Capítulo 14: Você?
- Será que a gente devia tirar eles de lá? – minha irmã perguntou comendo o sanduíche que Baby e Itachi prepararam mais cedo.
- Óbvio que não. – bebi o resto da coca-cola do meu copo com um só gole.
Depois que trancamos os pombinhos num banheiro remoto lá de cima, descemos pra comer porque, bem, estávamos morrendo de fome. Morrendo, tipo, morrendo mesmo.
- Hn, mas e eles? Não vão comer? – ela perguntou colocando os nossos pratos na pia.
- Que nada – fiz um sinal de descaso – Itachi vai ter uma coisa bem melhor pra comer. – sorri malicioso e ela começou a rir.
- Bem pensado. Mas eu to com sono, e são só onze e meia. – ela reclamou subindo pro segundo andar e eu fui atrás.
Em uma situação normal, nós nunca dormiríamos a essa hora. Cedo demais. Praticamente de tarde.
- O que será que tá havendo naquele banheiro, ein? – nos entreolhamos por um segundo e seguimos correndo pra porta do banheiro.
Ajoelhamos colando a nossa cara na porta e, para a nossa grande surpresa, não ouvimos nada. Nenhum barulho de briga, discussão, tapas ou nem nada do tipo. Só silêncio.
Sem nenhum barulho.
Nos entreolhamos e minha irmã franziu o cenho.
- Ou eles se acertaram e estão num tipo esquisito de pacto de silêncio ou eles se mataram de vez.
Franzi o cenho também.
- Considerando quem são, acho que a segunda é mais provável.
- Vamos abrir? – ela perguntou indecisa olhando pra porta.
- Melhor não. – disse convicto e me levantei, oferecendo a mão pra ela levantar também – E, pensa bem, se eles estiverem mortos não vai fazer diferença nenhuma retirar os cadáveres hoje ou amanhã.
- Tudo bem – ela sorriu e aceitou a minha ajuda.
Nos separamos e cada um foi pro seu quarto. Assim que fechei a porta dei de cara com as duas camas totalmente bagunçadas, e isso sem querer me lembrou a conversa que eu e Itachi tivemos aquele dia. Balancei a cabeça tentando - inutilmente – tirar aquela lembrança.
Ainda doía.
Tirei a roupa e entrei no chuveiro, esperando que a água fizesse seu trabalho milagroso de tirar todo o cansaço do meu corpo. Encostei a testa no azulejo frio do banheiro enquanto sentia a água escorrendo por todo o meu corpo. A sensação era boa.
Respirei fundo.
Eu queria esvaziar minha mente; não ter nada na cabeça por pelo menos cinco minutos. Não consegui. Tudo que me vinha era direcionado à Sakura. Lembrava Sakura. Me fazia pensar na Sakura. Me fazia sentir mais falta da Sakura.
Sakura, Sakura e Sakura.
Eu tinha que parar. Aquilo era doentio.
Desliguei o chuveiro, e, depois de fazer as necessidades básicas – como me enxugar, me vestir e escovar os dentes – me joguei com tudo na cama.
Eu estava exausto.
O ar condicionado estava ligado no máximo e a sensação era reconfortante contra a minha pele ainda um pouco molhada. Fechei os olhos. Devia ter passado uns dez minutos, mas eu ainda não tinha conseguido pegar no sono.
Bufei.
Fechei os olhos com mais determinação e estava convicto que eu ia dormir dessa vez. Também não deu certo, depois de uns sete minutos eu ainda estava sem um pingo de sono.
Merda.
Meu corpo todo estava dolorido, implorando por uma boa e longa noite de sono. Mas minha mente não colaborava, e eu não consegui pregar o olho de jeito nenhum.
- Muito bem seu idiota, quer ficar pensando na Sakura? Pois bem, vamos ficar pensando na Sakura... – murmurei irritado comigo mesmo.
Como eu podia ser tão masoquista?
Ficar pensando na Sakura era ruim pra mim e me fazia sofrer. Então porque pensar? Simples, eu era ridículo. Preferia ficar me matando por dentro, revivendo tudo o que eu tinha passado com ela até agora do que esquecê-la de vez. O que, na verdade, era o que eu devia fazer. O que eu tentei fazer. O que qualquer pessoa em sã consciência faria. Porque eu não era a única pessoa do mundo que ia perder alguém, era? Quero dizer, muita gente dá a volta por cima quando a pessoa que ela ama...
Estremeci. Pensar tão abertamente na palavra, de algum jeito, a tornava mais real.
E real nesse sentido quer dizer que Sakura iria...
Estremeci de novo, e, dessa vez até os cabelinhos da minha nuca se arrepiaram. Uma imagem involuntária da Sakura deitada numa cama completamente pálida se formou na minha mente. Morta. Eu não tinha reparado até agora que eu respirava rápida e pesadamente, arfando de medo.
Tudo bem, se acalme, eu repetia pra mim mesmo como um mantra. Não foi real.
Fechei os olhos no intuito de me acalmar, mas a imagem veio de novo a minha mente. Peguei o travesseiro e pressionei contra o meu rosto, soltando um grito abafado.
Eu tinha que parar. Eu precisava parar.
Pressionei minhas pálpebras superiores contra as inferiores com mais força, tentando de alguma forma afundar Sakura no canto mais interior, obscuro e esquecido da minha mente. Como, se de alguma forma, eu pudesse trancar ela dentro de algum lugar aqui dentro, e eu não faria o esforço de tirá-la de lá. Era só disso que eu precisava. Esquecer dela e continuar minha vida como se ela... não existisse.
Aquela coisa que estava ferida dentro do meu peito foi esmagada impiedosamente. Meu peito latejou de um modo muito mais intenso que antes, era como se alguém estivesse arrancando pequenos pedacinhos de mim de cada vez, lenta e tortuosamente. A dor era insuportável. Era tão grande que chegada a ser física. Como se algum objeto fosse fincado no meu peito e alguém o puxasse pra baixo, causando um rasgo muito maior. E isso somados os cansaço que eu sentia causava um dano irreparável.
Meu olho começou a lacrimejar. Não por saudades, não por memórias – mas sim por dor. Sofrimento.
Apertei o travesseiro mais forte contra o rosto no intuito de me acalmar. Agora eu entendia porque os góticos cortavam os pulsos, pra dor corporal ser maior que a espiritual. Mas eu não precisava. Sakura já tinha se encarregado de abrir uma ferida incurável, tanto no meu corpo quando na minha alma.
Eu desejei silenciosamente ficar inconsciente. Não fazia diferença se fosse por sono ou desmaio por dor ou exaustão. Eu só não queria mais pensar.
Gemi de dor quando a ferida foi esmagada outra vez.
- Por favor – pedi baixinho, como se Sakura estivesse deitada ao meu lado – Por favor, faz isso parar. Eu não agüento mais. E-Eu não vou suportar... – eu comecei a respirar rapidamente pela boca quando a dor voltou com a mesma intensidade de antes. – Por favor – murmurei baixinho franzindo o rosto por causa dor. As lágrimas que estavam acumuladas sem querer desceram pelo canto dos meus olhos, e eu as sentia ir devagar até a cama.
Não me dei ao trabalho de limpá-las.
- Sasuke, eu posso dormir com você, porque eu...? – minha irmã abriu a porta e veio na minha direção, mas deixou a frase morrer assim que me viu. – Ei, ei, ei, o que houve com você meu amor? – ela se ajoelhou ao lado da minha cama, me olhando nos olhos e fazendo um carinho gostoso no meu cabelo.
- Posso te pedir uma coisa? – perguntei tentando ao máximo controlar a minha voz.
- Qualquer coisa – ela se prontificou e me olhou de um jeito bem fofo.
- Não me deixa sozinho. – fechei os olhos – Por favor.
- Você nunca vai ficar sozinho – ela me prometeu e eu cheguei pra trás, dando espaço pra ela deitar. Como eu esperava, ela deitou e me abraçou.
- Sasuke? – ela perguntou e a sua voz saiu abafada, porque ela estava com a cara pressionada contra o meu peito.
- Hn?
- O que tá havendo? – ela se separou e olhou nos meus olhos – Porque você tá assim?
Suspirei.
- Longa história.
Ela franziu o cenho.
- Eu tenho todo o tempo do mundo.
- A gente pode adiar essa conversa? Eu tava pensando nisso agora e olha como eu estou. – fiz um biquinho – Adiar só mais um pouquinho?
Ela deu um suspiro derrotado.
- Tudo bem, mocinho. Você venceu. – dei um sorriso radiante – Por enquanto.
- Tudo bem, agora a gente pode dormir? Eu to com sono – reclamei e cocei meu olho manhosamente igual a um bebê.
Maniazinha mais besta.
- Own, já te contaram que você fica fofo fazendo isso? – ela apertou uma bochecha minha – Mas vamos dormir, eu também to moída.
Dois minutos de silêncio.
- Sasuke, você não sente nem um pouquinho de remorso por deixar aqueles dois seres humanos totalmente cansados e que se odeiam presos em um banheiro?
- Nem um pouquinho.
- Eu já imaginava. – ela riu fracamente e fechou os olhos.
Encostei meu nariz no cabelo da minha irmã e fiquei inalando o gostoso cheiro de melancia que vinha do cabelo dela.
Dormi que nem uma pedra.
Quando eu acordei o meu quarto estava muito escuro, mas isso não significava que não tinha amanhecido. As cortinas eram muito grossas, e ia ficar esse breu mesmo que fosse meio-dia. Me levantei – sendo extremamente cuidadoso pra não acordar a Dejiko, que só faltava babar – e cambaleei até a porta. Quando eu saí do meu quarto tive que fechar os olhos e piscar freneticamente pra eles se acostumarem com a luz forte.
Droga. Ou era mesmo meio-dia ou algum infeliz tinha ligado uma lanterna extra-forte no meio da minha fuça.
Depois que eu conseguia enxergar pelo menos o chão, comecei a arrastar os pés lentamente. Eu enxergava manchas coloridas em toda a parte, e tava mais dormindo que acordado.
Fui até o banheiro e abri a porta, e me dou de cara com: um Itachi dormindo pesadamente dentro da banheira totalmente nu, agarrado com uma Baby que, até onde eu via – da cintura pra cima -, estava dormindo somente com um sutiã roxo visivelmente colocado às pressas, e com a cabeça recostada no peito do meu inútil irmão mais velho.
Bem, não era eu que iria ir lá pra ver se ela também estava de calcinha.
Pelo chão do banheiro estavam jogadas as roupas dos dois – a blusa vermelha que o meu irmão usava ontem, a calça jeans escura, a boxer cinza, a blusa de mangas amarela que Baby usava, a saia laranja, os sapatos, e, como eu suspeitava, uma calcinha de renda roxa estava na torneira do lavatório.
Gente, que cena linda de se ver em prováveis meio-dia e meia da manhã.
- Er... – eu balbuciei sem reação e vi quando Baby acordou de supetão, olhando pra mim chocada e muito, muito corada. Ela abriu a boca umas duas vezes, nenhum som saía então ela decidiu ficar parada olhando pra mim ainda completamente assustada. Itachi ainda dormindo igual um porco. – Tudo bem então. – Saí praticamente correndo do banheiro.
Foi a coisa mais chocante que eu já vi na minha vida. E a mais nojenta, também.
Só sei que eu nunca mais piso naquele banheiro.
Saí correndo pro meu quarto, esbarrando na parede algumas vezes. E isso porque eu nem tava de ressaca. Abri a porta com tudo e me joguei em cima da minha irmã.
- Porra Sasuke, sai de cima! Eu quero dormir! – ela resmungou sonolenta.
- Dejiko, você não sabe o que aconteceu! - comecei a balançá-la e ela resmungou alguma coisa ainda de olhos fechados – Acorda, canhão!
- Cassete, ein! – ela sentou e esfregou os olhos – O que foi? – ela bocejou.
- Você não imagina o que aconteceu naquele banheiro!
- Jura? Olha, eu ouço muito bem deitada. – ela disse e se deitou de novo. Eu coloquei as pernas uma de cada lado do seu corpo e meio que sentei em cima da barriga dela.
- Tá fazendo pouco caso, né? Pois saiba que se tiver um segundo round daquele mamãe vai virar vovó! – eu disse rindo.
Depois de alguns segundos ela arregalou os olhos e se sentou bruscamente me empurrando pro lado e me fazendo cair com tudo no chão.
Ai.
- Tá brincando! – ela olhou chocada pra mim.
- Estou? Fui no banheiro hoje de manhã e encontrei os dois enroscados na banheira tentando fazer um Itachi-júnior.
- Puta que pariu, eles são rápidos!
- E silenciosos. A gente nem ouviu nada!
- A Baby devia estar com a boca bem ocupada...
Ah Senhor, eca. Que nojo.
Vou ter que passar anos no psicólogo depois dessa.
- Putz, ninguém merece! – tapei meu rosto com as mãos – Eu nunca mais vou olhar pra boca da Baby do mesmo jeito!
Dejiko riu da minha cara.
- Você trancou a porta de novo?
- Pra que? – dei de ombros – Eles já fizeram tudo que tinham que fazer e mais um pouco.
- Quando nós vamos contar isso pra dona Mikoto? – ela arqueou uma sobrancelha.
- Breve, minha cara. – sorri sacana – Muito em breve.
Ela foi pro quarto dela e eu fiquei no meu, tomei um banho e coloquei as minhas costumeiras roupas – uma blusa branca de mangas curtas e uma calça larga de moletom quadriculada em azul, preto e branco. Parando pra analisar, eu acabei de perceber que eu só fico de pijama. Escovei os dentes demoradamente, enchendo a minha boca de espuma e curtindo a sensação que a pasta causava. Depois disso, eu desci e encontrei a minha irmã com um short curto e colado preto e uma blusa cinza enorme, – que eu reconheci sendo uma das minhas – escrito em preto "I love Beatles". Minha mãe estava com uma blusa rosa de mangas curtas e uma calça tão larga quanto a minha cinza, e cabelo preso num coque frouxo.
Todo mundo de pijama. Bando de vagabundos.
- Bom dia suas inúteis. – me joguei entre as duas e agora que eu percebi que elas estavam vendo na TV uma temporada de "Friends". Minha mãe estava com um potinho na mão comendo alguma substância estranha roxa com uma colher e minha irmã estava com um pedaço de pizza na mão.
- Que coisa estranha é essa? – apontei pro potinho na mão da minha mãe.
- Sorvete. – ela deu de ombros – Se quiser comer alguma coisa pede pra alguém preparar. – levantei pra olhar dentro do potinho que ela comia – Brigadeiro com cobertura de uva. – ela esclareceu o sabor daquele negócio esquisito.
- Hn.
Minha irmã me olhou com o cenho franzido e eu lembrei que a gente tinha que contar pra minha mãe que ela já podia pedir netos pro seu primogênito.
- Mãe, a gente precisa conversar. – eu levantei e a encarei sério, tapando a visão dela da TV.
- É, a gente tem algo pra falar. – minha irmã se postou do meu lado.
- Você não tá grávida não, né menina? – ela apontou a colher pra minha irmã acusatoriamente, a metralhando com o olhar.
- Não mãe! – minha irmã exclamou corada.
- Tá usando drogas? – ela virou a colher e o olhar mortífero pra mim.
- Tá doida, mulher? – exclamei indignado e arranquei aquela colher da mão dela antes que ela causasse algum estrago na gente.
Até colher na mão da minha mãe é um perigo.
- Então o que é? – ela olhou desconfiada pra gente.
Eu e Dejiko trocamos um olhar cúmplice.
- Nós meio que fizemos uma missão cupido pra juntar o Itachi e a Baby. – minha irmã explicou.
Minha mãe nos olhou chocada.
- E deu certo. – eu sorri quando a expressão no rosto da minha mãe se iluminou, e ela sorriu de orelha a orelha.
- Vocês estão falando sério? – ela perguntou ainda meio chocada.
- Seríssimo. – minha irmã concordou, sorrindo um pouquinho menos.
Ela jogou a cabeça para trás, rindo incrédula.
- Não acredito cara, vocês são muito ninja! – ela disse e eu e a Dejiko fizemos um Hi-5 – E onde tá o casal vinte?
Nós coramos ao mesmo tempo.
- Bom, é que...
- Hn, er...
Ela arqueou a sobrancelha e se sentou melhor no sofá.
- Mãezinha linda do meu coração, essa é uma notícia meio bombástica e você tem que se preparar emocionalmente por que...
- Se comendo na banheira lá de cima. – cortei a minha irmã e ela me lançou um olhar irritado.
Minha mãe engasgou com o nada.
- Como? – ela disse com uma voz ameaçadora e estreitou os orbes ônix pra gente.
- Pois é – coloquei as mãos no bolso da calça – Se depender do Itachi você vai virar vovó cedo, cedo.
Armou-se o barraco.
- O QUE? – ela deu um pulo do sofá num movimento digno do Hulk e tampou o sorvete longe – QUEM AQUELE FILHOTE DE CRUZ CREDO PENSA QUE É?
- Você acabou de se chamar de cruz credo? – minha irmã cruzou os braços.
- EU NÃO QUERO SABER! – ignorando a Dejiko, ela começou a andar furiosamente de um lado pro outro na nossa frente – EU NÃO TENHO IDADE PRA SER AVÓ! – ela parou na nossa frente – TENHO? – ela apontou pro próprio rosto.
- Claro que não – minha irmã respondeu rapidamente.
- Nunca – concordei.
Minha mãe respirou profundamente umas três vezes.
- Ué, achei que gostasse da Baby e que ia ficar feliz de ela der sua nova norinha. – minha irmã olhou confusa pra nossa mãe.
- Dejiko, eu amo a Baby de paixão, e achei a coisa mais perfeita ela ficar com o Itachi. – ela disse revoltada – Mas se aquele moleque me aparecer com um bebê nós vamos ter um problema!
Eu levantei as sobrancelhas.
- Olha aqui, se ele acha que eu vou cuidar de bebê ele tá muito enganado! – ela gesticulava furiosamente – Eu não vou tomar conta de uma criança, vocês estão me ouvindo? Não vou! E eu não tenho cara de avó!
Ela saiu da sala com passos duros.
Nós soltamos risinhos abafados, mas paramos quando vimos minha mãe marchando em nossa direção de novo.
- E tem mais! – ela apontou o dedo na nossa cara – Eu quero uma banheira nova!
Ela saiu pisando duro de novo e dessa vez eu e minha irmã não conseguimos conter as gargalhadas.
A tarde passou rapidamente e a gente conseguiu convencer a minha mãe de que Baby não ia ter um filho. Pelo menos não tão cedo. O que foi particularmente meio difícil. Os dois ainda não deram sinal de vida, mas na hora do jantar eles tinham que descer ou minha mãe ia lá pegar eles à força. Era mais ou menos meia-noite e estávamos nós três comendo uma enorme pizza de frango com catupiry e bebendo coca-cola vendo "O ataque dos tomates assassinos".
Putz, esse filme mudou a minha vida. Totalmente construtivo pro caráter de uma pessoa.
Sem contar que é o melhor filme de terror, tipo assim, do século. Totalmente recomendado.
- Filmão, ein? – minha irmã perguntou olhando pro filme que passava na TV.
- Era pra ser de terror? – minha mãe perguntou também ser desviar os olhos.
- Pára de reclamar vocês! Prestaram atenção no nome do filme? "Ataque dos tomates assassinos"! Dava pra deduzir só pelo nome, né? - resmunguei – Sem contar que eu amei esse filme, tipo assim, virou meu filme favorito. Nunca vi nada igual.
- Realmente não tem nada igual – as duas falaram ao mesmo tempo.
Nós começamos a rir, mas paramos quando vimos uma Baby escarlate descendo as escadas e um Itachi com cara de cú.
Ou seja, ele estava normal.
Baby caminhou até a gente, mas não ficou exatamente perto. Ela parou atrás do sofá que estava vazio ao nosso lado, e Itachi teve que puxá-la pra ela ir até o centro da sala, e nós três olhávamos fixamente pra eles.
Ela ficou mais vermelha.
- Já sabemos o que aconteceu lá em cima. – minha mãe quebrou o silêncio sepulcral que estava reinando na sala fazia alguns minutos.
Baby ficou muito mais vermelha.
- O que você acha que aconteceu lá em cima? – Itachi perguntou inocentemente olhando pra ela e arqueou uma sobrancelha.
- Eu não sou idiota. – minha mãe disse com a voz cortante e franziu as sobrancelhas perfeitas numa linha furiosa acima dos olhos.
Ele me fuzilou com os olhos.
- Fofoqueiro. – ele me acusou.
- Não meu caro, apenas informante. – ergui minhas mãos em sinal de redenção. – E vamos combinar que foi uma cena meio chocante logo pra uma manhã de quarta feira.
- Vocês que trancaram a gente pra começo de conversa! – ele falava com ódio.
- Ah, mas você gostou, né? – ele fez menção de avançar pra cima de mim, mas no segundo seguinte minha irmã e a minha mãe estavam do meu lado, e Baby segurava o braço do meu irmão. – Itachi, nem vem! Qualquer um podia ter entrado naquele banheiro!
- E outra coisa: até quando vocês pretendiam esconder isso de mim? – minha mãe entrou na minha frente e olhava os dois acusatoriamente.
- Depende. Que a gente tá namorando ou que a gente fez sexo na banheira?
Nosso queixo foi lá no chão.
- Vocês...? – minha irmã balbuciou.
- Quer dizer que...? – perguntei do mesmo modo.
- Namorando? – minha mãe perguntou ainda chocada.
- Pois é - o inútil deu de ombros no melhor estilo o-que-isso-tem-de-mais?.
Mas tinha muita coisa. Quer dizer... qual foi a última vez que ele namorou? Acho que durou duas semanas e isso faz muito, muito tempo. Tudo bem que nós – eu, Itachi e Dejiko - nunca ficamos com alguém por mais de três semanas, isso era um fato.
Mas agora o bicho vai pegar. Porque, bem, é a Baby.
- Olha Mikoto, eu sinto muito pelo que aconteceu, de verdade. Eu não queria ter feito o que a gente fez lá em cima e eu sinto muito também Sasuke, você não devia ter visto, e eu quero que vocês saibam que eu vou voltar a morar com a minha tia Nayla e... – Baby começou a falar pela primeira vez, atropelando as desculpas tão rapidamente que eu tive que me esforçar pra entender.
Quando ela falou que ia embora, nós quatro – inclusive o Itachi – olhamos pra ela esbugalhadamente.
- Pode ir parando por aí mocinha. – minha mãe fez sinal para ela se calar e Baby o fez imediatamente. – Pode repetir o que disse? Você quer ir embora?
Ela respirou fundo.
- Eu já decidi, vou voltar a morar com a minha tia.
- Mas você não pode! – Itachi olhou pra ela revoltado.
- Acha que eu posso continuar aqui depois disso? – ela olhou pra ele da mesma forma.
- Você não precisa ir só por causa disso! – ajudei o meu irmão na tentativa de convencê-la.
- Hey, até onde eu sei você odeia sua tia! – minha mãe cruzou os braços e olhava pra ela seriamente.
- É, mas...
- Corrija-me se eu estiver errada. – minha mãe colocou uma mão no queixo e começou a andar de um lado pro outro na frente dela, digna de Sherlok Holmes em uma de suas brilhantes deduções – Peter e Olívia Trustears vieram da Inglaterra pra cá para ter uma vida melhor, e tinham quatro filhos, sendo que você é a menor deles. Seu irmão mais velho, Will Trustears, vinte e dois anos, morreu quando você tinha dois aninhos. Agora você tem seus irmãos Clarck Trustears, com trinta e um anos e Will Segundo, de dezenove. – Itachi estava com o olhar cravado em Baby desde o começo da história e eu e Dejiko não tirávamos os olhos da minha mãe, dando rápidas olhadelas pra Baby. Numa dessas olhadelas eu vi que os olhos dela estavam totalmente marejados – Os dois saíram de casa, e você teve que ir morar com a sua tia Nayla, que, até onde eu sei, também não gosta muito de você. – minha mãe parou na frente dela e a olhava de um jeito tão sério que eu nunca vi antes. – Você veio aqui porque precisava de dinheiro pra se sustentar, e sua meta atual é fazer o vestibular. Pretende ser escritora, certo? – minha mãe perguntou e ela apenas assentiu minimamente com a cabeça. – Quando você chegou Sasuke e Dejiko tinham acabado de ir embora, e você era um jeito que eu tinha de não pensar na falta esmagadora que eu sentia dos dois. – eu olhei pra Baby e vi as lágrimas escorrendo livremente pelo seu rosto – Agora eu só quero saber uma coisa. – reparando mais na voz da minha mãe eu notei que ela estava completamente chorosa, e eu não tinha percebido que ela estava chorando até ver uma lágrima escorrer pelo pescoço dela. – O que a gente fez pra você querer ir embora?
Baby levantou a cabeça rapidamente, e quando olhou pra minha mãe, as lágrimas dela caíram com mais força.
- Vocês não fizeram nada! E querer não é exatamente o termo. Eu me sinto no dever de ir, entende? Depois do que aconteceu hoje...
Vi Itachi abaixar a cabeça e respirar fundo pela boca.
- Olha aqui. – minha irmã parou na frente dela e a encarava com uma fúria assustadora. Itachi até fez menção de fazer alguma coisa, mas eu fiz um sinal pra que ele ficasse quieto. – Baby, você sabe que eu não sou tua fã e desde que eu cheguei eu não vou com a tua fuça. – Baby arregalou os olhos diante do modo extremamente polido que a minha irmã tratava as pessoas e abaixou a cabeça – Quem você pensa que é? Você entra na minha família, bagunça tudo por aqui e quando tudo fica aparentemente certo, você pira? – minha irmã cruzou os braços e encarava Baby, que estava com a cabeça abaixada, duramente – Você é o que? Burra? Se não gosta da sua tia porque você quer ir? Porque quer magoar todo mundo? – Baby soluçava fracamente e nós três não tirávamos os olhos das duas um segundo sequer – Você acha o que? Que mamãe pensava que Itachi era um menininho inocente que nunca fez isso? Qual é, ela sabe que ele tem uma vida sexual digna de um prostituto!
- Hey! – Itachi protestou.
- E você cala a boca – minha irmã apontou pro Itachi e ele ficou quieto na hora. Ela voltou sua atenção pra Baby – O ponto é: mamãe sabe o que vocês fizeram e isso não é o fim do mundo. Muito pelo contrário. Não precisa armar esse drama todo, ou eu vou bater em você e dessa vez o Sasuke não vai conseguir me impedir.
- E eu sei que você provavelmente não queria fazer isso e foi seduzida por esse ser humano sem escrúpulos. – minha mãe apontou pro filho mais velho.
- Como é? – Itachi arqueou uma sobrancelha, incrédulo.
Vi o rosto de Baby ganhar um leve rubor. Só não ri porque ia estragar o sermão.
- Baby, olha pra mim. – minha mãe pediu e lentamente Baby levantou os olhos vermelhos e lacrimejantes na sua direção – Você acha que eu não fiquei feliz por você e o Itachi ficarem juntos? Claro que não sua boba, pra mim foi a coisa mais perfeita que podia ter acontecido. Só vai concretizar o fato de você ser uma Uchiha, mesmo eu já te considerando como uma. – ela botou um dedo no queixo, pensativa – E eu já te planejava juntar com um dos dois de qualquer forma. Mas por questão de afinidade eu estava cogitando mais o Sasuke.
- Não, eu acho uma coisa incrível como eu não tenho opinião nem quando se trata de decidir a minha vida amorosa. – resmunguei e ouvi todo mundo rir, relaxando o ambiente.
Mesmo que fosse às minhas custas.
- Mas ela não iria embora de qualquer modo. – Itachi deu de ombros – Eu não iria deixar.
- Oh, que medo. – Baby fez uma cara sarcástica.
- E pára de chorar, você vai ser uma Uchiha afinal de contas – minha irmã colocou uma mão na cintura e Baby fez o que ela mandou rapidamente. – O que te dá alguns direitos, como bater e xingar os meninos. – Dejiko completou animadamente.
Baby lançou um olhar maquiavélico pra mim.
- Ei, pode parar! Seu saco de pancada agora é o índio ali! – apontei pro Itachi.
- Quem é índio aqui, ô duendezinho do Papai Noel? – meu irmão perguntou cruzando os braços e abrindo um bico.
- Obrigada – ouvi Baby falar pra minha irmã.
- Não por isso – ela fez um sinal de descaso com a mão.
- Tudo bem, agora será que eu posso voltar a ver o meu filme? Porque eu já perdi muito tempo dessa preciosidade cinematográfica. – resmunguei sentando no sofá e senti minha mãe e minha irmã se jogarem ao meu lado rindo que nem umas desgraçadas.
Baby e Itachi deitaram em um outro sofá.
- Que porra é essa? – Itachi perguntou quando viu um tomate gigante rolando na rua. No filme, lógico.
- É o novo xodó do Sasuke. – minha irmã respondeu ainda rindo e abraçou a minha cintura.
- Tinha que ser. – Baby respondeu tentando segurar o riso.
- Espera, eu ainda tenho algo pra falar. – minha mãe disse num tom estranhamente melancólico e entrou na frente da TV.
- Mãe, tá atrapalhando o meu filme! – resmunguei indignado e vi todo mundo rir de novo, exceto a minha mãe.
Totalmente estranho. Os outros também perceberam e direcionamos olhares curiosos pra ela.
Ela suspirou tristemente.
- Vocês vão ter que voltar pra escola.
Como se tivéssemos combinado, nós quatro levantamos num pulo e gritamos ao mesmo tempo:
- O QUÊ?
- Ligaram hoje de manhã. Vocês voltam ainda hoje.
- Mas por que? – minha irmã perguntou.
- Bem, vocês ainda estão em aula. E perderam bastante nessa semana que ficaram aqui, então o colégio quer vocês de volta, e rápido.
- Não, quero dizer, não tem nada a ver... a gente pode, talvez... – eu ia atropelando as palavras rapidamente.
- Não tem jeito de eles ficarem? – Itachi encarou a minha mãe.
- Não. – ela nos encarou com um olhar carregado de desculpas - Se tivesse eu já teria encontrado. – ela completou melancolicamente. – Sinto muito, mesmo.
Eu estava vendo meu mundo cair. Fato.
- Quando a gente vai? – perguntei expressando uma calma que, na verdade, eu não sentia.
- Depois do almoço.
- Então eu acho melhor tentar dormir. – minha irmã disse de uma forma neutra e me puxou escadas acima.
Eu estava estático, chocado demais pra me mexer.
E era mais que óbvio que eu não ia conseguir dormir, por mais que eu tentasse. A madrugada e a manhã passaram lenta, melancólica e deprimente. Ninguém mais ousou falar com a gente, somente o básico.
Ninguém estava feliz com a nossa partida.
Depois do almoço – que foi passado em um silêncio massacrante – nós nos vestimos de acordo com o clima de Manhattan, que estava absurdamente frio. Eu estava com uma calça jeans escura, uma blusa de manga comprida branca, uma outra de lã preta de gola alta e um grosso casaco preto por cima, sem contar as luvas cinza. Minha irmã também estava parecida, só que o casaco dela era azul claro.
- Eu acho melhor vocês se despedirem aqui, vai ser mais rápido. – Itachi aconselhou.
Eu assenti, e nós nos despedimos demoradamente, com a minha mãe e Baby começando a chorar, o que fez o coraçãozinho de manteiga da minha irmã dar sinais de vida.
Quando eu ia entrar no táxi, Itachi me parou do lado de fora.
- Que foi? – quando eu falei saiu fumaça da minha boca e eu franzi o cenho – Já com saudades? – sorri maroto.
- Idiota – ele estava sorrindo pra mim – Mas sobre o que você falou no quarto, sobre não ter mais jeito pra você com aquela garota.
- Sei? – engoli em seco.
- Você tá errado.
- Tudo bem Sr. Baudelaire, eu já tentei e não deu certo.
- Quem disse que tem só um jeito? E além do mais, eu desisto. – ele ergueu as mãos em sinal de redenção – Você é melhor nisso do que eu, eu tenho que admitir duendezinho.
- Não sou não. Você conquistou a Baby, já eu...
- Bem, eu não me tranquei no banheiro com ela sozinho.
Olhei pra ele confuso.
- O que eu quero dizer é que se precisar de ajuda, lembre-se: eu te devo uma. – ele sorriu – E os Uchihas nunca descumprem suas promessas.
- Acho que vou me arrepender disso, mas... obrigado, de verdade. – sorri sacana e ele deu um sorriso convencido.
Pronto, já me arrependi de ter dito.
A viajem até o aeroporto e do aeroporto até a escola foi silenciosa, mas não foi um silêncio ruim. Eu e Dejiko estávamos ocupados demais, cada um com seus pensamentos.
Pra mim, voltar vai ser suicídio. Eu vou voltar e vou sentir cada vez mais falta da Sakura até quando meu corpo não agüentar mais de dor. A pior dor de todas.
Eu estava cogitando seriamente me jogar pela janelinha do avião.
Qual seria a diferença? Eu teria que ir pra casa pra morrer do mesmo jeito, só que lentamente e sem nenhum aviso. Eu ia começar a chorar quando alguém falasse da Sakura. Eu ia ver ela em todos os lugares. Eu teria que assistir ela morrer.
Acho que eu vou virar emo só por causa disso.
Depois que o avião chegou, - lembrando da nossa magnífica idéia de não trazer malas - nós fomos direto pra escola. As amigas da Dejiko e os meus estavam no jardim e começaram a gritar quando nos viram, como se não nos víssemos fazia três vidas.
Super discretos, pra variar.
Depois da interminável sessão de oi-como-é-bom-te-ver-de-novo, nó começamos a entrar no Konoha, mais conhecido como meu futuro pesadelo.
- CARA, POR QUE VOCÊS DEMORARAM TANTO? – Naruto berrou no meu ouvido.
- Tá gritando porque, se eu to do seu lado? – olhei feio pra ele e o desgraçado só riu, coçando a nuca.
- Ah Dejiko, a gente sentiu tanta a sua falta! – Tenten a abraçou carinhosamente.
- Sasuke, a gente também sentiu sua falta, por incrível que pareça! Isso aqui ficou um tédio. – Neji disse e vi os outros concordarem com a cabeça.
- E problemático. – Shikamaru concordou.
- É, o Naruto não parava de falar, só que parece que essa besta só cala a boca quando é você que briga com ele. – Gaara fuzilou o loiro com o olhar e ele deu língua.
- Sem você aqui não tem quem eu encher. Shikamaru só fica falando "mas que problemático" – Naruto tentou imitar a voz no Nara, mas ficou mais parecendo com uma bicha, o que nos fez rir. E uma veia saltar na cabeça do gênio. – E Gaara e Neji tem uma paciência de jó do cassete. Não tem muita graça implicar com eles. Já você estoura mais rápido, fica mais divertido.
Eu dei um sorriso de lado.
- Sabia que vocês me amam, suas pragas! – abri os braços exageradamente.
Eles resmungaram uns "Ah, cala a boca!" e "Se mata, cara!" entre as risadas. O grupo das meninas conversava alheiamente ao nosso lado, e eu só me lembrei que elas estavam ali quando elas riram alto.
De repente eu vi Kiba vindo em nossa direção.
- E aí, como foram as férias? – ele perguntou.
Estranho. Muito, muito estranho.
- Hn... boas. – disse surpreso. Porque, combinemos, não era muito normal Kiba vir falar com a gente. Ele ficava mais com o Shino, um garoto estranho que estudava também na nossa sala, e com o maluco anormal do Rock Lee.
- Foram ótimas, Kiba. – minha irmã disse com um sorriso caloroso. Suas amigas se entreolhavam entre si com sorrisinhos e meus amigos olhavam confusos pra mim que olhava pros dois desconfiado.
Alerta vermelho piscando.
- Bem, semana que vem ainda tá de pé, né?
Minha irmã adquiriu um tom levemente rosado nas bochechas.
- Ah, claro. Sem problemas. – ela respondeu nervosamente.
Ah, só podia ser brincadeira.
- Tem certeza que não tem nenhum problema, maninha? – cruzei os braços e olhei pra ela com o cenho franzido.
Ela deu um pulo quando ouviu a minha voz e engoliu em seco.
- Ah... hm... bem... é que... – ela suspirou, sem tirar os olhos de mim – Kiba me convidou pra sair. – ela completou com um sorriso amarelo.
- Me deixa adivinhar: e você não ia me avisar nada? Que feio, Kiba. – completei com sarcasmo e olhando pra ele duramente.
Ele deu um passo pra trás.
- Calma cara! É só um cinema.
- Dá pra se fazer um filho no cinema. – olhei pra ele irritado e dei um passo em sua direção, e ele recuou dois.
Ouvi meus amigos atrás de mim, e eu achei que fosse o Naruto: "Aposto minha mesada no Sasuke". "Desiste loiro, é mais do que óbvio que Sasuke mata o Inuzuka de boa". Dessa vez Gaara, eu acho. "Tudo bem, então eu aposto que isso não dura dez minutos.", Naruto insistiu de novo. "Eu acho que não dura nem seis", Neji apostou.
Nem eu sabia que tinha uma moral tão alta. Uhul, ponto pra mim.
- Sasuke, não é nada de mais. – minha irmã rebateu.
- Não, é muita coisa. Não vou deixar você sair com o garoto-cachorro. – virei o cenho franzido pra minha irmã e vi ela franzir o dela.
Qual é, Kiba era, no mínimo, estranho. E suponho que ele tenha algum caso com aquele cachorro feio dele. Ela devia me agradecer.
- Há, adorei essa. Garoto-cachorro. – ouvi Naruto rir atrás de mim e depois um barulho que julguei como um tapa.
- Desde quando você é um irmão protetor, ein? – Kiba disse sarcasticamente e deu um passo incerto em nossa direção, e vi Dejiko olhar pra ele com uma cara de cala-a-boca-se-não-você-morre.
E ele ia morrer. Mesmo.
- Eu vou quebrar esse seu nariz inútil. – eu ia voar em cima dele, só que senti quatro pares de mãos me segurarem fortemente por trás.
- Calma cara!
- Fica frio!
- Relaxa!
Meus amigos gritavam ao mesmo tempo tentando me acalmar enquanto eu me debatia pra me soltar.
Eu ia desfalcar o clã dos Inukuka. Ah, se ia.
Quem ele pensa que é? Querer abusar do meu bebezinho? Num cinema?
Morte ao Kiba.
- Dejiko, manda o Kiba sair daqui! O Sasuke vai derrubar a gente e não vai demorar muito! – ouvi Shikamaru gritar pra minha irmã e ela e as meninas ficaram fora do meu campo de visão por um tempo.
Um tempo depois elas voltaram e eu olhei pra ela furioso, e ela se encontrava levemente irritada. Ela estava cercada por Tenten, Temari Hinata e Ino, como se elas fossem um tipo de barreira ou algo parecido. Meus amigos me soltaram lentamente, com medo de que eu fosse atrás de Kiba de alguma forma.
E eu iria. Só tinhas umas continhas a acertar antes.
- Explique-se, mocinha. – sibilei irritado.
- Não é nada demais, ele só me chamou pra ir ao cinema. – ela rodou os olhos.
- Ah claro que sim, Kiba é um menininho tão inocente. – respondi com sarcasmo.
- Sasuke, desencana, não confia nela não? – Ino interviu e pela visão periférica vi Gaara fazer um sinal de cala a boca com a mão.
- Não confio é no Kiba, loira. – olhei pra ela e depois voltei o olhar pra minha irmã.
- Não pode montar uma jaula ao meu redor, sabia?
- Quer ver que eu posso? – sorri de lado e vi ela ficar vermelha de raiva.
- Porque você tem que armar essa cena? Eu só vou ao cinema!
- Hn, aposto que Itachi concorda comigo. Acho que ele devia nos visitar, o que você acha? – peguei o meu celular.
- NÃO! – ela ficou pálida de repente – Você já é suficiente. – ela murmurou.
- Eu acho uma boa. Porque se ele passar pelos Uchiha, acho que ele mereça você. – disse com sarcasmo.
Ninguém nunca conseguiu passar por mim e por Itachi, e Dejiko sabia bem disso.
- O que você acha que pode acontecer? – ela cruzou os braços.
De repente uma imagem se pintou na minha cabeça, a mesma que eu vi ontem de manhã, só que ao invés de Baby na banheira era Dejiko e ao invés de Itachi era o...
Mas agora é que ela não ia mesmo.
- NÃO! – gritei tentando bloquear aquela imagem asquerosa da minha cabeça, e, num reflexo, eu peguei a minha irmã no colo e comecei a ir pro meu quarto.
Ela se debatia e gritava comigo ao mesmo tempo, querendo descer.
- SASUKE! ME SOLTA!
- Você não vai com ele e fim da história.
- QUE COISA MAIS... HOMEM DAS CAVERNAS! É ISSO QUE VOCÊ TÁ PARECENDO!
- Não vai, não adianta.
- PÁRA COM ISSO, ME LARGA!
- Não vou largar.
- EU VOU! ME SOLTA, EU QUERO DESCER!
- Não vai e ponto final.
Chegamos em frente à porta, mas como eu não podia usar as mãos, eu tomei distância pra chutá-la.
- LARGA, SEU OGRO!
- Fica quieta, já tá me cansando.
- ENTÃO ME SOLTA, SEU ARMÁRIO!
- Cala essa boca.
Dei um chute e a porta abriu com um estalo, fazendo o barulho ecoar por todo o corredor. Eu entrei olhando pro chão pra não cair, mas quando olhei pra frente eu estaquei.
Sakura estava do lado da minha cama, com os cabelos róseos bagunçados, tinha pregas roxas abaixo dos olhos, os olhos verdes estavam muito vermelhos e seu rosto estava afogado em lágrimas, sem contar que ela soluçava sem parar.
Minha mente não parava um segundo. Ela estava viva. Aqui. O choque e a sensação de alívio vieram como um torpor, e meus músculos relaxaram na hora.
O problema é que os dos braços também relaxaram, aí conseqüentemente eu deixei minha irmã cair com tudo no chão.
Mas eu não liguei. Eu estava chocado, feliz, contente e aliviado demais pra me importar com o tapa que ia levar depois. Abri a boca umas quatro vezes, só que não saiu nada. Sakura ainda me encarava inseguramente, e seus olhos começaram a lacrimejar. Reuni todo o meu cérebro pra tentar falar alguma coisa e a única coisa que conseguiu sair da minha boca foi:
- SAKURA?
OLÁ PESSOAS!
Como vão meus amados brotos?
Espero que bem.
BEM, EU QUERIA DEDICAR ESSE CAP À LINDA KAAH HYUUGA , QUE DIDICOU UM CAP DA SUA FIC MARAVILHOSA À MINHA PESSOINHA! ELA NÃO É MARA?
Garotos e garotas da minha vida, esse cap também tá maior! Rapaz, to virando ninja.
Well, well, não sei se eu to atrasada ou não (embora eu ache que não), mas to escrevendo o mais rápido que eu posso, juro. Os outros cap não tem previsão de quando vão sair, anyways.
DUDES, EU QUERIA AGRADECER MUITO A TODO MUNDO QUE MANDOU REVIEW! VOCÊS TÃO NO MEU CORAÇÃO! s2
Yeah, respondendo:
'luh-chan – Don't worry, baby! De retardada, idiota e ceguinha todas nós temos um pouco! ;D POAKPSAKPASKPAKSPOASPOK', óbvio que eu te perdôo! Gostou mesmo? *-* haha, Ita-kun cagou na cama! VOCÊ E O SASUKE VÃO CASAR? Mas ele já não é casado comigo? POLIGAMIA ROCK'S! \o/ Dude, a parada do Guitar Hero aconteceu mesmo, lá na casa de um amigo meu. É, eu também teria muito ciúmes do Uchiha-baby. Porque, bem... é SASUKE UCHIHA, né? Sakura já tá de volta, olha aí! E teve ItaBaby! Tá aí a att, espero que você tenha gostado! Bj! ;*
Karoll – Own, obrigado, de verdade! A Sakura apareceu nesse cap, e eu espero que você goste! *-* Beijo! ;*
Akaane-chaan. – Você chorou? Own, obrigada dude! Eu também chorei enquanto tava escrevendo... mas a Sakura vai aparecer a partir de agora! ;D Aquela limpeza deles ruleia, né não? Beeijo! ;*
Hyuuga Tenten n.n – Obrigada meu amor, de verdade! Hehe, espere novidades no roubo dude, espere... vai ser surpreendente. A review tá linda, obrigada! Beijos! :*
Júlia S . S – Hey Juh-chan! Minhas festas foram boas também, obrigada! ^^ POAPSKAPKSPAKPSKAPSPAOSKPOK', don't worry, as mães são assim mesmo! A minha me manda calar a boca toda hora e fica me chamando de doida. u.ú Eu também imaginei essa cena e fiquei rindo sozinha! Se bem que foi um desperdício enorme, devia estar tão gostoso! D': Dude, eu também amei a Dejiko, sei lá, ela foi criada num momento de inspiração meu que só Jesus... Aê, a Sakura apareceu pra você matar as saudades, pelo menos um pouquinho! Ah, e muito obrigada pela review em "Thanks, jerk!", eu simplesmente amei! Amor, você é tão linda e fofa! Eu juro que, quando eu tiver tempo e imaginação eu vou dedicar uma fic pra você, de verdade! Beijo borrado de bananas flambadas! ;*
thasa UH'S2 – PAOKSPAKPSKAPKSPAKSPOASK, as mães são malucas, fato. Ainda vai contecer muita coisa com a Sakura e o nosso amado Sasukinho. Obrigada, de verdade! *-* Espero que curta a att! Bj! =*
Nina Point du Lac – Aw, valeu cunhadinha do meu core! Gostou mesmo? Que bom! POAKSPKAPSKPAKSPAKSPOK', Okay, okay, eu espero! Beijos minha linda! ;*
Kaah Hyuuga – Hey Kaah-nee-chan! *-* Dude, nós temos uma ligação paranormal psíquica (?)! Ou você é um tipo de médium, sei lá... VOCÊ LEMBROU DE MIM VENDO "E SE FOSSE VERDADE?" *-* Amor, agora toda vez que eu ver eu vou lembrar de você! Liga não amor, minha mãe também é crazy! \õ/ Se ela e matar e você voltar venha me visitar, ok? Visita de um fantasminha camarada é sempre legal! ;D Haha, Ita-kun borrado não é mara? Eu também adoro a Dejiko! É ISSO AÍ! Saseke-kun é da Sakura-chan e de mingúem mais! *dancinha da vitória* Mas e aí? O que você acha de ItaBaby? Eu sei amor, eu também acho o Sasuke sentimental foférrimo (?)! É, eu também iria querer aquelas bananas... Baby é má! Devia estar tão... gostosa! 8D SASUKE NUM SPYKER? Eu quero! O carro e o dono! '-' Sasuke é fortão amor! Espero que goste desse cap, ele é especialmente pra você! Beijos nee-chan! ;*
Carol wells – Ae! *-* Gostou mesmo, amor? Já tem mais flozinha! PAOKSPKAPSKAPKSPAOK' Espero que goste! Beijo cunhadinha! =*
Sayuki-Sama – Todo mundo amou oIta-kun cagado! Poor man! 8D Dude, encarnou o Sasuke-kun agora? O_O "Amor palpável"? Ri alto aqui! x) Bom, seu bolo devia estar gostoso... antes de cair no chão, claro. Eu já tentei fazer pão de queijo, só que virou pedra. Sério, se batesse na cabeça de alguém deixava o sujeito em coma. Eu também queria essa família! Será que eles nos adotam? *-* Yeah, minha mãe também me dá medo. Beijos amoure! ;*
Akemi – Namikaze – Tinho do Sasuke, né? Eu também quase choro! E aí, eles se reencontraram! Foi inspirado nele sim! x) Beijos! ;*
Harumi-san – Obrigada, e que bom que você gostou! Tá aí a att! Beijundas! ;*
Alice Carolina Cullen – POAKPAKSPKAPSKAPKS', eu também rio sozinha com o Itachi! Pra você ver o que um porre não faz com uma pessoa! Sasuke é tão fofo! Amo aquele cara! Sasuke e Dejiko são uma dupla dinâmica, fato! Aquele banheiro... rock's! Eles se encontraram! \õ/ Espero que goste desse cap! Bj! ;*
Princess of ocean – Vai ter mais SasuSaku em breve! ;D Sorry, não respondi os reviews porque ia demorar muito mais... não me mate, se não sem o resto da fic! ;D Espero que goste da continuação! Beijo! :*
Grazi Holic – Você gostou amiga? Que bom! Mandei ele pro colégio já, ainda vai ter muita surpresa pela frente... Obrigada pela review, beijo! ;*
'Seenhorita Uchiha – Grande, né? Esse também é bem grande! *-* Pronto dude, eles já se reencontraram! AMO DEMAIS essa família! Gosta de fazer essas coisas no banheiro, ein? *sorrisinho malicioso* POAPSKAPSKPAKSPAOSKPK', bj! ;*
sayuri-chan – Obrigada, flor! *-* Sasuke faz a gente se emocionar, né não? Ah cara, como eu queria aquela banana... antes de virar o Lago Ness, claro. Vai ter SasuSaku em breve, amor! Veremos se ele vai mesmo desistir... beijos! ;*
OWN DUDES OBRIGADA DE VERDADE POR TODAS ÀS REVIEWS LINDAS!
Bem, eu não tenho muito que dizer... ok, ok, já vou calar a boca.
Boas férias minhas trutas, descansem e aproveitem bem!
BeiJones e BeiJudd's 4 EVERYBODY! ;*
Keiko Haruno Uchiha
