Nota: Os personagens de Naruto pertencem a Kishimoto Masashi e empresas licenciadas. Fic sem fins lucrativos a não ser diversão. Feito de fã para fã.


Sumário: Eu também te amo... Aquela era a frase pela qual mais ansiara em toda a sua vida, poder de fato compreender um sentimento literalmente tatuado em sua pele, algo que jamais pudera experimentar. Mas seria ele capaz de realmente compreender esse sentimento?


Agradeço a todas as garotas que comentaram o capítulo passado e que me deixaram saltitante de alegria aqui do outro lado: Analu-san, Flor de Gelo, Lust Lotu's, Insana, Rubiikage Ichigo Omurashi (Parece q vc mudou de nick de novo né? XD) e a "novata" Andressa!

SEJA MUITO BEM VINDA ANDRESSA!

Ah, o teu review, como vc não fez login e também não me deixou um e-mail pra contato, será respondido ao fim desse cap. blz?

Uma boa leitura a todos!


Aishiterumo

Capítulo XIV: No âmago de cada um

Os orbes verdes e sem brilho do Kazekage miravam o pôr-do-sol pela janela.

Os últimos raios de sol acariciavam as dunas. Era hora de despedir-se de sua amante e o astro rei demorava-se em suas ternas carícias. Como se tivesse o intuito de adiar aquela dolorosa despedida, as dunas serpenteavam ao sabor do vento, a areia branca e fina parecia um véu translúcido sobre suas curvas sinuosas. Voluptuosas elas atraiam seu amante dourado para uma derradeira e longa despedida.

Logo a noite viria e mais uma vez ela seria fria e solitária. Tal qual o sol, Gaara sentia-se desfalecer com a chegada da noite. A noite lhe trazia melancolia, porem, o dia não era muito diferente, era uma tormenta muda e fatigante sob o calor infernal do deserto.

Haviam se passado dois dias de viagem e apesar de conhecer muito bem o calor, o frio, e também a solidão do deserto, sentia que aquela viagem estava sendo mais longa e torturante do que qualquer outra antes já feita. Praticamente não haviam parado para descansar ou comer, tudo o que queriam era estar de volta à Suna. Provavelmente na manhã seguinte, ao alvorecer, estariam em casa.

A carruagem sacolejou e então parou. Estavam perto de um pequeno oásis. Há alguns quilômetros ao leste, palmeiras verdejantes e convidativas pareciam acenar para os recém chegados.

-Acho melhor pararmos e montar acampamento Kazekage-sama. Esse é um bom lugar para isso; disse um dos velhos que jazia sentado ao lado do rapaz na carruagem.

-Kazuo-sama tem razão, Kazekage-sama; disse o outro que estava de frente para o rapaz e disfarçadamente observava à todas as reações do Kazekage. –Não é viável que continuemos viagem durante à noite, como bem sabe, o deserto é traiçoeiro depois que o sol se põe.

Gaara focou uma última vez a paisagem pela janela. O sol já havia se ido e apenas uma mancha carmim, a prova de sua passagem ali, se perdia no horizonte. Ao longe podia ouvir o barulho de água vindo do oásis – outro convite "mudo" e deveras tentador. Aquele lugar não era um bom lugar para fazerem uma parada, não quando tantos conflitos jaziam em guerra dentro de si.

Sua mente perturbada não precisava de um paraíso perdido e sim de um lugar onde pudesse realmente por os pés no chão e pensar com clareza e, se havia um lugar assim, esse era Suna.

-Kazekage-sama? –voltou a indagar o velho e teve de se conter para não praguejar quando o rapaz finalmente se voltou na sua direção.

Gaara sequer fitou o velho homem, seus olhos se voltaram para a figura calada e acuada ao lado do conselheiro. Matsuri parecia pequenina encolhida e abraçada ao seu casaco vermelho, enquanto seus olhos miravam o chão da carruagem. Jazia despenteada e suja de areia, como todos ali, mas sentia que havia algo mais também.

Mirou-a por um certo tempo até que pareceu tocá-la com os olhos e a konoichi finalmente se voltou para si.

Amêndoa e verde fitaram-se por um breve instante. Era a primeira vez em dois dias que realmente se fitavam nos olhos. Até então os dias passaram velozes sob o sol quente do deserto e o sacolejar da carruagem, como se estivessem momentaneamente amortecidos à tudo a sua volta. E mesmo em suas rápidas paradas para descanso, onde não havia o sacolejar hipnótico e monótono da carruagem, a situação era a mesma, distante, fria e sem gosto.

O acontecido há três dias parecia tê-los separado por uma forte muralha de aço a qual se negavam a fitar. Nenhuma palavra, nenhum gesto, tudo o que tivera desde então fora a tênue lembrança do perfume dela e do gosto de sua boca – lembrança essa que jamais iria esquecer.

Essa era a real causa de seu tormento, dias sem gosto e sem vida vivendo de fragmentos do que poderia chamar de um sonho bom, mas... Como desejar viver apenas de sonhos quando o presente, o real, podia ser infinitamente melhor?

Ela o estava evitando, ambos estavam se evitando, mas sabia que uma hora teriam que enfrentar aquilo de frente, obviamente, que sem a presença intimidadora do conselho. Gaara não sabia dizer, afinal, o grupo passara praticamente todos aqueles dias junto um do outro, mas algo lhe dizia que havia alguma coisa por detrás do distanciamento de Matsuri e que provavelmente tinha a mão do conselho. A conhecia muito bem – assim como conhecia a astúcia daqueles lobos em pele de cordeiro – e "fera acuada" nunca fora uma boa forma de descrever aquela que havia se tornado uma das melhores konoichis de Suna.

Matsuri voltou a fitar o chão e Gaara voltou a fitar a paisagem pela janela. Tasuo continuou com o olhar firme e desgostoso sobre o rapaz, até que o mesmo por fim respondeu:

-Não iremos parar. Tão pouco montar acampamento. Estamos perto de Suna e se continuarmos ininterruptamente essa viagem durante à noite, chegaremos em casa ao alvorecer.

Um silencio enorme se instaurou sob as palavras do rapaz, e sem alternativa os velhos concordaram com sua decisão, afinal, ele era o Kazekage. O Kazekage não pede, ordena.

-Como quiser, Kazekage-sama; Tasuo fez-lhe uma breve reverência e então se dirigiu ao cocheiro, ao qual havia pedido mais cedo que parasse perto do oásis.

A viagem continuou, assim como o desconfortável e palpável silencio da comitiva.

Ooo –O– ooO

Suna/ Residência do Kazekage...

Kankurou despertou e tão logo se aprontou para descer e tomar o café da manhã – mais uma vez sozinho. Não bastasse a falta dos irmãos e do sobrinho ali, a presença da princesa do País da Terra era como algo ilusório, uma miragem com a qual se deparara há três dias. A princesa se trancara no quarto de hóspedes destinado a si, um dos melhores que tinham, e não mais saiu de lá. Entendia a sua reclusão e melancolia devido à morte do pai, mas estava começando a ficar preocupado com o estado de saúde da mesma – mental e físico.

No corredor, o rapaz se deparou com uma das criadas saindo do quarto da princesa, onde também ficavam os aposentos de Gaara e Temari. Os melhores quartos ficavam todos naquele mesmo andar, incluindo o seu. A serva tinha um olhar desgostoso para a bandeja dourada em suas mãos, o que logo o manipulador de marionetes compreendeu. Era uma bela bandeja de café da manhã, com tudo o que tinham de melhor à oferecer em Suna, no entanto, ela jazia intocada.

Um suspiro melancólico escapou dos lábios da serva que só então percebeu a presença do rapaz ali.

-Ohayou gozaimasu, Kankurou-sama; a jovem sorriu-lhe numa breve e respeitosa reverencia. –Nem ao menos havia notado a sua presença...

-Normalmente é isso o que acontece; o rapaz respondeu, mais pra si mesmo do que para que a serva ouvisse. Uma aura obscura cobriu-lhe a face jovem deixando-o com anos a mais do que realmente tinha.

-Como disse Senhor? –a jovem indagou confusa.

-Nada; o rapaz respondeu e parte da aura obscura que o havia coberto o deixou. –Como está Hana hime?

-Nada bem, Kankurou-sama; a jovem respondeu com tristeza e se voltou para a porta atrás de si. –Parece uma boneca sem vida e se nega a comer desde que chegou aqui. Até mesmo sua dama de companhia jaz preocupada Senhor.

-Sabe se ela está acordada?

-Hai, Kankurou-sama, segundo Yasmim, sua dama de companhia, ela na verdade pouco dorme. Parece estar numa espécie de transe. Teria pena se a visse Kankurou-sama, uma jovem tão bela e tão melancólica também; completou a serva.

Kankurou mirou a porta de madeira à sua frente. Durante aqueles três dias tivera de se conter para não pô-la a baixo. Hana hime ainda lhe era uma mulher sem rosto e de olhos tristes, mas aqueles que a viram - como aquela serva - diziam a mesma coisa: Hana era linda. Os guardas que haviam vindo junto de si, como parte de sua escolta pessoal, vez ou outra, suspiravam platonicamente pela princesa.

Maior que sua curiosidade em saber como era a princesa, somente a preocupação que lhe afligia naquele momento.

Não seria nada bom se o irmão chegasse e encontrasse a futura esposa morta devido ao seu estado melancólico. Tinha de fazer alguma coisa a respeito, caso contrário, Gaara realmente acabaria viúvo antes mesmo de ter se casado.

-Com a sua licença Senhor; disse a serva, chamando a atenção do rapaz. –Tenho muito o que fazer na cozinha; e dito isso se foi.

Kankurou suspirou e então se aproximou da porta. Bateu três vezes e esperou. Quando já estava disposto a desistir uma jovem de vestido simples, pele morena e grandes olhos negros, se pôs em frente à porta. Era Yasmim.

Os olhos do rapaz, porem, pareceram ignorar a presença da jovem em frente à porta. Seus olhos miraram a escuridão atrás da serva, um completo breu. No canto mais distante do quarto, em frente à janela, que era o único foco de luz, jazia Hana. Tal qual lhe dissera a serva a princesa parecia uma boneca sem vida ali sentada diante da janela e fitando o nada. A escuridão lhe impedia de ver com exatidão os contornos delicados de seu rosto, coberto parcialmente pela cascata cor de cobre de seus cabelos, porem ainda sim, achava que sua imagem melancólica era a mais bela que havia visto.

Parecia uma ninfa com suas vestes longas e claras... Ou seria uma elfa? Abraçava-se protetoramente circundando os joelhos com ambos os braços, os pés pequenos e descalços vez ou outra tamborilando sobre o assento da poltrona.

-Senhor?

O encanto fora quebrado. A serva fechou a porta semi-aberta e curvou suas sobrancelhas finas num ar de interrogação.

-Como ela está? –Kankurou foi direto quando fitou o rosto pequeno e delicado da serva. Ela jazia igualmente melancólica, ele concluiu.

-Mal, Senhor; respondeu Yasmim. –Ela não quer comer e pouco dorme. Hana hime era muito ligada ao pai, que aliás, era o seu único parente vivo; completou.

-Gostaria de poder falar com ela; disse o rapaz.

-Ela sequer fala comigo Senhor; disse-lhe Yasmim num olhar complacente. –Sou sua dama de companhia e confidente desde que ela tem quinze anos, no entanto, até mesmo eu desconheço essa Hana que jaz aí dentro; a serva apontou com o polegar a porta de madeira a suas costas.

-Ela não pode continuar assim! -Kankurou respondeu com firmeza. –Também já passei por isso, perdi meu pai e de uma forma traiçoeira, mas a vida continua e ela tem de encontrar outro motivo para seguir em frente. A gente sempre encontra um motivo pra seguir em frente; concluiu sabiamente o rapaz.

-Gaara-sama...

-O que disse? –Kankurou indagou confuso.

-O kazekage, ela vez ou outra pergunta por ele e isso é tudo; respondeu a serva e mais uma vez uma aura sinistra cobriu o rosto do rapaz.

-Diga a ela que assim que Gaara chegar, ele irá ate ela; respondeu o rapaz e então sumiu no longo corredor, deixando um par de olhos negros e surpresos para trás.

As sobrancelhas de Yasmim se curvaram mais uma vez, antes que um baixo sussurro escapasse de sua boca:

-Parece que Hana encontrou outro admirador...

Ooo –O– ooO

Konoha/ Residência do Hokage...

-Bah! Eu nunca ganho! Assim não tem graça...; Hajime cruzou os braços, o cenho franzido, lhe dando um ar quase que taciturno.

-É porque você ainda não decorou todas as regras do jogo; respondeu o outro garoto moreno de olhos escarlates.

-Asuma-chan... Você podia me deixar ganhar ao menos uma vez né?

-Hajime ganhar assim não tem graça, acredite; respondeu o outro garoto enquanto juntava as peças do tabuleiro. –Shikamaru já tentou me fazer crer que eu estava ganhando dele algumas vezes, mas mesmo agora que sei todas as regras desse jogo e seus macetes eu sei que... jamais irei ganhar dele. Até mesmo meu pai, jamais ganhou dele.

-Isso quer dizer que nunca irei aprender a jogar shogi? –Hajime indagou cabisbaixo e Asuma sorriu.

-Não, isso quer dizer que ainda não existe alguém que ganhe de Shikamaru no shogi, mas você está apenas aprendendo então quem sabe você seja esse alguém?

-Você acha isso? –os olhos claros de Hajime cintilaram.

-E porque não? –Asuma sorriu divertido.

Num canto distante dali Temari fitava os dois garotos. Era incrível como em pouco tempo haviam se tornado amigos. Agora que sabia que o irmão mais novo estava bem – o falcão-mensageiro fora breve: Está tudo bem com o Kazekage-sama! – ver o filho se divertindo lhe dava uma sensação de alivio e bem estar. Hajime estava se divertindo como nunca, já que em Suna vivia rodeado de adultos e pouco convivia com crianças de sua idade. Queria prolongar o quanto fosse possível esse agrado ao filho.

-Ohayou problemática; Shikamaru cumprimentou a konoichi num largo sorriso o que pareceu se refletir no belo rosto da mulher.

-Ohayou preguiçoso! –Temari revidou.

-Parece que esses dois realmente se deram bem não? –indagou Nara.

-É sim, e parece que meu filho se tornou outro viciado em shogi também; a loira se voltou para o rapaz que sorriu.

-Hei Shika-chan?

Ambos se voltaram para trás e viram que os garotos estavam à suas costas. Rápidos como gatos ou... Havia mesmo ficado mais lento com o passar dos anos? –indagou-se Shikamaru.

-Asuma-chan me disse que você o ensinou a jogar shogi.

-Sim, foi; respondeu o rapaz, Temari fitava curiosa o filho.

-Bem...; Hajime ponderou e um leve tom rosado coloriu sua face infantil. –Poderia me ensinar também?

-Hajime! Shikamaru é um homem compromissado, não terá tempo para coisas como essa, além do que voltamos amanhã pra Suna; disse-lhe Temari em tom de advertência.

-Por isso; respondeu o garoto antes que qualquer um dos dois dissesse algo. –Shika-chan vai nos acompanhar não vai?

-Hai; confirmou o rapaz.

-Então, durante a viagem teremos muito tempo; o garoto sorriu e a mãe mais uma vez o repreendeu.

-Hajime...

-Boa idéia Hajime-chan, essa vai ser uma boa forma de passar o tempo nessa viagem; respondeu Shikamaru no que o garoto quase saltou de alegria e Temari rolou os olhos.

-Vejo que serei esquecida nessa viagem...

Shikamaru e os garotos sorriram ante a face desolada da konoichi.

-Arigatou, Shika-chan! –Hajime sorriu e então sumiu dali com o novo amigo, provavelmente, para treinar um pouco mais suas estratégias de shogi. Iria sim, ser o primeiro a ganhar do melhor jogador de shogi de Konoha.

Temari continuava de braços cruzados o que fez Shikamaru sorrir e arquear a sobrancelha.

-O que foi problemática?

-Vai se arrepender de ter prometido isso a ele; Temari se voltou para o rapaz ao seu lado. –Kankurou bem sabe o quanto Hajime é insistente e por vezes irritante. Acredite, ele é bem mais "problemático" do que eu; a loira sorriu divertida.

-Eu aprendi a gostar de uma vida problemática, quando comecei a amar a mulher mais problemática do mundo...

-Creio que isso não foi um galanteio; Temari sorriu.

-Era pra ter sido; Shikamaru levou uma das mãos até a cabeça num gesto constrangido.

-Preguiçoso até na hora de fazer galanteios, não é? O homem que pensa demais e até se tornou estrategista do Hokage, não pensa muito na hora de galantear uma mulher. Eu acho que...

-Aishiteru...

O coração de Temari falhou uma batida, já não havia mais o ar de brincadeira nem em si e nem no rapaz.

-Eu te amo e você sabe disso, acho que isso é o bastante não? Não é preciso pensar muito para dizer o que está aqui; Shikamaru tocou o lado esquerdo do peito com a mão espalmada.

-Shikamaru, eu...; Temari não sabia o que dizer, aquele beijo trocado há alguns dias havia reacendido uma chama antiga, mas ainda se perguntava se havia tempo para recomeçarem. Se era certo, recomeçarem depois de todos aqueles anos.

-Eu te disse que te darei o tempo que for preciso; Shikamaru a interrompeu e tocou sua face delicadamente com a ponta dos dedos.

Temari sentiu-se presa aqueles olhos preguiçosos, ao toque quente de seus dedos em sua pele. Ainda não tinha certeza do que era certo ou errado naquilo tudo, mas tudo o que sabia era que ansiava por ele agora mais do que nunca. Anos de solidão e distanciamento por conta de seu casamento arranjado havia feito de si uma flor sem brilho, sem perfume e sem vida. Ele era o único capaz de fazê-la tornar-se viva de novo, de voltar a sentir-se mulher.

Seu coração saltou dentro do peito. Aquele era o pior lugar do mundo para ceder aos seus desejos... Hajime poderia voltar, outros poderiam ver, mas o mar negro daqueles olhos levemente puxados a faziam sentir-se perdida e rumando direto até eles. O cheiro dele era tão bom, o gosto dos beijos dele, seu toque. Queria voltar a ter direito de sentir tudo aquilo de novo.

-Me beija...

Aquele foi seu único pedido, o qual o rapaz atendeu como a uma ordem.

Ooo –O– ooO

-Okaeri nasai, Kazekage-sama!

Por todos os lados eram proferidos votos de boas vindas ao Kazekage, a carruagem porem não parou nem mesmo por um instante até que chegassem ao pátio arenoso que antecipava o palácio de Suna. Assim que pararam, um à um, seus ocupantes desceram da pequena carruagem, no que Matsuri agradeceu imensamente, pois já não agüentava mais ficar na presença daqueles velhos. Era sufocante. Esmagadora. Demorou-se mais do que devia perdida em seus pensamentos e só se deu conta disso, quando se deparou com os olhos verdes pálidos do Kazekage a fitando já fora da carruagem. Também havia sido difícil demais estar na presença muda dele depois do acontecido. Sentiu sua face arder ao ver que ele mantinha o olhar fixo em si.

Sem qualquer palavra Gaara lhe estendeu a mão para ajudá-la a descer. Um simples gesto cortês, mas que agora a fazia sentir um arrepio frio de antecipação.

Sua mão envolveu a dele, quente, terna, e por alguns instantes voltou a perder-se em meio aquele mar esmeraldino. Queria que ele a consumisse mais uma vez, que sua boca tomasse a dela e que suas mãos a acariciassem como o sol acaricia as dunas ao se pôr. Quando seus pés tocaram o chão porem o vento frio lhe açoitou a pele e descobriu que aquilo jamais voltaria a acontecer. Jamais voltariam a ficar sozinhos, sempre haveria olhos por todos os lados e esses olhos jamais os deixariam em paz.

O olhar cortante dos dois velhos atrás do rapaz, e o meio sorriso maroto de um dos guardas, a fez afastar rapidamente a mão da do rapaz e agradecer da forma mais formal possível:

-Arigatou, Kazekage-sama; Matsuri abaixou a cabeça.

-Kazekage-sama, eu acho que...; começou Tasuo, mas tão logo foi interrompido. Uma voz grave e masculina os interrompeu.

-Kazekage-sama! Que bom que está de volta...

Era Baki, o antigo sensei dos Sabaku. O homem se aproximou e cumprimentou cada um dos presentes.

-Ohayou Baki-sama; respondeu o rapaz, porem, diferente do antigo sensei que lhe esboçava um largo sorriso, sua expressão era apática.

-Ohayou; respondeu o homem e só então pareceu perceber as vestes rasgadas do Kazekage e a falta de seu sobretudo que jazia com a konoichi, igualmente descomposta. –O que houve?

-Fomos pegos por uma tempestade no deserto há três dias; disse-lhe Gaara e viu os olhos do homem saltarem nas órbitas. –Estamos bem, como pode ver; completou Gaara antes que o antigo sensei lhe fizesse mais perguntas.

-Vejo que terá muito a contar, assim como eu a você Kazekage-sama.

-Aconteceu algo em minha ausência? –Gaara indagou preocupado e os olhos de todos se voltaram para Baki.

-Hai, mas isso não é algo para ser discutido aqui; continuou o homem e então se voltou para os dois conselheiros. –A propósito, Kumo-sama me pediu para que os mandasse até ele assim que os viu chegar. Disse-me que é importante.

-Com a sua licença, Kazekage-sama; os dois homens se dirigiram até o rapaz e depois sumiram a passos rápidos pelo corredor além do pátio.

Estavam curiosos quanto aquela evasiva de Baki, mas se tinha alguém que sabia de tudo que ali ocorria antes mesmo do próprio Kazekage, esse era Kumo-sama, o líder do conselho. Saberiam quais eram as novidades, antes mesmo do Kazekage.

-E então, o que houve em minha ausência? –voltou a indagar Gaara.

-Acho melhor conversarmos sobre isso junto do conselho, estão reunidos para resolver a questão em si; respondeu o homem e Matsuri sentiu-se imensuravelmente desnecessária ali. Era um estorvo.

-Com licença, Kazekage-sama! Devo me retirar agora e...

-Espere; Gaara se voltou na sua direção e fitou-a por um bom tempo sem dizer nada mais além disso.

E agora fora Baki a sentir-se um intruso naquela conversa. Matsuri voltou a fitar o chão.

-O esperamos em sua sala Kazekage-sama; disse o homem para então sumir pelo mesmo corredor que os conselheiros.

Quando seus passos jaziam distantes Gaara resolveu quebrar o silencio.

-Matsuri...

Ao ouvi-lo lhe chamar Matsuri sentiu que seu coração desfaleceu e depois passou a acelerar desesperadamente dentro do peito.

-Precisamos conversar; Gaara completou ainda fitando-a sem qualquer brecha para o que quer que fosse.

-Gaara-sama, eu...; Matsuri ponderou e então o fitou temerosa. –O conselho, eles o estão esperando e...

-Agora! Precisamos conversar agora. O conselho pode esperar; o rapaz sentenciou. –Por favor, me acompanhe.

-Hai; a konoichi assentiu e então a passos lentos começaram a adentrar o mesmo longo e arenoso corredor que os demais.

Não haviam dado mais que alguns passos sob o escuro parcial do corredor e já haviam parado. Matsuri suspirou e voltou a fitar o chão, mas tão logo voltou seus olhos para o rapaz. Gaara aproximou-se e então a tocou, tocou-a delicamente do lado esquerdo da face, mais uma vez atraindo-a como uma mariposa em direção à luz. O seu silencio hipinótico era a luz que inevitavelmente sempre a atraía.

Surpresa a konoichi apenas o fitou nos olhos. Aquele mar vivido e verde mais uma vez inundava suas íris enquanto seus dedos pálidos acariciavam a lateral de sua face. Não era sonho, era real e o sentiu quando os dedos dele deslizaram por sua fronte, acariciando-lhe os cabelos bagunçados. E ele continuou. Incertos seus dedos deslizaram até a curva do pescoço feminino, depois ombros e então braço. Ali ele parou e sua mão forte segurou-a com firmeza antes que seus dedos mais uma vez voltassem a acariciar a pele exposta. Curvas e linhas imaginárias eram o que ele parecia estar desenhando sobre sua pele.

Matsuri conteve um gemido ante aquele gesto. Primeiro o de desejo que mais uma vez subia arrepiando sua espinha e rodopiava como borboletas em seu estômago. Depois de frustração, afinal, porque só agora? Porque só agora ele parecia ter o intuito de tomá-la para si? De dizer-lhe que era dele e de ninguém mais? Podia ser inexperiente, mas sabia e muito bem compreender a linguagem do corpo e dos olhos. Ele a olhava e a tocava possessivamente, não era preciso palavras para lhe dizer isso.

-Matsuri...

Mais uma vez ele a chamava e o sussurro rouco dele quebrava todas as suas barreiras. Sentia que ele precisava de si tanto quanto precisava dele e se ele lhe pedisse para ser sua naquele instante, o seria sem qualquer recusa.

-GAARA-SAMA!

Um grito desesperado fez com que se afastassem bruscamente. Era o grito de uma mulher e atrás do dela vinham outros tantos, a maioria deles irreconhecíveis em meio a balbúrdia. No entanto todos diziam a mesma coisa: Hime!

-Hana?

Gaara arqueou a sobrancelha sem entender até que viu a figura da futura esposa aparecer no fim do corredor que dava acesso ao castelo. Vestindo apenas um roupão branco e fino sobre a camisola ela corria até si. Os pés descalços e os cabelos revoltos não pareciam incomodar a princesa.

-Gaara-sama! –ela voltou a chamar e então se jogou nos braços do rapaz assim que o teve finalmente perto de si.

-Hana? O que faz aqui? Você...; Gaara não sabia o que dizer. A aparição da noiva ali o havia pegado de surpresa.

-Meu pai...; Hana suspirou contra o peito do rapaz. –Está morto!

-Como? –Gaara indagou confuso, como se não compreendesse as palavras da mulher que agora soluçava contra o seu peito molhando-o com suas lágrimas amargas.

-Com licença, Kazekage-sama; disse Matsuri e sem esperar por resposta se foi.

Gaara pensou em correr atrás da konoichi, mas naquele momento isso era impossível. Hana ainda soluçava contra o seu peito e tudo o que pode fazer foi abraçá-la forte. Não era dado a esse tipo de gesto, mas o desespero de Hana lhe lembrou o seu, no tempo em que não havia ninguém para lhe estender os braços. Inevitávelmente a abraçou, como gostaria de ter sido abraçado, confortado, tantas e tantas vezes. Acariciou-lhe os cabelos macios e ao olhar de volta para a direção de onde a jovem havia vindo, deparou-se com o irmão mais velho, Baki e também uma dúzia de homens do conselho. As vozes eram deles e ao que parecia haviam corrido atrás da princesa até ali.

Realmente muita coisa havia acontecido em sua ausência...


Continua...

N/a: Yo meus queridos leitores! Espero que tenham gostado de mais esse capítulo, em especial para os fãs de Shika e Temari, afinal, teve mais um momento full love pros dois! Ah e agora finalmente irei responder ao teu review né Andressa?

My dear, antes de qualquer coisa, vc já deve saber que é sim muito bem vinda e que ah... Fala sério? É outra novata a ganhar "fic presente" no desafio "Review número 40"? Isso mesmo, o teu review é o quarenta, então vc tem direito a uma fic presente do universo de Naruto, com o casal que você escolher. Claro que se você quiser, né? rsrs

Agora vamos ao teu review!

Você não sabe o quão feliz eu fiquei com a sua mensagem... Nossa fiquei saltitante aqui do outro lado, vc jura que leu tudo de uma vez? Garota corajosa! E mais feliz ainda eu fiquei em saber que a cada capítulo novo terei um review teu! Olha que eu vou cobrar hein? XD

Outra coisa que também me chamou a atenção é que acho que vc foi uma das únicas a mencionar o que venho feito com o Kankurou, trazendo um personagem secundário pra trama principal. Como vc disse ele é um personagem pouco explorado e que às vezes passa despercebido. Eu mesma nunca dei muita atenção a ele até começar a escrever essa história. Não sei, pode ser um equívoco meu, mas eu acho que ele deve se sentir meio que "rebaixado" pela pompa do irmão mais novo. O Gaara é o Gaara, num tem jeito de passar despercebido e mesmo sem querer acaba ofuscando o irmão mais velho.

Que bom mesmo que vc tem gostado dele na fic, porque ele é tão importante quanto o Gaara nessa história, mesmo que o ruivo ainda seja o meu preferido – claro que depois de Hatake Kakashi, o meu sensei-sexy! XD

É isso, não sei se vc tem conta no site, mas me deixa pelo menos o teu e-mail pra eu poder manter contato, blz? Adoro responder aos reviews, e por falar nisso... Minhas respostas tem chegado né gente? Esse site "emperra" de vez em quando aí num sei se consegui mandar ou não as respostas e eu sempre mando... rsrs

Um grande bju e um forte abraço a todos! ^^

Ja ne!

P.S: Eu já falei demais, eu sei disso, mas até o fim dessa fic ainda tem mais fic presente viu? Então botem os seus dedinhos pra trabalhar que, se assim desejarem, nos vemos no review 50, 60... Ah to pensando longe já... rsrs