NIGHT SEDUCTION
O restante do dia não transcorreu da forma esperada. Não repeti minhas sessões no Fantástico Mundo de Edward, tão pouco pude desfrutar de sua constante companhia. O dever me chamava... como sempre.
Carlisle costumava frisar aos seus filhos que o olho do dono é que engorda o gado e, eu gravei tal frase na minha cabeça desde os tempos da faculdade. Meu maior temor sempre foi fracassar como profissional. E pior ainda, como executiva de uma empresa lucrativa como a Adonna Cosmetics. A empresa da minha família...
Mesmo não tendo a menor vontade de interromper meu improvisado dia de lazer, fui forçada a dar uma passada na empresa. Jessica havia faltado e deixado sua equipe perdida com o procedimento da troca de materiais pesquisados, em conjunto, com técnicos especializados em cosmetologia. As cores da nova linha de maquiagem estavam praticamente certas, mas a escolha correta dos materiais exigia olho clínico – específico -, e somente a Diretora de Criação poderia dar o aval.
Fiquei de mãos atadas e imediatamente preocupada com a minha funcionária. Era uma pessoa muito responsável e estava completamente entregue no atual projeto.
Para piorar minha aflição, não atendia às chamadas de Jasper, Angela e nem da sua própria secretária recém-contratada.
Algo parecia errado... mas exatamente o quê?
Para não assustar a equipe com minha preocupação, solicitei que me informassem por relatório absolutamente tudo a respeito do impasse dos materiais. Isso manteria os funcionários ocupados evitando um dia perdido de trabalho.
Em algum momento do fim-de-semana eu teria de encontrar um horário para ler o relatório, e assim, poder discutir com Jessica na segunda. Outros assuntos que necessitavam da minha assinatura tomaram meu tempo e atenção, mesmo podendo ter sido protelados até o início da semana.
Meu bom humor matinal já tinha despencado até às canelas devido aos imprevistos ocorridos desde o momento em que pus os pés na Adonna, e, piorou quando recebi a ligação de Alice avisando-me do interesse de Jane Volturi em convidar Edward para sua festa, assim que, teve conhecimento de sua passagem por Los Angeles.
Fiquei tensa em minha cadeira por esse repentino interesse e ao mesmo tempo curiosa.
Minha boca rapidamente reagiu à informação como se fosse um morteiro prestes a lançar granadas em campo inimigo. Infelizmente, meu inimigo momentâneo era minha irmã.
Minhas indagações foram proferidas ininterruptamente deixando Alice desnorteada até o ponto de se ouvir o famoso "tum-tum-tum" da ligação encerrada.
Interrompendo tudo que estava fazendo, liguei para Edward apenas para ouvir sua voz e acalmar meus nervos, e, meu coraçãozinho que batia freneticamente. Informei-o que demoraria um pouco mais, pois passaria na casa de Alice no meio do caminho, já que ela havia saído mais cedo da loja por causa da festa logo mais à noite. Lógico que ele percebeu que minha voz estava diferente, um pouco tensa, porém consegui facilmente convencê-lo de que estava estressada e chateada com alguns assuntos da empresa.
Durante todo o trajeto até a casa da minha irmã fiquei pensando em várias coisas, inclusive, uma bastante impertinente: "será que a futilzinha de Hollywood era mais uma das antigas iludidas envolvidas pela postura sedutora de Edward Masen?"
Inspirei três vezes antes de baixar o vidro do carro e apertar a tecla do interfone assim que parei diante da casa de Alice. Mirei a câmera acoplada no aparelho mantendo a expressão séria. Estava bufando por Alice não ter respondido às minhas perguntas e por ter desligado a ligação precipitadamente.
_Boa tarde, Srta. Cullen – a voz polida e perfeitamente suave de Senna, secretária do lar de Alice, irrompeu pelo interfone.
Senti-me tentada a revirar os olhos para a formalidade do tratamento, mas me contive por saber que ela veria minha expressão pela câmera.
Pigarreei antes de falar, tentando evitar demonstrar minha voz vacilante.
_Olá, Senna. Boa tarde – cumprimentei-a da mesma forma. _Minha irmã está em casa, certo? – perguntei incerta, já que, de Alice poderia vir qualquer comportamento intempestivo.
_Está sim, senhorita. Vou abrir o portão.
_Obrigada – dei-lhe um sorriso contido através da câmera.
Enquanto observava o portão automático se abrindo, meus dedos tamborilavam impacientes no volante. Ao mesmo tempo, meu estômago estava tão contraído que provavelmente nem produção de ácido estava realizando.
Massageei minha barriga a fim de diminuir o desconforto, mas eu sabia que tão cedo não estaria no meu estado normal. O passado de Edward era algo que me afetava como o clarão de um raio cortando o céu. Era surpreendente e intrigante, mas não menos assustador para mim.
Era meu dever trabalhar minha mente sobre o assunto, mas o esforço tornava-se quase em vão quando minha imaginação fantasiava em relação às suas inúmeras conquistas, fazendo com que o ciúme, às vezes, quisesse vir à borda do meu temperamento relativamente tranquilo, corroendo meus nervos... como neste exato momento.
Avancei com o carro pela entrada ajardinada e bem cuidada, disposta a sugar todas as informações de Alice. Se havia alguém muito bem informada sobre moda e celebridades na região, esse alguém era Alice Cullen.
Assim que parei o carro numa das vagas do estacionamento descoberto, respirei fundo, tentando organizar as mil perguntas que pipocavam em minha cabeça, deixando-me impaciente.
Peguei minha bolsa e ao bater a porta do carro, senti a bolsa tremer.
"Meu celular", pensei.
Rapidamente a abri para verificar a mensagem recebida. Era do meu lindo.
#JÁ SINTO SUA FALTA. NÃO DEMORE. QUERO APROVEITAR A BANHEIRA COM VOCÊ#
- Edward -
Ao mesmo tempo em que senti as camadas da minha pele quase derreterem diante do calor repentino que se apoderou de mim, minha respiração soou patética ao suspirar abobalhadamente.
"Eu tenho mesmo 30 anos?", pensei.
As frases como um todo, não demonstraram apenas algo carnal ou de momento, mas sim algo mais profundo e cheio de significados para mim. Constatar o grau de dependência sentimental que ele tinha por mim através daquela simples mensagem, foi o suficiente para que eu decidisse não procurar chifres em cabeça de cavalo. Como o próprio Edward dissera uma vez: "sempre estarei contigo". Ele estava agindo como um homem verdadeiramente apaixonado, enquanto eu, como uma boba insegura. Eu tinha de brecar esse tipo de comportamento.
Enviei a resposta:
#E EU MUITO MAIS. LOGO ESTAREI COM VOCÊ PARA APROVEITARMOS JUNTOS O RESTANTE DA TARDE#
- Sua Bella -
Acrescentei um pronome possessivo enfatizando bem que eu era dele e de mais ninguém.
Não guardei o celular na bolsa de imediato. Sabia que receberia uma mensagem de volta.
Assim que levantei a vista para a porta principal, Senna estava mantendo-a aberta com um sorriso amigável.
_Como vai, Senna? – sorri, colocando pra escanteio minha inquietação momentânea.
_Vou muito bem, Srta. Cullen.
Quando passei pela porta, estanquei diante dela. Enviei-lhe um olhar afiado, notando sua leve expressão mudar para hesitante e, em seguida, assustada.
_Me chame apenas de Bella ou Srta. Bella, se assim preferir – suspirei enfadada. _Nada de formalidades comigo, tudo bem? – elevei o canto da boca num sorriso doce e contrito. _E tem mais... eu não mordo, Senna. Não me olhe como se eu fosse um cão prestes a atacá-la – pisquei, notando sua expressão se suavizar, e um discreto aceno de cabeça.
_A patroa está no jardim – informou com um tom de voz baixo, provavelmente envergonhada por nossa troca de palavras. _Gostaria de algo para beber? – mostrou-se cortês e solícita, mantendo a postura profissional.
_Um chá de camomila, por favor – disse polidamente, enquanto ela acenou a cabeça, retirando-se sutilmente.
Apesar de eu não ter o costume de tomar chás à tarde, hoje em especial, precisava recorrer a seus efeitos benéficos para apaziguar a mente e o estresse, pelo menos até chegar em casa, para receber minha dose diária de calmante, cujo medicamento, não se encontrava disponível em nenhuma farmácia. Ele era feito sob medida para manter-me sã. Edward Masen.
Assim que me movimentei, senti o celular vibrar novamente, porém na minha mão. Rapidamente verifiquei a mensagem.
#MINHA. MUITO MINHA. TE ESPERO ANSIOSAMENTE#
- Edward –
Sorri enternecida por sua sinceridade e, por mais que não quisesse reconhecer, o meu ego inconstante inflou e agradeceu.
Senti vontade de dar meia volta e partir para casa, mas eu já estava na casa da minha irmã, ao menos um rápido "oi" eu teria de dar.
Pus o celular de volta à bolsa e girei meu corpo em direção à sala aconchegante que seguia o mesmo padrão de estilo modernista da mansão. Toda a arquitetura da residência de Alice e Jasper foi projetada numa mistura muito bem articulada de concreto, vidro, aço e ricas madeiras. Era elegante e sutil, deixando qualquer visitante encantado com a harmonia arquitetônica.
Atravessei a porta de vidro aberta para o lounge no jardim, à procura da figura da minha irmã. Olhei ao meu redor, mas só via imensas plantas ladeando a parte externa da casa.
Se bem que para um fim de tarde morno e com uma suave brisa, Alice só poderia estar em um único lugar daquele ambiente. A ponte com a cascata d'água.
Caminhei um pouco mais para a direita passando próxima à ampla piscina, que mostrava-se muito convidativa para um mergulho relaxante. E eu necessitava tanto disso...
Quando me aproximei da pequena ponte, avistei minha irmã deitada em um tapete de yoga, vestindo sua farda para exercícios relaxantes: top verde de alcinha e legging preta.
Deitada de barriga pra cima com as pernas afastadas e os braços ao longo do corpo com a palma da mão virada pra cima, mantendo seus olhos fechados, Alice era a imagem perfeita do relaxamento.
O único movimento de seu corpo vinha da contração e descontração de seu diafragma. E o único som que se ouvia era proveniente da cascata de água que desembocava na ponte.
Fiquei observando o exercício que a baixinha fazia sem emitir qualquer ruído e muito menos movimentos, para não perturbá-la, porém Alice parecia possuir ouvido de tuberculoso ou era dotada de um radar embutido no corpo.
Assim que seus olhos se abriram, fitando o céu rosado, eu soube que ela tinha notado minha presença.
_Bella... – murmurou, contudo, sem qualquer resquício de empolgação na voz.
Atitude estranha para quem está diariamente com um sorriso radiante e é considerada a alegria em pessoa.
Será que não estava feliz em me ver? Será que fui muito efusiva ao telefone? Será que fiz algo errado?
_Oi, Aly – cumprimentei-a, desconfiada e hesitante.
Ouvi seu suspiro profundo antes de levantar meio corpo apoiando-se sobre seus cotovelos para me encarar com uma expressão estranha.
_Aly, você está bem? – fiquei imediatamente preocupada, aproximando-me dela para sentar ao seu lado no chão.
_Mais ou menos – respondeu, fazendo uma careta. _Você vai sujar sua roupa – apontou com o dedo indicador.
Ignorei sua observação ao retirar os saltos dos pés e me acomodar cruzando as pernas, jogando a bolsa em cima do meu colo.
_Você parecia bem quando nos falamos por telefone – perscrutei-a, tentando entender seu comportamento. _Fiz algo de errado?
Encaramo-nos por uns segundos até ela soltar outro suspiro e movimentar seu tronco, sentando-se confortavelmente com as pernas cruzadas, cedendo um espaço no tapete para que eu sentasse mais perto ainda.
_Não tem nada a ver com você. E... eu... eu estava bem. Só que... recebi um telefonema de Jasper logo depois – seus lábios se franziram numa linha rígida, enquanto seus olhos se fixavam no movimento de seus dedos mexendo na bainha da legging.
Inclinei minha cabeça fitando-a com a testa enrugada. Meus dedos pairaram sob seu queixo, segurando-o para forçá-la a olhar para mim, mas ela relutava, então soltei-a.
_Qual é o problema?
Ela exalou exasperada, piscando algumas vezes antes de me encarar com um semblante fechado, mas seus olhos estavam inquietos.
_É a porra da minha sogra – disparou, chateada.
Pisquei arregalando um pouco os olhos diante de sua língua ferina.
_Uau!
_"Uau" nada. É foda mesmo – retrucou, mal humorada. _Argh! Só em pensar que vou ter de conviver sob o mesmo teto que ela por quinze dias, já sinto que vou surtar – choramingou, fazendo um biquinho lamentoso.
Tive vontade de rir ao saber o motivo que a incomodava, mas controlei meu ímpeto, pois minha atitude somente a irritaria mais ainda, e eu não vim à sua casa com a intenção de causar-lhe mal-estar.
_Hum... uh... e quando ela chega? – perguntei hesitante.
_Hoje à noite, trazendo a tiracolo a enteada – bufou rolando os olhos, voltando seu olhar para a piscina mais ao longe.
_Hoje à noite? – minha voz soou frustrada.
_Sim. É uma merda! – praguejou muito irritada. _Simplesmente não vou mais à festa, Bella – seu olhar desanimado voltou-se para mim.
Comprimi os lábios, em desgosto pelo comunicado, mas eu entendia sua situação.
_Tudo bem, Aly – acariciei o seu cabelo preso num rabo-de-cavalo.
Suspirei, esboçando um sorriso enquanto nos fitávamos.
Se eu já não estava animada antes deste imprevisto, agora então...
_Desculpe – sussurrou triste. _Mas você sabe que não posso deixar Jasper sozinho com elas aqui – sua voz endureceu.
Acenei a cabeça em compreensão antes de perguntar o óbvio.
_É por causa de Tanya, certo?
_Sim. Ela é insuportável e provavelmente irá me alfinetar sobre a época em que ficava com Jasper, às escondidas, no rancho da mãe dele – suas mãos coçaram seus olhos, e logo percebi quão vulnerável ela estava a ponto de quase chorar.
_Ei, baby... – puxei-a para os meus braços tentando niná-la.
Beijei sua cabeça antes de confortá-la.
_Você sabe que meu cunhado é louco de paixão por você, boba – acariciei sua nuca, ouvindo um leve fungar. _E sobre o que acabou de falar, isso faz tempo. Naquela época vocês nem se conheciam, querida.
_Mas ele foi o responsável por tirar a virgindade dela, Bella – falou exasperada, levantando a cabeça para me olhar com a face vermelha. _Isso é um marco na vida de uma mulher. E eles tiveram um relacionamento sólido, poxa – coçou de novo os olhos.
Sua face se contraiu em dor, e logo vi suas lágrimas se formarem.
_Ah não, Aly – repreendi-lhe, mas de forma suave. _Não quero te ver chorando por algo que não tem mais sentido – puxei-a de novo para mim, abraçando-a com carinho. _Você chama de sólido algo que só acontecia nas férias de verão, quando Jasper saía da faculdade e ia visitar a mãe? É isso que você chama de sólido? Hã?
Estranho era eu consolar Alice neste momento e, principalmente com o assunto em questão. Ela era normalmente um poço de segurança, enquanto eu havia descoberto recentemente um lado fraco do meu ser.
Ela fungou algumas vezes, choramingando e tremendo.
Preferi me calar após minhas indagações, apenas reconfortando-a.
Eu sabia que ela estava fazendo uma tempestade em copo d'água, mas não iria me intrometer tanto.
Depois de alguns parcos minutos mergulhada no silêncio, ela desvencilhou-se delicadamente de meus braços, tentando conter seus soluços, porém não me encarava. Somente se ajeitou em cima do tapete para colocar a cabeça em cima da bolsa que estava em meu colo, encolhendo-se como um feto.
Quando Alice estava sensível era pior que criança... tornava-se tão manhosa...
_Minha intuição diz que ela ainda tem sentimentos indecorosos por meu noivo. É por isso que já não vou mais à El Paso desde o ano retrasado, quando joguei tequila na cara dela, ao tentar se insinuar bêbada para cima dele no aniversário do pai dela – resmungou chateada.
Eu entendia o aborrecimento da minha irmã. Devia ser difícil conviver meio que obrigada com 'agregados' à família do noivo que eram inconvenientes.
Meu cunhado era muito educado, além de ser um perfeito cavalheiro, mas também tinha seus rompantes de fúria e eu pude presenciar um deles justamente nesse episódio, em que Alice retornou do Texas determinada a terminar seu namoro, que até então, tinha dois anos de duração.
Costumeiramente calmo, Jasper conseguiu surpreender a todos ao enfrentar a mãe, o padrasto e Tanya, dando-lhes um banho de lição de moral, e, demonstrando a quem quisesse enxergar o quanto amava sua namorada.
Ele e Alice levaram algum tempo se conhecendo, consolidando a amizade, quando ele foi empregado na Adonna por minha indicação, já que, nos conhecíamos desde a faculdade.
E eu sempre admirei o relacionamento deles... queria um igual ou ao menos parecido.
Então surgiu Edward...
Balancei a cabeça para me concentrar na lamúria infantil da minha irmã.
_Ela nunca se conformou por ser rejeitada pelo meu Jazzy, depois que nos conhecemos na empresa de papai – fungou, murmurando.
_Alice, você sabe como Tanya é temperamental e voluptuosa, e, faz questão de enfatizar isso através dos trajes que usa, justamente para chamar a atenção e provocar – desafrouxei o elástico que prendia seu cabelo, fazendo-lhe um cafuné.
_Se ao menos o pai de Jasper não tivesse morrido, talvez as coisas fossem diferentes – murmurou em desalento.
O pai dele era militar do Exército e morrera em exercício no Fort Bliss, em El Paso – Texas -, no mesmo ano em que seu filho entrara na faculdade.
Era um homem íntegro pelo que seu filho falava nos tempos em que era meu colega de turma na Universidade Stanford.
Jasper tinha muito do comportamento de seu pai...
_Ou talvez não... nunca sabemos o que o amanhã nos reserva, mana – acariciei a maçã de seu rosto triste.
De repente ela grunhiu, assustando-me.
_Eu não vou deixar Tanya me abalar dentro da minha própria casa. Eu e Jasper estamos tentando construir uma família e não quero perturbação no meu doce lar por interferência de gente invejosa – deu um murro no tapete, sobressaltando-me.
_Ei, pega leve – sussurrei, acariciando sua mão. _Acalme-se, senão vou ligar para Jasper.
_A minha sogra eu posso aturar, afinal é mãe de Jasper, e, se vende por qualquer presente vindo da nossa parte, mas a enteada, não. Vou aguardá-lo chegar para conversarmos a respeito da estadia dela aqui – levantou a cabeça, emburrada, ignorando meu comentário anterior, sentando-se com as pernas cruzadas novamente, passando as mãos no cabelo para desembaraçá-los.
_Aposto que ficou desconcertado por saber que ela viria acompanhando a mãe dele, certo?
Fitei a piscina e vi que Senna vinha em nossa direção com uma bandeja nas mãos, trazendo o meu chá, uma jarra de água e uma de suco.
Estava cogitando seriamente deixar o chá de camomila para minha irmã tomar.
_Claro que ficou e não pôde vetar a vinda de Tanya pra cá, pois sua mãe lhe dissera que ela está comprometida agora, então não representaria nenhum perigo ao nosso relacionamento – rolou os olhos, fazendo-me sorrir.
_Então pronto. Ignore-a – arqueei a sobrancelha, observando sua reação.
Ela deu um sorriso de canto, voltando a me fitar, porém com uma expressão sarcástica, o que já era um bom sinal de que seu bom humor havia retornado.
_Você sabe que não acredito nas palavras da minha sogra, mas prometo que vou cagar e andar pra Tanya – desdenhou, com seu vocabulário fajuto.
Comprimi os lábios impedindo minha gargalhada, mas Alice era uma boa observadora e notou meu semblante.
_Pode rir – e assim que terminou a frase, ambas já estávamos às gargalhadas.
Ela não conseguia ficar muito tempo com raiva de ninguém. Era a própria felicidade ambulante.
Então, se levantou um pouco a fim de arrumar o tapete para nos acomodarmos melhor, colocando-o na horizontal.
_Srta. Bella aqui está seu chá – Senna se aproximou para que eu pegasse a xícara, mas Alice refutou seu gesto.
_Não, Senna – ela gesticulou. _Leve para o lounge, por favor – sorriu, polidamente.
_Sim, Srta. Alice – acenou a cabeça retornando pelo caminho que veio.
Assim que Senna se afastou, Alice disse:
_Agora que já descontraímos, e, estou um pouco melhor, vou contar-lhe o que sei sobre Jane e sua festa de logo mais – piscou, divertida. _Sei que te deixei curiosa, mas garanto que não há com o que se preocupar – sorriu matreira.
Estreitei os olhos, fitando-a desconfiada.
_Só há uma coisa que você tem que fazer... – seu sorriso era suspeito.
_O que? – perguntei concisa, mudando rapidamente de expressão.
Fitava-a séria e cautelosa.
_Promete que manterá a mente aberta para o que conversaremos agora? – olhou-me em expectativa.
Eu não sabia o que responder direito, pois meu desconfiômetro estava alerta, então apenas ordenei:
_Desembucha.
Algo me dizia que eu seria surpreendida pelo mundo das celebridades, o que era até então, considerado supérfluo para quem só se conectava com o trabalho e a família.
(...)
Já passava das onze da noite quando criei coragem de sair do closet. Sim. Apenas do closet e não de casa.
Depois que voltei da casa de Alice não sabia se conseguiria ir a uma festa tão supostamente diferente das que poucas vezes frequentei.
Até o presente momento da minha vida, não me considerava alguém tão careta em relação ao comportamento sexual e atitudes sexuais de homens e mulheres, eu apenas optei pelo direito de me manter reservada, tão reservada que permaneci virgem até os 30!
Será que a errada era eu? Talvez sim... talvez não... quem sabe?
Hoje eu teria uma grande oportunidade para descobrir quem sou após ter sido apresentada a um mundo de fantasias sexuais dentro de quatro paredes.
Mas cadê a coragem para encarar uma festa fetichista? O que encontrarei lá?
O receio de não tentar manter uma mente tão aberta como a dos demais convidados, idealizando até um possível vexame, me fez travar diante do painel de espelhos do meu closet por tanto tempo, que ao sair, Edward estava apreciando um bom drink e degustando petiscos.
À primeira vista, ele não percebeu minha presença. Estava compenetrado em seu celular, mexendo-o, enquanto comia mariscada salteada. Uma das especialidades de Sue.
_Hum- hum – arranhei a garganta para chamar sua atenção. _Desculpe a demora.
Rapidamente sua cabeça girou em minha direção e o canto de sua boca se elevou, mostrando-me sua aprovação ao meu visual.
Pena que eu continuava insegura quanto ao vestido que Alice escolheu para mim esta noite.
_Err... o que acha? – perguntei fazendo careta ao dar uma volta completa para que olhasse como um todo.
Edward me devorou com o olhar de uma maneira que me fez corar até o último fio de cabelo.
Seus olhos subiram lentamente dos meus pés, acomodados em um escarpin Louboutin preto estilizado com tachas, que segundo Alice era fetiche puro e casava com a ocasião. Em seguida, se deteve por alguns minutos em minhas coxas, expostas pelo vestido evasê de tiras. O desejo aflorado em sua face, o fizera passar a língua por seus lábios, enquanto a vibração sexual que se implantava entre nós começava a palpitar no meu centro de prazer. Nem havíamos nos tocado... ainda.
Estava começando a ficar inquieta em pé, quando o vi levantar da poltrona do quarto, e caminhar até mim como um leopardo falsamente manso, avaliando a parte superior do vestido, cujos bojos, eram pontiagudos mostrando um generoso decote, que modelava meus seios.
Engoli em seco ao sentir seu cheiro bem próximo e tremi ao seu toque no vão dos meus seios, deixando-os túrgidos por debaixo da roupa.
Meus olhos se trancaram nos seus implorando para que ele continuasse me tocando daquele jeito. Já não me importava sua opinião a respeito de nada, pois seus gestos me diziam tudo.
Estando em plena sintonia, Edward apalpou um dos meios com sua mão firme, reivindicando posse.
Oh sim. Aquilo era um aviso.
Eu era sua. Ele podia fazer o que quisesse comigo e eu ainda pediria bis.
Meu gemido saiu involuntário pelos meus lábios cor de carmim, enquanto minha mente entrava em parafuso com a sensualidade do momento.
_Eu... eu acho que dentro de mim... existe... existe uma fera que sempre desperta ao toque da sua pele... – sussurrei, gaguejando, de olhos fechados apreciando sua doce carícia, que emitia impulsos elétricos ao meu centro pulsante, que começava a ficar molhado.
Senti uma de suas mãos me puxar para ele, grudando meu peito ao seu, enquanto sua mão abandonava meu seio para segurar meu queixo inclinando minha cabeça para trás a fim de que eu prestasse atenção nele. Abri meus olhos e, então, fui capturada pelos calorosos olhos azuis acinzentados, que estavam mais escuros, delatando o que Edward queria. Sexo.
_Eu te desejo neste exato momento com uma paixão enlouquecedora, mas vou segurar a onda porque sei que nossa noite terá muito mais disto na boate – sua voz baixa tentava suprimir a rouquidão de desejo que exalava. _E essa boca vermelha...
Eu não consegui processar quase nada do que falou porque no instante seguinte sua boca tocou a minha com fervor e paixão.
Meus braços voaram para enlaçar seu pescoço. Edward estava muito além de cheiroso. Estava lindo e gostoso.
Meus dedos encontraram o próprio caminho por entre seus fios de cabelo sedosos, repuxando-os com todo o tesão que aquele beijo lascivo era compartilhado.
Suas mãos que se prendiam em minha cintura deslizaram mais para baixo, chegando às minhas nádegas, adornadas por uma calcinha fio dental muito, mas muito indecente e que sei que levaria Edward a nocaute quando retornássemos para casa.
Nosso beijo foi se desvanecendo até separarmos nossos lábios, fitando-nos com ardor.
_Você está deslumbrante, baby – deu-me um sorriso apreciativo, exibindo lábios vermelhos pelo borrão do meu batom.
_E você está lindo com a boca um pouco vermelha – ri, enquanto meu polegar retirava os resquícios da cor em seus lábios.
Senti suas mãos massagearem minhas nádegas por debaixo do vestido, deixando-as arrepiadas ao seu toque, fazendo-me grudar mais ao seu corpo, em fricção. Involuntariamente outro gemido escapou de mim.
_Há uma peça desnecessária aqui – mordeu o lábio, enquanto seus olhos avaliavam a minha expressão.
_Qual peça? – arqueei a sobrancelha.
_Sua calcinha – piscou, ao mesmo tempo em que seus dedos puxaram levemente o elástico lateral soltando-o na minha pele, irradiando choques pela minha pélvis excitada.
_Você... você está sugerindo que... – meu queixo caído arrancou-lhe uma risada rouca e provocante.
_Estou sugerindo que vá sem calcinha, o que acha? – perguntou em expectativa, deixando-me de olhos arregalados.
_Loucura... eu acho uma loucura – balancei a cabeça meio desarvorada pela sua sugestão, mas em meu íntimo a "fera" despertada dizia para acatar o que ele dissera.
Estávamos indo para uma festa libertina, cujo bom senso, seria inexistente. E o meu teste drive começaria agora, pois o momento não era propício a pensar, mas sim, a agir.
Contudo, mais uma vez eu me perguntava: cadê a coragem?
Edward se inclinou para me beijar, desfazendo aos poucos os nós atados em minha mente.
Seu toque era mais suave, mas não menos tentador.
Sua boca deslizou por meu queixo, indo de um lado a outro do meu rosto impelindo um fervor descomunal de desejo. Seus lábios salpicaram beijos suaves e molhados no local, acrescido de uma mordida que me fez rolar os olhos, imprensando meu corpo ao dele.
Ele estava tentando me convencer através da sedução a aceitar algo tão proibido para mim quanto o fruto para Adão no Paraíso.
Seus lábios mordiscaram o lóbulo da minha orelha, fazendo-me encolher pelo arrepio que senti.
Eu estava desnorteada por aquele joguinho...
_Pense bem, meu amor, nós dois dançando juntinhos em um local à luz baixa, decorado com algemas, chicotes e acessórios eróticos... – sua voz extravasava sexo.
E eu pude constatar através de sua fenomenal excitação que ele estava no ponto.
Minha cabeça rodou, imaginando mil possibilidades fetichistas com Edward nessa festa.
Ele continuava a me envidar com seus lábios e eu estava quase cedendo.
_Imagine aproveitarmos a noite num lugar que irradia erotismo... – sua língua brincou com o lóbulo da minha orelha entremeando com os lábios.
Eu estava no limiar do êxtase...
_Isso... provoca... quero ver até onde você vai, antes que eu resolva entrar nesse jogo – afirmei, lânguida, completamente entregue às suas carícias.
Um tapinha em minha bunda me fez gemer mais profundo.
_Eu vou até o ponto em que conseguir o que eu quero de você – sussurrou, beijando o ponto abaixo da minha orelha, fazendo-me apertá-lo em um abraço fogoso.
E antes que pudesse raciocinar, senti o pedaço de pano se rasgando, deixando-me nua embaixo do vestido.
Olhei, de soslaio, para sua mão e o fino tecido foi jogado na cama.
Ao invés de me assustar com tal ato ousado, eu aprovei, demonstrando através do meu beijo que estava tudo bem.
Inebriada pelas sensações intensas disparadas em meu corpo, tomei seu lábio inferior para mim, passando a língua de maneira lasciva, tentando-o.
Edward grunhiu em minha boca, friccionando nossos corpos em busca de mais prazer.
Decidida a ser ousada, mordi seu lábio após o beijo. Foi leve, mas o suficiente para fazer Edward quase rasgar meu vestido.
Sabendo que deveríamos interromper aquelas carícias, fui amenizando-as, até tornarem-se simples selinhos.
Assim que nos separamos minimamente, um pensamento absurdo para o meu padrão comportamental, me assolou.
Olhei-o de forma insinuante e decidi apelar para a emoção que me dominava.
_Alguém está em desvantagem aqui, você não acha? – elevei a sobrancelha de modo provocativo.
_Concordo – balançou a cabeça, sorrindo deliciado com a minha insinuação. _O que você sugere? – piscou, sacana.
Lambi os lábios, antes de voltar a falar:
_Espere e verá – pisquei, sorrindo jocosa, vendo-o franzir a testa em incompreensão.
Deixei-o plantado no meio do quarto, enquanto fui ao banheiro pegar uma tesoura dentro de uma das gavetas.
Meu sorriso era traquina e eu sabia que minha atitude seria aprovada por ele, caso ele não tivesse um apego emocional por sua calça.
Quando retornei com a tesoura nas mãos, Edward arregalou os olhos em surpresa.
_Você vai me matar, Bella? – perguntou avaliando o metal.
_O dia que eu o matar, Edward, será de puro prazer – pisquei mais uma vez. _No momento, meu corpo caiu em tentação e não há razão que dê jeito nisso – estalei a língua.
Seus olhos acompanharam o movimento da tesoura em meus dedos. Quando a coloquei no cós da calça presa pelo cinto, eu disse:
_Tire sua calça e... também a sua cueca – sussurrei, assistindo com prazer o efeito que eu tinha nele.
Seus olhos instantaneamente se estreitaram, ferozes como os de um leão, prestes a atacar.
Sem perguntar absolutamente nada, ele retirou o cinto, abrindo o botão e em seguida o zíper da calça, deixando-a cair solta ao chão.
Sua ereção bastante apreciável por baixo de sua cueca era um chamariz para que eu fosse ao deleite, mas como ele disse alguns minutos atrás "nossa noite terá muito disto na boate".
Quando ele retirou a cueca, quase desisti do plano inicial e me atirei em cima dele, disposta a lhe dar prazer e a me satisfazer ao mesmo tempo. O tamanho tão proeminente estava quase me distraindo, mas voltei meus pensamentos para o meu foco, fazendo uma força tremenda.
_Você gosta desta calça? – me agachei para pegá-la.
_Gosto... – falou, dando de ombros.
_Muito ou pouco? – mordi o lábio, sorrindo traquina, mas meus olhos se prenderam em sua ereção, atraindo-me como um ímã.
_Não! – sua negativa me fez piscar, fitando-o com a testa enrugada, enquanto uma de suas mãos pairou sobre minha cabeça, detendo-a. _Se você fizer o que tem em mente e eu permitir, nós dois não sairemos mais daqui – sorriu maroto.
Mordi o lábio, morrendo de tesão por ele.
_Não morda o lábio assim. Me deixa louco – ele se abaixou um pouco, passando seu polegar delicadamente pelo local, deixando-me mais acesa do que antes.
Balancei a cabeça, tentando desanuviar minha mente.
Edward riu do meu gesto e se abaixou mais para me dar um beijo.
_Assim está melhor, linda – falou ainda com os lábios nos meus. _Agora me diga porque quer saber se gosto ou não desta calça?
_Por que... porque eu quero cortar a costura dos bolsos dela. E então, posso cortar? – dei uma risadinha para a cara que ele fez, não gostando muito a princípio do que eu falara. _Eu garanto que você vai gostar do que vou fazer depois – comprimi os lábios, tentando reprimir o riso, ao fitá-lo com a expressão duvidosa.
_Tudo bem. Afinal, eu não perguntei se você gostava da sua calcinha – falou sedosamente.
_Justo – acenei a cabeça.
_Vá em frente, amor – piscou.
Suspirei ao ouvi-lo me chamar de modo tão carinhoso. Ele sempre me desarmava quando pronunciava a palavra "amor".
Minha atenção voltou para a tarefa em questão.
Cortei sem muito cuidado um dos bolsos e depois o outro. Foi tudo rápido, afinal o que importava era o resultado.
Depois de feita a "arte" na calça de Edward, eu ordenei sedosamente:
_Agora você vai vestir a sua calça, porém sem cueca.
Fitei-o divertida, enquanto ele se vestia novamente.
_Agora vou lhe mostrar quão prático é ter buracos nos bolsos – disse, faceira.
Edward sorriu entendendo a que ponto eu queria chegar.
_Como não pensei que você iria fazer isso?
_Porque eu sou muito previsível, provavelmente, mas decidi te surpreender desta vez – pisquei.
_E eu confesso que adorei, linda. Mostre-me, então – ordenou, suavemente, envolto pela mesma energia erótica que eu.
Aproximei-me do seu corpo sendo enlaçada por seus braços fortes e protetores.
Ergui o queixo, deixando minha boca ser tocada pela dele, enquanto uma de minhas mãos enveredou por um bolso, tocando a sua dura ereção. A outra encontrou seu caminho pelo outro bolso, tocando suas bolas inchadas, e ao meu querer, ambas as mãos se encontraram por dentro do tecido.
Nessa mínima demonstração de ousadia, Edward gemeu apreciando meus carinhos, deixando-se levar pelo momento.
Lentamente fui retirando minhas mãos dos bolsos, mesmo sabendo da necessidade fisiológica dele em se aliviar. Já que estávamos jogando, deixaria à sua mercê a decisão de nos dar prazer.
_Agora estamos quites – sussurrei em seus lábios.
_Sim, baby. Agora vejo vantagem e sei que nossa noite será épica – murmurou em meus lábios. _Mas acho que vamos ter de iniciá-la aqui mesmo – disse, já levantando a barra do meu vestido.
Eu estava mais que pronta para suas vontades.
_Você está me chamando para uma rapidinha? – mordi de leve seu lábio, ouvindo seu gemido.
_Sim, amor – seus lábios desceram por meu queixo e pararam em meu pescoço, dando-me beijos e lambidas suaves.
_Então... então faça-me sua agora – pedi, fraca.
(...)
Quando chegamos à boate, eu estava muito excitada.
Durante todo o trajeto Edward ficou me incitando a continuarmos jogando, mesmo ele tendo que prestar atenção à pista. Seus olhos, ora miravam a avenida, ora miravam minhas coxas, e, não satisfeito, ficou alisando-as pressionando-as nos pontos certos. Aquilo me deu um tesão louco a ponto de enfiar uma de minhas mãos num de seus bolsos rasgados para tentar conter a ânsia que serpenteava pela minha espinha e se acumulava bem no meio das minhas pernas, deixando-me quente e molhada. E então, ficamos nos acariciando, complementando com palavras cheias de segundas intenções, até chegarmos à SupperClub.
Assim que entramos fomos informados pela promoter do lugar que, a pedido da anfitriã, todos os aparelhos eletrônicos dos convidados seriam devidamente recolhidos e guardados em uma chapelaria com o nome do respectivo dono, pois era proibida a utilização dos mesmos na festa a fim de se evitar fotos e vídeos comprometedores. Em seguida, passamos por detectores de metal! Atitude que achei exagerada, mas se era necessário, eu não poderia me opor.
Depois desse primeiro impacto, veio o segundo, ao sermos conduzidos até a nossa ala VIP. Enquanto tentava andar normalmente em meio à baixa luminosidade, meus olhos se focaram na diversidade de adereços eróticos que enfeitavam o local. A maioria possuía luzes led que contrastavam com o ambiente escuro. Era exatamente como Edward descrevera em casa.
Uau!
E as paredes eram compostas por enormes cortinas nas cores preto e vermelho, deixando-me hipnotizada com a mesclagem de cores sólidas. Tudo estava relacionado ao mundo BDSM. Tudo era rico em detalhes.
Alice iria ficar fascinada se viesse, pois ela adorava festas temáticas, mas o aniversário de Jane Volturi parecia ser muito mais que uma festa... parecia ser um convite explícito ao sexo, onde se via bailarinos e bailarinas caracterizados como dominadores e submissas, respectivamente, exibindo-se de forma sensual nas fitas suspensas no teto ao som do Dj.
O modo como mexiam seus corpos não deixava dúvidas aos convidados do propósito da festa, ainda mais trajando peças de roupas que eram mínimas!
A minha roupa comparada a deles era muito comportada!
_E então, surpresa? – Edward cochichou em meu ouvido, enquanto seguíamos uma das promoters até o nosso reservado, passando com dificuldade por entre as efusivas pessoas que se divertiam à vontade.
_Muito – foi o que consegui dizer ao passo que meus olhos faziam a varredura no local. _Por que todos estão usando máscaras? – soei curiosa, enquanto via a pista de dança pegar fogo com vários corpos se jogando ao som da música vibrante.
_Não sei... talvez seja um pedido da aniversariante – respondeu, me protegendo com seus braços ao ser empurrada por algum bêbado.
_Já há convidados dominados pelo álcool – observei, dando uma risada.
_O bom é que chegamos no ápice da festa, portanto, só nos resta entrar no clima – ele colou sua boca em meu ouvido, tentando fazer-se escutar, em virtude do som alto.
Entrar no clima da festa?
Tremi ao imaginar o que viria pela frente.
Eu estaria disposta a experimentar coisas diferentes desde que Edward sempre estivesse ao meu lado, conduzindo a situação. Já me sentia a sua própria submissa...
Ri balançando a cabeça.
_Posso saber o motivo da sua risada? – perguntou dando uma mordidinha na minha orelha, me fazendo encolher em seus braços.
_Nada... – falei divertida. _Apenas pensamentos bobos – sorri de canto de boca, olhando de soslaio para ele.
Edward me apertou em seus braços enquanto me abraçava por trás, praticamente me levando com suas passadas largas.
_Ou pensamentos pervos? – ele elevou a sobrancelha de modo matreiro.
Não respondi, apenas balancei a cabeça sorrindo ao ganhar um beijo na bochecha.
Assim que a promoter indicou nosso lugar, notei que a mesa privativa na verdade era uma cama e as almofadas eram travesseiros!
Andei tão distraída pelo caminho até nossa mesa que não percebi direito, em meio à escuridão apinhada de gente, como eram as acomodações.
Fiquei tão pasma que girei minha cabeça para encarar Edward. Ele sorria de modo sacana.
_Você... você não tinha me falado sobre essa parte muito... interessante – acusei-o sedosamente ao pensar como seria divertido usufruir da cama em uma festa que exalava feromônios sexuais.
_Muita coisa eu não lhe falei para não assustá-la, pois sei que sua vida de empresária e menina de família, não te deu margens para ter uma visão diferenciada e ampliada de outras coisas que te cercam, como por exemplo, o submundo das casas noturnas de Los Angeles – falou naturalmente, fitando-me com carinho.
_Você tem razão... eu confesso que estou assustada, mas ao mesmo tempo admirada com tudo isso, principalmente desde que você chegou à minha vida, me tirando do trilho – abracei-o dando-lhe um selinho.
_Eu sou um lobo mau... – grunhiu, arrancando risos de mim.
_Bobo – dei-lhe um tapa no ombro. _Você mais parece um vampiro sexy, que envolve a mocinha com sua fala suave, mansa e aconchegante, fazendo-a cair na sua. Você gosta de provocar, particularmente, na área do pescoço – inclinei meu pescoço para dar acesso à sua boca cativante -, começando calma e vagarosamente até passar a ser mais feroz. Feroz o suficiente para bombear meu sangue para áreas extremamente sensíveis do meu corpo – seus dentes se fincaram em minha pele, disparando pulsações pelo local.
_Edward... – ronronei seu nome manhosamente pela fraqueza que senti em virtude de seus carinhos.
_Ótima descrição, baby – sussurrou roucamente, separando-se de mim em seguida, dando uma bisbilhotada a nossa volta.
As mesas estilo cama ficavam dispostas em volta da pista e eram coladas umas nas outras, da mesma forma das que estavam numa parte superior à pista, da onde tínhamos melhor visão da boate como um todo. Ficamos praticamente colados aos outros convidados, que de tão envoltos pela energia do local pouco notaram - ou sequer notaram – que havia outras pessoas do lado, o que pra mim era ótimo. Quanto mais despercebidos passássemos, melhor seria a nossa diversão.
_E sobre você o que posso dizer é que as aparências enganam. Por fora parece tímida, mas por dentro é escandalosamente cheia de segundas intenções... – aproximou-se novamente, passando o seu polegar numa suave carícia em minha bochecha, arrancando-me um suspiro de satisfação.
_Descrição bem realista. Mas minhas segundas, terceiras e infinitas intenções são apenas com você – retruquei, segurando seu queixo para dar-lhe uma leve mordida.
Edward soltou outro grunhido colando seu corpo ao meu, me fazendo perceber o quanto me queria. O quanto me desejava ali...
_Edwarrrrrrd! – uma voz estridente sobressaiu-se à música que tocava, nos repelindo um do outro a fim de olhar na direção da pessoa.
Oh não! A aniversariante.
Da onde ela surgiu? E como nos viu nessa aglomeração toda, numa boate quase às escuras?
Observei-a cumprimentando sorridente, porém apressada, alguns convidados que estavam na mesa ao lado.
Jane estava vestida de modo muito provocante. O figurino imitava o de Madonna em um de seus shows do álbum "Erótica".
Seus cabelos loiros estavam puxados para trás num coque baixo. Em seu rosto havia uma máscara preta que deixava seus olhos azuis destacados, em conjunto com sua boca, num tom vermelho escarlete.
Seus seios estavam evidenciados num top preto cravejado com cristais swarovski, coberto por um colete justo de cetim na mesma cor e, pra completar o visual na parte superior, ela usava longas luvas.
Na parte inferior, ela portava um short curto com cristais, meia arrastão e botas de cano longo, tudo na cor preta.
O arremate final foi seu chicote, que parecia grudado na palma da mão.
_Ah... ohhh... olá, Jane – Edward a cumprimentou sorridente em meio ao abraço de urso bem carinhoso que recebeu dela.
Como ela era muito baixa, praticamente se pendurou no pescoço dele. Achei a cena cômica, mas contive meu riso.
O estranho é que não senti ciúme, talvez por saber a opção sexual dela...
_Oh... cara, quanto tempo – ela deu-lhe um tapinha no ombro.
Seus olhos avaliaram o corpo de Edward dos pés à cabeça.
_Porra! Você está gostoso... – balançou a cabeça, enfatizando sua observação.
Eu prendi meu riso ao ver a cara de envergonhado de Edward, que imediatamente, enfiou as mãos nos bolsos furados...
_Fiquei sabendo que você estava aqui através da minha assessora quando fiz rapidamente a lista de convidados. Quanta falta de consideração da sua parte não ligar pra mim ao menos para dar um "olá" ou para marcarmos uma saída para bebermos como nos velhos tempos – ela pôs as mãos na cintura, estreitando o olhar, fingindo consternação. _Isso não se faz, Edward – ela pôs o dedo em riste.
_Desculpe... – ele falou com um tom de voz culpado.
E eu me senti mal por ele, pois sabia que desde o dia que nos conhecemos eu praticamente monopolizei sua atenção.
Apreensiva por achar que estava sufocando-o, roí uma unha. Mania horrível que me persegue desde a época da escola.
_Mas que bom que meu convite chegou até você, porém se fosse embora de Los Angeles sem falar comigo eu não te perdoaria nunca – estreitou os olhos fingindo aborrecimento, mas o canto de sua boca esboçava um sorriso.
_Eu andei ocupado desde que cheguei aqui – ele me olhou de relance - ... minhas sinceras desculpas por não ter falado antes com você – passou a mão nos cabelos, sem graça.
Eu permaneci como figurante naquela interação entre amigos de longa data.
De repente, os olhos de Jane pairaram sobre mim, perscrutando cada ponto do meu rosto, seguindo uma trilha descendente, até estagnarem nos meus seios. Ela elevou a sobrancelha e acenou a cabeça em apreciação, gesto que me incomodou. Nunca havia sido devorada pelo olhar de outra mulher... era tão esquisito.
_Agora sei o motivo que lhe deixou ocupado – piscou para mim. _Você não é fraco, Don Juan... – virou-se para ele, erguendo o polegar, dando-lhe um sinal positivo. _Atacando a família Cullen... – ela riu ao passo em que Edward deu-lhe um olhar severo e repreendedor.
Engoli em seco.
Edward me lançou um olhar cauteloso.
_Prazer em conhecer a "Toda Poderosa" da cidade... – estendeu a mão que estava livre do chicote para um cumprimento formal ao se aproximar de mim.
Estendi-lhe a minha mecanicamente... travada com aquela interação.
Seu aperto foi suave e seus dedos acariciaram minha mão de leve, deixando-me mais desconfortável ainda.
_Olá. Parabéns, Jane... pelo... pelo seu aniversário e pela... pela bonita festa – gaguejei, gesticulando com a outra mão para o ambiente em questão. _Mas, por favor, me chame apenas de Isabella – pedi, polidamente, retirando minha mão delicadamente da sua.
Eu detestava o apelido "Toda Poderosa"...
_Isa-bel-la... uau! Seu nome pronunciado pausadamente é tentador para mim – ela bateu o chicote na palma da mão, dando-me um susto. Passou a língua pelo lábio inferior, mordendo-o em seguida. _Obrigada por ter vindo – seu sorriso era revelador.
Desviei o olhar para Edward que me encarava hesitante. Eu estava muito constrangida com aquela "atenção" de Jane.
_Sabe... eu sempre tive vontade de conhecê-la pessoalmente, mas faltou oportunidade porque eu estive muito ocupada em irritar o velho mandão do meu pai – ela fez uma careta, revirando os olhos -, mas seu nome lá em casa sempre foi pronunciado com reverência – ela se aproximou mais de mim e, instintivamente, eu recuei um passo -, pois você é o exemplo de filha que qualquer pai gostaria de ter – ela balançou a cabeça, sorrindo, enquanto uma de suas mãos pegou uma mecha de meu cabelo solto.
Eu a olhava de forma dura, com o maxilar cerrado, tentando entender suas palavras, mas minha atenção se prendia em seus gestos.
Ela levou a mecha ao seu nariz, inalando o aroma do meu xampu. Engoli em seco ao vê-la fechar os olhos e soltar um gemido profundo.
_Jane... – Edward a chamou com a voz grave, soando como uma reprimenda.
_Shh... eu sei, Edward, o que você está pensando – ela disse, de costas para ele, ainda de olhos fechados. _Não vou atacar sua preciosa. Fique tranquilo – seus olhos se abriram e eu a encarava com o cenho franzido e olhos gelados.
Não gostava daquele tipo de abordagem, mas contive a vontade de empurrá-la para trás e vociferar para que nunca mais me tocasse. Eu não queria chamar a atenção dos demais convidados para nós duas. Afinal, todos estavam ali para se divertir e não para assistir uma briga.
_Desculpe, Isabella. Não quis constrangê-la com a minha atitude – soltou a mecha, mas manteve-se de frente para mim, com seus olhos predadores.
A máscara lhe conferia algo misterioso.
_Mas agora que estamos cara à cara, consigo entender o fascínio que meus pais têm por você. Você é simplesmente encantadora, querida. É uma pena que você não jogue no mesmo time que o meu – piscou, girando seu corpo na direção de Edward, que a olhava com cara de poucos amigos.
Eu fiquei pasma com suas palavras.
_Edward, não me olhe assim – sua voz era divertida.
Só ela estava achando aquilo tudo divertido pelo jeito.
_Só falei a verdade – deu de ombros. _Isabella é encantadora e fascinante. Isso, porque nem tivemos ainda a oportunidade de sentarmos e conversarmos com calma – seus olhos pararam em mim, que continuei estática como uma pedra. _Mas vamos deixar para uma outra hora – sorriu enviesado.
Sua atenção voltou-se para Edward.
Ela bateu o chicote de leve no ombro dele.
_Cara, você é um homem de sorte. Queria estar no seu lugar, mas infelizmente nasci com um instrumento diferente entre as pernas e que me deixa mais delicada – fez uma careta, rindo e desferindo mais tapinhas no ombro do meu namorado.
Edward forçou o sorriso. Estava tão constrangido quanto eu.
_Jane, por favor... – ele gesticulou para que parasse de falar daquele jeito, enquanto seus olhos voaram para mim, preocupado com minha reação, que até o momento era nenhuma.
_Ah... quel é Edward... você me conhece desde os meus 22 anos quando ficou sabendo da minha opção sexual no ensaio fotográfico e do meu jeito sincero de falar, e agora que estou completando 25 anos, você acha que vou agir diferente? – elevou uma sobrancelha inquisidora. _Ainda mais quando tenho a oportunidade de rever um amigo de tanto tempo e conhecer a empresária mais bem sucedida de Los Angeles... – ela me olhou de canto.
Tentei sorrir, mas acho que exibi uma careta.
_Vai ficar aqui até quando, Edward? – sua voz soou interessada.
_Até amanhã de manhã – revelou naturalmente, vagando seu olhar para mim novamente.
_Ahhh... que péssima notícia – ela estalou a língua fazendo biquinho. _Nem deu tempo de batermos um papo com mais calma pra saber como anda sua vida de modelo – sorriu pra ele modo afável.
_Bem, Jane, vai ficar para uma próxima vez – ele deu uma risada, passando a mão nos cabelos, inquieto.
_Bem, é o jeito... – ela deu de ombros. _Bom, então já que não vamos nos ver mais, eu te deixo o meu abraço e meus sinceros votos de sucesso em sua carreira. Você merece, cara – ela o puxou pelo colarinho da camisa, dando-lhe um beijo no rosto e um abraço fraterno.
O gesto até me deixaria emocionada pela cumplicidade entre amigos, caso eu não estivesse uma pilha de nervos com ela perto de mim.
_Obrigado, Jane. E muitos anos de vida... – ele afagou as costas dela.
E assim que ela se virou para me olhar eu recuei mais um pouco.
_Não fique com medo de mim, Isabella. Desculpe pelas brincadeiras – suavizou a voz em meio ao barulho, sorrindo de modo amigável.
Balancei a cabeça em concordância, ainda reticente à sua postura comigo.
_Bem, meus amigos, eu só vou pedir uma coisa a vocês agora – ela nos deu total atenção com seu olhar semicoberto pela máscara. _Divirtam-se, pois a noite é uma criança e essa festa ainda tem muito a oferecer aos convidados – ela segurou nossas mãos num gesto de amizade, apertando-as.
Balancei minimamente a cabeça, enquanto a via dar um tapa no braço de Edward e um aceno com a mão para mim, ao dar-nos as costas.
Quando consegui relaxar vendo-a ir embora, ela virou-se abruptamente, chacoalhando o chicote ao apontá-lo para duas minisacolas estilizadas que estavam acomodadas em cima da mesa-cama, e, que eu sinceramente, nem tinha reparado até então.
_Ah... por favor... entrem nas brincadeiras que o Dj irá anunciar daqui a pouco – piscou. _Há uma surpresa para o casal vencedor da 'Noite Sedutora' – sua língua passeou por seu lábio, em seguida, mordendo-o.
Sua atenção se prendeu em mim novamente.
Ah merda! Por que ela não me deixava em paz?
_Ah, Isabella... – se aproximou de mim, mas dessa vez não recuei. _Use a máscara que está na sacola. Além de ser um acessório obrigatório em minha festa, ficará muito bem em você. Tem olhos lindos e expressivos – seu olhar me penetrava profundamente, deixando minha respiração irregular por não saber o seu próximo passo.
E antes que pudesse concordar com o que acabara de solicitar, ela me roubou um beijo, deixando-me atônita.
_Boa sorte – riu, acenando ao dar "tchau" para nós dois.
Sem ter a menor reação diante do inesperado, olhei-a se afastar até sumir entre seus diversos convidados eufóricos e mascarados.
_Bella, amor... você está bem? – a voz hesitante de Edward me forçou a fitá-lo, porém sem nenhuma expressão significativa.
Pisquei algumas vezes ao ser enlaçada por seus braços protetores, ganhando beijos suaves na cabeça.
Meus dedos pairaram sobre meus lábios roçando o lugar em que beijada. Eu estava bestificada com o modo desinibido de Jane Volturi.
_Eu devia tê-la preparado melhor para o encontro com Jane. Às vezes ela pode parecer...
_Impertinente... – cortei-o ao inclinar minha cabeça para olhá-lo, ainda perplexa com o jeito ousado da aniversariante.
_Err... sim...mas ela é uma boa pessoa. Um pouco louca – fez uma careta, apertando-me em seus braços.
_Ela... ela praticamente se atirou pra cima de mim. E ainda me beijou! – falei com o tom de voz chocada.
Ele esboçou um sorriso, afagando meu rosto.
_Perdoe-me. Foi falha minha – torceu o canto da boca.
_Edward! Pare com isso! – ralhei, franzindo a testa. _Não há o que perdoar. Eu... eu só fui pega um pouco de surpresa – dei de ombros, displicente. _Eu subestimei as poucas informações de Alice e não dei muito ouvidos às suas. Desculpe – fechei um olho, fitando-o apenas com o outro, fazendo uma cara de envergonhada.
Edward riu, inclinando sua cabeça para roçar seu nariz no meu.
_Bem, seja bem-vinda à uma outra realidade – beijou-me forçando a abertura de meus lábios.
Meus pensamentos conturbados evaporaram quase que simultaneamente ao ser tocada carinhosamente por Edward.
Estávamos de volta à nossa bolha...
_Hummm... eu adoro seus beijos – falei em sua boca, apertando o meu abraço em sua cintura e enfiando meus dedos no passador da sua calça. _Ainda mais agora, depois do que aconteceu.
_E eu adoro quando gruda seu corpo ao meu – falou bem rente ao meu ouvido por causa do barulho, fazendo a vibração de sua voz me proporcionar calafrios de excitação.
_A nossa química é boa – me estiquei um pouco para falar em seu ouvido.
_Sim, baby... – suas mãos desceram para as minhas nádegas, iniciando movimentos circulares por cima do vestido, me impelindo a ir em busca do meu prazer em seus braços e à procura de sua boca -, é tão boa que quando o prazer acaba, ainda escuto a minha vontade gemer baixinho... – falou em meu rosto, voltando a roçar meus lábios -, pedindo mais.
Nossas bocas se colaram como chiclete, ávidas por dar e receber prazer apenas com o toque de nossas línguas tão desejosas uma da outra. A cada resvalo que se davam era disparada uma nova onda de impulsos elétricos que nos estimulava a aprofundar o beijo cada vez mais.
Era a necessidade pura de saciar nossas vontades mais proeminentes.
Não importava se estávamos cercados por outras pessoas nem tão pouco o lugar. A prioridade era apenas um curtir a companhia do outro e se entregar à louca paixão que nos consumia a cada dia e que nos fazia tão bem.
Essa era a nossa noite de despedida... uma breve despedida, mas que eu queria torná-la inesquecível para ambos.
O nosso delicioso momento foi interrompido pela voz do Dj em seu microfone potente, anunciando que dentro de dez minutos iniciaria as brincadeiras.
Olhei para Edward com um sorriso faceiro, e o mesmo, retribuiu entendendo o que se passava em minha mente.
Ele queria o mesmo que eu... diversão.
_O que acha de darmos uma olhada nas sacolas? – elevou sua sobrancelha de modo sugestivo.
_É pra já – pisquei, enquanto tirava meus sapatos de sexo, sentindo um alívio imediato nos meus pobres pés, e, subia na cama que era muito macia e aconchegante.
Edward também retirou seus sapatos recostando-se no travesseiro que servia como almofada. Ele me puxou para ficar quase colada ao seu corpo.
Eu só esperava não cair no sono nos braços do meu namorado.
Aquele ambiente todo era uma tentação... um convite ao relaxamento... de todas as formas possíveis.
Havia uma bandeja de vidro com pés em inox que ficava apoiada na cama. Parecia uma badeja de café-da-manhã, contudo, mais rebuscada no designer. Nela, havia apenas o cardápio na cor vermelha, diferentemente do que havia nas demais bandejas dos outros convidados, que estavam abarrotadas de baldes de bebidas diversificadas, indicando que eles já haviam consumido o bastante para uma noite.
Edward colocou a bandeja sobre nosso colo, abrindo o cardápio.
_Você deseja beber algo, amor? – perguntou sedosamente com sua boca colada em meu ouvido.
Céus! Ele me desmontava quando falava assim...
_Hum hum... – acenei com a cabeça, tentando focar minha atenção nas minúsculas linhas. _Uma margarita frozen, por favor – falei no mesmo tom em seu ouvido.
Edward beijou minha bochecha, dando um leve aperto em minha coxa, mas o suficiente para emitir choques naquela área.
_Você não está acostumada a beber, Bella – sua voz era reticente. _Não é melhor pedir algo mais leve? – franziu o cenho.
Olhei-o com a expressão fechada.
_Não sou criança, Edward – cruzei os braços sobre a bandeja.
_Eu sei, meu bem, mas leva tequila. E pra quem não está acostumada a beber pode ser ruim – mostrou-se preocupado e eu imediatamente murchei minha expressão, arrependida de ter soado ríspida.
_Mas eu quero na versão frozen. Tudo é batido no liquidificador e fica uma delícia, pelo menos é o que Alice geralmente fala quando a bebe. Além de ser uma ótima pedida para quem está com calor, muito calor... se é que me entende – fiz um biquinho manhoso, típico da minha irmã.
Edward gargalhou.
_Ok, espertinha. Você venceu. Mas vá com calma – avisou, segurando meu queixo para me dar um leve beijo. _Ainda temos muito para aproveitar esta noite – sussurrou em meus lábios, mordendo o inferior, de modo que soltei um gemido, agarrando-o pelo colarinho aberto de sua camisa social.
_Linda... – falou me olhando profundamente ao interromper nosso beijo. _Bem, o meu será o de sempre. Sou clássico – sorriu enviesado.
Eu sabia que ele estava com vontade de tomar sua dose de uísque Black Label com muito gelo.
Homens...
Rolei os olhos.
Assim que conseguimos enxergar algum garçom o chamamos para fazermos nosso pedido.
Enquanto esperávamos por nossas bebidas, resolvemos nos entreter com as sacolas que nos foram reservadas. Cada um abriu a sua, que era diferenciada por cor, na qual a vermelha era feminina e a preta, masculina.
Despejamos os conteúdos na cama, já que era muito difícil enxergar o interior da bolsa naquela semi-escuridão, apesar das luzes led que pulsavam na pista.
A primeira coisa que vi foi uma peruca ruiva cacheada da altura do meu cabelo e com franja.
Achei linda.
Peguei-a sentindo a sedosidade dos fios de cabelo. Era cabelo verdadeiro, o que me encantou, pois deveria ficar muito bem arrumada na cabeça.
_Uma peruca? Uau! Jane incrementou nos acessórios – Edward falou admirado com os brindes, inspecionando uma máscara no meio de seus acessórios.
_Legal, você não acha? – perguntei divertida, colocando a peruca por cima do meu cabelo, tentando acomodá-la da melhor forma possível para que parecesse natural.
Quando finalizei o arranjo ao controlar a franja, fitei meu namorado e o olhar que ele me deu foi um indício de que eu devia estar bonita.
_Ficou bom? – perguntei envergonhada.
_Simplesmente... foda – falou pasmo e de queixo caído. _Puta que pariu!
Gargalhei, prendendo seu rosto entre minhas mãos com carinho, dando-lhe um selinho.
_Até o fim da noite vou ficar assim – apontei para meu novo visual. _Importa-se? – elevei a sobrancelha, de maneira marota.
_Nem um pouco, baby – seus olhos estavam em fenda, o que me dizia que estava excitado. _Você não tem noção de como está diferente, linda e mais gostosa – elogiou, deixando-me envaidecida.
_Bobo – rocei meu nariz contra o seu.
_Totalmente bobo por você, Bella.
Ai caramba!
Meu sexo estava latejando quase na mesma velocidade das luzes da boate.
_Senhor... senhora... – uma voz grave nos distraiu.
Ah! O garçom...
Pegamos nossas bebidas, juntamente com os guardanapos, e dei uma olhada na aparência da taça frozen.
Havia uma rodela de limão que adornava a borda da taça e um canudinho.
Dei uma provada na bebida.
_Nossa! Isso aqui é muito bom – lambi os lábios sentindo o doce do melão, que eu havia optado.
Olhei para Edward a fim de comentar um pouco mais sobre a minha bebida, mas ele estava estático me encarando de modo devastador.
Engoli em seco ao me sentir despida por ele.
_A vontade que eu tenho é de... – ele passou a mão pelos cabelos assanhando-os mais -, porra! Te ver bebendo essa margarita frozen e de peruca ruiva... e lambendo os lábios... – gemeu fechando os olhos.
Puta merda! Isso era uma fantasia de Edward?
Minha deusa interior se agitou com pompons nas mãos dando saltos improvisados.
Sorri de satisfação e uma ideia surgiu na minha mente já anestesiada pelo clima quente e sedutor que nos rodeava.
Retirei a peruca, vendo a testa de Edward enrugar.
_O que está fazendo?
_Acalme-se – pisquei.
Olhei os brindes espalhados pela cama e peguei a máscara, que era distinta da que a aniversariante usava, era mais simples, porém não menos fetichista.
Coloquei-a em meu rosto, ajustando-a. Em seguida, recoloquei a peruca com maior precisão dessa vez.
_E agora? – elevei a sobrancelha, mordendo o lábio.
Ele balançou a cabeça fechando os olhos.
_Eu simplesmente me rendo a você – elevou as mãos em rendição.
Dei uma risadinha.
E outra ideia passou pela minha cabeça.
Seria um pouco mais ousada.
Tomei mais um gole da margarita para me dar coragem. Coloquei a taça em cima da bandeja e pedi a Edward que depositasse o seu copo também.
_O que você vai fazer dessa vez? – sua voz, mais rouca, me excitou, estimulando-me a seguir em frente.
Afastei a bandeja para o lado. Dei uma olhada a nossa volta e percebi que tudo girava a nosso favor. Os convidados estavam alucinados dançando na pista. Na nossa ala, uns continuavam bebendo e fumando; outros se agarravam da mesma forma que eu iria fazer com Edward, ou seja, ninguém estava preocupado com o "vizinho". E atrás da nossa cama, havia apenas cortinas.
Isso de certa forma aliviou minha consciência.
_Eu quero fazer algo para aliviar sua tensão. Mas preciso da sua ajuda – olhei-o receosa.
_O que eu tenho que fazer?
_Recoste-se no seu travesseiro. Eu vou sentar na transversal colocando minhas pernas sobre as suas e em cima das minhas colocarei o meu travesseiro, que é grande o suficiente para encobrir nossa brincadeira. Tudo bem? – olhei-o em expectativa.
Seu sorriso se alargou.
_Entendi perfeitamente. Venha, baby – me puxou com cuidado para me ajeitar ao seu lado.
Assim que me acomodei na posição certa e pus o travesseiro sobre minhas pernas, as mãos de Edward se enfiaram por debaixo do travesseiro, discretamente, subindo lentamente pelo interior das minhas coxas, acariciando-as.
Os movimentos de vai-e-vem eram lentos e se alternavam com carícias em círculo, arrepiando-me por completo.
Gemi fechando os olhos em apreciação e encostando a cabeça em seu rosto, desesperada por um beijo.
Iríamos começar a jogar...
Quando nossas bocas se colaram, minha vontade de dar prazer a ele aumentou, então, uma de minhas mãos de maneira desajeitada, conseguiu se infiltrar em um de seus bolsos, atingindo o alvo. O seu membro duro, torto e pulsante. Senti o melado do líquido pré-ejaculatório nas pontas de meus dedos e aquilo me atiçou a começar a carícia que ele tanto desejava.
Edward gemeu profundo em minha boca, enquanto sua mão ziguezagueava em direção à minha feminilidade, muito mais molhada que no momento em que chegamos à boate.
Seus dedos resvalaram nas minhas camadas e seu dedo indicador foi abrindo caminho por entre os vales em direção à abertura do meu sexo carente. Seu polegar se fixou em meu ponto minúsculo, porém inchado e pulsante, me estimulando.
Arfei interrompendo nosso beijo luxurioso e apaixonado.
A sensação de ser tocada naquela zona era desconcertante... desnorteante.
_Oh Deus! Não pare... – sussurrei, inebriada por suas carícias em pontos estratégicos, mordendo meu lábio com força ao sentir o ritmo de seu dedo aumentar, enquanto o indicador se aprofundou em minha cavidade me aniquilando.
Nos mesmo instante, minha mão aumentou o estímulo em seu membro, mesmo com certa dificuldade de movimentação pela posição em que Edward estava sentado.
A loucura daquilo tudo não me deixava raciocinar.
Eu simplesmente tinha que fazer porque senão enlouqueceria de tanto tesão, assim como, Edward.
Sua boca se desgrudou da minha, varrendo meu rosto com seus lábios molhados em direção à minha orelha. Sua língua adestradamente me provocou naquela área.
_Edward... – ronronei arfando.
Minha mão estimulava o corpo de seu sexo alternando com sua glande, apertando-a de leve, espalhando o líquido nela.
Eu queria observar sua reação ao que eu fazia, mas eu mesma não tinha forças para manter meus olhos abertos e minha mente sã quando ele exercia seu poder de conquistador sobre mim.
Ele tornava-se insaciável, levando-me junto a uma única direção: a saciedade de nossos corpos.
_Porra... – ele gemeu em meu ouvido, rouco e arfante. _Continua... – sussurrou lânguido.
Nossos corpos se moviam como uma serpente um no outro.
Eu o puxava pela nuca para que continuasse brincando com sua língua no ponto abaixo da minha orelha.
Porém, nossa brincadeira foi interrompida momentaneamente pela voz do Dj anunciando que durante cinco minutos as luzes da boate ficariam apagadas, para que os convidados se divertissem do jeito que quisessem ao som de Erótica, música de Madonna, e uma das preferidas da aniversariante, segundo o próprio Dj.
Um casal vizinho a nossa mesa-cama rapidamente se ajeitou sentando-se na posição de lótus, em que a mulher senta-se por cima do seu parceiro, cruzando as pernas atrás das costas dele, enquanto ele a abraça pela cintura.
Eles não pareciam nem um pouco inibidos em suas atitudes.
Desviei meu olhar da cena indiscreta para fitar Edward, que me devolveu um olhar libidinoso e logo entendi que ele também queria aquilo.
Suspirei lânguida.
Assim que as luzes se apagaram sentei da mesma forma que a mulher da cama ao lado, apenas levantando o suficiente para que Edward retirasse seu membro de dentro da calça, aliviando a pressão.
_Vem, Bella – sussurrou, rouco.
Aos primeiros acordes de "Erótica", fui deslizando pelo pênis dele, sentindo-o me abrir com precisão.
Eu estava em êxtase.
Como eu desejava tê-lo assim desde que estávamos no carro...
_Bella... – ele gemeu sôfrego ao me ter empalada em seu membro.
Era um absurdo o que estávamos fazendo, mas a festa e a energia da boate nos compelia a agir com devassidão.
"Meu nome é Dita
Serei sua anfitriã essa noite
Eu gostaria de colocar você em transe"
A letra da música era um convite à diversão e incitava nossos corpos a ir em busca da libertação... do prazer que nos cercava desde que chegamos ao local.
As mãos de Edward deslizavam com firmeza pelas minhas curvas prendendo-se em minha cintura, me ajudando nos movimentos. Pra frente e pra trás. Pra cima e pra baixo.
Oh céus! Eu não iria demorar muito para gozar...
Na escuridão eu não via seus gestos e muito menos o que as pessoas faziam ao nosso redor. Tudo estava no mais completo breu...
Apenas senti uma de suas mãos abaixarem o bojo do meu vestido e sua boca abocanhar meu seio, sugando meu mamilo desesperado, o que me fez aumentar o ritmo do vai-e-vem de nossos corpos.
Sua língua sedosa estimulava o bico entumecido, ora rodeando-o, ora batendo suavemente nele.
Ele simplesmente brincava...
Minhas mãos puxavam os fios de cabelo de sua nuca a cada sucção mais efusiva, deixando-me desarvorada.
"Eu gostaria de te colocar em transe, completamente
Erótica, erótica, coloque suas mãos por todo o meu corpo..."
Exatamente como dizia a letra da música eu estava em transe no colo de Edward.
Ele me pegava, me prendia, me apertava... até que eu esquecesse meu nome e sussurrasse o seu...
Suas carícias cessaram por um instante. Seu corpo se mexeu embaixo de mim, como se estivesse se afastando. Quando eu ia abrir minha boca para protestar senti algo gelado tocar meu pescoço.
_Aiii... – dei um gritinho de susto e a peruca caiu na cama, causada pelo meu movimento brusco.
_É apenas gelo, baby – sua voz era baixa e sedosa.
O que ele iria fazer com uma pedra de gelo?
Logo tive minha resposta ao ter meu pescoço envolvido pelo cubo gelado em movimentos desconexos, que ora subiam em direção ao meu rosto, ora desciam e permaneciam no vão do meu pescoço, deixando rastros molhados do estado de seu derretimento.
Me encolhi em suas mãos.
_Vamos, meu amor, continue e esqueça o gelo – me beijou, sugando meus lábios um pouco inchados, desligando meu pensamento.
Eu diminui o ritmo tentando saborear a sensação maravilhosa do frio em minha pele quente e suada.
Eu queria aproveitar tudo que se passava entre nós.
Uma de suas mãos me forçava a seguir em frente em busca do nosso gozo, enquanto a outra deslizava a pedra de gelo do meu pescoço até o vão dos meus seios, chegando a tocar meu mamilo descoberto.
_Ahhh – arfei com o arrepio que senti.
A boca de Edward substituiu o gelo e este, foi parar entre a junção de nossos sexos. Meu sexo no sexo dele se friccionando no gelo que se derretia. Quente com frio...
_Meu Deus! – choraminguei segurando com força nos ombros de Edward, enquanto senti o latejar de seu pênis dentro de mim.
_Porra! Continua... estou... estou quase lá – disse, grunhindo ao abandonar meu mamilo.
E sem avisar ele me deu um tapa na bunda, que foi a minha perdição.
Gozei forte, enterrando meu rosto em seu ombro para abafar o grito de êxtase que saiu de mim, mordendo o local em seguida.
Edward me apertou pelas nádegas, grunhindo ao se derramar dentro de minha cavidade já melada com meu gozo. Ele deu algumas socadas com seu membro até se sentir aliviado.
Nós arfávamos com langor.
_Você está bem? – sussurrou em meu ouvido, enquanto se esvaíam os últimos acordes da canção.
Não disse nada, esgotada. Apenas balancei a cabeça ainda com a cabeça enterrada em seu ombro, abraçando-o como se minha vida dependesse dele.
_Minha linda mascarada... – sua voz soara leve e divertida.
Levantei a cabeça, meio zonza.
Agora eu conseguia ver seu rosto através da luz roxa que iluminava o local parcamente.
_A música acabou? – franzi o cenho.
Ele balançou cabeça em afirmação, exibindo uma expressão engraçada.
_O que foi?
_Depois de tudo o que fizemos, você se preocupa é com a música? – riu
_Desculpe – abaixei a cabeça, sem graça. _Não sei nem onde estou – sorri, lânguida.
Ele gargalhou segurando minha nuca e levantando minha cabeça, para dar-me um beijo.
Toquei seu rosto com carinho e lassidão.
_Estamos na boate, meu bem, e, antes que se preocupe por alguém nos flagrar sentados desta forma, já aviso que a maioria dos convidados permanece da mesma forma – deu um risinho e eu olhei a nossa volta.
Realmente havia muitos casais sentados exatamente como estávamos.
Ri balançando a cabeça.
_Você gostou? – sussurrou em meu ouvido.
Me encolhi mais uma vez, voltando minha atenção para ele.
Aquele momento foi único. Era como se o mundo estivesse em nossas mãos...
_Eu amei, Edward, porque foi com você – falei de modo doce. _Um dia ainda vou descobrir esse seu segredo... – rocei meu nariz no seu fechando os olhos, apreciando o contato -, que me faz perder o medo de qualquer absurdo – selei nossos lábios com um beijo suave e amoroso.
_Não há segredo algum, Bella – ele acariciou a borda da minha máscara, hipnotizado. _Eu sou apenas louco por você – afagou minha bochecha. _Eu sabia que no dia em que te conheci, você seria especial.
_Edward... – sorri. _Eu também sou louca por você. Apaixonada, seria a palavra correta – trouxe meus dedos ao seu rosto, acariciando seu queixo. _Que tal irmos para casa? Já fizemos nossa parte com Jane – cruzei os braços atrás de seu pescoço, afagando sua nuca, assistindo deliciada ele fechar os olhos, curtindo meu carinho.
_Não deseja participar de mais nenhuma brincadeira? – perguntou, divertido, ao abrir os olhos.
_Não – balancei a cabeça. _Prefiro continuarmos com a brincadeira em casa, afinal, temos alguns acessórios para experimentar – elevei a sobrancelha, marota.
_Com certeza. Hoje... quero brincadeiras de gente grande com você – me roubou um beijo, fazendo-me rir.
_Então prepare-se, "senhor", hoje vou lhe mostrar todas as minhas qualificações – pisquei. _Entre quatro paredes, o limite é a imaginação.
Ele gemeu me apertando na cintura.
_Vou deixá-la tão exausta que acordará cansada – sussurrou em meu ouvido.
Tremi imaginando o que aconteceria.
_Não me importo em acordar cansada... até gosto. Desde que não me deixe dormir na vontade – mordi o lábio, provocativa.
Ele me olhou fixamente, antes de sorrir enviesado.
_Quem é você? E o que fez com a inocente Isabella Marie Swan Cullen? – estreitou seus olhos azuis.
Quem eu sou agora?
_Acho que alguém que pode ser tudo aquilo que a vida permitir. Buscando a felicidade sempre... – dei de ombros.
_Uau! – ele me segurou pela nuca novamente, cheirando meu pescoço, depositando um beijo molhado. _Vamos sair à francesa, então – piscou, me tirando de seu colo, usando o travesseiro como proteção para poder fechar a braguilha de sua calça.
Sorri, pegando os objetos espalhados na cama e colocando-os dentro das sacolas.
Com Edward eu poderia ser quem eu quisesse... sem medo de ser feliz.
