Uma Questão de Sangue

Capítulo XIV – Delatora Inocente

Draco Malfoy coçava a cabeça, despenteado os belos cabelos loiros tão claros quanto a luz do Sol, enquanto caminhava em círculos pelo dormitório vazio. O dormitório era tipicamente masculino, com roupa suja amontoada nos cantos, camas por fazer, revistas de pornografia abertas em cima das camas, um ou outro soutien esquecido por uma das "meninas" que frequentavam o quarto... O loiro chutou uma sapatilha fedorenta para um canto, continuando a circular por entre as mais variadas coisas, espalhadas pelo chão.

De repente, Draco estacou, fitando seriamente o objecto que segurava na mão direita, com o maior cuidado possível. O objecto, um espelho prateado cheio de intrincados desenhos gravados na superfície polida, deu sinal de si e começou a brilhar, numa luz branca e intensa. Segundos depois, uma face bela apareceu no espelho, ostentando um sorriso malicioso e, em perfeito contraste, uma expressão preocupada e uma sobrancelha subtilmente arqueada.

- O que queres? – inquiriu uma voz tão feminina como arrogante, saída do espelho. A mulher da imagem mexia os lábios rosados, pelo que seria ela que estava a falar.

O loiro sorriu maliciosamente, deliciado com a preocupação que causara na mulher, que normalmente controlava muito bem as suas emoções. Por fim, respondeu:

- Tenho uma notícia a dar-lhe, Gardenia.

A mulher de longos cabelos loiros, muito bem cuidados, exprimiu a sua impaciência com um revirar de olhos.

- Se é para me contares da entrevista que o Potter deu àquela revista da treta, podes fechar o bico. Eu já li a entrevista.

- Não era para isso, Gardenia – o loiro continuava a tratá-la pelo nome próprio, o que demonstrava que eles se conheciam o suficientemente bem para isso. – Eu queria informá-la que a sua filha, Renee Swan, namora com George Weasley.

O rosto da bela mulher loira deformou-se por um esgar de nojo. Como se a simples menção daquela família lhe causasse náuseas.

- Só podes estar a gozar comigo, Draco! – Gardenia Swan deu uma risada um pouco histérica, muito imprópria de uma senhora como ela.

- Acha mesmo? Porque haveria de inventar uma coisa dessas?

A mulher do espelho pareceu ponderar por uns instantes.

- Como descobriste uma coisa dessas? – interrogou Gardenia, de forma fria. – Tenho a certeza que não foi a minha filha que te contou…

Draco fez ares de superior e fitou a superfície do espelho onde, em vez do seu próprio reflexo, via a cara da mãe de Renee.

- Essas coisas sabem-se, cara Gardenia.

- Tudo bem. O que queres que eu faça?

Draco sorriu satisfeito. Passou a língua pelos lábios, humedecendo-os, e declarou, numa voz falsamente inocente:

- Eu apenas necessito da vossa autorização para os separar.

- E queres convencer-me que só me "contactaste" para me pedires essa permissão? – a mulher não se deixava enganar com facilidade, sabia perfeitamente que havia mais qualquer coisa de que o loiro descendente dos Malfoys precisava.

Como Draco não se pronunciava, Gardenia inquiriu, sem rodeios:

- O que é que tu queres mais?

- Eu… eu gostaria de… Eu quero apenas uma coisa – confessou o loiro, subitamente envergonhado, o que era tão normal nele como numa galinha estarem a crescer dentes.

Também a mulher notou a timidez do rapaz.

- Podes pedir-me o que quiseres, desde que separes a minha filha daquele Weasley nojento…

- Eu…

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As férias da Páscoa estavam quase, quase a chegar. Já tinha passado muito tempo desde que a entrevista de Harry Potter fora publicada n'A Voz Delirante e já ninguém falava disso, embora Renee ainda fosse vítima de muitos olhares oblíquos. Apesar disso, ela já não se importava, porque agora tinha George. A morena sorriu ao lembrar-se do seu "recente" namoro com o ruivo. Não, o namoro já não era "recente". Eles já namoravam há três semanas, mais coisa menos coisa.

- Estás a pensar em quê? – perguntou George, mexendo num caracol rebelde do cabelo castanho da namorada, que estava sentada no seu colo.

- Em ti – respondeu Renee, sem timidez. Ambos já tinham passado essa fase.

O ruivo sorriu ternamente e beijou o nariz de Renee, que lhe deitou a língua de fora.

- Oh, poupem-me a essas cenas… - resmungou Ginny, que começava a sentir-se a mais. - Daqui a pouco as pessoas começam a chegar… Como é que é se elas vos virem assim, nesses propósitos?

Luna gargalhou, um riso límpido e contagiante. Logo, Renee e George se lhe juntaram.

- Não sejas exagerada, maninha. Eu e a Renee não 'tamos a fazer nada!

Ginny bufou e revirou os olhos.

- Enfim… - murmurou, agitando o longo cabelo flamejante.

Nesse momento, várias pessoas entraram na sala, para mais uma reunião do ED. Estas últimas reuniões tinham sido fantásticas, pois andavam a treinar os Patronus. Harry cumprimentou todos os recém-chegados, e, ao constatar que todos os membros do ED estavam já presentes, deu por iniciada a reunião. Como de costume, vários pares formaram-se de imediato, ansiosos por começarem a praticar. Renee abraçou-se a George, como que para dizer a toda a gente que ele era o seu par, recebendo um olhar de censura por parte de Ginny, que gostava muito de se meter com a amiga.

- Como vos tenho vindo a dizer, é muito diferente treinarmos este encantamento numa sala iluminada, sem o menor vestígio de perigo, do que perante algo como um Dementor – informou Harry, mais uma vez. Os membros do ED já tinham ouvido aquela conversa umas dezenas de vezes, mas Harry continuava a insistir nesse ponto.

- Oh, não sejas desmancha-prazeres – exclamou Cho, um pouco farta do discurso do "amigo".

Renee já se habituara às reacções de Ginny, que bufava ou revirava os olhos ou torcia o nariz sempre que a rapariga de traços orientais se pronunciava. A ruiva, emparelhada com Luna ao pé de Renee e George, fingiu que ia vomitar e conjurou o seu Patronus perfeitamente. A sombra prateada que saía da ponta da sua varinha tomou os contornos bem definidos de um enorme tigre fêmea, que rugiu ao Patronus de Cho, um belo cisne prateado que flutuava docemente.

- Muito bem, Ginny! Perfeito! – elogiou Harry, dando palmadinhas na costa da ruiva, que corara levemente e tentava disfarçar. – E tu, Renee? Não consegues produzir um Patronus? – inquiriu o rapaz-que-sobreviveu com surpresa, porque a morena era uma das alunas mais brilhantes de toda a Hogwarts, e havia muito poucos feitiços que ela não conseguisse realizar.

Renee invocou uma imagem mental, a mais feliz que conseguia imaginar: invocou a lembrança do seu primeiro dia em Hogwarts, quando conhecera as suas duas melhores amigas. Concentrada nessa imagem mental, elevou a varinha e, com um movimento firme do pedaço de madeira, murmurou:

- Expecto Patronum!

Imediatamente, um vapor prateado converteu-se num lobo lindíssimo, de pêlo lustroso e prateado. O lobo olhou altivo para os presentes, e pareceu dar uma risada.

- É lindo! – exclamou Cho, com a boca aberta.

- A ideia não é serem bonitos, mas sim protegerem-nos! – exclamou Harry, fitando o lobo-patronus com desconfiança. – Tens a certeza que consegues controlá-lo? – perguntou, receoso, com o olhar a saltar do lobo para Renee, e de novo para o lobo.

Renee sorriu e afagou a cabeça do lobo, que lhe lambeu a mão.

- Claro que consigo controlá-lo! – declarou, convicta, a jovem, virando-se para o seu Patronus. – Rebola!

O lobo olhou para Harry, e este quase que podia jurar que o vira a sorrir de forma trocista. Depois, o lobo-patronus rebolou no ar, abanando a cauda.

- Se eu soubesse este feitiço naquele dia em que quase foste atacada pelos Dementors, tinha sido muito mais fácil salvar-te! – comentou George, ao ouvido de Renee, beijando-lhe de seguida o pescoço.

Um macaco prateado, o Patronus de George, estava a brincar com o lobo-patronus de Renee, como se reflectissem o afecto dos "donos".

De repente, a porta da Sala das Necessidades abriu-se, deixando entrar um pequeno elfo-doméstico, que trazia oito chapéus de malha na cabeça calva. O pequeno ser procurou Harry Potter com os seus grandes olhos verdes e quando, por fim, o encontrou, dirigiu-se aos saltinhos aflitos para ele.

Como estava perto do rapaz-que-sobreviveu, Renee pode ouvir a conversa entre o rapaz e o elfo.

- Harry Potter… ela… ela

Renee não conseguia perceber a aflição do ser, que se tentava esmurrar, embora Harry o tivesse preso pelos pulsos.

- Umbridge? – inquiriu, de repente, Harry.

O elfo ajeitou os seus múltiplos chapéus e acenou com a cabeça afirmativamente. Um chapéu, o roxo, caiu-lhe para os olhos, tapando-lhe uma das grandes bolas de ténis esverdeadas.

- Que se passa com ela? – o Gryffindor começava ficar seriamente preocupado. – Dobby… ela não descobriu isto… o nosso… o ED? Ela vem aí?

O elfo-doméstico não teve que dizer nada, pois o terror espalhou-se-lhe pelo rosto arrasado. Dobby tentava, em vão, dar pontapés a si mesmo. Harry largou-o, por momentos, tentando recompor-se do choque.

Mas foi Renee quem recuperou mais rapidamente a lucidez:

- DE QUE ESTÃO À ESPERA?! – gritou, assustando os restantes membros do ED, que olhavam aterrorizados para o elfo. – FUJAM!!!

Foi a debandada geral. Todos corriam para a porta, formando grande congestionamento. Por fim, todos conseguiram passar pela porta. Na Sala das Necessidades, apenas permaneciam Harry, Ron, Hermione, Ginny, Luna e Renee. George tinha fugido com o irmão e Lee Jordan, a pedido de Renee.

- Harry, despacha-te! – guinchou Hermione, já perto da porta.

Quando, finalmente, todos os restantes abandonaram a Sala, o grupo separou-se imediatamente. Ginny enfiou-se numa casa de banho das raparigas, que ficava ali perto, Luna correu em direcção à biblioteca, Ron, Hermione e Harry desapareceram de vista, e Renee, não se lembrando de nenhum sítio para se esconder, decidiu caminhar calmamente pelo corredor, fingindo não saber de nada.

De súbito, viu Harry novamente, caído no chão. Draco Malfoy tinha-o atingido com um Feitiço do Tropeção bem lançado, que surtira o efeito desejado no Gryffindor.

No segundo seguinte, Dolores Jane Umbridge apareceu a correr vinda de um dos corredores da esquerda, apanhando Renee, que observava atentamente a cena entre o Gryffindor e o Slytherin, de surpresa. Filch acompanhava-a, como um cãozinho obediente.

- Ora, ora… O que está aqui a fazer? – interrogou a Grande Inquisidora, com uma expressão maldosa.

Renee apercebeu-se de imediato da falha no seu plano de fingir que não sabia de nada: ela não tinha explicação para estar naquele corredor, quando faltavam apenas 10 minutos para a hora do recolher às Salas Comuns. Por isso, desculpou-se com a primeira coisa que lhe veio à cabeça:

- Eu ia para o dormitório, professora.

A senhora riu-se, um riso que causou arrepios a Renee, tal era a maldade impressa nele.

- Tu a mim não me enganas, serigaita. Filch, leve-a para o gabinete do director! – ordenou, perante a horrível face deleitada do encarregado.

Argus Filch agarrou o braço da morena com tanta forma, que Renee se lembrou logo de uma tenaz de caranguejo. Uma enorme tenaz de caranguejo, que não largaria o braço de Renee por nada daquele mundo, ou de outro qualquer. Um odor a transpiração misturada com água-de-colónia forte e barata encheu as narinas da rapariga, que foi, imediatamente, atacada por uma violenta onda de náuseas. Renee cambaleou e perdeu a visão por momentos. Só não caiu ao chão porque o encarregado ainda a segurava firmemente.

Quando voltou a si, estava já no gabinete de Albus Dumbledore.

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Quando Umbridge chegou ao gabinete de Dumbledore, acompanhada por Harry, este estava já cheio de gente. Renee já lá estava há alguns momentos, mas ainda não se apercebera totalmente do que se estava a passar.

- Ia de regresso à Torre dos Gryffindor – declarou Umbridge, a respeito de Harry. – O Malfoy encurralou-o.

Cornelius Fudge, de pé em frente à lareira, sorriu satisfeito.

- Ai sim? – comentou o Ministro da Magia. – Tenho de me lembrar de contar ao Lucius… Bem, Potter… Espero que saibas porque motivo aqui estás.

A presença de Renee parecia ter sido esquecida. Felizmente, pensou a jovem, que não gostava destas situações. No seu peito, o coração batia irregularmente, muito depressa.

- Não – respondeu Harry, depois de trocar um olhar com Dumbledore, que permanecia sereno por detrás dos seus óculos de meia-lua.

- Perdão? – inquiriu Fudge.

- Não – repetiu Harry com firmeza. – Não sei porque motivo aqui estou.

O Ministro da Magia olhou para Dolores Umbridge, com uma sobrancelha farfalhuda bastante arqueada.

- Portanto, não fazes ideia porque motivo a Professora Umbridge te trouxe a este gabinete? – a voz do ministro estava a rebentar de sarcasmo. – Não te lembras de teres quebrado nenhuma das regras da escola?

- Não.

- Nem Decretos Ministeriais? – Fudge começava a ficar muito aborrecido.

- Não.

- Então, é novidade que foi descoberta nesta escola uma associação de alunos ilegal? – inquiriu Fudge, furioso.

- Sim, é – ripostou Harry, pouco convincente.

- Ora! Afinal o Potter também sabe dizer outras coisas para além de "não"! – ironizou Percy Weasley, tomando notas num pergaminho. O ruivo recebeu logo olhares de desaprovação por parte de Fudge e Umbridge, e encolheu-se mais contra a parede.

- O senhor está a brincar comigo? – inquiriu Fudge, fulminando Harry com o olhar, sem ligar ao comentário desafortunado de Percy.

- Senhor Ministro, sou de opinião de que devíamos falar com a nossa informadora – interrompeu Umbridge, lançando um olhar na direcção de Renee.

A morena sentiu esse olhar, e foi como se tivesse sido atravessada por um raio laser que a queimasse por dentro. Apesar de não saber o que tinha ela a ver com a tal "informadora", encolheu-se contra a parede fria atrás de si, numa tentativa de passar despercebida.

- Sim, sim, ela que venha para aqui – respondeu o Ministro, indicando uma cadeira em frente à secretária de Dumbledore.

Renee sentiu vários olhares pregados em si. Umbridge olhava-a com uma malvadez óbvia, e indicou a cadeira com um aceno de cabeça.

- Hum-hum – tossicou a Grande Inquisidora, sem descolar o olhar da Gryffindor morena.

Renee não percebeu o que a levou a fazê-lo. Mas o que é certo é que, no segundo seguinte, estava sentada na cadeira que o Ministro da Magia e a Grande Inquisidora de Hogwarts haviam indicado. Procurando algo a que se "agarrar", olhou para o director. Dumbledore permaneceu impávido e sereno, limitando-se a cruzar o seu olhar arguto com o da jovem. Mas isso deu uma energia renovada a Renee.

- Então, menina Swan? Diga lá ao Ministro o que me contou a mim! – ordenou Umbridge, numa voz doce, mas falsa.

Renee arqueou uma sobrancelha. Não fazia a mínima ideia do que aquela mulher estava para ali a falar. O que queria aquele sapo velho que ela dissesse ao Ministro da Magia?

- Menina Swan! – a voz da professora denotava uma certa impaciência.

Renee lançou um olhar inquisitivo a Umbridge. Esta sorriu maliciosamente e declarou:

- Oh, muito bem, querida. Eu digo-lhe – a senhora virou-se para Cornelius Fudge, e continuou: - Bem, Senhor Ministro, Miss Swan veio hoje ao meu escritório e disse-me que tinha uma coisa para me contar. Ela contou-me que, esta noite, um grupo de alunos ilegal se encontraria numa sala secreta do sétimo andar, conhecida por Sala das Necessidades. Não me disse mais nada, mas deu-me as indicações necessárias.

A Gryffindor olhou horrorizada para a professora, ainda a assimilar a informação. Não podia ser! Só podiam estar a gozar com ela, certo?

- Desculpe, professora. Mas não creio estar a perceber o que se está a passar – informou Renee, com toda a calma.

O olhar que Umbridge lançou a Renee mais parecia o olhar de uma víbora prestes a atacar. Lembrou a Gryffindor dos olhares cruéis que a sua irmã, por vezes, lhe lançava.

- Oh, querida, não precisa de fingir! Prometo-lhe que ninguém lhe fará mal – assegurou a Grande Inquisidora, toda vestida de cor-de-rosa, como habitualmente.

- Desculpe, professora – repetiu Renee, ainda na ignorância. – Mas eu realmente não percebo o que se está a passar.

Umbridge parecia prestes a rebentar de fúria. Com uma inteligência maldosa no olhar, sibilou:

- Miss Swan está atemorizada com a presença de Mr. Potter. Decerto ela não consegue admitir que traiu os amigos em frente a um deles. Mas, bem, eu falarei por ela.

- Como se fosse de total confiança – murmurou a professora McGonagall, entre dentes.

Umbridge não ouviu o comentário.

- Logo que a menina – indicou Renee com o olhar – me contou o que ia suceder esta noite, eu fui logo ao sétimo andar, acompanhada de certos alunos de confiança, a fim de apanhar os participantes no encontro com a boca na botija.

Renee tentou dizer algo como "Mas eu não disse nada!", mas foi calado pelo director com um olhar intenso.

- Parece, contudo, que foram avisados da minha aproximação, porque, ao chegar ao sétimo andar, havia alunos a correr em todas as direcções. Isso, porém, não importa, pois tenho comigo todos os seus nomes.

Nesta parte do discurso, Harry e Renee arregalaram os olhos e fitaram, incrédulos, aquela que se intitulava a Grande Inquisidora de Hogwarts.

- Miss Parkinson entrou na Sala das Necessidades, a meu pedido, para ver se se tinham esquecido de alguma coisa lá dentro. Precisávamos de provas, e a sala forneceu-as.

Umbridge tirou uma folha de pergaminho do bolso, e mostrou-a a todos os presentes. Os rostos de Renee e Harry ensombraram-se com o horror, ao constatar que a folha era aquela em que constavam todos os nomes de quem participava nas reuniões do ED, e que tinha sido afixada na parede da Sala das Necessidades.

De seguida, a Grande Inquisidora estendeu a lista a Fudge, que a contemplou com felicidade.

- Excelente, Dolores! – exclamou o Ministro, empolgado. – E… que diab…

O Ministro da Magia ergueu os olhos, para olhar Dumbledore, que permanecia calmamente sentado à sua secretária, segurando a varinha.

- Vê o nome que deram a si próprios! O Exército de Dumbledore!

A mão enrugada do director de Hogwarts arrancou o pedaço de pergaminho das mãos de Cornelius Fudge. Dumbledore olhou a folha por instantes e sorriu.

- Bom, o jogo acabou. Desejas uma confissão por escrito, Cornelius… ou basta um depoimento perante estas testemunhas? – inquiriu Dumbledore, com simplicidade.

- Um depoimento? – a face do Ministro ensombrou-se. – Não, não pode ser. Tu? Foste tu que organizaste isto? Recrutaste estes alunos… para o teu exército?

Pálido como um cadáver, Fudge esforçava-se imenso para não desmaiar naquele momento.

- Esta noite, devíamos ter tido a primeira reunião… – declarou Dumbledore, arcando com todas as culpas.

- Então, tens andado a conspirar contra mim! – gritou Fudge, agora muito corado.

Umbridge permanecia calada, como se ainda estivesse a ponderar a situação. Seria mesmo verdade, tudo aquilo? A sua informadora não lhe tinha contado nada daquilo.

- Exactamente – respondeu Dumbledore, com certo prazer.

- NÃO! – gritou Harry, exaltado. O seu olhar saltava de Renee, que olhava com ódio, para Dumbledore, que olhava com medo.

- Cala-te, Harry, ou terei de te pedir que saias do meu gabinete.

Só então é que toda a seriedade do acontecimento atingiu Renee. Foi como se, de súbito, tivessem aberto uma porta na sua mente, permitindo-lhe compreender tudo o que se estava a passar naquele momento, naquele gabinete. Embrenhada nos seus pensamentos, perdeu a parte seguinte da conversa, mas isso já não lhe interessava. Ela estava a ser culpada por uma coisa que não fizera! Como podiam dizer que ela tinha contado tudo sobre o ED?! Como ia ela provar que não dissera nada?! O olhar odioso e reprovador que Harry lhe direccionara fora como uma seta, que se lhe cravou no coração. Ela já sabia que todos a iam olhar daquela maneira, quando soubessem da história… Até George! Tinha absolutamente de arranjar uma maneira de provar a sua inocência!

No momento seguinte, tudo se apagou. Renee foi invadida por uma negrura intensa.

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N/A

Olá!

Capítulo grandinho, ah? Gostaram? Algumas partes foram, como é óbvio, retiradas e adaptadas do 5º livro desta série que todos nós veneramos! Mas o que eu quero memo saber é se gostaram. Por isso, mandem reviews, sim?

E acabei o capítulo no momento certo… Aushaushaush!!! O que acham que aconteceu a Renee? E porque terá Umbridge dito que fora Renee quem lhe contara sobre o ED?

Descubram… no próximo capítulo!!! MUAHAHAHAHA!!! (eu sou tão má xP)

Muitos beijos a todas as leitoras (especialmente às que mandaram reviews!),

LyRa

PS: Tenho de vos comunicar que a fic está quase no fim. É certo que ainda faltam mais 4 ou 5 capítulos, mas é para se irem preparando. xP