Capítulo 13 – Conversas e Amenidades

Tom estava cochilando. O moreno beirava a consciência quando sentiu uma cócega em seu peito e suprimiu a vontade de rir. Eram os cílios da castanha piscando espasmodicamente naquele local. Ela estava acordando. Tom resolveu então fingir que ainda estava dormindo. Queria absorver todas as suas reações. Definitivamente, não foi nada do que ele esperava.

— Adeus meu menino bipolar... — ouviu a castanha sussurrar com os lábios encostados aos seus, depois de cobri-lo carinhosamente. Involuntariamente o moreno sentiu um calafrio desconfortável percorrer por seu corpo. Não. Que inferno. Ela não poderia fazer aquilo com ele. Esperou um pouco até que ela se afastasse. Um instinto ruim o dominava naquele instante e ele sabia que não seria seguro para ela se ambos se encontrassem naquele momento. Esperou por mais um momento suprimindo a vontade louca de segui-la e possui-la novamente para provar para a castanha que ninguém o deixava, a menos que ele quisesse isso. Tom respirou profundamente várias vezes tentando amenizar o monstro que crescia dentro dele. Ele deveria ir dormir. Procuraria Hermione no outro dia. Ela iria sentir na própria pele como ele era quando realmente estava empenhado em seduzir alguém e então o moreno sabia que a castanha não teria coragem ou mesmo forças para recusá-lo. Não. Nem ele mesmo teria forças para recusá-la e imaginou que acontecesse o mesmo com a garota, porque aquele instinto impulsivo girava em torno dos dois o tempo todo. Inexplicavelmente os dois se chamavam. Ele não iria deixar ela se afastar, embora ele soubesse que seria mais sensato assim.

Levantou irritado e fez o excesso de lençóis desaparecerem. Lançou o feitiço desilusório em si mesmo e andou até a frente de seu dormitório. Por um segundo, o moreno teve esperança de encontrar a castanha ali, esperando por ele, dizendo que ela estava tão somente confusa por ter se entregado daquela forma. Mas afinal de contas, que diabos ele queria?! Tom sacudiu a cabeça. Ela estava deixando ele louco.

O moreno entrou na sala comunal compartilhada e se surpreendeu ao avistar o loiro sentado na poltrona olhando para a lareira com uma expressão cansada.

— Algum problema Abraxas? — Tom perguntou desinteressadamente.

— Ainda não Tom. Ainda não há um problema, mas temo que eventualmente possa haver um.

Tom sentou-se na poltrona que ficava defronte a do loiro.

— Explique melhor... — Tom falou cruzando as pernas e olhando para o rosto franzido de Abraxas.

— Eu ironicamente soube o que aconteceu entre você e srtª Granger. Ela... Ela me procurou para que eu fosse te buscar. Estava preocupada que você fosse apanhado e tivesse problemas. — Tom levantou a sobrancelha e um riso satisfeito brotou em seus lábios. Era bom saber que ela se preocupava com ele, mas havia algo naquela sentença que o preocupava.

— Como diabos você soube? — Tom perguntou inevitavelmente sendo ríspido.

— Ah... Hermione tentou ser sarcástica comigo, mas estava olhando em meus olhos, então aproveitei a oportunidade para ler a mente dela. Queria saber como ela tinha conhecimento sobre a sua estada na Torre, e então acabei vendo parte do que aconteceu. Não se preocupe, não fiquei dentro da cabeça dela muito tempo. Não foi uma tentativa proposital de invadir a privacidade de vocês dois ou algo assim, mas foi você mesmo que me ensinou a sempre estar um passo a frente.

Tom lutou contra a própria vontade de esganar Abraxas. Ele sabia que o loiro fizera a coisa certa. Era exatamente isso que ele faria.

As mãos de Tom involuntariamente puxaram os fios de cabelo desarrumando-os mais ainda.

— Ela vai me deixar louco. — ele confessou ficando vermelho de raiva.

— Ela já deixou... — Abraxas comentou displicentemente.

— Não há muito com o que se preocupar. — Tom rebateu serenamente. — Ela se despediu de mim. Acredito que vai se afastar.

— Isso é bom. Tenho medo do que os outros comensais poderiam fazer se descobrissem sobre o seu relacionamento com uma grifinória.

Tom fez um som de desgosto. Abraxas continuou preocupado.

— Eu sempre estarei com você Tom. Te seguirei porque você é o meu amigo. O único que me ajudou quando eu mais precisei. Mas não somos invencíveis e enquanto você não fizer essas malditas horcruxes, então você ainda estará vulnerável. Não podemos arriscar. Somos todos serpentes afinal de contas. E eu não confio em Nott.

— Nem eu... Eu sinto que ele está tramando alguma coisa.

— Vamos fazer o que sempre fizemos, Tom. Vamos nos antecipar. Vou ficar de olho em cada passo que aquele maldito der... E mais uma coisa...

Tom olhou para Abraxas curiosamente e acenou com a cabeça para que o loiro prosseguisse.

— Eu sei que não é da nossa natureza ter preocupação com uma garota... Muito menos com uma leoazinha impulsiva... — Abraxas riu o ver Tom o fuzilar com os olhos. — Mas pense comigo. Se Lisbeth Bullstrode que é a melhor amiga de Cedrella Black desconfiar que você está realmente envolvido sentimentalmente com a Granger, então eu realmente temo pela segurança da garota. Lisbeth é vingativa e Cedrella é cruel, você bem sabe disso. Duvido muito que Lisbeth tenha esquecido o duelo em que ela foi humilhada. Ela vai tentar alguma coisa Tom ou eu não me chamo Malfoy.

— Eu concordo com você e também imagino que aquela garota infeliz vá tentar fazer algo... Mas eu sei que Hermione sabe se defender. — Tom riu e Abraxas o acompanhou. — Embora eu não possa evitar ficar de olho.

Tom, querendo ou não, estava sempre de olho em sua leoa impulsiva e gostosa. Era mais forte que ele.

(...)

Hermione não conseguiu dormir. Ficou sentada na cama fitando o vazio do quarto.

Minerva acordou e olhou a expressão da amiga. Rapidamente ela correu em direção a castanha.

— Hey... O que foi? — Minerva perguntou baixo.

— Minnie... — Hermione virou o corpo e deitou a cabeça no colo da amiga que começou a fazer um carinho na cabeça da castanha. — Eu sou tão burra.

Minerva bufou com o antagonismo daquela declaração. Como a garota mais inteligente da escola poderia se autodeclarar burra?

— Eu me entreguei a Tom. — Hermione falou sussurrando, mas sentiu como se as palavras estivessem sendo ditas por outra pessoa.

Minerva sentiu o choque de surpresa, mas não iria julgar a sua amiga.

— Bom... — ela ponderou por um instante. — Não acho que isso seja tão surpreendente assim.

Agora era a vez da castanha ficar surpresa.

— Como não?!

— Hermione, vocês estão vinculados de alguma maneira. — Minerva falou revelando parte do que ela havia estudado. — Bom, no dia da aula de duelos, a magia de vocês se expandiu, como um elástico. Isso só acontece quando duas pessoas estão destinadas uma a outra.

Hermione riu sem achar graça. — Eu não quero estar destinada a ele.

— Porque não iria querer? Ele é um cavalheiro, é o garoto mais bonito da escola, é inteligente. — Minerva estava sendo irônica na verdade, porque na cabeça dela nenhuma dessas qualidades compensava o fato de Tom ser arrogante e esquivo. E ela não confiava nele.

— Eu sei que você acabou de completar no seus pensamentos que ele é arrogante, instável, misterioso e um sonserino incompatível.

— Não ponha palavras em minha boca Mione. — Minerva riu. — Eu posso ter pensado, mas quem falou foi você. E, sinceramente, não acho que ele seja incompatível com você. Existe alguma coisa, uma eletricidade, um magnetismo quando vocês estão juntos. Acho que a palavra certa para definir o relacionamento entre vocês dois éinevitável.

— Nada é inevitável. Eu já estou decidida. Vou me afastar dele.

— A pergunta que não quer calar é... Ele vai permitir que você se afaste dele? — Minerva perguntou enigmática.

— Ele não tem querer. — Hermione respondeu indignada.

Ficaram um tempo em silencio. Minerva não quis perguntar mais coisas a Hermione naquele momento, mas ela sabia muito mais do que falara. O fato da magia de Hermione falhar em um momento em que ela estava mal com Tom, o fato da castanha não conseguir resistir as investidas do moreno, aquilo só podia significar uma coisa, mas como teria certeza se a própria castanha não lembrava-se de nada a respeito de seu passado?

— Vocês se precaveram? — Minerva perguntou calmamente.

De repente Hermione sentiu o sangue ser drenado de seu rosto e soltou uma praga baixinha. Minerva riu. Já sabia a resposta.

A amiga levantou calmamente e foi até a sua bolsa, remexeu em algo lá dentro e ofereceu um frasco de poção para a castanha.

— Método contraceptivo bruxo. Beba tudo e não faça cara feia.

— O que tem nessa poção? — a castanha perguntou curiosa girando o líquido azul berrante no frasco transparente.

— Hormônios femininos que inibem a formação de gravidez. Você tem um prazo de 72 horas para tomar após o coito. — ela disse rindo — Depois disso é ineficaz. Você foi irresponsável Mi, então vai ter que lidar com os efeitos colaterais. Hoje vai ser um dia de cão para você, vai ficar tonta, enjoada e com um humor de cão.

Hermione riu e desconfiou de Minerva por um instante.

— Você já tomou? — ela perguntou olhando a amiga que corou de um jeito violento.

— Já, já... Quando eu namorava com o Harfang, mas isso tem um tempo.

— Porque terminaram? — Mi perguntou com curiosidade e logo em seguida virou o conteúdo azul berrante que desceu de forma gelada em sua garganta. O gosto não era tão ruim.

— Porque o vi aos beijos com Callidora Black. — Minnie falou sombriamente.

— Oh... Desculpa ter perguntado. — Hermione sentiu-se mal imediatamente.

— Não... Isso é passado. Não sinto mais nada por ele. — Minerva sorriu demonstrando que estava tudo bem. — Agora vamos nos arrumar. A primeira aula é de DCAT e temos que dar exemplo.

Hermione sorriu sinceramente para a amiga e sentiu-se aliviada por não ter que lidar com as consequências de sua inconsequência.

O coração da castanha, porém, a avisava que manter-se afastada do moreno seria muito pior do que ela havia pensado. Infinitamente pior.

(...)