A mão do destino
Capítulo 14- Revelação
Autora : Ivys
Beta : Kuchiki Rukia.13
Dezembro/2009
Há duas semanas Steve Carlson tentava convencer Jensen a cantar com Jason Manns na festa surpresa que fariam para Chris Kane, em comemoração ao seu aniversário. A festa seria na casa de Tom e Michael e como presente, os amigos haviam gravado um CD com algumas das músicas preferidas de Chris, cantadas por eles próprios.
— Ora vamos Jen, é para o Chris – falava Steve ainda tentando convencê-lo.
— Steve, eu já gravei a música para o CD, mas cantar na festa? Você já está querendo demais. – retrucou o loiro irredutível.
— Não entendo qual o problema. Você já cantou comigo no barzinho. Porque não pode cantar com Jason na festa?
— Porque não estou com espírito para cantar Steve.
— Jason vai imaginar que é por causa dele.
— Você sabe que isto não tem nada a ver com Jason – respondeu Jensen sério.
— Eu sei, mas ele vai imaginar...
— Se é só isto o que o preocupa, eu falo com ele e resolvemos este problema, ok? – falou Jensen dando o assunto por encerrado.
Há dois meses após cantar com Steve no barzinho onde ele se apresentava quase toda noite, Jason Manns fora apresentado ao grupo de amigos. Era um cara simpático, alegre e bastante comunicativo. Em poucos minutos se enturmara com o grupo e contava um pouco sobre sua vida. Nascera em uma cidadezinha no interior do Texas onde vivera com seus pais até os dezoito anos de idade, quando resolvera rodar o mundo a procura do seu destino. O pai era veterinário e queria que ele seguisse a mesma profissão, mas apesar de amar os animais, sua verdadeira paixão era a música, por isto saíra de casa e depois de muito ralar acabara sendo contratado por uma pequena gravadora, a mesma que contratara Steve Carlson, e fora onde inclusive o conhecera.
Quando soube que Jensen era veterinário começaram a conversar e descobriram muito mais coisas em comum. Ao final da noite, era como se eles houvessem se conhecido há anos atrás.
O fato de Jensen estar conversando com alguém, sem que fosse necessário forçar um diálogo deixou seus amigos completamente felizes. Desde que Jared se fora, Jensen se fechara dentro de si e só comparecia aos encontros semanais porque Josh e Alan praticamente o obrigavam.
Por este motivo, Jason Manns passou a ser presença constante nos encontros entre os amigos. Não que nenhum deles esperasse que Jason conseguisse fazer Jensen esquecer Jared, mas pelo menos poderia fazê-lo se divertir um pouco, talvez até ficarem, sem compromissos. Isto porque Jason também era homossexual. Saíra de um relacionamento há pouco tempo e dizia estar agora livre como um pássaro.
A primeira vez que saíram juntos, foi por causa de uma armação dos amigos. Combinaram de se encontrar em uma pizzaria onde iriam jantar e depois iriam jogar boliche. Jensen foi direto da clínica e ao chegar não encontrou ninguém. Imaginou que eles estivessem atrasados, e alguns minutos depois Jason apareceu.
Conversaram por algum tempo, pediram uma pizza e ficaram aguardando a chegada dos outros, até que se deram conta de que eles não iriam aparecer. Jensen ligou primeiro para Chris que não atendeu o celular, em seguida para Steve, Justin, Tom e Michael, nenhum deles parecia estar com o celular ligado. Joshua era o único que não havia combinado sair com eles porque estava com uma namorada nova.
— Parece que seremos apenas nós. – disse Jensen após a última tentativa de localizar os amigos, sem sucesso.
— Mas o que aconteceu afinal? Nenhum deles atende? – perguntou Jason confuso. – Será que entendemos o dia errado?
Jensen conhecia bem demais os amigos para não perceber o que eles estavam planejando. Decidiu abrir o jogo com Jason para que ele ficasse preparado, caso eles voltassem a aprontar.
— Olha cara, não acredito que tenhamos nos enganado, seria muita coincidência nós dois nos enganarmos em relação ao dia. Na verdade, eu acho que foi proposital.
— Proposital? Mas por quê?
— É um pouco constrangedor, mas acho melhor você saber. – disse Jensen que neste momento sentia vontade de esganar um a um os seus amigos. – Eu acho que eles queriam que nós dois ficássemos sozinhos.
— Ah! Entendi. – Jason deu um sorriso sem graça a princípio, mas em seguida deu uma pequena gargalhada.
— Sinceramente Jason, não vejo motivos para gargalhar. – falou Jensen olhando para o músico como se ele estivesse louco.
— Desculpe, mas é que... de certa forma, eles acabaram fazendo o que eu queria...
— O que você...
— Desde aquele dia em que te conheci no barzinho, queria uma chance para ficar a sós com você.
— Jason, eu não...
— Por favor, Jensen – Jason interrompeu-o - Não quero assustá-lo, nem quero forçar nada, apenas gostaria de dizer o que eu sinto.
O loiro apenas o olhava, a última coisa que esperava era ouvir algum tipo de declaração do cantor.
— Eu sei da sua história com Jared. Steve me contou. Sei o quanto foi difícil para você. O quanto "está" sendo difícil para você – retificou após ver a expressão de dor no rosto do outro ao mencionar o nome de Jared. – Mas eu acho que você precisa retomar sua vida. E não falo apenas do trabalho. Jensen você não pode simplesmente se enterrar para o amor. Você continua vivo. Pulsando. E existem outras pessoas dispostas a provarem que merecem compartilhar esse sentimento com você.
— Olha Jason, eu não... – mas o rapaz não queria ouvi-lo, não antes de falar tudo o que o loiro precisava ouvir. Levantou uma das mãos como a pedir que ele se calasse e voltou a falar.
— Cara, a gente se deu super bem. Temos tantas coisas em comum. E ambos estamos vindo de um relacionamento frustrado. Por que não podemos nos dar uma chance? Não haverá cobranças. Apenas uma tentativa Jensen, eu não peço mais nada. Apenas uma chance.
Nada do que ele dizia era novo para Jensen. Seu pai, seu irmão, seus amigos, viviam lhe dizendo o tempo inteiro que ele precisava sair daquele abismo em que caíra e tentar um novo relacionamento. Tentar dar uma chance para si mesmo. Recomeçar.
— Você é um cara muito bacana Jason, e acho que há muito tempo não conheço alguém com que eu tenha tanto em comum. Eu acredito mesmo que esteja precisando recomeçar... – deu uma pausa e olhou diretamente nos olhos do outro. - Mas eu sinto muito. Não é algo que eu consiga. Não agora. E pra ser sincero, não tenho certeza se um dia conseguirei. – por mais difícil que fosse precisava assumir isto até para ele mesmo – Eu ainda amo Jared e acho que sempre vou amar. Estes meses sem vê-lo, não afetaram em nada o que eu sinto por ele. Não diminuíram em nada a falta que ele me faz. Não seria justo com você e nem mesmo comigo, tentar enganar meu coração. Ele pertence a uma única pessoa...
O cantor ouviu atentamente o que Jensen lhe dizia, depois apenas balançou a cabeça com um sorriso triste nos lábios.
— Jared não tem idéia, da pessoa maravilhosa que ele está perdendo...
... J.A & J.P...
Quando fora buscar James Lafferty no aeroporto da cidade a pedido de Samantha, Jared não poderia imaginar que em tão pouco tempo se tornariam tão amigos.
Lafferty era uma pessoa séria e centrada, sempre sabia quando falar ou quando calar. Às vezes surpreendia Jared com a percepção que tinha dos fatos antes mesmo de eles acontecerem.
Jared assistira a algumas das palestras que ele apresentara e foi quando entendeu o porquê de seus livros terem se tornado Best Sellers. Lafferty sabia o que falava e falava com convicção. Tinha o dom de fazer as pessoas enxergarem verdades que estavam à sua frente, mas que se recusavam a perceber.
Apesar de tudo, ainda não tinha usado este dom com Jared; ao menos não até hoje.
— Bom dia – o escritor o cumprimentou assim que Jared apareceu na cozinha.
— Bom dia – respondeu ele, sentando-se em seguida e servindo-se de uma xícara de café.
— Dormiu bem? Ou melhor, conseguiu dormir? – perguntou olhando preocupado para o amigo.
— Um pouco. Demorei muito para conseguir pegar no sono.
— Posso imaginar. O dia ontem foi bastante complicado...
O dia anterior havia sido bastante desgastante. Fora o dia do julgamento do processo que a família de Jack Stuart movera contra Jared. Mas como Morgan já havia dito, eles não tiveram a menor chance, quando o advogado de Jared discorreu sobre a vida do sobrinho do casal, desde o dia em que conhecera Gerald Padalecki, até o dia do terrível atentado. Alguns amigos do rapaz testemunharam a favor de Jared Padalecki, dizendo que Jack estaria presente no casamento, trabalhando ou não, pois era amigo do noivo. Quando ao final de sua preleção, Morgan apresentou os laudos médicos e uma carta do Dr. Mason informando sobre a amnésia de Jared e toda a dificuldade para a recuperação da memória, todos já tinham a mais absoluta certeza de que os tios de Jack haviam perdido aquela causa. E foi exatamente o que aconteceu.
Este, porém não havia sido o único desgaste do dia. O julgamento havia sido marcado para o dia 04 de dezembro, exatamente um ano após o atentado.
Foi um dia triste e cheio de recordações. Á noite, todos os familiares e amigos das vítimas do atentado participaram de uma missa que foi celebrada na praça em frente ao local onde antes ficava o hotel. A imprensa também estava presente, pois vira como um furo de reportagem o retorno do noivo, tantos meses após o acidente.
Todos disseram que tinha sido uma missa emocionante, mas Jared não saberia dizer; porque ficara o tempo inteiro lembrando-se de diálogos que tivera com seu noivo, naquela mesma praça, há tanto tempo atrás.
— Boa noite Jen, muito trabalho hoje? – perguntava Jared que tinha acabado de voltar da faculdade e encontrara Jensen Winchester sentado em um dos bancos da praça em frente ao hotel.
— É Jensen – respondeu o loiro sério – E o trabalho foi o mesmo de sempre.
— Posso te fazer uma pergunta?
—Acho que acabou de fazer – respondeu Jensen e Jared demorou uns segundos para perceber que ele havia feito uma brincadeira, pela primeira vez desde que o conhecia e então, deu-lhe o seu melhor sorriso.
— Outra pergunta então. Por que nunca me chama de Jay, como todo mundo e por que sempre que alguém o chama de Jen você corrige o seu nome?
— Não gosto de diminutivos, acho que eles descaracterizam as pessoas. Seu nome é Jared, então para que diminuí-lo? Se fosse para chamá-lo por Jay, seria este o nome que seus pais escolheriam.
Jared se lembrava de ter ficado olhando para aquele rosto tão perfeito e ficar morrendo de curiosidade para perguntar outras coisas, mas sabia que com Jensen tinha que ter calma. Ele não era de falar muito, não enquanto não tivesse total confiança na outra pessoa. E era esta confiança que Jared prometera a si mesmo que ganharia.
E então o seu pensamento se voltou para alguns meses atrás, em um quarto de hospital onde aquele mesmo rosto, lhe fitava com um misto de surpresa e alegria.
—Ei, cara, que bom que você finalmente voltou para nós.
— Eu... eu conheço você, não é? Claro, eu devo conhecer. . Você deve ser meu amigo... Só pode ser, porque eu... eu sonhei com você. Eu não me lembro o quê. Mas eu sonhei com você...
— Calma Jay, eu sou sim, eu sou seu amigo.- o sorriso que via naquele rosto era sincero.
— Jay?
— Jared Padalecki. Mas eu prefiro Jay. ... e eu sou Jensen Ackles, mas você pode me chamar de Jen. – foi presenteado pelo mesmo sorriso e o moreno se lembrava de ter devolvido um sorriso tímido.
Era a primeira vez que se permitia pensar em Jensen Ackles, sem tentar conter as lembranças. Sentiu seu coração apertar um pouco mais quando se lembrou do seu sorriso. Como será que ele estava? Como estaria seu pai, seu irmão? Será que Jensen ainda pensava nele?
— Jensen é um nome tão diferente – falava Jared para o novo assistente do gerente, alguns dias após conhecê-lo – Tem idéia de onde foi que sua mãe tirou este nome?
— Era o nome do meu avô, ou melhor, do pai da minha mãe.
Jared balançou a cabeça, sem entender.
— Pai da sua mãe? Seu avô, claro.
— Sou filho adotivo. È meio estranho chamar o pai da mãe de avô, primeiro porque eu não o conheci e segundo, porque ele não era meu avô de verdade.
— Você chegou a saber alguma coisa sobre seus pais biológicos? – perguntou Jared, querendo saber um pouco mais sobre aquele rapaz tão sério à sua frente.
— Não. Nunca soube. Sempre tive curiosidade em conhecê-los, saber o porquê me abandonaram. Mas não tenho idéia se eles ainda estão vivos ou quem são. A verdade é que eu realmente gostaria muito de conhecê-los. Não que eu não gostasse de meus pais adotivos, pelo contrário, eles sempre foram ótimos. Mas eu nunca me senti como parte real da família. Nunca me encaixei totalmente...
E então outra conversa muito parecida com esta lhe veio á memória.
— Posso lhe fazer uma pergunta?
— Claro, Jay. O que quer saber?
— Nunca teve vontade de saber quem são seus pais biológicos? Conhecer sua família, saber se tem irmãos? – notou que Jensen pensou um pouco antes de responder.
— Estaria mentindo se dissesse que nunca tive curiosidade sobre eles. Mas há muito tempo, eu tenho plena consciência de que minha família, minha verdadeira família é meu pai e meu irmão Josh. Foram eles que me acolheram, cuidaram de mim, me deram amor e me ensinaram a ser o que eu sou hoje.
Sentiu uma mão tocando em seu braço e ao olhar percebeu que James o chamava já há algum tempo.
— Jared você está bem? – perguntou o escritor.
— Estou sim Jim. Eu estou bem. – foi só quando percebeu que a celebração havia terminado e algumas pessoas se aproximavam para cumprimentá-lo.
Emocionou-se novamente com os abraços e palavras de conforto que as pessoas lhe ofereciam. Jeffrey, Samantha e James permaneceram ao seu lado o tempo inteiro. James foi o último a lhe abraçar dizendo que ele deveria se orgulhar por sua força em manter-se de pé. Em seguida voltaram para casa dos Morgan, onde Jared se recolheu logo em seguida, mas demorou muito a conciliar o sono.
— Jay? – James o chamava pela terceira vez, enquanto Jared parecia paralisado com a xícara de café próxima aos lábios; totalmente perdido em seus pensamentos.
— Huumm? Você perguntou alguma coisa?
— Ei, o que está acontecendo? Desde ontem você parece estar viajando cada vez que alguém fala com você.
— Eu não sei Jim, é só que, nestes últimos dias, estes últimos acontecimentos só tem contribuído para que eu me lembre de tudo o que vivenciei com minha família, com meu noivo. As lembranças estão tão claras que eu fico me perguntando como posso ter me esquecido por tanto tempo...
— Jay, não pode se culpar por haver esquecido...
— Eu sei, mas... é tão difícil Jim. Eu sinto como se os tivesse traído. E traí a memória do meu noivo...
— Você não traiu ninguém – Lafferty foi firme – Nem sua família, e muito menos o seu noivo. Jared, seria impossível você não se apaixonar por Jensen Ackles ao acordar do coma e encontrá-lo ao seu lado. Principalmente depois de sonhar o tempo inteiro com seu noivo, como você me contou. É claro que seu inconsciente lhe pregou uma peça. Mesmo não se lembrando de nada, você se lembrava do rosto...
— Eu ouvia Jensen me chamando, ele pedia que eu voltasse. Quando acordei pensei que fosse o rosto e a voz de Ackles, e acho que foi isto que me fez me aproximar tanto dele. Então, quando recuperei a memória e percebi que era com meu noivo que eu sonhava, eu...
— Eu sei – a voz de James transmitia serenidade – Sei como você se sente. Mas Jared, já está na hora de seguir em frente. E principalmente, já está na hora de separar o que sentia por seu noivo e o que ainda sente por Jensen Ackles.
Jeffrey e Samantha entraram na cozinha neste momento, interrompendo a conversa dos dois.
— Bom dia rapazes. Algum de vocês já viu o jornal de hoje? – perguntou Morgan, já estendendo o jornal para Jared.
Um dos destaques do jornal era a missa celebrada para as vítimas do atentado terrorista. E a foto que ilustrava a matéria era de Jared sendo abraçado por James ao final da celebração. Mas o que realmente chamou a atenção do moreno foi a legenda para a foto que dizia : Jared Padalecki recebendo um abraço do famoso escritor James Lafferty, seu novo companheiro. A matéria ainda dizia que os dois estavam morando juntos na casa dos tios do escritor e terminava com a frase : Enfim, depois de tantas lágrimas e sofrimentos, a vida finalmente continua...
— Eu não consigo entender, como alguns jornalistas podem ser tão maldosos e inventar tantas coisas, apenas para vender mais. – disse Lafferty que se aproximara para ler a matéria. – Eu sinto muito Jay.
— Tudo bem Jim, eles apenas deduziram o que acharam melhor, o que era mais conveniente para o jornal. Mas isto não me atinge em nada.
Alguns minutos depois Jeffrey contava sobre um cliente que o procurara no escritório no dia anterior e que queria iniciar um processo de divórcio. Mesmo dizendo que seu escritório não cuidava de casos de divórcio, o tal cliente ficou algum tempo desabafando. Ele queria o divórcio porque a esposa resolvera adotar dois gatos e três cachorros. E desde que os animais foram para a casa deles, segundo ele, tudo começou a dar errado. Batera o carro, ficara doente e perdera o emprego. A história era trágica e cômica ao mesmo tempo, e enquanto Morgan contava as desventuras do cliente, Jared se perdeu novamente em lembranças.
— Sabe o que é ruim em se morar em um hotel? – Jared perguntou repentinamente, enquanto observava dois enormes cães Labradores correrem pela praça.
— O quê? – Jensen perguntou enquanto pagava pelos sorvetes que acabara de comprar.
— Não poder ter cachorros. Sempre quis ter um, mas morando em hotel desde que nasci, impossível... – sorriu de repente com a idéia que lhe veio à mente – Jensen, podíamos nos mudar para uma casa depois de nos casarmos e podíamos criar uns dois cães, o que você acha?
— A casa tudo bem... Mas Jared... faz mesmo tanta questão dos cães? – perguntou Jensen receoso.
— Por quê? Não gosta de animais? – Jared estava surpreso, nunca conversara sobre isto com o noivo.
— Não gosto, nem desgosto. – e vendo a cara de decepção do noivo, acrescentou – Mas se você quiser, tudo bem. Podemos ter os cães.
Uma gargalhada de Samantha, seguida de um riso alto de James Lafferty, fez com que Jared voltasse sua atenção novamente para a conversa na cozinha.
— E ele finalmente descobriu que é alérgico a pêlos de animais – completou Jeffrey.
Alérgico a pêlos de animais. Onde foi que ouvira isto? Quem era alérgico a pêlos de animais? Jared tentou vasculhar a memória e então as lembranças vieram novamente e desta vez com uma revelação.
— Quando eu tinha cinco anos, um gato entrou pela janela do meu quarto e eu o escondi embaixo da minha cama durante uma semana. Não me pergunte como consegui que ele ficasse quieto lá, porque até hoje eu não sei. Eu era alérgico a animais e meu pai é claro, não me deixava chegar nem perto de gatos ou cachorros. Então, um dia o Scooby apareceu. Já sei, você me diria que Scooby é nome de cachorro e não de gato, mas eu gostava do nome e o gato passou a se chamar Scooby. Era o gato mais estranho que eu já vi na vida. Ele tinha um olho verde e o outro azul. O pêlo da cabeça era branco, mas uma das orelhas era completamente preta. O restante do corpo era amarelo, mas o rabo era cinza. Ele mais parecia um arco-íris. – Jensen sorriu da lembrança- Comecei a ter problemas respiratórios e meu pai acabou descobrindo Scooby e o levando embora. Fiquei doente, com febre alta por três dias seguidos. Não era por causa da alergia ou nada parecido, eram apenas saudades do Scooby. Então, meu pai o trouxe de volta e eu comecei um tratamento que durou anos, para me curar da alergia. Scooby ficou conosco até morrer bem velhinho. Ele foi o responsável por eu ter escolhido a profissão de veterinário.
— Meu Deus, era ele! – exclamou Jared perplexo com a descoberta – Sempre foi ele!
— Ele quem? – perguntou Samantha ao mesmo tempo em que Jeffrey e James olhavam espantados para Jared – Jay, você está bem?
Como pudera ser tão cego? Como pudera duvidar do que sentia, e pior, duvidar do que Jensen sentia? Como pudera acusá-lo de traição, quando Jensen resistira tanto em ficar com ele e assumir os sentimentos e quando havia tanto medo em seu olhar? Como podia ter sido tão injusto quando tudo o que Jensen fizera desde o momento em que o conhecera fora ficar ao seu lado, lhe dar apoio e amor?
Amor. Quem foi que disse que Jensen Ackles não sabia o que era amar, se tudo nele transbordava amor?
E se Jensen sempre estivera no controle em todos os seus relacionamentos, com Jared, havia se entregado por completo. Ele havia sido o primeiro...
— Jay? – Samantha o chamou novamente.- Você está bem?
Jared sorriu em resposta; o primeiro sorriso espontâneo em seu rosto, desde que retornara.
... Continua...
Cléia - Fico muito feliz que você esteja gostando e quero aproveitar e agradecer à MarySpn, já que foi através do twitter dela que você reencontrou a fic.
Obrigada a todos que continuam acompanhando a história. Beijos.
Ivys
