N/Bru: Hey! Quem ainda está por aqui? Eu demoro, mas eu prometo, PROMETO, que essa fic será finalizada. Estou de férias agora, já tenho outro capítulo pronto depois desse, só preciso do incentivo de vocês pra continuar. Muito, muito obrigada a aquelas que não desistiram. Esse capítulo é ENORME para vocês.
Capítulo Catorze.
Ele desaprovaria, ela tinha certeza disso. Levar uma Sophie de apenas um ano e dois meses ao Jeffersonian era possivelmente uma das últimas idéias na mente dele. E esse era o motivo pelo qual ela planejou tudo aquela manhã, de tal forma que era sua responsabilidade levar Parker até a escola e Sophie, supostamente, até a casa do seu pai, fazendo Booth seguir para o trabalho sozinho e em um carro separado.
Ela não gostava de enganá-lo, ou fazer qualquer coisa por trás das costas dele, mas nenhum argumento, principalmente aquele em que ela diria que o Instituto era o local mais limpo a qual eles tinham acesso, iria convencê-lo. Não, sua princesa, como ele constantemente se referia à filha deles, deveria ficar longe da vida de crimes e investigações que eles faziam parte. Ela irá à segunda casa da mãe, mas apenas com 'a idade apropriada, Bones. E essa idade, eu determino'.
"Brenn?"
A antropóloga parou no meio do caminho até sua sala, a pequena Sophie segura em seus braços, uma mochila com as coisas necessárias para a criança em um dos seus ombros e ao ouvir a voz da sua melhor amiga, preparou-se para ser repreendida. Talvez seus argumentos funcionassem com alguém que, de fato, trabalhava ali.
"Oi, Angie." – Sophie sorriu ao reconhecer a artista, um de seus pequenos braços estendendo-se em direção a ela. Por um momento, Brennan assistiu Angela desistir da sua reclamação, um sorriso aparecendo nos lábios dela por uma fração de segundos em que sua atenção era apenas da garotinha. – "Você quer passar um tempo com ela?" – Brennan ofereceu, tentando distraí-la o suficiente para não entrarem em uma discussão.
"Em primeiro lugar, Sophie não deveria estar aqui." - E colocou a mão na cintura, como sempre fazia quando queria enfatizar o seu ponto.
"Por que não? Aqui é perfeitamente seguro e limpo. Não temos um caso."
"Em segundo lugar, Booth vai enlouquecer se souber que você a trouxe até aqui. Aposto que ele já lhe disse que não quer a filha de vocês no meio disso tudo por um tempo."
"Como você sabe?" – Ela sempre se impressionava, mesmo após tantos anos, com a habilidade da amiga, ou com seu sexto sentido, como Booth chamava.
"Porque eu penso da mesma maneira, Brenn. John não vai aparecer aqui até a hora certa."
"Olhe, Angie." – Brennan avançou até ela, parando a poucos metros. Eles precisavam entender que todo aquele protecionismo era demais. E completamente irracional. – "Eu não traria a Sophie aqui se estivéssemos no meio de um caso, okay? Eu sei que o que esses psicóticos podem fazer. Não vou esquecer quantas vezes já fomos atacados aqui dentro, mas" – Ela olhou para a filha, notando como a garota observava tudo ao seu redor com um interesse crescente, sentindo que sua decisão de trazê-la até ali não era, de forma alguma, um erro. – "Mas, como eu já falei, não temos um caso. E eu tomei a decisão de trazer minha filha até o lugar onde eu trabalho. Até minha segunda casa, como Booth uma vez disse. E eu nunca faria isso se fosse perigoso para ela. Nunca botaria a vida da minha filha em risco, Angie."
"Eu sei, Brenn, eu não quis dizer isso."
A cientista assentiu, mostrando-a que realmente compreendia, mas que também dizia que a discussão estava terminada e que as duas sabiam que ela estava certa.
"Falo com você depois, Angie." – E deu as costas, começando o dia especial que as duas teriam.
BB
Ele estancou no meio da escada e no momento em que as duas entraram no seu campo de visão. E assim ficou, sem acreditar que sua parceira havia trazido a filha deles até ali sem falar com ele antes e que, naquele momento, a pequena estava sentada em cima de uma das mesas de metal, um osso sendo exibido para ela.
"Falange." – Ele ouviu sua parceira dizer, calma e bem devagar. – "Vamos, Sophie, repita. Falange." – A garotinha apenas riu, levantando um braço para tentar alcançar o que sua mãe lhe mostrava. Brennan suspirou, estava tentando ensinar a filha a falar sua primeira palavra desde que desceram para visitar o Limbo, há uns trinta minutos. – "Talvez você responda melhor a outro tipo de estímulo."
Ele ia intervir, mas parou novamente para observar fascinado a renomada Dra. Temperance Brennan levantar suas mãos e mexer seus dedos, seu tom de voz descontraído e contente.
"Falanges, falanges. Falanges dançantes."
Ele segurou sua risada para não ser descoberto e para que ela não achasse que ele aprovava aquilo. Não, o lugar da sua filha quando ninguém podia ficar com ela pela manhã era na casa de Max. Lá. Longe do Jeffersonian. Longe de toda a loucura que aquele lugar poderia representar quando eles menos esperassem.
Ele viu quando Sophie gargalhou, sua risada acompanhada pela de Brennan. E quando a antropóloga pegou outro osso, o maior deles, e o colocou na altura dos olhos da garota.
"Fêmur." – Seu olhar era de expectativa, e ela esperou que sua filha a repetisse. – "Vamos, Sophie, você consegue. Fê-mur." – Mas a pequena apenas sorriu, tentando novamente pegar o objeto que sua mãe tinha nas mãos. – "Vamos tentar esse outro."
"Você é inacreditável, Bones."
Ela virou sua cabeça abruptamente na direção de onde vinha a voz dele, seus olhos se encontrando e batalhando sem palavras.
"Booth..."
"Eu lhe disse que não queria a Sophie aqui e, ainda assim, aqui ela está."
"Você está sendo irracional, Booth."
"Você sabe que não. Você entende minhas razões." – Ele se aproximou delas, seu tom de voz contido e baixo. Não queria assustar a filha deles, muito menos realmente brigar com sua parceira.
"Na verdade, eu não entendo. O Jeffersonian é um lugar seguro e limpo. Parker vem aqui toda semana. Se ele pode, o que impede nossa filha de vir também?"
"Parker tem dez anos, Bones."
"Sophie tem um ano, Booth." – Ela repetiu, imitando o jeito dele quando queria dizer algo que aparentemente era óbvio.
"Exato! Ela não deveria estar aqui. Não é o lugar."
Eles se encararam por algum tempo. Booth tentando convencê-la de que estava certo e assim que conseguisse, pegaria a filha nos braços e a levaria para o avô. E Brennan tentando sinceramente compreendê-lo.
"E isso são ossos reais?" – Ele perguntou, quebrando o silêncio entre eles.
"Claro que são ossos reais, Booth." – E então ela entendeu. – "É por isso que você não a quer aqui? Por que tudo aqui é real e ossos significam que uma pessoa está morta?"
"Bones..."
"Você acredita no que Angela chama de memória formativa?"
"Bem..."
"Sophie não está vendo nada aqui que possa traumatizá-la, Booth. São apenas ossos."- Quando ele permaneceu calado, ela aproveitou para mostrar seu lado de toda aquela história. – "Além do mais, eu sou a mãe dela. E descobri que é incrivelmente prazeroso ter a minha filha aqui, comigo. Nós estamos compartilhando esse momento, Booth, você sempre disse que isso é importante. E estamos em um dos lugares mais importantes para mim."
Ele suspirou, finalmente derrotado. Ela estava certa, como sempre estaria. Ou em 99,9% das vezes. Sua reação era exagerada, mas ele confiava no julgamento dela mais do que no de qualquer outra pessoa.
"Você está ensinando-a a falar dizendo o nome de ossos?" – Ele deu a volta na mesa, parando ao lado dela e de frente para a filha. Sophie imediatamente tentou se levantar, balançando-se até que Booth a pegou nos braços. – "Hey, princesa."
"Estava. " – Brennan admitiu, sem saber se aquilo era bom ou ruim. – "Eu sei que, convencionalmente, não se deseja que a primeira palavra do seu filho seja o nome de um osso, mas,"
"Está tudo bem, Bones." – Booth a assegurou, um de seus braços passando pela cintura dela e trazendo-a para o seu lado, o outro segurando a filha. – "Sophie é sua filha, o que significa que era será tão genial quanto você. Se a primeira palavra dela for o nome de um osso, só irá provar mais cedo meu ponto."
Brennan riu, chacoalhando a cabeça com o argumento dele.
"Eu sei, mas, talvez devêssemos ensinar a ela papai ou,"
"Ma... mamãe."
Brennan parou de falar imediatamente, seus olhos arregalados e sua boca aberta ao escutar a voz infantil e doce da sua filha formando uma palavra completa pela primeira vez: mamãe. Booth estudava-a de perto, catalogando cada emoção que passava pela face da parceira: surpresa, descrença, realização, encantamento.
"O que você disse, Sophs?" – Ele chamou a atenção da filha para si, atraindo a da antropologa também. – "Quem é essa?" – E apontou para Brennan, sorrindo orgulhoso quando a criança fez exatamente o que ele esperava.
"Mamãe." – Ela repetiu, e quando ele levantou os olhos para encarar a parceira, encontrou os dela cheios de lágrimas. Uma reação que ele tinha certeza que ela não pretendia ter, ou pelo menos, não gostaria de mostrar, mas uma que expressava tudo para quem realmente a conhecia.
Temperance Brennan: a cientista considerada fria e distante por alguns, uma pessoa que passou boa parte da sua vida solitária e fechada, e a mulher que jurou nunca ter filhos ali, parada na frente dele – seu parceiro, pai da sua filha – com lágrimas nos olhos. Mãe. Mamãe.
BB
"Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou."
Ele lembrava claramente daquela frase, retirada de um poema de Shakespeare que Brennan havia lhe mostrado anos atrás e que por algum motivo desconhecido ecoava na sua cabeça enquanto seus pés permaneciam plantados no chão. Aterrorizados.
Em uma seqüência de flashes rápidos, ele confirmou a veracidade daquelas palavras: com apenas 15 anos, já havia experienciado momentos que a maioria das pessoas nunca sequer teria idéia de como era. Do que ele sentira. Do que ele ainda lembrava. Revivia.
Howard Epps, anos atrás, comprando-o um sorvete e entregando-lhe um pedaço de guardanapo aparentemente inocente. A verdadeira história daquele serial killer, contada muitos anos depois pelos seus pais, ainda lhe provocava arrepios.
Um ano depois, Noah, o perseguidor que acreditaria até o fim dos seus dias que ele e a famosa Temperance Brennan estavam mortos e tudo que ele fizera foi manter em cativeiro os fantasmas do que um dia havia sido duas pessoas. O olhar determinado dela - que dali para frente se tornaria a sua segunda mãe - para tirá-los daquela situação, dando esperanças a ele, um garotinho de apenas 8 anos.
Ele piscou, e a cabeça da boneca, coberta com uma tinta vermelha – ou com sangue, ele não saberia dizer, era tão real – entrou no seu foco. Um passo para trás, e ele colidiu com algo sólido, sua autodefesa entrando em ação e quase fazendo seus punhos atingirem-na no rosto. Ela, Bones. Sua Bones.
Ele sentiu o tempo parar. A cena a sua frente – e a memória do que tinha logo atrás de si – marcada na sua mente como uma fotografia: Brennan e seus olhos claros focando-se apenas uma vez no motivo do seu grito e depois apenas nos olhos castanhos dele. E Parker observou-os ficando mais claros, até atingir um tom cinza e uma sombra. A determinação da última vez indo embora bem diante dele.
Não desista.
O seu pai, parado atrás dela, suas mãos fechadas e tão apertas que suas veias eram facilmente visíveis. A linha do seu queixo tensa, seu pomo de Adão subindo e descendo incontrolavelmente. E então, seus olhos. Castanhos como os seus. Perdidos como os dela.
Não desista.
E sua irmã, a garotinha tentando passar pelo bloqueio de corpos a sua frente e enxergar a causa de toda aquela movimentação repentina. Ela estava prestes a conseguir quando Booth se moveu, girando nos seus calcanhares e pegando-a nos braços, sua mão delicadamente enterrando a cabeça da filha em seu peito. Era a última coisa que ela poderia ver. Que ele poderia ver.
"Não desista." – Ele se ouviu dizer, apenas um sussurro. Ela desviou os olhos, e ele sabia o que ela diria a seguir.
"Nós vamos pegá-lo."
Ele quase sorriu cansado. Cansado desse discurso. Cansado dessas ameaças que apesar de não prejudicá-los fisicamente, estavam acabando com eles emocionalmente. Cansado de vê-la assim – e ao seu pai –, sem esperanças. A decepção com eles mesmos em cada linha dos seus rostos.
"Você não acredita mais nisso."
"Eu tenho que acreditar."
O adolescente deu um passo à frente, pegando o queixo dela fortemente entre os dedos. Mais sutil do que ela esperava, ele virou o rosto dela para si.
"Você tem que sentir isso."
"Eu sou uma cientista. Eu não faço isso muito bem." – Ela riu, sem qualquer humor. – "Sentir, eu quero dizer."
"Oh, sério?" – Ele a segurou firme pelos dois braços, confuso por estar sentindo aquela raiva sem motivo aparente. – "E o que eu estou vendo nos seus olhos agora, Bones? Não é o que você está sentindo?" – Brennan fitava-o alarmada, seu cenho franzido tentando entender a reação dele. – "Me diga que você não está sentindo nada agora. Nenhum medo. Nenhuma sensação de desistência. Olhe nos meus olhos, Bones, e me diga que tudo que você está fazendo é pensar em como resolver esse caso."
E ele a soltou no momento que notou uma lágrima escorrendo pelo rosto dela. As suas começando a embaçar sua visão. Com o indicador, ele a limpou, seu coração apertado por ser o responsável pela tristeza dela.
"Eu sinto muito, Bones. Eu não... Eu sinto muito." – Ele considerou sair daquele cômodo, afastar-se de toda angústia que podia sentir ali. Nela. Mas no fim, optou por ficar. Não iria deixá-la com aquela cena aterrorizante sozinha. Mesmo que talvez ele fosse a última companhia que ela gostaria de ter.
"Eu não sei como pegá-lo. Eu não sei como. Eu não sei como." – Ela falou tão baixo que se não fosse pela proximidade entre eles, Parker teria perdido as suas palavras. Tão vulneráveis.
"Você é uma cientista." – Delicadamente, ele estendeu um braço, pedindo permissão para tocá-la de novo. E em um movimento automático, ela pegou uma mão dele na sua. – "Você pode mudar isso."
Por uma fração de segundos, ela voltou a olhar a nova mensagem do homem desconhecido. A cabeça de uma boneca. Assim como Epps havia deixado para trás – e em uma geladeira – a cabeça da sua ex-mulher.
"Eu sei." – E um pequeno sorriso finalmente apareceu no rosto dele, encorajando-a a continuar a falar. – "Isso... Essa cabeça é uma nova pista. Talvez exista algo nela que nos forneça novas informações."
"Exato, Bones." – Ele apertou a mão dela, aprovando seja lá qual fosse o curso de ação que a cabeça dela parecia definir. – "Façam o que você e o papai fazem de melhor e em algum momento, vocês o pegarão."
Ela assentiu, um pequeno sorriso – tímido e que não chegou aos seus olhos – aparecendo em seus lábios. E nos olhos dela, novamente azul claro, ele pôde enxergar esperança.
Não desista.
BB
Ela sabia que iria encontrá-lo ali. Aquele era o lugar onde os dois sempre se escondiam. Juntos, separados, para passar um tempo olhando a cidade do alto do prédio ou apenas para pensar.
Ao avistá-lo de costas, as duas mãos espalmadas no muro de proteção e sua cabeça abaixada, Brennan hesitou, decidindo se conversar com ele naquele momento era realmente uma boa idéia. A verdade é que ela precisava dele. Como seu parceiro. Como seu melhor amigo. Como pai dos seus filhos. Precisava convencê-lo a não desistir, assim como Parker havia feito meia hora atrás.
"Parker poderia ter morrido."
Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha, incerta se pela simples idéia que ele colora na sua cabeça, pelo seu tom de voz – frio, distante e raivoso – ou pelo fato dele ter sentido-a sem que ela precisasse anunciar sua presença.
"Você não pode desistir."
Ela foi direto ao que lhe preocupava, como sempre fazia. Booth inclinou o pescoço ainda mais para baixo, quase impulsionando-a a ir ao seu encontro e levantá-la.
"Eu não estou desistindo."
"Sim! Você está!" – E ela engoliu em seco, assistindo-o girar o corpo lentamente até encará-la. Mesmo distante, e com pouca luminosidade, as linhas do queixo dele eram discerníveis. Fortes. – "Eu conheço você, Booth." – Ela continuou, um pouco mais suave, tentadoramente dando um passo na direção dele. – "Nesse momento, você acha que falhou com seus filhos mais uma vez. Que por sua falta de precaução e nossa incapacidade de pegá-lo, ele chegou mais uma vez perto demais deles." – Ele suspirou alto, como se implorando para que ela parasse de dizer o que sua própria mente gritava. Acusando-o. Cobrando-o. – "Mas eu não posso deixar que você pense assim, Booth. Eu não posso deixar que você desista."
"Que diferença isso faz, Bones? Não podemos pegá-lo."
"Nós podemos e nós vamos." – Ela andou até ele tão decidida quanto suas palavras, mas quase desejando não tê-lo feito ao encarar seus olhos castanhos mais escuros que o normal. Perigosos. Graves.
"Sophie, Johnny, Parker. Já foram três vezes, Bones, e nós não conseguimos nem sequer uma pista. Como você espera capturá-lo?"
"Do mesmo jeito que se capturam seriais killers. Ele vai agir de novo, e talvez de novo, e em todas essas vezes, vamos tentar nos proteger. E em alguma dessas, ele vai cometer um erro. É tudo o que precisamos, Booth. Um erro. Uma escorregada. E nós vencemos."
Ele pareceu considerar aquelas palavras, surpreendendo-a quando, de repente, esticou os braços, colocando-a neles em um abraço apertado. Um abraço entre caras. E ela sorriu com aquela definição, fazendo-o recuar e encará-la, seu cenho franzido esperando por uma explicação para a reação inesperada.
"Você uma vez disse que nossos abraços eram como se fossem abraços entre caras."
E pela primeira vez, ele abriu um pequeno sorriso, sua cabeça balançando com o absurdo de suas palavras.
"Eu precisava de uma desculpa para te abraçar." – Admitiu, a palma de uma de suas mãos em um lado da face dela. Ele fitou-a profundamente, seus olhos gradativamente voltando ao normal. Toda sua expressão voltando a ser calma e confiante.
"Você não precisa de uma agora." – Brennan deu um último passo a frente, seu peito colado ao dele. Suas respirações misturando-se. – "Me beije, Booth."
Ele sorriu abertamente antes de fazê-lo, a mão que estava previamente no rosto dela deslizando para a nuca, trazendo-a ao seu encontro. Suas bocas colidiriam, causando um gemido de espanto escapar dos lábios de Brennan, e outro, quando ele aproveitou para introduzir sua língua na boca dela.
"Booth..." – Ela segurou-o pelo pulso quando ele passava ao seu lado, arrastando-a para eles continuarem aquilo em um local mais privado. – "Eu preciso saber se estamos bem."
"Eu e você?"
"Sim." – Ela sorriu docemente para ele, voltando a parar bem próxima, sua boca tocando a dele mais uma vez. – "Eu e você... Nós somos o centro." – E ele a acompanhou, puxando o quadril dela ao seu encontro, relembrando da tarde em que aquelas palavras foram ditas pela primeira vez. Ironicamente na época em que estavam atrás de um serial killer. Um que prenderam. Venceram. – "E o centro deve se manter firme."
"Nós vamos nos manter firmes."
"O centro."
BB
"Eu quero ir para a aula!"
A garota pediu pela quinta vez consecutiva, seus braços cruzados em uma postura que tentava parecer zangada, mas que para Booth, olhando-a pelo retrovisor enquanto dirigia, era absolutamente fofa. Bones.
"Não hoje, princesa." – Ele repetiu incansavelmente, pela sua visão periférica flagrando sua parceira escondendo um sorriso pela atitude da filha. – "Hoje vocês vão passar o dia com a mamãe, no laboratório. Você não gosta de passar seu tempo ali?"
"Sim, mas..."
"E Johnny vai também, querida! Vocês dois faltarão a aula."
Sophie reencostou no banco, um suspiro de derrota escapando dos seus lábios. Ao seu lado, Parker fingia não escutar o debate, um sorriso ameaçando aparecer em sua boca.
"O John não gosta de estudar." – Ela continuou e Booth teve que rir, a persistência da sua filha nunca falhando em aparecer. – "Então não faz muita diferença para ele ir ou não a aula. Na verdade," – Ela franziu o cenho, pensativa, perdendo o momento em que sua mãe virou para olhá-la e em seguida, o olhar que ela trocara com seu pai, os dois sorrindo abertamente. – "Ele deve estar feliz em passar o dia no laboratório e não na sala de aula." – E após dar de ombros, cansada e derrotada, ela se calou, ocupando-se em observar o caminho e as pessoas na rua pelo resto do trajeto.
"Jeez, Bones, eu acho que a Sophie é 110% geneticamente igual você." – Ela ouviu-o dizer, os olhos dos dois focados nos filhos que corriam para a entrada do Jeffersonian
"Não existe nada mais do que 100%, Booth." – Brennan voltou-se para ele, seus dois filhos agora seguros dentro do complexo. – "E além do mais, é biologicamente impossível um ser humano ter 100% o DNA de apenas uma pessoa. Você precisa de relações sexuais para criar um bebê e então, O DNA é formado por duas cadeias com," - Ela sorriu contra os lábios dele, que de repente, estavam nos seus, calando-a.
"Eu vou até o FBI ver se eles conseguem alguma digital do saco plástico ou da bolsa do Parker. Max provavelmente está lá dentro, esperando por vocês. Ele prometeu passar o dia entretendo os netos, e assim você estaria livre para fazer o que precisa fazer." – Ela assentiu, levando uma mão ao rosto dele, tentando expressar sem palavras o que toda aquela preocupação dele significava. – "Redirecionei um dos dois carros que estavam na escola para cá. Os dois agentes do outro carro vão ficar na escola, observando e eventualmente interrogando algumas pessoas para tentarem descobrir como esse homem entrou sem levantar a suspeita de ninguém."
"Parece que você tem tudo sob controle, agente Booth." – Ela tentou brincar, prolongando aquele momento mais do que era necessário. A verdade é que entrar no Jeffersonian significava começar aquele dia. Significava esperar por uma nova ameaça. Uma nova pista que levaria a outro beco sem saída. Um dos seus filhos assustado. Ter esperanças e senti-la esvair-se ao longo das horas.
"Você está bem, Bones?" – Não passou despercebida a forma como as emoções cruzaram o rosto dela, seus perfeitos olhos azuis indo de calmos a desesperados e de volta a calmos.
"Estou apenas cansada, Booth." – Ela admitiu, encostando-se nele e fechando os olhos. – "Você me liga se encontrar alguma coisa?"
"Claro." – Ele a afastou, pegando-a pelos braços e encarando-a. – "Nós dois estamos cansados, Bones. Às vezes sou eu quem está a um passo de desistir. Às vezes é você. Mas enquanto não deixarmos o outro desistir, nós vamos pegá-lo. Você pode sentir isso, certo?"
"E o que eu estou vendo nos seus olhos agora, Bones? Não é o que você está sentindo?"
"Sim, eu posso." – Ela deu um selinho nele, afastando-se logo em seguida e começando a andar em direção ao Instituto. – "Nós somos o centro, Booth."
BB
Ela passou a primeira parte da sua manhã com a atenção dividida – algo que a incomodaria por não lhe permitir concentrar-se totalmente no trabalho que tinha em mãos – mas não se o que a fazia retirar os olhos dos seus ossos era seu pai, mostrando algo novo a Sophie, fazendo-a rir alto.
Eles se davam bem juntos, como ela sempre achou que aconteceria. Seu pai, apesar de todo seu passado, tinha um carisma e carinho sensacional quando se tratava de crianças. As filhas de Russell o amavam. Parker o amava. Com sua Sophie não era diferente. Ela soltou uma tíbia que segurava para ir até a ponta da plataforma, olhar de perto a reação que sua filha teria ao ver o arco-íris que Max tentava fazer.
A garota tinha o corpo inclinado, próximo aos equipamentos que usavam, sua boca em uma linha fina e os olhos apertados. Concentrados. Seus olhos abriram com uma inocente surpresa quando as sete cores apareceram na sua frente e ela deu a volta na mesa, observando o fenômeno de todos os lados. Pela primeira vez, a antropóloga não precisou que alguém apontasse as razões lógicas para a filha ser tão parecida com ela.
"110% geneticamente igual a você."
Sophie pulou nos braços do avô, sendo levantada por ele do chão, as suas gargalhadas preenchendo todo o local. Alguns cientistas pararam o que estavam fazendo, a maioria deles divertindo-se com a troca de afeto e entusiasmo entre os dois. E Brennan desejou que ele estivesse ali, presenciasse a maneira livre e natural com que a filha deles se conectava com as pessoas. Igual a ele.
50% de cada um, Booth.
"Pensei que Parker estava aqui com vocês." – A voz de Angela a fez girar de volta para a mesa onde previamente trabalhava, um olhar culpado em seu rosto.
"Ele está." – E ela parou, notando que não sabia exatamente onde o adolescente estava. – "Vou checar se ele está no meu escritório." – E saiu, deixando a melhor amiga para trás.
Brennan o encontrou sentado na sua cadeira, mexendo-se de um lado para o outro. Seu olhar distante. Pensativo.
"Parker?"
Ele levantou a cabeça, parecendo surpreso por ter a companhia de mais alguém. E sorriu, ao se dar conta de onde estava e rapidamente pondo-se de pé.
"Desculpe, Bones. Não tive a intenção de sentar na sua,"
"Você sabe que pode sentar na minha cadeira, Parker. Não seja bobo." – E fechou a porta de vidro atrás de si, sua intuição – desde quando ela usava intuição? – dizendo-a que algo estava errado. – "Você é meu filho, não é?" – Continuou, tentando relaxar o momento.
"Orgulhosamente." – Ele finalmente sorriu, mas ainda assim, foi até o sofá, indicando o espaço livre ao lado dele para que ela ocupasse. – "Eu estava pensando, Bones..." – E parou, usando o tempo em que ela levou para sentar-se ao lado dele para organizar suas idéias. – "Tudo que esse desconhecido está fazendo é uma imitação do que aquele outro homem fez, certo?"
Brennan assentiu, olhando-o curiosa. No fim, desejou que o adolescente não pensasse tanto. Não se preocupasse tanto. Que Alice fosse tudo na cabeça dele. Mas não Parker. Seu Parker.
"O que significa que alguém envolvido no caso naquela época e que teve acesso a todas as evidências, é um possível suspeito para isso, certo?"
"Sim. Não seria se precipitar assumir que esse homem de identidade desconhecida é provavelmente bem conhecido nosso. Apenas com acesso total ao caso de Epps, essa pessoa teria a possibilidade de recriar as ameaças dele. E todas as pessoas com acesso são nossos conhecidos."
"Exato." – Ele falou sério, seus olhos perfurando os dela, satisfeito por estarem seguindo a mesma linha de raciocínio.
"O que você quer dizer com isso? As únicas pessoas que sabem tudo sobre o caso Epps somos eu, seu pai, os squints e Caroline. E eu duvido que qualquer um deles esteja por trás disso."
"Não!" – Parker apressou-se em afastar aquela idéia da mente dela. Ele nunca, nem por um momento, pensou que uma daquelas pessoas era quem estava jogando com eles. – "Não. Os squints são família. Caroline é..." – E ele sorriu, sendo acompanhado por ela logo depois. – "É Caroline."
"Então você estava pensando que não temos absolutamente pista nenhuma por que todos os possíveis suspeitos são nossos amigos?"
"Não." – E ele riu de novo, especialmente com a expressão confusa no rosto dela. – "Faz tanto tempo desde que caso ocorreu, e Epps morreu no processo. Então eu tava pensando, você ou o papai ou mesmo os squints, nunca deram uma entrevista para a mídia informando esses detalhes? Talvez para mostrar como Epps operava? Talvez para contar a história do dia em que vocês quase perderam uns aos outros?"
"Não." – Brennan suspirou, e apesar de sua resposta extremamente rápida, sabia que era absolutamente correta. – "O caso todo, e em especial a morte de Epps, teve um grande efeito no seu pai. Cam quase morreu. Eu me senti culpada por muito tempo. Até hoje, na verdade, por tudo que aconteceu. Então desde que o encerramos, nunca comentamos sobre o ocorrido."
"Então quer dizer que você nunca falou com ninguém sobre tudo que aconteceu? Quer dizer, papai provavelmente não seria a melhor pessoa para falar, então talvez você tenha encontrado alguém em quem podia confiar após o caso e talvez você,"
Ele parou no segundo em que ela se levantou abruptamente, o terror e a realização espalhados pela sua face. No instante seguinte, Brennan estava correndo para fora da sua sala, virando-se para ele uma última vez, sua fala saindo como um sussurro: 'eu sei quem ele é.'
N/Bru: Alguma idéia de quem ele seja? Próximo capítulo eu revelo. Última chance de descobrirem!
