Beta: TaXXTi

Perdas e Danos

Capítulo 14 - Final

Na segunda-feira à tarde, Jared foi para a clínica veterinária onde estagiava, mas estava sendo difícil conseguir se concentrar em qualquer coisa. Sua cabeça era pura confusão; muita coisa tinha acontecido naquele final de semana e Jared ainda não sabia como lidar com tudo o que sentira. A única certeza que tinha era em relação a Brandon.

Ligou para ele e pediu que se encontrassem no final do dia. Sabia que a conversa com ele não seria nada fácil; sentia-se muito mal por tê-lo traído, e o mínimo que podia fazer agora era ser honesto com ele. A burrada já estava feita, agora teria que aguentar as consequências.

Sem saber o que se passava, Brandon foi até o motel onde Jared estava hospedado e tentou beijar o moreno ao ser recebido na porta, estranhando a atitude quando Jared se afastou, o impedindo de fazê-lo.

- Uau! – Brandon entrou e caminhou até próximo à cama, passando a mão pelos cabelos, ansioso. – Isso significa o que eu estou imaginando?

- Isso significa que nós precisamos conversar primeiro – Jared fechou a porta do quarto e caminhou até próximo de onde Brandon estava.

- Você e o Jensen... reataram? – Brandon estava com medo da resposta.

- Não.

- Então... eu não entendo...?

- Muita coisa aconteceu, eu... nem sei por onde começar - Jared mordeu o lábio inferior, sentindo-se a pior das criaturas. - Ontem pela manhã o Mark apareceu na fazenda pra pegar algumas coisas, já que ele estava indo viajar, e... ao se despedir, ele... - pigarreou. - Ele me beijou.

- O quê? Você me garantiu que vocês já não tinham mais nada. Por que foi que ele te beijou, então? - O loiro não estava entendendo onde Jared queria chegar.

- E não temos, Brandon. Eu não tive mais nada com o Mark desde que eu e você ficamos juntos, eu nunca menti pra você. Eu não sei, foi... foi só um beijo rápido de despedida, um selinho, sem significado algum, só que... O Jensen nos viu, e...

- Agora eu não estou entendendo mais nada mesmo. O corno dessa história sou eu ou é o Jensen?

- Não fale assim, por favor – Jared sentiu aquelas palavras como um tapa na cara, mas sabia que o outro tinha razão.

- Fala de uma vez, Jared. O que mais aconteceu? – Os olhos de Brandon estavam marejados.

- Eu e o Jensen brigamos, dissemos um monte de ofensas um pro outro, trocamos socos, e...

- E o quê? Acabou em sexo de reconciliação? – Brandon abriu os braços, querendo saber.

- Não houve reconciliação – Jared se virou para a porta, sem conseguir encarar o outro.

Brandon se sentou na cama, escondendo o rosto entre as mãos, sem saber o que dizer.

- Bran...

- Não diga mais nada, Jared.

- Eu sinto muito, cara. Não queria que as coisa tivessem acontecido assim, eu... Eu não queria te magoar dessa maneira, me desculpe - Jared sabia que nada do que dissesse poderia mudar o que tinha feito.

- Eu sei - Brandon falou depois de algum tempo em silêncio. - Eu conheço você há três anos, Jared, sei de toda a sua história com o Jensen, e você sempre foi honesto comigo. Honesto até demais, às vezes – Brandon forçou um sorriso. – Eu sei que você jamais faria algo pra me magoar de propósito, mas isso não torna as coisas menos dolorosas.

- Eu sei.

- No fundo, eu sempre tive esperanças de que algum dia você viesse a esquecê-lo e se apaixonasse por mim, mas isso não é culpa sua, é algo em que eu escolhi acreditar.

- Eu sei que isso não muda nada, mas se eu pudesse escolher, sem dúvida alguma eu me apaixonaria por você - Jared falou com sinceridade. Brandon era o homem mais gentil e perfeito que já havia conhecido.

- Acho que… nós acabamos por aqui, não é? - Brandon se levantou, secando as lágrimas com as costas das mãos. - Se você não tiver onde ficar, eu posso…

- Eu vou ficar bem - Jared não queria mais nenhum favor. Já o tinha magoado o suficiente.

- Certo. Vejo você na faculdade, de qualquer maneira. Até mais.

Jared não disse mais nada, abriu a porta e apenas ficou olhando até que o carro de Brandon sumisse de vista. Voltou a fechar a porta, sentindo uma solidão tão grande que chegava a doer. Não tinha mais Brandon, não tinha Jensen, não tinha mais ninguém. Talvez fosse melhor assim. Depois de Jensen, não fora capaz de amar novamente, e não era justo deixar as pessoas se iludirem, esperando por algo que nunca teriam.

- x -

Ao recolocar os pés no aeroporto de Austin, Jensen se sentiu leve como há muitos anos não se sentia. Recolheu sua bagagem na esteira e empurrou o carrinho com suas malas até a área externa do aeroporto, procurando por um táxi.

Parou por algum tempo ali, olhando para o céu azul e ensolarado do Texas. Respirou fundo, enchendo seus pulmões de ar puro e sentindo o calor gostoso do sol em sua pele. A sensação de liberdade era algo totalmente novo, e com a qual poderia se acostumar. Era muito bom estar de volta.

Os últimos quatro meses não tinham sido fáceis. Decisões importantes haviam sido tomadas e, seguindo o conselho do seu ex-padrasto, pela primeira vez Jensen não pensou em mais ninguém na hora de tomá-las. Não pensou em seus pais, colegas de trabalho ou amigos, nem mesmo em Jared; pensou apenas em si mesmo.

Apesar de que, ao pensar em sua própria felicidade, todas as opções apontavam para um único caminho: Austin. Sempre amara o Texas e, embora tivesse nascido e crescido em Dallas, Austin era a cidade dos seus sonhos.

Deixar Nova York para trás não tinha sido nem um pouco difícil. Era uma espécie de alívio, até. A cidade dos sonhos de muitos, tinha sido uma espécie de pesadelo, onde Jensen vivera os piores quatro anos da sua vida.

Depois da conversa com Jared, ao voltar para NY, Jensen pediu demissão do escritório de advocacia do seu pai. Teve uma conversa difícil, mas extremamente sincera com Roger, e as palavras dele gritando que Jensen era uma vergonha para a família, e que se assumindo gay nunca passaria de um "advogadozinho de porta de cadeia", ainda estavam vívidas em sua mente. Mas talvez, pela primeira vez, as palavras duras de seu pai não o afetaram realmente. Tinha decidido se libertar de todas as mentiras, e assumir sua sexualidade era o primeiro grande passo a ser tomado naquela direção.

Danneel tinha estado sempre por perto, o apoiando em cada decisão. Algo que Jensen sempre se arrependeria, era de não ter aberto o seu coração para ela anos atrás, quando o seu mundo desmoronou. Talvez ela o tivesse ajudado a fazer as escolhas certas, mas agora de nada adiantava se lamentar. Talvez as coisas tivessem mesmo que acontecer do jeito que aconteceram. Amadurecer e aprender com seus próprios erros não tinha sido uma tarefa fácil, mas por fim, Jensen sentia que estava no caminho certo.

Procurou um lugar para morar e fez as entrevistas de emprego que havia agendado antes da viagem. Apesar de só ter trabalhado no escritório de advocacia do seu pai, seu currículo era impecável. No tempo em que estivera em NY, além da faculdade, tinha feito vários cursos em sua área, tentando manter sua mente ocupada, sendo assim, não foi difícil encontrar um bom emprego. Entre duas boas oportunidades, optou por um escritório onde trabalharia em parceria com um velho amigo, que estudara junto com ele no seu primeiro ano da faculdade, em Dallas.

Depois de estar devidamente empregado e instalado em uma casa que alugara, Jensen finalmente resolveu seguir o seu coração. Apesar da insegurança, decidiu que o primeiro passo teria que ser dado. Nunca se perdoaria se ao menos não tentasse.

- x -

"I'm not a perfect person

Eu não sou uma pessoa perfeita

There's many things I wish I didn't do

Há muitas coisas que eu gostaria de não ter feito

But I continue learning

Mas eu continuo aprendendo

I never meant to do those things to you

Eu não pretendia fazer aquelas coisas com você

And so, I have to say before I go

E então eu tenho que dizer antes de ir

That I just want you to know

Que eu apenas quero que você saiba

...

I've found out a reason for me

Eu encontrei uma razão para mim

To change who I used to be

Para mudar quem eu costumava ser

A reason to start over new

Uma razão para começar de novo

And the reason is you

E a razão é você"

- x -

Logo após deixar a fazenda, Jared passou a trabalhar em período integral na clínica veterinária. Já não era mais um simples estagiário; fazia aquilo que amava e ainda recebia um ótimo salário, não poderia reclamar. Depois que se formasse, pretendia juntar dinheiro para se tornar sócio ou abrir sua própria clínica, mas isso eram planos para um futuro distante; por enquanto estava bem feliz com o que tinha. Pelo menos profissionalmente, já que não se pode ter tudo o que se quer.

- Jared, tem um cliente querendo adotar um cachorro, ele quer falar com você – Alona, a recepcionista da clínica, o chamou.

- Comigo? Não seria com o Dr. Pillegi?

- Ele pediu por você.

- Okay – Jared estranhou, pois geralmente pediam para falar com o veterinário, dono da clínica, e não com ele, que era apenas um assistente, embora fizesse a maior parte do serviço. - Peça pra aguardar um momento, eu já estou terminando aqui.

Jared terminou de medicar o cãozinho que estava tratando, retirou as luvas, lavou as mãos e foi até a recepção.

- O senhor queria fal... – Jared parou no meio da frase, de boca aberta, o coração disparado no peito, ao ver quem estava ali. – J-Jensen? – Gaguejou, sem saber exatamente o que dizer. Jensen sempre tinha esse maldito efeito sobre si.

O loiro tinha um sorriso tão lindo no rosto, que Jared não conseguia desviar o olhar.

Ficaram algum tempo se encarando, sem dizer nada, até que outro cliente entrou na clínica e o barulho da porta os tirou do transe.

- Eu... é... Eu gostaria de adotar um cachorro, e pensei que você poderia me ajudar – Jensen por fim falou.

- Você? Adotar um cachorro? - Jared ergueu as sobrancelhas.

- Sim - Jensen deu de ombros, sorrindo lindamente.

- Jensen, não é por nada, mas por que você levaria um cachorro daqui pra Nova York? Com certeza lá deve ter milhões de cachorros pra adotar.

- Eu não vou levá-lo pra NY, eu vou ficar por aqui mesmo, em Austin.

- O quê? – Jared reagiu sem pensar.

- Eu estou morando aqui.

- Aq-aqui? Desde quando? - Jared se odiou por estar agindo daquela maneira, mas Jensen realmente o tinha pego desprevenido.

- Há duas semanas - Jensen se perguntava como tinha conseguido esperar tanto tempo para ver Jared. Tudo bem que já tinha vindo até ali e o observado de longe, sem coragem para se aproximar, mas ainda assim...

- Ah... – Jared não sabia o que dizer. Aquilo sim era uma surpresa. Queria puxar algum assunto qualquer, para quebrar o clima constrangedor, mas não sabia o que dizer. Não sabia nem mesmo como agir diante de Jensen. Queria agir normalmente, mas suas mãos inquietas o denunciavam.

- Então, eu... Jared, será que nós podemos ir pra outro lugar? – Jensen por fim criou coragem de perguntar.

- O quê? – O moreno ainda não estava raciocinando direito. Jensen estava mesmo ali?

- Vamos tomar uma cerveja, ou um café... o que você preferir. Acho que aqui não é um bom lugar pra conversarmos, não é?

- Eu... é... claro. Meu expediente termina daqui há uma hora, mas eu posso sair agora, só preciso… Só tirar este jaleco, e... avisar a… Eu já volto. - Jared sorriu, um pouco atrapalhado e sem graça.

- Certo. Eu te espero lá fora.

Jensen ficou parado ao lado do carro, ansioso. Jared logo apareceu ali e foram a pé até uma cafeteria, logo em frente.

Fizeram o pedido e ficaram algum tempo em um silêncio constrangedor, sem saber o que dizer. Jared ainda estava tentando processar o fato de Jensen estar morando em Austin.

- Então você… Por que alguém sai de NY pra vir morar em Austin? Quero dizer, eu sei que você é natural do Texas, mas não estava trabalhando com o seu pai por lá? - Jared falou quase num fôlego só, estava ansioso e precisava saber.

- Quando eu saí daqui, há quatro meses, disse a você que precisava consertar algumas coisas, não disse? Essa foi uma delas. Eu pedi demissão, e… contei toda a verdade a ele.

- Como ele reagiu?

- Não muito bem - Jensen sorriu triste. - Gritou algumas coisas bem desagradáveis, mas não é como se eu esperasse um abraço ou que ele me parabenizasse por me assumir gay.

- E a sua mãe?

- Nós tivemos uma briga feia, antes de eu deixar a fazenda, naquela noite. Depois disso ela já me ligou várias vezes, tentando fazer as pazes, mas nós sempre acabamos discutindo por um motivo ou outro.

- É uma pena - Jared não gostava da megera, mas não conseguiu pensar em outra coisa para dizer.

Jensen deu risadas.

- O que foi?

- Não precisa fingir, eu sei que você a odeia e tem todos os motivos pra isso.

- Eu não a odeio - Jared sorriu. - Mas ela nunca me deu motivos pra gostar dela, então…

- Eu sei. Eu ainda tenho muita mágoa dela, mas ainda assim ela é minha mãe, eu não posso simplesmente fingir que ela não existe.

- E isso de adotar um cachorro, era verdade ou só uma desculpa pra falar comigo? - Jared tinha que saber. Sua curiosidade sempre falava mais alto.

- Eu aluguei uma casa, perto do centro. Não é muito grande, mas tem um quintal e eu já estou providenciando uma cerca, assim ele poderá ficar solto durante o dia, enquanto eu estiver no trabalho.

- Ah…

- Eu realmente quero adotar um cachorro, ou até dois, algum dia. Acho que é a primeira vez que eu moro realmente sozinho, e… é um pouco solitário - Jensen fez uma careta de desagrado.

- A Danneel ficou em NY?

- Não, ela voltou pra Dallas. Nós nos falamos o tempo todo. Ela reencontrou um antigo amor platônico dela - Jensen sorriu. - Um professor de história, e parece que estão se entendendo desta vez. A propósito, ela mandou um abraço pra você. Caso… eu encontrasse com você por aqui - Jensen disfarçou.

- Ah, é… diga que eu mandei um abraço também. Gostei bastante dela - Jared sorriu. - Mas você não me respondeu… Por que Austin?

- Cara, eu enviei meu currículo pra todos os lugares e, coincidentemente, fui chamado para fazer entrevistas logo aqui - Jensen sentiu vontade de dizer "Por sua causa, idiota" mas se conteve. Teria que ir devagar e segurar a vontade que tinha de agarrar Jared e beijá-lo ali mesmo, diante de todas as pessoas da cafeteria. - Eu sempre gostei desta cidade, e surgiram duas ótimas oportunidades, então…

- E o seu sonho de se tornar promotor?

- Eu não desisti. Mas se eu conseguir chegar lá, vai ser pelo meu próprio mérito, e sendo quem eu sou. Se não, eu ficarei feliz sendo um advogado. Eu gosto muito do meu trabalho, não posso reclamar. Mas e você? Como está? - Jensen estava curioso.

- Bem - Jared deu de ombros. Estou trabalhando na clínica o dia inteiro e tenho aula à noite, então… Bastante ocupado.

- E o Brandon? - Jensen não queria ir logo perguntando, mas não conseguiu segurar.

- Ele está bem. Voltou a tocar na banda do Mike, e… acho que eles estão namorando.

- Ele e o Mike? Namorando? - Jensen quase se engasgou com o café. Então Jared estava livre? Ficou segurando a vontade de perguntar.

- É, eles na verdade já tiveram um rolo no passado, e agora… parece que reataram. Eu não sei se isso vai dar certo, mas ele parece feliz.

- Você não acredita que reatar com alguém possa dar certo?

- Eu não acho que seja uma regra, só sei que ele voltou com o Mike pra tentar me esquecer, e isso é algo que eu tentei por muito tempo, então… deixa pra lá. - Jared achou melhor não entrar naquele assunto. - Talvez pra ele funcione, não é?

- É, talvez - Jensen respondeu sem muita convicção. Também tinha tentado esquecer Jared por anos, mas ninguém o tinha feito sentir o que sentia quando estava perto do moreno. - Você tem ido à fazenda? - Resolveu mudar de assunto.

- Nos finais de semana, quando dá tempo. A Samantha e o Jim são a única família que eu tenho, então sempre tento arranjar um tempinho para vê-los.

- Eles são ótimas pessoas. E ela te defende com unhas e dentes - Jensen sorriu.

- Sim, ela é uma fera. E pensar que eu morria de medo dela quando a conheci - Jared deu risadas. - As coisas estão mais fáceis agora que o Pellegrino contratou mais gente pra trabalhar lá, inclusive alguém pra ajudar o Jim a administrar o lugar.

- Isso é ótimo - Jensen preferiu não tocar no assunto "Pellegrino", mas apesar de saber que ele não era uma ameaça, preferia que ele ficasse longe por muito tempo.

- É sim - Jared concordou. - Agora eu preciso ir, já que tenho aula daqui a pouco e tenho um trabalho pra entregar.

- Claro. Eu não quero te atrapalhar.

- Certo - Jared se levantou. - Acho que eu sei de um cachorro ideal pra você. Passe lá na clínica quando tiver tempo que eu te apresento a ele.

- Eu farei isso - Jensen sorriu e ainda ficou ali, na cafeteria, olhando enquanto Jared pagava a conta e saía.

Era muito difícil não avançar o sinal, Jensen tinha prometido a si mesmo que iria com calma, que deixaria Jared se acostumar com a sua presença novamente, para que assim pudesse tentar reconquistá-lo, aos poucos. Sua vontade era de sair correndo para a rua e gritar que o amava, mas não queria arriscar e acabar estragando tudo, logo no primeiro encontro.

Sem muita paciência e cheio de saudades, Jensen foi até a clínica alguns dias depois. Poderia usar a desculpa de que tinha pressa em adotar o cachorro, o que não deixava de ser verdade, mas ficou decepcionado ao não encontrar Jared por lá.

Descobriu que o moreno tinha saído mais cedo, pois passara parte da noite na clínica, cuidando de um cãozinho que estava internado, e, sem muita dificuldade, Jensen conseguiu o endereço dele com a recepcionista da clínica.

Ponderou, pensando se deveria ir até lá ou não. Não queria parecer invasivo, mas já tinha perdido tempo demais, cada minuto longe de Jared parecia uma eternidade.

"I'm sorry that I hurt you

Eu sinto muito ter te magoado

It's something I must live with everyday

É algo com que devo conviver todos os dias

And all the pain I put you through

E toda a dor que eu te fiz passar

I wish that I could take it all away

Eu gostaria de poder retirá-la completamente

And be the one who catches all your tears

E ser aquele que apanha todas as suas lágrimas

That's why I need you to hear

É por isso que eu preciso que você escute

...

I've found out a reason for me

Eu encontrei uma razão para mim

To change who I used to be

Para mudar quem eu costumava ser

A reason to start over new

Uma razão para começar de novo

And the reason is you

E a razão é você

And the reason is you

E a razão é você

And the reason is you

E a razão é você

And the reason is you

E a razão é você"

- x -

Decidido, tocou a campainha do apartamento que agora Jared dividia com um amigo da faculdade. Para o alívio de Jensen, um cara estranho, baixinho e nada bonito, chamado Chad Lindberg atendeu a porta e o deixou entrar.

- Ei Jared, você está aí? - Chad gritou da sala e disse a Jensen que precisava sair, deixando-os a sós.

- Hey Chad! - Jared gritou da pequena área de serviço, anexa à cozinha. Tinha recém saído do banho, ainda com os cabelos molhados e com apenas uma toalha em volta da cintura, estava colocando as roupas dentro da máquina de lavar.

Chad já tinha saído e Jensen ficou parado na porta da cozinha, sem dizer nada. Pensou que Jared logo iria se virar e vê-lo, mas o moreno continuou a falar, achando que Chad ainda estava ali.

- Você não vai acreditar quem está morando aqui em Austin, cara... O Jensen! - Falou com empolgação. - É claro que deve ser só coincidência, ele ter se mudado pra cá por causa de um emprego, mas... É, seria presunçoso da minha parte achar que ele veio pra cá por minha causa, né? É melhor eu não alimentar esperanças mais uma vez, mas é que... Ele estava tão lindo e parecia tão feliz, sorridente como ele costumava ser antes e… - Jared fechou a tampa da lavadora e se virou, só então percebendo que era Jensen, e não seu amigo Chad, quem estava ali.

Ficou por um instante parado, de boca aberta, sentindo seu rosto corar e tentando pensar em algo que pudesse dizer para reverter a situação, mas não conseguiu pensar em nada.

- Eu vou fingir que não disse nada disso, e você finge que não ouviu, pode ser? - Finalmente saiu de onde estava e passou por Jensen, caminhando em direção ao seu quarto, constrangido, sem saber onde enfiar a cara.

- Certo - Jensen concordou, desfez o sorriso do rosto e o seguiu até o quarto. - Embora eu tenha que admitir que… Não foi coincidência eu ter conseguido um emprego em Austin, porque… Bom, eu só enviei o meu currículo pra cá, e San Antônio e mais uma ou duas cidades vizinhas.

Jared pegou uma cueca e uma camiseta no armário e se virou para olhá-lo.

- Eu sempre gostei muito de Austin, isso é verdade, mas eu não tinha outro motivo pra querer vir pra cá, que não fosse você. E você tem razão, eu não sei quanto ao estar lindo, mas… Depois de muitos anos, é a primeira vez que eu me sinto realmente livre, confiante e disposto a correr atrás daquilo que me faz feliz. E é por isso que eu estou aqui.

Jared sentiu seu coração disparar dentro do peito. Não conseguiria colocar em palavras o que estava sentindo, então largou as roupas que segurava no chão mesmo e se aproximou, envolvendo seus braços em torno da cintura de Jensen e o beijando com urgência.

Jensen sentiu o baque de suas costas contra a parede e a força do corpo quase nu de Jared colado ao seu. O beijo se intensificou, as línguas explorando a boca um do outro, com gosto de saudade.

As mãos de Jared seguravam o rosto de Jensen, sentindo a barba por fazer e foram descendo pelo pescoço, passando a desabotoar a camisa xadrez de flanela do loiro. A peça de roupa foi tirada com pressa, assim como a camiseta que Jensen vestia por baixo. Seus peitos nus se encostaram, sentindo o calor da pele um do outro, e as mãos de Jensen deslizaram pelas costas do moreno, sentindo cada músculo, tocando-o como não tivera a chance de fazer da última vez, quando transaram no celeiro, feito dois animais selvagens.

Jared gemeu ao sentir as mãos do loiro agarrarem sua bunda, colando seus quadris numa fricção deliciosa. Jensen se afastou por um instante, apenas para retirar a toalha que envolvia o quadril do moreno e olhá-lo, admirando sua nudez. Jared já estava completamente duro. Por ele.

O moreno levou as mãos até o cóz da calça de Jensen, abrindo o cinto, botão e zíper e a empurrando até os joelhos do loiro.

Jared voltou a beijá-lo, conduzindo-o até a beirada da cama, onde Jensen se sentou e se livrou da calça, assim como dos seus sapatos e meias.

O moreno colocou uma mão no peito de Jensen e o empurrou de leve, fazendo com que se deitasse, sentão subiu nele, se sentando sobre o seu quadril, com uma perna de cada lado do seu corpo. Se inclinou para beijá-lo, enquanto esfregava seu traseiro sobre a ereção de Jensen, ainda protegida pela cueca. Jensen gemia com o contato, e ainda mais quando os beijos de Jared se espalharam pelo seu pescoço e clavícola, sua língua roçando em seus mamilos e trilhando um caminho úmido até chegar em sua virilha.

Passou os lábios pelo contorno do pênis de Jensen, ainda por cima do tecido da peça íntima, e só então a puxou para baixo, devagar, expondo o membro totalmente ereto.

A língua de Jared deslizou desde a base até a glande, que chupou devagar, provando o seu gosto, até engolir seu membro quase por inteiro. Fez movimentos de vai e vem, sugando e lambendo, depois deixou que Jensen ditasse seu próprio ritmo, enfiando a mão por seus cabelos e o segurando, fodendo a sua boca.

Jensen parou de repente o que fazia e puxou o rosto de Jared para um beijo.

- Quero muito gozar na sua boca, mas não agora - Falou com a voz rouca, fazendo Jared sorrir e o empurrou para que se deitasse de costas.

- O que você quer? - Jared perguntou, ansioso, com a respiração ofegante, sentindo a língua e as mãos de Jensen explorando o seu corpo.

- Quero provar o seu gosto primeiro - Jensen sussurrou próximo ao ouvido do moreno, então sugou o lóbulo de sua orelha, lhe causando arrepios - E depois quero te foder até fazer você gritar de prazer.

- Meus vizinhos vão reclamar - Jared brincou e puxou o rosto de Jensen, beijando sua boca com paixão.

- E quem liga pros seus vizinhos? - Jensen falou ao interromper o beijo, olhando nos olhos de Jared e sorrindo de um jeito safado.

Jared deu risadas e gemeu alto quando Jensen mordeu de leve um dos seus mamilos.

O loiro mordiscou e beijou seu peito e abdômen, e afastou as pernas de Jared, dobrando um de seus joelhos e tomando o membro dele em sua boca. Estendeu a mão esquerda para que o moreno lhe alcançasse o lubrificante e então, com os dedos lambuzados de gel, acariciou entre suas nádegas, continuando a chupar seu pênis, o fazendo gemer e arfar pelo prazer.

- Porra - Jared arqueou as costas ao sentir os dedos do loiro o invadirem, num vai e vem delicioso e torturante. - Faz isso logo, Jensen - O moreno tinha urgência; precisava desesperadamente sentir o outro dentro de si.

Sem perder tempo, Jensen se posicionou entre as pernas do moreno e o penetrou, devagar e profundamente, depois forte e duro, sentindo cada célula do seu corpo gritar de prazer.

Era mágico… o som dos seus corpos se chocando a cada estocada, suas respirações, seus gemidos, o calor e o suor dos seus corpos, os beijos… tudo se fundia e se completava de uma maneira única, como jamais tinham sentido com nenhum outro.

Jared inverteu as posições, fazendo Jensen se deitar de costas e sentou-se sobre o seu quadril, fazendo movimentos de sobe e desce, sentindo as mãos do loiro fortemente agarradas à sua cintura. Inclinou seu corpo para a frente para poder beijá-lo, sem parar os movimentos, pois era difícil ficar longe daquela boca quente e tentadora.

Jensen ergueu as costas, passando a ficar sentado, assim podia envolver o torso do outro com seus braços, e agarrar seus cabelos, puxando-o para si, em meio àquele vai e vêm frenético que os levava à beira da loucura.

Gozaram quase ao mesmo tempo e permaneceram abraçados, Jensen ainda dentro de Jared, querendo permanecer ali para sempre.

- Eu amo tanto você - Jensen falou num sussurro, próximo ao ouvido do moreno, o apertando ainda mais em seus braços. - Não quero te perder, nunca mais… Eu não suportaria...

- Shhh… - Jared segurou o rosto do loiro com as duas mãos, encostando sua testa na dele e olhando em seus olhos. - Você não vai. Porque eu não vou deixar você ir pra longe de mim, nunca mais… Eu te amo, Jensen. Te amo muito - Jared o beijou de um jeito calmo e seguro; nenhuma palavra mais era necessária, pois o amor dos dois vinha da alma, e sabiam que não podiam viver um sem o outro.

"I'm not a perfect person

Eu não sou uma pessoa perfeita

I never meant to do those things to you

Eu nunca quis fazer aquelas coisas para você

And so I have to say before I go

E então eu tenho que dizer antes de ir

That I just want you to know

Que eu apenas quero que você saiba

...

I've found out a reason for me

Eu encontrei uma razão para mim

To change who I used to be

Para mudar quem eu costumava ser

A reason to start over new

Uma razão para começar de novo

And the reason is you

E a razão é você

...

I've found out a reason to show

Eu encontrei uma razão para mostrar

A side of me you didn't know

Um lado meu que você não conhecia

A reason for all that I do

Uma razão para tudo que faço

And the reason is you

E a razão é você"

Fim.

Música: The Reason (Hoobastank).


Nota da autora:

Confesso que fiquei bastante surpresa com a aceitação desta fanfic. Digo isso devido ao número de reviews, que foi bem significativo, numa época em que estão cada vez mais escassos... rsrs.

Acho que vocês gostam de ver os meninos sofrerem, né? Confesso que gosto de fazê-los sofrer também, desde que no final tudo fique bem. Ou não.

Enquanto escrevia, essa história me fez muitas vezes refletir sobre o peso das nossas decisões; gostei de imaginar até onde uma simples (ou não tão simples assim) escolha pode nos levar...

Agora deixa eu parar de filosofar. Dá sempre uma dorzinha no coração ao me despedir dos personagens, mas ao mesmo tempo uma sensação de missão cumprida. E isso é bom. Muito bom.

Meu muito obrigada à minha Beta TaXXTi, pela parceria, pela paciência e dedicação de sempre.

Aos meus fiéis leitores, obrigada por acompanharem mais esta história, pelos comentários que amo ler e por existirem em minha vida.

Aos novos leitores, sejam bem vindos, obrigada por lerem, e sintam-se à vontade para comentar, ou até mesmo me xingar, desde que seja por um motivo justo... kkkk.

Amo todos vocês. Obrigada!

À presenteada (presente de grego... rsrs), meu xuxu Marina Morena: Sei que demorou, mas finalmente concluí seu presente. A dedicatória ainda é válida, viu? Rsrs. Love you. Always!

PS. Não esperem nada novo por enquanto, afinal, ainda tenho mais 3 fanfics em andamento, e as ideias também andam escassas ultimamente... rsrs.

Beijos!


Resposta às reviews do capítulo 13:

Sonyama: Desculpe se a relação do Jared com o Pellegrino não é bem como você queria... rsrs. Apesar de terem se envolvido sexualmente, existe uma amizade muito forte, carinho, cuidado e, sobretudo, respeito entre eles. Quanto ao futuro do Jared, eu acredito sim que ele venha a se dar muito bem profissionalmente algum dia. Ele é batalhador e não desiste do que quer. Mas eu o coloquei aqui, mesmo depois de 4 anos, como alguém que ainda está percorrendo o seu caminho para o sucesso. Se eu fizesse ele aparecer de repente rico e bem sucedido, estaria fora da sua realidade, afinal, a gente sabe que dinheiro não cai do céu, né? Rsrs. Sobre a fanfic que você sugeriu, eu já estou escrevendo "Always Keep Fighting" que foi totalmente inspirada na campanha do Jared sobre a depressão. Mas sempre como universo alternativo. O que está acontecendo com Jared é algo muito delicado e pessoal, eu não conseguiria e nem gostaria de escrever sobre isso. De qualquer forma, obrigada pela sugestão e pelo comentário. Abraços!

Luluzinha: Tira o zóio! O único que pode pegar o Jensen no colo é o Jared... rsrs. O que vai ser desses meninos? Hummm... Que bom que você já vai saber, né? Kkk. Beijos! Obrigada por comentar.

Maria Aparecida: Olha, sou suspeita pra falar, mas gosto muito do Pellegrino desta fanfic. E eu não esperaria outra atitude dele, do que tentar ajudar aos dois, indiferente de ele ter se envolvido com Jared ou não. Acho que o Jensen estava tão perdido em sua própria infelicidade, que precisava de um empurrãozinho pra assumir o controle da sua vida novamente. Espero que goste do final. Abraços!

Helena Candido: Pois é, demorou, mas finalmente Jensen tomou o controle da sua vida de volta, né? Chega de sofrimento pra esse meu loiro lindo... rsrs. Obrigada por comentar. Abraços!

Gabi: Que bom que achou emocionante... Jensen finalmente se libertou, ou está no caminho, né? Rsrs. Obrigada por comentar. Abraços!

TheLadyCraft: Obrigada! É tão bom saber que gostou! Acho que eles merecem mesmo um final feliz, né? E eles que fiquem longe das minhas mãos... hahaha. Beijos!

Evysmin: Eu estou bem obrigada. Kkkkk. Ei, deixa o meu Pellegrino em paz, ele é um fofo, tá? Rsrs. Rindo muito com seus comentários. Mas é, se o Jensen precisava de um empurrãozinho, teve Danneel e Pellegrino o empurrando com as duas mãos. Ele estava perdido e parece finalmente ter se encontrado novamente. Enfrentar a mãe foi o primeiro passo, assim como ser verdadeiro com o Jared. O fato de ele ter ido embora não quer dizer que a história deles termina por ali, não é? Mas acho que Jensen precisa se libertar dos seus fantasmas primeiro, tomara que consiga (Muahahaha). Beijos, linda! Obrigada por comentar!

gabriel: O final sumiu? Como assim? Rsrs

Lana: Pois é, demorou, mas o Jensen finalmente conseguiu se libertar, não é? Ele ainda tem muita coisa pra consetar em sua vida, mas o fato de ter ido embora, não quer dizer que tenha desistido do Jared, não é? Obrigada por comentar. Abraços!