riu com aquilo e resolveu dar uma mãozinha à Terry:

- Imagino que também esteja com saudades de sua família, não é mesmo, Gui?

- Oh, sim, de fato. Muita saudade, das pesquisas de Charlie, dos estudos de Percy, das travessuras dos gêmeos, e das brincadeiras de Ron e Ginny. E é claro, de mamãe e papai.

- Acho que Gui ganhou de você, Terry. – Brincou Hagrid. – Ele admite, afinal.

Terry disfarçou, iniciando uma outra conversa acerca de um assunto totalmente diferente daquele. Porém, a conversa não durou muito, Hagrid logo os lembrou que deveriam voltar logo para o castelo, já estava escurecendo.

Os meninos resolveram obedecer, achavam que já haviam desobedecido as regras o suficiente para o fim do ano, mas antes fizeram Hagrid prometer que ao menos no ano próximo, eles poderiam conhecer os centauros.


Elaine estava deitada, relaxando, num dos sofás da sala comunal. Resolvera não ir com Melissa e Alice em seu passeio como comemoração do término das provas. Preferia permanecer deitada, descansando, estudara com todo afinco a fim de passar bem em todas as provas, com boas notas, como assim desejara sua mãe.

Na verdade, a mãe a pedira para tirar boas notas para convencer seu pai de que não era uma loucura manda-la à Hogwarts. Desconfiava que o que pesara na hora dele a deixar ir à escola fora uma carta um tanto agressiva de seu padrinho e tio, o pai de Henry.

Foi surpreendia pelo primo, que se sentou ao lado ruidosamente:

- E então, querida prima? Foi bem nas provas?

- Não sei, sinceramente. Espero que sim, será um motivo para papai ficar feliz. Sei que terei de ouvi-lo reclamando que paga uma fortuna, que isto é maluquice...

- Talvez neste meio tempo a tia Marianne tenha pedido outra mãozinha de papai. Ele comentou a chance de vir aqui nessas férias, trazer Lisa e tudo mais.

Elaine riu, tinha todas as implicâncias do mundo para com o primo, mas de uma coisa ela tinha certeza, ele a fazia rir.

- Espero que o padrinho o tenha feito. Não quero sair daqui, não depois de todas as amizades feitas.

- Falando nisto, acho que não fui de todo fiel contigo. Te prometi, enquanto esperávamos a vinda a Hogwarts, que iria te procurar sempre, para não a deixar sozinha e falhei. Você perdoa esse primo desnaturado?

Elaine soltou uma gargalhada, ficou sem saber se aquilo era mais um modo de Henry confessar as coisas de um modo que ficava quase impossível de censurá-lo.

- Está tudo bem, Henry. Acho que nós dois fizemos amizades muito boas, embora, eu ache que você não tenha feito uma grande amizade como eu fiz com Melissa e Alice. Quero dizer, Hurt e Dave parecem se entender muito bem, e Gui e Terry também, mas e você?

- Eu acho que todos eles são grandes amigos meus, Elaine. Não há favoritos, como com eles há. Nós fizemos um pacto, que acabou sendo quebrado.

- E você se ressente deste fato?- Sugeriu Elaine.

Henry ficou calado, procurando um meio de discordar, mas ela estava certa. Tinha horror a isto e por isso comportava-se de maneira tão chata, implicando com os amigos.

- Sim.

Elaine também ficou sem saber o que dizer, a princípio. Fazia-se de grande entendedora da natureza humana e agora que acertara, estava sem saber o que falar ou pensar ao certo, enfim resolveu dar uma opinião.

- Não acredito que você conseguirá parar isso, sei que não é dado a mudanças, mas acho que seria bom que fizesse mais amizade com eles. Você se prende e forma uma enorme muralha a sua frente.

- E para te mostrar mais ainda como a muralha é enorme: vai te catar, Elaine. Sinceramente, estes teus ataques de psicóloga são um saco.

Elaine com um impulso abriu a boca para devolver o xingamento, ficava irada com aquele comportamento do primo. Mas calou-se a refletir a situação e a má situação que ficariam.

Por fim, suspirou e voltou a encostar a cabeça no travesseiro, querendo descansar. Henry entendeu o ato e sorriu, Elaine evoluía, mas e ele? Levantou-se a fim de procurar Dave e Hurt, não queria pensar naquilo e nem ficar se remoendo.


Deitadas em frente ao lago estavam Melissa e Alice, tentando achar um meio de se encontrarem nas férias. O inconveniente era que Melissa morava na Escócia e não era acostumada a pó-de-flu e seus pais não iriam concordar que ela fosse de trem sozinha para o país de Gales, onde Alice morava. Estavam, portanto, cogitando a possibilidade de Alice ir à casa de Melissa via pó-de-flu, mas antes Mel teria de preparar os pais para isso, pois eram trouxas.

Antes, já haviam falado sobre os entretimentos que poderiam ter e Mel sugerira o cinema e uma ida ao shopping, para tomarem um sorvete numa lanchonete que ela adorava. Alice, no entanto, preferia que as duas apenas andassem pelo bairro, caso fossem a casa dela. Era num bairro trouxa, onde a maioria dos moradores eram bruxos mestiços, tal como a mãe e ela eram.

Viram, então, Gui e Terry se aproximarem delas, logo em seguida pedindo licença e sentando-se ao seu lado.

- Um suco de abóbora calhava, hein? – Comentou Terry, querendo iniciar uma conversa.

- Não há dúvida! Está realmente calorento, ainda bem que terminaram as provas. – Disse Melissa.

- Falando nisso, como vocês foram meninos?

- Acho que bem. – Gui respondeu.

- É. – Adicionou Terry. – Mas confesso que poderíamos ter ido melhor se tivéssemos estudado mais. Não teríamos algumas dúvidas no decorrer da prova.

- Sim, compreendo. – Alice sorriu.

- Eu estudei o máximo que pude, meus pais são trouxas e então gosto de saber as coisas para poder contar e ensina-los. – Explicou Melissa.

- Nossa que legal! E eles gostam da idéia, de você ser bruxa, de existir este mundo...? – Perguntou Gui.

- Bem, de início eles tiveram de aceitar, foi um choque, mas agora acho que eles se interessam, me perguntam várias coisas nas cartas.

- Imagino. – Comentou Terry. – Apesar de ser difícil para mim, quero dizer, minha família é antiga, meio tradicional.

- Verdade Terry? Mamãe comentou comigo que achava que Thorne era uma família um tanto tradicional, bem como Conrad, que é seu outro sobrenome, não é?

- É sim. Ambas são tradicionais novas, podemos dizer. – Brincou Terry.

- Papai e mamãe também são de família só de bruxos. – Comentou Gui. – Eles aproveitaram a onda que teve no começo da guerra de Você-Sabe-Quem e se casaram, escondidos.

- Que romântico! – Melissa parecia maravilhada. – As famílias eram contra?

- Sim.

- Puxa... que coisa. – Mel ficou sem saber o que dizer.

- Bem, e aí? Vocês têm alguma promessa para seu novo ano letivo? Eu e Terry temos uma em comum: estudarmos mais.

- Não havia pensado nisto, é uma boa idéia. – Disse Melissa.

- É verdade. – Concordou Alice. – Vou pensar nas coisas que devo melhorar e procurarei trabalhar nisto.

- No final, é sempre difícil seguir elas por inteiro, fielmente. Pelo menos para mim. – Queixou-se Terry.

Os outros três riram, mas concordaram que fazer as coisas conforme planejado era difícil, na maioria das vezes.

- Gente, precisamos entrar no castelo logo, está ficando escuro. – Alertou Gui.

Correndo, eles entraram no castelo, esperando não levar bronca por ficarem do lado de fora por mais tempo do que deviam.


Finalmente chegou o dia deles partirem de volta para casa. Haviam tido boas notas para o primeiro ano, tendo algumas notas melhores em algumas matérias e outras um tanto insatisfatórias em outras matérias.

Com ansiedade, todos embarcaram no trem de Hogwarts. Estavam felizes por poderem rever sua casa (talvez menos Hurt), mas infelizes de terem de deixar Hogwarts e provavelmente de não poderem ver alguns amigos até a volta.

(Continua...)

N/A: Terminou o primeiro ano, finalmente, agora eu vou encurtar as coisas nos próximos dois anos. Okay? Sem descrições de férias, também.