CAPITULO 10 – PARTE 2 – SALA CINZA

Well I've been here before

Sat on the floor in a grey… grey room

Where I stay in all day

I don't eat, but I play with this grey… grey food

Ela dirigia pela Estrada vazia. Eram quase 1 da manhã. Não tinha sono. Não conseguia dormir. Fazia duas semanas que não conseguia dormir.

Respirou fundo, e tragou o cigarro. Sabia que não devia fumar.

Mas que se dane! O que importa agora?

Ligou o cd player, e ouviu a voz melodiosa de um cara.

Como era mesmo o nome dele? Do "Closer"?

A conversa naquele dia com Wilson só piorou tudo:

- Por quê faz isso?

- Não é a sua conta. – ela respondeu, já de saco cheio daquilo.

- Cameron... eu não consigo entender o que fez...

- Então nem tente. – ela já não agüentava mais aquele mundaréu de perguntas. – Não tente entender os meus problemas.

Ela saiu correndo da sala, deixando Wilson com o queixo no chão perplexo.

A voz dele ainda ecoava na sua cabeça. Por quê? Por quê?

As lagrimas voltaram a cair, molhando seu rosto e chegando a molhar o cigarro.

- Droga! – ela fungou. Ela tentou secar o papel com os dedos.

Um posto de gasolina apareceu na sua frente. Ela parou e pediu para um rapaz encher o tanque. Foi até a loja de conveniência e pediu a chave do banheiro.

Desole, if someone is prayin' then I might break out,

Desole, even if I scream I can't scream that loud

I'm all alone again

Crawling back home again

Stuck by the phone again

Respirou fundo, olhando para o espelho do banheiro feminino do posto. Não se reconhecia mais. Aquelas duas semanas haviam a transformado em outra pessoa. Em alguém sem coração.

Fechou os olhos e engoliu seco.

Tinha decidido levar aquilo até o fim.

Ela tinha feito uma promessa, um juramento. Algo que jamais pensou que faria. Colocou fé em alguém que jamais imaginou que colocaria

Em Deus...

Em toda sua adolescência pediu uma prova de Sua existência. A mãe, religiosa ao extremo, a censurava.

- Não se pode pedir Sua prova, Ally. – ela dizia.

E teve sua prova há três semanas. Com a recuperação milagrosa de Chase. Ali, percebeu que a vida e a morte estava nas mãos de Deus.

Well I've been here before

Sat on a floor in a grey… grey mood

Where I stay up all night

And all that I write is a grey… grey tune

Depois de dirigir horas, chegou a casa dos pais.

Eram 4 da manhã. Se batesse na porta, assustaria a casa inteira.

Iria esperar até de manhã. Ao menos ate a hora do pai ir pro trabalho.

Abriu a janela do carro e deixou o ar gelado de Chicago entrar. Mesmo sendo verão, havia uma brisa gelada, molhando o gramado e deixando orvalho nas arvores.

Afundou a cabeça no encosto e tocou aquela musica do cantor do Closer novamente.

Respirou fundo e tentou imaginar como seriam as coisas agora. Ela voltaria a trabalhar com House, como sempre. Mas e se Chase estiver lá? Como poderá encará-lo? Responder suas perguntas?

Seus olhos arderam novamente. E deixou as lagrimas correrem.

Ela teria que ir embora. Teria que deixar o grupo de diagnósticos e deixar Princeton. Deixar Chase de vez...

Chase...

A dor profundo do abandona a chacoalhou e um choro emocionado e doloroso saiu de sua garganta. Ela o deixou fluir. Deixou ele sair. Deixou aquela angustia ir embora.

Chorava assim, desde o acidente. Continuou chorando assim, desde que teve que deixá-lo.

Se aconchegou no banco, chorando baixinho e adormeceu.

Um sono sem sonhos, sem pesadelos, sem Chase, sem ilusões...

So pray for me child, just for a while

That I might break out yeah

Pray for me child

Even a smile would do for now

'Cause I'm all alone again

Crawling back home again

Stuck by the phone again

Acordou com a luz no seu rosto. Viu as horas. Eram oito da manhã. Seu pai já havia saído pra trabalhar. Melhor. Assim ele não veria minhas olheiras.

A mãe tomou um susto ao vê-la.

- Allison?

- Mãe! – e chorou desesperadamente, se jogando nos braços dela.

- Meu Deus, o que houve?

Cameron não respondeu, só chorou.

Chorou um choro, que só um abraço querido pode confortar.

Judy deixou-a chorar. As vezes, quando se tenta voar, o cansaço lhe faz pousar com um estrondo, lhe deixando marcas profundas.

Have I still got you to be my open door?

Have I still got you to be my sandy shore?

Have I still got you to cross my bridge in this

storm?

Have I still got you to keep me warm?

- Está quente?

Cameron confirmou com a cabeça: estava sim.

- É sobre o rapaz em coma?

- Eu sou tão transparente assim?

- Sempre foi. – ela se sentou, ao seu lado, dividindo o chá. – E então?

- Ele acordou, mãe.

- Mas você disse que ele não...

- É, eu disse. Mas...

- Então, é um milagre.

Cameron, ouvindo aquilo, conecta com a sua promessa e sente vontade de chorar de novo.

- Mãe... eu cometi um erro tão grande. Eu deixei a coisa mais... perfeita que podia aparecer na minha vida. E... eu sei que é tudo culpa minha. Amar não é pra mim, mãe.

- Não pense assim, meu amor. Todo mundo erra. Todo mundo deixa passar algo que depois vê que era perfeito, que era único. Você não é a única.

- E não posso voltar atrás...

- E tão definitivo assim?

Cameron a encarou. E sua fé preencheu sua esperança.

Se o Senhor acordá-lo... deixá-lo viver... eu vou me afastar. Jamais irei vê-lo novamente. – lembrou da sua promessa.

Não posso correr o risco... não posso.

- É, mãe. Não posso correr o risco.

If I squeeze my grape, then I drink my wine

Coz if I squeeze my grape, then I drink my wine

Oh coz nothing is lost, it's just frozen in frost,

And it's opening time, there's no-one in line

Cameron engoliu um calmante, e deixou a mãe lhe fazer um carinho, enquanto tentava dormir.

- Vou avisar ao Chris e a Molly que você está aqui.

- Mike?

- Quanto ao Mike eu não sei. Ele tem todos aqueles treinos de futebol e aulas da faculdade. – ela acarinhava a têmpora da filha – Mas eu irei obrigá-lo a vir.

- Obrigado, mãe.

- Esqueci de perguntar: você tirou férias?

- Não.

- Pegou folga do dia de hoje?

- Não. Precisava de descanso, mãe. Ninguém me deixa descansar. Nem eu mesma.

But I've still got me to be your open door,

I've still got me to be your sandy shore

I've still got me to cross your bridge in this storm

And I've still got me to keep you warm

Warmer than warm, yeah

XxLFxX

N/A: Minha nossa! A Ligya só escreve choros e lágrimas. Meu Deus! Alguém pare ela!!! Acho que agora falta pouco mesmo.

Notinhas:

American Pride – não existe. É uma companhia aérea fictícia do livro de Stephen King (e filme) que estou adaptando para uma fic "Arquivo-X". Na verdade de acordo com o Google, American Pride é nome de várias coisas: uma sociedade de velejadores, fábrica de tintas, supermercados, centros automotivos, produtora de filmes, dentre muitas coisas.

Estágios da Morte – eu já comentei na fic Corações em Conflito. São cinco e são: Raiva, negação, barganha, depressão e aceitação.

Edimburgo – é a capital da Escócia. Situada no norte da ilha da Inglaterra, faz parte do Reino Unido desde 1707. A Escócia me lembra de Desmond (do Lost) e aquela bundinha rebolante.

Patchwork – nada mais é que uma colcha de retalhos. Dependendo do lugar, colocam um manta junto, e parece um edredom de retalhos. É lindo.

Closer – é o filme com Julia Robert, Jude Law, Natalie Portman e Clive Owen. O que não é mencionado é o nome do cara: Damien Rice. Que, pra mim, só faz canções maravilhosas. A canção de Closer – Blower's Daughter – é batida, mas ainda assim é perfeita.

Chris, Molly e Mike – Bem, os dois primeiros são conhecidos da minha fic De repente 17. Respectivamente, irmão e sobrinha de Cam. E Mike, irmão mais novo, decidi incluir agora.

As canções são: "A Hardest Part", do Coldplay; e "Grey Room", de Damien Rice.

AGRADECIMENTOS: Lis (pois é, a voz da razão e/ou de Lizzie não afetaram o Chase. Ele prefere sofrer sozinho, sem questionar. E aí, foi muito chororó? Você leu esse capitulo antes, e não lembro seu comentário.) Daidoji-Chan (Obrigado por me deixar uma rewiew. Adoraria ter sua rewiew sempre. Isso é uma parte importante para um escritor: as críticas. Escreva sim, escreva sempre.) Nessa (É, o Chase acordou, e está decidido a deixar tudo pra trás. Está certo fazer isso? Respeitar o que a Cam quer e passar a bola pra frente?) Poli (eu amo suas rewiews. Respondendo algo que você disse: uma coisa que eu aprendi é isso. É mexer com o coração do leitor. É técnica de escrita: fazer o leitor se identificar com o personagem, aprender com ele, sofrer com ele, descobrir com ele. Quem não chorou com Harry ao ver Dumbledore tomar aquele Avada Kedavra? Mudando de assunto, eu sou péssima com elogios. Não me elogie demais Poli. Fico corada como o Ron.) Lalá (fiz de propósito isso. A Cam disse na 1ª temporada que era atéia, então a fiz chegar as raias do desespero e apelar pra tudo. O sofrimento faz isso.) Ni (minha mascote! Oh, não peço mais. Se você quiser chore sim. Faz bem pra alma e pro coração. E a Poli que me corrija se eu tiver errada, mas acho que faz bem pros olhos também. Hihi.) Flora (É, eu tento. Tento de propósito. Sabe por que? Por que eu adoro fic assim. Por isso que eu faço desse jeito. Do jeito que dói lá no fundo, porque você sabe que isso pode acontecer. Comigo, com você, com toda essa mulherada fanática da Comu... Hihi... Quer dizer, que me dera ter um Chase pra perder... Ui.) Naiky (Eu inventei essa metáfora de voar, e tive medo de que me embananasse toda na hora de explicar. A Lizzie vê algo que pouca gente vê. Vê as vezes, até demais.) Lais (Pois é, flor, meu bloqueio se foi. Ele vai e volta. Vai e volta. Hoje, foi e aproveitei pra atualizar um monte de coisa.) Mona (pois é, eu fiz. A Cam acha que as coisas aconteceram por culpa dela. E se ela voltar atrás...? Será que...?)

TRADUÇÕES:

THE HARDEST PART – COLDPLAY

E a parte mais difícil

Foi deixar acontecer, sem tomar parte

Foi a parte mais difícil

E a coisa mais estranha

Foi esperar aquele sino tocar

Foi o início mais estranho

Eu podia sentir isso diminuir

Agridoce eu podia sentir na minha boca

Prata contornando as nuvens

E eu

Eu gostaria que eu pudesse resolver isso

E a parte mais difícil

Foi deixar acontecer, sem tomar parte

Você realmente partiu meu coração

E eu tentei cantar

Mas eu não conseguia pensar em nada

Foi a parte mais difícil

Eu podia sentir isso diminuir

Você deixou o gosto mais doce na minha boca

Prata contornando as nuvens

E eu

E eu

Eu me pergunto o que significa tudo isso

Tudo o que eu sei está errado

Tudo o que eu faço, só se desfaz

Tudo está confuso

Oh e essa é a parte mais difícil

Essa é a parte mais difícil

GREY ROOM – DAMIEN RICE

Bem, eu já estive aqui antes

Sentei no chão Em uma sala cinza, cinza

Onde passo o dia todo

Não como, mas brinco com essa comida cinza, cinza

Desolação

Se alguém estiver rezando então posso fugir

Desolação

Mesmo se eu gritar não consigo gritar tão alto

Estou totalmente sozinho de novo

Rastejando de volta para casa

Empacado ao lado do telefone de novo

É, eu já estive aqui antes

Sentei no chão com um humor cinza, cinza

Onde passo a noite toda acordado

E tudo o que escrevo é uma melodia cinza, cinza

Então reze por mim, criança

Só um pouquinho e eu posso fugir, é

Reze por mim, criança

Até um sorriso basta agora

Estou totalmente sozinho de novo

Rastejando de volta para casa

Empacado ao lado do telefone de novo

Você ainda é minha porta aberta?

Você ainda é meu porto arenoso?

Você ainda cruzará minha ponte nesta tempestade?

Você ainda me manterá quente?

Porque se eu espremer minha uva

E beber meu vinho, é

Porque se eu espremer minha uva

E beber meu vinho, é

É, oh, porque nada foi perdido

Isto está congelado

E está na hora de abrir

Mas não tem ninguém na fila

Mas eu ainda sou minha porta aberta

Ainda sou meu porto arenoso

Ainda cruzarei minha ponte nesta tempestade

E me manterei quente

Mais quente que o possível...

XxLFxX