Resumo: Eu tinha sete anos quando o conheci. E nem eu nem ele sabíamos como nossas vidas iam mudar a partir daquele momento. AU, B/B.
N/a: Estou me esforçando pra arrumar a bagunça que eu mesma fiz. E estou me divertindo.
Nina, obrigada pelas observações!
Muito obrigada pelos reviews! ^^
Uchiha Niinah: Sim, eu pensei que a família dela seria como a família que ela descreve na série. Não sei se vou incluir a história do prato ainda, mas algo do tipo deve acontecer.
Lab Girl: Estou trabalhando na parte da Brennan amolecer um pouquinho. Mas com um Booth fofo do jeito que é, acho que até ela amolece... haha
Carolzinha: Quanto a colocar mais partes da música, considerando quais são os próximos versos, vou ter que trabalhar um pouco pra chegar lá. ;)
Brennan's Song
14. Um passo por vez
Eu saí da aula de física estranhando não encontrar Angela, no lugar onde costumava me esperar depois da aula. Segui o fluxo de alunos em direção à saída. Do lado de fora o céu estava claro. O tempo estava ficando mais e mais ameno à medida que o verão se aproximava, junto com as férias.
Interrompi a linha de pensamento ao reconhecer a figura de Angela. Ela estava parada na saída do colégio, conversando com... aquele era o Hodgins?
-Querida! – disse Angela ao me ver – O sinal já tocou? Acho que me distraí...
- Você conhece o Hodgins?
-Eu a reconheci, daquele dia que vim deixar os formulários. – se apressou ele em dizer. – Achei que sendo sua amiga, ela saberia onde você estava.
-Queria falar comigo?
Ele concordou, abrindo a mochila que trazia nas costas.
-Você esqueceu esses livros no carro.
Eu olhei para os dois livros que ele me entregava.
-Podia ter me levado na terça.
-Resolvi trazer por segurança, vai que estava precisando...
Eu ia argumentar que ele sabia que não faríamos nada até discutirmos a pesquisa na terça, mas Angela me cortou.
-Com certeza ela estava precisando, nunca vi pessoa pra andar com tantos livros que nem a Brennan...
Hodgins sorriu, e nós três ficamos em silêncio. Ele passou a mão na cabeça, dizendo:
-Olha, preciso ir andando. Brennan, te vejo terça. Angela, assim que puder eu trago aquele cd que você pediu.
Angela ficou mirando Hodgins se afastar, então se virou para mim, pegando minha mão.
-Onde estamos indo? – perguntei, enquanto era praticamente arrastada por ela.
-Até a lanchonete. Alguém precisa me contar exatamente o que aconteceu hoje no intervalo.
-Quem?
-Você, Brennan. – disse ela rindo.
Caminhamos até uma lanchonete que ficava a uma quadra da escola. A Royal Burger era muito famosa entre os alunos, principalmente pelos sanduíches e batatas fritas. Eu e Angela pegamos uma mesa perto da janela, e ela pediu uma porção de fritas para dividirmos.
-Me esclareça a história, Brennan, ouvi tantas versões pelos corredores que não sei em qual acreditar.
Àquela altura eu já havia percebido o que Angela queria e a que se referia. No tempo que fazia que éramos amigas, aprendi que a curiosidade dela era insaciável, e que de nada adiantava eu me esquivar de suas investidas.
Narrei para ela exatamente da forma como aconteceu, Carter me provocando, eu revidando, Booth se metendo na discussão, e nosso acordo depois.
-Brenn, então vocês fizeram as pazes!
-Não exatamente Angela. – disse eu, pegando uma batata do prato – Eu ainda não acredito em tudo que ele fez e está fazendo, e acho que ele ainda não me perdoou pela minha explosão inicial.
-Compreensível. Mas vocês vão chegar lá, não se joga fora uma amizade dessas assim, do nada.
Eu senti uma sensação ruim ao ouvir a frase final. Não se joga fora uma amizade assim. Não queria nem pensar nessa hipótese.
À medida que a semana passava, percebi que já não ouvia as provocações habituais pelos corredores. Nenhum garoto tentou me fazer tropeçar, ninguém fez comentários sobre a minha roupa ou sobre o fato de eu ser uma foster kid. E quando comentei com Angela isso, ela sorriu.
-É claro, todos respeitam o Booth. Carter está no segundo ano e Booth no terceiro, e ele é mais alto e mais forte. Carter nunca arriscaria confrontá-lo.
Angela tinha uma boa percepção, e concordei que talvez ela estivesse certa. Mas não sabia que posição tomar a respeito daquilo tudo. Era bom não ser mais provocada, mas não queria que Booth intimidasse outras pessoas por causa disso. Não queria mais confusão alguma.
Vi Booth algumas vezes, e ele apenas dava um rápido aceno quando nos cruzávamos. Sempre estava com dois ou três garotos, apenas um dia o encontrei abraçado a outra menina. E, percebi, não era a mesma menina que o vira beijando algum tempo antes.
Sexta-feira o tempo amanheceu chuvoso e eu me vi deitada na cama, com preguiça de levantar. Então me lembrei que havia uma aula dupla de história no período da manhã, e isso me animou. Estávamos aprendendo sobre a civilização minóica e o assunto me fascinava cada vez mais. No dia que tivesse meu emprego e pudesse me sustentar, iria viajar até Creta para poder ver as construções e afrescos com meus próprios olhos.
Meu dia estava sendo bom até a hora do intervalo, quando Tommy, que eu já não via há algum tempo, passou dos limites em suas provocações.
-Ei, Temperance! Irônico como agora é você quem não tem pai nem mãe, não é? Dejá vu?
Aquilo realmente mexeu comigo. Não só por que ele havia tocado em um ponto sensível para mim. Mas também por que ele havia evocado memórias que eu não queria lembrar, de quão ele deixara Booth triste quando criança, de quantos problemas ele nos causou.
-Não vai chamar correndo seu protetor? Saiba que eu não tenho medo do Booth como os outros, nunca tive.
Depois do episódio com Pete, eu havia me inscrito em algumas aulas de karatê. Meu professor falou que eu tinha uma habilidade nata, e eu já havia aprendido o suficiente pra deixar Tommy no chão e era esperta o suficiente para sumir antes que um dos amigos dele aparecesse.
-Não queira mexer comigo, seu idiota! – disse eu para o garoto ainda assustado, me mirando do chão. Então corri para a sala.
No final da aula, quando os alunos saíam correndo para a liberdade do final de semana, eu caminhei pelos corredores vazios, em direção ao ginásio. Sabia que não haveria ninguém naquele horário, e vi que estava certa quando cheguei. Subi até os lugares mais altos da arquibancada e me sentei sozinha na imensidão do lugar, encostando a cabeça contra a parede e mirando o teto. Pensei em tudo que havia acontecido naquela semana, Carter, Booth, Angela, Hodgins, Tommy. Enfim era sexta-feira, mas eu não estava antevendo o final de semana naquela casa barulhenta.
Alguns minutos se passaram e eu ouvi uma bola bater. Algum dos jogadores devia ter entrado para treinar um pouco, mas eu não baixei os olhos para ver quem era. Se levantasse e saísse em silêncio ele mal olharia para mim, como sempre acontecia. Mas a bola parou de bater e depois de um tempo de silêncio ouvi passos. Finalmente a curiosidade levou a melhor e eu inclinei a cabeça para ver quem era.
Booth.
Ele estava com a camisa regata e as bermudas largas do uniforme, e eu precisei de muita concentração para parar de prestar atenção neste detalhe. Olhei para o rosto dele, mas não consegui lê-lo como costumava. Ele bateu a bola, passando de uma mão para a outra.
-Achei que você estava dormindo. – disse ele de forma casual, se virando para a cesta. A voz dele ressoou pelas paredes do ambiente enorme e vazio.
Eu dei de ombros
-Gosto do silêncio deste lugar. – ele fez uma cesta e pegou a bola para arremessar de novo. Eu me espantei com a facilidade com que a conversa surgiu. Era como se ainda fôssemos os melhores amigos.
-Eu também. Este é o melhor horário para treinar.
Ficamos em silêncio tempo suficiente para ele acertar mais três cestas.
-Então, o que anda fazendo, Temperance? Já entrou em algum clube dos nerds?
-Não procurei nenhum clube.
-Pena, suas médias são as melhores do primeiro ano.
Ele andara olhando minhas médias?
Ele lançou mais uma vez, errando a cesta e correndo para jogar a bola de novo. Quando acertou, segurou a bola.
-Você sempre foi esperta, mas estou começando a achar que é um gênio. – disse ele – Quero dizer, você tirou dez no trabalho do Professor Walters, deve ser um recorde desde que a escola abriu.
Eu não pude deixar de rir. Ele tinha esse poder sobre mim.
-Estou começando a ver a Temperance que eu conheço...
Os olhos dele estavam quentes e o sorriso iluminava seu rosto. De repente me senti desconfortável. Procurei pelo pingente em meu pescoço, como sempre costumava fazer, mas não o encontrei. Apalpei meu pescoço com as duas mãos, mas não encontrei nem minha correntinha.
-O que foi? – perguntou ele, largando a bola ao me ver levantar e procurar por algo.
-Minha correntinha não está aqui.
Ele subiu as arquibancadas com agilidade e logo estava ao meu lado.
-Como era?
-Prateada, com um pingente de golfinho. – disse eu, olhando freneticamente na minha mochila e no lugar onde estive sentada. – Eu não posso ter perdido.
Nós dois varremos tudo com o olhar, mas nem sinal da correntinha. Então uma idéia surgiu na minha mente e eu levei a mão à cabeça.
-Tommy.
-O quê?
-O Tommy. Aquele idiota... Eu, nós brigamos mais cedo, ele deve ter pego ou arrancado, eu... – minha voz tremia com o nervosismo. Aquele pingente de golfinho havia sido de minha mãe, eu havia ganhado dela ao fazer quinze anos. E apesar de eu estar brava com ela e meu pai pelo que eles me fizeram, não podia deixar de ansiar por uma ligação, ínfima que fosse, com as pessoas que foram tudo para mim por grande parte da minha vida.
-Ei, Bones. Por que você brigou com o Tommy?
Eu levantei os olhos para Booth, que estava bem na minha frente. O uso do meu antigo apelido não passou despercebido, e eu me vi feliz por ouví-lo.
-Ele pediu por isso.
-Você bateu nele?
-Sim, me cansei de suportar as grosserias dele. Quando Russ estava comigo ele nunca teve coragem, mas agora... – eu parei de falar, querendo mudar de assunto. Suspirei e me sentei, pensando na correntinha.
Booth teve o bom senso de não perguntar sobre Russ. Se sentou ao meu lado, e bateu o ombro contra o meu de forma brincalhona.
-Ei, nós vamos encontrar essa correntinha, ok? Em último caso compramos outra.
Eu me virei, finalmente me permitindo olhar fundo nos olhos dele. Vi apenas meu melhor amigo.
-Você não devia fazer isso. Não está bravo comigo?
Ele tirou os olhos de mim, de repente mirando a bola de basquete com muito interesse.
-Eu estou bravo com você. Mas não posso ignorar tanto tempo de amizade, Bones. Mesmo fazendo um tempão que eu não te via, e mesmo que tenhamos ficado sem nos falar ultimamente, e mesmo com todo o drama que foram as últimas semanas, você continua a ser minha amiga. Uma grande amiga.
Eu senti minha garganta trancar. Que direito eu tinha de magoá-lo? Booth, meu amigo, que me protegeu, que me fez rir. Eu estava passando por um momento difícil, era verdade, mas era egoísmo meu descontar isso nele.
-Ah, Booth, me desculpe... – disse eu, tão baixinho que achei que ele não tinha ouvido.
-Eu só estava preocupado com você.
-Eu sei. Desculpa, eu...
-Olha, eu entendi. Você não quer falar sobre isso. Mas falar pode ser bom, Bones. Ajuda.
Ele sabia que eu era uma foster kid e que já não tinha contato com meu irmão. Mas ainda assim, não me pressionou diretamente, para que contasse.
-Quando eu estiver pronta? – perguntei, erguendo os olhos incerta.
Ele sorriu minimamente. Não era o sorriso enorme ao qual eu estava acostumada, mas era um começo.
-Quando você estiver pronta.
