N/A: Como prometido, lá vai o resumo do cap13.

Resumo: Quando chega em casa do churrasco, Roy encontra ninguém menos que a mãe do bebê que insiste em ter o filho de volta e ainda insiste que Roy não é o pai, mas, frente a resistência do coronel em entregar a criança e depois de muita choradeira, Diana vai embora sozinha, mas promete insistir em ter o filho de volta.

Depois disso Roy liga para Hughes e conta o ocorrido. Hughes ainda tenta convencer o amigo a conversar com a mulher para que eles tentem chegar a um denominador comum, mas nenhum acordo é feito e eles acabam entrando em contato com uma advogada indicada por Maes.

N/A 2: SURTO GERAL: agora se preparem, pq este capítulo vai ser o mais ooc de todos, então tudo (repito: TUDO!) pode acontecer...XD

14 – Questões jurídicas

Um telefone estranho no meio do dia marcando um encontro em um restaurante afastado do centro da cidade e Riza esqueceu seu bom humor do fim de semana. Ainda era segunda-feira e Mustang já estava operando no modo Don Juan novamente, flertando primeiro e perguntando depois. Ela chegou a se arrepender da foto que deixou Maes tirar e que agora só se prestaria a servir de registro eterno do quanto ela havia sido boba e ingênua em pensar que Roy havia... ela nem sabia direito o que estava pensando sobre ele quando tirou a foto, mas era bem diferente da sensação incômoda na garganta que ela sentiu quando escutou, calada, metade de conversa telefônica confirmando hora e local.

- Eu tenho um compromisso e vou ter que ir embora agora. Será que você termina de organizar esses papéis pra mim antes de sair, Tenente? – enquanto pegava o casaco.

- Sim, senhor. – respondeu Riza, sem desviar os olhos de seu trabalho.

- Algum problema, Tenente?

- Não, senhor. – continuou com seu tom indiferente.

- Pode deixar que amanhã eu mesmo arrumo isso. – voltando o caminho até sua mesa e colocando toda a papelada que estava ali encima em uma gaveta. Depois ele voltou a se despedir do resto e saiu apressado, sem contar para sua tropa para onde.

- E então, com quem será que o Coronel vai sair hoje? - perguntou Jean - Eu aposto na moça da floricultura.

- Não, ela já foi enrolada muito tempo. - comentou Breda - Eu fico com a morena de cabelo comprido que mandou a garrafa de uísque. Ela já está na fila tem um tempo...

- Tem razão.

- Por que vocês não vão ver? - perguntou Riza, a única pessoa na sala que ainda fingia estar trabalhando, mas não perdeu nenhum dos comentários que os outros militares fizeram. Ela nunca achou que o fato de nenhum dos seus colegas ter vida própria e de eles se ocuparem em monitorar a vida privada do superior teria utilidade, até agora.

- Essa é fácil. Porque ele ficaria furioso! - respondeu Jean.

- Ele nunca descobriria... - insistiu Riza, mexendo em sua carteira e batendo uma nota encima da mesa - Eu aposto na secretária do General Montgomery. Ela não poupou palavras pra dizer o quanto o Andy é bonitinho um dia desses.

Os outros três ficaram em silêncio, surpresos com a atitude da Primeira Tenente, mas logo aceitaram o desafio e também fizeram suas apostas.

- Certo. Amanhã vocês me contam quem ganhou... – disse Riza voltando para sua mesa na formação de ilha.

- Nada disso, tenente. A senhorita vem com a gente! – disse Havoc.

- Ele tem razão, Hawkeye. – apoiou Breda - A idéia foi sua. Você também tem que ir.

- Pelo menos pra garantir que a fúria do Coronel não caia sobre nós... – completou Kain que ainda não estava muito certo se queria participar.

- Vai ser gente demais. Assim o Coronel vai perceber com certeza. – Riza tentou achar uma justificativa, mas algo lhe dizia que aquilo não a salvaria.

- É só nos dividirmos em dois grupos. Você vai com o comigo e Kain vai com o Breda. – continuou Jean.

Problema resolvido e sem mais desculpas, os quatro subordinados ainda esperaram mais um tempo na sala antes de saírem com o endereço do restaurante onde o Coronel encontraria com o bilhete de loteria de algum deles.

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Riza Hawkeye não achou que seria arrastada junto quando propôs a brincadeira. Se pelo menos ela tivesse ficado com Kain, poderia ter inventado uma desculpa esfarrapada e ficado pela metade do caminho, mas Jean não era tão ingênuo e perceberia logo qualquer tentativa de escapar, o que a colocaria em uma situação constrangedora de uma forma ou de outra. O jeito era torcer para o Coronel não estar ali.

Demorou um pouco, mas eles finalmente acharam o tal restaurante que, a despeito de ficar bem escondido, parecia ser um bastante agradável e sossegado. O lugar ideal para se levar alguém quando não se quisesse ser incomodado... ou visto. Será que o Coronel finalmente estava aprendendo a ser discreto?

- É aqui. – avisou Jean.

- Parece que sim.

- Agora é só nós estamos pela cozinha, fingindo que estamos fazendo uma investigação e espiar de lá.

- Ou nós podemos só perguntar se existe alguma reserva em nome do coronel, dizer que temos um recado importante e espiar quando o garçom for chamá-lo.

- Não sei não... Esse plano parece meio óbvio. As chances de sermos descobertos são bastante grandes.

- E as chances de nós sermos descobertos nos fingindo a agentes sanitários não são?

A idéia de Riza acabou prevalecendo e eles entraram no restaurante, tentando se esconder, ao mesmo tempo em que olhavam ao redor para tentar achar Mustang, e pararam em frente à recepção.

- Boa noite – disse o mâitre – Os senhores têm reserva?

- Não, na verdade... – disse Jean, ou tentou dizer, pois o treinado profissional logo deu seqüência aos seus passos ensaiados de como lidar com clientes.

- Então vou ter que pedir ao casal que aguarde no bar até que eu consiga uma mesa para os senhores, por favor. – já indicando o caminho até o bar e os conduzindo até lá, sem que eles pudessem fazer nada para impedir. Pelo menos nada discreto que não chamasse a atenção de todo o restaurante e acabasse os revelando.

- O senhor não entendeu... Nós não vamos... – Jean ainda tentou contra argumentar, enquanto Riza tratou de cobrir o rosto parcialmente com a mão e fingir que era invisível. Era a segunda vez que uma idéia sua não funcionava naquele dia infeliz.

- Vocês estão confortáveis? – sem tempo para resposta - Então eu já volto.

- Ótimo. Agora nós estamos fardados dentro do restaurante! – resmungou Riza, pois não havia modo de eles não serem notados com a indumentária azul.

- Pelo menos as mesas ficam mais escondidas e nós podemos dar uma boa olhada daqui. Você já viu alguma coisa?

- Não... – disse Riza se concentrando e procurando em volta. Era realmente um ambiente muito bonito, com uma iluminação suave e bastante romântica.

- Gostei do lugar. – comentou o segundo tenente - Acho que vou trazer a Jane aqui qualquer dia.

- É... – concordou automaticamente e continuou procurando até que parou em uma mesa. Dava pra ver a parte de trás da cabeça de um homem com o cabelo preto com o casaco azul do uniforme do exército. Definitivamente aquele era Mustang e, por sorte, ele estava de costas para o bar, faltava saber quem era a moça que o estava acompanhando.

Não era a moça da floricultura, nem a moça da confeitaria, nem a secretária do general e tão-pouco outra das garotas que se jogavam em cima do coronel. Era uma mulher que Riza nunca tinha visto antes e que não se parecia em nada com as mocinhas bobas de vinte anos que preenchiam melhor o perfil mulherengo de Mustang.

Ela tinha um ar maduro e era muito bonita, com o cabelo loiro, um pouco mais escuro que os dela, na altura dos ombros, grandes olhos verdes, um rosto cheio de ângulos e estava vestida com um terninho escuro (1). Eles pareciam conversar, mas Riza não quis prestar muita atenção no ânimo da conversa. Ela já havia sido masoquista o suficiente por ter concordado ir até ali e não queria continuar com a tortura.

- Essa é nova. – comentou Jean que também encontrou o casal seguindo a direção para qual a colega estava olhando.

- Ninguém acertou. – disse se levantando.

- É... Quem será que ela é?

- Não sei. – entretanto, antes que ela pudesse sair, escutou o barulho de uma bandeja caindo e, quando olhou na direção, viu Kain sentado no chão coberto de comida e Breda olhando para os lados para saber para onde correr. Parecia que eles tinham usado a idéia de entrar pela cozinha ao invés de usar a porta da frente.

Todos que estavam no restaurante, inclusive um certo coronel e sua nova amiga, olharam para a confusão protagonizada pelos militares que se desculpavam com o gerente.

- Você tinha razão – disse Jean – Minha idéia não era muito boa mesmo.

- Não... – Riza respondeu olhando para a mesa do coronel que estava olhando de volta para eles. Ele não parecia bravo, mas também não estava rindo. Se pelo menos o alquimista se virasse novamente e ignorasse a presença deles, ela ainda sentiria que saiu no crédito, mesmo depois de tudo que aconteceu, mas Roy falou alguma coisa com a mulher, depois se levantou da mesa e foi ao encontro de seus subordinados.

- Senhor... – Riza falou primeiro. Queria dar uma de avestruz e esconder sua cabeça no chão, mas a única coisa que ela podia fazer era cumprimentar o homem.

- O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou Mustang.

- Então a mesa era pra quatro? – interrompeu o mâitre.

- Não... Nós vamos ficar no bar mesmo. – respondeu Breda, achando um gancho para consegui fugir da situação – Estamos na nossa happy hour (2).

- Vocês... Vêm sempre aqui? – seria uma coincidência tão grande que não dava pra acreditar.

- Primeira vez. – disse o tenente loiro com um sorriso falso que não transmita a credibilidade que ele pretendia dar a sua resposta – E acho que a última também. Aqui é muito longe do quartel, não é Hawkeye?

- Sim. E já está ficando tarde... Tenho que ir. – Riza aproveitou logo a chance para sair dali, sem se preocupar em ser muito educada.

- Espera... – impediu Mustang, segurando Riza pelo braço – Eu levo você depois.

- Não precisa se incomodar. – respondeu de pronto e com um tom ainda mais árido que o de costume. O que diabos ele pretendia querendo que ela permanecesse ali?

- Nós vamos... procurar um outro lugar. Tchau pra vocês. – disse Jean, fazendo um sinal com a mão e fugindo dali com os outros dois.

- É. Boa noite. – disse Breda, antes de ser puxado para fora pelos outros.

- Não vai ser um incômodo. – insistiu Mustang – Eu só preciso de uns quinze minutos. Você bebe o que?

- Eu não vou esperar no bar.

- Você quer sentar à mesa conosco?

- Não!

- Então vai pro carro e me espere lá. – pegando as chaves no bolso e entregando para Riza que só não recusou, porque queria continuar a encarar Roy.

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Havia poucos carros estacionados ali por perto de modo que Riza não teve dificuldade em localizar o veículo e entrar pelo lado do motorista. Ela apoiou os braços no volante e escondeu o rosto ali dentro. Ainda não acreditava na situação em que havia se metido só porque se sentiu incomodada por Mustang voltar a perseguir saias por ai. Ela continuava repetindo para si que o que Roy fazia ou deixava de fazer não era da sua conta, mas a idéia a machucava mais do que trazia conforto.

Antes dos quinze minutos, ele apareceu na janela do carro e deu dois toques no vidro para chamar a atenção dela que destrancou a porta:

- Eu não falei que era rápido? – disse ele se acomodando na cadeira do carona.

- Sim. – concordou e deu a partida no carro.

- Eu só tenho que pegar o Andy na casa da...

- Marta. – completou Riza.

- É... – confirmou só para tentar prolongar o diálogo, mas não parecia que sua companhia estava para conversa – Sabe... Foi muita coincidência vocês apareceram justo no mesmo lugar em que eu estava.

- Lamento que seu encontro tenha sido interrompido por mim e pelos outros, senhor.

- Não era um encontro, então não precisa lamentar. E eu fiquei feliz encontrar você lá. Eu queria conversar com você de qualquer jeito, até pensei em passar na sua casa.

- Você não poderia ter feito isso no quartel?

- Não era a melhor opção.

- E então, o que aconteceu? – perguntou olhando o superior pelo retrovisor.

- A pessoa que eu encontrei hoje... Ela é uma advogada. O Hughes que a indicou. Nós precisávamos discutir alguns assuntos...

- Sobre o Andrew? – adivinhou logo.

- É... A mãe dele apareceu e quer ele de volta.

- O que?! – perguntou, desviando os olhos da rua para olhar para o lado e voltando a prestar atenção no trânsito em seguida – Quando?

- Ontem. Ela queria levá-lo na mesma hora, mas eu não deixei então tive que tomar outras providências, só que parece que minha situação não é das melhores.

- Mas você não é o pai?

Ele riu da ironia da situação. Para qualquer um aquela informação era fundamental, menos para quem conhecesse a legislação sobre o assunto.

- Isso não tem muita importância. Ela era casada e parece que existe uma presunção de que todos os filhos de uma mulher casada são do seu marido, exceto se próprio o marido contestar a paternidade. E só ele pode fazer isso, mas o esposo dela faleceu, então ninguém mais pode fazê-lo (3).

- Essa lei é um absurdo. Tem que haver uma alternativa.

- Tem sim, entretanto não vai ser nada... agradável. A advogada está estudando a possibilidade de fazer um pedido de adoção, só que para isso vai ser necessário retirar o pátrio poder dela e não tem como fazer isso de forma civilizada. Eu vou ter que explorar o fato dela ter abandonado o bebê e também expor a vida pública dela em tudo que for ruim e a Diana provavelmente vai fazer o mesmo contra mim. Esses casos correm em segredo de justiça, mas esse sigilo não dura muito. É bem provável que a Diana queria fazer um escândalo para atrapalhar minha carreira e se ela fizer isso, vai conseguir e eu nunca vou ter chance de chegar a Führer.

Riza escutou tudo calada. Era uma escolha injusta que Roy teria que fazer: seu sonho de mudar o país alcançando a posição de Führer ou a criancinha que ele começava a tratar como filho. E mesmo se ele optasse pela criança, ainda corria o risco de sair sem nada, pois poderia prejudicar sua carreira com o escândalo e ainda ter uma decisão contrária do tribunal. Se bem que por esse raciocínio, o cargo mais alto da estrutura do Estado ambém era um passarinho voando, pois Roy não tinha garantia nenhuma de que ascenderia a tal posição de qualquer forma. Era um tipo de cálculo de probabilidades e ponderação de interesses impossível de fazer, pois não se chegaria a um resultado agradável de nenhuma forma.

- E o senhor já decidiu o que vai fazer?

- Ela entra com o pedido amanhã mesmo.

- Isso não é... – medindo as palavras - Um pouco precipitado? Você deveria pensar um pouco mais a respeito para depois decidir.

- Eu não tenho muito tempo para ficar pensando. É como se eu tivesse seqüestrado o bebê, já que eu não tenho nenhum parentesco com ele. Se eu não fizer algo logo, a situação pode se complicar ainda mais.

- O senhor tem razão. Isso não é da minha conta.

- Eu sei que você só está preocupada que eu faça alguma besteira e agradeço, mas pode deixar que estou bastante ciente do que pode acontecer.

- Chegamos. – ela anunciou, estacionando o carro e depois desligando o motor, mas Mustang não desceu do veículo pra buscar a criança, precisando que Riza voltasse a chamar sua atenção depois de algum tempo.

- Na verdade... Eu ainda tenho algo a falar. - ela continuou a prestar atenção, mas Roy ainda demorou algum tempo para voltar a falar.

- Pode dizer. Eu vou ajudar no que for preciso.

- Talvez fique mais fácil se eu... – e girou um pouco o tronco para o lado do motorista.

Ele estava bastante agitado e também aparentava estar mais nervoso do que antes, quando falava do problema relacionado à criança, o que deixou a tenente de sobreaviso para o que vinha a seguir, todavia suas previsões não chegaram nem perto do que aconteceu: Roy se inclinou e beijou-a nos lábios. O movimento foi rápido e a tenente nem teve tempo de recuar e, quando deu por si, o contato já havia terminado, entretanto, o mais surpreendente ainda estava por vir...

- Riza Hawkeye... você... aceita se casar comigo?

As palavras demoraram para fazer sentido na cabeça de Riza. Ela olhou para o coronel sem acreditar que ele havia acabado de pedir-lhe a mão em casamento, mas não havia qualquer ponta de hesitação na resposta que se seguiu...

... continua...

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(1) Mais ou menos o look da Michelle Pfeiffer no tal filme. Aliás, eu acho a Michelle linda. Uma das loiras mais bonitas do cinema e até a Riza teria motivos de sobra para se sentir um pouco insegura se a tomasse por uma rival, então não joguem pedras, porque momentos de fraqueza, todos temos. Eu até confesso que a Riza ficou um pouco (ou muito) ooc, mas aposto como ninguém se sentiria completamente livre de angustia se visse o "namorado" jantando com a Angelina Jolie ou coisa que valha.

(2) Propaganda básica: falando em "Happy Hour", tem a uma fic com esse título da Nielita que é uma one-shot Royia bem escrita e muito gostosa de ler. Fica a dica pra quem ainda não conhece.

(3) Não dá pra saber como era a legislação de Amestris, então eu inventei/copiei. Nosso Código Civil de 2002 tem um dispositivo assim (art.1.601) e no Código Civil de 1916 ainda dava o prazo de 3 meses para o marido contestar a paternidade (art.344). A intenção era preservar a instituição familiar, porque naquela época o conceito tradicional de família tinha muita importância com toda aquela balela de filhos ilegítimos e tudo mais. Então cabia ao marido-corno escolher se queria expor o chifre pra toda a sociedade e chamar a esposa de vagabunda, contestando a paternidade da criança ou ficar quieto e assumir a criança.