—Temos mesmo de ir?
Harry baixou os olhos e sorriu para Hermione, que estava tão enterrada embaixo das cobertas que ele mal entendeu o que ela tinha dito. Tinha se passado uma semana desde a primeira vez que tinham feito amor. Hermione ainda não tinha voltado a dormir na sua cama, uma noite sequer. Quanto mais ele pensava sobre o ato de compartilhar uma cama, mais chegava à conclusão de que Gina sempre voltava para a dela, não por uma questão de pudor, mas porque ela gostava do modo como ele a procurava como se fosse um pedinte. Ele sabia que de agora em diante não iria mais se acostumar a ficar sozinho em uma cama, e isso não tinha nada a ver com o ato de fazer amor. Ter Hermione ao seu lado a noite toda o agradava imensamente.
— Sim, temos de ir — ele disse e deu um tapinha no traseiro arredondado, ciente de que ela mal iria sentir sob as cobertas. — Levante-se.
— Sei que temos de ir, mas isso não significa que tenho de gostar da ideia — ela resmungou ao se sentar, segurando as cobertas sobre os seios. Quando deu uma olhada para o relógio sobre a cornija, arfou surpresa. — Não acredito que dormi tanto assim. — Quando percebeu a fisionomia arrogante no rosto de Harry, ela o encarou com olhos contraídos de alerta. — Não diga nada.
— Você não tem senso de humor.
— Tenho muito senso de humor. Só não nesta manhã.
— Mas já passa do meio-dia.
— Saia daqui.
— Mas este é o meu quarto. — Ele riu do olhar que ela lançou em resposta, deu um beijo nos seus lábios sedutores e seguiu rumo à porta. —Sairemos dentro de duas horas. Minha mãe já veio buscar Anthony. Ela queria ficar um pouco mais de tempo com ele antes que os convidados começassem a chegar.
Hermione suspirou, deu uma última olhada na cama onde estava sentada, e então se levantou. Depois de vestir a camisola, que sem saber como tinha acabado dependurada no alto do dossel da cama, ela passou pela sala íntima que ligava seu quarto ao de Harry.
Ficou surpresa quando viu que seu banho já estava pronto e tocou a sineta, chamando por Maude. Provavelmente tinha sido Harry que mandara preparar, ela concluiu enquanto se despia e entrava na banheira. Maude chegou para ajudá-la, ajeitando a roupa que Hermione deveria vestir depois que terminasse o banho. O cheiro gostoso da comida que Maude trouxera aguçou os sentidos de Hermione e por mais que ela adorasse se demorar na banheira até que a água esfriasse. Ela finalmente cedeu à tentação e estava parcialmente vestida e comendo enquanto Maude fazia um penteado adequado a uma visita de fim de tarde, na casa de uma condessa. O dia ia ser longo. Hermione sabia que iria precisar contar com as forças que uma boa refeição seria capaz de lhe dar.
Depois que já estava pronta e que Maude já tinha se retirado para avisar a Harry que Hermione iria descer dentro de alguns minutos, ela admirou sua imagem no espelho. Tinha passado muito tempo usando vestidos elegantes e penteados elaborados e torturantes desde que Harry tinha revelado ao mundo que ainda estava vivo. Isso era, chegou à conclusão, apenas uma pequena amostra do que iria enfrentar quando se tornasse uma condessa. Sempre iriam haver bailes, saraus, chás ou festas aos quais seria obrigada a comparecer simplesmente porque era o esperado que fizesse. Hermione se perguntou se Harry já tinha pensado sobre esse detalhe do casamento deles. Suas origens humildes somadas aos rumores sobre os Granger e os Vaughn poderiam dificultar um pouco o cumprimento das suas obrigações como condessa. Talvez não houvesse tantos convites quanto Harry esperava receber ou precisava para manter sua posição na pequena nobreza.
Cantando, pois nem mesmo os temores eram fortes o bastante para impedi-la de se casar com Harry, Hermione seguiu rumo à escadaria. Harry tinha dado sua palavra de que iria se casar com ela e, por causa desta palavra, tinha tirado sua inocência. Conhecendo-o como já conhecia, Hermione sabia que nada o faria mudar de ideia e desistir de se casar com ela. Pelo menos não tinha de se preocupar com a aceitação da mãe dele no seio da família. Lady Lilian tinha recebido Hermione de braços abertos. Apesar de não terem contado à condessa sobre o noivado, Hermione tinha a sensação de que ela já sabia, ou desconfiava, que havia um compromisso.
— Você está linda — Harry disse ao ir ao encontro de Hermione aos pés da escada e segurar sua mão para acompanhá-la até a carruagem.
Ela corou e ele quase sorriu. Todas as vezes que fazia um elogio, Hermione ruborizava. Era um traço adorável, mas ele desconfiava que isso significasse que ela ainda não acreditava totalmente nos seus galanteios. No mínimo, Harry estava determinado a fazer com que Hermione enxergasse que ela era uma mulher bonita, de corpo e alma. Estava disposto a fazer isso porque ela merecia adquirir tal confiança, e porque ele sabia que ela nunca iria se deixar levar pela vaidade. Hermione era muito sensível e justa para sucumbir a tal pecado.
— Ainda não entendi muito bem por que estamos fazendo esta reunião, apesar de que eu jamais seria capaz de negar à sua mãe o prazer que ela parece estar sentindo em oferecer isso — disse Hermione enquanto entrava na carruagem. — Já contamos para uma porção de pessoas sobre Anthony. Ainda é muito cedo para ele sentir como é ser apresentado formalmente à sociedade. O menino tem apenas três aninhos. — Ciente de que poderia amarrotar seu vestido, o que poderia causar algumas marcas indesejadas, Hermione resistiu à vontade de se atirar nos braços de Harry quando ele se sentou ao seu lado.
— É verdade, isto não é comum — Harry disse enquanto acenava para o cocheiro partir. — Mas é tão estranho para o herdeiro de um conde, que todos pensavam que tinha nascido morto, e que, de repente, aparece?
— Certamente — ela murmurou e ajeitou sem necessidade o laço da sua capa, presa ao pescoço. — A sua mãe disse que é melhor enfrentar todas as especulações e fofocas a respeito disso com um talho só do que enfrentar uma sangria lenta e torturante.
— Nunca pensei que minha mãe pudesse dizer algo assim — ele falou arrastado e riu ao sentir uma cotovelada na lateral do corpo. — Ela tem razão. Este é o melhor jeito de lidar com a situação. De verdade. Foi por isso que mandei publicar aquela pequena nota explicativa nos jornais e depois desfilei com meu filho pelo parque.
— E parou para conversar e apresentá-lo a quase todo mundo que estava lá.
— Exatamente. A festa que minha mãe vai oferecer estará cheia de gente curiosa para ver o filho resgatado do conde. O fato de ele se parecer tanto comigo torna a história ainda mais convincente. E que Deus me ajude, pois minha mãe até mandou pendurar, em um lugar de destaque, o meu retrato de quando eu estava com a mesma idade de Anthony.
Hermione riu.
— Você também tinha cabelo bonitinho?
— Quieta mulher atrevida! O que mais me incomoda é o camisolão infantil cheio de babados de renda. — Ele sorriu quando ela riu outra vez. — O anúncio no jornal, assinado por três lordes do reino e dois advogados respeitados, já deveria ser o suficiente para acabar com os rumores que poderiam surgir acerca da legitimidade de Anthony, mas uma boa olhada no garoto e a convicção firme da minha mãe do direito de ele ser chamado de meu herdeiro devem calar de vez todas e quaisquer desconfianças.
— Considerando a mãe que o pobre menino teve, é melhor garantir que não surjam outras alegações que possam ser usadas contra ele.
— Você acha que ele sempre irá sofrer por causa dos crimes de Gina?
— A maioria das pessoas acabara se esquecendo. Quando toda a verdade vier à tona, todos saberão que ela nunca teve contato com ele, e assim não pôde causar nenhum tipo de má influência na educação da criança. Mas sempre existem aqueles que gostam de se valer das fraquezas alheias para se sentirem mais importantes. Anthony terá de aprender a lidar com esse tipo de pessoas. Elas estão em todas as partes. Acho que quando ele tiver idade suficiente para compreender os atos da mãe, terá certa dificuldade para aceitar que nada daquilo tem a ver com a pessoa que ele é.
— Sim, acho que você tem razão. Será um baque muito forte, não importa como tenha sido sua vida até então. — Hermione suspirou quando a carruagem parou diante da mansão que a mãe de Harry e as irmãs chamavam de lar. — Só espero conseguir me segurar. Meu maior desejo é poder contar tudo que aconteceu, e não apenas parte. Eu queria que todos soubessem os monstros que Gina e Tom são.
— Os que precisam saber já sabem. O restante ficará sabendo de toda a verdade sórdida, ou da maior parte, depois que tudo terminar. Eu poderia abrir uma acusação contra Gina agora e exigir um julgamento, mas quero ter certeza de que ela pagará por tudo que fez ao nosso filho, e que a acusação resultará em uma condenação. Neste momento, não tenho provas suficientes para sustentar uma acusação contra Tom e Gina por terem influenciado ou ameaçado pessoas a fazerem o que eles queriam. — Harry deu um beijo em Hermione antes de a porta da carruagem se abrir. —Você vai se sentir bem.
Hermione não tinha tanta certeza assim, mas o seguiu para dentro da casa da condessa. Não que temesse se esquecer das histórias cuidadosamente escolhidas para serem contadas sobre Anthony e os motivos igualmente selecionados pelos quais Harry ainda estava morando com Leo.
A última parte era mais fácil do que a primeira, uma vez que não havia muitas distorções em torno da verdade. Porém, tinha uma vontade imensa de simplesmente contar tudo para todos que insinuassem que ela e o primo estavam se intrometendo numa história que não era da conta deles. "Mas não é assim que uma futura condessa deve se portar", ela disse para si mesma, enquanto Lady Lilian os recebia.
Não demorou muito e as pessoas começaram a chegar. Hermione não imaginava que tanta gente viesse. Lady Molly chegou alguns minutos adiantada, acomodou-se em uma poltrona confortável e ficou observando o desfile de pessoas, com jeito de quem estava se divertindo muito. Hermione decidiu que gostava da mulher, por mais franca que ela fosse. O modo como Anthony vinha e voltava para conversar com Lady Molly indicou que ele também gostava da senhora. O modo como ela tratava o garoto revelou que embaixo de todo aquele jeito áspero e franco havia bondade. Outras pessoas não foram tão gentis e olharam para Anthony como se ele estivesse exposto em um estranho museu.
Quando um homem, com trajes em tons berrantes, olhou para Anthony por cima do elegante monóculo, Hermione não aguentou. Estava prestes a ir dizer algo para o sujeito quando Lady Lilian surgiu ao seu lado. Apesar de saber que seria para o bem de todos que estava sendo impedida de causar um escândalo, Hermione se sentiu desapontada por não poder ir até lá e pisar naquele monóculo ridículo.
— Aquele é Lorde Gilderoy Lockhart — Lady Lilian comentou, seus olhos brilhavam de divertimento. — Ele é um tolo e como se pode ver é um devoto cego de todos os modismos, mas ele é o maior fofoqueiro da cidade.
— E isto é uma coisa boa? — Hermione perguntou.
— Neste caso, sim. É de pessoas como ele que estamos precisando. Ele vai esparramar a notícia para todos os cantos! E pela cara que está fazendo, achou que Anthony é de fato o herdeiro de Colinsmoor.
— Quanta gentileza a dele.
Lady Lilian riu.
— Olhe para lá, Lady Molly acabou de dizer o que você queria tanto. Lorde Lockhart não melhora muito quando assume a pose de indignação, não acha?
Hermione sorriu.
— Acho que fica pior. Nem dá para saber quem é o criado e quem é o senhor. — Ela desviou os olhos para o imenso retrato que estava dependurado sobre a sólida lareira. — Não posso me esquecer de dizer ao Harry que ele também tinha cabelos lindos quando era criança e que é uma pena que esses cachinhos tenham ido embora.
Lady Lilian levou a mão à boca, rapidamente abafou a gargalhada e concordou com um aceno de cabeça.
— Anthony já disse isso para todas as mulheres presentes. Acho que o menino nasceu galanteador.
— Ele é mesmo. — Hermione olhou para Anthony que estava oferecendo um pedaço de bolo meio esmigalhado para Lady Molly. — Ele gosta da Lady Molly. — Hermione não conteve o riso quando Lady Molly aceitou o bolo com toda a dignidade e começou comer.
— Ela é uma mulher boa e adora crianças. Seus filhos a adoram. Sempre pensei que ela merecia um marido melhor do que aquele tolo maluco por cavalos com quem ela se casou, mas ela parece satisfeita.
— Ele lhe deu os filhos que a adoram.
— É verdade. Dizem que ela conseguiu criar todos os sete filhos ao qual deu à luz porque Deus ficou com medo de que ela fosse atrás para exigir que Ele o devolvesse, caso resolvesse lhe tirar algum. — Lady Lilian sorriu ao ver que Hermione ria. — Ela é franca e um pouco excêntrica, mas tem um coração muito bom. Aprendi também a nunca ignorar a opinião dela sobre alguém, não importa quão áspera tenha sido.
Hermione balançou lentamente a cabeça em acordo, pensando no conselho que Lady Molly tinha dado a Harry, no parque.
— Sim, ela enxerga longe. Deve ter sido muito difícil quando ela não fez segredo sobre o que achava a respeito de Gina.
— Não me incomodou em nada, pois eu concordava com ela. Felizmente, um confronto entre ela, Harry e Gina não aconteceu antes de Harry ter começado a enxergar quem Gina era de verdade. — Lady Lilian meneou a cabeça. — Meu filho fez uma péssima escolha quando se casou com ela. Estou feliz que ele tenha escolhido melhor agora.
Hermione baixou os olhos para a pequena mão enluvada que fazia um afago em seu braço e em seguida fitou o semblante de Lady Lilian. A expressão da mulher disse para Hermione que não valia a pena tentar argumentar. Ela só ficou curiosa, porém, em saber como à senhora tinha chegado àquela conclusão.
— Ele ainda está casado — Hermione se sentiu obrigada a dizer.
— Não por muito tempo. Temo o escândalo de um divórcio, mas se for preciso para ele conseguir se livrar daquela megera, então suportarei. Fiquei com receio de que ela resolvesse aparecer aqui. Ela precisa saber o que tem sido dito a seu respeito. Harry não a acusou abertamente de nada, mas ninguém mais terá o mesmo cuidado. Mas seria a cara dela aparecer aqui e tentar bancar a pobre mãe cujo filho lhe foi roubado e cujo marido está difamando a imagem ao deixar que as pessoas pensem que foi ele quem sumiu com a criança. Eu não me surpreenderia se ficasse sabendo que algumas pessoas aqui presentes vieram na esperança de que ela pudesse aparecer.
— Creio que Arthur deve tê-la impedido. — Hermione resolveu não comentar nada sobre a história do ataque que Leo e Harry tinham sofrido e que levara seus inimigos a se esconderem. Não estava certa se Harry tinha contado algo a respeito disso para a mãe.
— Concordo. Ele vai precisar preparar uma resposta para os comentários que vão surgir.
— Não sei ao certo o que as pessoas vão dizer, mas desconfio que ele tente distorcer. Ah, Lady Molly está tentado chamar a nossa atenção.
Quando Hermione e Lady Lilian se aproximavam da senhora, Harry passou por elas, carregando um Anthony muito sonolento, que tinha se acomodado confortavelmente em seus braços fortes. Hermione notou como todos olhavam para os dois juntos e suspeitou que essa tinha sido a prova definitiva para muitos dos presentes. Ninguém que pudesse enxergar seria capaz de negar que a dupla era formada por pai e filho. Por mais que tivesse detestado o evento, Hermione teve de admitir que ele tinha servido aos propósitos. Anthony foi aceito pela sociedade como herdeiro legítimo de Harry. O futuro do menino estava garantido. Por isso ela não se arrependia do tempo gasto dando respostas educadas para perguntas rudes.
— Acho que um certo menininho teve um dia muito agitado — Lady Lilian comentou enquanto removia alguns cachos da testa de Anthony.
— E também comeu muito bolo — Anthony resmungou. Harry riu suavemente.
— Acho melhor levá-lo para casa. — Deu uma olhada no relógio sobre a lareira. — Já está quase na hora de ele dormir.
— Não, Harry. Deixe-o ficar aqui. Eu o devolverei assim que ele acordar, amanhã cedo. Mandei arrumar o quarto das crianças e alguém para ajudar a cuidar dele.
Após uma breve discussão, Harry acabou concordando e levou Anthony para o quarto. Lady Lilian pediu licença para os convidados e acompanhou o filho. Hermione sabia que teria de ficar para trás desta vez ou correria o risco de levantar alguns comentários indesejados. Um olhar de canto de olhos para Lady Molly já foi o bastante para indicar que a mulher sabia o quanto ela estava desapontada por não poder dar um beijo de boa-noite em Anthony.
— Logo ele será todo seu, moça, e então você nem terá de temer que alguma fofoca maldosa acabe com a sua reputação — comentou Lady Molly.
Hermione não concordou nem discordou, apenas sorriu para Lady Molly e respondeu:
— A senhora por acaso sabe se possui algum Granger ou um Vaughn pendurado na sua árvore genealógica?
Lady Molly apenas riu ao se levantar.
— Preciso ir andando, agora. Transmita minhas lembranças a Lady Lilian. — Fez um afago na face de Hermione. —Você será uma boa mãe para o menino, moça. Muito boa.
Ou Harry tinha contado algo para sua mãe ou Lady Lilian e Lady Mollyn tinha simplesmente decidido que Hermione Granger deveria ser a próxima esposa de Harry. Como acontecia a tantas mulheres daquela idade, as duas achavam que suas decisões sobre tais questões eram definitivas. Todas alegavam o valor da sabedoria e experiência sobre a paixão juvenil. Era quase uma vergonha se as duas acabassem provando que estavam corretas uma vez que nem mesmo Hermione tinha tanta certeza se o otimismo delas sobre o desenlace do casamento estava certo. Mas ela, no entanto, não estava disposta a discutir com as duas damas da alta sociedade. A aceitação das duas certamente iria facilitar muito a sua vida quando ela se casasse com Harry. Hermione ignorou bravamente o nó no estômago que sempre voltava cada vez que ela pensava em casamento.
Harry retornou e salvou-a das atenções de um jovem rapaz que obviamente frequentava o mesmo alfaiate de Lorde Lockard. Levou um tempo para eles conseguirem se juntar a Leo e se despedirem de todos. Parecia que todo mundo precisava dizer só mais uma coisinha. Quando finalmente conseguiram entrar na carruagem, Hermione se largou no assentou e suspirou.
— Foi um teste e tanto — concordou Harry quando, assim que a carruagem começou se mover, aproximou-se para se sentar ao lado de Hermione. —Mas, apesar de tudo, serviu admiravelmente aos nossos propósitos. — Ele olhou através da janela e contraiu o rosto. — A rua está bloqueada. Vamos ter de voltar para casa pelo caminho mais longo.
— Não tem problema — Hermione disse. — Contanto que você não me faça conversar ou olhar para mais pessoas que frequentam o mesmo alfaiate de Lorde Lockart. — Ela sorriu quando os dois homens riram.
— Nossos olhos ardem só de olhar para o homem — concordou Leo.
— Sua mãe e Lady Molly estão brincando de casamenteiras — Hermione disse e sorriu da expressão de espanto de Harry.
— Preciso contar à minha mãe sobre os nossos planos de nos casarmos assim que eu estiver livre. Quem ela e Lady Molly estavam tentando arrumar para mim?
— Para nós dois. — Ela riu e balançou a cabeça. —As duas me disseram que aprovam sua nova futura esposa: eu.
— Maldição. A dúvida é se as duas estão apenas brincando de casamenteiras ou se já sabem. Não acho que deixamos escapar algo.
— Também acho que não.
— Talvez elas simplesmente tenham decidido que você será uma boa esposa para mim e que é melhor eu fazer o que elas disserem. Seria quase um desplante se provássemos que elas estão erradas.
— Tenho a mesma impressão. — Hermione olhou através da janela e juntou as sobrancelhas. — Para onde estamos indo?
— Pelo caminho mais longo — respondeu Leo. — A rua de Lady Lilian estava congestionada de carruagens. Levaremos menos tempo para chegar em casa pelo caminho mais longo do que se tivéssemos esperado.
Hermione aquiesceu com um gesto de cabeça distraída, sem tirar os olhos da janela. Ficou tensa e segurou firme na mão de Harry.
— Vire à esquerda. à esquerda.
Harry hesitou o suficiente apenas para que Leo o cutucasse para dar a ordem ao cocheiro. Hermione estava tremendo, e isso chamou a sua atenção. Apesar de querer muito acalmá-la, ele se juntou a Leo nos preparativos das pistolas. Ficou feliz por ter cedido aos pedidos da mãe e deixado Anthony dormir na casa dela.
— Você viu algo? — ele perguntou-lhe enquanto espiava pela janela, irritado com a escuridão e a iluminação precária.
— Não vi — ela respondeu. — Apenas sei. Havia perigo esperando por nós naquela direção que estávamos seguindo.
Leo praguejou.
—A rua pode ter sido bloqueada de propósito para que seguíssemos naquela direção.
Antes que Harry pudesse concordar, um tiro ecoou. Ele empurrou Hermione para o chão da carruagem que corria disparada. Tentou ver quem estava perseguindo-os, mas tudo que conseguiu enxergar foi à silhueta de dois homens montados em cavalos, vindo logo atrás. Eles definitivamente tinham caído em uma armadilha. Apesar de ainda estarem correndo perigo, eles tinham uma chance de conseguir escapar. Leo tinha razão quando o alertou para nunca hesitar quando Hermione lhe desse algum alerta inesperado.
A carruagem balançava estrada afora e não era fácil se manter no assento. Um dos homens conseguiu se emparelhar com a carruagem e Harry atirou antes que ele tentasse ferir o cocheiro. Harry sabia que o alvo do sujeito era o cocheiro, pois uma carruagem em alta velocidade desgovernada era uma armadilha mortal.
— Pelo visto a apresentação de Anthony à sociedade já despertou uma reação nos nossos inimigos — disse Leo.
— Sim, mas em quais dos inimigos? Gina ou Tom? — indagou Hermione enquanto tentava se firmar no chão para atenuar os impactos sofridos com o chacoalhar do veículo.
— Desta vez os dois podem ter agido em conjunto — respondeu Harry e logo blasfemou.
Algo estilhaçou o vidro da janela da carruagem e quase atingiu Leo antes de sair pela outra. Harry ouviu um xingamento sussurrado de Hermione. Ela era corajosa, ele pensou. A maioria das damas que ele conhecia teria gritado ou chorado, mas ela agüentou firme. Assim como permaneceu onde tinham mandado, apesar de todo o desconforto da posição.
Um grito vindo da frente da carruagem fez o coração de Harry parar na garganta. A carruagem derrapou com força e ele temeu que fossem capotar, mas ela retomou o prumo. Leo atirou através da janela estilhaçada e um grito indicou a Harry que o amigo tinha acertado o alvo. Ficou um tanto surpreso quando viu Leo sacando outra pistola debaixo do assento e entregando a usada para Hermione recarregar. Ela se sentou ereta com as costas recostadas contra o assento e rapidamente recarregou a arma. Uma vez que só tinha uma pistola Harry teve de recarregar a sua sozinho, mas ficou zangado consigo mesmo por não ter trazido outra.
- Leo! — Hermione gritou assustada quando o primo colocou a cabeça para fora da janela.
— Todd foi atingido — ele disse ao trazer a cabeça de volta para dentro.
— Se você continuar pondo a cabeça para fora também acabará atingido. Se ele ainda está conduzindo a carruagem então é porque não deve ter sido muito grave, não é mesmo?
— Ele está perdendo sangue, deve estar perdendo as forças, e ainda tem três homens no nosso encalço.
— Posso assumir as rédeas — disse Harry enquanto já tirava o casaco.
— Tem pessoas atirando contra nós! — Hermione protestou. — E se você cair na estrada?
— Já escalei uma carruagem em movimento antes — Harry argumentou. — Nos tempos de juventude transviada. Um amigo bêbado estava conduzindo a carruagem quando a bebida finalmente lhe subiu à cabeça. Eu estava um pouco mais sóbrio, por isso assumi as rédeas. Cubra a minha retaguarda — ele disse ao colocar sua pistola ao lado de Leo.
Antes que Hermione pudesse tentar convencê-lo a desistir da empreitada suicida, Harry já estava se lançando janela afora. Seu traje era um pouco apertado, mas isso não o impediu de seguir adiante. Hermione ficou apavorada, com medo de que logo iria vê-lo caindo, mas seu tempo de temor foi curto. Leo estava atirando e passando para ela as pistolas vazias para serem recarregadas o mais rápido possível. O barulho doeu no fundo do seu coração e o cheiro de pólvora era sufocante, mas Hermione continuou carregando as pistolas e rezando. Quando a carruagem começou a se mover mais devagar, ela quase desfaleceu de alívio.
— Estamos seguros? — Leo gritou.
— O suficiente — Harry gritou de volta. — Todd está sangrando muito, mas vai ficar bem se conseguirmos voltar para casa.
Ela podia ouvir Harry e Todd conversando, apesar de não conseguir entender o que estavam dizendo. Hermione não conseguiu conter um gritinho de surpresa que escapou quando a carruagem virou bruscamente. Mal conseguiu evitar que a munição das pistolas se espalhasse toda pelo chão. Quando Leo pôs a cabeça para fora da janela novamente, ela pensou que iria gritar, temendo ver o primo levando um tiro bem diante dos seus olhos. Mas, para sua surpresa, ele se voltou para Harry.
— Eles deram meia-volta — disse e voltou para dentro da carruagem.
Logo em seguida, Hermione ficou de joelhos e pôde ver por que os homens que os estavam seguindo tinham dado meia-volta. Eles estavam de volta para uma área melhor de Londres novamente, para um local onde havia mais policiais e muitas pessoas que não hesitariam em contar para as autoridades tudo que tinham visto. Desse modo, seus perseguidores já não estavam mais livres para matar alguém sem medo de serem apanhados. Minutos depois, ela recostou o corpo dolorido de volta no assento da carruagem, tomando todo o cuidado para evitar os cacos de vidro espalhados.
— Muito bem, prima — Leo disse enquanto recolhia as pistolas e a munição.
— Meus irmãos me ensinaram direitinho — foi tudo que ela conseguiu dizer. No momento em que a carruagem parou em frente à casa de Leo, Hermione desceu desenfreada. Precisava ver com os próprios olhos se Harry não estava ferido. Ele desceu enquanto Wynn saía correndo da casa. Leo se aproximou ajudar Wynn a carregar Todd para dentro de casa e Hermione se atirou nos braços de Harry. Foi um ato de fraqueza, além de ter corrido o risco de ser vista nos braços de Harry por algum vizinho, mas ela precisava ouvir seu coração. Somente isso poderia acalmar o medo que ainda a sufocava.
Harry pousou o braço sobre o ombro de Hermione enquanto os ajudantes de estábulo corriam para tomar conta da carruagem. Apesar de ela não conseguir soltá-lo, Harry conseguiu levá-la para dentro de casa. Imediatamente a conduziu para a Sala Azul, onde tinha certeza que encontraria um bom conhaque. Depois de forçá-la a tomar um pouco da bebida que tinha servido, ele se serviu de uma dose também. A bebida desceu queimando pela garganta e logo aqueceu o suficiente para espantar o calafrio do medo. A única coisa que conseguira pensar quando estava escalando a carruagem para assumir o lugar do cocheiro era que Hermione estava em perigo. Desta vez Tom e Gina tinham colocado Hermione em perigo. Harry suspeitava que sua profunda necessidade de protegê-la fosse por que teve de lidar com uma situação que, ele mesmo admitiu, quase o matou de medo. Ele insistiu que ela se sentasse e ocupou o assento ao lado, pousando o braço sobre os ombros dela e puxando-a para perto do corpo.
— Ainda não posso acreditar que você se dependurou para fora da carruagem — ela murmurou e tomou outro gole.
— Todd não ia conseguir segurar as rédeas por muito mais tempo. Alguém precisava fazer isso — disse. — Eu já tinha feito algo parecido antes. — Ele soltou uma risadinha. — E acho que tinha me esquecido do quanto era assustador.
— Fico feliz por não ter sido a única que estava assustada, então.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Leo entrou na sala. O homem seguiu direto para o conhaque e bebeu quase metade da dose que tinha servido antes de se sentar de frente para os dois. Ele parecia mais furioso do que assustado, talvez não fosse algo comum no seu trabalho — ser alvo de tiros.
— Como está Todd? — perguntou Hermione.
— Ele vai ficar bem. Não é um ferimento mortal, apenas dói e sangra bastante, e está enfraquecido — respondeu Leo. — Como você está, Hermione?
— Desconfio que devo estar com alguns hematomas, nada mais.
— Admito que não esperava por isso. De agora em diante, sempre que sairmos de casa, teremos de levar guarda-costas conosco. Se isso foi obra de Tom ou de Gina, não faz diferença. Não podemos ser apanhados desprevenidos novamente.
— Concordo — Harry se manifestou. — E foi por isso que acabei de pensar em um plano.
— E que plano seria?
— Partiremos para Colinsmoor dentro de dois dias.
Leo não disse nada por um momento e depois assentiu.
— O plano é bom. Existem muitos lugares nesta cidade para os mercenários dos nossos inimigos se esconderem. No campo qualquer estranho é imediatamente reconhecido e indagado. Vou planejar a cobertura de segurança da área — ele disse enquanto se levantava e deixava a sala.
Hermione ergueu os olhos para Harry.
— Colinsmoor?
— Sim — Harry disse e beijou-a na ponta do nariz. — Fizemos tudo que podíamos para tornar a vida dos inimigos um tormento. Está na hora de voltar para casa.
— E procurar pela prova que você quer?
— Esse certamente é um bom motivo para ir para lá, mas também será muito mais seguro para você e Anthony. Leo tem razão quanto a este aspecto.
Hermione e Harry brindaram com um suave tilintar.
— Para Colinsmoor. Acho que vou gostar de voltar para o campo.
(N/A): Heii gente, estão gostando da fanfic? Espero que sim! Eu tenho uma pergunta para fazer para vocês, essa hitória tem continuação, na verdade são quatro livors, mas que não está relacionada a essa história, é meio como se fossem histórias independentes, e é a história de uma prima de Hermione, que também tem poderes - se vocês quiserem maiores detalhes o livro é: A Sensitiva. Então, por mim, eu pretendo adaptar os quatros livros, mas eu gostaria de saber se vocês:
1 - Querem os quatro livro adaptados?
E se a resposta for sim...
2 - Vocês preferem Hermione e Harry como O casal principal (lembrando que não é feita nenhuma referência a essa história, nenhuma mesmo, a única coisa em comum que as histórias tem é a família com poderes) ou vocês preferem ver outros casais na fanfic (Se for essa, pode ser qualquer casal, vocês escolhem, eu prefiro: Draco e Gina ou Ron com Luna, por mim tanto faz,contanto que não seja Harry ou Gina, ou Hermione e Ron, pq por favor né, na minha opinião HH nasceram um para o outro, mas enfim...)
Então, mandem suas opiniões por meio de reviews ou de Private Messaging, tanto faz, para saber a opinião de vocês, não vou mentir: Preferiria mil vezes a história girando em torno de HH, principalmente por que se eles não forem o casal principal, eu realmente não saberia como encaixá-los na história, ou seja, não teria nem uma pitatinha de HH :( Mas, vocês decidem.
Agr, muito obrigada a todos que leram e principalmente para quem comentou, muito obrigada pelo apoio.
Mariana Thamiris: Ahhhh você voltou! kkkkkkk todas queremos dar um belo cacete naqueles dois filhos da mãe! Bem apressadinha você hein, bebês já? Apesar de que com a frequência que esses dois estão juntos e sem nenhum tipo de proteção não seria surpresa nenhuma se um nove Potter viesse, mas, não posso revelar nada, senão qual seria a graça? Espero que tenha gostado da atualização, bjoos querida.
Midnight: hahahah que leitores apressados eu tenho meu Deus, "Hermione logo ficara grávida" kkkkkkkkkkkk prometi a mim mesma que não daria mais nenhum spoiler! Mas, ate que seria bonitinho um mini Granger Potter! Pelo menos a Gina vai ter o que merece e logo, hein! Espero que tenha gostado da atualização, bjoos querida.
Flor amarela: kkkkkkkk as partes HOT são sempre as melhores hein? Tipo: "Isso aí, Harry, seu pegador" kkkkkkk ok parei! Espero que tenha gostado da atualização, bjoos querida!
Witchysha: Heii querida, calma que o "Sim" oficial já já sai, e em relação a facu menina, pelo amor de Deus, não fala isso! kkkkkkkk eu já falei com uma profissional e que hoje ela não exerce a profissão porque diz que terminou a facu e começou a trabalhar na área mas que não gostou! E minha mãe até que apoia a ideia, mas meu pai desaprova total - até porque ele é da áreas de exata, então para ele eu teria que fazer engenharia, mas Deus me livre dos calculos. Mas enfim, eu olhei as cadeiras e também me apaixonei exatamente como você, achei elas maravilhosas e super a minha cara, mas é como você disse, se eu não gostar vou tentar outra e mais outra, fazer o que né? Acho que vou chegar aos 40 anos e ainda não vou saber o que fazer com a minha vida, sou MUITO indecisa, você não tem noção. Mas, realmente, vai de pessoa para pessoa, e vou tentar entrar em contato com algumas agências daqui de Recife para ver como é o dia a dia deles, se eu gostar vou tentar, senão vou atrás de outro curso, e vê como as coisas se desenrolam. Sim, parabéns por ter passado, Futura advogada, hein? Arrasou! Parabéns mesmo, estude muito e quando quiser desobilar um pouco, venha ler fanfics! Bjoos querida e aproveite seu curso!
