Até os mais fortes, às vezes caem – Capitulo 14.

Autora: Karla Malfoy;

Beta: Ada Kaline;

Par/Personagem: Sherlock Holmes e John Watson;

Classificação: M (13+)

Resumo: John é forçado a ver algo que está debaixo de seu nariz e que não queria ver. Às vezes, as pessoas que estão do nosso lado são aquelas que são destinadas a ser nossa fortaleza. E quando essa fortaleza cai nos vemos perdidos. Será John capaz de aceitar o inevitável? Será ele capaz de fazer com que sua fortaleza volte a ser forte e indestrutível, sem que isso o destrua por dentro, mesmo que isso signifique abandonar o que lhe é mais precioso?

Disclaimer: Sherlock Holmes, suas histórias e seus personagens foram criados por Sir Arthur Conan Doyle, a serie televisionada foi criada por Steven Moffat e Mark Gatiss e são de propriedade da BBC. E eu sou só uma fã ardorosa de seus personagens, quer dizer de alguns, pois têm outros que dá vontade de matar... (cara de brava) e só para lembrar... Eu não quero e nem pretendo ganhar dinheiro com eles. Seria felicidade demais para uma pessoa só, deixo isso com o povo da BBC...


Avisos: Está fic é de conteúdo Slash, ou seja, relacionamento entre homens. Se não gosta, por favor, não leia.


Nota da Autor: Primeiramente, gostaria de pedir desculpas pelo atraso, again.. _ Eu sei..eu sei..Mas sorry... Bom analisando algumas coisas eu resolvi começar a postar a cada duas semanas, ok você pode me dizer: Karla você já está fazendo isso.._ eu sei, mas agora é oficial. Pois levo no mínimo uma semana para escrever e como os capítulos estão ficando cada vez maiores e as betas levam mais ou menos isso também para corrigir. Então a partir desse capitulo, atualizações a cada duas semanas, ok? *se esconde das pedras*


Tempo de Beijar

- Se quiserem, volto mais tarde. - Disse Sherlock, em um tom perigosamente baixo.

John tentou levantar-se. Porém, para o seu completo horror, quando se moveu, seu joelho foi de encontro à virilha de Mycroft, que gemeu com o contato.

- Oh, meu Deus. Me desculpe. - O loiro não sabia o que fazer, mas não precisou pensar muito. Um par de grandes mãos puxou-o pelo casaco, o afastando do homem ao chão.

- Está tudo bem, John? - O detetive olhava-o.

- Sim, estou bem. – O menor desviou dos olhos de Sherlock no intuito de observar Mycroft. O homem havia se levantado do chão, arrumando a camisa que saíra de dentro da calça. O Holmes mais velho mantinha a expressão neutra, porém em seu rosto um leve rubor indicava seu embaraço diante à situação.

- Mycroft, desculpe-me... - John tentou se desculpar, fazendo com que o outro homem levantasse a mão.

- Não há necessidade de desculpas. O que se passou foi um infeliz acidente. – O homem mais velho fitou o irmão mais novo. Sherlock mantinha a mão possessivamente sobre o braço do doutor, além de mantê-lo próximo de si. O loiro podia sentir a pressão que o detetive exercia sobre seu braço.

- Pode me soltar agora, Sherlock. - O loiro pode observar seu amigo fitando o "arqui-inimigo". Sherlock Holmes não se movia, parecendo não ter escutado nenhuma palavra que havia sido pronunciada.

- Pare de se intrometer em minha vida, Mycroft. - A voz do moreno era fria e cortante.

- Jamais me intrometo em sua vida, Sherlock. - O Holmes mais velho dobrava a manga de sua camisa displicentemente.

- Não? E que nome você dá ao que fez hoje? - Disse, dissipando todo o resto de paciência que lhe faltava.

- Sequestro. - Antecipou-se John.

- Não seja dramático. - Os irmãos Holmes responderam ao mesmo tempo.

À vontade do médico era de socar ambos. Perguntava-se até quando iria sobreviver aos dois.

- O doutor e eu estávamos apenas conversando. Não é mesmo, John? - Indagou-lhe com a mais pura ingenuidade fingida. O loiro abria a boca para responder quando foi interrompido pela voz de Sherlock.

- Apenas conversando? Até quando você continuará subestimando minha inteligência, Mycroft. - Soltando o braço de John, o homem se dirigiu à direção do irmão. - A pasta em cima da poltrona me diz mais do que uma "simples conversa".

- Só estava mostrando a ele alguns arquivos. - O primogênito dos Holmes deu às costas para o irmão, dirigindo-se ao pequeno bar existente na sala. Encheu o copo com Whisky, acrescentando um cubo de gelo.

- Não dê as costas a mim, Mycroft.

- Seja menos infantil, Sherlock. Bebida, John? - O poderoso homem fingiu não ver a raiva de seu irmão mais novo.

- Algo forte, por favor.

- O John não vai beber nada.

- Não? - John se sentia divido entre a raiva e a curiosidade. - Por que exatamente não beberei?

- Não faça perguntas óbvias. - Havia irritação no tom de voz.

- Pode ser óbvio para você, contudo não é para mim. Poderia iluminar-me? - Terminou a sentença com os braços cruzados.

- Se me permite di...

- Cale à boca, Mycroft. - O detetive olhou o homem mais velho e pode perceber que o mesmo ostentava um ar de diversão em sua face. - Se está solitário, arrume seu próprio amigo.

- Jamais lhe veria como uma pessoa ciumenta e possessiva. - Holmes não escondia o tom debochado de sua voz.

- Ciumento? Possessivo? Se antes eu achava que você não fazia o menor sentido, agora tenho a mais certeza ainda.

- Você estava em casa, sem nada a fazer; observou que John não havia chegado em seu costumeiro horário, o que resultou em sua preocupação. - Disse Mycroft, voltando a sentar em sua poltrona.

- Preocupação? Oh, e o que vem agora?

- Bem... Certamente avaliou todas as possibilidades, deduzindo que a mais provável seria que ele estivesse comigo; logo, não perdeu tempo e se encaminhou até aqui para ver se a integridade moral de seu amigo estava intacta. - Depois de fitar seu irmão, o Holmes mais velho pode perceber a raiva borbulhar dentro do irmão.

- Pare de sequestrar John. Isso está se tornando patético. Pare de usá-lo contra mim, também. Não vai funcionar.

- Oh, isso é verdadeiro. Seu amigo é muito leal. Dessa vez você fez uma escolha perfeita, irmão. - O doutor prestava atenção na conversa dos dois Holmes.

Há tempos deixara de tentar entender a rixa existente entre ambos. Porém, a última frase de Mycroft deixou-o intrigado.

- Só espero que você não o quebre, assim como fez com o outro. - Mencionou, vislumbrando o conteúdo em seu copo, porém não se assustou ao sentir longas mãos agarradas ao colarinho de sua camisa.

- John não é ele! - Protestou.

- Sherlock. – John o chamou, sua voz em pura apreensão. O moreno olhou-o, piscou e logo em seguida soltou o irmão.

- Pare de se intrometer ou não responderei por mim. - O loiro reparou um leve tremor na mão do detetive. - Você já estragou à minha vida o suficiente.

John olhava ambos os irmãos e percebia que seu colega de quarto era a fúria materializada; sua boca permanecia em uma linha fina e rígida, enquanto nos olhos do "Governo Britânico", por breves segundos, pode observa-se uma sombra de dor.

- Vamos embora, John. - O detetive seguiu em direção à porta.

O loiro presenciou a miséria em que Mycroft se encontrava. Sentiu-se mal por deixá-lo naquele estado.

- Quer ficar e consolá-lo? Talvez ele possa ajudá-lo com as dúvidas que anda tendo sobre os sites que visitou.

John fitou Sherlock; seu rosto queimando de vergonha e humilhação. Não se atreveu a olhar para Mycroft, porém sentia o olhar do outro homem em suas costas. O doutor cerrou os punhos, contou até dez tentando inutilmente aplacar fúria que inundava seu peito e fechou os olhos. Precisava bater em algo, precisava extravasar sua raiva de alguma forma. Por fim, tentou controlar sua respiração e com um suspiro resignado abriu os olhos, estes foram em direção a Sherlock, que percebeu o quanto o companheiro estava furioso.

- John, descul...

- Cale à boca. – Disse, empurrando-o, passando pela porta logo em seguida.

- John, espera! - Gritou o moreno.

- Não me dirija à palavra, não converse comigo. Cale à boca ao menos uma vez e não seja o cretino quem vem sendo o tempo todo.

"Despejou" as palavras de uma vez, virou às costas e se retirou do local. Pouco tempo depois, sentiu Sherlock em seus calcanhares.

Xxxxx

O médico subiu de dois em dois, os dezessete degraus da escada do 221B Baker Street. Ele gostaria de ir para seu quarto, se enfiar debaixo das cobertas e não sair pelos próximos cem anos.

Entrando no apartamento, pendurou o casaco atrás da porta e ia encaminhando-se ao andar de cima quando Sherlock o chamou. Cerrou os olhos por alguns segundos, ponderando sumir para não ter nenhum tipo de conversa com o colega. Porém, sabia que sua sorte havia sido completamente gasta quando sobreviveu ao tiro no Afeganistão.

- John.

- Estou cansado, Sherlock. Trabalhei por todo o dia, além de estar com fome.

- Eu sinto muito. - Algo na voz do parceiro o fez olhar para trás.

- Sente? Mesmo? - John fitou o moreno, porém este olhava para o chão.

- Eu não deveria ter dito o que disse, porém Mycroft... - Sherlock circundava a sala, passando as mãos em seu cabelo cacheado, bagunçando-o.

- Desconte sua frustração no próprio Mycroft. Eu não tenho nada a ver com os problemas entre vocês dois. - O loiro gradualmente perdia o controle, sua voz aumentava algumas oitavas.

O detetive observava sua testa franzida, seu olhar perdido.

- Você está com raiva.

- E você só percebeu isso agora? - O tom irônico de voz não passou despercebido pelo indivíduo mais alto.

- Por favor, não fique. - Disse em um fio de voz. - Não gosto quando fica com raiva. Quando você fica nesse estado, não faz meu chá. - A entonação de sua voz soou amuada.

- Chá? Você está preocupado que eu não vá fazer o seu chá? Cristo! - Sua testa de encontro à parede nunca pareceu tão convidativa. Qualquer dia mataria Sherlock e o dia estava propício demais para tal.

- Preciso mostrar-lhe algo. - Comentou com o outro, sua voz soando cautelosa demais.

O moreno havia ido diretamente para o sofá. Pelo barulho, estava digitando algo no computador, o que fez atrair para si a atenção do loiro.

- Sherlock, esse é o meu computador? - Caminhou em direção ao outro.

- Sim, o meu está em meu quarto. - Digitava um endereço no navegador quando John se aproximou, fechando a parte superior do aparelho eletrônico, quase acertando seus dedos.

- Vá buscar o seu computador e nunca mais use o meu. - Sua paciência se encaminhava para o espaço.

- Está irritado novamente. - Comentou o detetive, cruzando as pernas sobre o sofá.

- Precisou de toda sua perspicácia para deduzir isso? Para buscar o notebook, você precisou entrar em meu quarto, pois ele estava sobra à cama; você invadiu minha privacidade, além de não ter pedido permissão para isso. Claro que estou irritado.

- Se tivesse pedido, você teria me deixado usá-lo?

- Evidente. – John disse exasperado.

- Bem, eu sabia que você deixaria, mas perderia muito tempo com isso, então, já prevendo a sua resposta, eu o peguei.

- Por Deus, Sherlock. Você não sabe qual o conceito de privacidade? Você entrou em meu quarto sem a minha permissão! - John queria algo a que pudesse apertar; de preferência se fosse algo idêntico ao pescoço do moreno.

- Está chateado porque usei o seu computador, porque entrei em seu quarto ou porque descobri sites de pornografia homossexual em seu histórico?

- Jesus! Sherlock! - O loiro jogou-se em sua poltrona novamente, passando as mãos por seus cabelos. - Não quero ter essa conversa com você.

- Percebo que não se cansa em chamar por entidades divinas toda às vezes em que se envergonha. – Sua voz soou baixa. - Você não pareceu se importar quando entrei em seu quarto na madrugada.

- Você não me deu muita opção. - Rebateu John, sua cabeça entre as mãos.

- E se, nesse momento, eu lhe der uma opção? - A voz do detetive ecoou terrivelmente sensual aos ouvidos do outro homem.

- Como? - Levantou a cabeça, observou Sherlock descruzar as pernas, movendo-se de forma lenta e lasciva. Era como um felino espreitando sua presa.

- Eu disse: "E se eu lhe der uma escolha?" - O moreno aproximou-se da poltrona em que o doutor encontrava-se, se inclinado ao colocar suas mãos sobre os braços da mesma, obrigando John a recontar-se ainda mais.

- E qual seria essa escolha? – Pegou-se perguntando, mas logo se chutou mentalmente. O mais alto perscrutava-o com suas íris azuis. Parou seu olhar nos lábios do moreno, que estavam levemente entreabertos.

- Primeiro, diga-me, John... Com quem vem sonhando?

O médico sentiu o rosto queimar, um calor subia por seu pescoço, rosto e orelhas. Como diria a ele que a pessoa a qual lhe roubava o sono e a sanidade era o próprio detetive? Como dizer a Sherlock que o queria tanto que chegava a doer? Que o amava acima de tudo, mais do que a própria vida? Que amava-o mesmo sabendo que era unilateral, que talvez nunca tivesse o sentimento retribuído? Como? Naquele momento, teve a certeza de que necessitava daquele homem assim como o ar que respirava. Se não tivesse aquelas mãos em seu corpo outra vez, iria queimar por dentro.

Sherlock fitava-o; provavelmente tentando ler em suas expressões, o que se passava com ele. Talvez visse todas às dúvidas que lhe queimava por dentro. O olhava como se fosse a mais interessante de suas experiências.

Por fim, John fez a única coisa que lhe parecia certa: parou de segurar-se. Parou de tentar reprimir o sentimento que sufocava-o e fez o que era certo.

Levantou-se da poltrona, levou as mãos ao rosto de Sherlock e beijou-o. Por meros segundos, foi presenteado com um par de surpresos olhos. Havia sentido os lábios do detetive nos seus por duas vezes; mesmo que as situações não fossem as mais adequadas, tinha sido indescritível.

Das outras vezes, Sherlock havia iniciado o contato. Agora, porém, era o loiro que tomava à iniciativa. A textura dos lábios do mais novo contra os seus, era algo que jamais esqueceria. Uma de suas mãos foi parar à nuca do moreno, a outra segurou possessivamente a cintura.

O moreno parecia atordoado no início, mas recuperou-se rapidamente. Compreendendo isso, John apertou seus lábios com mais firmeza, aprofundando o beijo.

O loiro abriu à boca levemente, sentindo que o moreno copiava seu ato. Inclinando à cabeça, empurrou sua língua para dentro da boca do outro. A sensação de sentir a língua de Sherlock na sua era avassaladora, erótica, sensual. Continuaram a se beijar, fazendo com que John percebesse que não era o suficiente. Que jamais seria o suficiente.

Precisaram se separar quando o ar se fez ausente. Afastaram-se, ambos com a respiração ofegante. Sherlock se recostava à parede oposta a John, seus lábios inchados davam ao loiro uma sensação de orgulho.

O detetive consultor olhava-o, procurando pela resposta de uma pergunta a qual ele não havia feito, mas John sabia a resposta, sabia a pergunta. Sentia-se leve, como se um peso enorme houvesse sido retirado de seus ombros cansados.

John Watson abriu à boca para dizer o que estava entalado em sua garganta, para responder a pergunta muda de Sherlock, porém, foi interrompido pela porta sendo aberta.

- Oh, meninos, vocês estão aí? - A senhora Hudson entrou alegremente pela sala. - Eu estive fora por alguns dias... Como sobreviveram sem mim?

- Agora não, senhora Hudson. - A voz de Sherlock soou rude.

- Sherlock. - Repreendeu-lhe John.

- Estamos ocupados. - O moreno foi em direção à mulher, começando a empurrá-la porta a fora. A cena causava incredulidade em John.

- Eu só vim dar um recado - A velha senhora protestou.

- Diga de uma vez. - Disse, parando à porta da sala.

- Há um menino no andar de baixo querendo falar com você. Disse que era sobre um endereço... - E antes que a senhoria terminasse sua fala, o moreno descia escada abaixo.

- Sherlock? - O médico chamou-o.

- Esse menino é tão apressado. - Riu à senhora Hudson. - Espero não ter interrompido nada. - Deu uma piscadela, de forma cúmplice, fazendo o loiro fitar os próprios sapatos.

- John. - Sherlock subia as escadas correndo. - Pegue seu casaco, vamos sair. - O moreno pegou seu sobretudo atrás da porta, jogou o casaco de John em sua direção e voltou a descer as escadas.

- Sherlock, são duas horas da madrugada! - Não houve resposta alguma. - Oh, inferno. - No fim, pôs-se a descer às escadas.

XXXXXXX

Depois de arranjar um táxi, o detetive pegou seu aparelho celular do bolso, acessando a internet. O loiro voltou os olhos para a estrada; Sherlock não havia dito para onde iam, até tentara perguntar, mas tudo o que recebeu fora o silêncio como resposta.

John mantinha a cabeça encostada à janela do automóvel, percebendo que se afastavam muito do centro de Londres. O loiro sentia-se cansado, seus ossos doíam e só gostaria de ter tido uma boa noite de sono.

Porém, conhecendo-se do jeito que conhecia, sabia que não conseguiria dormir. Certamente, repassaria em sua mente a conversa constrangedora que teve com Sherlock.

Saber que o moreno invadira seu quarto enviou-lhe uma onda gelada por sua coluna. O que mais ele poderia ter tocado? Assim que retornassem para o apartamento, trocaria a senha de seu notebook, além de inspecionar o cômodo em que dormia.

Pensava também na estranha conversa com Mycroft. O homem mais velho parecia ansioso demais para que seu irmão largasse o caso. Sabia que o outro não havia dito a verdade, pelo menos não ela toda. Certamente escondia algo... Mas o que seria? Na verdade, o que mais seria? Para si, aquele caso já se mostrava um mistério total. Poderia haver algo a mais? Sherlock saberia? Talvez fosse esse o motivo da estranha conversa entre os dois Holmes.

O detetive havia dito que John não era "ele"... Mas quem seria esse "ele"? Suspirou cansado; seus olhos fechavam-se à medida que o sono pesava. Encostou à cabeça no vidro do táxi e fechou os olhos completamente, na tentativa de descansar.

O movimento e o som do veículo tiveram o efeito de uma canção de ninar, fazendo com que o loiro acabasse dormindo. Porém, seu sono logo foi disperso, quando um som estranho chegou a seus ouvidos. Por sua experiência, pode perceber que se assemelhava a um tiro.

- Sherlock? – John acordou e percebeu que estava deitado sobre o banco do táxi, tudo estava escuro à sua volta. Sentiu algo quente sobre si; passando à mão, notou que era o casaco do amigo, mas, onde ele estava? Levantou-se, olhando ao seu redor. Parecia estar em um pequeno bosque. O motorista do veículo, assim como o detetive, também havia desaparecido.

Levou a mão à suas costas, no intuito de pegar sua arma, mas percebeu que a mesma não estava lá. O loiro alcançou o celular em seu bolso, discando o número do colega de quarto, porém, levou um susto ao ouvi-lo tocar dentro do automóvel. Abaixou-se, pegando o aparelho escondido entre os bancos. Assim que observou o visor, pode ver uma mensagem que estava salva nos rascunhos. Ao clicar no ícone, as seguintes palavras puderam ser lidas:

"Motorista suspeito. Levando-o para direção nordeste. Avise Lestrade. - S.H"

- Oh, meu Deus! O tiro. – John abriu a porta do carro, olhando em todas as direções. - Nordeste... Nordeste... Droga, eu sou um maldito soldado, não um marinheiro, Sherlock! - Levou a mão à cabeça - Onde? Se lembre John... - O mais baixo falava consigo. - Em que direção foi o tiro... - Comprimiu os olhos, lembrando-se vagamente da direção.

O loiro pegou seu celular, digitando um SMS à Lestrade, ligou o GPS do celular de Sherlock e pôs-se a procurar o amigo.

Esperou seus olhos se acostumarem à escuridão, adaptando-se ao ambiente. Minutos depois, a lua surgiu por sobre as nuvens, dando-lhe um pouco de luz. O bosque possuía várias árvores. A mata não era tão densa, mas fez com que ele andasse com cautela. Sentia uma sensação estranha atrás de sua nuca. Onde estaria Sherlock?

Enquanto seguia por uma pequena trilha, a lua escondeu-se, deixando-o na mais completa escuridão. Quando já havia percorrido boa parte de um percurso imaginário, o doutor tropeçou em algo, parando ao chão. Soltou todos os palavrões que conhecia e quando olhou para a causa de sua queda, descobriu um corpo coberto de sangue que faltava um bom pedaço da cabeça.

- Oh, Deus. Não permita que seja Sherlock.

Aproximou-se, observando o corpo. Estava escuro, porém, pela tonalidade da pele e pelas roupas que cobriam o corpo, pode concluir que não era seu companheiro.

Suspirou aliviado. Aquele corpo poderia ser do taxista, contudo, sabia que sua arma não poderia ter feito todo aquele estrago, mesmo se o tiro fosse dado à queima-roupa.

O ferimento do crânio lembrava e muito o da arma do "atirador", assassino de sua irmã. Seria Sherlock seu próximo alvo? Onde estaria o outro homem?

Pensou em gritar, porém, tinha receio de atrair à atenção do atirador para si. Possuía desvantagem na escuridão, então tentou ser o mais silencioso possível.

Procurava em todas as direções, mas não havia sinal do outro. Cerrou os olhos. O que Sherlock faria se estivesse na mesma situação? O que faria para achá-lo? Não, esta era a pergunta errada.

Se John estivesse se escondendo, depois de um homem suspeito ter falecido com um belo tiro, o que faria para Sherlock encontrá-lo? Como um soldado experiente, deixaria marcas, pistas, que levassem o outro até seu paradeiro.

Olhava para alguns galhos mais baixos de uma árvore, vendo-os quebrados. Isso acontecia em outras árvores, também. Para um indivíduo desatento, passaria despercebido, porém o doutor sabia que alguém havia feito de propósito. Aproximando-se da árvore, observou pequenas manchas de sangue. O detetive estaria machucado? O aperto em seu peito aumentou.

Andou por vários minutos, sendo guiado por galhos quebrados e respingos de sangue que podiam ser vistos hora ou outra, dependendo da posição da lua. Chegou a uma pequena encosta íngreme, sem conseguir mais pistas. Todas haviam se esgotado. O médico teria que descer se quisesse respostas às suas perguntas.

- Mas que droga! - Gritou frustrado.

- John...

- Sherlock? - Disse, prendendo à respiração.

- John...

- Sherlock, onde você está? - O gemido que escutara indicava que o moreno estava próximo. - Sherlock? - Se aproximando do som, parecia que estava próximo ao outro, porém nada podia ser visto. Parou, tentando apurar seus ouvidos; escutou um barulho que fez seu coração disparar. Algo estava próximo, tinha certeza. Segundos depois, sentiu a terra ceder sob seus pés.

Algum tempo depois, John Watson acordou com uma pessoa o sacudindo.

- John? Acorde. - Houve um gemido em resposta.

- Sherlock? - Perguntou, sentindo seu corpo doer. Seu rosto foi iluminado. – Vire isso para lá, vai acabar me cegando.

- Seria impossível lhe cegar com essa luz. - Declarou, abaixando a luz da lanterna que segurava.

- O que aconteceu? Onde estamos? Você está bem? Encontrei o motorista morto, a uns metros atrás. - Depois da enxurrada de perguntas, o médico tentou mover-se, entretanto, sentiu uma forte dor em sua perna. - Inferno!

- Não se mexa. – Sherlock disse e o loiro voltou a se sentar. - Acha que quebrou algo?

- Quando essa dor infernal passar, eu lhe informo. - Gemeu, mordendo os lábios.

- Aparentemente, estamos em um fosso. - Comentou de pé, analisando a estrutura do local.

- Quem é o idiota que cava um buraco no meio de uma floresta? – Perguntou mais para si mesmo, levou os olhos até a borda do espaço em que estavam. Tivera sorte em não quebrar o pescoço com a queda. - Você se machucou? Quebrou alguma coisa? Como chegou até aqui?

- Testei todos os meus duzentos e seis ossos. Todos estão bem, não quebrei nada. Talvez, só talvez, tenha alguns arranhões. Estava fugindo do atirador, quando perdi o equilíbrio e vim parar aqui. - Voltou para onde John estava, apontando a lanterna para a face do outro homem.

- Tire isso do meu rosto. - Pediu, irritado. O moreno sentou-se, dirigindo o facho de luz para cima.

- Consegue saber se quebrou algo?

- Ainda não. - O doutor encostou-se à parede.

Sentiu o colega se movimentar ao seu lado, ajoelhando-se à sua frente. Logo depois, mãos puderam ser sentidas sobre seu corpo.

- Ei, o que está fazendo?

- Estou verificando se tem algum osso quebrado, já que o médico está indisponível.

Suspirou cansado, deixando-se apalpar pelo detetive consultor. Ele parecia saber aonde direcionar as mãos, sabia exercer a pressão exata sobre os ossos. Não ficou surpreso.

Enquanto o mais alto continuava sua inspeção, John lembrou-se do atirador. Naquela localidade, seriam alvos fáceis.

- Precisamos sair daqui. O atirador pode voltar. Se continuarmos assim, seremos presas fáceis.

O doutor gemeu de dor ao sentir um toque em sua perna.

- Não está quebrada, no entanto, está sangrando. - Tirando o cachecol do pescoço, Sherlock usou-o para fazer um torniquete, na intenção de estancar o sangramento. - Isso deve ajudar até que à ajuda chegue. Chamou Lestrade?

- Sim, mandei um SMS antes de parar aqui. Hum, também liguei o GPS do seu celular.

O moreno sentou-se ao lado do companheiro. O buraco não era grande, todavia conseguiram ficar lado a lado.

- Será que posso dormir? Ou vai manter-me acordado, como da última vez em que ficamos presos? - Perguntou, sua voz soando sonolenta.

- Bem, você não está com as costelas quebradas ou com frio, então, não corre o risco de sofrer hipotermia. Em todo o caso, se faz tanta questão, posso manter-lhe acordado como da última vez. - O tom em sua voz era de pura diversão.

- Oh, bom Deus, melhor não. - Sorriu.

- Durma.

John sentia-se cansado e, quase sem perceber, encostou sua cabeça ao ombro de Sherlock, dormindo.

Acordou depois de muito tempo. Sentiu o outro ao seu lado. Provavelmente, faziam-se muitas horas que estavam naquele recinto. Já havia amanhecido, no entanto, a claridade não trazia tranquilidade. Desencostou-se do ombro do colega, se sentindo envergonhado por ter dormido de encontro àquele lugar.

- Não se preocupe, você não babou em meu ombro. - Comentou, com um desinteresse calculado. Mais uma vez estavam presos. A repetição dos fatos tornava-se ridícula. Com esses pensamentos, o doutor sentiu alguns pingos molharem seu rosto.

- Sherlock. - Sua voz soou um pouco mais preocupada do que gostaria.

- Eu senti. Se não sairmos logo daqui, a chuva inundará o poço e nós morreremos afogados; se a chuva for forte, a enxurrada descerá pela encosta e inundará a cavidade por completo.

- Oh, droga. Onde está Lestrade, quando se precisa? – John tentou levantar-se, porém, sua perna doía.

- Está atrasado como sempre. - Olhando para cima, o Holmes mais jovem observou as gotas de água se tornarem mais fortes.

O buraco em que caíram era fundo. Dificilmente conseguiriam chegar à borda. O detetive procurava meios de fuja, olhando todas às direções, processando divergentes cenários. O loiro esperava que em um desses cenários, ambos saíssem vivos.

A chuva havia aumentado de intensidade, encharcando as roupas. O barro, juntamente com a água, chegava ao meio da perna dos dois homens.

- John.

- Sim, Sherlock. - Começava a sentir frio.

- Está vendo aquela raiz? Com algum esforço alcançaremos, possibilitando nossa saída do poço. Se subir em meu ombro, você pode...

- Com minha perna nesse estado, sem chance. - Respondeu, sem esperar que o amigo terminasse. - Acho mais fácil você subir em meus ombros. Além de eu ser mais forte, o machucado em meu ombro não permitiria muito esforço de minha parte.

- Mas... - Sherlock começou a dizer. Pela segunda vez, foi interrompido.

- Sem, mas. Suba em meu ombro. Agora. - Sentia a perna doer, porém ignorava. A chuva continuava, fazendo com que o fluxo de água subisse cada vez mais rápido.

O detetive olhou para o outro homem. O loiro quase podia ver as engrenagens do cérebro brilhante se moverem. Tinha as sobrancelhas franzidas, uma concentração anormal para uma pessoa comum. Era perceptível que ele não havia gostado da ideia de subir nos ombros do médico, entretanto, era a única alternativa cabível.

- Hum, vamos terminar isso de uma vez.

John se movimentou em direção à raiz. Movendo-se com dificuldade, tentava focar a vista, mas as gotas grossas de chuva embaçavam sua visão. Colocou a mão em direção ao seu tórax, juntando-as, para servir de apoio ao parceiro.

Sherlock aproximou-se do outro. O loiro podia observar a blusa que se colava ao corpo de Sherlock, de acordo com a chuva que os molhava. O tórax magro, porém definido, o deixava excitado. Estavam quase morrendo afogados e tudo o que conseguia pensar era no corpo esguio à sua frente. "John Watson, desde quando você se tornou um pervertido?" Pensava consigo.

O jovem detetive apoiou os pés sobre as mãos de John, fazendo um esforço tremendo, mas conseguindo alcançar a raiz. Logo depois, seus pés deixaram as mãos do homem e apoiaram-se nos ombros.

Em todo processo, o médico percebeu que o amigo tentava não forçar seu ombro esquerdo, jogando o maior peso para o direito. Apesar do físico magro, seus ossos pesavam. A água cobria seu peito. Além de fria e pegajosa, podia sentir algo roçando em suas pernas. Seria uma cobra? Odiava cobras. Fechou os olhos, tentando espantar o pânico. Sherlock fazia mais uma tentativa de se forçar para cima.

- Consegui! - Ouvi-o gritar.

- Graças a Deus!

- Ou graças a mim, John.

Se a situação não fosse tão trágica, poderia considera-la cômica. O moreno fazia cada vez mais força, na tentativa de chegar à superfície. Estava quase na borda quando as paredes do local começaram a desmoronar.

- Ótimo. Além da possibilidade de morrermos afogados, agora podemos morrer soterrados. Depressa, Sherlock! - Gritou, com a água próxima a seu pescoço.

- Estou... Tentando... O mais rápido que posso. - A voz do moreno era ofegante. Fazia um esforço tremendo para escaparem, no entanto, as condições não eram favoráveis.

- Rápido, não quero beber dessa maldita água. - O fluxo de água chegava ao seu queixo.

Viu o companheiro chegar à borda, subindo. Logo, tirou sua camisa e jogou a camisa perto de sua mão.

- Segure minha camisa e suba.

- Sua camisa não aguentará meu peso, Sherlock. - Gritou, cuspindo a água que entrava por sua boca.

- Cale a maldita boca e tente. Ande, segure-a!

Esticou-se o máximo que pode, até alcançar a manga da camisa. Seu ombro doía. Sua perna doía. Sentia-se puxado pelo detetive, mas a blusa não aguentaria seu peso. Tentava, de forma desesperada, alcançar a raiz entrelaçada a terra. Em um momento crucial, seus ouvidos captaram o barulho da camisa social rasgando-se.

- John, você está quase na borda, segure minha mão. - Dizia Sherlock, com sua falsa calma.

O moreno havia se abaixado tanto sobre a borda do buraco que, uma simples inclinação, originaria sua queda.

- Idiota, pare de se inclinar ou irá acabar caindo. - Sua voz não passava de um rouco sussurro. Tentou segurar à mão do violinista. Por um momento, conseguiu, contudo, estava escorregadia em demasia por causa da chuva.

- Vamos, John, a camisa não durará para sempre.

O loirou esforçou-se mais, segurando o pulso do amigo, no momento em que a veste rasgava-se; entretanto, seu peso era muito grande para ser sustentado por um braço só.

O membro superior de Sherlock tremia com o esforço exercido. Viu o momento em que, em um ato de desespero - e estupidez - o detetive retirou o apoio que o mantinha a borda, segurando com ambas às mãos os seus braços.

- Pare de ser estúpido! Você vai escorregar, idiota. - Assim que o doutor fechou à boca, sentiu que abaixava. O moreno estava escorregando. - Solte-me!

- Não!

- Pelo amor de Deus, solte-me! - Fechou os olhos, rendido. Quando pensou em se soltar das mãos do outro, sentiu-se novamente puxado. Abriu os olhos, vendo a surpresa estampada nos olhos do homem acima de si.

Quando ambos estavam seguros, fora do buraco, observou seu salvador: um ofegante Lestrade, os olhando com um misto de alívio e preocupação.

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John estava sentado em uma cadeira. Depois de imobilizada, sua perna havia sido enfaixada. Metade de sua calça tinha sido rasgada, decorrente do atendimento. Se continuasse assim, ficaria sem roupas. Ainda sentia frio, mesmo com o fino cobertor por sobre seu ombro.

As lembranças entre como o inspetor tinha-lhes salvo e como haviam ido parar no hospital, eram um borrão em sua memória. Estava sujo, ou melhor, estava imundo e Sherlock não estava em melhor situação. A única peça de roupa salva, era o sobretudo, que se mantinha em algum lugar dentro do táxi.

Levantou o olhar de sua perna, fitando seu companheiro. O homem exaltava-se com Donovan, que lhe tomava o depoimento. Estava do outro lado do quarto de hospital, sentado em uma maca. Seu cabelo era uma bagunça total; pedaços de galhos mesclavam-se aos cachos. Sua pele, outrora imaculadamente branca, estava cinza. As unhas de suas mãos estavam pretas de terra. O pior de tudo era suas roupas. A camisa branca, havia se tornado encardida e, sua calça, estava em um estado deplorável.

Apesar de toda aparência lastimável, não havia sofrido maiores danos físicos. Talvez alguns arranhões ou cortes superficiais. Sua preocupação estava em alguma infecção; era sempre uma possibilidade, principalmente pelo tempo que passou dentro da água suja.

O loiro sentia-se tonto. O clínico que havia lhe feito o atendimento injetara em seu corpo um coquetel para infecção. O remédio, por sua vez, não estava fazendo-lhe bem. Além de a droga ser forte, a falta de descanso somado à fome estavam intensificando as contraindicações do medicamento. Sentiu uma pequena vertigem, fazendo seu corpo tombar, letárgico. Esperava sentir o chão frio ou o metal do leito de encontro ao corpo, no entanto, um par de braços o segurou.

- John?

- Hum... - Não conseguia dizer nada. A náusea subia-lhe à garganta.

- Ele está bem? - Pode ouvir a voz da Sargento próxima de si.

- John? - O coquetel somado aos braços de Sherlock ao seu redor tiveram um efeito que lhe renderia uma ressaca moral irremediável. No momento, não se importava. Sentiu que sorria.

- Acho que ele não está bem... - Donovan cruzava os braços sobre o peito. - Ele está sorrindo.

- E você está constatando o óbvio. - O moreno retrucou. - John, o que está sentindo?

- Estou bem, amor. - Respondeu meio grogue, piscando os olhos, na tentativa de mantê-los abertos.

Os presentes no recinto arregalaram os olhos. O médico era olhado como se fosse de outro planeta.

- Amor? - Perguntou a mulher, em puro deboche, quando recuperada do choque inicial.

- Ele está sofrendo de... - Completaria a frase se não tivesse sido agarrado pela cintura, sendo fortemente abraçado, como se não houvesse um amanhã. - John... - Disse o homem, sem fôlego.

- Estou com frio. - Protestou, aconchegando-se mais ao moreno. Era tão quente. O enfermo sorria, satisfeito.

- Me solte, John. - Quanto mais tentava se afastar, mais era apertado.

- Que pouca vergonha é essa? - Anderson que acabara de entrar no quarto, perguntou, enojado.

Lestrade, que até então não havia se manifestado, olhava de Sherlock para John sem entender. Não sabia se ria da expressão incrédula do detetive ou se da expressão prazerosa do doutor.

- Ele está bem? - O Inspetor perguntou preocupado.

- Reservem essa pouca vergonha para quando estiverem em quatro paredes. - O legista "cuspia" as palavras. - Basta termos que aguentar as suas grosserias, agora temos que olhar essa exibição de indecên... - Anderson não terminou a frase. - Outch... - Gemeu.

Lestrade havia acertando-o no estômago.

- Cale à boca, Anderson. E saia daqui. - Tanto Donovan, quanto Sherlock, olhavam para o Inspetor, sem reconhecê-lo.

- Sim, se... nhor. – Gemendo, saiu do local.

- Desculpe, Sherlock.

- Eu sei me defender, Lestrade. - Disse irritado.

- Sher... - O doutor gemeu. - Estou com frio, amor. - O loiro sentia-se livre.

Aproximou-se mais do moreno, se é que era possível, encostando o nariz à curva do pescoço do outro homem. O moreno fez um ruído estranho com a garganta. Mesmo sob várias camadas de sujeira, cheirava divinamente bem.

- Você tem um cheiro tão bom. - Viu-se dizendo.

- É melhor nós sairmos. - O Inspetor responsável pela Scotland Yard estava desconsertado. Saiu do quarto tendo em seu enlaço uma Sargento que estampava em seu rosto, um sorriso cínico.

- Lestrade? - Chamou em vão, sentindo os lábios do loiro novamente em seu pescoço.

- Sherlock, minha cabeça dói. - Gemeu, seu estômago começando a protestar.

- Respire, John. - Passava a mão nas costas do médico, sem saber ao certo o que fazer.

- Por que minha cabeça dói tanto? - Gemeu novamente.

- A combinação dos remédios, com a falta de suas necessidades bioló... - O detetive foi silenciado por lábios sobre os seus.

John se afastou sentindo-se muito bem. Para piorar sua situação, ele ria feito um bobo.

- Seus lábios são vermelhos e macios. Eu poderia passar horas beijando-os. - Sentiu o moreno ficar tenso sob seus dedos. - Você não gosta? - Perguntou meio inseguro.

No intuito de se afastar, seus reflexos foram rápido, fazendo sua cabeça rodar. Segundos depois, caiu na inconsciência.

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John acordou sentido como se tivesse misturado todos os tipos de bebidas alcoólicas existentes no planeta e tinha bebido. Seu estômago jamais seria o mesmo.

- Oh, Deus. - Gemeu, rolando para o lado.

Abriu os olhos, quase ficando cego pela claridade vespertina. A hora do almoço deveria ter passado, pois o quarto estava muito claro. Ao desembaçar a visão, percebeu que estava no quarto de Sherlock. Como havia ido parar ali? Sua memória estava confusa, as lembranças dançavam em sua mente, uma nítida imagem de um pescoço pálido se fez presente.

- Oh, Cristo.

Lembrava-se do táxi, a queda no buraco, Lestrade salvando-os, de irem para o hospital, o coquetel de medicamentos, seu estômago embrulhando, chamando o amigo de...

- Oh, meu Deus!

- Quando parar de se autoflagelar, pode tomar um pouco de chá; vai fazer bem ao seu estômago. - Uma voz rouca disse ao seu lado.

- JESUS, Sherlock! Que susto.

- Esse seu apreço por entidades divinas me intriga. - O moreno estava sentado na ponta da cama, vestido com seu roupão roxo. Tinha um pequeno livro em suas mãos e parecia interessado em lê-lo. - Melhor? - Perguntou displicentemente, voltando sua atenção ao livro.

- O que faz aqui? - Depois de perguntar, o loiro sentiu o frio da seda dos lençóis em sua pele.

- Esse quarto é meu, é natural que eu esteja aqui. - Respondeu, sem retirar os olhos do livro.

O doutor levantou os lençóis, percebendo que estava totalmente nu.

- On... On... – "Limpou" a garganta. - Onde estão minhas roupas? – Perguntou sua voz soando mais alta que o normal.

- Se ainda não percebeu, estou do seu lado. Não há necessidade em alterar seu tom de voz.

- Sherlock, onde estão minhas roupas? - Puxou os lençóis até a altura do pescoço.

- Oh, John, por favor. Eu já lhe vi nu vezes demais, e até lhe toquei. Não há necessidade de agir como uma donzela em perigo.

- Eu não sou uma don...

- Sei que não. - Fechou o livro. - Suas roupas estão na máquina de lavar. Se não se lembra, estavam cobertas de lama. Aliás, você também. Depois que desmaiou no hospital, acordou novamente e eu lhe trouxe para casa, com a ajuda de Lestrade. Assim que ele se foi, tirei sua roupa, obviamente eu não iria colocá-lo na cama como se encontrava e juntamente com a senhora Hudson, lhe demos um banho, trazendo-lhe para o meu quarto, já que nem eu, nem ela, tínhamos forças para subir você escada acima.

- A senhora Hudson me viu nu? - O médico sentiu dificuldade em respirar. - Oh, Jesus.

- Não é como se ela nunca tivesse visto um homem nu antes, John. – Sherlock voltou para seu livro.

O doutor suspirou resignado, fitando o homem ao seu lado. Mirou à capa do livro que outro lia, constatando que não se tratava do idioma inglês.

- Você lê em francês? - Perguntou em curiosidade.

- Não, estou fingindo ler um livro em francês para parecer inteligente aos seus olhos. - Disse, olhando para o mais baixo. - Lógico que sei ler em francês.

- Filho da mãe. - Disse mais para si, mas foi o suficiente para ser compreendido pelo outro.

- Você fala enquanto dorme. - Levantou-se. - E fala coisas interessantíssimas. - Saiu do quarto, deixando para trás um John roxo de vergonha.

XXXXX

Depois que o sentimento de vergonha diminuiu, John sentou-se melhor na cama. Nunca tivera a oportunidade de observar os detalhes do quarto em que estava. O recinto era mais organizado do que o resto do apartamento, certamente porque Sherlock quase nunca aparecia no local.

Pegou um dos dois travesseiros que sobrepunham à cama, levando-os ao seu nariz, exalando o cheiro que estava impregnado ali. Sorriu, o perfume do detetive se fazia presente.

Ouviu o próprio estômago reclamar, levantando-se da cama. Vasculhou com o olhar todos os lados, procurando por um roupão para se cobrir, já que se encontrava nu. Não tendo nada à sua vista, pensou em abrir o guarda-roupa, no entanto, seria invasão de privacidade; vivia brigando com o outro por isso, não poderia fazer o mesmo.

Por fim, suspirou resignado. Enrolando-se no lençol que cobria a cama, retirou-se do quarto. Passou pela sala, vendo que o moreno não se encontrava lá. Barulhos vindos da cozinha indicavam seu paradeiro e não se surpreendeu ao entrar no espaço, encontrando-o ao microscópio.

Sherlock levantou à cabeça por um segundo e se pôs a observar o loiro encostado ao batente da porta.

- Por que não usou um dos meus roupões? - Voltou sua atenção à placa de Petri que estava sobre o microscópio.

- Não havia nenhum em seu quarto. - Respondeu, dando de ombros. Foi em direção ao fogão, esquentando a água de um futuro chá.

- O guarda-roupa serve para que? - Enquanto falava, retirou a placa, substituindo-a por outra. - Poderia ter pegado.

- Eu não iria abri-lo sem a sua autorização. - Respondeu carrancudo.

- Bem, você não pensou nisso quando entrou de forma sorrateira em meu quarto, para pegar as roupas na viagem à Salisbury.

O loiro fez um barulho estranho com a garganta. Touché, pensou John. Sherlock sorria como o gato de Cheshire.

- Você dormiu? - Perguntou, desviando do assunto.

- Um pouco, até você me acordar. - Havia um brilho perigoso em seu olhar.

- Eu? - Perguntou confuso.

- Levando em consideração o número de pessoas que estavam naquela cama, se não sou eu, elementarmente só pode ser você. Como havia dito, você fala enquanto dorme. - Voltou sua atenção para a placa no microscópio.

O doutor ignorou o comentário, enrolando-se mais ao lençol. Saiu da cozinha e se pôs em direção ao seu quarto. Chegando, desenrolou o pano do corpo, dobrando-o de forma cuidadosa e o depositando em cima de uma cadeira. Escolheu algumas peças de roupas, dirigindo-se ao banheiro.

Debaixo do jato d'água, repassou em sua mente os acontecimentos dos últimos dois dias. Suspirou cansado, deixando-se levar pela sensação relaxante que a água quente causava em sua pele. No entanto, sua mente traiçoeira jogou-lhe em lembranças o que havia guardado em um canto escuro: Sherlock.

- Hum. - Gemeu, lembrando-se do que tinha feito no hospital. - Oh, Deus. Como olharei para Lestrade e Donovan? O que será que falei enquanto dormia?

Balançou a cabeça, no intuito de espantar os pensamentos. Tratou de acabar logo com o banho. Quando desceu as escadas, observou que o chá já estava pronto. Duas xícaras pousavam sobre a mesa, mas não havia sinal algum do detetive. O loiro olhou desconfiado para o conteúdo da caneca.

- Se acha que o chá está envenenado, terei que desapontá-lo. - Observou o moreno a suas costas, podendo jurar que sentia o calor que emanava de seu corpo.

- Você não faz chá. - Sentenciou, como se explicasse à origem do universo.

- Preciso que compre esses itens para mim. - Colocou nas mãos do mais baixo uma pequena lista.

- O que é Álcool isopropílico? - Quase enrolara a língua para pronunciar o bendito nome.

- Você só precisa comprar. - Voltou para o microscópio.

- Eu não ouvi, por favor. - Disse sarcástico.

- Por que eu faria isso? - O moreno não se deu o trabalho de retirar a vista de seu experimento.

- Essa é uma ótima pergunta. – John foi em direção à sala, pegando seu casaco atrás da porta. Quando se pôs a sair, escutou a voz do companheiro.

- E, ah... Não tenha pressa.

O médico piscou algumas vezes, tentando entender o que o outro homem quis dizer. Porém, sabia que não gostaria da resposta. Ignorando tudo por completo, saiu para comprar o que havia sido pedido.

Afinal, precisava mesmo "respirar" um pouco.

Desta vez, John não tivera que brigar com a máquina. Tudo transcorrera tranquilamente, o que causou certa sensação de pânico no loiro. Havia alguma coisa muito errada, podia sentir.

Apesar de ter machucado à perna ao cair no buraco, não sentia dor. Pensava na reação que seu corpo teve aos medicamentos que lhe foram injetados. Já tinha tomado aquele coquetel de drogas antes, mas jamais havia tido aquele tipo de comportamento. Era quase como se tivesse sido drogado, assim como outrora aconteceu no Pub. A sensação era estranha, sua boca ainda tinha um gosto peculiar. Entretanto, o que mais lhe incomodava, era o fato de ter se esfregado em Sherlock como um gato no cio.

- Oh, bom Deus. - Soluçou.

John parou em frente ao número 221B, vendo uma pequena fumaça sair pela janela de seu quarto. Não era um bom sinal. Subiu as escadas o mais rápido que conseguiu, entrando no apartamento. Assim que passou os pés pelo batente da porta, seu sangue praticamente congelou. O local estava coberto por uma espessa fumaça preta, quase irrespirável.

- Sherlock? - Chamou, sua voz soando preocupada.

- Aqui em cima, John. - Ouviu a voz do amigo, que parecia estar em seu quarto. O que inferno o moreno estaria fazendo em seu quarto?

O doutor subia as escadas de forma frenética. Quando chegou à porta, fitou seu colchão e viu que o mesmo estava reduzido a um monte de qualquer matéria enegrecida.

- John, eu posso explicar. – Disse Sherlock, parecendo muito culpado.

Continua...


Nota da autora: Oie pessoal! \o\... Esse é o décimo quarto capitulo da fic, espero que tenham gostado... E mais uma vez desculpe pela demora e pelo atraso xD

Eu sei que Mycroft está aparecendo muito na fic, não era minha intensão que o Holmes mais velho se tornasse tão frequente na estória.

Sherlock: Mesmo porque o seriado se chama Sherlock.

Mycroft: Ciúmes, querido irmão?

Sherlock: Só nos seus sonhos Mycroft.

Mycroft: Contudo, se você observar, essa pequena história apesar de ser "Sherlock" é do ponto de vista do nosso querido doutor.

John: *sentindo olhares sobre ele* Não tenho nada haver com isso.

Sherlock e Mycroft: *olhando para a autora*

Karla: O_O *se esconde*


Gostaria de agradecer as reviews que eu recebi do capítulo 12: , Dilikilol, Cintia, Iza Amai, Lia Collins, Piper, Gina, Mylena,Moe, Paulinha, Orfieu, MellIchihara, Maria Luiza, Lara, Ana Paula, Aurora, Livia, Gabby D Megumi, Naty .

Se eu esqueci de alguém, forgive me!


Respostas das Reviews sem login:

Cintia: Nossa passou tão rápido assim? Ô.o Oh você me adicionou no Twitter? Qual é o seu nickname lá? Ai eu de mando uma mention quando eu postar o capitulo. Sherlock não gosta muito de explicar as coisas se elas irão contra ele no tribunal. xP Desculpa pelo atraso... eu fico com o coração na mão... mas as coisas andam meio difíceis e complicadas, mas como mencionei no inicio do capitulo, vou atualizar de duas em duas semanas que sei que é um prazo bom, ai não ocorreram atrasos... bom a não ser algo de força maior.. tipo meus computadores pifarem ou eu acabar em coma.. ô.o Muito obrigada por ler e comentar, vocês fazem meus dias mais felizes.. \o/

Gina:Eu fofa? *_* ohh thanks... mas pelo meu atraso acho que agora você está querendo torcer meu lindo pescoço.. xD Fico feliz que tenha gostado do ultimo capitulo, todos eles eu escrevo com muito carinho, alguns são mais queridos que os outros.. ^_^ Não fique com vergonha, eu só disse para deixar review, pois ai eu consigo conversar com todos os leitores e eu gosto de responder as reviews, da mesma forma que vocês tiram um tempinho para ler e comentar, eu faço o mesmo respondendo. E as reviews são medidores para os autores, sem que vocês deixem comentários não tem como sabermos se a fic está boa ou ruim. Foi pelos comentários de vocês que percebi que apesar do meu plot ser bom e que a caracterização dos personagens serem boas minha gramatica ficava muito a desejar... então são com feedback assim que crescemos como autores e pessoas. Fico feliz que tenha gostado e que tenha gastado um minuto para mandar uma review..brigado viu linda! ^_^

Maria Luiza: Meu bem, pode cobrar quantas vezes quiser, eu não me importo... só puxei a orelha um pouquinho pois sabia que vocês apareceriam.. xD Meu e-mail e twitter estão lá em baixo no final do capitulo, fique a vontade para me escrever ou me adicionar, ai vocês podem acompanhar o andamento da fic, eu fico com o coração na mão por não poder dizer se o capitulo vai ou não vai sair com certeza na data que mencionei... Ç_Ç com as reviews sem login não consigo informar isso a vocês. John é fofo e muito mordível e acho que os Holmes sabem disso xD Fico feliz que tenha gostado e obrigada por comentar! Kisses.

Ana Paula: Gostou mesmo do capitulo? Owwwnnnn *_* Melhor que telenovela? Ô.o vou levar isso como um elogio.. xP Maria do Bairro? xD Obrigada por ler e comentar.. Hugs..

Livia: Como pode ter visto eu atrasei.. Ç_ç mas não faço de proposito... eu juro! o É que as semanas vão ficando cada vez mais curtas e os capítulos cada vez maiores e eu escrevendo ou não.. _ , mas bem... espero que tenha gostado do capitulo 13 e do 14 agora.. \o/ não fica com raiva não...*abraça*

Naty: Leitora nova! *dance* Seja bem vinda linda! Fico feliz que tenha gostado e espero te ver mais vezes por aqui. Obrigada por ler e comentar! o/


Mesmo com a Betagem da Ada Kaline se por acaso sobraram alguns erros, lembrem-se eles são todos meus.


EVENTO SHERLOCK HOLMES RIO: Enfim aconteceu o evento e foi fantástico, gostaria que todos estivessem idos, mas creio que não faltaram oportunidades e se mais alguém de outro estado quiser tomar a iniciativa e organizar um encontro eu ficaria muito feliz de participar também.


Contatos: Para quem quiser entrar em contato comigo, fique a vontade e me adicionarem no Twitter: karlamalfoy, MSN: karlamalfoy Hotmail. com ou pelo e-mail: karlamalfoy yahoo . com . br . Serão todos muito bem vindos!


Atualização no dia – 14/10/2012. *sai correndo*


Próximo capitulo: Nossos amigos irão tropeçar no homem bomba. John e Sherlock terão uma "conversa de travesseiro" tensa.


Cenas do próximo capítulo:

John abaixou o livro que estava lendo ao ver Sherlock entrar no quarto só com uma toalha presa a sua cintura. O loiro colocou o livro sobre o rosto para evitar olhar para o corpo esguio do amigo.

Depois de alguns minutos, John não tinha conseguido passar da pagina 55 do livro que estava lendo.

- Você está na mesma página está tentando decorar o livro?

John escutou a voz do amigo e sentiu o colchão afundar com o peso do outro.

- O que está fazendo? – John abaixou o livro e viu Sherlock entrar debaixo das cobertas, se posicionando do lado esquerdo da cama.

- Indo dormir. – Sherlock se virou e pegou outro livro que estava na cabeceira da cama.