Título: Caminho do Coração

Beta: Bibis Black


Capítulo 13 – Novos Rumos

Draco tentou mais uma vez se livrar do grilhão, mas este estava muito justo ao pulso e começava a machuca-lo. Xingou por baixo enquanto dava um puxão na grossa corrente, frustrado por não poder fazer nada.

Estava preocupado com Harry e as crianças.

E quando Mett acordasse para não acha-lo ali consigo, como sempre costumava ser, desde que ele nascera?

Vagou os olhos pelo cárcere tentando, novamente, encontrar alguma saída. Fazia umas seis horas, pelo que podia deduzir do tempo que permaneceu ali. Foi preso quando ainda era noite e agora se via uma fraca claridade provinda de uma janela de ventilação rente ao teto, constatando ser do sol.

Não reconhecia aquele lugar, e mesmo nunca tendo visitado os porões do Ministério, duvidava que estivesse ali. Também não era Azkaban, já que conhecia suas singelas estalagens quando visitava seu pai, anos atrás.

Olhou novamente ao grilhão, sentindo-se impotente.

- Não adianta, só magia conseguirá abrir este lindo e confortante ornamento.

Draco ergueu a vista para se deparar com uma mulher elegante, de louros cabelos compridos que caía sobre os ombros em cachos perfeitos. Ela lhe sorria com cinismo, apoiando uma mão na grade.

- Bellatrix... – estreitou os olhos. Agora tinha certeza de que não estava no Ministério e que ao menos foi preso por ordem deles.

- Ora, ora... Não me olhe assim, querido sobrinho... Você tem sorte de ainda estar vivo.

- O que você quer? Pra quem está servindo agora?

Uma outra pessoa se assomou atrás de Bellatrix.

- Quem faz as perguntas aqui, somos nós.

Draco arregalou os olhos, sem acreditar no que via. Engoliu em seco e reteve as malditas lágrimas que inundaram seus olhos ao reconhecer aquele homem.


Quando a manhã surgiu, Harry ainda estava acordado, sem condições de voltar a pegar no sono depois do sonho que tivera.

Ficou velando o sono das crianças até que o primeiro movimento de Léo lhe chamou a atenção.

O garotinho girou o corpinho que se encostou ao seu. Acariciou o cabelo do filho, sentindo-se um pouco melhor por ser inconscientemente reconfortado por ele.

Decidira-se ir ao Ministério e exigir que liberassem a Draco. Era um absurdo prende-lo sem provas, mas tivera que esquecer disso por hora, ao ouvir a voz de Mett.

- Papai? – o loirinho se estirou pela cama, tentando sentir o corpo do pai. Levou as mãozinhas para o travesseiro e apalpou para todos os lados, começando a se desesperar. – Papai?

- Mett... – Harry sussurrou e estendeu a mão para tocar às costas do menino. – Seu pai... – inspirou um pouco para acalmar as sensações e não demonstrar que estava preocupado e triste – Ele me pediu que te esperasse acordar.

Merriett girou em direção a sua voz, segurou sua mão e sorriu com inocência, sem saber o que acontecia.

- O papai vai demorar?

- Ele teve que viajar às pressas... – explicou sem realmente saber o que dizer. Não era bom enganar uma criança, ela perdia confiança e corria o risco de se tornar um adulto falso e enganador, mas... Como dizer coisas horríveis e estragar sua inocente mente? Resolveu por dizer a verdade de forma vaga e suave. – Para resolver problemas que não podem ser adiados...

- Por que não me levou? – Mett parou de sorrir, franzindo o cenho.

- Porque é assunto de adultos e ele vai demorar pra voltar, não sei quanto tempo – acariciou os dedinhos que lhe seguravam a mão, como forma de conforto.

Então o garoto começou a soluçar. – Eu quero o papai...

Quando Harry se incorporou e o carregou, Merriett era apenas um corpinho mole em prantos que se tombava sem forças em seus braços. Ficou com dó do menino, sabendo que uma criança sofria mil vezes mais a ausência de quem amava, ainda mais se era do único ente querido que vivia consigo e lhe dava amor.

Embalou por um tempo ao menino, sentindo-se incapaz. Mal notou um par de olhos atentos em si e em Mett.

Leonard tinha despertado pelo choro do loirinho, mas não demonstrou que estava ali acordado. Ficou observando o amiguinho, com vontade de chorar também. Então viu a porta encostada.

Deslizou da cama enquanto Harry sussurrava palavras de conforto ao garotinho em seus braços, alheio ao próprio filho que sem esforço algum rompeu o feitiço de proteção da cama e já saia pela porta.

O menino caminhou até a cozinha onde estava Remus e Sírius, calados como num funeral, igualmente sem saberem o que fazer.

- Olá Léo – Remus lhe sorriu ao nota-lo entrar pela porta.

- Olá... – olhou aos dois enquanto Sírius lhe afagava o cabelo.

- Onde está Harry? – o animago inquiriu, lançando uma olhada para a porta.

- Papai está com Mett. – o pequeno esclareceu. – Eu quero dois pão e dois leite.

Remus preparou dois sanduíches de patê com alface e duas caneca de plástico cheias de leite frio com chocolate derretido, dando ao garoto que ao invés de se sentar aonde Sírius ia lhe colocar, apenas pegou uma das refeições, derramando leite pelas bordas da caneca e se foi por onde viera, sendo acompanhado a distancia pelos dois adultos.

Sem muito cuidado e deixando um rastro de leite com chocolate pelo caminho, o menino entrou no quarto e parando frente a Harry, estendeu o singelo café da manhã.

- Esse é do Mett – disse com um sorriso. – Eu vou buscar o teu papai – assim, saiu correndo, se desviando dos outros dois que estavam na porta, olhando a cena.

Minutos depois Léo reapareceu e entregou para Harry seu café da manhã.

O moreno olhou ao sanduíche faltando parte da salada de alface e a caneca contendo a metade do líquido que Remus havia colocado.

Não agüentou e sorriu com os olhos cheios de lágrimas, atraindo o corpinho do filho de encontro a si e lhe dando vários beijos pelo rosto.

- Obrigado por estar cuidando do papai e do Mett... – murmurou antes de voltar a enche-lo de beijos.

Sírius fechou os olhos com pesar, apoiando o corpo contra a parede do corredor e evitando olhar aos três enquanto Remus se encostou ao seu corpo, enterrando o rosto contra seu peito.

Envolveu seu esposo num abraço apertado, ouvindo de fundo os soluços de Merriett.

- Deve ter sido difícil pro Harry dizer ao pequeno Mett... – Lupin murmurou contra seu pescoço.

- Quero saber quem é o desgraçado que concedeu a ordem de prisão do Draco. Espanca-lo não será suficiente para pagar o sofrimento que está causando na pobre criança... – Black sibilou enraivecido.

Toda a revolta que sentiam tiveram de deixar de lado quando o sino da porta soou, indicando que Hermione chegara.

- Bom dia – a castanha falou alto, procurando alguém.

Sírius deixou Remus recostado na parede onde estava, e foi de encontro a medimaga, para conversarem em particular.

Após entrar ao salão de recepções notou Ginny e Vincent. Este último se encaminhava para a cozinha lhe dando bom dia.

Depois de cumprimentar a ruiva e o cozinheiro, Black lançou um olhar preocupado para Granger.

- Crianças. Vão com tia Ginny para a sala de brinquedos – ordenou ao notar que alguma coisa estava muito errada.

Assim que ficaram a sós, Black meneou a cabeça começando a esclarecer o que acontecia em voz baixa, para ninguém saber.

- As coisas andam tensas... – o animago começou. – Remus está com Harry e os meninos.

- O que houve?

- O pessoal do Ministério levou o Draco... Sobre a morte da esposa... – Hermione fechou os olhos, sentida. – Eu irei com Harry até lá pra ver se conseguimos um advogado para abrir uma liminar. Poderia cuidar das crianças e auxiliar a Remus?

- Claro – ela pensou por um momento. – Porém tem algo estranho... Não sou ninguém para dizer isso, apenas uma médica, mas... Eles não podem prende-lo dessa forma, somente por causa de um inquérito reaberto.

- Concordo e é exatamente por isso que irei com Harry. Não pudemos fazer nada para impedi-los. Eles apresentaram um mandato assinado.

Hermione guardou as perguntas para depois, pois estava perto do horário de receberem as crianças que freqüentavam a creche. Só esperava que não fosse nada grave.


Harry tentou fazer Mett comer, mas o garoto não quis, então teve que deixa-lo em paz, passando a alimentar a Léo.

Depois de chorar bastante, o loirinho acabou por adormecer de exaustão.

Com cuidado beijou-lhe o rosto e o deitou sobre a cama, cuidando para não incomodá-lo. Acariciou o cabelo platinado e as sobrancelhas claras.

Estavam tão felizes... Ainda mantinha viva na memória o sorriso de satisfação que Draco lhe dedicara ao saber que Léo era seu. A expectativa de fazer o exame para ter a prova legal da paternidade e poder chamá-lo de filho era imensa...

Confessava que no fundo, passou a sentir que estavam quase sendo uma família, e o desejo de tornar realidade era grande...

Pousou os olhos sobre Leonard. Ele mal chegou a saber quem era seu verdadeiro pai.

Estendeu as mãos ao filho, dando mais atenção ao garoto que até então ficou apenas vendo seu papai cuidar do amiguinho, sem reclamar uma única vez.

- Vamos buscar o papai do Mett – pediu, assim que Harry o carregou.

- Papai fará o possível, meu anjo... - uma batida de leve na porta interrompeu a conversa – Entre.

Ginny apareceu no vão entreaberto. – Olá Harry. Hermione pediu para que eu viesse buscar os meninos para o banho e leva-los para a sala de livros.

- Mett está dormindo agora. – olhou ao filho, o colocando de volta ao chão. – Vá com a tia Ginny e seja bonzinho pelo papai.

- Eu quero ir junto – fez carinha de anjinho, para tentar conseguir.

- Não posso te levar comigo... E Mett vai ficar. Não quer ficar com o Mett? – Leonard olhou ao loirinho e depois de volta ao pai, concordando com a cabeça. – Ótimo. Prometo não demorar muito.

Assim que Ginny levou Léo, Harry enfeitiçou a cama para proteger Merriett e seguiu para o banheiro. Depois de um banho, voltou até a cama para confirmar o estado do garotinho que ainda dormia com os olhos e o nariz vermelho.

- Harry... – Sírius o chamou da porta. – Vamos.

Com um longo suspiro, o moreno sorriu vagamente ao padrinho, deixando o quarto. Na saída da creche encontraram Hermione.

- Não se preocupem, Remus é um ótimo administrador e sabe cuidar desse lugar mais do que você, Sírius. Não me leve a mal.

- Não sabe como me alivia – Black retorquiu entre dentes.

Hermione o ignorou, olhando agora para o melhor amigo. – E não se preocupe, eu mesma cuidarei de Merriett enquanto você não estiver. Ginny se encarregará de Leonard, mas do filho do Draco, cuido eu. Mett me conhece desde quando eu trabalhava no St. Mungus. Sou praticamente sua medimaga oficial.

- Obrigado Mione... – o moreno lhe dedicou um sorriso.

Ambos entraram numa carruagem e partiram para o Ministério.

O caminho até o prédio governamental estava sendo o mais longo que se lembrava.

Sírius via como o afilhado apertava uma mão na outra, lançando olhares preocupados pela janela, sem realmente estar apreciando a paisagem urbana. Então pousou a sua mão sobre as de Harry, fazendo com que lhe desse atenção.

- Acalme-se Harry, não vai adiantar nada ficar nervoso.

- Não confio no pessoal do Ministério. Lembro perfeitamente bem que Lucius os comprava para manter seu status em alta com os poderosos da sociedade... – passou os dedos pelo cabelo, desviando a mirada para a janela – Tenho um mau pressentimento sobre tudo isso...

Sírius também conhecia a laia que trabalhava ali dentro. Haviam muitos de boa índole e tão inocentes e direitos que eram facilmente enganados pelos corruptos, pra não dizer ameaçados quando descobriam algo.

Quando por fim chegaram ao Ministério, a primeira coisa que foram fazer foi procurar Ron.

O ruivo os atendeu com um largo sorriso, mas preocupou-se em seguida, pois nada parecia estar bem.

- O que aconteceu?

- Prenderam Malfoy – Black quem se manifestou, visto que Harry estava distraído consigo mesmo – E viemos aqui saber por qual motivo exatamente.

Ron franziu o cenho, confuso. – Não estou sabendo de nada. Mas aguardem um momento em minha sala, eu irei verificar isso.

Os dois obedeceram e esperaram uma meia hora até que o ruivo voltou, se sentando em seu lugar na mesa.

- Então?

- Não consta nada nos arquivos e nos inquéritos – negou com a cabeça.

Então Sírius colocou sobre a mesa o documento que o representante do Ministério havia entregado a Harry, na noite anterior.

Ron o analisou e com um feitiço de comprovação, notou que o documento não era legítimo. Confirmou a assinatura e ficou preocupado.

- O papel e o representante realmente são do Ministério, porém, ele foi transferido para a Hungria faz dois meses. O documento seria legítimo se fosse registrado devidamente aqui na sede, mas nunca chegou a ser feito e sua cópia original não existe, o que a torna falsa.

- O que quer dizer? – Sírius estava ficando tenso.

- Draco Malfoy não foi preso pelo Ministério, nem sequer o caso de Carmélia DeLara Malfoy foi reaberto. Não aqui na Inglaterra, mas pode ter sido na França, local onde ela veio a falecer.

- Oh não... – Harry levou uma mão à testa e com a outra segurou ao braço do padrinho, apertando um pouco – Sírius... Lembra da matéria do Profeta?

- Certamente.

- Foi depois da exposição do Draco, do Mett e do Léo que essas coisas vieram a acontecer... Acha que tem algo a ver com...

- Ainda é cedo para tomarmos conclusões precipitadas. Vou investigar esse assunto, não se preocupe. – Ron o cortou, sabendo o que se passava na mente do amigo.

Harry Potter estava se culpando novamente...

O moreno confiava na rapidez e competência de seu melhor amigo, entretanto, estava desesperado. E se nesse tempo Draco estivesse sofrendo nas mãos de alguém conhecido? Sabia que nunca conseguiram prender Bellatrix Lestrange.

- E Harry, acho que deveria saber – Ron encolheu os ombros, nada feliz pelo que ia dizer – Ontem o Seamus apareceu aqui no Ministério e foi ter umas palavrinhas com o Conselho Tutelar.

- Que? – o moreno ficou pálido e se levantou da cadeira.


Finnigan havia chegado cedo frente à creche Magia dos Pimpolhos. Quando tomou coragem para entrar, notou Harry e Sírius deixando o estabelecimento e entrando numa carruagem ali a espera. Ficou escondido do outro lado da rua, agradecendo a sorte que estava a seu lado.

Estava tenso e com receio de enfrentar a Harry ou ao seu padrinho mais cabeçudo e estourado, e vê-los partirem lhe renovou as esperanças.

Assim que a carruagem desapareceu de vista, atravessou a rua e empurrou a porta ouvindo o sino tocar anunciando que alguém entrava.

- Bem vindo – Ginny foi recebe-lo e ao notar quem era, sorriu abertamente – Seamus! Quanto tempo!

Ambos se abraçaram como nos velhos tempos de escola.

- Olá Ginny, você está ótima, muito linda – o irlandês lhe sorriu.

- Se você tivesse chegado um pouco antes ainda se encontraria com Harry, ele acabou de sair – ela lhe avisou.

- Tudo bem, eu converso com ele depois. Estou aqui pra ver o meu filho – enfatizou – Vim leva-lo.

Ginny piscou algumas vezes, confusa. – Como?

- Harry me proibiu de ver o garoto e isso não foi justo da parte dele – mentiu, mas era preciso para que ela cedesse. – Então tive que buscar uma autorização legal no Ministério para ter meu filho comigo. Nunca prejudicaria a Harry, pois eu ainda o amo muito, mas sinto falta de Léo.

- Que coisa horrível... – a ruiva ficou indignada. – Você sofrendo e o Harry se divertindo com o Draco...

Esse comentário indiretamente ciumento por parte da garota fez Seamus pensar rápido. – Você gosta mesmo do Malfoy né?

Ginny corou. – Desde o tempo de escola...

- Me ajude Ginny – segurou as mãos da ruiva e implorou – Por favor, me deixe levar o Léo. Eu deixarei meu endereço para que Harry nos encontre. Quero minha família de volta e isso acabará por tirar o Harry de seu caminho. Ficarei feliz, o Harry ficará feliz por refazer nossa família e você terá uma chance de ser feliz com o Malfoy.

- Por que vocês terminaram? – perguntou um pouco duvidosa de atender o pedido do amigo.

- Meus ataques de ciúme... Eu perdi a cabeça e acabei brigando com Harry naquela noite. Ele se enfadou e saiu de casa. Estou tentando mudar, ser mais confiante, deixar de ser muito ciumento e ser mais pai. Me dedicarei a minha família, isso se... Eu conseguir ela de volta...

Ginny ficou um tempo pensativa, refletindo no que seria melhor. Lembrou-se de Draco na sorveteria e cuidando dos garotos. Ele era perfeito... E ele apenas prestava atenção em Harry...

Havia ficado ressentida com o moreno e com ciúmes também. Nesse aspecto, entendia perfeitamente a Seamus.

- Ok! – ela consentiu, para felicidade do irlandês. – Acho que Leonard ficará feliz em ver o pai depois de tanto tempo.

Nisso, ela deixou a sala e foi buscar o garoto no quarto de brinquedos, onde estava se divertindo com as outras crianças de sua idade.


Remus não estava presente, pois ficara de cuidar das crianças que cabiam a Hermione (que ficara de cuidar exclusivamente de Mett, já que era a medimaga da creche) e Ginny, sendo que a ruiva havia se encarregado da turminha que cabia a Harry cuidar.

Assim como ele, Hermione estava longe de saber o que acontecia, porque nesse momento estava no quarto do moreno, cuidando de Merriet que havia acabado de despertar.

O loirinho estava com febre alta que chegava a transpirar. No caso da fragilidade do menino isso era muito preocupante.

- Vamos Mett... Beba a poção – ela sussurrou maternalmente ao pequeno, levando o copo na boquinha do garoto e vertendo poucas doses para que não engasgasse. – Se a febre não abaixar, terei que leva-lo ao St. Mungus...

Os trigêmeos estavam ao pé da cama, a ajudando com os frascos e a compressa de água fria.

Eles eram terríveis, mas quando se tratava de auxiliar a mamãe, eles eram práticos e prestativos.

John lhe entregava as poções, Jonny cuidava de molhar os panos que eram constantemente trocados na testa de Merriett e Johnan lhe trazia mais água para trocar o recipiente e toalhas limpas para enxugar o corpinho trêmulo do loirinho.

- Ele vai ficar bem mamãe? – John perguntou por todos, em tom baixo para não molestar o amiguinho.

- Vai... Ele vai ficar bem ou o pai dele vai fazer sair bolhas fedidas e grotescos tentáculos verdes pelo cabelo da mamãe.

Os três deram risada e Hermione também sorriu, pois conseguiu amenizar o clima ruim. Eles eram crianças e preocupações só cabiam para os adultos, não pra eles.

Então lembrou-se de Malfoy e realmente desejou que ele aparecesse e a azarasse naquele exato momento. Seria melhor para Merriett, para Léo e para Harry... Seria o melhor para todos...

- Mamãe – Johnan a tirou de suas preocupações, mostrando um macacão branco de flanela com coelhinhos amarelos. Era um pijaminha em estilo antigo, com os pés fechados, uma abertura na parte do bumbum que era fechado com dois botões em forma de mãozinha e um capuz. – Vamos trocar o Mett.

- Que gracinha – Hermione sorriu novamente. – Jonny vá encher a banheira, mas bem pouco e cuidado para não se molhar – o garoto saiu correndo para o banheiro – E não corra! – repreendeu, mas era tarde. Carregou Mett e olhou aos outros dois – Tirem o lençol pra mamãe?

John e Johnan confirmaram com a cabeça e foram arrancar as roupas de cama.

Hermione entrou no banheiro e conferiu seu outro filho, que tinha aberto a torneira e jogava óleo perfumado dentro da água que enchia a banheira.

- Está bom assim? - o menino perguntou com um sorriso.

- Está ótimo! Obrigada, ajudou muito a mamãe. Agora vá pro quarto esperar com seus dois irmãos que logo levarei Mett.

Assim que Jonny sumiu pela porta, Hermione verificou a temperatura da água e tratou de despir o loirinho, o submergindo até o pescoço dentro da água aromática, tratando de banha-lo e aproveitando para diminuir a temperatura de seu corpo.

- Papai... – Merriett choramingou, mantendo os olhos fechados.

- Calma meu querido... Seu pai ficará bem... – tentou conforta-lo, mesmo sendo em vão.

Lembrou-se de quando viu Mett pela primeira vez, tão miudinho, encolhido nos braços de Malfoy e de encontro a seu peito. Único lugar que o menino se sentia bem e protegido. Nunca se separaram mais que algumas poucas horas, e isso raramente, pois, por mais que Draco insistisse que trabalhava todos os dias, ele não ficava longe de casa durante o tempo normal de serviço. E como todo Malfoy, sempre tinha privilégios de sair a hora que quisesse, de não comparecer às empresas e de ficar o dia inteiro mimando seu único filho.

E agora essa separação forçada foi realmente um trauma para a criança...

Depois de enxuga-lo, levou Mett de volta ao quarto e o vestiu com o pijama que seu filho deixou separado sobre a cama, esta já com lençol limpo que um deles havia vasculhado nas gavetas do guarda-roupa.

Os trigêmeos estavam sentadinhos um ao lado do outro, observando o trabalho da mãe e aguardando mais tarefas para ajuda-la.


Seamus olhava para as ilustrações nas paredes que se moviam alegremente. Estava ansioso em rever Léo e esperar que Ginny lhe trouxesse o menino era uma tarefa quase impossível.

- Desculpe a demora, mas tive que agasalha-lo para não ficar doente.

Finnigan olhou para a ruiva que vinha trazendo Léo pela mão. Seus olhos pousaram ao menino que lhe mirava seriamente, sem muita alegria em vê-lo de novo.

Se aproximou com um sorriso e agachou-se para ficar da altura do garotinho. – Olá Léo, como você está?

- Bem... – disse baixo.

- Vim busca-lo pra gente se divertir hoje.

Léo negou com a cabeça, mas mesmo assim, Seamus o carregou, arrancando um protesto do menino.

- Tome – o irlandês entregou um bilhete para Ginny – Aí está o endereço onde ficaremos. Entregue ao Harry quando ele voltar.

- Entrego sim – a ruiva lhe sorriu dando um beijo em seu rosto e no rosto de Leonard para se despedir – Tchau Léo, se comporte.

- Foi bom revê-la Ginny – acenou enquanto saia pela porta para depois desaparecer pelas pessoas que ali andavam apressadas.

Foi nesse instante que Hermione deixou o quarto de Harry depois de aprontar Mett e o carregando, foi em direção à cozinha, acompanhada dos trigêmeos.

- Com quem falava Ginny?

- Seamus Finnigan – ela sorriu para a castanha – Ele veio ver o filho.

- Finalmente tomou vergonha na cara e se dignou a ver como está o garoto – ela deu pouco caso – Falando no Léo, chame ele pra vir ver o Mett que já acordou.

- Seamus o levou...

Hermione estancou no lugar sem acreditar nos próprios ouvidos.

- Ele o que? – evitou gritar com Ginny para não assustar as crianças.


Harry estava nervoso, sem conseguir ficar parado no banco da carruagem.

- Essa porcaria não dá pra ir mais rápido? – reclamou, fazendo com que Sírius se surpreendesse. Harry só xingava ou soltava palavrões quando estava realmente revoltado. – Justo agora que deixei Léo sozinho...

Quando a carruagem estacionou, o moreno saltou dela e correu para dentro da creche.

- Léo? – chamou em aflição.

E ficou pior quando o filho não veio correndo em sua direção, com os bracinhos estendidos para que o carregasse, como sempre fazia.

No lugar disso quem apareceu saída da cozinha foi Hermione, extremamente séria e logo atrás uma chorosa Ginny que assoava o nariz num lenço de papel.

Harry ficou pálido e seu corpo estremeceu, sem forças, foi parar sentado no chão, tampando o rosto com as mãos.

- Não... Diga que ele não levou o meu Léo... – implorou.

Sírius se aproximou e sentando ao lado do afilhado, lhe passou um braço pelos ombros, o confortando.

- Podemos dar queixa Harry... Ele não pode vir aqui e tira-lo de você sem sua permissão...

Hermione mostrou o bilhete. - Seamus deixou um endereço, e disse pra Ginny que era para te entregar Harry... Apenas vamos torcer para que não seja falso...

Nesse momento Remus veio com as crianças em trenzinho, para a hora do almoço. Parou no meio do caminho ao notar a cena e se retesou inteiro.

- Vincent, você poderia levar as crianças para o pátio e servi-las? – chamou em voz alta para o ex-sonserino que prontamente deixou seu posto na cozinha para atender suas ordens. Segurou nas mãos das duas primeiras crianças que encabeçavam as filas e as direcionou para o pátio.

Harry se encolheu quando a cantoria divertida dos pequenos que imitavam um trem e cantavam "piuí piuí" lhe chegou aos ouvidos, fazendo com que se angustiasse ainda mais por saber que Léo não estava entre eles.

- Por que está acontecendo tudo ao mesmo tempo? E justo comigo? – Harry soluçou, estava arrasado, mas não ficaria de braços cruzados. Levantou-se do chão, para assombro de Hermione que sempre admirou essa bravura do amigo, sem descanso e superando tudo, pois se vacilasse, era como se todos a sua volta também cairiam...

Remus olhou a Sírius quem negou com a cabeça e foi em seu socorro, abraçando o animago e o afilhado.

- O que vai fazer Harry? – perguntou num sussurro.

- Irei no endereço, se for falso, darei queixa.

- Acho que as duas precisam saber de uma coisa – Sírius encarou as mencionadas, depois a Harry – Saber quem é o pai de Léo...

Harry consentiu e disse num sopro de voz – Draco é o verdadeiro pai do Léo...

Ginny voltou a chorar mais compulsivamente enquanto Hermione fechava os olhos e balançava a cabeça.

- Oh Harry... – ela murmurou perdida em si mesma.

O moreno não esperou por questionamentos, pegou o bilhete e seguiu para a porta. Iria atrás de Seamus e o socaria até sentir-se satisfeito.

Como ousou a tirar-lhe sua preciosa vida?

Mas uma vozinha triste e suplicante lhe fez parar abruptamente.

- Harry! – Mett estava encostado na parede do corredor, tateando enquanto tentava avançar lentamente em direção a voz de Harry, mas como este havia parado de falar, ficou perdido.

Retornando até o garotinho, Harry o carregou e o beijou no rosto. – Estou aqui...

O loirinho se agarrou forte em seu pescoço, escondendo o rostinho em seu cabelo. Havia deixado os dois por não poder entrar no Ministério com crianças, mas dessa vez não faria o mesmo.

A voz de Draco vagou por sua cabeça, quando pediu que cuidasse de Merriett para si. Iria em busca de Léo, mas levaria consigo o pequeno loirinho, nem que fosse ao fim do mundo, não se separaria de nenhum deles.

- Mett está com febre e passa mal. É arriscado leva-lo com você – Hermione teve a obrigação de alerta-lo.

- Não se preocupe, cuidarei dele e caso precise, eu o levarei ao St. Mungus sem esperar um minuto a mais – garantiu com convicção, tudo para não se separar do pequeno.

- Quer que eu vá com você? – Remus se ofereceu.

- Não, eu preciso que você, que era um membro importante da antiga Ordem da Fênix, junto com Sírius, ajudem a Ron a achar o paradeiro do Draco – olhou com receio ao garotinho em seus braços, depois murmurou para consola-lo – Não se preocupe Mett. Traremos seu pai o quanto antes...

Os dois homens suspiraram e juntos com Hermione e Ginny, viram a Harry deixar a creche, sem antes agasalhar o pequeno Mett que não parecia disposto a larga-lo nunca.


N/A: não ficou tão longo esse capítulo, mas espero que tenham apreciado.

Agradecimentos aos reviews do capítulo 12:

Como prometido, vou responder os comentários do capítulo 12 e do Interlúdio nesse capítulo.

Nicolle Snape (sim, pretendo fazer um Happy End depois de massacra-los até lá Ò.Ó brincadeira, não serei tão má assim. Pretendo fazer um final feliz, mas não tenho certeza, creio que sim). Lady My (o Draco ficaria escandalizado caso o Mett fosse parar na Griffyndor. Posso até imaginar ele berrando "para tudo! Só poder ter sido praga do falecido Dumbledore!" risos obrigada pelas palavras!). Tety Potter-Malfoy, Bibis Black e Artikus Tonks (obrigada por dedicarem um tempinho para comentarem, e com palavras maravilhosas, adorei). Mira-chan (não se preocupe, eles não vão ficar juntos só depois de velhos e caso eu estenda a fic, não será para enrolar até lá). Scheila Potter e Hanna Snape (obrigada pelas palavras, ainda bem que gostaram desse chap!). Luna Pietra (pretendo não faze-los sofrer muito, só um pouco bastante :P). Watashinomori (infelizmente desde o começo tudo levou para o Léo ser filho do Draco, se eu mudasse isso seria muito estranho e completamente confuso os caps. Mesmo assim, obrigada por dar sua opinião, pena que não pude satisfazer sua vontade'). Maah, Nandda e Fabi (nhai, valeu pelos reviews! Me alegram o dia!). Gê-Black (eu dou tanta risada com suas reviews! Adoro como vc comenta e se expressa, muito 10! Obrigada de coração por além de me dar apoio, me renovar o ego, me alegra a vida!!! Bjs linda!;). Li Morgan, Monique, DW03 e Mathew Potter Malfoy (adoro saber o que estão achando e saber que apreciam cada vez mais é um grito de vitória! Valeu pelos coments!). Bella Potter Malfoy (confesso que ando sem dormir direito, mas por tentar aprontar rolo novo nessa fic, sem maldade devo salientar "ou senão a Bella aqui me mata O.O". não se preocupe, muita água pra correr e muitas coisas pra acontecer! Como pôde perceber nesse chap 13). Julia Cohn (acho que agora sua piedade para o Seamus se foi né? Adorei seu comet, me fez rir muito!). Srta Potter Malfoy (acho que esse cap responde sua pergunta sobre o que Seamus fará para ter o Harry e o Léo de volta. E a Bella apareceu um pouquinho, no próximo ela aparecerá mais). Mione03 (não foi bem o Seamus como pôde notar nesse chap, mas ele tbm estragará algumas coisinhas na vida dos 4 . Obrigada pelas palavras!). Anne (como dizer que eu AMO suas reviews? Uma review sua dá pra 15!!! Ai, sinto não poder comentar e responder essa enorme, da mesma forma enorme! Mas saiba que de coração, eu adoro quando vc comenta, nem que seja uma única palavrinha Depois do feito nesse chap, vc ainda ama o Finnigan?? o.O, mas fico aqui nesse coment pq falta responder do ultimo chap bjinhos!). Inu, Estrela Polar, Jeniffer Malfoy, Isabelle Malfoy, Anne (novamente!), Inu (novamente) e ikaikaikaika (muito obrigada pelas palavras, por cada letrinha que vcs colocaram nesses reviews! São minhas fontes de inspiração!). Aleera Black (vc chata? De forma alguma! Adoro seus coments! Obrigada pelas maravilhosas e divertidas palavras!). Ikaikaikaika e Anne (novamente). Obrigada a todos que me deixaram coment no chap 12! Um grande bjo!

Agradecendo as reviews do Interlúdio:

Nicolle Snape – olá, só farei sofrer um bocadinho assim ó "abre os braços beeem grande" brincadeira mas eles vão ficar juntos sim, só não garanto quanto tempo ¬¬ "Sanae má, Sanae muito má". Bjs! Bella Potter Malfoy – olá, que bom que está gostando Eu agradeço muito suas palavras e que tenha se oferecido a betar, aind mais que está se oferecendo a nos ajudar com as fics! Nem sei o que dizer! Obrigada de coração! Bjs! Scheila Potter – olá, assim como a Bella, eu queria agradecer por ter se oferecido em betar e ainda agora, em nos auxiliary nas fics! Nem sei o que dizer, vcs são o máximo! Obrigada de coração! Fico feliz que esteja gostando! Bjs! Sarih – olá, ainda bem que consegui deixar o Interlúdio bem fofo Obrigada pelas palavras! Bjs! Jeniffer Malfoy – olá, mais um review seu! Isso sim que é maravilhoso! Bjs! Rafael9692 – olá, mais um review seu! Fico emocionada quando leio seus coments! Mesmo este sendo seu primeiro nessa fic, tenho várias nas outras e sabendo q curte essa junto, melhor ainda! Bjs! Inu – olá, obrigada pelo coment e pela mensagem em mail! Desculpe a demora, mas enfim saiu o chap 13, espero que tenha gostado! Bjs! Mione03 – olá, bem, foi um sonho futurístico, o Draco mal foi levado preso, então, o Harry sonhou com um futuro que ele almeja e deseja com todo o coração Uma família, passando o Natal juntos, o Draco lhe amando, o Léo feliz por saber que o Draco é pai dele e o Mett enxergando. Tudo que o Harry mais anseia nessa vida, pena que ficou só em sonho mesmo Bjs! Fabi – olá, obrigada! Um ótimo ano pra vc com muito slash, Draco, Harry, e infinitos Léos e Metts de chocolate Bjs! Srta Potter Malfoy – olá, obrigada! E desejo a ti um ano repleto de Drarrys picantes, Léos de caramelos e Metts de algodão-doces! Só de receber seus coments e de todos que se dedicam um tempinho pra me alegrar a vida, a inspiração sempre ressurge, tenha certeza! E obrigada pelo segundo review, demorei, sei... desculpe, mas finalmente consegui atualizar, espero que tenha gostado! Bjs! DW03 – olá, isso mesmo, foi tudo um sonho, um futuro que o Harry deseja de coração, mas infelizmente não passou disso – um sonho – não se procupe, não é um spoiler do final, os acontecimentos serão bem distintos a isso, tenha certeza, muita coisa ainda vai acontecer Oh, o Léo e o Mett eu quis fazer beeeem amorosos um com o outro Se vai dar em namoro não sei, pois seria algo como incesto né? Mas eles realmente gostam de brincar e se divertir juntinhos, cheios de amor pra dar :P. bjs! Bibis Black – olá, ficou mesmo como um final adiantado, mas o final que eu pretendo desenvolver será meio diferente disso "suspense!" Obrigada pelas palavras! Bjs! Gê-Black – olá, adoro o seu jeitinho todo especial de escrever e se expressar! Me alegra o dia, me diverte muito! Confesso que estava sentindo falta de ler seu review Nhá! Que bom que gostou desse interlúdio e nossa, eu fiz tu xorar? Ui... Que emoção a minha! Obrigada pelas palavras! Bjs! Anne – olá! Que isso minina! Acha que fiquei com raiva do cê? Com suas enormes, gigantescas, insanamente imensas reviews? O que aconteceu é que eu realmente senti saudades de tu! Apesar de que não posso dizer nada, já que andei sumida dessa fic e sim, sem dar explicações, só postei antes do Natal e agora quase no fim de Fevereiro... Mas não se preocupe, quando eu for de fato abandonar Caminho do Coração (que não acontecerá, assim rogo a Salazar Slytherin!), eu deixarei avisado, pois seria uma completa falta de respeito aos leitores eu sumir sem dar satisfações. Mas vamos à sua review: obrigada pelas palavras! Fico feliz que esteja gostando muito e que ainda não desistiu de ler essa fic sem muitas atualizações e da mente maluca dessa doida aqui Desculpe a demora! E espero que esteja melhor, de coração, espero que esteja sorrindo e se divertindo, se afogando em slash! Qualquer coisa, me envia um mail quando quiser tcl comigo no msn, farei o possível pra conseguir entrar Bjs! Cissy M. B. – olá, nhai, obrigada pelas palavras! Então essa fic tbm te agrada? Que ótimo! Não esqueço dela não, é que ando empacada na hora de passar pra escrita e costuma não sair muito do jeito que eu quero, mas eis o chap 13. Espero que não tenha ficado com mais raiva do Seamus (apesar dele já ter um fã clube de pessoas que o odeiam, que desejem sua morte, tortura, entre outras coisas macabras ). Bjs!

Obrigada a todos que comentaram, um grande abraço e até o próximo capítulo! Err... Que espero não demorar muito...

E por último, mas não menos importante, queria agradecer a minha beta Bibis Black por me ajudar tanto!