Disclaimer: Por muito que adore a história e as personagens do anime Shingeki no Kyojin, estas obviamente não me pertencem e todo o crédito vai para a criatividade e talento do Isayama Hajime.
Obrigada pelas reviews (Meychan, L. Kagamine-sama, AnnalX,Juh e Caroline) *.* Também agradeço a outros leitores que acompanham e nem sempre têm a oportunidade de deixar comentários, mas agradeço muito sempre que o fazem. É sempre um feedback que me ajuda a perceber como estão a correr as coisas.
E sem perder mais tempo, vamos então a mais um capítulo!
-X-
Competição no Colégio Rose II
Faltava cerca de meia hora para iniciar o jogo de andebol entre as equipas de Maria e Rose. Bastava apenas mais uma vitória para provavelmente, confirmar o triunfo de uma delas e consciente disso, Mikasa discutia mais uma vez com colegas e professores. Nem todos concordavam com a sua participação no jogo, principalmente depois de ver os sintomas de uma constipação que agravavam com o passar do tempo. À tosse e espirros juntaram-se alguns arrepios e a adolescente de cabelos negros recusava-se a deixar que lhe tocassem na testa ou no pescoço. Ela sabia que devia estar com febre e que isso deitaria por terra os seus argumentos de que era capaz de aguentar as duas partes do jogo com trinta minutos cada uma e separadas por um intervalo de dez minutos.
Os jogadores da equipa principal e suplentes já se encontravam equipados e aqueciam com a supervisão de Levi que aproveitava para dar algumas indicações extras acerca da equipa adversária. Ele sabia que essa equipa chegava inclusive a competir a nível nacional e por isso, deveria ser encarada com cautela. À medida que dava mais algumas informações sobre os jogadores, observava Mikasa com alguma reserva. Não lhe agradava nem um pouco a ideia de que ela fosse jogar naquele estado adoentado, mas teria que admitir que na frente de ataque apenas com Eren e a jovem de cabelos negros separados por duas tranças chamada Carolina, não seria suficiente. Mikasa completava o trio atacante robusto e não havia outro suplente à sua altura.
- Mikasa tens mesmo a certeza que deves jogar? – Perguntava Sasha preocupada e sentada ao lado dela no banco.
- Devias pensar melhor. Não podes prejudicar a tua saúde por causa de um jogo. – Argumentou Armin.
- Não quero obrigar-te a ficar aqui sentada, mas sabes que se meter isso na cabeça é isso que vai acontecer. – Disse Eren de braços cruzados à frente da irmã que abaixou o rosto.
- Só quero ajudar. - Murmurou. – Prometo que se incomodar, só jogo a primeira parte. Por favor, Eren…
"Sei quanto isto é importante para ti. Vi como te tens empenhado, aliás como todos nos esforçávamos nestes últimos tempos e não quero desperdiçar todo o trabalho que tivemos", pensava a jovem que remexia as suas mãos nervosamente.
O rapaz de olhos verdes abaixou-se à frente da irmã.
- Promete-me que se não estiveres bem, avisas-me.
Ela assentiu e permaneceu em silêncio enquanto outros colegas e amigos diziam que tentariam compensá-la tanto quanto possível. Ymir aconselhou-a a passar a bola sempre que possível em vez de optar por avançar mais no terreno ou arriscar um confronto direto com os adversários. Christa também se prontificou a dar o seu melhor para ajudar e Sasha disse que não haveria problema porque Eren iria marcar os pontos juntamente com a Carolina e o Connie trataria de defender todos os remates.
- Achas que ela deve jogar, Levi? – Perguntou Irvin com um ar preocupado.
- Se vir que está pior do que diz, forço uma substituição. – Respondeu o professor. – Mesmo assim, se aguentar só deixarei que jogue na primeira parte. Não arrisco muito mais do que isso.
- A Mikasa é muito boa atleta, podemos ter problemas com a saída dela. – Comentou Hanji. – Por outro lado, não podemos arriscar a saúde dos nossos alunos para ganhar isto.
- Não penso ganhar isto a qualquer custo. Sei bem quando devo avançar ou recuar. – Respondeu Levi calmamente. – Jaeger!
O rosto do rapaz virou-se de imediato para encontrar o professor que lhe fazia sinal para se aproximar. Ele assim o fez e perguntava-se do porquê de Levi querer conversar naquele momento e não imediatamente a seguir às vitórias dele.
- O Jonathan, o atacante principal da outra equipa não é destro por isso, tem em mente com quem mão está a driblar e qual o lado por onde vai tender a passar.
- Sim, mas… não devia dizer isto à defesa?
- Já avisei o Connie acerca dos remates. O Jonathan tem tendência a ser um pouco confrontador com os atacantes da equipa adversária. Joga muito ofensivo e às vezes, físico demais por isso, quero que mantenhas a cabeça fria. – Explicou. – O número de faltas, livres ou até mesmo expulsões é elevado sempre que se joga com eles.
- Vou tentar lembrar-me disso. É só? – Perguntou com alguma ansiedade e o homem de cabelos negros apenas fez um gesto afirmativo e logo regressou para perto de Irvin e Hanji.
"Será que não mereço nem um elogio pela minha performance nas provas de atletismo? Porque será que isto me deprime muito mais do que deveria?", perguntava-se enquanto regressava para perto dos amigos e retomava alguns alongamentos.
- Sabes que ainda não te vi dar os parabéns ao Eren pela prova de atletismo. – Comentou Hanji, assim que o amigo se aproximou.
- Ele sabe perfeitamente que esteve bem. Não preciso de inflar-lhe o ego. – Respondeu, cruzando os braços.
"Depois da noite passada, se quero manter o resto da sanidade que me resta, preciso falar apenas o necessário. Se possível evitar provocar aquele sorriso que me causa um frio na barriga. Preciso afastar-me… preciso afastá-lo de mim…", pensava ao mesmo tempo que outro recanto da sua mente, trazia-lhe pensamentos contrários. Aqueles que diziam que devia fazer exatamente o oposto e claramente, não queriam saber das consequências que isso teria.
O início do jogo após uma breve apresentação dos elementos de cada equipa afastou por completo qualquer pensamento que não tivesse relacionado com a partida que se jogava naquele momento. O eixo defensivo de Sasha, Ymir e Christa estavam a cobrir e a parar com sucesso os ataques da outra equipa, mas o primeiro passe que Mikasa fez e Carolina teve dificuldade em apanhar. mostrava que aqueles pequenos erros poderiam acabar por custar caro.
No entanto, a equipa visitante acabou por ser a primeira a iniciar o marcador. Um remate preciso e forte de Eren serviu de incentivo à equipa. Depois do primeiro ponto, seguiram-se mais dois antes da equipa do Colégio Rose começar a ripostar. O ritmo do jogo estava eletrizante e nenhuma das equipas se colocava em vantagem durante muito tempo. Sempre que uma marcava, logo de seguida havia um golo sofrido do lado oposto.
"É um ritmo muito puxado e mesmo assim…", pensava Levi, vendo que o remate de Mikasa adentrou com sucesso da baliza adversária, merecendo aplausos e sorrisos dos colegas de equipa e sobretudo do irmão, "Tenho que admitir que é bastante perseverante e competente, mas por este andar, vou precisar mesmo de trocá-la na segunda parte. A tosse está a piorar e consigo ver como a velocidade dela quer em termos de corrida, quer em reação está a diminuir".
O capitão da equipa de Rose, Jonathan após cerca de vinte minutos de jogo limpo e não tão físico, chegou à conclusão que precisava de começar a ser mais agressivo. Isso resultou num olhar irritado de Eren devido ao empurrão com o ombro que a irmã recebeu quando tentou recuperar a bola. Ymir puxou Christa para sair do caminho daquela ofensiva mais dura e Sasha foi a única que tentou impedir a progressão.
Porém, sozinha não era capaz de parar uma ofensiva que acabou com o passe para outro jogador que estava no outro lado do campo. Connie ainda se lançou e chegou a tocar na bola, mas não foi o suficiente para impedir a subida de pontuação.
- Temos que impedir estas jogadas. – Disse Christa lançando um olhar descontente a Ymir que encolheu os ombros e respondeu:
- Não à custa de ver brutamontes a investirem como mamutes na tua direção.
A amiga suspirou e Sasha sorriu confiante, dizendo para que ninguém desanimasse, pois tratariam de impedir as próximas jogadas. Se bem que os dez minutos que se seguiram mostraram que a escola Maria começava a ficar em desvantagem. Sofria primeiro antes de marcar e isso fazia com que só fosse conseguindo empatar, em vez de estar em vantagem como inicialmente. Em resultado disso, a primeira parte acabou com um empate e assim que o apito soou, Mikasa deixou-se cair de joelhos no chão e tossiu várias vezes.
- Mikasa! – Disseram vários amigos e colegas alarmados.
Eren foi o primeiro a chegar à irmã que tossiu descontroladamente durante cerca de dois a três minutos antes de conseguir acalmar-se. Bebeu água e sentou-se no banco ao lado dos suplentes. O irmão tocou na testa dela e confirmou que estava a arder em febre.
- Prometeste Mikasa…
- Eu sei… joguei até ao meu limite. – Disse com a voz rouca. – Não vou jogar a segunda parte e espero que… tu e outros me desculpem por não poder ter feito mais.
- Não digas isso. – Pediu Eren.
- Fizeste o teu melhor. – Acrescentou Armin ao aproximar-se. – Agora deves descansar. A professora Hanji disse que foi buscar medicação à enfermaria. Queriam levar-te até lá, mas… - Viu a amiga abanar negativamente a cabeça. – Eu sei, queres ver o jogo até ao final.
- Peço desculpa a todos. Sei que também podia estar a fazer melhor. – Disse Connie desanimado.
- Estás a dar o teu melhor. Todos estamos a dar o nosso melhor. – Falou Sasha reconfortando o namorado.
- Exatamente. – Concordou Levi. – Estão a dar o vosso melhor e eu consigo ver isso. Vou dar-vos algumas dicas de como podem lidar com este jogo agressivo, mas são indicações e não certezas de que tudo vai funcionar. Vai depender de vocês e também de como eles vão reagir.
Apesar das indicações e possíveis estratégias que o professor Levi explicou aos seus alunos, não foi suficiente para suportarem a saída da Mikasa e uma lesão de Christa. Os suplentes tentaram compensar da melhor forma possível, mas a diferença de dois pontos que se instalou a quinze minutos do final manteve-se até ao fim. Quando Maria marcava um ponto, Rose marcava dois em seguida e no fim, apareceu no placar uma vitória que estava longe ser justa. Afinal, o jogo na segunda parte esteve maioritariamente baseado em faltas e tentativa de tirar de campo jogadores chave da equipa adversária. Apenas Christa saiu, embora tenha havido algumas tentativas para lesionar Sasha que como era imprevisível era uma tarefa no mínimo complicada e até Carolina caiu algumas vezes. Eren também recebeu vários encontrões, tentativas de rasteira e provocações que só não levaram a melhor porque ele queria mesmo esfregar a vitória na cara deles.
No fim, os alunos da escola Maria nem quiseram ver o resto das atividades que havia naquele dia e à exceção de saírem para jantar, permaneceram nas novas instalações que lhes tinham arranjado depois do incidente daquela manhã. A divisão era menor. Podia até haver mais camas, mas continuavam a não ser suficientes para todos e numa delas dormia Mikasa que estava sob o efeito de uma medicação forte. Eren permaneceu sentado ao lado da cama todo o tempo e com ele estava Armin que momentos antes tinham recordado com medo, uma das crises de asma da amiga e irmã.
- Pelo que percebi, ela já não tinha dessas crises há bastante tempo. Se soubesse que tinha tido asma em algum momento da vida dela, não teria deixado que jogasse. – Comentou Levi ao lado de Irvin que observava como Hanji tentava animar um pouco os alunos.
- Não te culpes, Levi. – Disse o diretor. – Nós também não sabíamos disso. Aqueles três sempre tiveram problemas em confiar em nós ou em outros funcionários. Sei que o correto seria ter esse tipo de informação. Porém quando foram questionados em separado ou em conjunto, nenhum deles disse uma só palavra sobre terem ou não problemas de saúde. Melhor dizendo, apenas o Armin disse que não tinha qualquer problema. O Eren e a Mikasa permaneceram em silêncio e como nunca estiveram doentes na escola deduzimos de forma errada que estava tudo bem.
- Será assim tão difícil para estes pirralhos aceitaram que há pessoas que se preocupam com eles? – Perguntou Levi, observando como Eren mantinha um ar abatido no rosto e Armin tinha a mesma expressão, sentado ao seu lado no chão.
- Devia ter partido os dentes ao idiota que te fez isto, Christa. – Disse Ymir inconformada por não ter cumprido a ameaça que fez ao responsável pela torção do pulso da amiga.
- Não valia a pena. – Respondeu a jovem de cabelos loiros que segurava um pequeno saquinho de gelo sobre o pulso enfaixado. – Vou ficar bem. – Sorriu. – Obrigada Ymir.
Quanto a Sasha estava com Connie encostado ao seu ombro. Este ainda se culpava pelos golos que deixou passar.
- Fizemos todos o nosso melhor. Amanhã é outro dia. – Dizia Sasha.
- Mas podíamos ter ganho tudo hoje. – Disse Connie num tom desanimado.
- Não é como se todas as hipóteses tivessem caído por terra. Amanhã temos uma nova oportunidade. – Afirmou Sasha e Carolina assentiu timidamente e deixou escapar um suspiro triste.
- E alguém se lembrou que a corrida de obstáculos é para ser feita com duas pessoas? E que essas duas pessoas seriam o Eren e a Mikasa? – Perguntou um dos colegas.
O silêncio regressou à divisão. Todos sabiam que não havia forma de que Mikasa melhorasse até ao dia seguinte e à exceção dela, quem poderia acompanhar Eren sem atrapalhá-lo? As regras eram claras. Os dois participantes de cada equipa teriam que cruzar a linha de chegada ao mesmo tempo. Isso significava que ao lado do rapaz moreno teria que estar alguém que pudesse acompanhá-lo sem problemas durante todo o percurso.
Sasha era muito boa a nível individual, mas para trabalhar em grupo era sempre um problema com as suas ideias e atitudes extravagantes e inesperadas.
Ymir também se destacava pelas suas habilidades a nível individual, mas a menos que Christa tivesse envolvida, o espírito de equipa não era nada convincente.
Christa estava lesionada e Carolina estava com cãibras e dores musculares. O trabalho de equipa de ambas era bom, mas não seria o suficiente para acompanhar Eren sem qualquer tipo de dificuldade.
Connie podia trabalhar bem equipa, mas também era um tanto imprevisível e nem sempre constante. O que seria um problema na prova.
- Levi, Hanji fiquem com os miúdos. – Disse Irvin.
Os dois professores assentiram mesmo que não percebessem o que poderia o diretor fazer quanto àquela situação.
- Se puder competir sozinho, não me importo. – Disse Eren pouco tempo depois de Irvin ter saído da sala.
- Não penso que vão abrir uma exceção só para ti. – Falou um dos colegas.
- Ou quem sabe até o façam porque estão cheios de si mesmos. – Comentou Armin que também não parecia animado com aquela ideia.
- Seja realista professor Levi, que hipóteses temos de ganhar amanhã? – Perguntou Ymir num tom seco. – Há algum milagre?
Antes que Levi pudesse responder de uma forma mais ríspida porque não tinha gostado do tom da pergunta, Hanji decidiu interromper e disse:
- Não desanimem tão perto do final. Tenho a certeza que o Irvin pensou em alguma coisa. Para vos animar, vou contar uma história sobre quando eu e o Levi andávamos na escola juntos.
- Hanji estás com vontade de morrer? – Perguntou o amigo ao seu lado e ignorando por completo o tom ameaçador e a própria ameaça de morte, concentrou-se apenas no olhar algo curioso dos alunos.
Flashback
- Prefiro dar o cu, Hanji. – Essa foi a resposta que Levi deu enquanto abria o cacifo, onde deixava alguns livros.
- Oh, vá lá, não vais com ninguém que eu sei. Quero ir tanto com o rapaz mais sexy e requisitado da escola!
O adolescente de cabelos negros abriu o cacifo e caíram algumas cartas.
- Tch, outra vez… - Murmurou irritado.
- Por favor, Levi! – Implorava Hanji, saltitando à sua volta. – Vais mesmo deixar-me sozinha? Nem precisas de dançar, vamos só aproveitar um pouco da festa.
- Já disse que não. – Respondeu, retirando um dos livros e guardando-o na sua mala com as cartas que embora não fosse responder, não deitava fora ali, onde todos podiam ver. Já tinha feito um número suficiente de miúdas chorarem por causa disso.
- Se é assim, só tens que vir lá a casa no sábado. Os meus pais estão à tua espera para jantar… estás a ver, para oficializarmos as coisas. – Disse num tom inocente enquanto brincava com uma mexa de cabelo.
Levi bateu a porta do cacifo com força e lançou um olhar mortal na direção da rapariga ao seu lado.
- O que foi que disseste? Esse mal-entendido já não devia estar resolvido? – Perguntou num tom perigosamente baixo.
- Vens comigo à festa e eu prometo que resolvo esse pequeno problema.
- Não. – Retrucou, começando a andar em direção à saída da escola. – Não me vais chantagear com uma coisa que não é culpa minha. Não vou à festa contigo e muito menos ao jantar em tua casa.
- Oh, tu é que sabes… - Falou novamente num tom banhado de uma inocência falsa. – És consciente de que somos quase vizinhos e os meus pais vão encontrar-te pela rua e perguntar-te porque recusaste um convite tão amável da parte deles. Oh e os meus pais que gostam tanto de ti…
Levi parou de andar e refletiu durante alguns instantes. Era verdade que apesar da filha desequilibrada que tinham, ele sentia alguma simpatia pelos pais dela. Sempre foram educados e simpáticos com ele e não queria ver a expressão no rosto dos dois quando tentasse explicar o que tinha acontecido dias antes. O que presenciaram ao chegar a casa deu-lhes a ideia errada de que a filha tinha um namorado.
Tudo aconteceu quando por causa de um trabalho da escola que tinham que fazer os dois. Hanji ofereceu a casa dela como local para trabalharem no projeto. Tudo correu bem até aos instantes finais em que a rapariga levantou-se com a desculpa de ir beber água. Levi continuou a acabar de escrever as últimas linhas do trabalho quando repentinamente, sentiu água gelada com algumas pedras de gelo percorrerem-lhe as costas.
Por alguma razão insana, Hanji achou que seria engraçado despejar água com pedras de gelo pelas costas do amigo que se levantou rapidamente. Seguiu-se uma rasteira que acabou por desequilibrar os dois.
- Vais morrer, Hanji! Não passa de hoje! – Disse ficando por cima dela e tentando fazer chegar as suas mãos ao pescoço da amiga que ria descontroladamente enquanto impedia-o de cumprir o seu objetivo.
E foi nessa posição algo comprometedora que os pais de Hanji encontraram a filha que prometeu ao amigo que iria explicar a situação, mas a julgar pelo convite para jantar em casa dela, era seguro dizer que não tinha explicado coisa nenhuma. Talvez até tivesse piorado as coisas.
- Vou contigo a essa merda de festa, Hanji… - Disse, fazendo os olhos da amiga brilharem de excitação. – Em troca, cancelas o jantar ou tens os dias contados.
- Tudo o que tu quiseres! És tão lindo! – Abraçou-o e Levi deu-lhe uma cotovelada, deixando para trás a amiga um pouco curvada, mas ainda sorridente.
Fim do Flashback
- E ele foi? – Perguntou Ymir com vontade de rir.
- Mas é claro. – Confirmou Hanji. – Aqui o vosso professor pode ter os defeitos dele, mas não falta à palavra. Na sexta à noite foi buscar-me a casa e tudo.
- Chegaram a ser namorados? – Perguntou outro colega.
- Deus me livre. – Murmurou Levi, revirando os olhos.
- Infelizmente não. – Respondeu Hanji. – Acreditem que eu tentei isso ou só encostá-lo a algum canto também serviria, mas ele nunca deixou.
- E o professor Levi dançou nessa noite? – Perguntou Carolina curiosa com aquela história.
- Ele sabe dançar? – Perguntou outra colega.
- Bom, não me dão mais remédio do que contar o resto da história. – Disse Hanji sorridente enquanto Levi revirava os olhos e perguntava-se que mal tinha feito a Deus para merecer algo assim.
Flashback
- Estás mesmo jeitoso, Levi. – Elogiou a amiga pela terceira vez a caminho da festa da escola e de braço dado com Levi que ainda se perguntava como tinha concordado com tudo aquilo. – Não mereço um elogio?
- Estás elegante. – Respondeu no tom indiferente e habitual.
- Obrigada! – Agradeceu, ajeitando o vestido azul-escuro e longo que levava, acompanhado de um penteado que deixava duas mexas de cabelo adornarem o rosto. O pescoço exposto estava enfeitado com um pequeno colar de prata com um pendente com a inicial do seu nome. O vestido não tinha alças e como era uma noite fresca, Hanji levava um pequeno xaile branco sobre os ombros nus.
Quanto a Levi trazia um fato formal com uma gravata que tinha a mesma tonalidade do vestido da amiga. Esse detalhe foi combinado pelos pais de ambos e nas costas dele que cada vez estava mais certo que todos estavam a tirar conclusões erradas acerca do relacionamento deles.
Depois de chegarem à festa, começaram por tirar uma fotografia juntos. Não por vontade de um certo rapaz de cabelos negros, mas este acabou mais uma vez por ceder à insistência de Hanji que depois arrastou-o até uma das mesas. Assim que Levi se sentou, prometeu que só se levantaria para ir embora.
- Por favor, Levi. Vamos dançar. – Pediu pela vigésima vez.
- Já disse que não, Hanji. Fizeste-me vir aqui contra a minha vontade, já tirei a maldita fotografia… estou a ser muito compreensivo, mas não testes os meus limites. – Falou, lançando mais um olhar mortífero para mais uma colega que pensou em aproximar-se para convidá-lo para dançar, só que desistiu ao ver a aura das trevas à sua volta.
O tempo passou e a voz de Hanji silenciou-se atrás do segundo copo de uma bebida alcoólica, trazida sorrateiramente por alguns membros da Associação de Estudantes, os organizadores do evento. Levi ainda bebia o primeiro copo e observava entediado todos os sorrisos, risos e conversas desinteressantes, na sua opinião. O silêncio da amiga tornou-se cada vez mais evidente e de soslaio, viu que os olhos dela focavam-se em alguém. Procurando perceber de quem se tratava, reconheceu Pedro, a última paixoneta da Hanji. Ela que não costumava sofrer por amores perdidos, tinha recebido mais do que um golpe da última vez.
Na altura, ainda estava no Clube de Teatro, onde a peça mais aguardada teria como atores principais a Hanji e o tal, Pedro. No entanto, assim que terminou o namoro com ela, fez de tudo para que Hanji também perdesse o papel na peça e deixasse o clube. Trocou-a por outra sem mais nem menos e Levi sabia que outros namorados viriam, mas ela não queria ter deixado o Clube de Teatro. Fê-lo somente por não se sentir aceite entre os colegas.
- Não me digas que ainda estás a pensar naquele idiota. – Comentou Levi e a amiga quase se assustou com a iniciativa de conversa que costumava sempre partir da sua parte.
- Acho que sou como as idiotas que vês por aí. – Começou por dizer com um sorriso triste. – Não é que vá morrer por desgosto de amor porque não era esse o caso. Era mais atração que outra coisa, mas na peça ia ser como o estereótipo de tantas comédias românticas. Ia ser menina simples e normal que conhecia um príncipe e tinha a oportunidade de dançar com ele. – Suspirou. – Acho que ando a ver filmes românticos a mais, mas gostava de viver o estereótipo que aparece nos filmes e dançar uma música lenta ao lado de alguém… - Fez mais uma pausa, olhando para outros casais. – No fim, há apenas a realidade e essa é que sou muito estranha para qualquer rapaz decente querer realizar uma fantasia tão estúpida como essa.
Levi levantou-se.
- Vamos.
- Huh? Vamos embora? – Perguntou Hanji e ia pegar no xaile para cobrir os ombros, quando viu uma mão estendida à sua frente.
- Acho que ainda podemos aproveitar esta música que começou há pouco. Vem dançar comigo.
Um sorriso evidente espelhou-se no rosto de Hanji que aceitou de imediato e caminharam até à pista de dança. Levi guiou os passos da amiga, dizendo que se seguisse as indicações dele, os pés de ambos estariam a salvo.
- Obrigado Levi… - Murmurou.
- Apenas não queria acabar a noite contigo em modo deprimente.
Ela sorriu outra vez.
- Obrigado Levi. - Agradeceu novamente.
- Tch, não tens que agradecer. Aprecia a porra da música e da dança antes que me arrependa. – Respondeu, fazendo a amiga rir-se um pouco.
No fim da música lenta, os dois acabaram por ir embora da festa, pois Levi disse que tinha chegado ao fim da paciência naquele lugar que começava a estar infestado de adolescentes bêbados. Como a amiga já tinha tido o que mais queria naquela noite, concordou com ele que começou a acompanhá-la até casa.
- Ficámos bem na fotografia. – Comentava Hanji, vendo a fotografia que recolheram à saída da festa. Outras seriam expostas na escola para todos verem.
- Devíamos queimar toda e qualquer evidência desta noite. Mal acredito que me convenceste a sair de casa para isto. – Retrucou e Hanji riu e espirrou de seguida. – Tch e tu… - Desabotoou o casaco que levava e atirou-o para cima da amiga. – Não sabias ter trazido algo mais quente?
- Não me vai servir. – Brincou.
- É para pores sobre os ombros e não para vestires, idiota. – Replicou de imediato. – Tch, estás a abusar da minha boa vontade, Hanji. Podia muito bem ignorar que estás a morrer de frio e irias a bater os dentes o resto do caminho.
- Está bem, não te irrites. – Disse divertida. – Obrigado, Levi.
Fim do Flashback
- O vosso professor pode ter esta aparência autoritária, mas é um cavalheiro quando quer. – Afirmou Hanji e teria sido bombardeada com mais questões se a porta da sala onde se encontravam não tivesse sido aberta.
Irvin entrou com passos decididos e fechou a porta atrás dele, dizendo:
- Temos a solução ideal para amanhã. – Olhou para Eren que devolvia o olhar ao diretor com um ar confuso. – Eren espero que estejas à altura.
- Do quê exatamente? – Quis saber o jovem de olhos verdes.
- Tendo em conta os acidentes ou brincadeiras de mau gosto, consegui que abrissem uma exceção relativamente à participação da corrida de obstáculos de amanhã. – Começou por explicar. – Sendo assim, convenci-os a deixar que o Levi participasse.
- Isso significa que a dupla para amanhã vai ser o Eren e o professor Levi? – Perguntou Armin perplexo e não era o único. Todos na sala pareciam abismados com aquela ideia e solução de última hora.
-X-
E fica no ar que no próximo capítulo teremos mais interação entre o Eren e o Levi :)
O próximo capítulo será o último desta parte da competição do Colégio e vai sem dúvida, aproximar mais o casal principal desta fanfic. Até ao próximo capítulo!
