Capítulo XIV
Um fino fio de luz, passou por uma fenda das portadas de madeira, atingindo o rosto de Draco. Este mexeu-se um pouco, incomodado com a luz, acabando por acordar. Ao abrir e olhou em volta. Não reconheceu o local onde estava.
Sentia-se cansado, embora tivesse a sensação que dormira durante muito tempo. Sentiu qualquer coisa quente na sua mão e quando olhou para o lado viu Ginny a dormir, com a cabeça deitada sobre o seu braço, à beira da cama onde estava deitado.
Ficava ainda mais bonita a dormir. Ao vê-la, aparecia que o seu coração recomeçar a bater. Sentia-se feliz só por puder olha-la. Parecia que já não o fazia à muito tempo.
Tentou lembrar-se do que é que se tinha passado, mas só se lembrava de ver seu pai a atacar Ginny e de este saltar para cima desta. Também se conseguiu lembrar que estava no departamento dos mistérios e que antes de saltar para cima de Ginny, a voz de Katrina ecoava dentro da sua cabeça, dizendo para este a devia deixar morrer. Depois ficava tudo escuro na sua mente.
Esforçou a mente para numa tentativa de se recordar de mais algumas pormenores da batalha, mas a sua cabeça estava a começar a doer-lhe por isso desistiu, ficando apenas a olhar para a ruiva.
"O que é que se passou comigo? Como é que te ia deixando escapar?" pensou, passando uma mão pelo cabelo de ruivos de Ginny.
Esta mexeu-se ao sentir o toque do loiro, acabando por abrir os olhos. – Bom dia. – Disse Draco, olhando-a. - Dormiste bem?
- Sim. A tua barriga é confortável. – Disse Ginny, espreguiçando-se. De repente o corpo de Ginny ficou teso. Os seus olhos começaram a ficar brilhantes. Levantou-se do cadeirão e caiu sobre Draco, dando-lhe um grande abraço. – És mesmo parvo. – Disse começando a chorar.
- Eu também te adoro. – Disse Draco correspondendo ao abraço da ruiva.
- Porque é que fizeste aquilo? Porque é que te puseste à frente? – Disse apertando-o cada vez, contra si.
- E arriscar-me a viver sem ti. Achas que iria sobreviver muito tempo nas mãos dos teus irmãos. Sabes que sozinho não sou capaz de dar conta de todos eles. Não sei se já te apercebeste mas são 6 e todos eles são bem grandinhos. – Disse dando um sorriso, que desapareceu da sua cara e o seu tom de voz tornou-se mais sério. - Preferia morrer, a viver sem ti.
Ginny afastou-se um pouco de Draco e olhou-o nos olhos. Estavam brilhantes, vivos, como se tivessem recuperado a alma. Não aguentou mais e baixou-se, aproximando a sua cara da do loiro, até que os seus lábios se tocaram, num beijo intenso e forte.
- Tinha saudades disto. – Disse Draco, quando Ginny se afastou um pouco dele.
- Eu também, mas tu tinhas saudades porque querias. – Disse Ginny começando a afastar-se de Draco. – E nem parecia que tinhas assim tantas saudades. Estavas sempre colado à Katrina.
Draco sentou-se na cama e agarrou o braço de Ginny, com mais força do que pretendia, puxando-a para perto de si.
Ginny olhou assustada para Draco. Os seus olhos pareciam arder e a sua expressão tornara-se dura e pesada.
- Eu amo-te Ginny, espero que nunca te esqueças disso. És a pessoa mais importante para mim. – Ginny olhou para Draco, e sentiu a cara a ficar quente. Draco começou a largar levemente o braço de Ginny. – Sabias que ficas linda quando coras. – sorriu e puxou-a, fazendo com que esta se sentasse na cama, antes de lhe dar outro beijo.
- Mas se me amas, porque é que nos últimos tempos só andavas atrás da Katrina?
- Sinceramente, – Disse Draco, passando um braço em volta da cintura de Ginny e chegando-a para mais perto de si, como se tivesse medo que esta saísse dali a correr. – …não sei! Estes últimos tempos têm sido muito estranhos. Era como se só visse a Katrina, como se só ela falasse comigo, como se só ela existisse. Quando me tento lembrar dos últimos dias, lembro-me de várias situações, em que todos os outros estão à minha volta, menos tu. Era como se não conseguia olhar para ti.
Ginny tocou-lhe levemente na testa, desviando alguns fios de cabelo. – É melhor descansares agora mais um bocadinho. Eu já volto. – Acrescentou ao ver o olhar triste que o loiro lhe lançava. - Só vou lá a baixo preparar qualquer coisa para comeres.
Deu-lhe um pequeno beijo na testa e levantou-se da cama, dirigindo-se para a porta do quarto. Antes de sair olhou para Draco. Este estava novamente deitado com os olhos fechadas. Parecia estar extremamente cansado.
Desceu rapidamente as escadas e foi para a cozinha, onde encontrou a sua mãe já atarefada com o almoço.
- Mãe, o Draco já acordou. Podes ajudar-me a preparar-lhe o pequeno-almoço?
-Claro que sim querida. – Disse a Sra. Weasley, tirando a varinha do bolso. Fez alguns feitiços e, antes que Ginny tivesse tempo de colocar um sumo de laranja num copo, pratos e talheres começaram a sair dos vários armários que cercavam a grande cozinha.
- Mãe, o pequeno-almoço é só para o Draco não é para a ordem inteira! – Disse Ginny, quando a sua mãe lhe entrega um tabuleiro repleto de comida.
- Eu sei querida, mas o Draco está ainda muito fraco. Precisa de se alimentar como deve de ser. Alem disso, estou só a cumprir as ordens que a Madame Promfrey deixou. Agora certifica-te que o Draco come tudo.
Ginny olhou para o tabuleiro e pensou que o mais provável seria só sair de perto de Draco no outro dia, altura em que ele iria acabar de comer tudo o que estava naquele tabuleiro. Mas por outro lado, a ideia não lhe pareceu assim tão má.
Agarrou firmemente o tabuleiro e começou a subir as escadas, até que parou ao ouvir alguém a chama-la.
- Ginny! – Gritou Hermione, correndo para na sua direcção. – O Draco já acordou?
- Sim, acordou há uns minutos. Ia agora levar-lhe este tabuleiro com o pequeno-almoço.
- Pequeno-almoço!? – Perguntou Hermione espantada, ao olhar para o tabuleiro. – Bem parece que a tua mãe está mesmo preocupada com ele. Achas que o podemos ir ver? Estamos todos preocupados. – Disse Hermione apontando para Ron e Harry, que surgiram atrás de si.
- Penso que ele até era capaz de gostar. – Ginny recomeçou a subiram as escadas, agora acompanhada por Hermione, Ron e Harry. - Draco, – Disse ao entrando no quarto - tenho aqui o teu pequeno-almoço e umas visitas.
- Bom dia. – Disse Ron, entrando no quarto. – Então como é que te estás a sentir?
- Muito melhor agora que vou comer. – Disse Draco, agarrando uma fatia de pão torrado.
- Nem imaginas o susto que apanhamos quando vimos a Ginny a chorar, agarrada a ti. Pensamos mesmo que tinhas morrido. – Disse Hermione, desviando o olhar para Ginny, que estava muito corada.
- Afinal o que é que aconteceu exactamente? – Perguntou Harry. – A Ginny ainda não nos contou nada. Desde ontem à tarde, quando te trouxeram para aqui, que ela não sai deste quarto. – Nessa altura o rosto de Ginny estava mais vermelho que o seu cabelo.
- Pois, eu também não me lembro muito bem. – Disse Draco olhando para Ginny e dando um discreto sorriso para esta. – Lembro-me do meu pai me atacar pelas costas e atirar-me para a frente. Cai perto da Ginny, mas só me apercebi disso quando olhei para ele. Nessa altura já não apontava a varinha para mim, mas sim para outra pessoa. Só ai é que me apercebi que era para ela. Saltei para cima da Ginny e quando lhe toquei foi como se toda a minha energia sai-se de dentro de mim, juntamente com uma espécie de névoa, que tinha andado dentro da minha cabeça nos últimos tempos. Depois disso, não me lembro de mais nada. Deve ter sido nessa altura que me apaguei.
- E tu Ginny, lembraste de mais alguma coisa? – Quis saber Ron.
- Apenas que o Lúcio, - Disse Ginny, evitando os olhos de Draco. – tentou lançar-me uma maldição imperdoávele, não sei como, o feitiço parece ter feito ricochete nas costas do Draco, quando ele se pôs à minha frente, indo atingir o Lúcios.
- Parece que te devo a vida da minha irmã Draco. – Disse Ron, estendendo a mão a Draco.
"De facto ao fazer isso salvei também a minha existência neste mundo" – Pensou Draco baixando o olhar para o tabuleiro e agarrando no copo de leite.
- E o que é que se passou com a Katrina? Ainda não vi a sua bela face, desde que aqui cheguei. – Disse Ginny olhando para Draco, pelo canto do olho.
Este conteve o impulso de lançar um olhar mal-humorado à ruiva. Sabia que a apenas o queria picar, por isso focou toda a sua atenção no copo de leite.
- Está em St. Mungo. Penso que ainda não a conseguiram expulsar de lá.
- Expulsar!? Como assim? – Perguntou Ginny incrédula.
- Ao que parece aquilo hoje está uma confusão brutal, maior do que o habitual. E tudo o que não for considerado urgente, ou minimamente preocupante tem de voltar mais tarde, ou não voltar de todo. – Começou Hermione.
- E ao que parece eles estão a tentar fazer isso com ela, mas ta a ser complicado. Ela não esta a ser muito colaborante nessa aspecto. – Disse Ron mantendo-se sério.
- Sim mas o que é que ela tem? – Perguntou Ginny.
- Ela caiu quando tentava fugir do meio da batalha e partiu os dois os dois dentes da frente e um de baixo. Depois tem o lábio inchado e vários arranhões pela cara. Ao que parece ninguém lá no hospital considera uma situação urgente e ela não aceita muito bem esta situação. – Disse Ron, começando a rir.
- Três dentes partidos!? Deve estar bonita. – Disse Draco rindo-se, e arrependendo-se logo de seguida ao sentir um beliscão que Ginny lhe deu na mão.
- Sim, mas está descansado, se as minhas suspeitas se confirmarem, eu trato de lhe partir os restantes. -Disse Hermione.
- Suspeitas, que suspeitas? – Perguntou Draco.
- Acho que sei o que é se passou contigo nos últimos dias, agora só tenho de acabar de investigar umas coisinhas e não tarda nada já vamos ficar todos a saber. E por falar nisso, tenho que ir ver uma coisa. Até já. – Disse saindo do quarto.
E mais um capitulo acabadinho de ser postado. Espero que gostem. O próximo capítulo vai ser o ultimo.: p.
Muito obrigado pelas reviwes que me mandaram. Por falar nisso, descobri a bocadinho que não estava a aceitar reviwes anónimas. Peço desculpa se alguém tentou mandar e não conseguiu. Já activei essa opção.
Jinhos fofos.
P.S: embora esta fic esteja a acabar estou a escrever outra, que ainda não tem título, mas deve chamar-se qualquer coisa como "À procura do teu olhar", mas ainda não sei bem. A Fic já está bastante avançada, só que para esta vou ter um beta :D, e a culpa de ainda não ter postado nada é dele, porque já escrevi 18 capítulos, já vou em 125 pg do Word.
É uma fic que estou a gostar imenso escrever. Espero que quando a postar lá vão dar uma olhadela.
Jinhos.
