(Parte 14 – Composição 777 / Ponyville-Manehattan, sem escalas)

Madrugada difícil foi essa, amigo...

Trocando em miúdos, desde que saímos de Canterlot, ninguém mais dormiu naquela penumbra até reconfortante, mas obscura, de Ponyville. A cidade sem iluminação pública era ainda mais perigosa tendo em vista que um pônei estivesse a solta atrás de estilistas de toda a Equestria.

Já falara anteriormente, era o nosso primeiro trabalho, no improviso. Qualquer erro poderia ser até fatal.

Fatal seria para Applejack. Desde a última noite não tínhamos mais notícias além do bilhete com o pedaço da cauda que nos foi enviado. Dava medo, saber que ela poderia estar até...

... Bem, nem é bom pensar em como ela poderia estar. Era bem tarde da noite, e a ameaça de ataque a Fluttershy era a bola da vez.

Concluímos, eu e Frost, que de alguma maneira o atacante sabia que estávamos a protegendo, usando-a como isca para apanha-lo, ou apanha-la. Após deixarmos Canterlot, ainda com páginas de livros coladas no carro pelo nosso choque, fomos à casa da Pégaso de madeixas rosas. Pela estrada, desta vez.

Era próximo das 6h da matina. Fluttershy não aguentara e caiu no sono no banco traseiro, ao lado de Spike. Fomos escoltados por Spitfire e Rainbow Dash, a meia altura. Frost e eu, ao entrar lá, se deparamos com uma cena de guerra, mas incomum para o que pensávamos encontrar. Os animais gritavam como podiam a falta da dona, especialmente Angel, esquecido na correria de Fluttershy:

A – Isto está uma zona... Deve ter sido o tal atacante

F – Pelo menos, cheira bem... Lavanda e capim-limão. Usa bem o perfume... E esse coelho todo trêmulo (pega Angel no colo)... Deve ser o bichinho amado dela.

A – (observando os vestidos da coleção revirados)... Gozado, quem esteve aqui não levou nenhum vestido. Bem o contrário de que nos foi relatado em Canterlot.

F – Aquela história de destruir coleções? Vai ver que ficaram com pena da Fluttershy... Sei lá eu... Só sei que estou começando a ficar com sono...

A – Ei Frost, e isso no seu pé? (apontando para o pé do morcego)

F – Isso? Parece um envelope... (o pega e o lê)... Acho que você e eu conhecemos bem

A – (toma da mão de Frost e também o lê)... Quem é essa? O de Fluttershy está comigo. O peguei como pista quando estive aqui...

F – Olha, quem quer que seja... Esta pônei pode estar numa grande encrenca. E quero ver me sair dela...

(Spitfire e Rainbow Dash entram na casa)

Spt – Nada de anormal lá fora, nem onde os animais ficam, nem onde... O que é aquele cano lá atrás?

F – (aproxima-se do cano)... Já vi isso em algum lugar... E cheia a gás

A – Tentou queimar a casa... Assim como o Carousel Boutique... Por isso não levou vestidos... Isso está virando um ciclo perigoso

F – Os outros ataques, como disse Celestia, foram coisa de sabotagem. Queimar a coleção, roubar a coleção. Nem sei mais se estamos lidando com um sabotador, um estilista demoníaco ou um incendiário.

RD – E vocês... Ainda acham seguro que Fluttershy vá a Manehattan? Ela não pode fazer isso...

A – Rainbow, esta é a única forma de tentarmos por a mão no atacante. De alguma forma, ele já sabe da coleção que ela está fazendo. Sabe quem ela está homenageando... E a homenageada tem grande voz na moda.

F – Vamos manter o máximo possível a segurança dela, Dash... Ao primeiro sinal suspeito, PUF! É nosso!

RD – Não sei não, rapazes... Eu conheço bem ela, ela pode muito bem não saber o que fazer em uma situação de perigo... E se ela acabar na mão desta ou deste pônei? E se...

Spt – Nem pense nisso, Rainbow Dash... A única forma é seguir mesmo a ideia dos agentes. Além do mais, apesar de ser nossa convenção, estaremos em pleno alerta. Qualquer anormalidade, atacaremos junto.

A – Você pode ficar de olho vivo na sua amiga, Dash... (abaixa-se perto dela)... Ela vai ficar bem e isso tudo vai acabar em Manehattan. Palavra de André Miles Prower, agente especial de Mobius. Temos Celestia por testemunha e eu e Frost jamais deixamos um caso sem solução!

F – Exceto quem roubava meus lanches escondido em São Petersburgo... Até hoje suspeito de uma certa raposa...

A – Err... Essa não vem ao caso, Frost... Eu me inocento desde sempre!

RD – (ri de leve)... Vocês são engraçados. Mas vamos todos conseguir... Estaremos com vocês!

Corte rápido para a manhã. Depois de um resto de madrugada arrumando malas, dando os últimos retoques na coleção e preparando equipamentos (mesmo com as constantes perguntas da curiosa Rainbow Dash), seguimos caminho para a estação de trem de Ponyville.

A primeira vista a locomotiva e toda a composição pareciam uma loja de doces, toda multicolorida. Era naquilo que iriamos andar. A maquina a vapor parecia do início do século, com alguns detalhes que a faziam parecer um bolo de aniversário com caldeira e rodas.

A guarda real, mobilizada por Shining Armour para nossa partida, faria uma espécie de escolta de Fluttershy e de outros estilistas de outras cidades que embarcariam naquele trem. Nós nos dividimos, eu acompanharia Fluttershy e Spike na cabine do vagão, Frost estaria no ar com o Mini, junto de Spitfire e Rainbow Dash, patrulhando qualquer movimentação suspeita no caminho do trem.

F – Estão todos prontos?

SA – Eu e alguns de meus homens acompanharemos vocês no vagão. Podem ficar tranquilos

A – Tudo bem, Shining, Frost estará no ar com os Wonderbolts. Estarei aqui na composição, qualquer incêndio, a gente apaga.

SA – Nem fale em incêndio, André... De tanto, minha cabeça já está em fagulhas... Por Celestia!

A – Sem crise, capitão. Quem não está chamuscado com tudo isso?

F – Piadas a parte, camaradas...eu vou pro ar. Spitfire me chama (vai rumo ao Mini)

O condutor gritou a plenos pulmões o clássico "todos a bordo" para quem quisesse ouvir na estação. Pôneis de todos os cantos entravam no vagão, me fitando com os olhos com a maior da cara dura. Afinal, nunca viram uma raposa que andava com dois pés e falava... E ainda era agente especial da armada de Equestria. Pudera...

Por entre quem passava pela cabine, sendo rigorosamente observado pela guarda real, uma unicórnio chamou-me a atenção. Estava toda envolta em uma distintíssima capa negra com poucas estrelas brancas. Nos olhos, um óculos igualmente escuro, ficando visível apenas o focinho e a boca. Sapatos brancos nos pés e uma pompa digna de um estilista de altíssimo garbo. Podia ser até.

Sp – Aquela lá tá bem vestida... Precisávamos vir de traje de gala?

A – Hehehe... Bobagem, Spike. Deve ser uma almofadinha qualquer dessas...

Sp – Só queria saber por que ela fitou-nos um bom tempo quando entrou?

Flu – Deve ser porque ela sabe que estou com a coleção que homenageia a Rarity... Poxa, queria que ela estivesse aqui. Sinto tanta falta dela... Ela tinha que ver este desfile.

Nesta mesma hora, outra unicórnio entrava atrás da primeira que acabei de mencionar. Desta vez, estava vestida com um traje vermelho com detalhes brancos. Um óculos lilás que escondia os olhos e uma curiosa madeixa roxeada que teimava escapar da touca.

O gozado é que, ao passar pelo vagão, fez Spike ficar em polvorosa, mas o dragão não falava coisa com coisa. Talvez para não criar alarde de alguma ameaça

A – Mas que raios você viu, Spike? Abre a boca que é mais fácil...

Sp – Eu... É... Eu vi... É...

A – Aquela da roupa vermelha? Jurava que era bombeiro...

Flu – Spike... O que há? Está tudo bem...

Sp – É... Eu acho que a...

Condutor – Podemos partir, sr. André?

A – Perguntando pra mim? Ora, vamos lá... Se for por falta de sim, SIM!

Condutor – Plataformas estão livres. Todos foram vistos de cabo a rabo e estão limpos. Tenham uma boa viagem.

A – Muitíssimo obrigado, meu caro... E atento aos vagões!

Condutor – Deseja algo, Srita. Fluttershy?

Flu – Ah, não obrigada. Vou esperar o trem se movimentar... (sorri)

Trem apita, é hora de deixar Ponyville. E seja o que De... Digo, o que Celestia quiser.

Eu não vou mentir, por um bom tempo, a viagem era deveras agradável e nos permitia uma visão fabulosa de Equestria como não havíamos visto ainda. Ao lado e em cima do vagão, próximos e em velocidade de cruzeiro, Frost era acompanhado por Rainbow Dash e Spitfire. Elas partiram depois dos Wonderbolts, que foram a frente para acertar os últimos detalhes da convenção.

Era um lindo vale, sem dúvida o dia havia descortinado lindamente por sobre nós. Pássaros gorjeavam nas matas, folhas balançavam, pôneis residentes nas imediações do ramal ferroviário acenavam para a composição, potrinhos saiam correndo deduzindo disputar racha com o trem.

Tudo estava cândido, até Fluttershy, visivelmente nervosa no começo da viagem, estava mais tranquila, conversando longamente com Spike pelo caminho.

Pelo radiotransmissor (sim, ainda isso podíamos usar em Equestria, e o sinal era fabuloso), eu e Frost acertávamos os ponteiros. Tudo ouvido também pelas pégasus que nos acompanhavam fora. Tudo calmo, a não ser as interjeições exaltadíssimas de Rainbow Dash, maravilhada com aquela "caixinha que falava sozinha".

Com tudo mais ou menos as tranquilas, pedi licença a Fluttershy e Spike e sai para explorar o vagão, ter certeza que tudo estava bem e no rumo certo. Antes de sair, solicitei a Spike que enviasse mensagem a Twilight, avisando que tudo corria nos conformes e que gostaríamos de torradas com ovos e chocolate quente quando chegássemos. Estaríamos hospedados no mesmo hotel, e a alicórnio já era quase como nossa "brother", vamos dizer assim.

No corredor, dois guardas, um deles era Shining Armour, guardando o que era a última porta da composição, a que dava para fora do vagão. Eram quatro vagões de passageiros e um de serviço, logo depois da própria locomotiva, e estávamos no último vagão de passageiros.

Depois de voltar da ponta, fui ao fundo trocar figurinhas com o irmão de Twily, ver se tudo estava em ordem. Mas, não pude deixar de ser "esbarrado" pela tal unicórnio da capa preta, que me empurrou como se estivesse com pressa.

A – Ora ora... Não tem olhos ou os esqueceu em casa?... (virando-se para frente)... Almofadinha

Chegando a porta, Shining Armour olhava tenso pela janelinha, um tanto compenetrado:

A – Procurando Cadence no horizonte, capitão?

SA – Err... (encabulado)... É... Não vou mentir. Essa vida de casado deixa a gente meio molenga de coração. Não a vejo há semanas. Está tão envolvida com a convenção. Na verdade, ela foi nomeada com organizadora-chefe. Ações de caridade, essas coisas...

A – É sem dúvida uma princesa de respeito. Tem sorte, meu caro...

SA – Que nada, eu que agradeço... E você, tem alguma égua em vista?... Err... Digo... Ammm...

A – A filha do Frost, Rouge... A morcega mais linda que já pisou em Mobius... Estou meio que no flerte, nada muuuuito formal ainda, mas... Da pra brincar, como diz o sábio.

SA – E bem que dizem que as raposas são espertas... Celestia não mentiu... Alias, acho que ela está muito, digamos... Feliz com seu amigo, o Frost.

A – Eu nem sabia que alicórnios tinham queda pra morcegos... Você é demais, Shining! (rindo)

Tudo corria bem, até que... (sempre tem esse "ate que", não adianta)

Era pela altura de uma ponte longuíssima. A Ponte do Hipismo. Segundo Shining Armour, era a ponte mais longa da malha ferroviária de Equestria. Saia da ponta de um precipício assustador e terminava dentro de um túnel todo de granito, numa extensão longuíssima de quase um quilômetro com um leve aclive.

Abaixo de nós uma queda mais que vertiginosa que dava em um rio. A saída dava em uma descida longa para um vale verde e encantador, isto depois do túnel de granito. Ainda segundo Shining, as vigas de sustentação eram super-resistentes e foram construídas por mais de 1500 pégasus de várias partes do reino. Uma monstruosidade da engenharia cavalar... Onde a única segurança era uma simples mureta metálica.

SA – Espero que não tenha medo de altura... Isso aqui é alto, pensa como é alto... Aconselho a não olhar pra janela.

A – Sem crise... Vou voltar à cabine, não sei se a Fluttershy vai aguentar a vertigem...

Ao voltar, percebi que a unicórnio da capa preta não havia voltado para sua cabine, se é que era sua cabine. Ao olhar pro lado, uma cabine antes da de Fluttershy e Spike, no outro lado do vagão, me deparei com a outra unicórnio que tinha causado histeria em Spike. Dava pra ver a madeixa roxeada bem mínima escapar do chapéu vermelho que completava o look vermelho berrante, ou "vermelho bombeiro", como chamei.

Parecia muito conhece-la, me cumprimentou de dentro da cabine com delicadeza (e uma certa rispidez) enquanto lia uma revista, notadamente de moda. Correspondi, mas assim como o pequeno dragão, fiquei com uma pulga atrás da orelha.

No entanto, não tive muito tempo para ficar com uma pulga assim me coçando, de repente, senti que o trem parecia estar parando, logo depois de entrarmos no túnel. Algo estranho no ar.

A – Shining, impressão minha ou... Estamos parando?

SA – Não é impressão, tem alguma coisa errada... As luzes não estão mais acesas... (correndo para a porta na outra ponta do vagão)... Oficiais, em posição! Temos algum problema!

A – Espera, vamos ver nós dois...

Ao abrir a porta, em meio a escuridão, um choque tremendo. O trem sumiu. Estávamos literalmente parados dentro do túnel, sob uma escuridão mortal. Éramos o último vagão do trem e, de tão reservado que era, estávamos apenas eu, Shining Armour e seus comandados do destacamento, Fluttershy e Spike, a tal pônei da capa vermelha e a outra pônei do traje negro...

Eu disse, a "pônei do traje negro"? Pois é, ela não estava mais lá.

Sp – O que houve? Paramos?

A – E agora, José? Estamos parados no túnel, sabe-se lá como isso aconteceu...

SA – Alguém desengatou este vagão... E foi sem forçar nem explodir, simplesmente desacoplou tudo, até o cabo de força...

A – Alguém sabia que estávamos aqui... Não é possível! Como isso aconteceu? Não foi um acidente. O condutor virou esse vagão de cima a baixo antes de sairmos?

Flu – Estamos parados? (na porta do vagão, encolhida)

A – Fluttershy, é melhor voltar para a sua cabine... Não sabemos o que aconteceu

Flu – E agora? Não sabemos como voltar... Nem como seguir... O que faremos?

Seria praga maior? Do nada, dentro do túnel, começou a chover. As nuvens, curiosamente, estavam concentradas dentro do próprio túnel, formando uma pequena tempestade sem raios. Apenas água. E para piorar, o radiotransmissor que eu mantinha com Frost estava falhando, não dava mais sinal.

SA – Problemas... Está vendo a parede rosada na porta do túnel?

A – Estou

SA – Feitiço de bloqueio, nada passa por ela, a não ser se alguém souber desbloquear o efeito.

A – Você é o irmão da Twilight... Você é unicórnio... Não sabe fazer isso? Sabe-se la o que?

SA – Err... Nem todos os feitiços eu conheço...

A – Que maçada, e a água está empoçando...

- FORA DO TUNEL –

Frost seguia o voo tranquilo, tendo a companhia de Rainbow Dash e Spitfire. Para eles, nada parecia estranho e a composição seguia firmemente pela linha. Até a Pégaso arco-íris notar algo estranho vindo do que agora era o último vagão...Problemas.

RD – Comandante... Frost... É normal a última porta ficar... Aberta... Com alguém estranho ali?

Spt – Segundo as instruções de condução que passaram... Não. Só com autorização do condutor.

RD – Hmmm... E... Quantos vagões tinham?

Spt – Quatro de passageiros, por quê?

RD – Só se estou ficando louca, gata... Tem três vagões...

F – Você disse... Três?

RD – É o que estou contando, Frost... Uns, dois, três, podem ver...

F – Precisamos voltar... Meu radio também não está funcionando...

Spt – Rainbow Dash, vá com Frost! Vou tentar segurar o trem a nossa frente (sai em disparada)

O trem já tinha se afastado há alguns quilômetros do túnel, dentro do verde vale que seguia o túnel de granito. A caminho do túnel, Frost e Rainbow Dash voltavam o mais rápido possível, sem saber onde o último vagão parou.

RD – Ele não falou nada na caixinha, Frost?

F – Nada, Rainbow... Nada... E está só chiando... Espera (olhando a frente)... Sabe o que é aquela coisa rosada na saída do túnel?

RD – Não faço ideia, parece um chiclete colado na saída do túnel... Ou Spike espirrou...

F – Tem algo cheirando de errado... Não pode ser

A dupla pousou... E o cenário era bem pior do que se pensava, Já se formava um pequeno alagamento dentro do túnel, represado pela parede rosada.

Frost – André?! Fluttershy?! Shining?!

RD – Alguém aí? Olá?

- DENTRO DO TÚNEL –

Uma cruzada para tentar alcançar a outra ponta do túnel, um pouco adiante. Os poucos quatro guardas e Shining Armour tentavam puxar o pesado vagão pelos trilhos, tendo ainda a água como um agravante a mais, já que o nível de água começava a segurar o trem. Dentro do vagão, Fluttershy e Spike observavam, da porta, o esforço dos soldados em puxar o vagão.

Flu – Estou com medo, Spike... E se não conseguirmos sair daqui?

Sp – Calma, logo estaremos na outra ponta... Vai ser mais fácil pra tentar romper a parede rosada.

Flu – Mas... A água... A água esta subindo muito rápido... E se nos afogarmos aqui? E se ninguém nos encontrar aqui? Vamos nos afogar... Maldita coleção... Por que que nós viemos? Devia ter ouvido Rainbow Dash antes de me meter nessa ideia dos agentes.

Sp – Fluttershy, você precisa se acalmar... Não vai adiantar se desesperar, só vamos ficar mais tensos. Precisamos trabalhar juntos.

Nesta hora é aquele momento que algo estala no ar. A Pégaso de crina rosada salta e exige a Shining Armour uma corda... Quer ajudar também. Apesar dos protestos de Spike e do próprio Shining, se bota a frente do vagão, voando com a corda nos dentes o mais veloz que podia.

Enquanto isso, eu vasculhava pelo vagão atrás de alguma pista da dita unicórnio de capa preta. Até encontrar uma capa roxa dentro de uma valise preta, além de alguns papeis e um livro de feitiços sórdidos. Guardei a valise comigo, seria-me muitíssimo útil.

Quando voltava, uma surpresa na porta de uma das cabines. Limpando o olho depois de um cochilo.

? – O que está acontecendo, senhor raposa? Estamos parados? E por que há água no vagão? Caímos em um lago?

A – Ammm... Alguém prendeu esse vagão com uma parede... Sei lá... Rosada, no fim do túnel. Colocou chuva aqui dentro e estamos prestes a virar peixes... E é André Miles Prower para você, senhorita.

? – Que diferença faz? E vocês não sabem desbloquear feitiços? Que tipo de ser místico é você, afinal? E se veste tão mal...

A – Agora não é hora de discutir a última moda. E se você é uma unicórnio, espero que saiba desbloquear a parede... Bom começar a pensar em algo antes que vire história na moda.

? – Ora, que petulância! Bem... Você verá, querido... Só me façam chegar mais perto da porta, não vou molhar meu traje nesta água...

A – Então se aprume... A parede já está perto... Acho... (enquanto ela ia, um estalo)... Alias, você me chamou de "querido"? (silêncio momentâneo)... Obrigado pelo carinho (sorri)

? – Err... Nada, nada... Se chamei, eu me equivoquei, petulante! Com licença...

A – Almofadinha... Quem deixou ela entrar aqui?

Deus... Celestia... Sei lá, que fosse rápido. Já estávamos na metade das canelas de água dentro do vagão. Spike levantava as malas com as roupas da coleção de Fluttershy no ponto mais alto do vagão, enquanto eu seguia a misteriosa unicórnio de roupa vermelha. Ela estava na porta do vagão olhando fixa para a parede rosada que segurava a água...

? – Bloqueio... Estão encrencados... Mas acho que posso conseguir romper a parede.

A – Se pode conseguir... Tenta romper então... Ficar de tentativa, até eu posso...

? – Dá pra você ter um pouco de paciência, quer...(limpa a garganta)...estou te dando a...

A – VAI LOGO, pombas!

? – Ta bom... Tá bom... Tá bom...

Juro, amigos... Daria uma bifa direto na nuca daquela unicórnio almofadinha. Só podia ser uma profissional da moda, como todas as outras. Com pose de sabe-tudo e arrogante.

Enfim, do chifre saiu um poderoso raio azulado, que acertou a parede rosa na saída do túnel. Era em tempo, a tropa da guarda real e Fluttershy já caíam cansadas apenas nadando na pequena inundação que se formou...

- FORA DO TUNEL, momentos antes –

Rainbow Dash e Frost estavam próximos aquela estranha parede rosada transparente que fechava o túnel. O morcego jamais tinha visto algo daquela forma. E para piorar, a água subindo constantemente dava pra ser vista pela transparência. Um pequeno desespero se instalou em ambos, sabendo que o vagão que faltava podia estar virando um submarino.

F – Eu não sei se uma Pégaso pode fazer isso mas... Você pode quebrar isso?

RD – Eu não tenho um chifre, Frost... E eu não vou me jogar contra isso...

F – Ah, ótimo, vamos assistir eles se afogando lentamente?

RD – Claro que não... Precisamos... Precisamos...pensar em algo

F – Você pode se jogar na parede pra ver se ela racha...

RD - ... Frost...acho que você não ouviu o que eu falei da primeira vez. Nem com milhões de arco-íris supersônicos eu derrubaria isso... É feitiço de unicórnio que sabe bem o que faz. Tá vendo, cara? (toca na parede sutilmente)

Sabe aquelas coincidências dignas de filme? Uma delas aqui e das boas. Justo o toque de Rainbow Dash na parede rosada foi no instante em que o tal raio da pônei de capa vermelha chocou-se na barreira.

Em vez dela desaparecer, ela começou a rachar-se por completo até quebrar como uma taça de cristal. A água escapou rápido, sem dar chance aos dois intrépidos do lado de fora. Estávamos livres, enfim.

F – Ammm... O que você dizia sobre "não posso quebrar a parede" mesmo, Rainbow Dash?

RD – Cala a boca! (toda molhada)