Capítulo 13

Gina verificou o telefone pela décima vez naquela noite. Nada, nem mesmo uma mensagem de texto de Rony.

Qual era o problema dele? Ela estava ali para ajudá-lo! E ele tinha que trabalhar? Ela não acreditou. Não era burra. Mas se sentiu envergonhada quando os pais dele lhe lançaram olhares preocupados.

Eles finalmente foram dormir pouco depois do incidente da torta. Ela decidiu que esse seria um daqueles momentos malucos em que você perde o autocontrole, o raciocínio e age feito idiota. Tipo quando você está bêbado, algo que ela não estava, porque, de acordo com os pais de Rony, ela estava carregando o fruto do amor deles.

Maldito Rony Potter.

— Gin! — Harry entrou no quarto, absolutamente sem camisa e usando apenas a calça do pijama. Ela ficou ofegante? Ai, meu Deus, ela estava começando a suar. Caramba, alguém liga o ar-condicionado deste lugar.

Desviando o olhar, ela conseguiu dar uma risada sem jeito.

— E aí?

— Noite do cinema. — Ele jogou um travesseiro nela e foi até os DVDs.

— Hum, é noite de ir pelado pro cinema? Não tenho certeza se recebi esse memorando. — Ela o olhou de cima a baixo quando ele virou.

— Me desculpa, minha masculinidade perturba sua natureza puritana?

Ela bufou.

— Por favor, eu só não quero pegar as coisas daquela prostituta da noite passada. Ouvi dizer que as doenças são transmitidas pelo excesso de contato da pele.

Ele revirou os olhos.

— Eu coloco uma camisa se você tirar a sua.

Que proposta tentadora...

— Tirar minha blusa? Pra você finalmente ver meus peitos? Ai, Harry. Deixa eu pensar. Realizar sua fantasia de anos ou manter meu amor-próprio? É, acho que vou manter meu amor-próprio.

Ele deu de ombros.

— Fica à vontade, mas não é uma festa do pijama se você não estiver nua.

— A que tipo de festas do pijama você frequentou quando era criança? — perguntou Gina.

Harry riu sem vergonha.

— Só as boas. Agora, sério, vai colocar uma roupa confortável. Eu espero.

— Tudo bem. — Ela pulou da cama, o coração batendo irregular no peito. Essa provocaçãozinha tinha que parar. Pelo amor de Deus, eles eram adultos! Não adolescentes! Ela pegou um short curto da Victoria's Secret, uma camiseta preta de alcinha e calçou chinelos para parecer menos... sedutora. Não que ela o estivesse seduzindo. Sua pele a traiu no espelho, quando ficou de uma cor vermelha muito bonita.

Ela realmente precisava começar a sair mais.

Descendo dois degraus de cada vez, ela voltou para a sala de estar e viu Harry abrir uma garrafa de vinho. Felizmente, ele tinha colocado uma camisa. Ela não tinha certeza se conseguiria mais lidar com seus músculos incríveis naquela noite.

— Achei que você precisava disso, apesar de não ser bom para o bebê. — Ele piscou.

— Eu beberia essa garrafa toda se soubesse que não ia ficar totalmente bêbada. Sinto falta de vinho.

— Hum, você não bebe vinho há uma noite e sente falta?

— Claramente, você subestima meu relacionamento com o vinho e o que eu faço nos fins de semana quando estou sozinha lendo.

— Você é muito ousada. — Harry a cutucou e encheu a taça até a borda. Ele deveria ser santificado imediatamente.

Os dedos dos dois se tocaram levemente quando ele deu a taça a ela. Seus olhos escaparam até o short dela, e ele pigarreou.

— Gostei.

— Obrigada. — Ela sorriu por dentro.

— É um short ou uma calcinha?

Ele estava falando sério?

— Short, seu babaca. Agora, que filme vamos ver?

— Adivinha.

— Não estou no clima, nem sequer tenho vinho suficiente no meu organismo para embarcar numa atividade tão árdua.

— Ah, o cérebro das grávidas, ele faz isso com as pessoas, de verdade. — Harry se levantou e apagou as luzes, depois apertou o PLAY. — Achei que você ia gostar de ver um filme de terror.

— Filme de terror?

Um desenho animado surgiu na tela. Gina piscou quando a música começou a tocar, depois quase caiu do assento.

— Ai, meu Deus, não podemos ver isso, Harry. Não posso ver isso. Tem uma eternidade e...

— Enfrente seus medos, Gin.

Gina se encolheu um pouco mais perto dele, caso de algum dos personagens querer realmente pular da tela e devorá-la.

Ele apertou o pausa e riu.

— Gin, sério? Achei que você já tivesse superado esse medo.

— Não é medo. — Gina bebeu o vinho com mais rapidez. — É um filme apavorante!

— É Alice no país das maravilhas.

Gina balançou a cabeça algumas vezes e bebeu um pouco mais de vinho.

— Maldito Gato Risonho.

Harry levantou a taça de vinho.

— À superação de velhos medos?

Algo mudou ali entre eles. Os olhos dele, embora estivesse escuro, pareciam esconder alguma coisa. Como se ele estivesse falando de outras coisas além da fobia idiota dela. Gina se inclinou para perto, agora totalmente relaxada por já ter virado metade do vinho e sussurrou:

— À superação de velhos medos.

xxXxxXxxXxxXxxXxx

Harry sabia que isso tinha duplo significado para ele. Ele realmente precisava superar o velho medo e beijar a garota, e, de uma vez por todas, tirar aquilo de dentro de si. Ótimo, agora estava com aquele maldito caranguejo cantando Kiss the girl na cabeça. Excelente.

Ele suspirou: isso certamente acabaria com sua atração platônica. Meu Deus, como era difícil ver o filme sentado ao lado dela, inspirando seu perfume, e ainda mais ver suas pernas bem torneadas.

Ele queria lamber coxas dela até...

Para! Ele precisava parar ou não conseguiria se manter confortável durante o desenho animado idiota. E ela provavelmente presumiria que desenhos animados o deixavam com tesão. Era tudo que ele precisava: que ela pensasse que Alice no país das maravilhas o deixava excitado.

Ele procurou pela garrafa de vinho vinte minutos depois de o filme começar. Descobriu que estava quase vazia. Culpou Gina. Ela estava bebendo como se fosse água. Não, ele não podia culpá-la. Um jantar com a família dele fazia isso com as pessoas. Especialmente quando sua avó estava no clima de compartilhar seus casinhos.

Ele ainda não conseguira descobrir por que a avó estava tão bem. Ela deveria estar acamada, doente! Em vez disso, estava escapando para o outro lado da rua para encontrar o vizinho.

Ah, essa imagem mental fez maravilhas com o tesão dele. Considere um balde de água fria.

A música começou, e essa era a parte em que o Gato Risonho aparecia pela primeira vez.

Ele olhou para Gina, avaliando sua reação.

Ela fechou os olhos.

— Gi — sussurrou ele. — Abre os olhos. O gato não vai voar magicamente pra dentro da sala de estar.

Ela espiou por entre os dedos e bebeu o último gole de vinho, engolindo o líquido da taça e estendendo-a para ele.

— Mais.

Nem pensar em negar alguma coisa a ela. Ele saiu para buscar outra garrafa.

No minuto em que a rolha saiu, Gina estendeu a taça, ainda sem tirar os olhos da TV. Ela realmente tinha um medo esquisito daquele gato maldito. Pelo menos, ela não gritou como da última vez, aos 15 anos. Gina se aproximou dele aos poucos, até suas coxas se tocarem.

Doce tortura.

Ele começou a beber para manter as mãos e os lábios ocupados. Quando os créditos subiram, ele se deu conta que os dois tinham bebido duas garrafas de vinho.

Gina, no entanto, parecia ligada.

— Precisamos ver alguma coisa feliz pra apagar essas imagens da minha mente.

Harry sacudiu a cabeça, se sentindo bem mais relaxado do que devia, com o braço em volta dela, puxando-a para perto.

— O que você quer, então?

O que ele quis dizer era Bem, o que você quer ver agora? Mas Harry estava meio bêbado, meio falando demais.

Ela deu de ombros, se aconchegando mais no corpo dele. O braço de Harry, antes nos ombros dela, acariciaram as costas de Gina, descendo cada vez mais até chegar a sua bunda.

— Gi? — ele chamou de novo. Ela não tinha se mexido, mas a sala estava girando. Em parte pelo vinho e em parte pelo estado de desejo dele.

— Hum? — Ela olhou para cima. Meu Deus, como ela era linda. E estava tão perto que ele quase conseguia saborear o vinho em seus lábios.

— Você decide — disse ele, abaixando a cabeça em sua direção.

— Isso não significa nada — sussurrou ela, encostando os lábios nos dele. — Estamos bêbados, e isso não significa nada — repetiu enquanto suas mãos se enroscavam nos cabelos dele.

Com um gemido, ele balançou a cabeça.

— Isso, nada. — Ele lambeu o lábio inferior dela, saboreando o vinho tinto, e depois passando a língua sob o queixo dela.

Quando seus lábios roçaram nos dela, ela abriu a boca para recebê-lo. As portas do inferno se abriram. Ele não esperava que ela tivesse um gosto tão bom, que parecesse tão madura, que ficasse tão perfeita nos braços dele, que gemesse seu nome.

A língua dele se enroscou na dela. Gina acariciou os bíceps dele e enfiou as mãos sob sua camisa, tirando-a.

— Eu te falei que festas do pijama sem roupa eram mais divertidas — disse ele, entre beijos.

Ela deu um risinho e puxou a própria blusa. De jeito nenhum ele ia perder este momento. Ele se recostou, hipnotizado, quando ela começou a se despir e, então... as luzes se acenderam.

— Vovó!

— Harry! Gina! — Ela colocou a mão sobre o coração.

Ai, meu Deus, era o fim. Sua avó tinha acabado de vê-lo pronto para transar com a noiva do irmão. Ele causaria a morte dela, sem dúvida.

Sua avó inclinou a cabeça.

— Gina, esse sutiã é bem bonito. Cor-de-rosa. Por que eu não tenho roupas íntimas cor-de-rosa?

Harry escondeu a cabeça entre as mãos, rezando para sumir.

A vovó deu de ombros.

— Vocês, crianças, arrumem tudo, agora. Não queremos que Ron volte para casa e veja as provas desse encontro para fazer amor.

Havia algo tão errado na avó dizendo "fazer amor" enquanto uma mulher permanecia de pernas abertas para ele.

Ela deu um tchauzinho e apagou as luzes.

Mas não havia mais clima.

— Você acha que ela estava bêbada? — perguntou Harry, implorando.

— Ou isso ou chapada. — Gina se afastou do peito dele e colocou a blusa. O triste era que ela desejava derramar uma lágrima de egoísmo porque a festinha dos dois tinha acabado.

— Eu devia, hum, ir dormir... — Gina se levantou, cambaleando.

Harry agarrou o braço dela.

— Deixa eu te ajudar. Vou só jogar as evidências no lixo e te ajudo a chegar ao quarto, tá?

Ela fez que sim com a cabeça e alongou os braços sobre a cabeça.

Ele rapidamente jogou as garrafas de vinho no lixo, colocou as taças na pia, dobrou a coberta e desligou a TV.

— Pronta? — perguntou.

— Tô. — Ela não o encarou.

Ele subiu com ela e a conduziu até o quarto de hóspedes. Gina começou a protestar quando ele entrou, acendeu as luzes e abriu as cortinas. Harry sabia que ela gostava de sentir o ar fresco enquanto dormia, hábito que com certeza ela mantinha.

— Pra cama. — O estômago dele se encolheu. Devia ser ele naquela cama, não o maldito ursinho de pelúcia nem o outro travesseiro. Ele estava com ciúme do travesseiro? Precisava de um banho frio.

— Então... — Ela deu de ombros e olhou para o chão. — Sobre hoje à noite.

— Gi, não. Estamos bêbados.

— Não estou tão bêbada — sussurrou ela.

Ele deu um risinho.

— Nem eu.

— Eu ainda te odeio.

Ele sorriu. Não conseguiu evitar.

— Gi, não se preocupe. Eu não dormiria com você nem se você fosse a última garota do planeta. — Mentira, tudo mentira.

— Ótimo! — gritou ela. — Eu também não gosto de você!

— Bem, não se preocupe, Gi, não fico com os restos do meu irmão. — De onde diabos saiu isso?

A mão dela estalou no rosto dele. Ele merecia isso.

— Gi, desculpa. Eu não quis dizer...

— Posso dizer que entendo exatamente o que você quis dizer, Harry. Boa noite. — Ela bateu a porta na cara dele.

Ele era realmente um babaca total.


N/A: Mais um capítulo, ja deixei vários prontos para postar :D

Espero que gostem desses dois que irei colocar hoje, particularmente é um dos meus favoritos. Ate semana que vem e comentem, não cai a mão kkkkkkkkkkkk