Capítulo 14
Aula Intermediária de Como Pedir Desculpas à Scorpius
Por mais que detestasse admitir, Scorpius não estava prestando muita atenção em Profa. Vector e nos números postados no quadro à frente da sala. Não que ele sequer estivesse tentando. Scorpius tinha a sua pena em mãos e ocasionalmente anotava algumas coisas que a professora ia dizendo, contudo, após dez minutos, ele olhou para a página e encontrou escrito: Some o seu nome numérico quadros mágicos que os grego usavam esse método com frequência uma forma de predizer o futuro sutil. Ele tentou focar-se, mas por mais que olhasse, não conseguia trazer sentido para o que escrevera.
Franzindo o cenho, ele tentou se concentrar com mais força, porém, ele percebeu que a voz da Profa. Vector estava sendo abafada por cochichos e risadinhas atrás dele. Scorpius não precisou virar para saber que pelo menos dois membros do time da Sonserina estavam falando dele e, com valentia, tentou ignorá-los.
Mas não pôde quando, deliberadamente, eles aumentaram seus sussurros em uma fração. Scorpius sabia que queriam que os escutasse, enquanto a professora continuava feliz com a lição, é claro.
"...ele realmente chorou..." um deles foi dizendo.
"...que menina..." o segundo respondeu.
"Por que ele simplesmente não deixa a escola? Todos o odeiam," a primeira voz sibilou.
"Ele pode ser bom para alguma coisa," o segundo disse com um ar obscuro. "Quero dizer, ele é um bicha."
"E?"
"Provavelmente chupa pintos tão bem quanto uma puta da Travessa do Tranco," ele disse.
Scorpius prendeu o ar ao congelar. Por que eles não podiam apenas parar? Por que não podiam deixá-lo em paz? Seu aperto contra a pena diminuiu e sentiu-se fraco nos braços.
"Talvez eu consiga fazê-lo chupar o meu?" a primeira voz sibilou alto. "Aposto que ele adoraria. O veado provavelmente está pedindo por isso."
Uma vermelhidão atravessou Scorpius e ele sentiu as lágrimas pinicarem os seus olhos. Apertando-os com força para prevenir as lágrimas de escaparem, Scorpius desejou que a lição terminasse logo. Uma olhadela para o relógio revelou que ainda havia vinte minutos do período e Scorpius estava pronto para erguer o braço e pedir para ir ao banheiro. Ele parou, no entanto, quando houve uma batida na porta.
Toque, toque, toque.
"Entre!" Profa. Vector choramingou.
Scorpius, junto ao resto da classe, virou-se para ver a porta ranger apenas para revelar Albus Potter.
Scorpius franziu o cenho em confusão e encarou o recém-chegado enquanto enxugava o rosto para esconder quaisquer vestígios de sua reação ao o que os meninos estavam dizendo.
"Desculpe, professora," Potter disse ao adentrar a sala. Scorpius o viu procurar cautelosamente, seu olhar parando primeiro nos seus amigos do Quadribol atrás de Scorpius, para então recaírem no próprio Scorpius. Potter tomou um profundo fôlego como se para se estabilizar, por fim disse. "Mas estava me perguntando se podia ter uma palavra com Malfoy."
O que fosse que Potter queria dizer, Scorpius não esperara por aquilo. Ele piscou.
"O quê?" os garotos do Quadribol perguntaram estupidamente e Scorpius se sentiu tentado a levantar a mesma questão.
Professora Vector, parecendo inconsciente das ocorrências absurdas, assentiu de modo jovial e se voltou outra vez para a lição. Scorpius não estava certo se isso era uma pista para se levantar ou o quê. Ele virou-se para Potter e o viu acenando para que o seguisse.
Confuso, Scorpius ergueu-se mesmo sem certeza e, em meio a sibilos ameaçadores provindos das suas costas e olhares curiosos de cada aluno da classe, ele seguiu Potter até o lado de fora.
Quando a porta da sala foi fechada atrás deles, ele mudou o seu curso para perguntar a Potter o que aquilo tudo significava, mas foi impedido quando o outro garoto disse abruptamente, "Desculpe."
Scorpius o encarou. "Não se preocupe; a lição não era tão interessante assim, de qualquer forma," ele disse, perplexo.
Potter chacoalhou a cabeça. "Não, não a lição. Eu não ligo para... Quero dizer, sobre você," falou freneticamente.
"O quê?"
Potter engoliu em seco e parou por um momento, percebendo que não estava fazendo muito sentido. "Veja, Malfoy, me desculpe por tudo."
"Eu não—"
Potter continuou. "Há dez minutos, eu estava sentado perto do lago, pensando sobre você—" (Scorpius corou furiosamente) "— e percebi o quão... o quão idiota venho sendo. Fui uma pessoa tão horrível... E precisava que você soubesse que sei disso agora," ele falou, encarando o outro diretamente.
Scorpius encontrou-se se afogando nos olhos de Potter, incapaz de respirar, muito menos responder.
Potter falou outra vez, "Não entendo como você ainda poderia querer falar ou andar comigo e eu sei que você tem todo o direito de me odiar, mas se estiver disposto... Quero poder fazer todas essas coisas a partir de agora... Você e eu..." ele continuou, olhando determinantemente para o chão.
Scorpius teve de se forçar para lembrar-se de como se respirava. Deu uma olhadela no rosto abaixado de Potter, para o seu lábio mordido e as linhas que cruzavam a sua testa — um testamento de seu nervosismo. Então, percebeu que a culpa estava engolindo aquele garoto.
"Potter..." Scorpius disse baixo no corredor deserto. Mas ele não olhou para cima, por isso, ele tentou, "Albus." Olhos verdes elevaram-se em alarme e Scorpius virou-se para a palavra 'Albus' em sua cabeça, tentando outra vez e percebendo que ele gostava do nome. "Você não fez nada de errado —"
Albus chacoalhou sua cabeça com dureza. "Não, não diga isso. Eu fiz algo errado. Diabos, eu fiz várias coisas erradas... E só estou percebendo isso agora..."
"Então eu o perdoou," Scorpius disse, mantendo seu olhar preso no de Albus e sentindo uma pontada em seu estômago que ele sabia que não deveria estar ali, contudo, se empanturrou da sensação mesmo assim.
Um pequeno raio de esperança brilhou nos olhos de Albus. "Você me perdoa?" ele perguntou, incerto.
Scorpius assentiu devagar e com clareza, sem deixar seus olhos escaparem dos de Albus. "Sim... Quero dizer, é o que amigos fazem," ele disse, estremecendo internamente e perguntou-se se talvez tivesse ido longe demais ao assumir que aquilo era o que eram no momento.
Ele respirou com alívio real quando a boca de Albus elevou-se nos lados. "Sim, amigos," ele suspirou e Albus sentiu como se derretesse um pouco com o sorriso de lado de Albus Potter.
Scorpius pensou que podia com alegria continuar naquele lugar por todo o resto daquele dia olhando para o garoto o qual havia conquistado o seu coração, porém, o risco era de que ele pudesse ficar excitado por isso, então rápida e estranhamente, ele tossiu em silêncio.
Isso fez Albus se sobressair. "Você deveria voltar..." ele disse baixo, movimentando em direção à porta da sala. "Desculpe por ter interrompido a lição, é só que... você sabe... ahan," ele gaguejou de modo estranho, correndo uma mão através de seus fios negros e fazendo o seu cabelo parecer de certa forma eletrificado. Scorpius pensou que era uma das coisas mais adoráveis que já tinha visto.
"Sim," ele respondeu, movendo-se para a porta. Mas antes que abrisse, Scorpius disse, "Você sabe que irá ter de explicar para o seus colegas de time sobre isso mais tarde."
Albus olhou para ele, "Sim, eu sei... Não pensei nessa parte ainda."
Scorpius tentou não se deixar ficar triste ao pensar sobre a outra parte da vida de Albus, cheia de pessoas que o odiavam, e com uma das pessoas a qual Scorpius não era muito afeiçoado também: a namorada do outro. Com raiva, ele chacoalhou o pensamento para longe; ele não queria que nada estragasse aquele momento. Virou-se de volta para a porta e segurou a maçaneta.
"Vejo você mais tarde, Malfoy," Albus disse.
"Outra coisa," o loiro falou. "Me chame de Scorpius."
Ele teve um ligeiro olhar do sorriso largo de Albus e os olhos verdes brilhantes, antes de abrir a porta e voltar para dentro, seu coração batendo furiosamente.
Silencioso, ele voltou para a sua mesa, pensando no sorriso de Albus e da forma que ele o fazia se sentir como gelatina. A lição continuou normalmente. Profa. Vector zumbiu sobre os antigos gregos e seus quadros, e os garotos atrás de Scorpius continuaram de onde haviam parado e voltaram a murmurar insultos para Scorpius.
Mas por uma razão que ele sabia muito bem que era por causa de Albus Potter, ele pegou-se não ligando muito naquele momento. Tomou a sua pena e começou a anotar algumas sentenças. Dessa vez, que faziam sentido.
...
Mel cancelou a sessão de estudos daquela noite, dizendo a Scorpius que ela precisava desesperadamente falar com Albus sobre uma coisa. Silenciosamente fumegando que ela estava com Albus e ele não, Scorpius disse que estava tudo bem por ele, e seguiu para a biblioteca. Apenas porque ela não podia ir, não significava que ele não deveria trabalhar na tarefa deles. Por isso, encontrou-se sozinho na biblioteca, sentado em uma mesa enorme coberta por livros de Poções de todos os tipos, pesquisando.
Sua solidão foi logo interrompida.
"Ei, Scorpius," Lily sorriu largamente ao se convidar para sentar-se a mesa.
Scorpius, com rapidez, moveu alguns livros para longe para dar espaço a ela. "Desculpe pela bagunça," ele murmurou.
"Ah, isso não é problema," ela disse. "Trabalhando na tarefa outra vez?"
Scorpius assentiu.
"Cadê Mel, então?" ela perguntou, olhando para os lados pela morena.
"Ela não pôde vir," Scorpius disse. "Na verdade, ela está com o seu irmão." Ele tentou fazer sua voz soar neutra; com a esperança de que Lily não pegasse uma insinuação de raiva em seu tom.
"Três suposições do que eles estão fazendo," Lily disse ao estremecer. "Eca... o próprio pensamento."
Scorpius congelou, e então, de modo totalmente espontâneo, imagens horríveis do que Lily estava sugerindo infiltraram a sua mente... de Albus e Mel... juntos...
Scorpius viu vermelho. "Ah, isso é nojento. Ela não iria pular a sessão de estudos para... Você sabe o quê?" perguntou a ela, esperando contra todas as esperanças em seu peito de que a resposta dela fosse não. Ele havia pensando que Albus e Mel estivessem apenas conversando ou andando juntos. A ideia de que eles pudessem estar... fazendo outras coisas nunca lhe ocorrera, e de repente, percebeu o quão estúpido havia sido. Albus era um adolescente com sangue a flor da pele, hetero e com uma namorada. É claro que ele estaria dando uns amassos nela. Scorpius de repente se sentiu enciumado.
"Eu não sei," Lily disse, incerta. "Não daria muita certeza. Fracamente, às vezes eles me fazem ficar com nojo. Especialmente quando ela nos visita em casa e tudo o que podem fazer é se encararem e se comerem com os olhos. Eca! Estou muito contente que você venha para o natal... Está ainda de pé, não é? Você disse que viria," Lily irrompeu, olhando para Scorpius com olhos pidões.
Para dizer a verdade, Scorpius havia se esquecido. Mas agora ele estava mais determinado do que nunca para ir ao natal dos Potter.
"Tenho que checar com os meus pais, é claro," Scorpius disse, ainda não esperando para tentar convencer o eu pai de deixar ficar na casa de Harry Potter, de todas as pessoas no mundo, durante o feriado, "Mas eu amaria ir," ele disse com franqueza.
Lily iluminou-se. "Pelo menos dessa vez quando Mel e Albus saírem, eu posso andar com você!"
Scorpius não pôde deixar de sorrir com o entusiasmo da garota, mesmo que o pensamento de Albus e Mel juntos o fizesse se sentir extremamente nauseado.
Próximo capítulo: Scorpius percebe uma coisa que deveria ter reparado desde o capítulo um.
