"Então foi por isso que você nunca me deixou ir te visitar no tal apartamento novo!" Concluiu Rory, ficando no lugar certo para atirar o primeiro dardo em direção ao alvo, enquanto Finn aguardava com seus dardos na mão e dando um gole em sua garrafa de cerveja. "Só marcava comigo aqui no pub ou na casa da vó, e era porque tava morando com a presidente da empresa!" Observou, depois de ter jogado e recolhido seus três dardos, quando era Finn quem tomava a posição de arremesso.
"Isso mesmo, cara. Eu tava morando com ela. Me desculpa por não te contar, mas era complicado." Finn sentou-se à mesa, ao lado do primo, depois de ter feito os pontos necessários para encerrar a partida, liberando a pista para outros jogadores.
"E agora vocês não tão morando mais juntos, é isso?" Perguntou, a fim de ver se tinha entendido corretamente. "Continuam juntos, mas não moram mais juntos."
"É, eu voltei pro meu apartamento." Confirmou. "A gente tava junto, mas ela não queria assumir, não queria que ninguém soubesse e, por isso, eu acabei terminando tudo. Então ela mudou de ideia, e se mostrou disposta a assumir, mas aí eu achei melhor começar tudo diferente dessa vez... começar como todo namoro normal, com cada um na sua casa."
"Só se fala nisso lá na empresa." Rory comentou, espetando uma batata frita e colocando-a na boca. "Segunda-feira viram vocês chegando juntos e a notícia se espalhou rapidinho! Você podia pelo menos ter me contado, pra eu não ficar com cara de idiota, como eu fiquei, né?"
"Foi mal, cara. Foi mesmo! Mas é que segunda eu tive aquelas reuniões fora, e ontem... bom, você já tava sabendo a parte que eu poderia te contar lá." Deu de ombros.
Os dois rapazes tinham ido ao pub que costumavam frequentar às quartas-feiras, e que tinham, inclusive, continuado frequentando, mesmo enquanto ele morava com Rachel, a não ser quando ela exigia a presença dele em uma quarta à noite e ele, então, dava uma desculpa qualquer ao primo. Finn aproveitara para contar quase toda a verdade ao irlandês, omitindo apenas que a relação no começo era puramente sexual e envolvia dominação.
Queria ter conversado com ele antes das fofocas, mas acabara se distraindo durante o seu primeiro final de semana como namorado de Rachel. No sábado, depois de terem almoçado juntos, como ele prometera, os dois voltaram a assistir The Big Bang Theory e começaram uma maratona de The Vampire Diaries, que durou até a noite. Brittany serviu o jantar para eles do lado de fora, à beira da piscina, para que aproveitassem o clima agradável daquela noite, e eles ficaram deitados nas espreguiçadeiras, namorando, até ficarem com sono e ele decidir ir embora. No domingo, eles tomaram sol boa parte do dia, e, durante a outra parte, fizeram amor no antigo quarto de Finn, onde ele acabou pegando no sono, o que fez com que eles fossem juntos trabalhar na segunda-feira, dando início aos comentários dos funcionários da joalheria.
"Tudo bem. Eu não vou ficar chateado com você por tão pouco." Rory sorriu. "Mas me conta mais! Como é que isso começou? É namoro sério mesmo?"
"Por mim é sério." Falou, com ar sonhador que não conseguia evitar ao pensar em Rachel. "Eu gosto de verdade dela." Bebeu um gole de cerveja, pensando em como responder à outra pergunta. "Começou meio estranho, né? Escondido e tal. Mas agora vai ser diferente... vai ser tudo certo. Eu quero até ter um primeiro encontro oficial com ela, que a gente ainda não teve. Eu só não sei o que fazer ainda. Alguma sugestão?" Riu.
"Você podia viajar com ela pra uma praia... ou montanha. O que ela prefere?"
"Acho que montanha, mas não sei, não. Queria um encontro mesmo e não uma viagem. Pelo menos por enquanto." É claro que ele adoraria viajar com ela, mas somente quando pudessem dormir juntos. Porém essa parte da história Rory não precisava saber.
"Tem um restaurante cubano muito bom em Market Street e tem o The Plough and the Stars..."
Finn fingiu estar prestando atenção nas dicas do melhor amigo, afinal ele estava sendo muito legal em tentar ajudar, mas a verdade é que não sabia sequer por que tinha perguntado. Rory não era do tipo romântico e só frequentava lugares abarrotados de gente, com música altíssima e nos quais a bebida era a principal atração. Não o criticava, afinal ele era solteiro e jovem, e devia mesmo aproveitar a vida. Porém essa nunca tinha sido a sua ideia de diversão e, por mais que ele tivesse mudado e até estivesse disposto a, eventualmente, experimentar, não o faria logo em seu primeiro encontro oficial com a mulher que amava.
No final da noite, ele já tinha uma noção de onde levar a morena e fez as reservas necessárias, logo no dia seguinte. Foi difícil falar com ela na quinta sem deixar escapar nada sobre o encontro, e na sexta, quando ele chegou à casa dela, teria facilmente estragado a surpresa e contado tudo, se não tivesse sido, ele mesmo, recebido de uma forma que não esperava.
Rachel tinha saído mais cedo do trabalho, naquela tarde, decidida a fazer algo diferente para Finn. Escolhera um jantar romântico, mesmo isso parecendo clichê, afinal para ela tudo era novidade e, para ele, também não era, certamente, ocorrência comum. Fora ao supermercado com Britt, que a ajudara a comprar os ingredientes para o prato que resolvera fazer, e colocara, ela própria, a mão na massa, literalmente.
No entanto, as coisas não tinham ocorrido exatamente como ela imaginara. Fazer um nhoque de batatas parecia algo tão simples na receita, mas quando ela resolvera provar um pedaço, tinha acabado cuspindo tudo na lixeira, pois a textura estava absolutamente horrível. Pensara em cozinhar, então, um espaguete ou penne, mesmo que não tivesse sido esta a ideia original, para aproveitar ao menos o molho, mas, após experimentar o dito cujo, jogou a colher de pau com força dentro da pia, frustrada porque tinha ficado salgado demais.
Decidiu, então, caprichar na decoração e em sua própria aparência, para não dar a noite como perdida. Colocou velas brancas em candelabros de cristal, dispostos no centro da mesa coberta com uma toalha de veludo azul marinho, e posicionou os pratos, talheres e guardanapos em seus devidos lugares. Tomou um bom banho e pôs um vestido sensual, mas nada vulgar, completando o visual com uma maquiagem leve.
"Você gostou, né?" Ela perguntou a ele, quando terminaram de comer, horas depois. Ele tinha comido dois pratos bem servidos de nhoque ao molho funghi, afinal. Tinha elogiado tudo, principalmente a aparência dela, mas comer tudo e repetir era elogio ainda maior. Pena que não era à sua comida!
"Eu amei! Tava delicioso."
"Finn?" Ela chamou a atenção dele, que passava o guardanapo nos lábios.
"Hum?"
"Eu menti pra você. Não fui eu que fiz." Confessou, sem jeito. "Eu até tentei, mas nada deu certo! Aí, eu acabei ligando pra um restaurante." Completou, frustrada.
"Eu imaginei, Rach." Ele riu baixinho do jeito dela. "Quase ninguém acerta de primeira esse molho... e nem a textura do nhoque. E você não tá acostumada a cozinhar."
"É." Ela concordou, ainda torcendo o nariz. "Mas você cozinha tão bem e eu queria tanto ter feito isso pra você. É a primeira vez que eu tento fazer alguma coisa pra alguém e... será que eu só sei fazer as coisas pra mim?"
"Rach, você fez uma coisa pra mim! Olha tudo isso! Não importa se a comida veio de um restaurante, se o mais importante você fez, que foi lembrar qual é meu prato favorito, mesmo eu tendo te falado uma única vez."
"Eu fiz a sobremesa também. Eu acho que ela tá boa." Riu.
"O que é?" Ele perguntou, como uma criança animada.
"Petit gâteau com sorvete de menta."
"Huuuuum..." Praticamente gemeu, passando a língua pelos lábios.
"Se não tivéssemos acabado de comer, eu não deixaria você lamber seus lábios assim, impunemente." Assegurou, sedutora, levantando-se para buscar a sobremesa. Só deixaria a cargo dos empregados arrumar a mesa no final da refeição, porque queria privacidade naquele momento.
No final das contas, Rachel não se mostrou tão desajeitada na cozinha assim, pois tinha feito um petit gâteau perfeito, e esta não é uma sobremesa assim tão fácil de fazer. A calda também era caseira e ficara no ponto certo, e o sorvete de menta de uma marca líder de mercado apenas complementava aquele manjar dos deuses. A "cereja sobre o Sunday" foi o licor de amarula que eles tomaram na sala principal do apartamento, onde ficaram ouvindo música e conversando, e fizeram amor no final da noite.
"Eu adorei nosso jantar." Ele afirmou, quando estavam deitados no sofá, ainda nus, com o corpo dela praticamente todo sobre o dele, graças ao pouco espaço que tinham ali. Não era uma posição desconfortável, contudo, e sim gostosa. E ele fazia carinho nas costas dela, enquanto ela retribuía arranhando de leve o braço dele.
"Eu também amei."
"Mas eu quero levar você pra sair. A gente já ficou tempo demais dentro de casa!" Reclamou, mas em tom brincalhão. "Eu tenho planos pra amanhã à noite. Venho te encontrar às nove."
"Aonde a gente vai?" Ela perguntou, curiosa.
"Vou fazer surpresa, que nem você fez comigo hoje. E não adianta insistir." Ele apertou a ponta do nariz dela, em um carinho diferente que estava se tornando um hábito.
"Mas eu preciso saber o que vestir." Ela fez bico.
"Boa tentativa, mas eu não preciso te dizer. Basta você saber que eu vou de terno, sem gravata." Ela sorriu e deu um beijo nele, transmitindo toda a ansiedade pelo que a noite seguinte lhes reservava.
E pode-se dizer que o programa correspondeu totalmente às expectativas! Antes mesmo de chegar ao restaurante, ele abriu uma garrafa de champagne no carro, dirigido por Sam, propondo um brinde à nova relação dos dois, e eles trocaram carinhos e beijos. Ela estava radiante, mesmo tendo que retocar o batom e limpar os lábios dele com um lenço, antes de saírem do veículo, quando chegaram ao lugar escolhido por ele. Ficou ainda mais maravilhada ao ver como o local era lindo e chique.
Qualquer pessoa diria que tudo ali combinava perfeitamente com o seu status de presidente de um grande grupo de joalherias, mas isso foi justamente a única coisa que, quando ela constatou, a deixou um pouco preocupada. Principalmente porque ela podia ser milionária, mas não era o luxo a coisa que mais lhe importava na vida. Na verdade, nunca fora, por mais estranho que isso possa parecer!
"Finn, esse lugar é... UAU!" Falou, soltando o ar, como se estivesse sem fôlego, quando eles já estavam sentados à mesa e ele tinha pedido um vinho. "E não quero que me entenda mal porque eu estou amando tudo, mas... você não precisava fazer tudo isso." Disse, séria. "Eu posso ter muito dinheiro e coisas caras, mas não ligo pra elas mais do que eu ligo pra sua companhia. Eu ficaria feliz com você em qualquer lugar... a gente podia ter ido a um restaurante mais simples."
"A gente vai comer em restaurantes mais simples também, mas é nosso primeiro encontro." Afirmou, sorridente. "Eu queria um lugar romântico, especial."
"Mas..." Ela ainda estava preocupada, mas tinha medo de verbalizar e acabar fazendo uma desfeita a ele.
"Mas é muito caro para um contador?" Questionou, mas parecia estar se divertindo com a hesitação dela e não aborrecido.
"Eu não quis te ofender." Ela colocou a mão sobre a dele e olhou diretamente para seus olhos. "Eu só me preocupo. Não é justo que você gaste tanto comigo em uma noite."
"Não vai me fazer falta, Rach. Se fosse fazer, não estaríamos aqui. Eu não gastaria com um jantar, se fosse deixar de ter grana pra alguma coisa importante." Assegurou. "Eu não ganho realmente bem na empresa pra estar em um lugar desse, apesar de vocês pagarem um salário acima do mercado. Só que eu tenho outras fontes de renda que me permitem isso, felizmente. Eu não sou milionário como você, mas meu pai era um investidor e me deixou muita coisa. Eu nem precisaria trabalhar pra você... bastaria eu administrar bem tudo o que ele deixou, mas eu gosto de ter uma ocupação e sou um apaixonado por números, mesmo sabendo que isso parece estranho." Riu.
"Você é fascinante, Finn. O estranho pode ser fascinante." Declarou, admirando o homem à sua frente, erguendo sua taça de vinho e fazendo o segundo brinde da noite.
Naquele sábado, eles transaram na sala principal, na de TV, e na cozinha, e depois viram o sol nascer sentados na beira da piscina, com parte das pernas mergulhada na água, antes de Finn voltar para seu próprio apartamento. No domingo, foi ela quem sugeriu que saíssem de casa e fossem ver um filme no cinema, para depois fazer um lanche em um café perto dele.
No final de semana seguinte, eles visitaram um ringue de patinação, por sugestão dele, e foram a um lugar chamado Helium Comedy Club ver apresentação de comediantes no estilo stand up, por sugestão dela, que já tinha percebido o quanto ele adorava comédias e ria fácil com elas. Não dava nem para acreditar que, um dia, ela tinha acreditado que ele era um rapaz excessivamente sério. As aparências realmente podem nos enganar e devemos ter cuidado com elas!
Então veio o final de semana em que comemoraram um mês de namoro oficial, e Finn preparou uma nova surpresa para a garota. Levou Rachel ao Sugarhouse Casino, onde tiveram uma noite divertida, bebendo drinques coloridos e arriscando a sorte nos dados, na roleta, no Blackjack, no Poker e no Caça-níqueis, entre outros jogos. Como é comum acontecer, a sorte esteve ao lado deles, no início, mas os abandonou por completo a uma certa altura da madrugada, quando então a morena, que já estava um pouco afetada pelo álcool e muito pela adrenalina, deu uma sugestão irrecusável.
"To mais a fim de jogar Strip Poker lá em casa do que jogar isso, bebê!"
"Só se aquele que não ficar pelado primeiro puder escolher em que lugares da casa a gente vai transar depois." Propôs ao pé do ouvido dela, com a voz gostosamente rouca e ela concordou.
Tiveram que se valer de todo um autocontrole que nem achavam mais que tinham, para não arrancar as roupas um do outro, quando chegaram em casa, antes mesmo de o jogo começar. Pegaram as cartas e jogaram a primeira rodada, em que um Full House ganhou de um Flush e Rachel ficou sem os sapatos. Na segunda, foi Finn quem perdeu os dele e na sequência também se foram suas meias. Na quarta rodada, um Flush ganhou de um Three of a Kind e Rachel tirou o vestido, fazendo Finn se animar e beber metade de sua cerveja de uma vez.
Com mais duas rodadas, ele estava sem paletó nem camisa, mas depois ganhou duas vezes seguidas e Rachel perdeu as meias sete oitavos e o sutiã, que tirou devagar, fazendo mesmo um striptease. Ela ainda teve tempo de ganhar uma dele e mandar que ele tirasse a calça, mas perdeu as calcinhas quando mostrou que tinha só um Straight, contra o Four of a Kind dele. A última peça também foi tirada com calma, enquanto os dois se encaravam, e jogada na direção dele, que a pegou no ar, sorrindo bobamente.
"Você sabe o que isso significa, senhorita?" Ele perguntou, já agarrando-a pela cintura e colando o corpo no dela. Seus rostos estavam próximos e um sentia a respiração quente do outro.
"Que você escolhe onde me comer!" Respondeu, cravando as unhas nas costas dele.
"Eu quero no seu quarto." Ousou declarar, pegando-a no colo, apesar de estar esperando que ela protestasse.
Porém, o protesto não veio e sim um sorriso terno, em meio à tensão sexual. Rachel estava tentando de verdade se entregar, por isso era chegada a hora de Finn conhecer um pouco mais da intimidade dela.
