As crônicas de Sesshoumaru
Por Amanda Catarina
Inuyasha e personagens pertencem à Rumiko Takahashi.
Capítulo 14: Festival
Uma vez mais o vilarejo se achava todo enfeitado com a tradicional decoração de seu festival anual, evento este que atraía muitas pessoas. Barracas de doces e de brincadeiras, rodas de dança, música animada, caracterizavam a festança.
Rin, Kohaku e Shippou sempre aguardavam ansiosos por esse dia, e eis que eles chegavam, acompanhados de seus responsáveis, ao local onde tudo acontecia. Por onde passavam deixavam a todos impressionados por conta de seus belos trajes.
Kagome, Rin e Yeda estavam com vestes similares, diferindo apenas nas estampas, eram furisode - quimonos típicos de jovens solteiras, caracterizados pelas mangas alongadas, estampas grandes e com cores vivas. Sango, por já ser casada, usava um tomesode - essepossui estampas só na parte inferior e mangas justas -,a senhora Kaede também usava um tomesode, que é mais apropriado para mulheres de mais idade, casadas ou não. Os homens estavam todos com quimonos monocromáticos e hakama - que é um tipo de calça pregueada.
Crianças corriam, gritavam e brincavam contentes e apesar da neblina, muitas lanternas iluminavam a noite. Os dois casais, Inuyasha e Kagome, Miroku e Sango, optaram pelas barracas de doces e os jovens não perderam tempo: correram as de brincadeiras.
– Não se afastem muito - recomendou Yeda.
Passado um tempo, Sesshoumaru, com Jaken a seu lado, acompanhava Rin numa barraca de bolhas d'água. Essa é uma brincadeira em que os participantes tentam alçar de um tanque de água uma bolha na qual é presa uma argola, usando um gancho preso a um cordão. O prêmio é a própria bolha que é bem bonita e colorida; a dificuldade está no fato de que, devido ao peso da bolha, o cordão normalmente se rompe. Rin estava agachada junto ao tanque, empenhada em conquistar uma determinada bolha, com as mangas do quimono erguidas de modo que pudesse manusear melhor o cordão com o gancho. Deveras muito graciosa aos olhos do youkai branco.
Claro que estar rodeado de humanos, dos quais muitos o olhavam com desconfiança, era algo bem pouco aprazível para Sesshoumaru, contudo, poder ver Rin tão contente e risonha compensava tal enfado. Recostando-se àquela mesma grade, ele correu os olhos ao redor.
Não muito distante de onde estavam, o restante do grupo desfrutava da festa que chegava a seu auge. Reparou que Inuyasha e a companheira trocavam carícias, enquanto o monge e sua esposa alternavam-se no cuidado de seus filhos. Mais adiante, estava a senhora Kaede, assentada em uma roda, conversando com alguns anciões e bebendo sake. Yeda estava próxima a ela, com um ar distraído.
Apercebendo-se então que somente o pequenino youkai raposa estava junto de Rin, procurou por Kohaku, avistando-o logo em seguida. Este conversava com uma jovenzinha com a qual já o vira outras vezes. Atentou-se a expressão de contentamento dele e esboçou um sorriso, apreciando a situação. Simpatizava com Kohaku, pois ele o respeitava muito e quando Rin era bem mais nova e Naraku uma ameaça, por diversas vezes ele o ajudou a protegê-la. No entanto, a medida que Rin se tornava uma moça, adquiria certa insegurança em relação a Kohaku, receoso que ele manifestasse o desejo de se casar com ela.
Meneou a cabeça em negativa. Rin já contava com treze anos, em mais um ou dois anos ele próprio poderia desposá-la - e era precisamente o que tinha em mente. Não ignorava a cumplicidade que existia entre Kohaku e ela, mas estando sempre atento ao modo como os dois se tratavam, supunha que a relação deles fosse mais fraterna, e o fato de Kohaku estar demonstrando interesse em outra menina dava respaldo a essa sua suposição.
Ainda tinha os olhos fixos no humano, quando percebeu Yeda se afastando daquela roda de anciões. Estranhou aquilo e a acompanhava com os olhos, quando Rin o chamou, desviando assim sua atenção.
– Senhor Sesshoumaru, o senhor poderia nos acompanhar até uma das barracas de doce agora?
Ele assentiu com um gesto, constatando que ela não conquistara o almejado prêmio, mas nem por isso aparentava tristeza. Seguiram de lá então.
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Rin tinha dado uns poucos passos em direção às barracas de doce, quando, enfim, deu por falta de Kohaku e Yeda.
– Kohaku estava conversando com aquela amiga dele do vilarejo. Quanto a Yeda, não sei aonde foi - reportou o youkai branco.
Ela o encarou com um ligeiro desapontamento, mas logo retomou as passadas, Shippou e Jaken seguiam a seu lado e Sesshoumaru vinha mais atrás. Apesar desse desencontro, estava sendo uma noite bem divertida; era ótimo poder desfrutar do festival ao lado de seu mestre. Sorria sozinha quando uma criança trombou em suas pernas.
– Opa! Cuidado baixinho.
– Não sou baixinho! - devolveu o menino e, mostrando-lhe a língua, saiu correndo.
– Que mal educado! - bronqueou Shippou, mas Rin apenas deu de ombros.
– Ó não! - exclamou de repente o raposinha. – Esqueci minhas moedas com a Kagome. Vão indo na frente que eu já volto! - disse e saiu apressado.
– É um avoado - zombou o youkai sapo.
– E quanto a você, senhor Jaken? - replicou Rin, mas apenas para provocá-lo, pois pensava em comprar para eles dois.
– Ah! Eu deixei as minhas com a senhora Kaede!
O sapinho saiu correndo tão apressado também que ela nem teve tempo de dizer nada. Olhava na direção em que ele sumira, mas ao perceber que o youkai branco a olhava, com um sorriso nos lábios, enrubesceu.
Num impulso, deu as costas a ele, sentindo o coração disparado no peito. Antes não ficava tão acanhada assim na presença dele, mas, ultimamente, estava sendo difícil evitar isso. Acontecia que a grande admiração que sentia por ele, começava a ganhar as nuanças de uma paixão. Sim, apaixonava-se irresistivelmente e isso a angustiava, pois não ignorava o fato de serem de espécies diferentes.
Quando mais nova, sempre se imaginava ao lado de Sesshoumaru, sonhava que ele seria seu noivo, mas, conforme os anos passavam, precisava encarar a realidade de que ele era um youkai e ela uma humana, e que um relacionamento entre eles seria, no mínimo, algo fora do comum, e embora ele sempre tivesse cuidado dela e a protegido, isso não significava que iria corresponder seus sentimentos.
Mesmo assim, não abandonava a esperança de ser correspondida algum dia e o fato de ele nunca ter demonstrado interesse em alguém, alimentava essa singela esperança.
– Algum problema, Rin? - ele a tirou dos devaneios.
– Não! - exclamou e ainda sem olhá-lo, seguiu adiante.
Comprara seu doce, degustara-o todo e nada de Jaken e Shippou voltarem. Começava a se sentir desconcertada - por estar a sós com o youkai branco, que se mantinha em silêncio ao seu lado -, quando o brilho de um vaga-lume chamou sua atenção.
Virou o rosto, buscando o tal brilho e depressa imaginou que o arredor da lagoa próxima devia estar cheio deles. Num rompante de curiosidade, simplesmente começou a andar, mas se deteve ao ouvir o mestre perguntar:
– Rin, aonde vai?
Voltou-se a ele, um tanto sem jeito e se explicou, apontando uma direção:
– Deve ter vaga-lumes ali...
Ele franziu o cenho, mas fez um gesto em assentimento, então seguiram ao local. Conforme se aproximavam, atravessando alguns arbustos, ouviam vozes e risos de crianças. Ao chegarem à borda da lagoa, defrontaram-se com um lindo espetáculo da natureza: uma nuvem dos insetos luminosos, pouco acima do espelho d'água, que refletia uma lua semi-encoberta por algumas poucas nuvens.
Deslumbrada, Rin foi se achegando à borda, Sesshoumaru estava logo atrás dela. Parando, ela ficou a contemplar os exóticos insetos.
– Não vai molhar seu quimono estando tão perto da beira? - alertou ele.
Como quem tivesse sido tirada de um transe, ela girou nos calcanhares na intenção de se justificar, mas achando ter visto um bicho junto ao pé, desequilibrou-se, agitando os braços no ar. O tombo era eminente, mas, numa fração de segundo, sentiu um tranco na cintura e quando deu por si, foi agarrada por Sesshoumaru.
Não devia ser fácil para ele segurá-la tendo um só braço e estando ela com um traje tão volumoso. Talvez tenha sido por isso que ela, ainda não se sentindo plenamente segura, tenha se agarrado ao quimono dele.
Olharam-se. Ela até ofegava de susto, porém ele acabou rindo. Foi uma risada espontânea e inebriante.
Por alguns instantes, Rin apenas o admirou, fascinada, mas então enrubesceu violentamente, ao se acercar que ainda estava com o corpo colado ao dele. E seu rubor ainda se intensificou quando ele, erguendo-a do chão, girou com ela para o outro lado, colocando-a a salvo por fim.
– Não se machucou? - ele perguntou, soltando-a cuidadosamente.
– Não, graças ao senhor... eu pensei... ter visto um rato - respondeu baixo e abaixou a fronte. – Desculpe por lhe causar tantos problemas, senhor Sesshoumaru.
Sentiu ele se aproximar novamente e estremeceu inteira. Ele levantou seu queixo, obrigando-a a encará-lo, e depois pousou a mão em seu ombro, então fitou demoradamente seus olhos.
– Que bobagem é essa agora? - devolveu ele. – Você nunca me causa problemas.
O tom fora brando, porém seu olhar era perturbador como brasa. Rin sentiu que o coração acelerava como nunca antes e que seu corpo, que ainda não parara de tremer, esquentou muito devido à proximidade. Entretanto, não deixou de sustentar o olhar dele nem por um instante, num misto de fascínio e abalo, enlevada com sua beleza.
O tempo parecia ter parado e era como se a única coisa que fazia sentido no mundo fosse o contato de seus olhos. Ela tentava desvendar o semblante indecifrável dele, mas ele acabou virando o rosto e logo se afastou. O calor que a aquecia, foi escapando de si vertiginosamente, à medida que ele se afastava. Sentiu-se desalentada, ainda que a distância surgida entre eles não fosse maior que alguns passos.
– Vamos voltar para junto dos outros? - ele sugeriu, o tom sereno de sempre, como se nada demais houvesse acontecido.
Ela assentiu com um gesto de cabeça e deixou que ele fosse na frente.
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Já fazia algum tempo que Sesshoumaru e Rin tinham retornado para perto dos amigos, porém Yeda ainda não estava entre eles. Rin estava discutindo com Jaken que, em virtude de um excesso de sake, não dizia coisa com coisa.
Tendo farejado o cheiro da youkai lobo, Sesshoumaru se apartou um pouco de seus protegidos e veio de encontro a ela.
– Por onde esteve? - questionou ele, recebendo apenas um olhar desconcertado como resposta. – Parece aflita, aconteceu alguma coisa?
– Não... - falou evasiva. – Já é tarde, acho melhor irmos embora.
– Podemos ir, mas responda minha pergunta antes.
– Vamos, chame a Rin - ela desconversou e saiu de lado.
Se ele já tinha estranhado o comportamento dela antes, nessa hora mais ainda.
Pouco depois, o grupo seguia por uma estrada de terra, Sesshoumaru à frente, Yeda por último. Com exceção destes dois, os demais cantavam animados e descontraídos. Sesshoumaru julgava atípica a quietude de Yeda e apesar de até se sentir intrigado com isso, o ocorrido à beira da lagoa teimava em ocupar toda sua mente.
Esteve a um triz de beijar Rin e se repreendia por isso. Almejava e muito conhecer a textura daqueles lábios tão castos, mas sabia que se tivesse ido adiante naquele momento, certamente, teria deixado-a abalada e assustada, e definitivamente não queria isso. Por mais que, a cada dia, se tornasse um suplício esconder seu amor por ela, precisava ser mais paciente.
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Quando o grupo chegou à mansão, as mulheres se separaram rumo às suas respectivas alas, mas os rapazes ainda estavam exaltados demais para dormir. Assim, eles permaneceram no pátio e mesmo que Yeda tivesse pedido que não se demorassem ali, não lhe deram ouvidos e ficaram cantarolando por um bom tempo ainda.
Tendo acompanhado Rin até o quarto dela, Sesshoumaru, postado à porta, se despedia.
– Foi uma noite bastante agradável - comentou ele.
– Foi mesmo, senhor Sesshoumaru. Muito obrigada! - sorriu sincera.
Subitamente, ele tomou a mão dela e, sem aviso, beijou-lhe a mão.
– Tenha um bom sono, minha querida.
Desconcertada, Rin estremeceu inteira e suas orelhas arderam de vergonha. Tombou a cabeça para baixo, para ocultar a face corada, e murmurou:
– O senhor também.
Soltando vagarosamente a mão delicada, ele se voltou para encaminhar-se ao próprio aposento, mas, tendo se afastado só um pouco, falou ainda:
– Você não reparou nada estranho com Yeda hoje?
– Com a senhorita Yeda? - devolveu ela, fitando as costas dele. – Não, por que?
– Então deve ter sido impressão minha... Vou dar um jeito nessa barulheira no pátio para que possa dormir tranquila.
– Sim, senhor Sesshoumaru. Obrigada.
Um tanto depois, já acomodada, Rin se sentiu invadida por uma certa preocupação e cogitou ir à ala de Yeda, mesmo sendo tão tarde. Além de tentar descobrir alguma coisa, poderia relatar a ela as emoções que vivenciara naquela noite ao lado de seu adorado mestre.
Mas devido à exaustão de uma noite tão agitada, mesmo a contra-gosto, acabou cerrando os olhos e adormeceu logo em seguida.
CONTINUA...
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Não, eu não desisti da fic, gente! Sei que demorou muito desde a última atualização, tentei postar um capítulo antes do ano novo mas não teve jeito. Torço para que não desistam de acompanhar. ^_^
Esse capítulo foi praticamente todo inédito. Betagem da Hinalle. Muito obrigada, minha baby querida! E para quem questionou a idade da Rin, agora ficou esclarecido: 13 anos.
Por fim, agradeço muito a todos que estão acompanhando! Um ótimo começo de ano pra vocês! =^.^=
