...In the time of my life
Para este e para os próximos 2 capítulos, por favor, leia o título. Porque vai ter TUDO a ver com o capítulo em si, de diversas formas. É o refrão de uma música que eu amo. Alguém se arrisca a descobrir que música é?
E este é da Grazi, que pediu por isso a fanfic inteira.
Every You & Every Me
Autor: Rebeca Maria
Categoria: spoilers até a 3ª temporada e alusão da 4ª.
Advertências: Futuro smut, Angst.
Classificação: M/MA - Nc17
Capítulos: E este é o décimo primeiro
Completa: Não
Sinopse: "É sempre tudo sobre você e tudo sobre mim, Temperance! Sempre. Eu quero fazer com que seja tudo sobre nós!"
Every You & Every Me Capítulo 11 "Forever and a day, In the time of my life" Brennan & Booth Romance
FOREVER AND A DAY, IN THE TIME OF MY LIFE
Vício (do latim "vitium", que significa "falha ou defeito") é uma tendência habitual para certo mal, sendo oposto à virtude. O vicio é um hábito repetitivo buscando algum tipo de alivio a curto prazo. Tendo sempre consequências negativas e destrutivas a longo prazo. Ele sabia que era viciado. Viciado em trabalho. Viciado em jogos de azar. E havia um vício na vida dele que ele considerava o melhor entre todos. O único que não era prejudicial e, ao contrário, lhe dava vida, ânimo e não o deixava desistir. Ou ir embora. x.x.x Temperance Brennan não era uma pessoa sutil na maioria das vezes. Ela era direta. Verdadeira. Sempre. No entanto, naquele momento, ao pedir para ele não ir embora, ela estava usando de toda a sua sutileza, de toda a sedução e, provavelmente, de toda a sua coragem.
O vício é uma mistura de fenômenos que se relacionam ao sentimento de amor, à necessidade e ao prazer. A pessoa que tem vícios busca alívio para suas dores tentando compensá-las de alguma forma.
O vício por Temperance Brennan.
Estender a mão. Chamá-lo. Preparar tudo isso para ele. Só para ele. E pensar que, na cabeça de Booth, bastava que ela dissesse "Fique comigo, Booth.", e ele ficaria, pelo resto da vida dele. Mas ela tinha feito mais. E ele sabia como tinha sido difícil para ela fazer tudo aquilo.
"Você não precisava ter feito tudo isso, Temperance." - ele disse, enlaçando os dedos aos dedos dela e trazendo-a para mais perto, colando sua testa com a dela e olhando-a profundamente - "Obrigado."
"Você não precisa ter fugido de mim, você poderia ter conversado comigo. Você não me deixou enlouquecer depois do que houve na sua casa, Booth. E tudo foi muito pra minha cabeça, ainda é muito. Ainda há conseqüências. Mas mesmo assim, você não me deixou pensar nisso e não me permitiu... surtar. Eu queria ter feito o mesmo por você, mas aí você foi embora. E você estava com raiva e com medo. E eu também estou com medo. Disso tudo. Porque eu não sei o que isso significa pra mim e pra você, não sei como vai influir no trabalho, e em todo o resto... e eu precisava achar um jeito que fizesse você me ouvir..."
Ela estava pensando demais. Estava falando rápido demais. Booth sorriu, levou a mão à cintura dela, puxando-a para que colasse seu corpo com o dela, e beijou-a. Calou-a. Seduziu-a. E aceitou a sedução dela.
O beijo que eles partilhavam era lento. Mais lento do que qualquer outro beijo. Era intenso e profundo. Desejado. O mais exploratório de todos. Que os fazia encaixar as bocas de tal forma que pudessem sentir tudo, aproveitar tudo. Provocar sensações, excitar, num ritmo tão torturante que fazia os corações deles acelerarem. Apenas com um beijo. A pele deles estava arrepiada. A dela principalmente, e Booth se deleitou ao sentir isso sob os seus dedos.
Booth tinha tido Brennan como amante três vezes. Exatas três vezes, em pouco mais de um mês. A primeira vez foi apenas palavras. Mas ali, ela se entregara para ele. A segunda vez ele mostrou para ela como ele a queria de verdade. Deixou claro que a queria como parceira, amiga e amante. A terceira tinha sido verdadeira. A mais verdadeira entre todas as verdades que eles já tinha dito um pro outro. Esta seria diferente. Esta seria a vez de ele se entregar para ela. E de fazer com que ela se entregasse também. Este era o limite. Que os dizia que quando passassem desse ponto, seria algo maior, algo melhor. Algo ainda mais verdadeiro.
Nas primeiras vezes, havia toda a sedução de um tirar a roupa do outro. De dizer coisas não ditas. De mostrar coisas escondidas. Dessa vez, tudo o que eles precisavam era se prenderem ao corpo um do outro. Às sensações, à presença. Ao conforto.
E sim. Ele tirou a roupa dela. E ela tirou a dele. Rápidos e ágeis. E quando as mãos dele tocaram a pele dela, foi como um choque. E um arrepio passou por todo o corpo dela. E então, houve a calmaria novamente. O beijo ainda estava lento. Os corpos nus, colados, mas não unidos, os toques mais fortes, mais decisivos.
O olhar dele era tão intenso que ela mal podia respirar. Ele olhava diretamente para os seus seios. Delicados, rosados, lindos...
"Perfeitos." – então ele tocou o seio esquerdo. As pontas dos dedos. Ele sentiu os mamilos dela se eriçarem ao menor toque. E novamente o som de satisfação escapou dos lábios dela. Ele olhou-a.
Booth gostava de dar-lhe todo esse prazer. Na verdade, ele se deleitava ao admirá-la, ao ouvi-la gemer, ao senti-la tremer sob sua palma. Todos os simples gestos que ela fazia, a menor das expressões, elevavam-no a um prazer imensurável.
Ele levou a mão para o fim das costas dela, fazendo pressão para que ela se aproximasse mais dele e sentisse quão excitado ele estava. E com a boca desceu pelo corpo dela e envolveu o seio dela, passando a língua delicadamente, fazendo-a soltar um gemido rouco. Depois ele levou os lábios ao pescoço dela. Mordiscou e ouviu-a gemer novamente, enquanto voltava a acariciar o seio dela com a mão. Ele sabia que ela gostava das carícias, e dos beijos no pescoço.
"Prometa que não vai mais fazer aquele negócio com jogos de azar." - ela disse, numa voz séria, o mais séria que conseguiu diante das carícias de Booth.
"Eu prometo o que você quiser." - ele falou, no instante em que a ergueu, fazendo-a cruzar as pernas em sua cintura, e colocou-a contra a parede.
Ele não se encaixou nela. Ele prendeu-a contra a parede, segurando-a com uma mão enquanto a outra desceu até tocá-la entre as pernas. Ele a viu fechar os olhos no instante em que sua mão a tocou. Ele sorriu. Adorava ver como o corpo dela respondia aos seus toques. Adorava constatar que nunca, nenhuma mulher, respondia tão divinamente bem como Temperance Brennan.
Então ele parou o toque e apenas segurou-a contra a parede. A sua mão livre subiu pelo corpo dela, apenas roçando, mal tocando a pele dela, até que tocasse o rosto de Brennan. Então ele passou os olhos pelo rosto e pelo corpo dela. Admirou-a. Admirou aquela mulher por mais tempo que planejara. E céus, como ela estava linda. O corpo dela brilhava e refletia com as luzes vindas das velas. O corpo dela tremia sob sua palma ao menor dos toques. E então ela estava entregue a ele. Desejando-o mais naquele momento do que em qualquer outro.
Brennan abriu os olhos, e os olhos de Booth estavam, pela primeira vez desde que ultrapassaram a linha de parceiros, totalmente brilhantes. Não havia sombra. Não havia tristeza. Havia um fascínio e um desejo que a fizeram sorrir para ele. Ela passou a mão no rosto dele, na barba por fazer e desceu até que o tocasse e o guiasse para se unir a ela.
"Devagar." - ela curvou-se e disse, num sussurro, ao pé do ouvido dele. E foi a vez de ele tremer - "Eu quero sentir tudo. E quero que você sinta tudo."
Booth afastou o rosto para poder olhar para Brennan. Ela estava de olhos abertos. A falta de luminosidade deixava os olhos dela escuros, mas a luz das velas conferiam o brilho azul que ainda estava lá. O brilho que o fascinava e o desnorteava. Que o fazia se perder.
Ele uniu-se a ela, de uma forma torturante, excruciante, sentindo-a apertar seus ombros cada vez que ele entrava mais. Olhou-a nos olhos, sorriu, sentiu o corpo dela tremer. Desafiou-a quando parou e voltou um pouco, quase saindo de dentro dela, vendo o rosto de Brennan se contorcer em um misto de prazer e frustração. E então voltou a se unir a ela, no mesmo ritmo lento. E então, para imenso prazer dele, antes que ele pudesse estar totalmente dentro dela, ele se deliciou quando ela o presenteou com um fechar de olhos, um gemido rouco e uma expressão fascinante.
Ele moveu-se duas ou três vezes, lentamente, observando as expressões involuntárias que o rosto dela fazia, ouvindo os sons graciosos emitidos por seus lábios. Até que seus próprios lábios emitiram sons que se juntaram aos de Brennan. Então ele moveu-se mais rápido. E pôde ouvir gemidos mais altos. Dela. E dele próprio.
"Você fica linda assim, Temperance. Você sempre deveria estar assim! Com essa expressão no rosto." - ele pressionou forte seu corpo contra o dela, ouvindo-a gemer bem perto de seu ouvido quando ela deixou a cabeça cair no ombro dele.
"Não seria estranho..." - ela começou, baixinho, pontuando cada palavra ou com um gemido, ou com um beijo na pele dele - "...eu estar sempre com uma expressão de sexo no rosto?" - ele riu abertamente, quando aumentou o ritmo dentro dela.
"Você é tão literal, Bones." - ele comentou - "Me fascina." - ele fez com que ela olhasse para ele e então ele a beijou, aumentando o ritmo em que se movia contra ela à medida que aprofundava e intensificava o beijo.
Os lábios de Booth encontraram a curva do pescoço dela e detiveram-se ali por alguns segundos, enquanto ele continuava a mover-se dentro dela. Os gemidos dela estavam, agora, mais altos e bem mais próximos de seu ouvido. Aquilo, definitivamente, o enlouquecia. Seu corpo tremia por saber que era ele que a estava fazendo gemer daquele jeito, que era por causa dele que o corpo dela tremia contra o seu.
"Nós vamos deslizar..." – ele falou, rapidamente, assim que sentiu sua perna tremer e o pensamento de que não conseguiria mantê-lo de pé lhe passou pela cabeça. Optou por deslizar com ela até o chão, tentando não se separar dela.
Então Booth viu-a rir. Gargalhar, de uma forma tão gostosa e contagiante como nunca tinha visto. E ele não pôde deixar de rir junto com ela. O corpo dela tremia contra o seu, fazendo o seu próprio se arrepiar. Eles não tinham se separado ainda, então ele apenas deitou-a no chão, ficando por cima dela, e voltou a se mover, lentamente.
E quando ele começou a se mover mais rápido, uma de suas mãos encontrou o seio dela, a outra foi guiada até o baixo ventre dela e, de alguma forma, os dedos de Booth tocaram o seu clitóris. Ele olhou atentamente a expressão contorcida do rosto dela.
Aquela expressão que ele sempre pararia para olhar, dali por diante, quando tocasse aquele ponto particularmente sensível de seu corpo enquanto estava unido a ela. Aquele ponto que a levava ao limiar, que a fazia gemer de uma maneira tão sexy e sensual que ele mal podia se conter.
Ele sabia que ela estava perto do orgasmo. Ele sabia disso porque o corpo dela começava a vibrar, as unhas dela fincavam em suas costas, as risadas cessavam, dando lugar a gemidos mais profundos e roucos. E ele próprio tentava se segurar o máximo possível para que ela pudesse chegar lá primeiro. Foco, Seeley!
Então ele ouviu-a. Aquele som que ele tanto gostava de ouvir, bem próximo ao seu ouvido. Aquela palavra.
"Seeley..." – o corpo dela vibrou intensamente sob o seu, e aquela intensidade foi o suficiente para ele próprio explodir, com um gemido mais alto, e fazer seu corpo vibrar também.
Booth deixou-se cair sobre ela durante alguns instantes. Enquanto o seu corpo e o dela se acalmavam e voltavam a respirar normalmente. Ele queria continuar sentindo o corpo ainda trêmulo dela contra o seu. Ele teve medo de perder a sensação da pele dela contra a sua, dos seios dela contra seu peito, do rosto dela tão próximo do seu. Ficou assim por mais alguns minutos. Booth levantou-se primeiro, apanhou a mão de Brennan, fazendo-a levantar-se também, colocou seu corpo ao dela e beijou-a.
"Vamos conversar." – ele sussurrou ao ouvido dela, depositando um beijo na curva de seu pescoço, enquanto suas mãos acariciavam seus seios e desciam um pouco mais.
"Eu não quero conversar..." – ela sussurrou de volta, soltando um gemido baixinho quando sentiu os dedos de Booth em sua virilha, provocando-a com uma facilidade que ela desconhecia.
Ele sorriu e enlaçou seus dedos nos dela, puxando-a rumo à banheira.
"Você quer realmente conversar?" – ela olhou de uma maneira curiosa e trilhou beijos de seus lábios até seu pescoço, enquanto as mãos alcançavam o corpo dele.
Booth barrou a mão de Brennan e, antes que ela pudesse protestar, ele apanhou-a no colo e entrou com ela na banheira. Ele sentou, de costas para a parede da banheira, e posicionou-a entre suas pernas, com as costas apoiadas em seu peito. Os lábios dele encontraram sua nuca e ela se arrepiou.
"Ok." - ela falou em um tom decisivo - "Vamos conversar, sem provocações."
"E qual a graça disso?" - ele sussurrou no ouvido dela, mordiscando sua orelha, enquanto as mãos dele apertavam levemente seus seios.
Ela segurou as mãos dele e fez com que elas descessem pelo seu corpo até as suas pernas, e então ela segurou as mãos dele ali. Barradas.
"Eu tenho uma condição psicológica" - ela começou, deixando-se descansar no peito dele, deixando sua cabeça no ombro de Booth - "chamada Baixa Inibição Latente. Fui diagnosticada aos 15 e é um dos motivos de eu não gostar de psicologia."
"Eu não sei o que isso quer dizer, Bones." - ele falou, com certa graça e ela riu.
"E eu vou ignorar que essa fala é minha." - ela pressionou as mãos de Booth para que fizessem pressão em suas próprias pernas - "Mas isso quer dizer que eu vejo coisas que outras pessoas geralmente ignoram."
"É isso que te faz ser tão estranha?" - ele perguntou, com certa brincadeira.
"Não, é isso que me faz ser tão brilhante."
"Eu ainda não entendi."
"Veja... quando você olha para uma vela, o que você vê?"
"Uma vela."
"Eu vejo a estrutura, eu vejo a cera, eu vejo o pavio. E meu cérebro assimila tudo isso como partes diferentes de uma mesma coisa. Quando eu vejo um osso, eu vejo o osso em si, vejo a medula e as camadas e associo como partes a serem analisadas separadamente. Isso me faz ser meu cérebro mais aberto a estímulos externos. É o que me faz ser tão boa no que eu faço."
"Que tipo de estímulos? Todos eles?" - ele provocou, e cada vez tinha mais certeza que adorava provocá-la. Ele forçou as mãos um pouco mais para cima nas pernas dela, pela parte interna da coxa. Ela respirou fundo.
"Sua vez, Booth." - ele riu quando ela barrou a mão dele.
"Eu não tenho nenhuma condição psicológica e não odeio a psicologia." - ela riu.
"Me conte alguma coisa."
"Ok, Dra. Brennan." - ele suspirou e então levou os braços em volta da cintura dela, abraçando-a - "Quando eu tinha 17 anos, meu irmão, Jared, e eu, tivemos uma discussão. Nós estávamos voltando pra casa, no carro velho do meu pai. Ele estava dirigindo. Nós brigamos, Jared perdeu o controle do carro e atropelou uma garota. Jared quis fugir e eu disse que ele era um covarde e mandei-o parar o carro. Eu desci para ajudar a garota, chamar uma ambulância, qualquer coisa. Jared foi embora." - Booth respirou fundo novamente e afundo o rosto na curva do pescoço de Brennan - "Eu peguei a garota no colo e andei pela estrada durante uns dez minutos até encontrar alguém. Mas já era tarde demais e ela morreu... nos meus braços."
"Booth, eu..."
"Shh. Eu não terminei." - ele beijou o pescoço dela com suavidade e continuou - "Eu fiquei com muita raiva do Jared e discuti com ele, disse que ia contar para os nossos pais e repeti que ele era um covarde e que eu tinha nojo de ser irmão dele. Meu pai entrou no quarto perguntando porque eu estava com tanta raiva. E eu disse que eu tinha um irmão que era um monstro e que eu me recusava a ficar na mesma casa que ele. Dois dias depois eu me alistei no exército de artilharia. Se eu passasse no teste, eu seria treinado para ser um atirador de elite. Uma semana depois eu estava fora de casa. Um mês depois eu era considerado o melhor atirador jovem do batalhão. Mas foi nessa mesma época que eu me viciei em jogos de azar. Porque apenas o treinamento do exército não acabou com a minha raiva. Eu precisava de um alívio. E consegui isso nos cassinos." - Booth abraçou-a ainda mais forte contra o seu corpo e respirou fundo, dessa vez, contra a pele dela, sentindo o cheiro dela, arrepiando-a.
"Tudo bem, Booth." - ela falou com a voz calma - "Eu estou aqui, ok?" - ela pressionou seu próprio corpo contra o dele. A água se movimentou, arrepiando-os e ela virou o rosto para encontrar a boca dele e beijá-lo longamente - "Eu estou aqui."
"Alguns anos depois, antes de eu ser mandado para o Iraque, o meu General me chamou para uma reunião. Ele sabia do que acontecia comigo. Ele sabia que eu tinha esse vício por jogos. Mas ele também sabia que desde que eu entrara ali eu nunca tinha deixado de ser o melhor atirador de campo. Mas ele me disse que eu precisava parar, que precisava de mim totalmente focado para uma missão de resgate."
"Foi nessa missão que você foi feito refém e..."
"Exatamente. Mas ser torturado não é a pior parte da sua vida quando você tem tantos outros fantasmas piores." - ele finalizou, afundando novamente o rosto no pescoço de Brennan - "Quando Parker foi para a Irlanda, eu senti uma raiva ainda maior, porque era o meu filho que eu estava perdendo. Era ele que estava indo embora e eu não podia fazer nada... não posso fazer nada..."
"Eu sinto muito, Booth." - ela virou-se de lado e fitou os olhos dele e levou a mão ao peito dele - "De verdade."
"É justo você saber algo do meu passado negro quando eu sei mais sobre você do que você de mim, certo?"
"Quando eu estava no sistema de adoção, logo quando meus pais sumiram e Russ foi embora, eu estava prestes a fazer 16 anos. E me prometa que isso vai ficar entre nós."
"Eu prometo, seja lá o que for."
"Ótimo." - ela acomodou-se novamente apoiada no peito dele - "O sistema de adoção não oferece, recursos, você sabe. E quando completamos 16 anos já podemos trabalhar de acordo com as leis dos EUA. E podemos escolher trabalhar para o sistema ou um trabalho público. É quase como acontece em sistemas de presídios e liberdade condicional. Eu não trabalharia para o sistema, em hipótese alguma. Mas se eu quisesse algo que me sustentasse, eu precisaria falsificar documentos."
"Você falsificou documentos, Bones?"
"Identidade e diploma. Pouca coisa. E você prometeu que isso ficaria entre nós." - ele riu - "Eu virei uma diplomada em ortopedia, aos 18 anos. De acordo com os documentos, ao menos. E eu arranjei um bom emprego, que pagava bem, muito bem, para o que eu precisava. Foi quando eu comecei a juntar dinheiro para a faculdade e pagar aulas de artes marciais, se eu pretendesse sobreviver no sistema. Não é fácil. E você sabe, eu não sou a melhor pessoa para se manter longe de brigas se eu não gosto de alguma coisa. E eu não parava em nenhuma casa de adoção, e sempre voltava para o sistema. Até meu avô me encontrar. E bem, ele me ajudou com o resto."
"Quer dizer que você é uma falsificadora?"
"Fui. Uma vez. O meu diploma e o meu doutorado são reais, ok?"
"Ok, eu deixo essa passar." - Booth, então, colou os lábios na nuca de Brennan e beijou com força, quase como se beijasse a boca dela. Ela se arrepiou em seus braços e não conteve o gemido que escapou de sua boca - "Se você me der o que eu quero."
"E o que você quer?"
"Isso." - ele levou uma mão ao seio dela, apertando levemente - "E isso." - a outra mão escorregou até entre as pernas dela, pressionando forte. Ela gemeu novamente e cobriu a mão dele com a sua própria.
"Me prometa que este será o local para conversarmos. Assim, sem barreira nenhuma entre a gente, na água, pra limpar tudo o que tivermos que falar."
"São muitas promessas, Temperance."
"Apenas prometa, Seeley."
"Eu prometo, Bones, que aqui será sempre o nosso lugar." - ele beijou a curva do pescoço e o ombro dela - "Então vamos conversar, até eu conseguir o que eu quero. O que te excita?" - ela prendeu a respiração por um segundo.
"Suas mãos."
"Minhas mãos, huh?" - ele pressionou as duas mãos dele um pouco mais forte e deixou que um dos dedos dele deslizasse para dentro dela.
"Sua palavra preferida." - ela sussurrou, de uma forma rouca e baixa.
"Seeley. Booth. Seeley Booth." - ele disse, com certa descontração.
"Isso é egocêntrico da sua parte."
"Você não quer saber por quê?"
A água se movimentou quando Brennan flexionou o joelho, dando mais espaço para a mão de Booth entre suas pernas. Seu corpo se arrepiou e arqueou quando ela sentiu-o pressionar, uma e duas vezes.
"Oh...eu sei porque..." - ela disse pausadamente, sentido todo o seu corpo tremer. Por causa do toque. Por causa das palavras. Por causa das sensações. Por causa da água em seu corpo - "...Seeley." - ela gemeu o nome dele, arqueando ainda mais o corpo, suas pernas instintivamente dando mais espaço e liberdade para as mãos de Booth.
Ele colocou-a ainda mais contra o peito dele, os corpos quase inteiramente colados na banheira. A mão que estava no seio dela provocou um dos mamilos e depois o outro, alternadamente. A outra continuou entre suas pernas. Ela apenas sibilou outro 'Seeley', que ele não poderia ter ouvido, mas aparentemente o corpo dele ouviu e reagiu no mesmo instante. Ela sentiu o pênis dele pulsar contra ela. Conseguiu sorrir.
Brennan não queria nunca que aquela sensação acabasse. O toque de Booth, tão íntimo em seu corpo. As palavras dele. Ela quase tinha esquecido, em quinze dias de ausência, como as palavras dele a excitavam de uma maneira tão peculiar.
Ela também tinha noção do efeito das palavras dela no corpo dele. Seeley! Ela sabia que o nome dele, dito de uma forma tão... dita daquela forma, o excitava. Ela sabia muitas coisas sobre ele. Muitas das quais ela quis esconder por muito tempo.
"O que estamos fazendo, Booth?" – ela sussurrou, e num momento apanhou as mãos de Booth, afastando-as ligeiramente de seu corpo, para que pudesse virar-se para ele.
"É importante?" – o corpo dela tremeu, e ela fechou os olhos. Ele sorriu.
"Muito." – foi o que ela disse, ainda de olhos fechados. Lá estava ele, o Booth gentil e romântico que ela só tinha visto poucas vezes, e que ela tivera tantas saudades – "Pra mim é importante." – ele levou seus lábios até a orelha dela. Sua mão voltou para aquele lugarzinho entre suas pernas e tocou-a levemente. Ela gemeu. Aquele som que ela fazia... ele gostava tanto daquele som.
"Isso, Temperance, é amor com paixão." – ele sussurrou, no mesmo momento em que colocou dois dedos nela. Outro gemido. Aquele som de novo. Seu corpo tremeu.
Amor com paixão.
Brennan buscou os lábios de Booth com todo o desejo que pôde reunir. Era intenso, cheio de paixão. Ela, pela segunda vez, apanhou a mão dele e afastou-a de seu corpo. Ele olhou-a, curioso. Ela sorriu-lhe.
"Assim." – ela disse, ajeitando seu corpo sobre o dele e encaixando-se, devagar, mas não tanto quanto da primeira vez em que se encaixaram naquele dia. Dessa vez, ele gemeu.
"Oh céus." – ele olhou nos olhos dela. Brennan sorriu, seu rosto meio contorcido quando ele tocou seus mamilos – "Você é linda."
E sim, ele conhecia Brennan. Ele prestava atenção a cada detalhe dela. A cada reação. Ele queria conhecê-la mais. Queria saber o que mais poderia fazer apenas para arrancar um gemido dela, um tremor, uma palavra, uma sensação de prazer. Queria sempre ser aquele a dar isso para ela. Sensações boas. Momentos inesquecíveis.
Então ele parou por apenas um segundo. Ajeitou-a entre as pernas dele, e pressionou, forçando-a para baixo, parando quando percebeu que estava o mais fundo possível dentro dela. Ele sentiu o corpo dela se tensionar contra o seu, as unhas dela fincarem em seus ombros e aquele som. Aquele som quase inaudível que ela emitia quando ele tinha conseguido dar a ela algo mais que prazer, quando ele descobria alguma coisa nova. Aquele gemido baixinho, rouco, profundo e intenso. E então a água da banheira estava parcialmente agitada, batendo no corpo dela, e no dele, e deixando-os ainda mais arrepiados, provocando-os com um estímulo a mais.
"Faça isso de novo." - era uma ordem. E mesmo a voz falhada dela denunciava que era uma ordem.
Ele levou uma mão ao seio dela e fez o que ela tinha mandado. Com as mãos no quadril dela, forçou-a para cima, fazendo-o quase sair de dentro dela, e então pressionando e parando quando ele estava o mais profundo possível. E ele ouviu aquele som novamente, mas dessa vez, um pouco mais alto, um pouco mais prazeroso. O corpo dela tremeu contra o seu e ele gemeu no ouvido dela quando a sentiu ficar ainda mais tensa e sentiu que ele estava mais tenso também.
"Céus, Temperance..." - e antes que ela mandasse ele fazer de novo, ele fez.
Mas dessa vez, ele continuou tocando o seio dela e levou seus lábios ao pescoço de Brennan. Afastou-a e pressionou. Duas vezes seguidas, e parou, apenas para ouvir aquele som. E acompanhá-la com o seu próprio gemido.
"Oh, Seeley..." - ela segurou-o no lugar por alguns segundos, respirou fundo e então olhou pra ele.
Sua mão foi para o peito dele. O coração de Booth estava tão acelerado quanto o dela. E ele respirava com tanta força como ela. Ela sorriu para ele e recebeu um sorriso de volta. Havia uma cumplicidade mútua, um desejo idêntico, uma sensação que apenas esperava mais um movimento para fazê-los cair.
"Ainda não, Seeley. Não sem ela." – ele forçou-se a pensar, ao sentir seu corpo vibrar um pouco mais forte. Ele podia sentir os dedos trêmulos dela nos ombros dele, a respiração ofegante, os gemidos mais pronunciados.
"Faça de novo." - ela mandou - "Comigo."
Booth sentiu seu corpo tremer e vibrar. Brennan buscou os lábios de Booth para um beijo. O mesmo beijo lento e tortuoso que eles gostavam de compartilhar. E durante o beijo, ele pressionou levemente a mão no seio dela, afastou-a. E pressionou o corpo inteiro dela contra o seu. Uma vez mais. Profundo, intenso. Ele sentiu Brennan parar o beijo por meros segundos e gemer profundamente quando o orgasmo a atingiu. O corpo dela tremeu tanto em seus braços que ele apertou-a ainda mais contra o seu corpo. Os olhos dela estavam fechados e apertados, e ela não os abriu pelos próximos segundos. E então, sentindo o corpo dela trêmulo contra o seu e ouvindo o gemido que ela deixara escapar, ele deixou-se tremer com ela. A cabeça dele pendeu para trás e ela pôde ouvir o gemido alto que escapou da boca dele.
"Temperance" – ele sussurrou, ela não abriu os olhos, apenas agarrou-se a ele – "Olha pra mim."
Então ela olhou. Havia um brilho distinto nos olhos dela. E também um pedido para ele não parar aquela sensação. Ele sorriu. E então fez com que, de uma vez e inesperadamente, suas mãos erguessem Brennan pelo quadril e descessem novamente, com força.
"Oh Seeley..."
Ele pôde sentir todo o corpo de Brennan vibrar novamente contra o seu. Ele viu os olhos dela brilharem mais intensamente. E um último gemido. Rouco. Alto. Aquela palavra. Seeley.
Booth nunca ia esquecer como os olhos dela brilhavam quando ela tinha um orgasmo. Ou como o corpo dela reagia a tal sensação. Era absolutamente sensual.
Por vários minutos o corpo de Brennan tremeu contra o de Booth. E ela não tinha idéia do que poderia ser aquilo. Aqueles tremores de prazer e satisfação tão prolongados, aquela vontade de permanecer nos braços dele, aquela sensação de delírio, tão gostosa. Ela não tinha noção de como poderia ser bom e satisfatório estar com ele, de como poderia ser melhor estar com ele do que com qualquer outro homem.
"Eu nunca me senti assim." - ela sussurrou, com o rosto escondido no pescoço dele.
Ainda estavam encaixados, e Brennan o sentia relaxado dentro de si, e se sentia completa. E tinha medo daquela sensação ir embora. Seu corpo tremeu novamente e Booth a abraçou mais fortemente, passando os dedos nas costas dela, subindo e descendo, molhando a pele dela.
"Shh." - Booth, por um instante, preocupou-se com os tremores do corpo dela. Pois ela tremia, parava e segundos depois ela tremia ainda mais. Até não parar de tremer - "Pare de tremer, Bones." - ele pediu.
"Eu não consigo. Eu não..."
Ela sabia que não era motivo para se preocupar. Ela só não entendia porque os tremores não tinham parado. E sim, às vezes ela tremia quando o sexo era bom, as vezes ela tremia um pouco mais quando o cara lhe dava um orgasmo mais forte. Mas nunca, em toda a sua vida, os tremores tinham continuado, quase como se fossem uma extensão do orgasmo, exceto, claro, que não eram um. Nunca um homem lhe tinha causado tantos tremores e tanta plenitude. Mas ela queria parar de tremer, porque era muito para ela naquele dia, muita informação, muitas sensações, e quando tudo isso se juntava na mente dela, ela enlouquecia, e ficava com medo novamente.
"Por favor, Temperance." - havia um tom de desespero na voz dele, de profunda preocupação - "Pare de tremer."
"Faça, Seeley. Me faça parar de tremer."
Ele a abraçou com força e alcançou a boca dela. Beijou-a com suavidade, não com a intenção de excitá-la, mas sim de acalmá-la. Beijou-a devagar, mas não tão devagar. Era um beijo que dizia que tudo ia ficar bem, que tudo estava bem e que ele estava ali com ela, para fazê-la parar de tremer, para abraçá-la e ficar com ela. Um beijo que dizia que era ele, Seeley Booth, que estava com ela, e sempre estaria. Um beijo que a aquecia por dentro, confortava, e mandava todo o medo que ela pudesse ter para um canto escuro, quase esquecido. Era o beijo dele.
Ela parou de tremer e permaneceu abraçada a ele. Permaneceu unida a ele. E percebeu que ela gostava de ficar assim, em silêncio, aproveitando a sensação que tinha de tê-lo dentro de si, aproveitando os toques dele em sua pele. Toques suaves que acalmavam seu corpo. Junto com a água, agora calma, que apenas batia levemente no corpo deles, acalmando-os. Ela gostava daquela cumplicidade mútua e silenciosa que tinha com ele.
E nessa hora, na banheira, unida a ele, ela percebia que nunca tinha ficado dessa forma com nenhum outro homem. Nunca tinha aproveitado para tê-lo relaxado dentro de si, nunca se tinha deixado aproveitar as carícias no final, as sensações. E agora pensando, ela sabia que era com ele que ela tinha que fazer isso, porque era ele que ela queria sentir, eram as carícias dele que ela queria ter. Ela tremeu, uma última vez.
"Vamos sair da água. Está fria." - ele sussurrou, a voz embargada, rouca, mas profundamente satisfeita.
Ela levantou-se, contra a vontade, deixando o conforto que ele lhe dava quando estava dentro dela. E ele saiu primeiro da banheira, pegando os roupões e abrindo um para que ela vestisse. Ela vestiu, ficando de costas para ele, e ele aproveitou para abraçá-la.
"Eu não quero te assustar, Temperance." - ele sussurrou, com a voz decidida, no ouvido dela, e ela não disse nada - "Eu não estou te pedindo uma vida inteira ao meu lado. Ainda não. Eu estou te pedindo um dia." - ele suspirou, dando um beijo na nuca dela - "O para sempre vem depois."
Ela não falou nada. Ela não precisava falar nada. Ele sabia e ela sabia. Brennan enlaçou os dedos nos dedos de Booth e juntos apanharam as roupas caídas. Vestiram-se em silêncio. Saíram do apartamento em silêncio. Foram para o hotel dela em silêncio. O silêncio cômodo e cúmplice que tantas vezes eles compartilharam.
Arrumaram a cama, tiraram a roupa e foram para debaixo do edredom quente e confortável. Deitaram-se de frente um para o outro, e os dedos enlaçados era o único toque entre eles. Olharam-se por diversos minutos.
"Como está o Parker?" - ela perguntou, baixinho, depois de um tempo.
"Não está falando com a Rebecca, mas está bem. Ele diz que a Irlanda é chata e que ninguém lá sabe falar direito."
"Ele provavelmente deve estar estranhando o sotaque."
"Provavelmente." - ele sorriu um sorriso triste para ela - "Qual a sua palavra preferida, Bones?"
"Lógica." - ela respondeu prontamente.
"O seu som preferido?" - ela demorou alguns segundos, e então deixou que sua mão se separasse da mão de Booth e levou-a até o peito dele. Tum. Tum. Tum. Batidas calmas, baixas, mas que ainda assim, estavam lá. E ela não precisou responder com palavras.
"O seu?"
"A risada do Parker." - foi a vez de ele responder prontamente - "Mas tem outro que está mesmo empatado." - ele continuou, mas imediatamente emendou - "E o que você menos gosta?"
"Eu não tenho idéia." - eles riram juntos - "Tecnicamente falando, não há como eu saber o somo que eu menos gosto se eu não ouvi todos os sons do mundo."
"É uma boa resposta." - ela bocejou longamente e Booth achou-a graciosa - "Vem, vamos dormir." - ela não relutou em aninhar-se nos braços dele, sentindo a respiração dele em seu pescoço. Ela aceitou e relaxou.
Dormiram abraçados. Calmos e relaxados. Satisfeitos. A respiração dela estava acomodada à dele.
Algum tempo depois ela abriu os olhos e olhou para a janela, entreaberta. Ainda estava escuro lá fora. E Booth estava dormindo abraçada a ela. Minutos depois ela ouviu o aparelhinho sobre a mesa de cabeceira vibrar. Ela deslizou sorrateiramente para fora da cama e apanhou o seu celular. Olhou para Booth e ele continuava dormindo, então ela foi para o banheiro e atendeu.
"Rebecca?" - ela falou - "Obrigada por ligar."
A ligação não demorou muito. Ela desligou o celular e voltou para o quarto. Booth remexeu-se e abriu os olhos.
"O que houve? Já é de manhã?"
"Não, ainda está escuro. E frio." - ela deslizou para baixo do edredom - "Volte a dormir, Seeley." - ela beijou suavemente os lábios dele e aninhou-se em seus braços.
Brennan moveu os pés e trançou-os entre as pernas de Booth, fazendo os pés dele envolverem os seus. Os pés dela estavam gelados. E ele percebeu que poderia facilmente acostumar-se em esquentá-los, todos os dias, para o resto da vida dele, e mais um dia.
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