Capítulo XIII


13 de Junho de 1940

Pela primeira vez em vários dias, Lucy teve o prazer de acordar sozinha, quando seu corpo pedisse que acordasse. Sentou na cama e encarou seu relógio de cabeceira, dez horas da manhã. Provavelmente Lily não estava em casa, se estivesse, jamais permitiria essa extravagância de sua hóspede.

Quando Sirius deixou Lucy em casa na noite anterior, Lily já estava dormindo, o que foi um alívio para a loirinha. Certamente teria que contar tudo para a amiga, afinal ainda estava com as roupas que Sirius lhe arranjara. E Lucy não queria precisar ouvir da amiga, com toda a razão, o quanto se arriscou indo até a charutaria.

A loirinha tomou um banho demorado, fez seu petit dejenèur sossegada como se ainda fosse muito cedo e depois saiu para uma agência dos correios.

Dois dias antes, quando mandara uma mensagem para Alastor Moody junto com o charuto e as notas das jóias que comprara, alugou na mesma agência uma caixa postal. Tirou a chave de sua bolsa e abriu a caixinha. Havia duas mensagens para ela. Lucy trancou cuidadosamente sua caixa postal, guardou as mensagens na bolsa e pegou um táxi para a Igreja de St. Paul. Era apenas uma turista agora.

Quando chegou à Igreja, escolheu um lugar reservado e no qual pudesse observar qualquer aproximação. Tirou as mensagens da bolsa e rasgou o primeiro envelope.

'Fico muito agradecido pelo charuto espetacular que me enviou.

Realmente seu senso de humor é bastante reconfortante nesse momento tão difícil. '

Lucy sorriu, nunca sabia se Alastor Moody estava falando sério ou lhe dando uma bronca sutil.

Abriu a segunda carta. Essa sim era a que ela esperava.

Estamos sim muito bem minha querida,

Agora a sua irmã Laura concordou que temos que procurar

Uma agência de viagens e ir para a América

Ela foi comprar as passagens e algumas roupas e

Foi tomada por uma euforia tão grande por deixar o

País! Mas pedi que ela não se excitasse muito já

Que tivemos que usar todas as nossas economias, guardadas há

Tanto tempo. Seu pai nem sonha que eu peguei dinheiro

Dele para comprar as passagens. Acho que terei

Que esconder muito bem os talões de cheques e

Também algumas malas novas. Espero sua discrição para que

Essas informações não cheguem ao ouvido dele, não que eu vá

Mentir mas é muito cedo para ele ficar

Sabendo já que assim ele não concordaria com a viagem. Quando estivermos lá, os

Americanos sabem muito bem como relaxá-lo,

Tanto que poderei contar sobre o dinheiro. Laura e

Eu temos certeza que ele vai entender e não vai pensar que

Gastou uma nota com essa viagem.

Nossa agente de viagens garantiu que o pacote não sairá

Caro, em todo o caso, precisamos fazer uma reserva, caso queiramos passar

Em Londres para te ver. Imagino

Que não teremos problemas em passar aí, mas seu pai vai querer

Que volte conosco. Então você já

Sabe, vá se preparando, pois seu pai é

Bastante direto quando quer alguma coisa. Mesmo

Que para isso ele tenha que brigar com você. Ah! Veja se encontra por aí

O Ainautil, aquele remédio dele para pressão.

Amamos você filhinha e estamos com saudades.

Sua querida mãe,

A.M.

- Oh, mamãe, também tenho saudades! - Lucy começou a rir. - Alastor querido, essa guerra está te deixando sentimental. Nunca recebi uma carta sua tão melosa! Mas bem, eu entendi o recado. - A loirinha encarou o relógio de pulso. - Ainda tenho tempo de comprar uma máquina fotográfica antes de almoçar com a Lis.

Lucy guardou as cartas na bolsa e saiu da Igreja


Naquele dia Gwenda tinha chegado cedo ao hospital.

Por causa da nova condição de Remus, Dumbledore permitiu que a garota ficasse com o noivo mesmo fora do horário de visita porque ela acreditava que talvez isso ajudasse Remus a recuperar a memória.

A morena segurou a mão esquerda do noivo entre as suas e deixou sua mente voltar ao dia fatídico do atentado...

Flashback

- Você não imagina o que eu tenho passado... – Gwenda suspirou e colocou de lado o sanduíche que estava comendo.

- Vai ser por pouco tempo meu amor. – Remus passou os dedos delicadamente no rosto da garota.

- Por quê?

- Não vou entrar em detalhes porque você não consegue fazer isso. – O detetive falou sorrindo enquanto prendia entre o polegar e o indicador a língua da noiva. – E não quero que você tenha mais problemas com aquele traste. Mas posso te garantir que muito em breve, Tom Riddle vai pagar por vários crimes que tem cometido nos últimos anos.

- Quando é o seu 'breve'?

- Segunda-feira, depois de amanhã.

- Jura?

- Sim.

- Como você pode ter tanta certeza? – Ela perguntou deitando de costas na grama com a cabeça apoiada em uma das mãos.

- Segredo. Quando tudo der certo, te dou uma entrevista exclusiva. – O garoto deitou ao lado da noiva.

- Você tem provas? – Ela insistiu tentando arrancar qualquer mínima informação que fosse.

Remus suspirou e coçou o queixo antes de mudar de assunto.

- Você acha que as roseiras vão demorar a florir?

- Roseiras? As que nós plantamos hoje?

- Sim.

- Não sei... Porque a preocupação?

- Viajamos em lua-de-mel semana que vem... Elas vão precisar de cuidados não vão?

Gwenda mordeu o canto dos lábios.

- Podemos levá-las junto com a gente... Que tal? – Ela perguntou sorrindo.

- Péssima ideia. Você não entende nada de flores... – Remus fingiu estar inconformado.

- Eu não entendo nada? Quem é que queria plantar as sementes na água?

- Não sei do que você está falando... – Ele sorriu e roubou um beijo da noiva.

Quando deitou novamente ao lado dela, Gwenda entrelaçou os dedos de Remus aos seus e sorriu.

- Nem acredito que falta só uma semana para o nosso casamento! Parecia que não chegaria nunca!

- É verdade. – Remus concordou. – Finalmente você vai se tornar a respeitável senhora Lupin e eu vou poder te proibir de publicar essas matérias perigosas que você insiste em escrever.

Ela gargalhou.

- Vai ser divertido ver você tentando me parar!

Remus também riu e quando pararam, ficaram algum tempo em silêncio observando o céu.

- Olha que dragão enorme! – A garota apontou para uma nuvem bem encima deles.

- Acha que aquilo é um dragão?

- Claro que é!

- Gwen, aquilo é uma barata!

- Barata? Você é cego? – Ela perguntou rindo.

- Você é louca... Olha só as patinhas... – Remus apontou para onde via as patas da barata.

- Não são patas coisa nenhuma. É o rabo dele! Olha só mais para cima... Ele está soltando fogo.

- Meu Deus... Você tem muita imaginação Gwen!

- É um dragão Remmie! Claramente!

- É uma barata e qualquer pessoa sã concordaria comigo!

- Eu tenho uma máquina de fotos no carro. – A garota se sentou e começou a calçar suas sandálias. – Vou tirar uma foto e mostrar para cem pessoas, todas vão concordar que é um dragão.

- Ótima ideia. – Remus levantou num pulo. – Quem perder vai lavar a louça durante um mês depois do casamento.

- Combinado!

- Eu busco a máquina, com esse salto você voltaria aqui amanhã...

Gwenda sorriu e deitou novamente na grama.

- Barata... – Ela resmungou achando que Remus perderia feio a aposta.

Foi quando ouviu um barulho horrível. O barulho de um tiro seguido por um grito de dor.

- Remus! – Gwen levantou da grama num salto e começou a correr sem se importar em calçar as sandálias.

Quando chegava perto do noivo ouviu mais dois tiros. Estancou quando se aproximou da rua e viu o corpo de Remus caído ao lado do carro. O choque foi tão grande que ela nem se preocupou em procurar quem o tinha atingido. Ouviu apenas o barulho de um carro cantando pneus muito perto de onde ela estava e o som do grito de horror que saiu de seus lábios antes de correr e apertar Remus nos seus braços.

Fim do Flashback

Passou os dedos nos olhos para secar as lágrimas que sempre se formavam quando se lembrava desse dia. Teve um leve estremecimento ao perceber que Remus tinha acordado e a observava com uma expressão curiosa.

Ele desviou os olhos para as mãos de Gwenda segurando a sua e a garota se apressou em levantar.

- Desculpe... McGonagall pediu que eu não "forçasse a barra" com você...

Remus continuou em silêncio. Não sabia o que podia falar com a noiva sem que sua voz traísse a emoção que sentia.

- Não é minha intenção te forçar a lembrar ou te constranger... É que desde que você sofreu o atentado eu venho aqui toda a semana, trago flores, sento do seu lado, seguro a sua mão e te conto tudo o que tem acontecido... Não queria perder isso que por enquanto é tudo o que me restou da nossa história...

Ela recomeçou a chorar.

- Hei... – Remus a chamou baixinho e fez um sinal para que ela se aproximasse.

Gwen voltou para perto dele e Remus enxugou as lágrimas da noiva com carinho.

- Me desculpe... – Ele murmurou com uma expressão de sofrimento. – Eu... Eu queria muito, muito mesmo poder me lembrar...

- Eu sei... – A morena lhe deu um beijo na testa e sentou novamente ao lado da cama. – Você se incomoda que eu venha te visitar?

Remus hesitou antes de responder. Mas por fim decidiu que a presença da noiva não colocava o plano de Lucy em risco. Tentou não mostrar todo o entusiasmo que sentia quando concordou com a ideia.

- Obrigada. – Gwen abriu um sorriso enorme e passou a contar sobre o jardim deles, sobre as manutenções da casa, sobre seu trabalho...


- Olá Tom.

- Bom dia Lily. - O dono do restaurante abriu seu melhor sorriso.

- Tom, hoje eu quero a mesa mais reservada que você tiver.

Ele atendeu ao pedido de Lily com o mesmo bom humor.

Poucos minutos depois, Lucy se juntou à ruiva.

- E então, quais são as novidades?

- Eu é que lhe pergunto. Moody respondeu sua carta?

- Sim. – Lucy tirou a carta da bolsa e entregou à Lily, mas não contou que só pegara a carta e o bilhete naquele dia mais cedo.

A ruiva leu atentamente, mas mantinha uma expressão confusa em seu rosto.

- Não entendi nada. - Lily levantou os olhos da carta. - Tenho que ler de trás para frente, ou algo assim?

Lucy gargalhou.

- Algo assim, leia apenas a segunda palavra de cada linha.

Lily pareceu mais satisfeita com os resultados dessa vez.

- 'Vá direto para Ainautil'?

- Lituânia. – Lucy sorriu. – Agora era de trás para frente.

- Quanta complicação! - Lily devolveu a carta para Lucy. - Mas, resumindo... Ele quer que você fique.

- Exatamente. E já que agora serei apenas uma turista em Londres... Olha só o que eu comprei.

- Uma máquina fotográfica? – Lily sorriu e nesse momento Tom chegou para servir as refeições. – Obrigada Tom.

- E você? O que conseguiu hoje?

- Sobre a morte do Bob, consegui a confirmação de que aqueles bombons estavam todos envenenados e que a substância é a mesma que o matou. Portanto...

- Mas onde ele compraria uma caixa de bombons envenenados?

- Ele não comprou, ele ganhou os bombons.

- De quem?

- De mim. – Lily sorriu de leve. – Foi encontrado um cartão meu junto aos bombons.

- Como? Achei que tínhamos olhado tudo.

- Mas não mexemos na caixa de bombons. Embaixo da caixa estava um cartão meu pedindo que não fosse me ver aquela noite, mas que comesse cada chocolate pensando em mim.

- Nossa, você é cruel, Lis. – A loirinha falou séria, mas depois começou a rir.

- Bem... O Bob não tinha como saber que não era a minha letra, então...

- E como foi que você entregou a caixa de bombons a ele? Pelo correio não daria tempo de chegar no mesmo dia.

- Não foi pelo correio. Nossos correios não estão trabalhando aos domingos... Pelo o que eu andei perguntando nas redondezas, alguns vizinhos viram um homem muito bem vestido batendo à porta da casa do Bob naquela mesma tarde.

- Era um desconhecido?

- Bem, as pessoas que o viram afirmam que ele nunca esteve ali antes, mas... – Lily deu de ombros como se quisesse dizer 'as pessoas nunca prestam a devida atenção'.

As duas ficaram um tempo concentradas em seus almoços. Foi Lucy que quebrou o silêncio.

- Pelo o que tudo indica, alguém soube da conversa que Bob teve com você por telefone, não é?

Lily concordou que sim.

- O bilhete deixa isso claro. Pede que ele não vá me ver naquela noite, e ele obedece, ficando em casa se matando com chocolates... – Lily deixou que uma lágrima lhe escorresse pelo rosto, mas logo a secou. – Eu não me conformo que ele tenha sido assassinado de uma maneira tão cruel! Morreu sendo enganado! Será que quando percebeu que os bombons estavam o matando ele pensou que fosse mesmo eu quem tinha mandado? Será que ele se foi acreditando que eu o matei?

- Lógico que não, Lis. – Lucy apertou a mão da amiga. – Ele não deve ter tido tempo de perceber nada, a caixa estava cheia, ele deve ter comido um ou dois, passado mal e... – Lucy fez uma pausa. – Não se sinta assim, ele a adorava e jamais, nem num lampejo de segundo, pensaria que você seria capaz de uma coisa dessas.

- Quero acreditar que sim. – A ruiva respondeu tentando sorrir para afastar os pensamentos ruins.

Lucy ficou algum tempo em silêncio deixando Lily se recompor antes de perguntar.

- E sobre os roubos que ele investigava, algum progresso?

Os olhos da ruiva brilharam de excitação.

- Sim! Quase me esqueço de te contar. Já sei como a arma química foi roubada!

- Sério? Me conta!

- Ainda não. Calma. – Lily levantou a mão quando Lucy começou a protestar. – Vou contar logo, mas antes tenho que te dar uma informação sobre seu querido Pierrô.

- Pierrô?

- Sim, o Diggory descobriu uma mensagem deixada por ele na Abadia de Westminster assumindo a autoria do roubo.

- Diggory?

- O detetive que está substituindo o Bob.

- E ele descobriu essa mensagem só hoje? Estranho...

- Na verdade eu acho que a Yard estava segurando a mensagem, também estranhei quando ele me ligou para contar, mas quando perguntei a ele sobre isso ele foi vago.

- O que exatamente dizia a mensagem? Eu posso saber se é mesmo do Pierrô ou se foi forjada.

Lily remexeu a bolsa procurando sua agenda.

- Aqui está. – Falou a ruiva abrindo a agenda e apontando para a mensagem grampeada no alto da página.

- É... Parece ser dele. – Lucy murmurou depois de analisar a mensagem por alguns segundos.

- Você parece decepcionada. – Lily comentou.

- O Bob disse que tinha informações do Pierrô para mim. Na hora pensei que ele tivesse encontrado uma mensagem na cena do roubo, é comum Pierrô substituir a peça roubada por alguma mensagem. Provavelmente essa mensagem foi encontrada pelo Bob e estava retida na SY até agora. Só estou decepcionada porque pensei que a mensagem, quando aparecesse, fosse mais esclarecedora.

Lily fez um gesto de concordância.

- Bob disse que tinha informações 'preciosas' para você.

- E qualquer que fosse essa informação, morreu com ele. – Lucy comentou triste e deu de ombros. – Agora me conta sobre o roubo da arma química! Quem roubou?

- Não sei.

- Mas...

- Eu disse que descobri como, e não quem.

A detetive esperou que o garçom que viera retirar os pratos saísse antes de continuar.

- Diggory me deu a transcrição de uma infinidade de depoimentos colhidos sobre os dois casos dos roubos. Li tudo atentamente, mas um me chamou a atenção. Você se lembra da descrição do caso que fiz para você assim que soube do que tinha acontecido?

- Sim, você acreditava que a pessoa já estivesse dentro do prédio, já que não havia nenhuma entrada possível.

- Isso. Mas essa minha teoria caiu por terra muito rápido. Três pesquisadores deixaram o prédio juntos e garantem que sempre vistoriam tudo antes de sair e ninguém ficou para trás.

- Então o que você acha que aconteceu?

- Muito mais simples do que eu imaginava. Um dos vigias facilitou a entrada do ladrão. – Lily sorriu quando a amiga franziu o cenho descrente. – No depoimento do senhor Strong, segurança há mais de dez anos do Departamento de Bioquímica, ele menciona que é a segunda tragédia que acontece ali esse ano. Diggory não deu muita importância para a primeira tragédia da qual o senhor Strong falou que é a morte do outro vigia cerca de dois meses atrás. Mas eu fiquei interessada nisso.

- E o que descobriu com o seu super faro, detetive Evans?

A ruiva sorriu.

- O vigia que era colega do senhor Strong sofreu um acidente enquanto fazia a ronda em volta do prédio no final de abril desse ano. Parece que foi intoxicado com alguma substância que vazou ou foi deixada descuidadamente do lado de fora da sala de pesquisas.

- E você acha que o senhor Strong envenenou o colega e depois facilitou a entrada do ladrão no prédio para roubar a arma química?

- Não! Que absurdo! O senhor Strong é um velhinho muito amável. Espera eu terminar.

- Sim senhora. – Lucy concordou com uma risada.

- Se nenhuma sala do Departamento de Bioquímica foi arrombada, significa que o ladrão teve alguma facilitação para entrar. Por isso pensei a princípio que a pessoa tivesse permanecido lá dentro depois do último turno, algum dos cientistas, talvez. Mas como essa hipótese foi eliminada, quer dizer que a pessoa veio de fora, e se veio de fora só pode ter entrado com o consentimento de um dos vigias.

- Porque não os próprios vigias?

- Porque o senhor Strong e o novo segurança não se dão bem. Eles se desentendem o tempo todo e se um deles tentasse entrar o outro não perderia a chance de denunciá-lo.

- Que tipo de rixa eles tem?

- O senhor Strong é um velhinho bem conservador, sabe? E o Dolohov, o outro vigia, é dado a bebedeiras e mulheres fáceis. O senhor Strong o critica sempre que pode e Dolohov não aceita que se metam na vida dele.

- Entendi.

- Então voltamos à minha ideia da entrada facilitada. Descobri uma brecha na segurança: Nessa noite uma moça foi atropelada quase na frente do prédio e o senhor Strong correu do seu posto até a calçada na esperança de identificar o motorista ou anotar a placa do carro. Essa 'atividade' durou menos de um minuto.

- Oh... – A loirinha mordeu o canto dos lábios. – É uma pequena brecha, minúscula, quase absurda, mas...

- Exatamente. O Diggory concorda com a minha solução, que por enquanto é a única possível, mas não quer ser muito direto com o Dolohov porque teme que ele desapareça caso se sinta acuado, então vai colocar alguém para segui-lo.

Lucy tamborilou a mesa enquanto pensava no que acabava de ouvir.

- Se esse Dolohov está envolvido, ele não devia ter desaparecido logo de uma vez? Para que se arriscar?

- Parece que ele foi designado pela Scotland Yard para ocupar a vaga de segurança no Departamento de Bioquímica. Ele deve acreditar que está em segurança. Seja lá quem o colocou nesse posto, deve ter influência.

- Lis... Se essa sua ideia estiver certa, o plano foi bem arquitetado com antecedência... Um dos seguranças morre bastante tempo antes, de modo a evitar suspeitas, a 'pessoa certa' é colocada no lugar dele, uma moça é atropelada bem na frente do prédio, criando uma distração para o ladrão entrar, mas... E como ele saiu? Mesmo que o senhor Strong não tenha visto ninguém entrando, deve ter visto alguém saindo.

- Não... Aí sim o ladrão pode ter ficado escondido dentro do prédio. No banheiro, por exemplo. Quando o Departamento de Bioquímica abriu no dia seguinte, muita gente entra junto e o ladrão pode ter se misturado na multidão e deixado o prédio como uma pessoa comum. Quando o roubo foi descoberto, alguns minutos depois, ele provavelmente já estava longe.

Depois dessa explicação Lily pediu a conta alegando que tinha uma porção de coisas para fazer.

- O que são essa porção de coisas que você tem para fazer? – Lucy perguntou quando deixaram o restaurante.

- Primeiro tenho que pegar o resultado da perícia que está checando de onde foi feita aquela ligação do Bob para a casa da Gwen.

- Acho que o resultado não vai nos surpreender... – Lucy comentou, mas a amiga não prestou atenção. – Eu vou até a Abadia de Westminster, pretendo tirar algumas fotos para o meu álbum de férias.

- É claro, fotos! – Os olhos da ruiva de repente faiscaram. – Vamos tirar algumas fotos!

- Vamos?

- Sim. - Lily tirou sua agenda de dentro da bolsa e leu alguns nomes em voz alta. – Sirius Black, James Potter, Marlene McKinnon, Dorcas Meadowes, Adam Black, Evan Rosier, Lucius Malfoy e Rodolphus Lestrange.

- Quer uma foto de cada um deles?

- Podemos eliminar McKinnon e Meadowes, nesse caso elas não iriam pessoalmente, mandariam algum comparsa. Afinal ele recebeu a visita de um homem. Eliminamos também Sirius Black que não está em Londres, não temos como conseguir uma foto dele hoje.

- Ele está.

- Como?

- Sirius Black. Está em Londres. Chegou ontem.

- E como é que você sabe? – Lily perguntou sorrindo.

- Ele me ligou antes de vir... – Lucy se apressou a mudar de assunto. – Para que as fotos?

Lily olhou estupefata para a amiga.

- Achei que conseguia acompanhar meu raciocínio... Quero uma foto dos suspeitos de ter matado Tom Riddle e prováveis membros da quadrilha da charutaria, e vou precisar de você.

- Isso ainda está muito confuso para mim. Mas vou te ajudar no que for preciso.

A ruiva sorriu agradecida e andou apressada até seu carro.

No caminho explicou para Lucy que sua idéia era mostrar as fotografias para as testemunhas que viram o tal homem misterioso batendo à porta da casa de Bob. Sabiam que o assassinato do Bob tinha alguma ligação com a de Tom Riddle por causa da mensagem que Lucy encontrou na meia do detetive. Talvez até Tom e Bob tivessem o mesmo assassino.

- E como vamos conseguir essas fotos?

- De maneira bastante natural. Eu finjo que estou tirando fotos suas em Londres, mas na verdade estarei focando em alguém próximo a você. No caso, os meus suspeitos. E vamos começar com James Potter. A essa hora ele deve estar voltando para o parlamento.

O plano de Lily já começou mal. A foto ela conseguiu, inclusive conseguiu várias, porque James não se contentou em ser apenas um plano de fundo. Quando reconheceu as duas 'turistas' tirando fotos no palácio, fez questão de tirar fotos junto com Lucy, junto com Lily, foto das duas nas imensas escadarias, foto das duas com sua secretaria Julia, foto dele fingindo estar trabalhando...

- Agora já chega Potter, temos outros pontos turísticos para visitar.

- Nossa... É tão bom te ver assim descontraída! Já disse que esse seu trabalho é muito estressante.

A ruiva se limitou a sorrir.

- Querem companhia para o passeio? Não tenho nada de muito importante para fazer aqui hoje...

- Obrigada Potter. – Lucy falou sorrindo. – Mas essa tarde eu quero a Lily só para mim. É uma exclusividade que eu lutei durante quase todas as minhas férias para conseguir.

- Tudo bem então. – Ele deu de ombros e se despediu com um beijo no rosto de cada uma.

- Sujeitinho insuportável. - Resmungou Lily quando voltaram para o carro.

- Sabe que eu até acho ele bastante divertido?

- Divertido? Ele é irritante!

- É curioso observar o tanto que ele te perturba...

Lily não respondeu.


No final do dia as duas amigas estavam exaustas da peregrinação, mas bastante satisfeitas.

Lily tinha conseguido todas as fotos que queria, agora só precisava esperar até o dia seguinte quando elas seriam reveladas.

- Vou fazer uma janta bem leve para nós, precisamos dormir cedo hoje.

- Assim que eu tomar um banho venho te ajudar Lis.

Lily começou a preparar a comida quando seu telefone tocou.

- Alô... ... Sim, sou eu... ... Ah, claro... ... Verdade?... ... Não, não me surpreende de todo... ... De qualquer maneira, obrigada... ... Tchau.

A ruiva recolocou o telefone no gancho e ficou algum tempo encarando o aparelho. Só 'acordou' quando sentiu um leve cheiro de queimado vir da cozinha. Por sorte era apenas a cebola picada.

Quando Lucy chegou para ajudar, a comida já estava servida. A loirinha fez rapidamente um suco de maçã e se sentou com Lily.

- Está pensativa...

- Recebi uma ligação enquanto você tomava banho.

- E?

- Quando Bob ligou para mim na casa da Gwen, ele tinha acabado de sair da estação de carruagens. Virou a esquina e usou um telefone público daquela quadra. E sabe onde fica essa cabine telefônica?

Lucy acenou que sim, mas foi Lily quem respondeu.

- Em frente à charutaria de Rodolphus Lestrange.


N/a:

E as coisas estão começando a se esclarecer, não? *-*

Próximo capítulo é um dos que eu mais gosto: vamos ao circo! Quem aí gosta de circo? Só sei da Nini que é louca por palhaços... kkkkkkk

Para quem está tentando decifrar as mensagens, hoje tem mais duas letrinhas lá no meu profile... Está ficando muito fácil!

Lolah Lupin - Oi flor! Sim o Jamesito é um fofo mesmo! Sou apaixonada por ele... rsrsrsr Ahh.. Nem estão tão diferentes assim... kkkkk

1 Lily Evans - Oi minha lindinha! É uma ótima ideia, eu só escrevo reviews no word por causa dessa 'piscação' e para não perder a review quando o ff resolve travar bem na hora de enviar... ^^ Imaginei mesmo que você não ia perdoar a Gwen, mesmo que eu esteja fazendo ela sofrer um pouco por aqui... haushaushua Bem... O Sirius vai mostrar seus talentos circenses no próximo capítulo aí você então decide se ele é mesmo ou não um malabarista... kkkkkk E já respondendo sua pergunta, você e Reggie aparecem também no próximo (só aparecem, não participam ainda... xD) Hum... O Giddy Prewet aparece daqui uns três capítulos, se não me engano... Mas é só mencionado... E sobre NLR... *cantarola, enquanto olha para o céu* Sabe o que é... Aquela fic estava muito triste... Vou terminar NSM e a Bela e a Fera antes de voltar para ela... Pretendo terminar muito rápido essa fic aqui... Prometo! *raxando de rir aqui com os seus pedidos no fim da review: 'que a Gwen morra' kkkkkkkk tadinha!* Que lindo, você notou que a Alice e o Frank são 'estranhos' aqui... hsuhaushuahsuahusahs Hei, o Rodolphus não é bobão! Pelo menos o meu não é... o da JK que ficou com a Bella, até pode ser... ahsuahushaushua Concordo sobre os charutos, e sobre a Lucy ser meio suspeita: só posso concordar que ela é uma caixinha de segredos! rsrsrs Bem, estamos com saudades! Seu maninho já está quase andando (já anda, apoiando nos móveis \o/), coisinha mais fofa! Mil Beijos nossos pra ti, lindinha!

SweetLily2801 - Olá! Bem vinda à fic! Obrigada pelos elogios, espero que o desenrolar da fic atenda às suas expectativas, rsrsrs Beijinhos.

Até breve pessoas...
Luci E. Potter.