Esta é a continuação do capítulo 13. Para vocês terem uma idéia, a média
dos meus capítulos estão entre 8 e 10, no máximo, no máximo 12 páginas.
Dessa vez, mesmo dividido em dois, cada capítulo deu 18 e 17 páginas. Será
que tudo isso é inspiração? Não... Eu acho que não. Mas espero que gostem
:) Hm... aviso previamente que contém um pouco de hentai, ou lemon, sei lá
qual a diferença. Se não gostam, pulem as partes que começarem a ficar um
pouco mais "calientes", ok? :P
Capítulo14: Desenlaces (parte 2)
***
Haruka olhava com carinho para aquela menina. Sim, já conhecia aquela história: a filha que se sentia só... Era quase idêntica à história de Michiru, tirando o fato de que a mãe de Hotaru havia morrido e a mãe de Michiru apenas não lhe dava a atenção merecida. Era fácil para ela compreender pelo o que passava a doce Hotaru e sabia que se alguém não conseguisse compreendê-la a tempo ela acabaria se tornando fechada para o resto da vida.
Quando Hotaru terminou sua narração, Haruka não se pronunciou e a menina abaixou a cabeça, como se tentando se recompor. Talvez Haruka achasse que sua história fosse de uma menina mimada que precisava da atenção dos pais vinte e quatro horas por dia, mas não era isso e ela sinceramente esperava que Haruka não a entendesse mal.
Mas para sua surpresa, Haruka não disse nenhuma palavra de crítica para ela. Em vez disso, ela apenas tocou o rosto da menina levemente com as pontas do dedo, chamando a atenção dos olhos surpresos de Hotaru. Haruka sorria.
_ Parece que há muito tempo que você não recebe um carinho, certo? – perguntou ela com delicadeza. Hotaru balançou a cabeça levemente em afirmação. – Nem um namorado? – perguntou em certo tom brincalhão, mas se arrependeu, pois Hotaru desviou o rosto da mão dela. – Desculpe-me, acho que fui inconveniente. – disse realmente arrependida. Hotaru olhou-a novamente.
_ Desculpe-me, Haruka. É só que... – disse Hotaru meio vacilante – É só que sendo fechada como sou... Os garotos normalmente não se aproximam de mim, me acham estranha e isso dói. – Hotaru parecia não reclamar de não ter um namorado, mas de ser rejeitada pelas pessoas. E Haruka já conhecia este sentimento, quando conheceu Michiru ela sentia-se exatamente assim.
_ Tão bela e doce... Acho que os garotos de hoje em dia estão com algum problema. – disse Haruka tentando descontrair o ambiente. Hotaru olhou-a novamente surpresa e com as faces rubras. Haruka encarou aqueles olhos que começavam a brilhar e lembrou-se de novo de Michiru. Não conseguiu resistir e aproximou seu rosto lentamente do de Hotaru, que arregalou os olhos com a proximidade. Eram só as duas na mesa, Ana ainda estava no parque, e Haruka aproximou-se o suficiente para tocar levemente os lábios de Hotaru com os seus. A menina não se afastou, mas ficou estática.
Haruka percebeu o que fizera e se distanciou, mas não com pressa. Olhou docemente para Hotaru, como se estivesse vendo Michiru à sua frente e sorriu lindamente.
_ Perdoe-me, Hotaru. Não quis ofendê-la. – disse Haruka polidamente. Um misto de culpa e de saudade misturados em sua voz. Hotaru não se ofendeu, pois também sorriu para Haruka. Proferindo algo que Haruka não esperava.
_ Está tudo bem, Haruka... chan... – disse sorrindo linda e calmamente – Eu sei que este foi um beijo de irmãs. – Haruka arregalou os olhos, realmente arregalou-os. Não dera um beijo apaixonado em Hotaru, mas o beijo que dera não fora com a intenção de uma irmã e sim de uma amante saudosa da sua. Mas na inocência de Hotaru – uma inocência tão nítida que chegava a ser perigosa para uma menina de já dezesseis anos – Haruka percebeu que a menina realmente sentira aquele como um beijo de irmãs, de amigas, de amigas muito queridas que pareciam realmente irmãs. E um estalo lhe veio a cabeça.
Será... Será que todo este tempo Michiru estivera certa? Certa quando dissera que Haruka lhe era apenas como uma irmã que supria a necessidade de carinho que ela precisava ter dos pais? Será que tudo o que achou sentir pela mulher fora apenas amor de irmã? Mas era tão estranho! Como poderia isso acontecer? Já ouvira falar do Complexo de Édipo (*), mas isso era entre pais e filhos... Não tinha nada a ver com a situação.
Mas... Agora que isso novamente acontecia... Agora que olhava para aquela menina e via Michiru nela, percebia... Percebia com tanta nitidez que parecia mentira... Mas realmente, pela primeira vez na vida, duvidava que seu amor por Michiru fora de amantes. E isso a assustou.
_ Haruka, disse alguma coisa errada? – disse Hotaru preocupada ao ver o olhar confuso da mulher ao seu lado na mesa – Não gostou de ter te chamado de Haruka-chan?
Diante do apelido, novamente Haruka olhou para Hotaru e não via mais Michiru ali, apenas Hotaru. E percebia como sentia pela moça algo parecido com o que sentira por Michiru. Se não fosse pela pouca convivência achava que viria a gostar dela como gostava de Michiru. E isso a fizera ficar ainda mais confusa. Se ela realmente amava Michiru como mulher, como poderia vir a gostar de outra tanto quanto gostava da primeira?
Eram tantas dúvidas, tantas lembranças mal resolvidas, que o problema que tinha para resolver com Makoto tinha sumido totalmente de sua cabeça. Viu- se levantando em um impulso da mesa.
_ Haruka! Desculpe a demora. – disse Makoto chegando ao lado de Haruka ao mesmo tempo em que esta levantava. Haruka olhou-a meio aturdida, como se tentando se lembrar do que viera fazer ali. Hotaru permaneceu em silêncio, com a ligeira impressão de que não fora a culpada por fazer Haruka se sentir assim, mas não com plena certeza.
_ Ahn... Olá, Makoto. – disse Haruka vacilante. – Desculpe-me fazê-la vir aqui, mas acho que preciso ir embora. – disse colocando uma das mãos na testa.
_ Está tudo bem, Haruka? Está passando mal ou algo do tipo? – perguntou Makoto preocupada. Haruka olhou-a.
_ Não, não... Estou bem... Só... Só um assunto mal resolvido que lembrei agora. – disse Haruka, o que não era mentira. Makoto achou melhor não perguntar do que se tratava.
_ Bom... Tudo bem... Eu já entendi mais ou menos qual é o seu problema e vou pesquisar um pouco sobre isso. Mais tarde eu te ligo, tudo bem? – disse Makoto ainda preocupada. Haruka não parecia prestar muita atenção nela.
_ Está... Está tudo bem, obrigada. – disse Haruka com um sorriso vacilante. Antes de se virar para sair do local olhou novamente para Hotaru, sorrindo um sorriso triste. – Obrigada, Hotaru-chan. – E saiu.
Makoto olhou confusa para Haruka partindo rapidamente dali e voltou seu olhar para Hotaru, se surpreendendo. A sua frente... Hotaru esboçava o mais sincero sorriso que ela já tinha a visto sorrir... E como era bonito.
_ Mamãe! – disse Ana vindo correndo ao encontro de Makoto. Fazendo a mulher voltar sua atenção para ela, pronta para pegá-la no colo.
_ Ana! Como vai minha pequenina? – disse pegando a menina no colo. Ante a visão bonita de encontro de mãe e filha, Hotaru ainda se mantinha olhando para o local por onde vira Haruka sair. Ainda com o sorriso esboçado no rosto.
"Obrigada, Haruka-chan. Obrigada por me fazer ver que não estou sozinha". Agradeceu a menina em pensamento.
***
Era um dia cansativo e ao mesmo tempo muito demorado. Rei não via a hora de poder sair da empresa aquele dia, algo não muito comum, para alguém que ficava até altas horas trabalhando por gosto. Mas aquele dia era especial, iria encontrar Kaidou, ah... Kaidou. Rei não sabia desde quando gostava dele, achou que o amor tinha morrido, mas foi só ele voltar para ela ficar sonhando com ele. Seu príncipe encantado, o cavalheiro e o homem inigualável que ele era para ela. Por mais que todos implicassem com ele, ele ainda assim a encantava. E como encantava.
Em compensação aquele maldito Kumada...
Aquele homem irritante, preguiçoso, mulherengo, sarcástico, o pesadelo de toda mulher! Não sabia como não o tinha demitido ainda, era de tanta insistência de Phobos, é... Só podia ser isso.... Oras...! Mas que droga? Por que diabos tinha que comparar os dois? Não tinha nada com Kumada, nunca teve, nunca teria! Aquele crápula! Deviam era implicar com ele e não com o amabilíssimo Kaidou. Um dia eles iam perceber o quanto Kumada não prestava.
E por falar na peste...
_ Senhorita Hino, tenho alguns documentos para você assinar. – disse Kumada depois de bater na porta, era quase seis horas e Rei amaldiçoou-o por incomodá-la quase no fim do expediente. Mas expediente era expediente e ela devia era agradecer por aquele inútil estar trabalhando.
Kumada colocou os papéis em cima da mesa e se sentou ao lado, enquanto esperava que ela lesse e assinasse. Rei leu parte dele e logo se dirigiu ao rapaz.
_ Por que não está completo este relatório, Kumada? – perguntou diretamente ao rapaz. Yuuichirou viu que não podia enrolar muito para falar sobre aquele assunto, era algo que o estava preocupando muito.
_ Phobos e eu suspeitamos que há alguém se infiltrando nos computadores financeiros da empresa. Fiquei com medo de colocar algum dado aí que pudesse ser copiado depois. – Rei ficou séria. Por mais que estivesse pensando em sair com Kaidou, devia seguir o conselho de Makoto e se preocupar com sua empresa. E este assunto, com certeza, a preocupava.
_ O que está acontecendo? – perguntou ela, colocando os dois cotovelos em cima da mesa e cruzando os dedos da mão, em pose de concentração.
_ Não sabemos direito. Mas eu e Phobos somos os únicos que temos acesso ao computador central das finanças, lá estão o preço dos contratos e o pagamento destes. Caso alguém mexa ali e você sabe o que pode acontecer. – disse ele, impressionantemente, sério. – No entanto, há alguns dias que tenho a ligeira impressão que os documentos estão sendo acessados, entre um e outro fato, já encontrei papéis imprimidos e disquetes no computador. Além disso, hoje fui na sala de comando e encontrei o computador ligado, enquanto a porta lateral estava entreaberta. Tive certeza que alguém saíra correndo de lá.
_ E o que ele estava vendo no computador central? – Rei estava ficando preocupada, sua empresa lhe era demasiada importante para que deixasse um espião ao bel prazer ali.
_ Arquivos de acesso restrito. Que nem eu tenho a senha, apenas Phobos. Uma conta interna de banco aberta no site, como se alguém estivesse prestes a sacar alguma coisa. Além de que alguém parecia estar remexendo nas gavetas da sala, procurando algo. – Rei pareceu perceber algo, seus olhos arregalados. Com certeza alguém estava atrás das ações da empresa! Kami seja louvado, ela havia deixado-os em casa, a conselho de Phobos.
_ Isto é muito sério Kumada. Mais alguém sabe disso? – perguntou sem olhá- lo, mantendo seus olhos fixos em papéis em cima de sua mesa.
_ Só Phobos... Foi ele que me alertou para ficar de olhos abertos. – disse ainda em tom sério. Será que devia contar o que suspeitava? Provavelmente ela iria ter um ataque de raiva. Rei pareceu perceber a hesitação do rapaz, algo nada normal dele, e perguntou.
_ O que está pensando, Kumada? – perguntou em tom desconfiado. Yuuichirou sabia que não adiantava esconder o fato da aguçada percepção de sua bela patroa.
_ Desconfio de alguém. – disse pura e simplesmente. Rei olhou-o nos olhos, procurando algum traço de mentira, procurando o nome de quem ele suspeitava. E encontrou, ficando, como suspeitara Yuuichirou, extremamente irritada.
_ Oras, Kumada! Não me venha com essa história de que acha que Kaidou é o culpado! – disse com raiva. Encostando-se de súbito no encosto da poltrona.
_ E quem mais podia ser, Hino? – perguntou ele com o mesmo tom de raiva. Rei olhou-o, seus nervos à flor da pele. Por que ele insistia com aquela história? Levantou-se irritada, caminhando ao lado de sua mesa, em nítido nervosismo.
_ Não entendo por quê você e Phobos continuam a desconfiar de Kaidou! – disse ela nervosa – Ele sempre foi meu amigo, cuidou de mim quando perdi minha mãe! Não há por quê desconfiar dele! Seria muito mais aceitável se eu desconfiasse de você! – olhou-o acusadoramente – Que é um inútil e que só me dá trabalho! – Kumada se levantou, com nítida raiva. Chegando perto dela.
_ Oras, Rei! Só porque brinco com você não quer dizer que queira te roubar! Achei que já soubesse que não preciso de dinheiro! – não era o que queria dizer, não gostava de ficar se exaltando porque tinha dinheiro, mas era o que aquela pirralha precisava ouvir.
_ Claro que não precisa! Pra você só é necessário boa vida: comida na mesa e mulher na cama! – disse e levantou-se para encará-lo nos olhos, os seus em chamas. Os rostos muito próximos, em provocação, um do outro. Kumada não deixou por menos.
_ Como é?! Só porque eu consigo ter um relacionamento descente com uma pessoa, não precisa ficar com inveja porque você não tem isso! – disse em deboche. Sabendo que sua chefe não costumava sair com muitos homens.
Não devia ter falado aquilo.
_ O que disse?! – Rei bufou em fúria – Está me dizendo que não atraio nenhum homem?! – Kumada sorriu cínico, olhando para o belo corpo da mulher de belas curvas, saia curta... e aquelas pernas que o deixavam louco.
_ Não foi isso que quis dizer... – disse ainda sorrindo, malicioso. Rei ficou rubra de vergonha e não se conteve. Lascou um tapa no homem, que ficou de boca aberta.
_ Seu assanhado, tarado! Tenha mais respeito pela sua chefe! – disse olhando-o com raiva. – Ponha-se no seu lugar!
_ Se meu lugar for a sua cama... – disse provocativo. Atiçando a raiva da mulher novamente.
_ Ora...! – e Rei levantou a mão novamente, prestes a desferir-lhe um outro tapa. Mas dessa vez Kumada foi mais rápido e segurou o pulso dela, fazendo- a encará-lo com mais ódio.
_ De novo não... – e dessa vez o rapaz não se conteve como da última. Yuuichirou, com rapidez, acabou com o espaço que o separava da boca da patroa nervosinha. Enquanto a prensava contra a parede atrás dela.
Rei, por sua vez, arregalou os olhos, cheia de fúria. Tentou acertá-lo com o outro braço, mas ele já havia imobilizado este também. Tentou chutá-lo em suas partes íntimas, mas o espaço entre seus corpos era nulo, impedindo tal movimento. Abriu a boca, para gritar, protestar, seja lá o que pudesse fazer, mas isso só foi um grande erro. Yuuichirou aproveitou a brecha e enfiou sua língua na boca da mulher, com um desejo que até para ele era inédito.
Rei, impossibilitada de qualquer movimento de seu corpo, só fez a única coisa que conseguiu no momento, mordeu a língua do homem com toda força que conseguiu. Fazendo-o gemer de dor e retirar sua boca da dela.
_ Isso é pra você aprender a não... – enquanto proferia toda sua raiva, Yuuichirou simplesmente fez uma careta e antes mesmo que ela conseguisse dizer toda a frase, lascou outro beijo naquela boca que fazia seu corpo arder de desejo.
Rei esperneava, ou ao menos tentava fazer isso, mexia a cabeça, tentando se soltar. Mas nem ela, a mais arisca das mulheres, na opinião de Yuuichirou, conseguia resistir ao desejo que aqueles lábios estavam começando a fazê-la sentir. E foi com extrema surpresa, e satisfação, que Yuuichirou viu seu beijo começando a ser devolvido com a mesma intensidade e prazer que ele sentia.
A garota foi cedendo aos poucos, e Kumada não via mais necessidade de prender os braços dela. Mas por precaução, foi afrouxando aos poucos... Para o prazer de Yuuichirou, Rei, ao ver seus braços sendo libertados, envolveu o pescoço do rapaz, fazendo do beijo um pouco, ou muito, mais ardente.
O desejo chegava a ser insuportável, Yuuichirou nunca fora beijado daquela maneira, e que maneira! Rei também se via numa situação nova, de todos os homens que já beijara, aquele estava provocando sensações indescritíveis. Atiçando, a cada movimento – seja das mãos na sua pele, ou da língua em sua boca – todo o corpo dela. Qualquer preocupação esquecida, qualquer "homem de nome Kaidou" esquecido, o torpor que se encontravam era suficientemente grande para fazê-los se esquecer do mundo.
Mas um beijo daqueles não tinha só o poder de agradar e Kumada já sentia uma certa pressão entre suas pernas. Rei notou isso, mas invés de se irritar, só funcionou para intensificar seu próprio desejo. Aquele homem, que lhe era tão detestável, estava sendo capaz de algo que outros homens só conseguiram depois de vários meses de apenas alguns beijos. E Rei não se sentiu nem um pouco tentada a colocar entre eles seja um mês, ou até um dia, para que ela se entregasse àquela situação.
Yuuichirou também percebeu o desejo que provocara em Rei e não perdendo a chance, começou a abrir a blusa da mulher, enquanto beijava seu pescoço com luxúria. Rei não deixou por menos, e colocou uma de suas mãos na perna do rapaz, próximo a virilha do mesmo, fazendo o desejo dele se transformar quase em loucura.
Kumada não conseguia mais se controlar e com uma permissão tão nítida quanto esta que Rei lhe dera, não teve a mínima sutileza para tirar a blusa da moça, deixando os seios dela apenas protegidos pelo sutiã. Por sua vez, Rei achou injusto que só ele se aproveitasse da situação e começou a arrancar a camisa azul que ele vestia, com toda pressa que a situação lhe "obrigava" a ter.
Estava demorando demais, nenhum dos dois estava com, ou tinha, paciência suficiente para preliminares ou até mesmo se encaminharem, ao menos, até o sofá da sala. Yuuichirou começou a abrir o zíper da saia de Rei, enquanto ela fazia o mesmo com a calça dele.
E foi ali mesmo, levantando Rei do chão, enquanto esta enlaçava o quadril do rapaz, que este a possuiu, com todo desejo e necessidade que tinha daquele corpo. Um sentimento um tanto quanto recíproco.
***
Haruka partiu sem, ao menos, se lembrar do porquê estar ali. A verdade era que estava realmente perturbada. Se fosse verdade... Se aquilo que percebera segundos atrás fosse verdade... Não sabia o que pensar. Estava realmente confusa. Juraria para qualquer um amor incondicional por Michiru. Mas agora... Oras, ainda a amava! Isso era verdade e ninguém poderia dizer o contrário. Mas... Talvez o amor que sentisse por ela, fosse diferente do que imaginara sentir. E isso era assustador.
Entrou em seu carro e partiu a toda velocidade. O que precisava fazer agora era pensar, pensar no que seria agora de sua vida, sem uma razão aparente para viver. A corrida, seu trabalho e sua paixão desde menina, parecia não ter tanta importância agora. Resolveu ir a algum parque, algum lugar onde poderia relaxar, ou ao menos tentar.
Chegou em certo parque, um pouco retirado do centro, onde não houvesse muito movimento. Dirigiu-se até um banquinho, onde se sentou e apoiou a cabeça em seus braços, estes apoiados em seus joelhos.
O que tudo aquilo significava? Por que razão não percebera antes que seu amor por Michiru podia ser apenas entre irmãs? Por que era tão difícil assim? Por quê... Por quê...?
Uma lágrima rolou por seu rosto...
_ Eu... Isso... Não sei o que pensar... Não consigo! – outra e mais outra lágrima rolou por seu alvo rosto. Algo que não era nem um pouco comum. A última vez que chorara daquela maneira foi em sua infância, quando ocorreu aquela... Mas por que tinha que pensar nisso agora? Aquele era outro momento da sua vida que queria esquecer.
Lembrava-se de como ficou sozinha e desamparada depois que aquilo tudo aconteceu... Como foi horríveis os anos seguintes, viver nas ruas e depois no orfanato, não fora muito melhor do que era morar com a irmã e ele...
Os olhos de Haruka se contraíram... A lembrança daquele asqueroso homem vindo à tona, provavelmente pelo momento de fraqueza em que se encontrava. Aquele maldito... Aquele filho de uma p*** que desgraçou sua vida e da sua irmã... Sua querida irmã...
Seus olhos se arregalaram... Talvez fosse por essa razão... Talvez, é claro... Sempre teve a irmã que lhe protegeu quando perderam os pais. As duas se davam muito bem, eram mais que irmãs, eram verdadeiras amigas. A irmã quase quinze anos mais velha que ela, era como se fosse sua própria mãe, de quem se lembrava muito pouco.
Viviam em uma humilde casa, é claro. Mas viviam felizes. Até aquele maldito aparecer...
Sua irmã, sua querida irmã agora dividia o amor que tinha por ela com aquele homem. No começo até que o aceitou, parecia ser um homem amável e confiável... Mas como estivera enganada.
Contraiu-se no banco, levando as pernas de encontro ao corpo, encolhida. Suas lágrimas mais uma vez descendo por sua face. Quando tudo aquilo aconteceu ficou tão sozinha... Tão desamparada... Quando tinha dezesseis anos, por uma grande sorte, foi adotada, algo não muito normal, já que os casais preferiam crianças ainda bebês. Sua mãe adotiva dissera que fizera uma promessa de adotar uma menina e quando a conheceu, soube na hora que seria ela.
Recuperou-se um pouco do trauma que passara, seus pais adotivos a amavam muito e ela também sentia um carinho enorme por eles, no entanto... No entanto, nunca se esquecera da irmã. Foi aí... Foi aí que seu mundo pareceu voltar a brilhar novamente.... Brilhou sim... Brilhou quando a conheceu...
Brilhou quando conheceu Michiru...
Haruka sorriu ao lembrar-se da querida moça que conhecera na escola. Era uma escola rica, na verdade ela só estava ali porque seus pais adotivos conheciam o diretor e lhe deu uma bolsa. Lá estudava sua doce Michiru, a menina que conseguiu fazê-la sorrir novamente... Que a fez amar novamente...
"Era isso!" Concluiu Haruka um tanto quanto decepcionada. Como fora ingênua... Como não conseguiu enxergar...
Olhou para o céu... Os últimos pensamentos parecendo confusos demais...
Como não percebeu que o espaço ocupado por Michiru em seu coração... Era o mesmo que sua irmã deixou vazio...?
Haruka levantou-se do banco limpando as lágrimas que desciam por seu rosto com força. Olhou para frente, como se tomasse alguma decisão e seguiu em frente. Entrou em seu carro e voltou a dirigir pela cidade, desta vez não tão rapidamente como fizera da primeira vez.
Não queria ficar mais ali, queria conversar com alguém, desabafar... Não agüentava mais aquela agonia... Falar com quem? As meninas já estavam tão cheias de problemas que realmente não queria incomodá-las.
Subitamente um nome lhe veio na cabeça.
_ Será? – pensou.
***
_ Como estão, pequenas? – disse Makoto para as duas meninas. Ana em seu colo, enquanto Hotaru tinha um ar mais feliz do que costumava ter, se é que tinha alguma felicidade até então. Makoto estava louca para perguntar o que acontecera, mas achou melhor não. Parecia ser algo íntimo, que só aceitaria ouvir se Hotaru mesmo quisesse lhe contar.
_ Bem, senhorita. E o que houve para querer nos ver? – perguntou Hotaru.
_ Eu preciso fazer algo, Hotaru. Iria buscar Ana no hotel, mas Haruka me ligou. Então resolvi falar para Haruka trazer-lhe junto, você tem mais jeito com crianças que Haruka – riu um pouco – E eu também queria saber como você está depois que recebeu a notícia. – seu ar feliz sumindo por segundos, Hotaru também pareceu se lembrar.
_ Estou preocupada, Makoto-san. Muito preocupada. – disse dando um suspiro e logo olhando para a mulher mais velha – Mas confio em papai e Setsuna- san, sei que estarão bem. – disse com convicção. Makoto sorriu, Hotaru era uma menina muito madura para sua idade, isso podia ser bom, mas as vezes não. Resolveu que já era hora de fazer o que imaginara.
_ Escute, Haruka. Incomoda-se de voltar de táxi para o hotel? – perguntou Makoto – Eu realmente não queria ter te incomodado, mas realmente queria falar com você.
_ Está tudo bem. Posso saber o que pretende fazer? – disso com certa curiosidade. Makoto surpreendeu-se novamente, desde quando Hotaru se interessava assim pelas coisas? Devia agradecer Haruka, seja lá o que ela tivesse dito para a mocinha.
_ Resolver um assunto inacabado. – disse Makoto sorrindo serena. Hotaru pareceu compreender e acenou em positivo. "Essas mulheres e seus assuntos inacabados" não pode deixar de pensar Hotaru.
---
Como dissera, Hotaru foi para o hotel de táxi. Enquanto Makoto pegou Ana pela mão e resolveu ir à seu destino à pé mesmo, mais tempo para pensar no que iria dizer quando chegassem.
O caminho não pôde ser silencioso, a verdade é que Ana não se cansava de fazer perguntas para a mãe. Que, apesar do nervosismo, respondia de bom grado. Faltava pouco para chegarem, Makoto estava com o coração na mão, enquanto a pequena Ana nem desconfiava do que se passava pela cabeça da mãe.
E finalmente chegaram...
A sorveteria estava cheia, muitos garçons serviam os pedidos, enquanto Makoto olhava para todos os lados, procurando por alguém em especial.
E encontrou...
Dentro da sorveteria, sentado no balcão, perdido em pensamentos, estava Motoki.
_ Mamãe! – disse Ana – Aquele não é o moço bonito? – disse apontando para o mesmo local que Makoto olhava.
---
Motoki estava perdido em pensamentos, ainda não conseguia entender por quê Makoto escondera-lhe a verdade. Às vezes chegava a compreender, ao colocar- se no lugar dela até conseguia... Mas eram raros momentos e seu coração, seu coração de amante e agora de pai... Sofria com a verdade antes oculta.
Tão perdido em seus pensamentos que não ouviu alguém pronunciar seu nome. Era uma voz infantil, pedindo permissão a um dos garçons que lhe interceptara para falar com o "Senhor Motoki".
_ Oi! – disse uma Ana sorridente. Enquanto Motoki, antes perdido em pensamentos, pareceu reconhecer a voz ouvida apenas uma vez, mas gravada eternamente em sua alma, assustou-se e olhou, de olhos arregalados, para a pequena figura quase um metro abaixo de si.
_ O-oi... – disse vacilante.
De longe Makoto observava tal cena...
***
Rei estava ali já havia um bom tempo... O tempo esquecido por ela... E por ele...
Do momento anterior, só restara a respiração ofegante, a pele suada, o corpo cansado... Mas satisfeito...
Mas havia alguma coisa que Rei sabia estar esquecendo... Estava ansiosa à tarde inteira, esperando por algo... Um jantar... Um encontro... Kaidou!
_ Ah, meu Deus! – disse desencostando-se do corpo, igualmente cansado, de Yuuichirou, já que estavam sentados, corpos cruzados e nus no sofá, o segundo lugar que se dirigiram para continuar o que começaram na parede... O rapaz, que estava de olhos fechados, abriu-os surpreso e inquisitivos. Rei pareceu não notar.
_ Rei? – perguntou sem entender a afobação da moça. Está tentou achar o relógio, já tendo se levantado e recolhendo suas roupas.
_ Ai, caramba! Olha que horas são! Eu só tenho vinte minutos! – disse já terminando de se trocar, sem ao menos olhar para Yuuichirou, totalmente abobado com o súbito transtorno da mulher com quem antes passara momentos incrivelmente prazerosos. Segurou-a pelo braço, apenas com as roupas de baixo, que colocara antes que ela saísse da sala sem ao menos lhe dizer o que acontecera.
_ Ei! Dá pra me dizer o que está acontecendo? – perguntou meio irritado. Rei olhou-o surpresa, como se só agora percebesse que ele ainda estava lá.
_ Tenho um jantar com Kaidou, preciso ir! – disse se desvencilhando.
Yuuichirou ficou estático, abobalhado, olhando para a porta fechada em sua cara sem conseguir fazer nada. Oras, desgraça! Depois de tudo ela ainda se preocupava com aquele maldito!
Sentiu-se totalmente usado.
---
Rei saiu a toda velocidade da empresa, os momentos antes esquecidos, pelo menos temporariamente. A lembrança de Kaidou a fez despertar de seu torpor, se sentiu suja, como se tivesse traído seu querido Kaidou.
Entrou no carro, e partiu rapidamente do local. Ainda tinha quinze minutos.
Chegou afobada em seu apartamento, os minutos parecendo milésimos, tamanha sua pressa. Sabia que Kaidou era pontual e não queria faze-lo esperar.
Olhou-se no espelho e se assustou com seu estado. Nunca um homem a deixara descomposta daquele jeito. Meu Deus, devia estar louca de fazer algo como isso!
Entrou no banho correndo, banho de três minutos, o cabelo comprido pingando água, o corpo enrolado numa toalha. Pegou o primeiro vestido que viu, um azul, e colocou-o. Sorte sua ter vários vestidos para estas ocasiões mais formais. Correu novamente para o banheiro, uma mão secando o cabelo, outra escolhendo a maquiagem. Tinha menos de cinco minutos.
Passou uma maquiagem leve, uma que conseguisse fazer em pouco tempo. Tentava secar o cabelo enquanto colocava os sapatos.
Olhou-se no espelho, o cabelo estava uma bagunça.
_ Ah!! – saiu gritando quando escutou o interfone. Mal o porteiro falou e ela já falou que Kaidou podia subir. Amaldiçoou a pontualidade do rapaz.
Pegou o secador, ainda tinha algum tempo, se tivesse sorte, antes que ele chegasse. Teve uma idéia. E ligou para a recepção.
_ Alô.... Aqui é a Rei, estou esperando um rapaz, mas estou com alguns problemas aqui, Megumi. – disse para a conhecida recepcionista. Ainda bem que era ela, sabia que a moça atenderia seu pedido. – Alcance o rapaz que esta vindo com um buquê para cá – tinha certeza que, sendo um cavalheiro, ele traria flores. – e diga, pelo amor de Deus, que os elevadores estão com mal funcionamento e que infelizmente ele terá que vir pelas escadas.
Megumi nem teve tempo de perguntar por quê de tudo aquilo, mas disse que faria. Agora tinha algumas "escadas" que a separava do rapaz.
Correu para arrumar o cabelo.
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_ Olá, Kaidou! – disse Rei sorrindo meio forçado, torcendo para que o rapaz não desconfiasse. Assim que terminou de arrumar o cabelo a campainha tocou. Quando foi atender teve vontade de rir, mas se segurou, Kaidou tinha a cara de quem morreria a qualquer momento.
_ Olá... Rei... – disse ele não se agüentando e entrando no apartamento logo ela deu passagem. Entregou o buquê ("Eu sabia!", pensou Rei) sem muito cavalheirismo e despencou no sofá.
_ O que houve? – disse Rei com a maior cara lavada do mundo.
_ Nada, querida... Nada... É só que... não quero ver escadas na minha frente por um bom tempo. – Rei quase não se agüentou dessa vez.
Rei ligou na recepção "pedindo para avisarem" quando os elevadores estariam em ordem. Enquanto isso, serviu um pouco de água para o cansado rapaz. Conversaram um pouco e logo o telefone tocou. Já podiam descer.
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O jantar ocorreu em um elegante restaurante. Tudo poderia estar uma maravilha, o local perfeito, a música perfeita, o clima perfeito, a comida e a pessoa perfeita... Mas Rei, no final das contas, estava achando tudo muito chato! Tentou não demonstrar, enquanto Kaidou falava sobre algum caso qualquer. Desde quando ele era tão chato? Será que nunca notara antes?
Dançaram um pouco, pelo menos isso ele sabia fazer direito, e foram caminhar um pouco. Era quase meia noite quando Kaidou perguntou se ela queria voltar para casa. E já não era sem tempo!
No caminho de volta Kaidou falou bastante, cavalheiro como sempre, mas Rei só se limitava a responder. À noite... tediante demais. Finalmente chegaram.
_ Entregue... Querida Rei. – disse Kaidou sorrindo docemente, enquanto abria a porta para Rei descer. A moça sorriu de volta, esperando que ele dissesse alguma coisa a mais. Por um momento, achando que ele pediria para subir de novo, mas não o fez.
No entanto, foi com certo desagrado, que Rei viu Kaidou se aproximando. Enquanto, enlaçando sua cintura, beijou-a profundamente, diferente do toque de bocas que ele dera da primeira vez que saíram juntos. Rei se sentiu um tanto quanto tentada a se afastar, mas... Oras, por que faria isso? Por que esse beijo está te dando nojo! A resposta veio num raio.
_ Até amanhã, meu amor. – sussurou Kaidou no ouvido de Rei. Que se arrepiou toda, mas não foi por prazer... Não mesmo... Tentando sorrir forçado, Rei se despediu. Entrou calmamente no hotel e logo percebendo que Kaidou havia partido, Rei tentou limpar a boca.
_ Mas o que há comigo? – pensou Rei sem graça. Há poucas horas alguém a beijara e ela não se sentira daquele jeito, e foi tão bom que... Ah, droga! Yuuichirou! Ele provavelmente estaria furioso com ela.
Sentiu um sensação prazerosa ao pensar no rapaz. Mas... Ele não era o Todo Detestável Kumada? Rei estava confusa e não via a hora de chegar em casa.
---
Assim saiu do elevador e Rei respirou aliviada. A longa noite havia passado. As únicas lembranças que se passavam por sua cabeça eram dos momentos que estivera com Kumada. Sentiu-se com ódio de si por pensar algo do gênero... Mas era o que seu corpo todo sentia, e seu coração também...
Lentamente abriu a porta, ainda pensando no que havia acontecido naquela noite, jogou os sapatos e a bolsa do lado, enquanto acendia a luz... Agora iria para cama e...
_ Meu Deus! – seu apartamento... Totalmente revirado.
***
Já era noite quando Usagi conseguiu sair do seu consultório. Apesar disso, ainda estava animada, principalmente para o que reservara para aquela noite.
Pegou seu carro e partiu para casa, precisava buscar algo lá antes de ir para onde queria. Poderia muito bem fazer o que fora fazer em menos de cinco minutos, mas achou que não estava bem arrumada para se encontrar com seu querido Mamoru sem ao menos tomar um banho.
E foi o que fez, entrou na banheira e usou seus sais perfumados para se banhar, em seguida, escolheu uma roupa simples, mas que lhe caía muito bem, deixou os cabelos molhados soltos e desceu as escadas. Pegou o pacote que viera buscar em casa e foi se encontrar com Mamoru em seu apartamento, sem que o mesmo soubesse previamente.
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Mamoru estava em sua sala de estudo, lendo um pouco sobre atualidades na medicina. Fora um dia longo e cansativo, na verdade, a única coisa que queria agora era ver sua doce Usagi.
A campainha tocou...
O rapaz levantou pesadamente de sua cadeira, vestia uma roupa leve, calça e camisa branca e foi atender.
_ Oi! – disse Usagi sorrindo brincalhona para o rapaz, que se assustou, mas não negou que adorou a surpresa.
_ Meu amor! – disse ele indo abraçá-la, mas parando no meio do caminho ao perceber uma "estorvo" entre eles. – O que é isso? – Usagi sorriu marota.
_ Eu disse que faltava algo em sua casa e vim trazer! – disse ela sorrindo e entrando em seguida. Mamoru ainda estava confuso e curioso para saber do que se tratava.
_ E o que é? – perguntou sem conter a curiosidade.
_ O melhor meio de diversão para os dias de chuvas, quando se tem que ficar trancado em casa! – disse ela se ajoelhando no tapete da sala e começando a abrir a caixa. Mamoru arregalou os olhos. – Tcharam!
Usagi havia trazido o mais novo e aperfeiçoado videogame do ano! Mamoru riu gostoso ao ver a surpresa que a namorada lhe reservara, se ajoelhou ao lado dela.
_ Eu não acredito que você fez este suspense todo por causa de um videogame. – disse olhando para o objeto.
_ Oras, eu, Minako e às vezes a Ami, gastávamos horas, quando tínhamos que ficar em casa, jogando Sailor V! Só que já saiu de moda e compramos outros jogos. – disse ela pegando a caixinha embutida cheia de jogos. Mamoru começou a olhá-los.
_ Ei! Eu adorava esse jogo! – disse pegando um jogo de corrida qualquer.
_ Foi um dos meus primeiros, tenho quase todos desde que era pequena. Mas o mais legal de todos era Sailor Moon! – disse com os olhos brilhando.
_ Conheço esse, mas nunca joguei. – disse ele ainda olhando os jogos.
_ Ah... Eu adorava, vivia torcendo para que o Tuxedo Mask e a Sailor Moon ficassem juntos. – Mamoru riu do rosto sonhador da namorada e depois sorriu carinhoso para ela, sua doce Usako trouxera-lhe aqueles jogos com a intenção de animá-lo, sem saber que o que mais o animava e fazia-o feliz era sua própria companhia.
_ Obrigado, Usako. – disse sorrindo para ela. Com o apelido, Usagi sentiu os pêlos do pescoço se arrepiarem e o encarou rubra, ainda era difícil vê- los como um casal. Sorriu de volta.
Mamoru aproximou-se e beijou-lhe com carinho, mas logo o beijo foi se tornando mais cálido, demonstrando o nítido desejo que um sentia pelo outro. Mamoru começou a deitar Usagi no tapete, sem perceber ao certo o que estava fazendo, Usagi também estava em torpor, mal percebendo a situação.
Mas a consciência falou mais alto e antes que ele começasse a perder o controle, se afastou. Usagi olhou-o interrogativa.
_ O que foi? – perguntou magoada por ele ter se afastado. Mamoru passou a mão pelos cabelos, buscando um pouco de juízo, tirado pelo cheiro e pelo gosto doce de Usagi.
_ Desculpe, Usagi... Não percebi o que estava fazendo. – desculpou-se sem olhá-la, achava que ela iria se chatear imaginando que ele estava forçando- a a algo que ela não estava pronta para. Usagi sorriu, um sorriso doce e amoroso, agora mais do que nunca sabia que Mamoru era o homem de sua vida. Não que já não tivesse ido para cama com outros, mas sempre foi cautelosa. No entanto, Mamoru a fazia perder o controle, e não era só do corpo, mas também do coração.
Aproximou-se novamente do rapaz e roubou-lhe um beijo. Mamoru se assustou, mas não se afastou. Assim que terminaram o beijo, Usagi aproximou-se mais e começou a beijar-lhe o pescoço, fazendo-o arrepiar-se, depois mordeu levemente o lóbulo da orelha dele e sussurrou.
_ Não pare agora... – disse ela sedutoramente. E Mamoru não pôde se controlar mais.
Sem ao menos guardarem os jogos na caixa, Mamoru pegou Usagi no colo, enquanto esta ainda beijava-lhe o pescoço e o rosto e levou-a para seu quarto.
Mamoru depositou Usagi em sua cama, apoiando-se ao lado dela, beijando-a com fervor. Aquele corpo tão desejado ali... ao seu lado... pedindo que se unissem. Usagi sentia seu corpo arder, nunca se sentira assim, e como era bom. Mamoru era carinhoso, mas naquele momento... bom... não usaria exatamente a palavra "carinho" para definir o que Mamoru estava lhe fazendo.
Uniram seus lábios novamente, num beijo cálido. Suas línguas se cruzando... Seus corpos ardendo em desejo...
Com certeza... Aquela noite seria um tanto quanto longa...
***
Era oito horas quando Mamoru acordou. Enrolou muito na cama, já que era fim de semana. Invés de levantar, ficou observando o lindo anjo ao seu lado, com a face serena, provavelmente no décimo sono. E pensar que na noite passado... Bom... Não poderia definir Usagi como um anjo, não com o que ela lhe fizera sentir.
Era uma manhã calma, meio nublada, até pensou em voltar a dormir. Mas resolveu recompensar Usagi pela maravilhosa noite que passaram juntos. Levantou-se com certo esforço e depois de se trocar foi até a cozinha, preparar, talvez não o melhor, mas um dos melhores cafés da manhã que sua coelhinha já tivesse provado.
Estava no meio do café da manhã quando o telefone tocou. Mamoru não esperava ouvir o que ouvira do outro lado do fone.
_ Como é? – perguntou aturdido com a notícia.
Usagi acabara de acordar preguiçosamente, como se tivesse medo de que a noite anterior fosse apenas um sonho. Porém, ao ver onde estava deitava, apenas com o lençol envolta do corpo e impregnada com aquele cheiro de rosa único e característico de Mamoru, sorriu levemente, certa de que sonhos poderiam ser verdade.
Até pretendia enrolar um pouco mais na cama, mas sentiu o cheiro gostoso vindo da cozinha e não resistiu. Levantou-se lentamente e foi andando, a passos calmos, até o lugar de onde vinha tão maravilhoso cheiro. No entanto, antes que pudesse chegar na cozinha, deparou-se com Mamoru, estático, ao lado do telefone, seu rosto pálido.
_ Mamoru? – ao não ouvir resposta, aproximou-se do rapaz e tocou-lhe o braço. Mamoru pareceu acordar de um transe e olhou-a, os olhos da menina interrogativos. Suspirou, não gostava nem um pouco de ter de ser ele a dizer aquilo. "Por quê?" Pensou aflito... "Por que isso tinha que acontecer de novo?" – Mamoru, querido, o que houve? – Mamoru pareceu acordar de novo, era tanta sua perturbação que se perdera em pensamentos de novo.
_ Usagi... – disse vacilante – A Ami... Ela... – viu a aflição nos olhos da namorada e resolveu terminar logo com aquilo. – Ela está internada de novo.
(Continua)
20/03/04
Mary Marcato
*Observação: Complexo de Édipo é uma doença, ou um problema psíquico que ocorre quando os filhos descobrem que os pais não são só pai e mãe, mas homem e mulher. Existe um livro, escrito há alguns séculos, em que o personagem principal, Édipo, apaixona-se por sua mãe, sem saber quem ela era. Matou seu próprio pai (sem saber quem era também), para se casar com ela. Tiveram dois filhos e depois ele descobre que era filho dela também. Logo, fura seus dois olhos como castigo. Uma outra versão diz que Complexo de Édipo é quando o filho ou a filha se apaixona pelo pai ou pela mãe, isso acontece com todo mundo, mas o comum é que ocorra em um curto, ínfimo, espaço de tempo, normalmente quando somos muito crianças. Quem tem esse problema é quem prolonga este mal. Isso é o que sei, se estiver enganada, por favor, me consertem. – Fanfiction não é só divertimento, é cultura também. :)
Comentários: Espero que tenham gostado. Não tenho muito a acrescentar, mas acho que o próximo capítulo demorará um pouco para sair. Estamos na reta final e espero que vcs me deixem algum comentariozinho, sim? Obrigada pela compreensão. Já ne.
Agradecimentos: A todos que me deixaram comentários e principalmente para a Lan que me pediu a continuação logo :) Valeu, pessoal!
Capítulo14: Desenlaces (parte 2)
***
Haruka olhava com carinho para aquela menina. Sim, já conhecia aquela história: a filha que se sentia só... Era quase idêntica à história de Michiru, tirando o fato de que a mãe de Hotaru havia morrido e a mãe de Michiru apenas não lhe dava a atenção merecida. Era fácil para ela compreender pelo o que passava a doce Hotaru e sabia que se alguém não conseguisse compreendê-la a tempo ela acabaria se tornando fechada para o resto da vida.
Quando Hotaru terminou sua narração, Haruka não se pronunciou e a menina abaixou a cabeça, como se tentando se recompor. Talvez Haruka achasse que sua história fosse de uma menina mimada que precisava da atenção dos pais vinte e quatro horas por dia, mas não era isso e ela sinceramente esperava que Haruka não a entendesse mal.
Mas para sua surpresa, Haruka não disse nenhuma palavra de crítica para ela. Em vez disso, ela apenas tocou o rosto da menina levemente com as pontas do dedo, chamando a atenção dos olhos surpresos de Hotaru. Haruka sorria.
_ Parece que há muito tempo que você não recebe um carinho, certo? – perguntou ela com delicadeza. Hotaru balançou a cabeça levemente em afirmação. – Nem um namorado? – perguntou em certo tom brincalhão, mas se arrependeu, pois Hotaru desviou o rosto da mão dela. – Desculpe-me, acho que fui inconveniente. – disse realmente arrependida. Hotaru olhou-a novamente.
_ Desculpe-me, Haruka. É só que... – disse Hotaru meio vacilante – É só que sendo fechada como sou... Os garotos normalmente não se aproximam de mim, me acham estranha e isso dói. – Hotaru parecia não reclamar de não ter um namorado, mas de ser rejeitada pelas pessoas. E Haruka já conhecia este sentimento, quando conheceu Michiru ela sentia-se exatamente assim.
_ Tão bela e doce... Acho que os garotos de hoje em dia estão com algum problema. – disse Haruka tentando descontrair o ambiente. Hotaru olhou-a novamente surpresa e com as faces rubras. Haruka encarou aqueles olhos que começavam a brilhar e lembrou-se de novo de Michiru. Não conseguiu resistir e aproximou seu rosto lentamente do de Hotaru, que arregalou os olhos com a proximidade. Eram só as duas na mesa, Ana ainda estava no parque, e Haruka aproximou-se o suficiente para tocar levemente os lábios de Hotaru com os seus. A menina não se afastou, mas ficou estática.
Haruka percebeu o que fizera e se distanciou, mas não com pressa. Olhou docemente para Hotaru, como se estivesse vendo Michiru à sua frente e sorriu lindamente.
_ Perdoe-me, Hotaru. Não quis ofendê-la. – disse Haruka polidamente. Um misto de culpa e de saudade misturados em sua voz. Hotaru não se ofendeu, pois também sorriu para Haruka. Proferindo algo que Haruka não esperava.
_ Está tudo bem, Haruka... chan... – disse sorrindo linda e calmamente – Eu sei que este foi um beijo de irmãs. – Haruka arregalou os olhos, realmente arregalou-os. Não dera um beijo apaixonado em Hotaru, mas o beijo que dera não fora com a intenção de uma irmã e sim de uma amante saudosa da sua. Mas na inocência de Hotaru – uma inocência tão nítida que chegava a ser perigosa para uma menina de já dezesseis anos – Haruka percebeu que a menina realmente sentira aquele como um beijo de irmãs, de amigas, de amigas muito queridas que pareciam realmente irmãs. E um estalo lhe veio a cabeça.
Será... Será que todo este tempo Michiru estivera certa? Certa quando dissera que Haruka lhe era apenas como uma irmã que supria a necessidade de carinho que ela precisava ter dos pais? Será que tudo o que achou sentir pela mulher fora apenas amor de irmã? Mas era tão estranho! Como poderia isso acontecer? Já ouvira falar do Complexo de Édipo (*), mas isso era entre pais e filhos... Não tinha nada a ver com a situação.
Mas... Agora que isso novamente acontecia... Agora que olhava para aquela menina e via Michiru nela, percebia... Percebia com tanta nitidez que parecia mentira... Mas realmente, pela primeira vez na vida, duvidava que seu amor por Michiru fora de amantes. E isso a assustou.
_ Haruka, disse alguma coisa errada? – disse Hotaru preocupada ao ver o olhar confuso da mulher ao seu lado na mesa – Não gostou de ter te chamado de Haruka-chan?
Diante do apelido, novamente Haruka olhou para Hotaru e não via mais Michiru ali, apenas Hotaru. E percebia como sentia pela moça algo parecido com o que sentira por Michiru. Se não fosse pela pouca convivência achava que viria a gostar dela como gostava de Michiru. E isso a fizera ficar ainda mais confusa. Se ela realmente amava Michiru como mulher, como poderia vir a gostar de outra tanto quanto gostava da primeira?
Eram tantas dúvidas, tantas lembranças mal resolvidas, que o problema que tinha para resolver com Makoto tinha sumido totalmente de sua cabeça. Viu- se levantando em um impulso da mesa.
_ Haruka! Desculpe a demora. – disse Makoto chegando ao lado de Haruka ao mesmo tempo em que esta levantava. Haruka olhou-a meio aturdida, como se tentando se lembrar do que viera fazer ali. Hotaru permaneceu em silêncio, com a ligeira impressão de que não fora a culpada por fazer Haruka se sentir assim, mas não com plena certeza.
_ Ahn... Olá, Makoto. – disse Haruka vacilante. – Desculpe-me fazê-la vir aqui, mas acho que preciso ir embora. – disse colocando uma das mãos na testa.
_ Está tudo bem, Haruka? Está passando mal ou algo do tipo? – perguntou Makoto preocupada. Haruka olhou-a.
_ Não, não... Estou bem... Só... Só um assunto mal resolvido que lembrei agora. – disse Haruka, o que não era mentira. Makoto achou melhor não perguntar do que se tratava.
_ Bom... Tudo bem... Eu já entendi mais ou menos qual é o seu problema e vou pesquisar um pouco sobre isso. Mais tarde eu te ligo, tudo bem? – disse Makoto ainda preocupada. Haruka não parecia prestar muita atenção nela.
_ Está... Está tudo bem, obrigada. – disse Haruka com um sorriso vacilante. Antes de se virar para sair do local olhou novamente para Hotaru, sorrindo um sorriso triste. – Obrigada, Hotaru-chan. – E saiu.
Makoto olhou confusa para Haruka partindo rapidamente dali e voltou seu olhar para Hotaru, se surpreendendo. A sua frente... Hotaru esboçava o mais sincero sorriso que ela já tinha a visto sorrir... E como era bonito.
_ Mamãe! – disse Ana vindo correndo ao encontro de Makoto. Fazendo a mulher voltar sua atenção para ela, pronta para pegá-la no colo.
_ Ana! Como vai minha pequenina? – disse pegando a menina no colo. Ante a visão bonita de encontro de mãe e filha, Hotaru ainda se mantinha olhando para o local por onde vira Haruka sair. Ainda com o sorriso esboçado no rosto.
"Obrigada, Haruka-chan. Obrigada por me fazer ver que não estou sozinha". Agradeceu a menina em pensamento.
***
Era um dia cansativo e ao mesmo tempo muito demorado. Rei não via a hora de poder sair da empresa aquele dia, algo não muito comum, para alguém que ficava até altas horas trabalhando por gosto. Mas aquele dia era especial, iria encontrar Kaidou, ah... Kaidou. Rei não sabia desde quando gostava dele, achou que o amor tinha morrido, mas foi só ele voltar para ela ficar sonhando com ele. Seu príncipe encantado, o cavalheiro e o homem inigualável que ele era para ela. Por mais que todos implicassem com ele, ele ainda assim a encantava. E como encantava.
Em compensação aquele maldito Kumada...
Aquele homem irritante, preguiçoso, mulherengo, sarcástico, o pesadelo de toda mulher! Não sabia como não o tinha demitido ainda, era de tanta insistência de Phobos, é... Só podia ser isso.... Oras...! Mas que droga? Por que diabos tinha que comparar os dois? Não tinha nada com Kumada, nunca teve, nunca teria! Aquele crápula! Deviam era implicar com ele e não com o amabilíssimo Kaidou. Um dia eles iam perceber o quanto Kumada não prestava.
E por falar na peste...
_ Senhorita Hino, tenho alguns documentos para você assinar. – disse Kumada depois de bater na porta, era quase seis horas e Rei amaldiçoou-o por incomodá-la quase no fim do expediente. Mas expediente era expediente e ela devia era agradecer por aquele inútil estar trabalhando.
Kumada colocou os papéis em cima da mesa e se sentou ao lado, enquanto esperava que ela lesse e assinasse. Rei leu parte dele e logo se dirigiu ao rapaz.
_ Por que não está completo este relatório, Kumada? – perguntou diretamente ao rapaz. Yuuichirou viu que não podia enrolar muito para falar sobre aquele assunto, era algo que o estava preocupando muito.
_ Phobos e eu suspeitamos que há alguém se infiltrando nos computadores financeiros da empresa. Fiquei com medo de colocar algum dado aí que pudesse ser copiado depois. – Rei ficou séria. Por mais que estivesse pensando em sair com Kaidou, devia seguir o conselho de Makoto e se preocupar com sua empresa. E este assunto, com certeza, a preocupava.
_ O que está acontecendo? – perguntou ela, colocando os dois cotovelos em cima da mesa e cruzando os dedos da mão, em pose de concentração.
_ Não sabemos direito. Mas eu e Phobos somos os únicos que temos acesso ao computador central das finanças, lá estão o preço dos contratos e o pagamento destes. Caso alguém mexa ali e você sabe o que pode acontecer. – disse ele, impressionantemente, sério. – No entanto, há alguns dias que tenho a ligeira impressão que os documentos estão sendo acessados, entre um e outro fato, já encontrei papéis imprimidos e disquetes no computador. Além disso, hoje fui na sala de comando e encontrei o computador ligado, enquanto a porta lateral estava entreaberta. Tive certeza que alguém saíra correndo de lá.
_ E o que ele estava vendo no computador central? – Rei estava ficando preocupada, sua empresa lhe era demasiada importante para que deixasse um espião ao bel prazer ali.
_ Arquivos de acesso restrito. Que nem eu tenho a senha, apenas Phobos. Uma conta interna de banco aberta no site, como se alguém estivesse prestes a sacar alguma coisa. Além de que alguém parecia estar remexendo nas gavetas da sala, procurando algo. – Rei pareceu perceber algo, seus olhos arregalados. Com certeza alguém estava atrás das ações da empresa! Kami seja louvado, ela havia deixado-os em casa, a conselho de Phobos.
_ Isto é muito sério Kumada. Mais alguém sabe disso? – perguntou sem olhá- lo, mantendo seus olhos fixos em papéis em cima de sua mesa.
_ Só Phobos... Foi ele que me alertou para ficar de olhos abertos. – disse ainda em tom sério. Será que devia contar o que suspeitava? Provavelmente ela iria ter um ataque de raiva. Rei pareceu perceber a hesitação do rapaz, algo nada normal dele, e perguntou.
_ O que está pensando, Kumada? – perguntou em tom desconfiado. Yuuichirou sabia que não adiantava esconder o fato da aguçada percepção de sua bela patroa.
_ Desconfio de alguém. – disse pura e simplesmente. Rei olhou-o nos olhos, procurando algum traço de mentira, procurando o nome de quem ele suspeitava. E encontrou, ficando, como suspeitara Yuuichirou, extremamente irritada.
_ Oras, Kumada! Não me venha com essa história de que acha que Kaidou é o culpado! – disse com raiva. Encostando-se de súbito no encosto da poltrona.
_ E quem mais podia ser, Hino? – perguntou ele com o mesmo tom de raiva. Rei olhou-o, seus nervos à flor da pele. Por que ele insistia com aquela história? Levantou-se irritada, caminhando ao lado de sua mesa, em nítido nervosismo.
_ Não entendo por quê você e Phobos continuam a desconfiar de Kaidou! – disse ela nervosa – Ele sempre foi meu amigo, cuidou de mim quando perdi minha mãe! Não há por quê desconfiar dele! Seria muito mais aceitável se eu desconfiasse de você! – olhou-o acusadoramente – Que é um inútil e que só me dá trabalho! – Kumada se levantou, com nítida raiva. Chegando perto dela.
_ Oras, Rei! Só porque brinco com você não quer dizer que queira te roubar! Achei que já soubesse que não preciso de dinheiro! – não era o que queria dizer, não gostava de ficar se exaltando porque tinha dinheiro, mas era o que aquela pirralha precisava ouvir.
_ Claro que não precisa! Pra você só é necessário boa vida: comida na mesa e mulher na cama! – disse e levantou-se para encará-lo nos olhos, os seus em chamas. Os rostos muito próximos, em provocação, um do outro. Kumada não deixou por menos.
_ Como é?! Só porque eu consigo ter um relacionamento descente com uma pessoa, não precisa ficar com inveja porque você não tem isso! – disse em deboche. Sabendo que sua chefe não costumava sair com muitos homens.
Não devia ter falado aquilo.
_ O que disse?! – Rei bufou em fúria – Está me dizendo que não atraio nenhum homem?! – Kumada sorriu cínico, olhando para o belo corpo da mulher de belas curvas, saia curta... e aquelas pernas que o deixavam louco.
_ Não foi isso que quis dizer... – disse ainda sorrindo, malicioso. Rei ficou rubra de vergonha e não se conteve. Lascou um tapa no homem, que ficou de boca aberta.
_ Seu assanhado, tarado! Tenha mais respeito pela sua chefe! – disse olhando-o com raiva. – Ponha-se no seu lugar!
_ Se meu lugar for a sua cama... – disse provocativo. Atiçando a raiva da mulher novamente.
_ Ora...! – e Rei levantou a mão novamente, prestes a desferir-lhe um outro tapa. Mas dessa vez Kumada foi mais rápido e segurou o pulso dela, fazendo- a encará-lo com mais ódio.
_ De novo não... – e dessa vez o rapaz não se conteve como da última. Yuuichirou, com rapidez, acabou com o espaço que o separava da boca da patroa nervosinha. Enquanto a prensava contra a parede atrás dela.
Rei, por sua vez, arregalou os olhos, cheia de fúria. Tentou acertá-lo com o outro braço, mas ele já havia imobilizado este também. Tentou chutá-lo em suas partes íntimas, mas o espaço entre seus corpos era nulo, impedindo tal movimento. Abriu a boca, para gritar, protestar, seja lá o que pudesse fazer, mas isso só foi um grande erro. Yuuichirou aproveitou a brecha e enfiou sua língua na boca da mulher, com um desejo que até para ele era inédito.
Rei, impossibilitada de qualquer movimento de seu corpo, só fez a única coisa que conseguiu no momento, mordeu a língua do homem com toda força que conseguiu. Fazendo-o gemer de dor e retirar sua boca da dela.
_ Isso é pra você aprender a não... – enquanto proferia toda sua raiva, Yuuichirou simplesmente fez uma careta e antes mesmo que ela conseguisse dizer toda a frase, lascou outro beijo naquela boca que fazia seu corpo arder de desejo.
Rei esperneava, ou ao menos tentava fazer isso, mexia a cabeça, tentando se soltar. Mas nem ela, a mais arisca das mulheres, na opinião de Yuuichirou, conseguia resistir ao desejo que aqueles lábios estavam começando a fazê-la sentir. E foi com extrema surpresa, e satisfação, que Yuuichirou viu seu beijo começando a ser devolvido com a mesma intensidade e prazer que ele sentia.
A garota foi cedendo aos poucos, e Kumada não via mais necessidade de prender os braços dela. Mas por precaução, foi afrouxando aos poucos... Para o prazer de Yuuichirou, Rei, ao ver seus braços sendo libertados, envolveu o pescoço do rapaz, fazendo do beijo um pouco, ou muito, mais ardente.
O desejo chegava a ser insuportável, Yuuichirou nunca fora beijado daquela maneira, e que maneira! Rei também se via numa situação nova, de todos os homens que já beijara, aquele estava provocando sensações indescritíveis. Atiçando, a cada movimento – seja das mãos na sua pele, ou da língua em sua boca – todo o corpo dela. Qualquer preocupação esquecida, qualquer "homem de nome Kaidou" esquecido, o torpor que se encontravam era suficientemente grande para fazê-los se esquecer do mundo.
Mas um beijo daqueles não tinha só o poder de agradar e Kumada já sentia uma certa pressão entre suas pernas. Rei notou isso, mas invés de se irritar, só funcionou para intensificar seu próprio desejo. Aquele homem, que lhe era tão detestável, estava sendo capaz de algo que outros homens só conseguiram depois de vários meses de apenas alguns beijos. E Rei não se sentiu nem um pouco tentada a colocar entre eles seja um mês, ou até um dia, para que ela se entregasse àquela situação.
Yuuichirou também percebeu o desejo que provocara em Rei e não perdendo a chance, começou a abrir a blusa da mulher, enquanto beijava seu pescoço com luxúria. Rei não deixou por menos, e colocou uma de suas mãos na perna do rapaz, próximo a virilha do mesmo, fazendo o desejo dele se transformar quase em loucura.
Kumada não conseguia mais se controlar e com uma permissão tão nítida quanto esta que Rei lhe dera, não teve a mínima sutileza para tirar a blusa da moça, deixando os seios dela apenas protegidos pelo sutiã. Por sua vez, Rei achou injusto que só ele se aproveitasse da situação e começou a arrancar a camisa azul que ele vestia, com toda pressa que a situação lhe "obrigava" a ter.
Estava demorando demais, nenhum dos dois estava com, ou tinha, paciência suficiente para preliminares ou até mesmo se encaminharem, ao menos, até o sofá da sala. Yuuichirou começou a abrir o zíper da saia de Rei, enquanto ela fazia o mesmo com a calça dele.
E foi ali mesmo, levantando Rei do chão, enquanto esta enlaçava o quadril do rapaz, que este a possuiu, com todo desejo e necessidade que tinha daquele corpo. Um sentimento um tanto quanto recíproco.
***
Haruka partiu sem, ao menos, se lembrar do porquê estar ali. A verdade era que estava realmente perturbada. Se fosse verdade... Se aquilo que percebera segundos atrás fosse verdade... Não sabia o que pensar. Estava realmente confusa. Juraria para qualquer um amor incondicional por Michiru. Mas agora... Oras, ainda a amava! Isso era verdade e ninguém poderia dizer o contrário. Mas... Talvez o amor que sentisse por ela, fosse diferente do que imaginara sentir. E isso era assustador.
Entrou em seu carro e partiu a toda velocidade. O que precisava fazer agora era pensar, pensar no que seria agora de sua vida, sem uma razão aparente para viver. A corrida, seu trabalho e sua paixão desde menina, parecia não ter tanta importância agora. Resolveu ir a algum parque, algum lugar onde poderia relaxar, ou ao menos tentar.
Chegou em certo parque, um pouco retirado do centro, onde não houvesse muito movimento. Dirigiu-se até um banquinho, onde se sentou e apoiou a cabeça em seus braços, estes apoiados em seus joelhos.
O que tudo aquilo significava? Por que razão não percebera antes que seu amor por Michiru podia ser apenas entre irmãs? Por que era tão difícil assim? Por quê... Por quê...?
Uma lágrima rolou por seu rosto...
_ Eu... Isso... Não sei o que pensar... Não consigo! – outra e mais outra lágrima rolou por seu alvo rosto. Algo que não era nem um pouco comum. A última vez que chorara daquela maneira foi em sua infância, quando ocorreu aquela... Mas por que tinha que pensar nisso agora? Aquele era outro momento da sua vida que queria esquecer.
Lembrava-se de como ficou sozinha e desamparada depois que aquilo tudo aconteceu... Como foi horríveis os anos seguintes, viver nas ruas e depois no orfanato, não fora muito melhor do que era morar com a irmã e ele...
Os olhos de Haruka se contraíram... A lembrança daquele asqueroso homem vindo à tona, provavelmente pelo momento de fraqueza em que se encontrava. Aquele maldito... Aquele filho de uma p*** que desgraçou sua vida e da sua irmã... Sua querida irmã...
Seus olhos se arregalaram... Talvez fosse por essa razão... Talvez, é claro... Sempre teve a irmã que lhe protegeu quando perderam os pais. As duas se davam muito bem, eram mais que irmãs, eram verdadeiras amigas. A irmã quase quinze anos mais velha que ela, era como se fosse sua própria mãe, de quem se lembrava muito pouco.
Viviam em uma humilde casa, é claro. Mas viviam felizes. Até aquele maldito aparecer...
Sua irmã, sua querida irmã agora dividia o amor que tinha por ela com aquele homem. No começo até que o aceitou, parecia ser um homem amável e confiável... Mas como estivera enganada.
Contraiu-se no banco, levando as pernas de encontro ao corpo, encolhida. Suas lágrimas mais uma vez descendo por sua face. Quando tudo aquilo aconteceu ficou tão sozinha... Tão desamparada... Quando tinha dezesseis anos, por uma grande sorte, foi adotada, algo não muito normal, já que os casais preferiam crianças ainda bebês. Sua mãe adotiva dissera que fizera uma promessa de adotar uma menina e quando a conheceu, soube na hora que seria ela.
Recuperou-se um pouco do trauma que passara, seus pais adotivos a amavam muito e ela também sentia um carinho enorme por eles, no entanto... No entanto, nunca se esquecera da irmã. Foi aí... Foi aí que seu mundo pareceu voltar a brilhar novamente.... Brilhou sim... Brilhou quando a conheceu...
Brilhou quando conheceu Michiru...
Haruka sorriu ao lembrar-se da querida moça que conhecera na escola. Era uma escola rica, na verdade ela só estava ali porque seus pais adotivos conheciam o diretor e lhe deu uma bolsa. Lá estudava sua doce Michiru, a menina que conseguiu fazê-la sorrir novamente... Que a fez amar novamente...
"Era isso!" Concluiu Haruka um tanto quanto decepcionada. Como fora ingênua... Como não conseguiu enxergar...
Olhou para o céu... Os últimos pensamentos parecendo confusos demais...
Como não percebeu que o espaço ocupado por Michiru em seu coração... Era o mesmo que sua irmã deixou vazio...?
Haruka levantou-se do banco limpando as lágrimas que desciam por seu rosto com força. Olhou para frente, como se tomasse alguma decisão e seguiu em frente. Entrou em seu carro e voltou a dirigir pela cidade, desta vez não tão rapidamente como fizera da primeira vez.
Não queria ficar mais ali, queria conversar com alguém, desabafar... Não agüentava mais aquela agonia... Falar com quem? As meninas já estavam tão cheias de problemas que realmente não queria incomodá-las.
Subitamente um nome lhe veio na cabeça.
_ Será? – pensou.
***
_ Como estão, pequenas? – disse Makoto para as duas meninas. Ana em seu colo, enquanto Hotaru tinha um ar mais feliz do que costumava ter, se é que tinha alguma felicidade até então. Makoto estava louca para perguntar o que acontecera, mas achou melhor não. Parecia ser algo íntimo, que só aceitaria ouvir se Hotaru mesmo quisesse lhe contar.
_ Bem, senhorita. E o que houve para querer nos ver? – perguntou Hotaru.
_ Eu preciso fazer algo, Hotaru. Iria buscar Ana no hotel, mas Haruka me ligou. Então resolvi falar para Haruka trazer-lhe junto, você tem mais jeito com crianças que Haruka – riu um pouco – E eu também queria saber como você está depois que recebeu a notícia. – seu ar feliz sumindo por segundos, Hotaru também pareceu se lembrar.
_ Estou preocupada, Makoto-san. Muito preocupada. – disse dando um suspiro e logo olhando para a mulher mais velha – Mas confio em papai e Setsuna- san, sei que estarão bem. – disse com convicção. Makoto sorriu, Hotaru era uma menina muito madura para sua idade, isso podia ser bom, mas as vezes não. Resolveu que já era hora de fazer o que imaginara.
_ Escute, Haruka. Incomoda-se de voltar de táxi para o hotel? – perguntou Makoto – Eu realmente não queria ter te incomodado, mas realmente queria falar com você.
_ Está tudo bem. Posso saber o que pretende fazer? – disso com certa curiosidade. Makoto surpreendeu-se novamente, desde quando Hotaru se interessava assim pelas coisas? Devia agradecer Haruka, seja lá o que ela tivesse dito para a mocinha.
_ Resolver um assunto inacabado. – disse Makoto sorrindo serena. Hotaru pareceu compreender e acenou em positivo. "Essas mulheres e seus assuntos inacabados" não pode deixar de pensar Hotaru.
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Como dissera, Hotaru foi para o hotel de táxi. Enquanto Makoto pegou Ana pela mão e resolveu ir à seu destino à pé mesmo, mais tempo para pensar no que iria dizer quando chegassem.
O caminho não pôde ser silencioso, a verdade é que Ana não se cansava de fazer perguntas para a mãe. Que, apesar do nervosismo, respondia de bom grado. Faltava pouco para chegarem, Makoto estava com o coração na mão, enquanto a pequena Ana nem desconfiava do que se passava pela cabeça da mãe.
E finalmente chegaram...
A sorveteria estava cheia, muitos garçons serviam os pedidos, enquanto Makoto olhava para todos os lados, procurando por alguém em especial.
E encontrou...
Dentro da sorveteria, sentado no balcão, perdido em pensamentos, estava Motoki.
_ Mamãe! – disse Ana – Aquele não é o moço bonito? – disse apontando para o mesmo local que Makoto olhava.
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Motoki estava perdido em pensamentos, ainda não conseguia entender por quê Makoto escondera-lhe a verdade. Às vezes chegava a compreender, ao colocar- se no lugar dela até conseguia... Mas eram raros momentos e seu coração, seu coração de amante e agora de pai... Sofria com a verdade antes oculta.
Tão perdido em seus pensamentos que não ouviu alguém pronunciar seu nome. Era uma voz infantil, pedindo permissão a um dos garçons que lhe interceptara para falar com o "Senhor Motoki".
_ Oi! – disse uma Ana sorridente. Enquanto Motoki, antes perdido em pensamentos, pareceu reconhecer a voz ouvida apenas uma vez, mas gravada eternamente em sua alma, assustou-se e olhou, de olhos arregalados, para a pequena figura quase um metro abaixo de si.
_ O-oi... – disse vacilante.
De longe Makoto observava tal cena...
***
Rei estava ali já havia um bom tempo... O tempo esquecido por ela... E por ele...
Do momento anterior, só restara a respiração ofegante, a pele suada, o corpo cansado... Mas satisfeito...
Mas havia alguma coisa que Rei sabia estar esquecendo... Estava ansiosa à tarde inteira, esperando por algo... Um jantar... Um encontro... Kaidou!
_ Ah, meu Deus! – disse desencostando-se do corpo, igualmente cansado, de Yuuichirou, já que estavam sentados, corpos cruzados e nus no sofá, o segundo lugar que se dirigiram para continuar o que começaram na parede... O rapaz, que estava de olhos fechados, abriu-os surpreso e inquisitivos. Rei pareceu não notar.
_ Rei? – perguntou sem entender a afobação da moça. Está tentou achar o relógio, já tendo se levantado e recolhendo suas roupas.
_ Ai, caramba! Olha que horas são! Eu só tenho vinte minutos! – disse já terminando de se trocar, sem ao menos olhar para Yuuichirou, totalmente abobado com o súbito transtorno da mulher com quem antes passara momentos incrivelmente prazerosos. Segurou-a pelo braço, apenas com as roupas de baixo, que colocara antes que ela saísse da sala sem ao menos lhe dizer o que acontecera.
_ Ei! Dá pra me dizer o que está acontecendo? – perguntou meio irritado. Rei olhou-o surpresa, como se só agora percebesse que ele ainda estava lá.
_ Tenho um jantar com Kaidou, preciso ir! – disse se desvencilhando.
Yuuichirou ficou estático, abobalhado, olhando para a porta fechada em sua cara sem conseguir fazer nada. Oras, desgraça! Depois de tudo ela ainda se preocupava com aquele maldito!
Sentiu-se totalmente usado.
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Rei saiu a toda velocidade da empresa, os momentos antes esquecidos, pelo menos temporariamente. A lembrança de Kaidou a fez despertar de seu torpor, se sentiu suja, como se tivesse traído seu querido Kaidou.
Entrou no carro, e partiu rapidamente do local. Ainda tinha quinze minutos.
Chegou afobada em seu apartamento, os minutos parecendo milésimos, tamanha sua pressa. Sabia que Kaidou era pontual e não queria faze-lo esperar.
Olhou-se no espelho e se assustou com seu estado. Nunca um homem a deixara descomposta daquele jeito. Meu Deus, devia estar louca de fazer algo como isso!
Entrou no banho correndo, banho de três minutos, o cabelo comprido pingando água, o corpo enrolado numa toalha. Pegou o primeiro vestido que viu, um azul, e colocou-o. Sorte sua ter vários vestidos para estas ocasiões mais formais. Correu novamente para o banheiro, uma mão secando o cabelo, outra escolhendo a maquiagem. Tinha menos de cinco minutos.
Passou uma maquiagem leve, uma que conseguisse fazer em pouco tempo. Tentava secar o cabelo enquanto colocava os sapatos.
Olhou-se no espelho, o cabelo estava uma bagunça.
_ Ah!! – saiu gritando quando escutou o interfone. Mal o porteiro falou e ela já falou que Kaidou podia subir. Amaldiçoou a pontualidade do rapaz.
Pegou o secador, ainda tinha algum tempo, se tivesse sorte, antes que ele chegasse. Teve uma idéia. E ligou para a recepção.
_ Alô.... Aqui é a Rei, estou esperando um rapaz, mas estou com alguns problemas aqui, Megumi. – disse para a conhecida recepcionista. Ainda bem que era ela, sabia que a moça atenderia seu pedido. – Alcance o rapaz que esta vindo com um buquê para cá – tinha certeza que, sendo um cavalheiro, ele traria flores. – e diga, pelo amor de Deus, que os elevadores estão com mal funcionamento e que infelizmente ele terá que vir pelas escadas.
Megumi nem teve tempo de perguntar por quê de tudo aquilo, mas disse que faria. Agora tinha algumas "escadas" que a separava do rapaz.
Correu para arrumar o cabelo.
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_ Olá, Kaidou! – disse Rei sorrindo meio forçado, torcendo para que o rapaz não desconfiasse. Assim que terminou de arrumar o cabelo a campainha tocou. Quando foi atender teve vontade de rir, mas se segurou, Kaidou tinha a cara de quem morreria a qualquer momento.
_ Olá... Rei... – disse ele não se agüentando e entrando no apartamento logo ela deu passagem. Entregou o buquê ("Eu sabia!", pensou Rei) sem muito cavalheirismo e despencou no sofá.
_ O que houve? – disse Rei com a maior cara lavada do mundo.
_ Nada, querida... Nada... É só que... não quero ver escadas na minha frente por um bom tempo. – Rei quase não se agüentou dessa vez.
Rei ligou na recepção "pedindo para avisarem" quando os elevadores estariam em ordem. Enquanto isso, serviu um pouco de água para o cansado rapaz. Conversaram um pouco e logo o telefone tocou. Já podiam descer.
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O jantar ocorreu em um elegante restaurante. Tudo poderia estar uma maravilha, o local perfeito, a música perfeita, o clima perfeito, a comida e a pessoa perfeita... Mas Rei, no final das contas, estava achando tudo muito chato! Tentou não demonstrar, enquanto Kaidou falava sobre algum caso qualquer. Desde quando ele era tão chato? Será que nunca notara antes?
Dançaram um pouco, pelo menos isso ele sabia fazer direito, e foram caminhar um pouco. Era quase meia noite quando Kaidou perguntou se ela queria voltar para casa. E já não era sem tempo!
No caminho de volta Kaidou falou bastante, cavalheiro como sempre, mas Rei só se limitava a responder. À noite... tediante demais. Finalmente chegaram.
_ Entregue... Querida Rei. – disse Kaidou sorrindo docemente, enquanto abria a porta para Rei descer. A moça sorriu de volta, esperando que ele dissesse alguma coisa a mais. Por um momento, achando que ele pediria para subir de novo, mas não o fez.
No entanto, foi com certo desagrado, que Rei viu Kaidou se aproximando. Enquanto, enlaçando sua cintura, beijou-a profundamente, diferente do toque de bocas que ele dera da primeira vez que saíram juntos. Rei se sentiu um tanto quanto tentada a se afastar, mas... Oras, por que faria isso? Por que esse beijo está te dando nojo! A resposta veio num raio.
_ Até amanhã, meu amor. – sussurou Kaidou no ouvido de Rei. Que se arrepiou toda, mas não foi por prazer... Não mesmo... Tentando sorrir forçado, Rei se despediu. Entrou calmamente no hotel e logo percebendo que Kaidou havia partido, Rei tentou limpar a boca.
_ Mas o que há comigo? – pensou Rei sem graça. Há poucas horas alguém a beijara e ela não se sentira daquele jeito, e foi tão bom que... Ah, droga! Yuuichirou! Ele provavelmente estaria furioso com ela.
Sentiu um sensação prazerosa ao pensar no rapaz. Mas... Ele não era o Todo Detestável Kumada? Rei estava confusa e não via a hora de chegar em casa.
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Assim saiu do elevador e Rei respirou aliviada. A longa noite havia passado. As únicas lembranças que se passavam por sua cabeça eram dos momentos que estivera com Kumada. Sentiu-se com ódio de si por pensar algo do gênero... Mas era o que seu corpo todo sentia, e seu coração também...
Lentamente abriu a porta, ainda pensando no que havia acontecido naquela noite, jogou os sapatos e a bolsa do lado, enquanto acendia a luz... Agora iria para cama e...
_ Meu Deus! – seu apartamento... Totalmente revirado.
***
Já era noite quando Usagi conseguiu sair do seu consultório. Apesar disso, ainda estava animada, principalmente para o que reservara para aquela noite.
Pegou seu carro e partiu para casa, precisava buscar algo lá antes de ir para onde queria. Poderia muito bem fazer o que fora fazer em menos de cinco minutos, mas achou que não estava bem arrumada para se encontrar com seu querido Mamoru sem ao menos tomar um banho.
E foi o que fez, entrou na banheira e usou seus sais perfumados para se banhar, em seguida, escolheu uma roupa simples, mas que lhe caía muito bem, deixou os cabelos molhados soltos e desceu as escadas. Pegou o pacote que viera buscar em casa e foi se encontrar com Mamoru em seu apartamento, sem que o mesmo soubesse previamente.
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Mamoru estava em sua sala de estudo, lendo um pouco sobre atualidades na medicina. Fora um dia longo e cansativo, na verdade, a única coisa que queria agora era ver sua doce Usagi.
A campainha tocou...
O rapaz levantou pesadamente de sua cadeira, vestia uma roupa leve, calça e camisa branca e foi atender.
_ Oi! – disse Usagi sorrindo brincalhona para o rapaz, que se assustou, mas não negou que adorou a surpresa.
_ Meu amor! – disse ele indo abraçá-la, mas parando no meio do caminho ao perceber uma "estorvo" entre eles. – O que é isso? – Usagi sorriu marota.
_ Eu disse que faltava algo em sua casa e vim trazer! – disse ela sorrindo e entrando em seguida. Mamoru ainda estava confuso e curioso para saber do que se tratava.
_ E o que é? – perguntou sem conter a curiosidade.
_ O melhor meio de diversão para os dias de chuvas, quando se tem que ficar trancado em casa! – disse ela se ajoelhando no tapete da sala e começando a abrir a caixa. Mamoru arregalou os olhos. – Tcharam!
Usagi havia trazido o mais novo e aperfeiçoado videogame do ano! Mamoru riu gostoso ao ver a surpresa que a namorada lhe reservara, se ajoelhou ao lado dela.
_ Eu não acredito que você fez este suspense todo por causa de um videogame. – disse olhando para o objeto.
_ Oras, eu, Minako e às vezes a Ami, gastávamos horas, quando tínhamos que ficar em casa, jogando Sailor V! Só que já saiu de moda e compramos outros jogos. – disse ela pegando a caixinha embutida cheia de jogos. Mamoru começou a olhá-los.
_ Ei! Eu adorava esse jogo! – disse pegando um jogo de corrida qualquer.
_ Foi um dos meus primeiros, tenho quase todos desde que era pequena. Mas o mais legal de todos era Sailor Moon! – disse com os olhos brilhando.
_ Conheço esse, mas nunca joguei. – disse ele ainda olhando os jogos.
_ Ah... Eu adorava, vivia torcendo para que o Tuxedo Mask e a Sailor Moon ficassem juntos. – Mamoru riu do rosto sonhador da namorada e depois sorriu carinhoso para ela, sua doce Usako trouxera-lhe aqueles jogos com a intenção de animá-lo, sem saber que o que mais o animava e fazia-o feliz era sua própria companhia.
_ Obrigado, Usako. – disse sorrindo para ela. Com o apelido, Usagi sentiu os pêlos do pescoço se arrepiarem e o encarou rubra, ainda era difícil vê- los como um casal. Sorriu de volta.
Mamoru aproximou-se e beijou-lhe com carinho, mas logo o beijo foi se tornando mais cálido, demonstrando o nítido desejo que um sentia pelo outro. Mamoru começou a deitar Usagi no tapete, sem perceber ao certo o que estava fazendo, Usagi também estava em torpor, mal percebendo a situação.
Mas a consciência falou mais alto e antes que ele começasse a perder o controle, se afastou. Usagi olhou-o interrogativa.
_ O que foi? – perguntou magoada por ele ter se afastado. Mamoru passou a mão pelos cabelos, buscando um pouco de juízo, tirado pelo cheiro e pelo gosto doce de Usagi.
_ Desculpe, Usagi... Não percebi o que estava fazendo. – desculpou-se sem olhá-la, achava que ela iria se chatear imaginando que ele estava forçando- a a algo que ela não estava pronta para. Usagi sorriu, um sorriso doce e amoroso, agora mais do que nunca sabia que Mamoru era o homem de sua vida. Não que já não tivesse ido para cama com outros, mas sempre foi cautelosa. No entanto, Mamoru a fazia perder o controle, e não era só do corpo, mas também do coração.
Aproximou-se novamente do rapaz e roubou-lhe um beijo. Mamoru se assustou, mas não se afastou. Assim que terminaram o beijo, Usagi aproximou-se mais e começou a beijar-lhe o pescoço, fazendo-o arrepiar-se, depois mordeu levemente o lóbulo da orelha dele e sussurrou.
_ Não pare agora... – disse ela sedutoramente. E Mamoru não pôde se controlar mais.
Sem ao menos guardarem os jogos na caixa, Mamoru pegou Usagi no colo, enquanto esta ainda beijava-lhe o pescoço e o rosto e levou-a para seu quarto.
Mamoru depositou Usagi em sua cama, apoiando-se ao lado dela, beijando-a com fervor. Aquele corpo tão desejado ali... ao seu lado... pedindo que se unissem. Usagi sentia seu corpo arder, nunca se sentira assim, e como era bom. Mamoru era carinhoso, mas naquele momento... bom... não usaria exatamente a palavra "carinho" para definir o que Mamoru estava lhe fazendo.
Uniram seus lábios novamente, num beijo cálido. Suas línguas se cruzando... Seus corpos ardendo em desejo...
Com certeza... Aquela noite seria um tanto quanto longa...
***
Era oito horas quando Mamoru acordou. Enrolou muito na cama, já que era fim de semana. Invés de levantar, ficou observando o lindo anjo ao seu lado, com a face serena, provavelmente no décimo sono. E pensar que na noite passado... Bom... Não poderia definir Usagi como um anjo, não com o que ela lhe fizera sentir.
Era uma manhã calma, meio nublada, até pensou em voltar a dormir. Mas resolveu recompensar Usagi pela maravilhosa noite que passaram juntos. Levantou-se com certo esforço e depois de se trocar foi até a cozinha, preparar, talvez não o melhor, mas um dos melhores cafés da manhã que sua coelhinha já tivesse provado.
Estava no meio do café da manhã quando o telefone tocou. Mamoru não esperava ouvir o que ouvira do outro lado do fone.
_ Como é? – perguntou aturdido com a notícia.
Usagi acabara de acordar preguiçosamente, como se tivesse medo de que a noite anterior fosse apenas um sonho. Porém, ao ver onde estava deitava, apenas com o lençol envolta do corpo e impregnada com aquele cheiro de rosa único e característico de Mamoru, sorriu levemente, certa de que sonhos poderiam ser verdade.
Até pretendia enrolar um pouco mais na cama, mas sentiu o cheiro gostoso vindo da cozinha e não resistiu. Levantou-se lentamente e foi andando, a passos calmos, até o lugar de onde vinha tão maravilhoso cheiro. No entanto, antes que pudesse chegar na cozinha, deparou-se com Mamoru, estático, ao lado do telefone, seu rosto pálido.
_ Mamoru? – ao não ouvir resposta, aproximou-se do rapaz e tocou-lhe o braço. Mamoru pareceu acordar de um transe e olhou-a, os olhos da menina interrogativos. Suspirou, não gostava nem um pouco de ter de ser ele a dizer aquilo. "Por quê?" Pensou aflito... "Por que isso tinha que acontecer de novo?" – Mamoru, querido, o que houve? – Mamoru pareceu acordar de novo, era tanta sua perturbação que se perdera em pensamentos de novo.
_ Usagi... – disse vacilante – A Ami... Ela... – viu a aflição nos olhos da namorada e resolveu terminar logo com aquilo. – Ela está internada de novo.
(Continua)
20/03/04
Mary Marcato
*Observação: Complexo de Édipo é uma doença, ou um problema psíquico que ocorre quando os filhos descobrem que os pais não são só pai e mãe, mas homem e mulher. Existe um livro, escrito há alguns séculos, em que o personagem principal, Édipo, apaixona-se por sua mãe, sem saber quem ela era. Matou seu próprio pai (sem saber quem era também), para se casar com ela. Tiveram dois filhos e depois ele descobre que era filho dela também. Logo, fura seus dois olhos como castigo. Uma outra versão diz que Complexo de Édipo é quando o filho ou a filha se apaixona pelo pai ou pela mãe, isso acontece com todo mundo, mas o comum é que ocorra em um curto, ínfimo, espaço de tempo, normalmente quando somos muito crianças. Quem tem esse problema é quem prolonga este mal. Isso é o que sei, se estiver enganada, por favor, me consertem. – Fanfiction não é só divertimento, é cultura também. :)
Comentários: Espero que tenham gostado. Não tenho muito a acrescentar, mas acho que o próximo capítulo demorará um pouco para sair. Estamos na reta final e espero que vcs me deixem algum comentariozinho, sim? Obrigada pela compreensão. Já ne.
Agradecimentos: A todos que me deixaram comentários e principalmente para a Lan que me pediu a continuação logo :) Valeu, pessoal!
