A manhã da véspera de natal chegou rápido para os moradores de Godric Hollow e trouxe consigo uma das nevascas mais intensas dos últimos anos. Gina havia planejado um passeio com os filhos pelo povoado, mas seus planos foram impedidos por uma grossa camada de neve que se estendia do lado de fora da casa.
Para compensar, Gina preparou um almoço caprichado e depois permitiu que Sean e Brian passassem a tarde na Toca com os avos e os primos. A ruiva não se atreveu a acompanhá-los, pois a noticia de que não passaria o natal na Toca não foi bem aceita. A senhora Weasley argumentou que nem mesmo a guerra havia sido capaz de arruinar seus natais junto com os netos, mas a filha foi categórica quanto aos seus planos para aquela data.
O senhor Weasley apareceu para buscar Sean e Brian enquanto Gina ainda se ocupava com a louça suja do almoço. Esperou que o pai também resolvesse pegar no seu pé sobre a questão do natal, mas recebeu dele apenas um beijo e um cafuné antes que ele se fosse com os netos.
Depois de organizar a cozinha, Gina subiu para buscar os presentes que havia comprado para os filhos e também para Draco, Chloe e Salazar. A ruiva estava compenetrada na tarefa de embrulhar os presentes quando foi interrompida pelo barulho estridente da campainha.
Deixando os presentes de lado, Gina correu para atender a porta, imaginando quem se atreveria a enfrentar o frio lá fora para lhe fazer uma visita em plena véspera de natal. Mas por mais que Gina se esforçasse para achar uma resposta para sua pergunta ela jamais chegaria a ela. E por mais que ela houvesse esperado por essa mesma resposta nada a deixaria preparada o suficiente para encarar aquele momento.
Parado na porta, a neve lhe cobrindo quase até o joelho, estava Harry Potter. Gina não levou nem dez segundos para reconhecê-lo. O tempo havia passado, mas ela o reconheceria mesmo que tivessem se passado séculos. Seus cabelos negros despenteados e os olhos verde esmeralda ficariam gravados pra sempre na sua mente.
- Não vai me convidar pra entrar? – perguntou ele com um sorriso tímido.
DG
Harry caminhava pela casa observando tudo com aparente curiosidade. Gina estava ocupada esquentando água para um chá, mas podia escutar o som dos passos dele no cômodo ao lado. Não haviam trocado muitas palavras desde que ele chegara, mesmo que fosse do conhecimento de ambos que havia muita coisa para ser dita.
Gina entrou na sala com uma bandeja levando chá e biscoitos e encontrou Harry admirando as fotos dos filhos numa prateleira.
- Eles sempre foram assim tão bonitos, ou é a minha visão paterna que me prega peças? – perguntou ele sem se virar.
- Acho que sempre foram. Ou isso ou a minha visão materna também gosta de pregar peças.
Harry se virou rindo e sentou ao lado de Gina no sofá. A ruiva serviu duas xícaras de chá e estendeu uma para Harry.
- Eu acho que temos muito o que conversar, não é? – comentou Harry.
- Onde você esteve todo esse tempo? Por que você não voltou depois de derrotar o Lorde?
Harry deu um gole do chá em sua xícara e depois a depositou de volta na bandeja. Passou as mãos pelos cabelos num gesto que Gina reconheceu como um sinal de nervosismo. Ele sempre fazia isso.
- Eu não podia, Gina. Eu não podia porque eu simplesmente não sabia como.
- O que você está tentando dizer?
- Foi uma batalha difícil Gina, mas eu sabia que tinha que voltar
vivo. Por você e pelos meninos. Acho que foi com esse pensamento que eu derrotei Voldemort. Foi a vontade de rever vocês três que me fez vencer.
"Quando eu vi que ele realmente estava morto eu tentei aparatar nos arredores da Ordem e procurar ajuda. Eu não podia voltar pra casa e colocar vocês em risco. Só que eu estava muito fraco e não consegui aparatar da maneira correta."
Harry permaneceu em silêncio enquanto Gina corria os olhos pelo seu corpo com um olhar ligeiramente preocupado.
- Pode ficar tranqüila que eu não deixei nenhum pedaço meu pra trás Gina. Na verdade a única coisa que eu perdi aquele dia foi a minha memória. Eu devo ter ficado uns quatro ou cinco dias desmaiado e quando finalmente voltei à mim estava numa vila trouxa.
"Um dos moradores havia saído naquela manhã e entrado na floresta para caçar e me encontrou desmaiado entre os arbustos. Eu não havia me deslocado nem cem metros do lugar onde o corpo de Voldemort estava. Esse senhor me levou para sua casa e me deixou aos cuidados da filha, Claire."
"Quando eu acordei ficou muito claro para eles que eu não fazia a mínima idéia de quem eu era. John, o senhor que me encontrou, achou que eu deveria ir até a cidade visitar um médico, procurar alguma ajuda, mas não havia ninguém que pudesse me acompanhar e ele achou perigoso eu viajar sozinho."
"John era um velho muito solitário e me acolheu como um filho. Ele e sua filha me ajudaram muito no começo e quando eu dei por mim era como se eu realmente tivesse nascido lá. Até atendia pelo nome de Peter, que Claire escolheu pra mim uns dias depois de eu acordar."
- E quando foi que você lembrou de tudo? – perguntou Gina curiosa.
"John morreu dois meses depois da minha chegada. Parece que ele já estava bastante doente. Eu achei que a morte de John era o sinal para que eu fosse embora. Eu tinha que descobrir quem eu era de verdade, porque ali eu era o Peter, mas dentro de mim eu era uma outra pessoa."
"Eu contei pra Claire meus planos de partir e ela me pediu que ficasse. Ela era uma boa moça, sabe? Eu não podia deixá-la sozinha depois de tudo o que ela havia feito por mim."
- Você se apaixonou por ela, não foi?
Harry suspirou e tornou a passar as mãos pelos cabelos. Estava nervoso não só pelo fato de ter que contar aquilo tudo para Gina, mas também pelo fato de sua relação com Claire não a atingir de maneira alguma. A ruiva parecia tão distante.
- Aconteceu. Nós passamos tanto tempo juntos que foi... Inevitável. Ela era praticamente a única coisa que eu tinha de certo ali.
- Vocês casaram? – perguntou Gina num fio de voz.
- Ela morreu Gina. Dois meses depois do pai e da mesma maneira que ele. Os moradores então acharam que era algum tipo de agouro e que a culpa talvez fosse minha e me mandaram embora.
- Quanta estupidez. – comentou Gina realmente indignada.
- Tudo bem. Eu não fiquei realmente chateado com a situação. Não havia nada que me prendesse naquele lugar agora que John e Claire estavam mortos.
"Enquanto eu arrumava as minhas coisas para partir eu pensei em levar alguma coisa de Claire para guardar de lembrança. Havia uma caixa no fundo de seu armário que ela costumava mexer quando achava que eu estava dormindo. Pensei em levar ela comigo, mas antes abri para ver o que havia lá dentro."
"O seu diário estava lá junto com umas flores secas, uma corrente que eu sabia que tinha sido da sua mãe, minha varinha e uma foto. Uma foto nossa Gina, em Hogwarts, lembra?"
- Na beira do lago. No dia da sua formatura. – lembrou Gina com lágrimas nos olhos. – Eu lembro que você havia comprado um vestido pra mim...
- Vermelho. Pra combinar com seus cabelos. – completou Harry.
Gina sorriu tímida e abaixou a cabeça se concentrando no chá que esfriava em sua xícara.
"Eu não lembrei de tudo naquele momento, mas foi ali que tudo começou a ficar claro. Nos dias que se seguiram eu me ocupei em chegar à cidade mais próxima e conforme eu avançava pela estrada eu avançava também nas minhas memórias."
"Eu demorei quase um mês até encontrar você e os meninos morando aqui, sempre tomando o cuidado de me esconder. Eu não tinha a mínima idéia de como estava o mundo mágico após a derrota do Lorde e não podia colocar vocês em perigo de maneira alguma."
- Há quanto tempo você vem nos observando?
- Bastante. Estive escondido na Casa dos Gritos. Era um bom lugar para me esconder e assim eu poderia ver você e Brian e também acompanhar Sean na escola.
- Quanto tempo mais você pretendia se esconder?
- Um pouco mais. Mas Sean acabou me vendo ontem no povoado e eu resolvi adiantar as coisas.
- Você tem noção do quanto foi difícil pra ele isso tudo?
- Gina, eu...
- E pra mim? E pro Brian? Ele nem ao menos lembra do rosto do próprio pai.
- Eu não quis que fosse assim, Gina. Eu juro.
- Eu não sei o que você queria com isso tudo Harry, mas a última coisa que você conseguiu foi nos proteger.
- Eu achei que estivesse fazendo a coisa certa.
- Mentira. Fala porque você não apareceu antes. Fala pra mim agora.
Gina sabia o que ele ia dizer. Ela mesma poderia ter dito, mas faltou coragem. Ela iria magoá-lo, era óbvio. Mas ela precisava ouvir a verdade.
- Malfoy. Foi por causa do Malfoy que eu não apareci antes.
- Por que você não impediu que a gente ficasse junto?
- Porque você parecia feliz. Porque eu não sabia de que lado ele estava. Porque eu não podia arriscar aparecer e estragar tudo.
- E agora, o que a gente faz? – perguntou Gina já sem conter as lágrimas.
- Você é quem decide. Eu acho que não estou em condições de exigir nada.
O silêncio entre os dois era tão incomodo que Gina achou que de repente sua sala de estar houvesse encolhido. Ou será que era a responsabilidade que a estava sufocando?
- Eu e os meninos vamos passar o natal na casa do Draco. Mas você já devia saber disso.
- Eu pensei que vocês fossem pra Toca. Como em todos os anos.
- Esse ano é diferente. Eu não posso simplesmente arrastar o Draco e os filhos dele até a Toca, você sabe.
- Claro. E quando é que eu vou poder encontrar com os meninos? Eu sinto a falta deles.
- A gente tem que pensar nisso com cuidado, não é? Talvez seja melhor eu conversar com eles antes, não sei.
- Tudo bem. – concordou Harry tristemente.
- Não vai demorar, prometo. Eu quero isso tanto quanto você.
Harry apenas concordou com um aceno de cabeça e pegou um biscoito na bandeja que Gina havia trazido.
- Senti falta dos seus biscoitos. – comentou ele.
- Ah vamos, Harry. Eles nem são tão gostosos assim.
Os dois se entreolharam e se permitiram brindar aquele momento com risos. Tantos anos separados esperando por aquele dia e tudo tinha sido tão diferente.
- Acho melhor eu ir embora, então.
- É. Os meninos podem voltar a qualquer momento.
Gina levantou para levar a bandeja de volta à cozinha enquanto Harry tornava observar as fotos dos filhos.
- Escolha uma. – pediu ela.
- Como?
- Leve uma foto deles. Qualquer uma.
Harry escolheu uma foto que Gina tirara dos filhos num parque de diversões em Londres e depois os dois caminharam em silêncio até a porta da frente.
- Obrigado pela foto.
- Não foi nada Harry. Elas são suas também, afinal.
- Até mais, então?
- Até mais.
Gina se adiantou para abraçá-lo, mas Harry foi mais rápido e a beijou. Um beijo infantil, meio no rosto, meio nos lábios, mas que foi o suficiente para fazer a ruiva corar até a raiz dos cabelos.
- Feliz natal, Gina.
- Feliz natal, Harry. – murmurou Gina antes de fechar a porta.
N.A: PC novo, capitulo novo.
Espero que vocês tenham gostado.
Eu tô pensando aqui no final da fic, que já ta chegando. Da primeira vez que eu escrevi a fic eu era fã de H/G então no final ela ficava com o Harry. Mas agora eu sou fã de D/G então eu prefiro que ela fique com o Draco.
Agora é com vocês. Deixem reviews me dizendo com quem vocês acham que ela deve ficar e a partir daí eu posto o final.
Beijo pra todos que lêem a fic e REVIEWS please. Vocês não sabem como é bom recebê-las.
