SPOILERS: OUT OF TIME

Comments: Um agradecimento especialíssimo a Maria Célia por sua consultoria profissional alem da imensa paciência e carinho conosco. Beijokaxxx!!!

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Se Tudo Fosse Diferente – Capítulo Final

"Pois assim como Ele ama a flecha e voa, também ama o arco que permanece estável."

Gibran Khalil Gibran – "O Profeta"

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Challenger andou lentamente apreciando o silêncio na casa da árvore. Há muito tempo não se sentia tão relaxado. As últimas semanas haviam sido muito difíceis, mas George reconhecia o fato de que todos, sem exceção, haviam demonstrado do que eram realmente capazes quando fosse necessário. Orgulhava-se de seus amigos.

O cientista foi até a varanda, esticou os braços alongando um pouco os músculos e permaneceu por alguns minutos observando a imensidão do platô. Nunca imaginou que naquele lugar inóspito aprenderia muito mais sobre si mesmo do que em qualquer escola.

"De volta ao trabalho." – pensou.

Virou-se, mas parou ao ver Verônica acomodada na espreguiçadeira olhando diretamente para ele.

"Desculpe se a incomodei Verônica. Já estava de saída." – constrangido, ele abaixou a cabeça e começou a andar.

"Está um lindo dia."

George parou, agradecido por ouvi-la um pouco mais forte e recordando aqueles intermináveis dias quando pensou que iria perde-la.

"Está sim. Um dia maravilhoso" – respondeu.

A moça olhou intensamente para ele. Challenger nunca vira um olhar com tanta tristeza. Sentiu um aperto no coração quando viu as lágrimas descendo em silêncio pelo rosto da moça. Correu para abraça-la.

"Me perdoe Challenger, eu não queria magoar você."

"Ah, minha querida, é você quem tem que perdoar esse velho teimoso. Eu não sei o que teria acontecido se tivesse te perdido."

Verônica riu enquanto ele a apertava ainda mais contra si embalando-a por um longo tempo.

Em silêncio Ned vinha chegando com Thomy nos ombros. Viu a moça e o cientista abraçados e sinalizou para o menino. - "Shhhhh." – e saiu na direção oposta.

"Malone trouxe você para cá?" – Ele enxugou-lhe as lágrimas com cuidado.

"Por favor, não brigue com Ned. Eu insisti."

"Sabe muito bem que não deveria estar aqui." – Challenger verificou que a moça ainda tinha febre e ficou sério - "Vai voltar para o seu quarto agora."

"Não vou não." – Ela sorriu aconchegando-se mais ao peito dele.

"Só mais um pouco então." – Challenger afagava distraidamente seus cabelos – "Como está...Thomy?" – Ela comoveu-se ao escutar pela primeira vez o cientista dizendo o nome da criança.

"Ele está maravilhoso. Bonito, forte, carinhoso." – ela poderia passar muito tempo falando sobre o menino.

"Precisamos cuidar da formação acadêmica do garoto."

"Ele é muito pequeno Challenger." – protestou Verônica.

"Eu sei. Estou brincando."

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Ned carregou Thomy até a cozinha onde Verônica terminava de guardar as coisas para o picnic.

"Estamos prontinhos" – anunciou ele.

"Bom dia vocês três" – Marguerite e Roxton iam chegando.

Marguerite aproximou-se de Verônica e puxou-a para um canto.

"A algum tempo quero lhe perguntar uma coisa." – Intrigada a loira olhou a herdeira que continuou – "Por um acaso...você se lembra de alguma coisa que eu possa ter lhe dito, digamos...alguma confidência...não que eu tenha dito algo...apenas...se por acaso..."

"Claro que não Marguerite." – A herdeira suspirou aliviada e Verônica deu um sorriso matreiro. Aquele seria um segredo só delas.

Marguerite percebeu Challenger se aproximando com Summerllee e após colocar a mão na testa da moça disse alto.

"Meu Deus Verônica. Você está com febre."

"Marguerite" – a loira deu um leve tapa na mão da morena.

Challenger apressou o passo em direção a moça.

"Febre?...Você não sai daqui."

"Viu o que você fez?" – reclamou Verônica olhando brava para a herdeira que escondia o riso nas mãos. – "Eu estou ótima Challenger. Marguerite está brincando."

"É verdade?" – questionou o cientista franzindo o cenho.

"Bom passeio crianças."

Verônica retribuiu o sorriso de Marguerite e acompanhou Thomy e Malone até o elevador.

Ao chegar a base da casa da árvore ela parou. Era a primeira vez que saia desde que ficara doente quase um mês antes. Malone preocupou-se.

"Você está bem?"

"Estou ótima Ned." – sorriu ela.

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Da varanda Challenger observava os três entrando na mata.

"Afinal George," – Summerllee aproximou-se – "já sabe se ele é humano?"

"Na verdade, meu amigo, nem procurei saber. Talvez no futuro algum cientista se interesse em pesquisar a respeito. Pessoalmente tenho coisas mais importantes a fazer." – Ele fez uma pausa - "Acha que algum dia ela vai lhe contar sua origem?" – perguntou, embora já soubesse a resposta.

"Tenho certeza que sim. E acredito que ele terá muito orgulho ao saber das mudanças que provocou por aqui."

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Ned organizava cuidadosamente os alimentos, poucos, mas variados, sobre a toalha onde Verônica brincava com Thomy. A manhã estava bem quente e ela havia deixado a criança só de fraldas. Conversavam sobre algumas coisas, mas não se aprofundavam em nenhum assunto. Às vezes , trocavam um olhar meigo e quando tentavam uma aproximação um ciumento Thomy se colocava entre eles e o riso tomava conta do ambiente.

A alguns poucos metros estava uma lagoa, muito límpida e as flores exóticas e coloridas enfeitavam ainda mais o momento. Verônica olhou ao redor por um instante e refletiu sobre tudo a sua volta. Respirou fundo e sentiu-se tão feliz e tão bem por estar de volta a sua vida. Sentiu-se abençoada. Ninguém poderia estar mais feliz no mundo, do que ela naquele instante. Depois voltou sua atenção para os dois meninos que a acompanhavam. Como se uma mágica luz envolvesse os três, ela se emocionou, ao pensar em tudo que viveu e tudo que ainda poderia vivenciar ao lado deles.

Subitamente tirou as sandálias de couro e sem pensar, correu e mergulhou na água. A muitos dias sonhava em realizar esse desejo. Sentado Thomy começou a bater palmas e rir, dando gritos de alegria.

Pego de surpresa Ned preocupou-se. Mas quando voltou a margem, seu sorriso era tão radiante, que a repreensão que ele havia preparado desapareceu de sua mente. Sem sair da água ela estendeu os braços para o garoto.

"Vem!"

Empolgado o menino engatinhou muito rápido até chegar perto dela que o agarrou dando-lhe vários beijos enquanto ele ria divertidamente. Como se trocassem segredos ela sussurrava em seu ouvido enquanto o levava mais para dentro da lagoa. Ned os observava percebendo que aquele era um momento unicamente deles e que não deveria interferir.

Pensou em como seria se Verônica não mais estivesse com eles. Distraidamente encostou-se na árvore, abriu o diário e começou a escrever.

"Talvez em algum momento eu tivesse duvidado sobre sua recuperação, mas também descobri coisas que não sabia existirem dentro de mim: A fé que durante esse tempo de alguma forma me sustentou e a certeza de que ela podia sim mover montanhas e mudar um coração. Tudo na vida faz parte do meu aprendizado."

Ned ainda observou os dois por mais algum tempo. Não havia dúvida de que eles estavam se divertindo, mas ele não sabia com certeza o que acontecia. Cada vez mais concentrado Malone continuou a escrever por um longo tempo, como há muito não fazia.

De repente, seus pensamentos foram interrompidos por um pequeno esguicho d'água. Como se acordasse de algum sonho olhou ao redor um pouco surpreso até achar instintivamente a arma no coldre em sua cintura. Sorriu ao descobrir que Verônica e Thomy continuavam se divertindo e rindo sem parar. A moça segurou Thomy mais perto de si e questionou.

"Cadê o Ned?". O garoto sorriu apontando para o jornalista.

Colocando o animado garoto de barriga na água ela veio até quase a margem puxando-o pelos bracinhos. Parou e dirigiu-se ao jornalista.

"Deixe essas coisas aí e vem brincar com a gente!" - Soou quase infantil e Ned forçou-se a recusar o convite.

"Não vim preparado para nadar hoje, me desculpe... Podemos marcar outro dia!"

"Não sabemos o dia de amanhã Ned..." – Ela insistiu soando bem mais madura do que se permitia, mas sem deixar o tom carinhoso. - "Thomy vai adorar..."

O jornalista sorriu e pensou em recusar mais uma vez. Mas ao ver os dois tão felizes e Verônica olhando com o jeito meigo que ele adorava, percebeu que era impossível resistir àquele convite.

"Então virem-se os dois" – Disse Malone fingindo-se sério.

Verônica virou-se enquanto Thomy olhava para Malone por cima do ombro da moça. O jornalista tirou o necessário e pulou na água.

"Ow! Está frio!"

Verônica sorriu e se aproximou, carregando Thomy ao lado do corpo. Impulsivamente, inclinou-se e deu um doce beijo em Malone, que não se mostrou muito surpreso, mas com certeza, sentiu-se mais aquecido;

"Hei..." – Ned olhou para o menino que com os olhos curiosos e um dedo na boca observava os dois. - "Ele não nos interrompeu."

Verônica balançou gentilmente os cabelos molhados de Thomy. Olhou para Ned um pouco ruborizada e perguntou.

"Agora está melhor?"

"Com certeza a temperatura melhorou bastante..."

Os raios de sol agora estavam sobre a lagoa e Ned observou Verônica se afastando um pouco carregando Thomy que balançava as perninhas. Quase perguntou aonde eles iam, mas decidiu esperar. Ela parou alguns metros adiante. Depois cochichou no ouvido do garoto que parecia concentrado nas orientações.

"Ned, prepare-se..."

"O ow... o que você...?"

Malone ficou pálido quando Verônica soltou Thomy que sumiu na água. O jornalista ficou imóvel. Não sabia se ia atrás do menino ou se assustava ao ver o semblante radiante de Verônica diante daquilo tudo.

Antes que pudesse decidir o que fazer Ned viu Thomy emergir bem a sua frente. Rapidamente ele puxou a criança ofegante. Mas quando virou-se para procurar Verônica ele se debateu querendo voltar para água. Ainda um pouco assustado, Ned começou a sorrir ao olhar para Verônica e vê-la rir como uma criança.

"Não se preocupe!.. Ele aprende rápido..."

Malone ainda hesitou, mas como a moça fizera antes, ele o colocou na água. Quando o menino subiu a tona ao ir para o lado de Verônica tossindo levemente por ter engolido um pouco de água, ela brincou com ele, mas não o consolou. Ned desculpou-se, e ela o interrompeu pacientemente.

"Não deixe que ele perceba que você não está seguro... passe a confiança que ele consegue!"

Ned sorriu. Talvez devesse seguir esse conselho não só agora, mas por toda minha vida.

"Parece uma vitória pessoal..." – pensou o jornalista ao ver o garoto mais animado do que nunca.

Passado algum tempo eles saíram da água e debaixo da sombra acolhedora de uma árvore onde Malone apoiou as costas, puxou Verônica para junto de si recostando-a gentilmente em seu peito e ficou observando Thomy que a sua frente travava uma luta feroz para comer uma maçã. Ned envolveu a moça em seus braços e colando seu rosto ao dela embalou-a ternamente. Naquele instante pareciam viver por ali sozinhos, e todas as preocupações e cóleras desapareceram. Passado algum tempo ela virou-se ficando face a face com ele. Começou parecendo refletir.

"Sabe... as vezes fico pensando no dia em que encontrei Thomy... Passei a acreditar em destino... Acho que... de alguma forma ele chegou para unir, a nós todos..."

Ele continuou baixinho - "...principalmente nos unir...".

"Urrum..." - ela sorriu.

Thomy parecia ficar cada vez mais nervoso por não conseguir morder a maçã. Percebendo isso, Ned estendeu a mão tomando-lhe a fruta e cortando ao meio. Depois pegou uma colher e raspando a maça, deu para o menino juntamente com a outra metade. Verônica observou os dois e seu coração se encheu mais e mais de alegria. Agora tinha certeza de que havia alguém tão dedicado quanto ela, a cuidar de Thomy.

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Aquele passeio passou a fazer parte da rotina dos três. Em uma manhã Roxton e Marguerite viram os dois já de saída na base da casa da árvore.

Roxton cutucou Marguerite - "O que você acha?"

Ela rodou os olhos.

"Vamos lá, Marguerite." – insistiu o caçador.

"Tá, tá, tá, tá" – respondeu contrariada.

"Verônica!" – gritou Roxton. Os dois pararam enquanto o caçador e a herdeira se aproximavam. - "Sabe o que é? Eu estou dando umas aulas de boas maneiras a Marguerite e preciso desesperadamente de um cavalheiro que me ajude. Será que você poderia me emprestar o Thomy?"

Malone sorriu para a moça percebendo a real intenção dos amigos. Ela hesitou, mas após alguns segundos fez que sim com a cabeça. Ned tirou a mochila onde acomodava o garoto e entregou a Roxton que o pegou no colo. Verônica aproximou-se do menino beijando-o no rosto.

"Cuide bem deles dois, está bem?" – Depois Ned a pegou pela mão e eles entraram na mata.

Marguerite pegou o chapéu de Roxton e entregou a Thomy que começou a mordiscar a aba.

"Meu chapéu não." – protestou John.

"Deixa o menino Roxton, ele tem que aprender desde já a conhecer coisas de má qualidade..." – divertiu-se ela.

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Thomy, sentado em sua cadeirinha à mesa, era observado por Roxton e Marguerite.Ambos com o queixo apoiado nas mãos, lado a lado, parecia sonharem acordados olhando o garoto. Até que Marguerite despertou.

"E agora?"

John olhou para a herdeira confuso. - "Agora o quê?"

"Ora, o que vamos fazer com ele!" - Dirigiu seu olhar ao menino que os observava atento. – "Claro, para pedir para ser babá do pirralho você devia ter algo em mente, ou nada, não é?".

Roxton sorriu ao perceber que a palavra "pirralho" desta vez veio mais suave. Gradativamente ela vinha trocando "macaquinho" pela nova expressão e nos últimos dias, se tornava mais e mais um apelido carinhoso. Mas decidiu não tocar no assunto ou então a muralha de Marguerite se ergueria novamente.

"Bem, considere que foi uma boa idéia..." - Sorria discretamente esperando uma reação daquela face um pouco confusa.

"Boa?" - Respondeu ela expressando grande surpresa em seus olhos. O silêncio pediu que John se explicasse.

"Bem..." – Ele aproximou de Marguerite - "Challenger e Summerllee estão lá embaixo... Ned e Verônica foram fazer um picnic... acho que estamos sós...".

"Sós?" - Estranhou.

John balançou a cabeça naturalmente.

"Você quer dizer, nós dois, sozinhos com o pirralho!"

"Vamos lá Marguerite! Então, o que me diz?"

Marguerite não demonstrou surpresa ao descobrir as reais intenções do caçador. - "Está bem, vamos começar a aula de boas maneiras para o menino!" - Despistou prendendo o riso ao ver a decepção na face de Roxton.

"Ah, mas...".

"O que há? Não foi para isso que o pedimos emprestado? Então, por que a demora?"

Roxton se irritou. Marguerite estava conseguindo o que queria.

"Certo..." - Retrucou ele parecendo convencido depois de algum tempo se ponderando. - "Para isso ele tem que me devolver o chapéu".

"Ora, mas por que? Se este é o primeiro passo da nossa lição! Reconhecer coisas de má qualidade, eu já disse!" - ela tentava disfarçar o tom divertido em sua voz.

"Marguerite, eu não estou brincando, quero meu chapéu de volta!"

"Ora, vá falar com ele. Não sou eu quem está mordendo seu lindo chapéu."

John levantou-se e se aproximou do menino, que o olhava com olhos curiosos, já segurando firme o chapéu. Avançou esticando o braço para pegar o chapéu, mas parou engolindo seco, virando-se para Marguerite - "Mas, e se ele começar... a chorar?"

"É um risco que tem que correr Lord Roxton! Fique certo de que não haverá T-Rex que me faça entrar naquele elevador e brincar de revirar o estômago novamente." - Respondeu logicamente.

"Ora então somos dois." - Preocupou-se lembrando daquelas horas intermináveis.

"A não ser que..." - Um brilho astuto enfeitou todo o olhar de Marguerite.

"O que? O que vai fazer?" - Perguntou temendo, vendo a mulher ir na direção de Thomy. Tirou-lhe com certa habilidade da cadeirinha e o agarrou.

"A não ser que tenha que realmente correr e ainda não consiga pegar o chapéu!" - Dizendo isso Marguerite saiu em disparado, correndo pela casa com Thomy gargalhando em seus braços, seguidos por um escandaloso Lord que temia no que a união dos dois poderia resultar nesta manhã.

"Voltem aqui suas pestes! Marguerite! Thomy! vocês vão ver quando eu alcançar vocês...!!!"

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Malone terminava de arrumar as coisas.

"Será que ele está bem?" – Preocupou-se Verônica.

"Ele está ótimo" – o jornalista sentou a seu lado passando o braço ao redor de seus ombros. – "Se existe alguém com que você deva se preocupar é com Roxton e Marguerite. Thomy é muito mais esperto do que os dois. Aliás, acho que mais do que todos nós." – brincou Malone.

Ele puxou-a mais para perto de si e ela não ofereceu resistência. Com muito cuidado Ned deitou-a na toalha de picnic. Começou a acaricar-lhe o rosto com a ponta dos dedos. A moça fechou os olhos. Ele beijou-lhe a testa, os olhos, o rosto, o queixo, depois os cantos da boca e lenta e docemente seus lábios. Quando abriu os olhos, viu-se perdida dentro daqueles olhos azuis. Beijaram-se com paixão. Malone mordiscou levemente sua orelha depois começou a beijar-lhe mais intensamente o pescoço. Ela suspirou puxando-o mais para junto de si. Ned sabia que se continuasse, a partir dali não mais poderia se controlar. Parou olhando muito sério para ela que acariciou-lhe o rosto com imensa ternura.

Então, o amor que ambos viram nos olhos do outro fez com que quaisquer dúvidas que pudessem ainda ter, acabasse naquele momento.

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"Após nos reunirmos a alguns meses atrás, tomamos uma importante decisão. Determinar a data de nascimento do mais novo morador da casa da árvore. E hoje fazem exatos oito meses que encontramos Thomy na floresta. Então pelos meus cálculos (admito que não muito precisos) ele poderia estar completando um ano de idade. E é esta data que estamos comemorando com imensa alegria em um jantar especial.

Roxton e Malone fizeram um cavalo de madeira que balança para frente e para trás. Em sua homenagem Summerllee deu a seu espécime mais raro e recém descoberto o nome de Trebax Robustus Thomiensis que significa esperto e forte. Marguerite confeccionou uma bela roupinha nova que o fez parecer um rapazinho muito alinhado. Verônica fez um maravilhoso bolo confeitado o qual estamos todos ansiosos para experimentar. Quanto a mim, embora tenha conseguido fazer no laboratório uma bonita bola de borracha com a seiva dos seringais da floresta, continuo achando que fui eu quem ganhou o melhor dos presentes.

E antes que eu esqueça de mencionar: Com a colaboração de todos Thomy agora tem o seu próprio quartinho."

Challenger ainda pensou porque escrevera aquilo em seu livro de experimentos científicos, depois sorriu concluindo que aquele fato de enorme importância para eles merecia permanecer escrito junto àquelas anotações que ele amava. Vestiu o paletó e foi encontrar seus amigos e Thomy elegantemente vestidos na sala de jantar.

Sentada em uma cadeira, Marguerite encarava fixamente o menino que sentado em sua cadeirinha franzia a testa retribuindo o olhar bravo da herdeira.

Summerllee se divertia observando os dois naquela estranha brincadeira. A herdeira era teimosa, mas por alguma razão Arthur apostava na vitória de Thomy naquela curiosa batalha.

Roxton terminava de arrumar os alimentos à mesa.

Faltava uma pessoa no grupo.

"Onde está Verônica?"

"Na varanda." – disse Ned atrapalhado ao tentar abrir uma garrafa de vinho que a muito aguardava uma ocasião especial para ser degustada. – "Pode chamá-la Challenger?"

O cientista virou-se andando em direção a sacada, onde encontrou a moça trajando o vestido azul que fora da mãe.

"Você está linda querida."

Ela se aproximou ajeitando-lhe a gravata.

"E você está muito elegante."

"O jantar está pronto."

"Já estou indo Challenger." – ela beijou-lhe o rosto. George sorriu retirando-se.

Ainda na varanda Verônica olhou para a mesa onde os outros estavam reunidos. Finalmente abriu o diário que mantinha junto ao peito e escreveu.

"Queridos pais,

Por onze anos a casa que construíram com tanto carinho e onde nasci ficou silenciosa e triste. De repente ganhei novos amigos e a vida voltou a este lugar. O barulho, as luzes, as confusões, o movimento.

E no dia em que encontrar vocês, e eu vou encontra-los, vou dizer:

"Pai, mãe, estes são:

Arthur Summerllee, a pessoa mais bondosa e amável que alguém poderia encontrar;

Marguerite Krux, dona de um coração gigantesco e uma verdadeira dama;

Lord John Roxton meu querido, doce e leal amigo. Eu o seguiria sem medo a qualquer ninho de raptor;

George Challenger um cientista brilhante e um ser humano primoroso;

Edward Malone meu amigo, meu companheiro, meu amor;

Thomy Layton meu filho." "

FIM por enquanto...

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"Um agradecimento com muito carinho a todos aqueles que acompanharam esta Fic e como nós, sentiu-se um pouco mais ligado aos personagens, suas emoções e à série em si. Para nós é muito difícil dizer que este é o último capítulo. Por isso então, optamos por apenas dizer, que este é apenas o princípio. Agradecemos imensamente pela aceitação positiva desta trama. E que vocês foram à parte fundamental. É hora de comemorar com o presente capítulo, feito em homenagem a todos os leitores.

A todos, o nosso Muito Obrigado!!!".

Lady F., Lady K, Towanda

VOSSOS FILHOS

Khalil Gibram

"Vossos filhos não são vossos filhos.

São os filhos e filhas da saudade da vida por sí mesma.

Eles vêm através de vós mas não de vós.

Embora vivam convosco, não vos pertencem.

Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,

Porque eles têm seus próprios pensamentos.

Podereis abrigar os seus corpos, mas não suas almas;

Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.

Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós;

Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.

O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a Sua força para que Suas flechas se projetem, rápidas e para longe.

Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro, seja a vossa alegria:

Pois assim como Ele ama a flecha e voa, também ama o arco que permanece estável."

Livro O Profeta