Eu demorei mais do que pretendia naquele mercado e tive que fazer, pelo menos, umas quinze viagens para descarregar as compras da minha caminhonete.

Quando eu finalmente coloquei o peixe no forno e desliguei o fogo do arroz, já passara das sete.

Eu corri pro banho, tirando a roupa pelo caminho e atirando no cesto de roupas sujas. A sensação da água quente caindo pelo meu corpo foi impressionante: as dores que até então não me encomodavam, triplicaram e eu fui obrigada a sentar no chão e esperar que elas diminuissem. Meu pescoço doia e os musculos das minhas pernas latejavam.

- Bella? - eu ouvi alguém me chamar do outro lado da porta. Eu já não sabia a quanto tempo estava lá dentro.

- Quem é? - eu perguntei ainda meio abobalhada. A dor estava sumindo aos poucos.

- Seu pai, Charlie. Quem mais podia ser, bobinha? - é, quem mais Bella?

- Oh! Desculpe, pai! Que horas são?

- Sete e meia, Bella! - ai meu deus, eu estava a mais de vinte minutos no banho. Merda.

- Hun... pode desligar o fogão pra mim, pai? Demorei mais do que pretendia aqui.

- Claro! É... que botão que eu tenho que apertar? - eu ri. Ele era uma total negação pra cozinha. Não sei como ele não se matara de fome antes de eu vir pra cá.

- Você vira o primeiro botão do lado esquerdo até que o tracinho esteja pra cima.

- Ok Bells.

As minhas dores tinham sumido e eu agradeci por isso, já que agora podia finalmente tomar meu banho. Shampoo de morango, assim como meu condicionador e mais algum tempo para me limpar de toda aquela sujeira daquele dia estupido. Saí sete e quarenta e cinco exatamente. Deus queira que Edward não seja pontual.

Foi quando eu abri meu guarda-roupa que eu, de novo, percebi que tinha que fazer compras! Caramba, que que eu ia vestir agora?

Eu arranquei praticamente toda minha roupa de lá de dentro pra finalmente achar alguma coisa. Uma saia caqui e uma blusa branca de gola alta e manga cumprida. Beleza, ia dar pro gasto. Terminava de dar um jeito nos meus cabelos quando a campainha tocou. 8:59 - É, o Edward era pontual.

Eu praticamente rolei escada abaixo, correndo na frente do Charlie pra abrir a porta. Assim que passei por ele, vi que ele ria. Parei na porta, recuperando meu folego e ajeitando meu cabelo como se eu tivesse vindo calmamente até ela, e abri.

Meubomjesusdoshomensgostosos! Senhor, o que que era aquilo? Ele vestia uma calça jeans escura, uma camiseta preta e um casaco de couro da mesma cor. Ele deve ter percebido meu parcial abandono de sentidos porque, lá no fundo, eu ouvi ele rindo. Ah! Aquele sorriso...

Ele devia ter dado alguns passos entre a minha total perda dos sentidos e parcial perda dos sentidos já que num momento ele estava lá - lindo e maravilhoso com aquele meu sorriso perfeito e no milésimo de segundo seguinte, ele estava colado em mim, e eu lá, sentindo a sua respiração no meu rosto. E porque eu não sentia seu cheiro?

- Bella, eu juro que você não respirar no próximo segundo, eu vou começar a trazer um balão de oxigênio junto comigo - ele falou baixo no meu ouvido. Seu cheiro doce e inebriante me pegou um tanto quanto desprevenida. Minha memória definitivamente não fazia jus a nenhuma parte dele.

- Bella, convide-o para entrar! - eu ouvi o Charlie falar.

- Er... entre? - ele deu um beijo estalado na minha bochecha e sorriu, entrelaçando minha mão a dele e entrou, me puxando junto.

- Muito prazer, sr. Swan - Edward falou formalmente, estendendo sua mão livre.

- Por favor, me chame de Charlie.

- Charlie então - ele repetiu com o mesmo sorriso.

- Eu tava vendo o jogo. Acompanha esse velho fanático por jogos?

- Com toda certeza! - eu não sabia se ele realmente gostava de jogos ou se queria fazer média com o meu pai. De qualquer forma, ele tava no caminho certo.

- Eu vou arrumar a mesa então.

- Vai lá, Bells - meu pai falou já da sala. Edward me deu um beijo no todo da minha cabeça e foi se juntar a ele.

- E então Edward, eu preciso mesmo perguntar - eu conseguia ouvir-los da cozinha - você gosta realmente da minha filha? - meu coração quase saiu pela boca quando eu ouvi aquilo.

- Eu vou ser muito sincero com você - ele diminuiu a voz e eu tive que fazer um esforço maior pra ouvir - Eu a amo mais do que qualquer coisa na minha vida.

Eu deixei cair um copo e obviamente que este caiu fazendo o máximo barulho possivel

- Não foi nada! - eu berrei, catando os pedaços do chão.

- Ela é sempre estabanada assim? - Edward perguntou divertindo-se.

- Desde pequena - Charlie respondeu rindo.

- Agora que conte sobre sua familia... porque mudaram pra cá? Forks é muito pequena para um médico tão renomado quanto seu pai.

- Acho que foi justamente por isso que ele mudou. Ele simplesmente ama o que faz, mas estava sobrecarregado de trabalho, muitos pacientes, sabe? Mas ele adorava aquilo tudo, sempre ajudando as pessoas. Minha mãe que estava ficando preocupada com ele. Sempre cansado... O sr. Hale, pai da Rose e do Jasper que moram com a gente, deu a idéia de nos mudarmos pra cá, já que eles viviam aqui quando pequenos.

- Hale? Poxa, há quanto tempo que não ouço falar dele! Como ele tá?

- Muito bem! Ele e a mulher viajam muito! Sempre que podem veem ver os filhos!

Observação mental: agradecer a Rose por me trazer o Edward pra mim.

- E porque resolveram vir no final do ano?

- Minha mãe queria se mudar no começo do ano que vem pra cá por causa da nossa escola, mas meu pai acabou achando aquela casa e minha mãe se apaixonou por ela. Como o dono não pretendia segura-la por muito tempo, meu pai comprou e quando ela ficou finalmente pronta, a gente se mudou. Ele já tinha entrado em contato com o hospital daqui e já tinha o emprego garantido.

- Mas tua mãe não estava certa em relação a escola?

- Não não, a gente estudava em uma escola muito boa e bate totalmente com o ensino daqui.

Meu pai tinha descoberto mais coisas do Edward em cinco minutos do que eu em dois dias. Droga, eu tinha que parar de ficar tão irracional quando estava perto dele porque senão eu nunca ia descobrir mais nada. E também, podia parar de quase morrer perto dele porque isso também não ajudava.

- Eu conheço apenas seu pai e sua irmã, que parece ter se tornado amiga intima da Bella - meu pai falou bem-humorado.

- Sem duvida! Minha irmã faz amizade facilmente, embora ela saiba escolher muito bem. Ela é um pouco empolgada demais com absolutamente tudo... minha mãe fala que ela hiperativa, embora meu pai ache que ela apenas tem energia demais pra gastar - ele disse rindo.

- Quando Bella me ligou para me convidar para o jantar, eu contei a minha mãe e ela ficou simplesmente radiante com isso. Pediu para que eu lhe convidasse para jantar em nossa casa.

- Adoraria conhecer os pais do meu genro!

- O senhor tem alguma coisa pra fazer no sabado?

- Não não! Pode ser sabado!

- Que bom! Ela já tem tudo planejado pra sabado mesmo! - eu ouvi os dois rindo.

- Hun... o jantar está servido - eu entrei na sala para chamá-los.

- A Bella cozinha muito bem...

- Esme vai adorar isso! Finalmente uma ajudante pra ela na cozinha!

- O que sua mãe faz? - meu pai perguntou, sentando-se na mesa.

- Ela era chef de uma restaurante bem conhecido em Los Angeles.

- Edward... - meu pai ficou sério por um instante - eu estou achando que vamos nos dar muito bem.

- Pai, por favor... - eu corei. Edward acharia que eramos interesseiros desse jeito!

- Bella, ele sabe que é brincadeira, não é?

- Claro! - ele respondeu com um sorriso no rosto.

- Realmente, Bella... está muito bom - Edward falou depois de um tempo. Eu não tinha comido praticamente nada. Apenas o admirava fazendo o mesmo.

- Obrigada - eu agradeci ainda corada.

Já passava da dez quando o Charlie parou com as suas perguntas.

- Foi um grande prazer conhecê-lo, sr. Swan.

- sr. Swan?

- Oh! Desculpe. Foi um grande prazer conhecê-lo, Charlie!

- Igualmente, Edward! Você é um bom rapaz.

- Muito obrigada! - os dois apertaram as mãos.

- Eu te levo até a porta - eu falei levantando do sofá.

- Vou subir então Bells. Boa noite, meu anjo.

- Boa noite, pai - falei enquanto ele subia as escadas.

- Eu juro que tinha medo do seu pai, Bella - ele falou balançando a cabeça enquanto a gente andava até seu carro.

- Ele nunca agiu assim. Não sei o que que deu nele, sério.

- Espero que ele continue assim. Ele tem uma arma Bella - eu ri.

- Não ria. Eu posso morrer, sabia? - ele continuou.

- Oxa! Ele não matou o Jacob. Acha mesmo que ele ia te matar? - epa. Escolha errada de pessoa. Edward ficou sério.

- Por falar em Jacob, a gente precisa falar sobre isso, Bella.

- Amanhã, Edward...

- Não passa de amanhã então, tá?

- Ok.

Ele me beijou e eu senti aquele mesmo frenesi.

- Eu posso até aceitar, mas não significa que eu tenha que ver, né? - eu pulei ao ouvir a voz do Charlie vindo de cima. Se eu não soubesse que a casa era sobrado, podia tranquilamente achar que a voz vinha do além.

- Até amanhã, Bella - ele se despediu de mim rindo.