14 – O Arrependimento

- Harry, pela última vez, o que aconteceu? – Ron tentava conter a raiva. Hermione era como uma irmã para ele e a vontade que ele tinha era de matar Harry ali mesmo.

- Eu não sei. - Harry estava chorando. – Chamei-a para conversar, para ver se eu a entendia e ela me falou que gostava do Malfoy.

- Então você a agarrou? ISSO NÃO JUSTIFICA! – vociferou o ruivo.

- Eu sei! Eu disse coisas horríveis a ela.

- Ok! Eu vou tentar manter a calma. – Rony coçou a cabeça.

- Eu tive medo de perdê-la e achei que se nos beijássemos, ela ...

- Ela o quê? Você a beijou a força!

- Eu a perdi Ron, eu a perdi para sempre agora. – Harry abraçou chorando o amigo que sentiu dó.

- Sim, você a perdeu como mulher, mas pode tentar reconquistar a amizade dela.

- Ela nunca mais vai olhar na minha cara.

- E não deveria mesmo, mas se tratando de quem é – Rony respirou fundo. –, apenas dê um tempo a ela, talvez ela reconsidere. – Rony se afastou de Harry.

- Você deve estar me odiando também, não é?

- Você sabe o quanto eu amo a Hermione, ela é como uma irmã para mim. Quando você disse que estava apaixonado por ela, sabia que ela sofreria, assim como a Gina, mas nunca imaginei que você faria isso. – Ron olhava para o chão. – Ajoelhe-se na frente dela quando ela estiver disposta, e talvez ela o perdoe. – disse, encarando os olhos do amigo.

- Ron, eu amo a Mione.

- Isso não é amor, Harry, amor só nos faz bem, e isso que você sente não faz bem nem a você nem a ela. Isso é obsessão ou simplesmente você está competindo ela com o Malfoy.

- Não, eu estou atrás dela desde o começo do ano.

- Nós estamos no começo do ano. – retrucou Ron, irônico.

- Você me entendeu. – respondeu Harry, impaciente.

- Tá, ta, eu entendi.

- Eu não sei o que fazer.

- Dê tempo a ela. Eu vou indo Harry, fiquei de buscar a Luna quando acabasse a aula.

Nem Hermione nem Harry apareceram nas aulas daquele dia, Draco e Ron se encontraram na aula de Transfiguração.

- Malfoy, como ela está?- perguntou Ron, baixo, para que Tonks não brigasse.

- Está melhor, mas você deve imaginar como ela está, não é?

- Sim, onde ela está?

- Quis ficar sozinha, foi para o dormitório.

- Eu vou lá depois.

Draco acenou com a cabeça e deixaram a aula correr.

- Mione... – Rony bateu na porta do quarto da garota.

- Entra, Ron.

- Como você está? – antes que Rony terminasse, Hermione pulou no pescoço do amigo, o abraçando e chorando.

- Obrigada Ron, muito obrigada. – Ron, meio sem jeito, abraçou a amiga.

- Você sabe que eu sempre estarei aqui. Aliás, eu só acalmei os humores, foi Malfoy quem te ajudou de verdade.

- É verdade, mas como você sabia que estávamos lá?

- O Malfoy veio me perguntar de você e eu não respondi, mas como o que ele falou fazia sentido, fui atrás de vocês.

- O que ele falou?

- Que você nunca faltaria a uma aula. – respondeu sorrindo. – Mas vai continuar o interrogatório? Ou vai me deixar interrogá-la?

- Isso não é justo. – Rony arrancou da amiga o primeiro sorriso.

- Eu não sou justo. – falou, sorrindo também, os dois se sentaram na ponta da cama de Hermione, quando Ron finalmente perguntou: - Como você está?

- Você sabe, péssima! Nunca esperei isso do Harry.

- Eu sei.

- Ele fez com que eu me sentisse a pior mulher do mundo com as coisas que falou e fez.

- Ele te humilhou, né? – Hermione acenou que sim com a cabeça e voltou a chorar.

- Mi, não fica assim, Harry fez o que fez por ciúme! Ele está muito arrependido.

- Você acha que isso justifica, Ron? Eu imagino como ele deve estar.

- Não, é claro que não, você deveria ter aproveitado o momento que ele estava apanhando para bater nele também. – Rony falou de um jeito brincalhão.

- Eu tive vontade, mas não tive forças.

- Eu sei. – disse sorrindo. – Vamos jantar agora?

- Não, eu não estou com fome e também não quero encontrá-lo, você me entende?

- Claro, mas isso não é certo, quer que eu te traga alguma coisa?

- Não Ron, obrigada. Você é o melhor amigo do mundo! – abraçou o amigo novamente. – Sinto falta de você sabia, gosto de brigar com você. Mas não sei, acho que a Luna pode ficar com ciúmes.

- Se você brigar comigo, com certeza. Ultimamente ela tem feito muito disso, já tá comprando direitos autorais - tanto ele quanto Hermione sorriram –, mas se precisar de mim para alguma outra coisa a não ser gritar comigo, ela não vai ligar, aliás, se você quiser voltar a me ajudar com alguns deveres. – Ron fazia uma cara marota agora.

- Ronald Weasley, você não presta!

- Não mesmo, e é por isso que você me ama. – os dois riram gostosamente e Rony foi jantar.

No jantar, Harry apareceu, tinha alguns hematomas no rosto, Hermione não apareceu.

- Você falou com ela? – perguntou Harry, constrangido.

- Sim. – respondeu Rony, ríspido.

- E como ela está?

Nesse momento apareceu Gina, toda animada.

- Oi garotos, Harry nossa, você está horrível! O que aconteceu?

- Nada, Gina. – respondeu mal-humorado.

- Foi o Malfoy, não foi? Sabe Harry, eu entendo que você esteja com ciúmes da Mione, mas brigar com o Malfoy não é inteligente, ele é mais forte do que você. – Gina pareceu ligeiramente irritada.

- Não enche, Gina! – Harry estava irritado.

- Eu vou ter que ir descobrir com a Mione o que aconteceu, não é!? Vocês não vão contar! – quando Gina virou as costas, ouviu uma frase dita de uma maneira e por uma pessoa que não esperava.

- Você não vai encher o saco da Hermione agora! – Ron não gritou. Não foi preciso, a autoridade em sua voz era superior a qualquer grito, e lembrava muito o senhor Weasley.

- A coisa foi séria então? – perguntou Gina, virando-se. – Ela pode estar precisando de ajuda.

- Ela quer ficar sozinha! A melhor coisa que você tem a fazer é jantar e deixar a Hermione em paz, entendeu? – Gina não discutiu, ela sabia que quando Rony falava daquela maneira era caso perdido. Amanhã ela descobriria o que acontecera. Draco chegou à mesa da Grifinória sem olhar para Harry.

- Weasley, podemos conversar?

Ron não respondeu, simplesmente se levantou e foi até o loiro.

- Eu não a esperava nas aulas, mas não a vi no almoço e nem agora, ela está bem? Comeu alguma coisa?

- Não, ela não está bem, e acho que ela também não comeu nada. Eu me ofereci para levar algo para ela, mas ela não quis.

- Pode deixar, vou levar alguma coisa para ela. E Weasley - Draco estava se afastando e olhou novamente para Ron para dizer isso. –, você é melhor do que eu pensei.

- Você também! – Ron fez uma cara de desgosto.

Era só o que me faltava, a essa altura da minha vida me entender com o Malfoy, e por que o Harry cagou no saco!

Ron voltou ao seu jantar e ao se sentar beijou Luna.

- Você sabe o quanto eu te amo?

- Sei sim, e te amo muito também!

- Que bom!

- Desculpa atrapalhar, mas o que o babaca do Malfoy queria? – cortou Harry.

- Saber da Mione. – respondeu simplesmente.

- E você falou? – perguntou Harry se alterando.

- Olha aqui Harry, não tente me tirar do sério hoje, o Malfoy vai saber cuidar da Mione melhor do que qualquer um aqui! E se não se importa, não quero conversar com você.

Gina olhou assustada, precisava saber o que estava acontecendo.

Toc, toc.

- Hermione, sou eu!

- Draco?

- Sim. – Draco ouviu a garota indo abrir a porta e sorriu, quando ela abriu estava com um robe de seda vermelho.

- Uau, quer me provocar, é?

- Não seja bobo, não sabia que viria. – Hermione abriu espaço para que Draco entrasse. – Além do mais, já está na hora de dormir.

- Não, a senhorita, você está enganada, está na hora de jantar, e eu trouxe comida para nós, estou verde de fome.

- Draco, não precisava. – respondeu, atenciosamente.

- Mas eu já trouxe. Então, quero comer e quero que você coma. Aliás, arranque alguns dos milhares de livros que estão na sua mesa para que nós possamos comer.

- Está bem, mas você veio ao meu quarto me dar ordens, senhor Malfoy? – Hermione arrumava a escrivaninha. Draco não ouviu o que Hermione lhe falou, estava a olhando carinhosamente, entretido de mais para ouvir o que ela falava.

- Draco? – chamou Mione.

- É... vim te dar ordens sim, você anda muito mimada. – ele voltou do transe.

- Sente-se. – ela indicou uma cadeira para que ele se sentasse.

Os dois jantaram animados, Hermione comeu super-bem.

- Ainda bem que não estava com fome né, Mione, senão a comida não seria o suficiente. – disse sorrindo maroto.

Hermione ficou sem graça. – Eu não comi nada hoje, ok?

- Tudo bem, você pode se dar esse luxo, está em forma. – Draco olhou-a maroto e fez com que a garota corasse.

- Obrigada pelo elogio. Bem, você já me deu o que comer, me fez sorrir, acho melhor irmos dormir, amanhã será um longo dia para mim.

- Hey, você está me dispensando?

- Draco, me desculpe, eu te agradeço muito por tudo, mas amanhã tenho monitoria com o Harry e não faço a menor idéia de como vai ser.

- Eu vou junto. – falou, sério.

- Não, você não vai. – respondeu Hermione, decidida.

- Vou sim! Não confio nele.

- Ele não vai fazer nada.

- Nós vimos do que ele é capaz hoje! – Draco estava ligeiramente alterado.

- Ron me disse que ele está arrependido, não vai fazer nada, provavelmente não vai conseguir me olhar. Merlim queira que seja assim!

- Ainda sim, se ele perde o controle, e aí?

- Draco, não vai acontecer nada. – Hermione pegou as mãos do garoto. – O Harry não é assim, ele só não está muito bem.

- Eu tenho medo de que ele tente alguma coisa e você vai estar sozinha, não vou ficar tranqüilo. – Hermione suspirou e respondeu:

- Fazemos assim, então, amanhã após a monitoria, nos encontramos na minha sala, ok!?

- Tenho uma idéia melhor, vamos para a torre de astronomia, o que acha? – Draco sorria. Inferno, ele não consegue ficar sem sorrir.

- Draco, isso é proibido! – repreendeu Hermione. – E nós como monitores temos que dar o exemplo, até porque, se alguém nos pega...

- Que exemplo que nada e ninguém vai nos pegar. E se pegar também, você é a monitora-chefe.

- Isso não é certo.

- Não me importo. – respondeu dando de ombros. – Então te espero às 23:00 em ponto, na torre de astronomia, porque senão eu vou atrás de você.

- Em primeiro lugar, não gosto de ser ameaçada, coagida ou coisa do tipo, - Hermione falou séria - e, em segundo, chego na sala até 23:10, a monitoria acaba às 23:00, por isso não conseguirei chegar lá tão rápido, afinal não posso aparatar aqui dentro. – ela concluiu sorrindo.

Draco sorriu vitorioso.

- Nem um segundo a mais! – Hermione fez que não com a cabeça. – Então, está bem, vou te liberar por hoje, mas quero saber se posso te dar boa noite de outra maneira.

- E qual seria essa maneira?

- Hum... não vou explicar, fazer é melhor.

Terminando a frase, ele a puxou para si e a beijou, delicadamente. Hermione sentiu o sangue ferver, ela estava só de camisola com um robe fino, não demorou a ela esquecer desse detalhe. O beijo aprofundou, e dessa vez, lutando contra ele, Draco parou.

- É melhor eu parar por aqui ou então, não paro mais. – ele sorriu.

- É, você tem razão. – Hermione se recompunha. – Boa noite Draco.

- Hei, só para constatar, estamos namorando de verdade!

- Mas... – Antes que pudesse protestar, Draco virou às costas e foi embora, deixando Hermione mais confusa do que já estava.


E no próximo capítulo...

Encontros sem hora marcada...
- Ah... Draco... você! – respondeu distraída.
- Claro que sou eu, quem mais poderia ser? Sabe senhorita Granger, não há outro homem tão bonito por aqui.

o acerto de contas...
- Você tem alguma idéia do que você fez?
Harry respondeu afirmativamente com a cabeça.
– Ótimo! Você sabe que eu NUNCA esperei que VOCÊ fizesse isso comigo? – novamente Harry respondeu afirmativamente com a cabeça.

todos os sentimentos têm que ser relevados...
...E apareceu Malfoy. Mione tudo voltou. A raiva, a angústia... eu ia perder mais uma pessoa...

O perdão pode tardar, mas o perdão faz parte das grandes amizades.
- Harry, se eu disser que nunca vou te perdoar eu estarei mentindo.

Seria difícil fugir...
Essa sala trazia a sensação de estar no céu, com noite estrelada. – Mas por que você pediu para que eu viesse aqui?
- Porque eu tenho uma surpresa. – Draco sorriu. – Venha comigo.

... principalmente porque ela não queria queria mais fugir!
- Você acha que isso é possível?
- Isso o que? – perguntou a castanha, curiosa.
- ...que duas pessoas tão diferentes, tão opostas, possam dar certo?

Não percam o próximo capítulo Nem Tudo Tem Perdão.