Bons Tempos

Capítulo 14: Terceiro Ano


Lily e Bella esperavam, impacientemente, os meninos que já deveriam estar de volta de seu castigo. Só naquela semana era a terceira vez, parecia que naquele ano Os Marotos haviam voltado com força total.

- Francamente, não sei como eles agüentam.

- Acho que eles já se acostumaram às detenções. Filch já deve ter esgotado todas suas idéias de detenção, bem como os professores. – Lily disse, folheando uma revista – Eles poderiam se apressar, não acha? Temos de fazer o trabalho.

- Ah, olha, Lucy e Anne chegaram. Beth deve estar acabando de pegar os livros que ela acha que podem nos ajudar. Vamos adiantar as coisas, agora que a Lucy e Anne podem nos ajudar, depois os meninos terminam. Se a gente for esperar não termina isto hoje.

- Hei, Hei! – Anne sentou-se, ruidosa. – Então, vamos mandar bala nesta joça?

- Que tipo de coloquial é este, An? – Lucy perguntou, revirando os olhos. – Pára com isso, tem nada a ver.

- Ahhh... – Anne procurou algum argumento. – Sem graça.

Bella, parando de rir, resolveu então propor a elas, que começassem o trabalho antes dos meninos.

- Afinal, você sabe como eles são, demorarão anos para chegar. – Lily lembrou.

- Não é bem assim, a detenção pode se demorada e poxa, Remus não demora tanto, e ele é um dos que mais pode ajudar.

- Mas a questão é tempo, Lu. Entenda, vamos começar logo sim, elas estão certas. – Anne deu uma cotovelada na amiga, assim ela deixava claro que gostava do amigo. – Então, vamos lá, começar essa joça de trabalho de Herbiologia.

- Realmente, Anne, Lucy está certa, de onde você tirou essas gírias? – Bella riu.

- Hoje eu estou com a macaca! – Respondeu uma risonha e divertida Anne, estava de bom humor.

As quatro riram, enquanto uma assustada Beth chegava, sentando-se com elas. Carregava uma porção de livros e logo todas estavam a folhea-los procurando por o que precisavam.

Mesmo com tanta conversa e risos, elas conseguiram adiantar o trabalho e estavam prestes a termina-lo quando os meninos chegaram, fazendo tanto barulho que antes mesmo de chegarem ao local, elas sabiam que eles estavam chegando.

- Ao menos podiam ter o respeito de ficarem quietos se chegaram tão tarde. – Anne tentou fazer pose de séria. – Que coisa feia.

- E desde quanto você tem moral para reclamar sobre algo deste tipo? – James respondeu mal educado.

- Pirracento.

- Olha quem fala!

- Ok, ok, chega. Perdoem-nos a demora, ok? A detenção foi puxada. – Remus resolveu apartar a possível briga.

- Ficamos de conversa e Filch resolveu duplicar nosso trabalho. – Confessou Peter. – Realmente precisamos fazer o trabalho? Estamos exaustos.

- Cadê o Sirius? – Lily perguntou por fim, sentindo falta do garoto.

- Ah, ele tinha coisas "super" importantes a resolver – Riu James – Pediu perdão e disse que se disponibiliza a apresentar o trabalho sozinho se for o caso.

- Coisas "super" importantes? – Anne ergueu uma sobrancelha.

- Bem, não importa, estamos terminando. Falta pouquíssima coisa, estão liberados então se tiveram tanto trabalho assim. Mas depois se precisarmos de algo, vamos cobrar! – Bella sugeriu.

- Está certo! Eu vou tentar dormir então. – Peter disse e foi saindo rapidamente, com medo de que as meninas mudassem de idéia.

- Não, não. Não estou assim tão cansado, vou fazer este final, eu e James, certo, cara? Vocês podem ir embora, meninas. A gente faz a nossa parte e a dos dois. – Remus disse sentando-se ao lado de Anne e pegando o que elas já tinham escrito. – Não é justo com vocês, e bem, Sirius e Peter não irão fazer mesmo.

- Vamos levar eles nas costas? – Reclamou Bella.

- Remus sempre leva. – Ponderou Beth. – No caso ele está levando, afinal, ele que vai fazer a parte deles.

- Ah, então, eu vou embora. Você vem comigo Beth? Lily? Anne? Lucy? – Perguntou Bella.

- Eu vou. – Beth disse levantando-se.

- Eu vou ficar. – Lily deu um meio sorriso.

- Nós duas também. – Lucy respondeu por ela e Anne.

- Então, até mais!

Beth e Bella saíram, já discutindo sobre onde iriam agora. James e Remus começaram a fazer o trabalho enquanto Lucy, Anne e Lily conversavam baixinho e vez ou outra explicavam algo para os dois.

O trabalho foi logo terminado, eles separaram as falas e decidiram gastar o resto do tempo deles conversando, afinal, não havia nada mais para se fazer.

- Espero que os Lufa-lufa não tenham feito um trabalho tão bom quanto o nosso, gosto quando tiramos uma boa nota! – Lucy sorriu.

- Bem, vamos ver, não é? Mas acredito que o nosso trabalho está muito bom sim. – Remus sorriu para ela. – De certo ganharemos uma boa nota, mesmo que não sejamos os melhores.

- Assim espero.

- James, o que Sirius teve de fazer? – Lily perguntou, curiosa.

- Ah, nada demais. – James riu. – Quero dizer, tem, né? Mas não sei se posso contar.

- Qual o problema de contar? – Remus se juntou a ele. – Não é nada que a escola não fique sabendo em menos de dois dias.

- Bem, se você acha, então não tem tanto problema.

- Será que vocês podem responder a Lily logo? Estou curiosa também! – Anne de início achava que era algo a ver com Melanie, mas agora via que provavelmente não era isto. – Sirius andou aprontando?

- Ah, eu não sei se você isso como aprontar. – James se segurava para não rir mais.

- Você está enrolando, James. – Remus o cortou. – É simples, Sirius está saindo com uma garota do quarto ano. Aliás, eu não sei, ela hoje falou que queria falar sobre namoro, mas não acredito que ele vá aceitar.

- Sirius? Mas que safado! – Anne então, começou a rir. – Cachorro, nem me contou! Eu, a amiguinha dele!

- Não é a primeira garota que ele sai. – James alertou.

- É mesmo? – Lily perguntou desanimada.

- Ele já saiu com várias. – Remus adicionou. – Mas ele nunca quer nada sério com elas, ele diz que elas só servem para ter alguns momentos juntos, mas não ter algo sério. Sinceramente, eu não presto muita atenção nestas coisas que ele diz, Peter e James que sim.

- E qual é o problema de eu querer saber? – James fechou a cara.

- Está com inveja de Sirius! Isso é tão claro! – Anne começou a rir.

- Bem, pelo jeito Sirius não quis esperar muito. – Lucy riu. – Isso me parece a cara dele, sinceramente, já esperava isto vindo dele. Dele e de James.

- Sim, é realmente curioso o fato de James não seguir o caminho de Sirius... – Remus quis implicar e juntou-se à Lucy.

- Talvez porque eu esteja ocupado com outras coisas tipo Quadribol. – James respondeu carrancudo.

- É verdade, James! Você tem teste semana que vem, não é? – Anne lembrou-se.

- Estaremos lá para torcer por você. – Lily tentou sorrir.

- Obrigado, mas talvez eu prefira que ninguém vá. – James foi sincero. – E se eu der um vexame?

- AH, você não irá. – Lily sorriu. – Você é bom.

- Eu acho que ele vai dar um vexame. – Implicou Anne.

- AN! – Lucy deu um pequeno tapa nela.

- Tá, tá ok, eu não acho que você vai dar um vexame. Você fará bonito. – Anne disse entre os dentes.

- Eu não me importo se você acha que vou dar um vexame. – James disse carrancudo.

- Ótimo.


James acordou o mais cedo que pode naquele dia, os teste do time de Quadribol da Grifinória seriam o mais rápido possível para evitar que houvessem espiões de outras casas ou mesmo visitantes da própria casa que desconcentrariam os atletas. Pelo menos, era o que achava o capitão David Goldmen.

O garoto particularmente gostava da idéia, não lhe atraia a possibilidade de ter os Marotos o olhando ou mesmo as meninas, mesmo que fosse Beth que seria incapaz de ser indelicada como Anne, por exemplo.

O teste na verdade seria mais como "os testes", pois teriam uma série de "fase" e "desafios" onde ganhariam pontos, o que iria ajudar na decisão, mas não necessariamente o que tivesse mais ponto ganharia. De alguma forma aquilo animara James que tentava não se assustar com os seus concorrentes do último e penúltimo ano.

James já estava no terceiro teste quando pode ver ao longe os Marotos o olhando e acenando. Diferente do que imaginava, gostou. Afinal, seus amigos o apoiariam caso algo desse errado.

- Potter, vejo que seus amigos são dedicados, são poucos que vêm dar apoio aos amigos numa hora destas. Você sabe, as pessoas preferem dormir num dia frio como este. – James se virou e viu o capitão, David Goldmen se dirigir à ele.

- Não são simples amigos, são os Marotos!

- Ah, sim, acho que já ouvi falar das travessuras de vocês, pode nos causar problemas, mas ah, não importa, vá, está na sua hora de fazer o outro teste.

James foi, receoso, de que aquilo pudesse o prejudicar, mas tentou não pensar nisto, afinal, os Marotos podiam ser mais importantes do que Quadribol, certo? Executou a tarefa meio perturbado o que o impediu de tirar uma nota muito boa.

- O que houve, Potter? Se perturbou com o que eu disse? – O capitão reparou o deslize. – Não se preocupe.

- Certo. – James tentou um sorriso e rapidamente se dirigiu aos amigos. – Ei, ei, vieram me ver?

- Claro! Viemos te dar uma força! – Peter disse animado. – Você vai ganhar!

- Fale isto por você e Remus, Peter. Eu vim aqui para garantir os risos que James me dará fazendo qualquer tipo de bobagem ou perdendo bonito de um desses grandões aí. – Apontou para dois garotos do último ano. – Eu tinha que arranjar um jeito de gravar isto.

- Obrigado pelo apoio, Sirius. – James fechou a cara, por mais que soubesse que era brincadeira.

- Não deixamos as meninas virem, porque sabíamos que não ia querer. – Peter disse.

- Ele não deixou. – Remus adicionou. – Francamente, James, estão todos torcendo por você, não entendo qual o problema delas virem aqui.

- Eu apenas não quero que me vejam fracassando, ok?

- Qual o problema se você fracassar? James, você está fazendo um teste contra garotos bem mais velhos do que você. – Remus falou sereno.

- Ah, não sei! O capitão mesmo disse que não é bom muitos amigos virem, ele veio falar de vocês comigo. Sobre o fato de sermos Os Marotos causar problemas para... Ah, esquece. Preciso voltar.

Sirius fez menção de parar James, mas Remus impediu. Entendia o que James queria dizer e sentiu pena, no entanto, realmente acreditava que por mais detenções que levasse James conseguiria entrar no time.

Agora seria a última tarefa, James acreditava, que seria conjunta. Todos iriam jogar um tipo de jogo juntos, tanto os que tentavam ser apanhadores como os que tentavam ser artilheiros.

Não era um jogo muito lógico, a princípio. Pois havia uma disputa paralela dos apanhadores e a dos artilheiros, e parecia impossível que eles fossem interagir (e aquele parecia um teste de interação entre os participantes).

James se achava perdido no meio dos artilheiros, onde parecia haver muitas brigas particulares como a dos dois garotos do último ano e a de um garoto do quarto ano com um do quinto.

Então entraram os batedores, os irmãos Cornwell, um do quinto ano e outro do sexto, que sem dó, começavam a mandar balaços para todos. Sem entenderem nada, todos começaram a fugir como podiam, até que um dos garotos que tentavam ser apanhador foi atingido, e caiu da vassoura.

James achava-se longe dele, mas a sua primeira reação, assim como a de um outro garoto que tentava ser apanhador foi de ir atrás do garoto que caia, deu o máximo de si, impulsionando a vassoura como podia, atrás dele. Finalmente se tocando, um outro garoto que tentava ser artilheiro também começou a voar para baixo tentando acompanha-los.

James e o apanhador chegaram quase que juntos e conseguiram pegar o garoto com alguns palmos de distância entre eles e o chão. O capitão rapidamente apitou, fazendo o soar o estridente som. E todos desceram.

- Excelente, acho que já temos os nossos escolhidos, James Potter e Jack Hamilton. O que acham garotos? E garotas, é claro – Olhou para os outros garotos do time e para a goleira e a artilheira destaque do time. – Eles possuíam boas pontuações e demonstraram espírito de time, indo resgatar o companheiro que no caso de Jack era um oponente.

Não foi preciso discutir, estava decidido os dois seriam os novos integrantes. A discussão veio de um garoto que tentava ser artilheiro, um garoto do sexto ano, que até então tinha a melhor pontuação. No entanto, a discussão não durou, um dos irmãos Cornwell levantou seu bastão ameaçadoramente.

- Bem, então amanhã, venham para o treino, vocês dois, sejam bem vindos. Acho que sabem o nome de todos, mas não custa nada re-apresentar. – David Goldmen dizia divertido, ele não parava de sorrir. – Vocês sabem quem eu sou, David Goldmen, o capitão e um dos artillheiros, a nossa artilheira é a Nina Keith, a goleira é Zoe Mickbeer, e os irmãos Cornwell, Henry do quinto ano e Thomas do sexto.

- Olá, eu sou o James Potter. – Foi tudo que James conseguiu dizer, ainda maravilhado pelo que havia passado.

- Jack Hamilton, quarto ano, prazer. – Jack também parecia abobado, sorria que nem um paspalhão.

James achava que aquele tinha sido um dos dias mais felizes da sua vida, mal podia se conter. Correra até os Marotos e só conseguia pensar em comemorar com eles, e lhes pareciam que nenhum lugar era melhor do que Hogsmeade. O problema era, como chegar até lá?


Bella e Lily continuavam no quarto das meninas, esperando pela volta dos meninos para saber se James passara no teste. No entanto, a cabeça de Lily estava longe disto, ela se preocupava muito mais com outro maroto.

- Lily, o que há com você? Desde ontem está estranha. – Bella perguntou, ansiosa, enquanto pintava as unhas da amiga.

- Não é nada, é sério.

- Oras, vamos, pode me contar. Não há ninguém aqui, Anne finge que dorme, mas sabemos que ela arranjou um jeito de ir ver o teste de James, ela gosta dele.

- É eu sei. E eu achava que ela e Sirius...

- Ela e Sirius? Céus, Lily, claro que não! Eles sempre mostraram que são bem amigos e apenas isto. Ainda mais que Sirius parece ser uma grande namorador, não é mesmo? – Bella riu.

- É. – Lily forçou um sorriso.

Bella ficou a mirando atentamente, até que arregalou os olhos e deu um enorme empurrão na amiga quase derrubando o frasco de esmalte.

- Você gosta dele! Céus, como nunca notei? É por isso que está assim, pois ficou sabendo que ele é namorador. Pobre da minha amiga! Se isso te consola, eu fiquei sabendo que ele não está namorando com a tal garota, ele a deu um fora. Ele dá em todas, "sai" com elas e... Ah, não estou ajudando. AH, Lily, que lindo, você gosta dele.

- Não tem nada de lindo nisto. – Lily disse, encabulada. – Queria poder negar, mas sei que você não vai acreditar, como também sei que não me deixará em paz.

- Ah, deixa disso, querida! Sinceramente? Você deveria aproveitar! Porque ele não viria atrás de você. Você é bonita, aposto que ele viria se soubesse que gosta dele.

- Bella, você está proibida de tomar quanto tipo de atitude!

- Está certo então, não tomarei. Mas acho que você perde seu tempo. Você deveria aproveitar, antes que alguma garota o agarre.

- Bella, eu não acho que eu...

Lily não completou sua frase, pois uma perturbada Beth entrou segurando um papel. Bella olhou feio para Beth, mas essa nem se deu conta, ela parecia alheia ao mundo.

- Beth? Aconteceu alguma coisa?

- Ahn? Ah, não! Está tudo certo. – Ela forçou um sorriso. – Eu só vim estudar. – E falando isto ela entrou dentro das cortinas da sua cama, escondendo-se.

Lily e Bella se entreolharam, talvez elas preferissem se Beth não fosse tão intrometida. Beth sempre aparecia nas piores horas, quando estavam falando de coisas pessoais que nem sempre elas queriam que Beth ouvisse.

Bella voltou a pintar as unhas de Lily, enquanto elas falavam sobre qualquer coisa inútil, nada que fosse comprometedor para Beth ouvir.


- Meus queridos amigos! Marotos, meus caros! Preciso fazer uma importante comunicação! – Sirius olhou para os lados, como se certificasse que ninguém os olhava.

- Diga logo o que quer, Sirius. – Remus disse.

- Lembram-se da primeira e única ida à Hogsmeade? Que saudades, não é mesmo?

- Nem me fale, queria tanto ir à Dedosdemel! – Peter lamuriou.

- Pois então! Um dia desses enquanto fugia de Filch, fui parar num corredor escuro do terceiro andar onde havia uma feia estátua de uma bruxa de um olho só, resolvi me esconder nela e então me lembrei de uma vez meu irmão me falando de passagens para Hogsmeade. Então me lembrei dele falar de um feitiço "Dissedium", foi tira e queda, uma passagem se abriu. Foram minutos realmente horripilantes, a passagem é horrível, escura e íngreme. Mas oras, tive minha recompensa! Fui parar numa dispensa, que realmente acredito que fosse a dispensa da Dedosdemel!

- Calma ae, é sério? – Remus arregalou os olhos.

- Deve ser. – James sorriu. – Meu avô também me falou sobre passagens secretas!

- Mas isso é excelente! Deveríamos utilizar esta passagem imediatamente e então garantir algumas coisinhas para uma festa particular! – Peter disse, animado.

- Sabe que eu gostei da idéia dele? – Sirius sorriu.

- Mas não é justo que peguemos coisas sem pagar, vocês tem algum dinheiro aí para que deixemos na dispensa? – Remus lembrou.

- Eu tenho! – Sirius disse, triunfal. – Agora vamos, vamos!

Ninguém mais discordou, pegaram algumas guloseimas e algumas garrafas de cerveja amanteigada. Voltaram correndo, e com passos cuidados chegaram a torre, onde em seu dormitório deram uma festa entre si.


Beth estudava sozinha na sala Comunal. Já era tarde e a maioria dormia, mas ela não conseguia e resolvera, então, fazer algo útil como estudar. A verdade é que queria aproveitar todo o tempo que tivesse ali.

- Beth?

A garota se virou, vendo Anne parada na escada, de camisola a olhar-la curiosamente.

- Porque não está dormindo, Beth? – Anne reformulou a pergunta, descendo os últimos degraus da escada.

- Não estava conseguindo, então decidi estudar. Melhor fazer algo útil do que ficar deitada só pensando não, acha? – Deu um meio sorriso.

- Não sei... – Anne parou ao lado dela, pensativa. – Mas, oras... – Sentou-se. – Está estudando o que?

- Transfigurações.

- Oh, que horror. – Anne fez cara de nojo. – Matéria do capeta.

Beth teve um acesso de riso, que tentou segurar, levando as mãos à boca. Anne ainda não se acostumara aos ataques de risos de Beth, que parecia achar quase tudo engraçado, sem graça ficou olhando a amiga.

- Desculpe, foi engraçado. – Beth conseguiu parar, após respirar bem fundo.

- É, reparei. Mas diga, porque não consegue dormir.

- Pensamentos. Algumas coisas tem me incomodado, ultimamente.

- Posso saber o que?

Beth ficou um tempo parada, abriu a boca tentando falar algo, mas tornou a fechá-la. Anne, com medo de ter falado algo indelicado, apressou-se a deixar claro que se a amiga quisesse não precisava explicar.

- Não, tudo bem, é melhor falar. É que... – Respirou fundo. – Meus pais tem comentado, nas cartas, que talvez eu precise sair de Hogwarts. É difícil de explicar, eles serão transferidos para um outro país, lá há uma escola sem ser internato, acho que eles preferem que eu vá morar com eles.

Anne recebeu aquilo como um choque, nunca pensara que um colega podia sair de repente da escola.

- Ah, poxa, que chato, espero que eles mudem de opinião. Todos sentiríamos a sua falta.

- Eu também. Por isso estou tentando convencê-los, mas é difícil, acho que ano que vem já não estarei mais aqui com vocês. Meu irmão também não ajuda.

- Beth, tente não pensar nisto. Acho que o melhor a fazer é tentar dormir, sério mesmo, se não amanhã não entenderá as matérias, não é? Vamos, vamos, feche estes livros. – Anne ia fechando os livros e a puxando. – Vamos.

- Está bem, Anne, você está certa.

E as duas subiram. Beth um pouco mais aliviada por ter contado a alguém e Anne ainda um pouco chocada. Beth não era sua melhor amiga, mas gostava dela, e achava triste a idéia de que a colega sairia da escola.


Os marotos que desfrutavam uma pequena festa entre si, tiveram a diversão interrompida por James que pediu a palavra. Sirius logo parou de contar sua piada para Remus e Peter, já que sabia o que o amigo queria falar.

- Ontem enquanto eu estava com Sirius, Anne e Lucy, tive uma idéia. Depois que as meninas foram embora discuti com Sirius e ele se mostrou de acordo. É algo bem delicado, perigoso talvez... não sei bem, mas teremos de ter garra se formos fazer isto.

- Chega de enrolar, fala logo o que é. – Reclamou Peter.

- O que James quer dizer, Peter... – Sirius disse, olhando Remus. – É que achamos a solução para o problema. O problema de acharmos algo que nos permita ajudar Remus quando ele se transformar.

- Mas isso é maravilhoso, e o que é? – Peter perguntou curioso.

- Transformar-nos-emos em animagos. – James disse, quase solene.

- Mas isso é muito perigoso! – Remus se adiantou. – Não quero que corram risco por mim!

- Francamente Remus, somos seus AMIGOS. Você não vai nos impedir. – Sirius piscou.

- É perfeito, Remus. Lobisomens se dão bem com animais, você não irá se sentir sozinho. – James insistiu.

- São três contra um, também. – Lembrou Peter. – Nos transformaremos em animagos, Remus. E iremos ajudá-lo.

Remus ficou sem saber o que dizer, só sabia que, mais uma vez, os Marotos haviam se mostrado grandes amigos, amigos como ele nunca mais teria. Ele mal podia acreditar em como tinha sorte em ter-los como amigos.

(Continua...)