Gundam Seed Again

Capitulo 14: Venham se divertir, é a nova festa da ZAFT!

Já havia começado há algumas horas, mas ainda havia pessoas chegando, Nicol estava de olho na porta, mas se distraiu por... Meia hora quando começou a conversar com uma garota e agora procurava Rusty e Miguel, mas eles simplesmente haviam desaparecido, o que não era difícil, havia tantas pessoas andando pelo salão enquanto outras se sacudiam na pista.

Bagunça. Ou diversão, como você quiser chamar.

"Ah que se dane" Pensou dando de ombros e seguindo com a garota que ele sabia ser casaco verde.

Perto da mesa, que estava cheia de bebidas diferentes, ninguém perdia tempo pra ver qual era, apenas enchia o copo de acordo com a recomendação dos amigos ou simplesmente pegava a com o nome mais impronunciável.

Lunamaria: Me sinto um pouco mal com essa coisa toda da festa da ZAFT, quer dizer, todo mundo está ansioso, já que parece que eles ficaram ofendidos com a matéria do jornal.

Meyrin: Eles sempre ficam ofendidos.

Lunamaria: A questão não é essa, eu sei que o povo do jornal vai estar de olho em mim, eles vão me seguir com aquelas câmeras estúpidas, esperando que eu apareça na página principal.

Meyrin: Você não vai beber.

Lunamaria: Não foi a bebida.

Meyrin: Eu vou ficar de olho em você...

Lunamaria ia abrir a boca pra reclamar, mas Meyrin simplesmente virou as costas e foi para a pista aproveitando que uma nova música havia começado.

Rey: Já vai começar? – Diz, apontando para o copo na mão de Lunamaria, - Não deveria pelo menos esperar dar mais tempo?

Lunamaria: Qual o problema de todo mundo? – Reclama deixando o copo em cima da mesa e se afastando.

Rey revira os olhos enquanto imaginava se Lunamaria gostava de sofrer. Ele segue pelo salão sem rumo, notando o movimento de algumas pessoas que evidentemente não pertenciam a academia.

Miriallia: Ela só pode estar brincando – Diz para seu amigo Tolle, eles haviam chegado juntos e agora estavam parados na varanda já que era impossível se comunicar na pista – Ela vai mandar mensagens a cada segundo, que tal colocar alguma coisa bem forte na bebida dela?

Tolle: Podemos colocar algumas das drogas que ela mencionou.

Miriallia: Quando ela vai aparecer por aqui? Mal cheguei e já estou cansada.

Tolle: Acho que a idéia deve ser essa.

Miriallia: Todo mundo ta dançando e eu estou esperando alguém escorregar? De jeito nenhum – E desencosta da grade – Vem comigo?

Tolle: Demorô.

Meer se apóia na mesa ainda rindo, havia esbarrado em umas três pessoas e depois de tentar beber o que não havia em seu copo ela decide enche-lo, ainda não estava bêbada, mas era só uma questão de pegar a garrafa errada, ou a certa.

Miguel: Que tal esse? – Pergunta oferecendo um copo que ele havia enchido, mas acabou por nem beber, na verdade porque estava ocupado babando em Meer que estava dançando.

Meer: Obrigada garçom. – Diz sorrindo e bebendo logo em seguida.

Miguel viu muito claramente, Rusty apontando e rindo e depois fazendo uma dança esquisita, algo que eles chamavam de "dança da vitória".

Miguel: Miguel Aiman, membro da ZAFT.

Meer: Eu iria me apresentar, mas acho que você já sabe quem sou eu.

Miguel: Impossível não saber, Meer.

Meer: E isso aqui – Diz deixando o copo vazio na mesa – É pra criança, Aiman. – E volta pra pista.

Ao fundo a risada escandalosa de Yzak pode ser ouvida. Miguel se aproxima dos dois, não estava com o sorriso que gostaria de estar pra esfregar na cara deles, mas por hora já era um começo.

Miguel: Rusty, porque não vai procurar uma cabra pra dançar? E Yzak vai ver se a Shiho já chegou, vai?

Yzak: É eu vou. Não, espera ai, não vo não! – Diz em tom de ironia.

Miguel: Espero que vocês dois fiquem chupando o dedo no final da festa.

Rusty: Você bem que gostaria.

Yzak: Vamos Miguel, faça o seu melhor.

Miguel: Vão se ferrar.

Ahmed seguia pelos cantos do saguão, evitando a pista improvisada. Se alguma vez parara para imaginar como seria uma festa da ZAFT, a realidade se mostrava mais impressionante. No mau sentido. A música alta feria seus ouvidos e ver todos aqueles jovens bebendo sem ter idade para tanto podia ser considerado no mínimo irresponsabilidade da direção. Onde o diretor Durandal estava com a cabeça quando autorizou isso?

Se perguntava o que Kira via nesse tipo de ambiente. Diversão, ele disse. Onde, Ahmed se perguntava. É verdade que nunca viu a ZAFT ou Meer Campbell com bons olhos, mas seu amigo casaco branco sempre foi uma pessoa sensata nesse antro de loucos. E pra piorar ainda tinha Cagalli.

Será que os irmãos realmente gostavam desse tipo de extravagância? Seria ele o antiquado? Bastou passar por um casal se amassando em uma das pilastras pra chegar a uma conclusão.

Não era ele que estava errado, e sim o mundo.

Com as mãos enfiadas nos bolsos das calças e uma expressão mal-humorada, ele revirava o lugar com os olhos e passos apressados.

De repente a idéia de poder passar algum tempo com Cagalli não parecia mais tão atrativa assim.

Flay e Cagalli andavam rindo com copos de bebida na mão. Cagalli não gostava da ZAFT, mas tinha um problema sério com Athrun, na verdade o que o incomodava era que ele era um cara legal, mas estava sempre fazendo as coisas erradas.

Quer dizer, o melhor amigo do seu irmão não pode simplesmente não ser irritante e se unir aos jogos noturnos de WAR invés de ficar com idiotas completos que só acabavam com a má reputação de casacos vermelhos?

Havia passado duas vezes por Athun e Lacus e de repente seu humor havia ficado insuportável, Flay só não tinha começado a reclamar porque já estava meio alta depois de alguns copos e misturas que ela parecia não fazer a menor idéia do que se tratava.

Kira estava em algum canto conversando com uns colegas de classe e Flay não queria bancar a namorada chata, sabia que agia assim algumas vezes, mas ela tentava se comportar, agora que Athrun não desgrudava de Lacus ela se sentia mais calma.

Na verdade desejava profundamente que os dois voltassem pra PLANT e se cassassem e nunca mais fossem vistos juntos, mas isso em sua mente obscura e sóbria, agora, ela estava sendo uma boa amiga e afastando os pensamentos ruins de Cagalli.

Flay: Você é loira e usa vermelho, o que mais você quer?

Cagalli girou os olhos, por mais que soubesse que a ruiva era uma boa pessoa e alguns momentos até uma figura agradável, a ultima coisa que precisava era começar uma discussão sobre Athrun.

Cagalli: Talvez eu precise de um namorado – Diz como uma boa semi-bêbada e olha para o restinho do líquido verde que havia em seu copo.

Flay: Talvez você só precise agarrar alguém.

Cagalli: Fácil pra você, os garotos simplesmente quebram o pescoço pra te ver.

Flay: Quer apostar?

Isso nunca termina bem. Ou a bebida simplesmente apaga a memória das pessoas?

Cagalli: Kira não vai gostar disso.

Flay: Quem disse que eu faria alguma coisa pra trair o Kira? Nós vamos provar que você é capaz de conquistar alguém.

Cagalli: Como?

Flay: Ainda estou pensando nisso.

E as duas apenas se olham e começam a rir.

Ahmed: Cagalli-san! – Chama ao avistá-la.

Flay: Acho que já conseguiu – Diz com um sorriso debochado.

Cagalli: Ahmed!

Flay: Embora eu ache que "san" seja um mau começo – E ela empurra Cagalli sem ouvir a resposta mal educada que ela daria em dois segundos.

Ahmed: Estava te procurando.

Cagalli: Ah, nossa, não sabia que vinha – Diz com um sorriso sem graça e se sentindo mal por ter bebido, tinha certeza de que não era a mesma.

Ahmed: É... pra tudo tem uma primeira vez, certo?

De repente Cagalli se perguntou porque ele estava falando aquilo, imaginou se estava se referindo a eles, mas depois se 5 segundos em silêncio ela se lembrou do próprio comentário.

Cagalli: Isso, isso, espero que esteja gostando.

Na verdade se amaldiçoou mentalmente por dizer isso, pois agora ela podia se imaginar dizendo aquelas palavras e se referindo a própria roupa, que não era nada demais, apenas uma calça comprida e uma blusa vermelha com um decote não exagerado.

Mas para a sorte de sua mente alcoolizada, Ahmed não lia pensamentos.

Ahmed: Ah... eh... você está?

Não era o tipo de resposta que ela esperava, quer dizer ela não costumava defender as festas da ZAFT, mas tinha de admitir que elas tinham estilo e essa estava simplesmente incrível, ela podia pular noite inteira e isso ainda não seria suficiente.

Cagalli: Claro, você já foi pra pista? Eles estão tocando cada coisa, é incrível.

O que tem de errado em arrastar aquele amigo careta que provavelmente só sabe dançar balançando a cabeça e alternando os pés de vez em quando?

Ahmed: Não, ainda não.

Ela estava mesmo curtindo essa festa?

Cagalli: Vamos! Não pode ficar simplesmente parado aqui, assim você não se diverte. – Diz querendo o arrastar no meio daquelas pessoas loucas.

Ahmed: S-sim, claro. – Diz um pouco assustado com a reação de Cagalli.

Cagalli: Você quer beber alguma coisa antes? Sempre ajuda.

Dançar era constrangedor quando sóbrio foi a primeira coisa que aprendeu na primeira festa que ousou ir da ZAFT.

Ahmed: Acho que sim. – Diz sentindo a garganta repentinamente seca.

Cagalli não ia perder tempo perguntando o que ele queria, ela estava com sede e conversar com Ahmed e pensar em várias coisas ao mesmo tempo não estava dando certo, ela encheu dois copos, dessa vez com um líquido incolor. E daí que fosse amargo?

Ahmed toma um dos copos e arrisca um gole, fazendo uma careta. Não era possível que alguém pudesse encher a cara com algo assim.

Cagalli: Ora não é tão ruim assim – Diz ao observar a expressão de quem não bebia nenhum pouco de álcool.

Ahmed não diz nada. Apenas devolve o copo a mesa.

Cagalli: Pra pista? – Pergunta animada.

Ahmed: Porque não?

No entanto havia casais que tinham se jogado de cabeça na pista e agora buscavam um pouco de paz e bebidas geladas.

Stellar: Shinn... Stellar não agüenta mais – Diz rindo e desamarrando a fita azul claro da sandália que estava trançada até abaixo do joelho.

Shinn: Ora essa, ainda é muito cedo pra parar. – Diz pondo ambas as mãos na cintura dela e a girando, dando voltas e meia-voltas. Os pés de Stellar passando a alguns centímetros do chão.

Stellar: Shinn! – Ela diz com largo sorriso e rindo – Só vou tirar os sapatos.

Vindo na mesma direção, Lunamaria que para de andar ao ver Shinn e Stellar. Não pôde deixar de girar os olhos e de sentir o queixo tremendo. Era estúpido, mas vê-la a deixava com raiva.

Havia desejado que ela tivesse se afogado no lago, mas é claro que o herói iria aparecer e salvar a garota mais bonita e desconhecida e no final terminaria com ela em uma cena clichê de um beijo apaixonado.

Não era ela. Não se importava com isso. Não precisava dele. Não queria ele.

Então porque ela não se virava e se afastava com dignidade? A última coisa que precisava era ter a conversa que afundou no lago ao invés de Stellar, porque ele simplesmente havia feito uma escolha bem clara.

No fundo sentiu aquele aperto no coração, aquela mesma sensação que havia gerado seu ataque no quarto, "Não novamente" pensa fechando os olhos.

Não era inveja; Não propriamente dita, porque não queria estar no lugar de Stellar. Ela não tinha interesse em ser a namorada de Shinn, apenas queria seu melhor amigo de volta.

Mas ele não fazia questão, era tudo que ela conseguia pensar desde o passeio. Que a amizade deles não era tão importante assim e que ele ignorava o sentimento dos amigos, ele não falava mais com Rey ou com Meyrin, e agora estava sentando com o grupinho esquisito de Stellar.

Uma lágrima solitária escorreu quando ela abriu os olhos.

Meyrin: Luna...

Sua doce e preocupada irmã apareceu, tocando delicadamente seu ombro, até havia esquecido que ela estava a seguindo, mas não precisava de toda aquela pena e também não queria um abraço consolador.

Lunamaria: Eu estou bem – Diz amassando o copo de plástico e jogando em uma lixeira sem nem se importar se havia acertado, ela não ficou para ver.

Um pouco mais tarde, Dearka sobe em uma das mesas com um microfone na mão.

Dearka: Pessoal. Um instante, por favor. – A música abaixa e todos se voltam para ele. – Essa noite eu venho trazer a vocês um convidado muito especial. Direto de PLANT para vocês, Marco Elsman.

As luzes se apagam e uma se acende sobre um homem próximo ao equipamento de som. Vários alunos começam a gritar e aplaudir ao reconhecê-lo.

Dearka: De ao povo o que o povo quer, primo. POR COOKY!

Alunos presentes: POR COOKY!

A pista se ilumina com varias luzes coloridas dançantes. O ritmo da musica convidava todos para se juntarem aos que já estavam lá.

Shiho: Palhaçada... – Diz para ninguém em especial e se afasta da bagunça, já não estava muito próxima mesmo.

Sai: Essa era a tal carta na manga do Joule? Pensei que seria algo mais bombástico.

Kira: Eu também achei que fosse ser algo maior.

Sai: Pois é, com todos esses b- E finalmente percebe quem estava por perto. A principio, Sai pensa em se afastar, mas seu lado jornalista lhe diz melhor. – Você é amigo de Zala, certo?

Kira: Não vou te arranjar uma entrevista com ele. – Diz sorrindo.

Sai: Não... não era bem isso...

Kira: Então o que foi?

Sai: Você sabe se Joule-san preparou mais alguma coisa?

Kira: Até onde eu sei, mais nada.

Sai: Não sabe, huh... e o que você acha?

Kira: O que eu acho? Hm... Acho que ainda tem mais coisa esperando.

Sai: Foi o que eu imaginei... Ta, valeu. – E se afasta.

Shiho digitava uma mensagem rapidamente, já ia mandar para o celular de Miriallia, quando a vê dançando com Tolle.

Shiho: Talvez eu mande de presente pro Elsman... – Resmungou tirando uma foto e se afastando com cara de poucos amigos.

Yzak voltava sua atenção a um problema pendente.

Yzak: Como é que é, ce pretende resolver isso hoje ou não?

Miguel: Fala como se fosse fácil! É a Meer e não as garotas retardadas que você arranja.

Yzak: Até quando você vai ficar repetindo o que eu sei? Seja macho e vai nela, porra.

Miguel: Tudo no seu tempo, muita calma nessa hora.

Yzak: Ce quer que eu alivie? Porque ta começando a me irritar.

Miguel: Ok, ok, depende do que for.

Yzak: Esquece o falatório, passa logo pro que interessa.

Miguel: Eu não quero levar um tapa!

Yzak: Ai é problema teu.

Miguel: Muito obrigado. – E se afasta indo novamente tentar uma comunicação com Meer.

Yzak saca o celular, bota pra filmar e começa a seguir Miguel, ele vira pra trás mostrando o dedo médio e ajeita a roupa indo até Meer que agora tentava prender o cabelo.

Miguel: Aqui está um pouco tumultuado demais, não gostaria de um pouco de ar fresco?

Meer: Ah, o gentil garçom.

Miguel: Eu já disse que o meu nome é Mig—

Meer: Miguel, eu sei... ZAFT, não é? – Ela pergunta como uma boa garota interessada... e com um plano em mente.

Miguel: É claro – Diz todo orgulhoso.

Meer: Você pode me ajudar, eu acho.

Miguel: Claro, o que?

Meer aponta com a cabeça para Athrun e Lacus que seguiam andando para outra parte do prédio.

Miguel: Hun...É, eu acho que posso pensar em algo, mas por hora vamos apenas falar com eles, certo?

Meer: Obrigada – E se afasta indo atrás deles.

Miguel: Vai vendo – Diz para a câmera de Yzak.

Yzak faz o sinal de ok e os segue a certa distância.

Lunamaria: Meyrin, você não precisa mesmo ficar me seguindo, porque não vai conversar com alguns garotos, tem uns de casaco vermelho te olhando. – Diz olhando em volta e vendo uns três garotos que ela reconheceu como da mesma sala e pelo que se lembravam eram vermelhos.

Meyrin: Eles estão olhando pra você. – Diz sem ao mesmo ver quem eram os garotos.

Lunamaria: Não, eles estão esperando eu ficar bêbada pra ficar com eles e isso não vai acontecer, então não tem porque você ficar me seguindo. – Diz empurrando a irmã para outro lugar.

Meyrin: Quais são seus planos? – Diz pisando duro no chão, fazendo com que a irmã parece de a empurrar.

Lunamaria: Meus planos são você parar de andar atrás de mim, enquanto eu vou me divertir sem estar em coma alcoólico e voltar para o meu quarto no final da festa.

Meyrin: Me parece bom, mas como vou ter certeza de que você vai cumprir isso?

Lunamaria: Ainda confia em mim?

Meyrin: .... hun...

Lunamaria: Eu não acredito que você hesitou!

E ela realmente ficou ofendida. Era sua irmã, porque ela simplesmente não ajudava? Lunamaria precisava de ar, e tudo que Meyrin fazia era pular em cima dela para que nenhum garoto chegasse perto.

Meyrin: Você saiu na capa do jornal, você ficou com o Shinn... E fez sei lá mais o que! E agora nós nem estamos mais falando com ele.

Lunamaria: Aaah por minha causa!?

Meyrin: Não! Mas você deu aquele ataque e—

Lunamaria: Você tem noção do que eu senti naquela hora? Não foi um ataque histérico porque ele não apareceu, ta legal? Meu coração estava doendo de verdade!

Meyrin balançou a cabeça negativamente, com os olhos marejados e se afastou em passos duros, saindo do salão principal, Lunamaria girou os olhos e pegou o primeiro copo com um líquido estranho que viu pela frente.

Shinn, que estava sentado a uma mesa junto de Stellar, que com alguma insistência conseguiu convencê-lo a deixá-la descansar um pouco, nota Meyrin saindo apressadamente do salão.

Shinn: O que aconteceu?

Na hora Shinn sente o impulso de se levantar e ir atrás da amiga, mas se para antes de se levantar. Ainda não estavam se falando. Toda aquela historia lhe parecia pura estupidez agora. Suas pernas balançavam nervosamente debaixo da mesa.

Stellar: ...então fiquei pensando o que pode ter acontecido – Diz rindo, mas percebe Shinn olhando para fora do salão – Algo errado?

Shinn: Hm? Ah, nada, nada. O que estava dizendo?

Stellar: Shinn está mesmo dormindo! Stellar está falando há horas! – E da um chute de leve em sua perna.

Shinn: Aah! Não é verdade. Eu só me distraí um pouquinho.

Stellar: O que quer fazer agora?

Shinn: Hmm... Agora que estou pensando nisso, não tem muito pra se fazer nessas festas além de dançar e beber...

Stellar: É a ZAFT afinal..

Shinn: De fato... Quer dançar mais? – Pergunta com um largo sorriso.

Stellar: Stellar adoraria.

Mais afastados do tumulto, Lacus e Athrun andavam conversando, pareciam ser um dos poucos alunos sóbrios do recinto, felizmente ou infelizmente...

Meer: Athruun! – E sem se importar muito com a presença de Lacus, provavelmente efeito da bebida, ela se pendura no garoto.

Lacus: Meer. Olá.

Meer: Lacus. Quanto tempo – Ela diz acenando loucamente e depois se volta para Athrun – Senti sua fatal.

É. Ela não estava muito bem.

Athrun: Você andou passando de novo dos limites, Meer? – Embora fosse uma pergunta, a resposta estava evidente.

Meer: Não na verdade... eles eram tão coloridos que eu não pude resistir. E você Athrun? Já passou dos limites?

Athrun: Eu ainda estou são, obrigado. – Diz lançando um olhar de quem pede ajuda a Lacus.

Lacus: Meer... talvez você queira sentar e descansar tenho certeza que deve estar um pouco tonta – Pergunta apontando para um banco que não estava muito longe.

Meer: Isso, exatamente – E solta Athrun, mas no primeiro passo que da ela tropeça e quase cai no chão. Como uma boa bêbada, ela começar a rir – me desculpe – Diz ainda rindo – Não costuma acontecer.

Athrun: Melhor você não andar sozinha. – Diz ajudando Meer a se manter de pé.

Meer: Eu sabia! Você quer ficar comigo – E agora aproveita para abraçá-lo.

Miguel: Athrun! Meer... – Diz com um olhar estranho para a situação dos dois – Lacus é sempre um prazer vê-la.

Lacus: Tudo bem?

Miguel: Ótimo. Hey Athrun posso te pedir uma coisa?

Athrun suspira.

Athrun: Que foi?

Miguel: Meer...

Meer: Oi! Você...

Miguel olha para Lacus que apenas ajuda Meer e elas se afastam um pouco.

Miguel: Seguinte... eu preciso sair com essa maluca e eu preciso mais ainda da sua ajuda.

Athrun: Desde quando você... ah, a aposta.

Miguel: Então, como ela é louca por você e você nem da bola pra ela, ela vai ficar bebendo... me ajuda?

Athrun: Vou ver o que posso fazer.

Miguel: Acho que se eu conseguir uma peruca azul seria perfeito.

Athrun: Acha mesmo que esse tipo de coisa vai dar certo?

Miguel: Sabe, faça sua mágica – Diz dando um tapa de leve nas costas dele – Simplesmente pense em algo e fale qualquer coisa pra ela, vamos, amanhã aposto que ela não vai lembrar de nada. Você pode dizer que quer casar com ela.

Athrun: Você quer minha ajuda ou não?

Miguel: Claro, claro, qualquer coisa.

Athrun suspira de novo.

Athrun: Vamos ver o que conseguimos.

Meer: ...e você tem que experimentar é incrível.

Lacus: Parece bom mesmo.

Meer: Hey, nossos garçons chegaram, querem pegar um pouco de bebida para as damas?

Athrun sorri. Ele da uma joelhada em Miguel, fazendo dar um passo a frente enquanto ele se vira e procura a mesa mais próxima.

Miguel: Não sei se isso vai te fazer bem.

Meer: Garotos "acham" demais. Isso. É um problema.

Miguel: Provavelmente, mas você não esquenta a cabeça com isso.

Meer: Diga pra ele, Lacus.

Lacus que até então estava olhando para o nada é pega de surpresa, olhando para os dois de forma confusa.

Lacus: Desculpe, como?

Meer: Garotos estão sempre achando muita coisa sobre nós, não é?

Lacus se perguntou se o "nós" era o fato delas serem parecidas ou se referia a mulheres, achou melhor não perguntar.

Lacus: Acho que as expectativas são sempre muito grandes.

Yzak que filma a coisa toda, faz cara de incredulidade.

Yzak: Que diabos ele ta fazendo?

Nicol: Acho que você vai ficar aqui a noite inteira.

Yzak: O escambau que vou... – E desliga o celular. – Depois a gente manda ele pagar um preço por não cumprir com a aposta. – E se afasta.

Nicol: Eu só quis dizer que vai demorar bastante e não que ele ia desistir... – E se afasta falando sozinho.

Yzak segue para uma das várias portas ao saguão no prédio de artes. Lá dentro havia varias pessoas arrumando uma série de equipamentos para filmagem.

Um dos homens avisa que já estavam prontos. Yzak sai da sala e volta ao saguão, mas não se afasta muito da porta. Alguns minutos depois uma mulher segurando um microfone e um homem carregando uma câmera saem da sala e se posicionam no centro do saguão. A mulher se vira para a câmera.

Entrevistadora: Aqui na colônia de ORB, Heleopolis, na Academia Imperial Unida dos Emirados de ORB, essa noite uma festa organizada pelos próprios alunos da academia tem lugar. O evento também conta com algumas celebridades de PLANT como o DJ Marco Elsman e a jovem cantora Lacus Clyne.

Entrevistadora: E estamos aqui com um dos organizadores do evento, aluno do 2º aluno, Yzak Joule. Para você, como foi organizar um evento desse porte?

Yzak: Não foi fácil. Tivemos que brigar um pouco, mas felizmente havia vários professores que nos deram apoio. A direção também colaborou um bocado.

Diz dando um sorriso simpático que normalmente não era visto em seu rosto.

Entrevistadora: Mas é verdade que a maior parte foi organizada pelos próprios alunos?

Yzak: Sim, temos um pequeno grupo que ficou responsável por organizar a maior parte dos detalhes.

Entrevistadora: E como foi que conseguiram trazer dois nomes de peso?

Yzak: Tivemos a grande sorte da senhorita Clyne e de um primo de Elsman estudarem aqui.

Entrevistadora: Você mencionou que foi preciso brigar para realizar esse evento. Exatamente contra quem vocês brigaram?

O sorriso até então simpático de Yzak se abre um pouco mais.

Yzak: Havia um grupo de alunos que era contra nossa idéia. Eles são poucos, mas tem uma certa influência por aqui.

Entrevistadora: Então não foi uma decisão em conjunto de todos os alunos?

Yzak: Infelizmente não. Seria melhor se eles estivessem do nosso lado, mas ao invés disso ficaram fazendo difamação e espalhando calúnias.

Entrevistadora: É uma tristeza isso.

Yzak: De fato.

Entrevistadora: Apesar disso, o evento foi um sucesso.

Yzak: Graças ao esforço de todos.

Entrevistadora: Muito obrigada pelo seu tempo, senhor Joule.

Yzak: Eu que agradeço.

Os dois se afastam e seguem pelo saguão parando ocasionalmente alguns alunos e fazendo algumas perguntas. Yzak segue pelo caminho oposto, saindo do prédio de artes para tomar um pouco de ar. Havia alguns casais que optaram por um lugar mais discreto, mas Yzak os ignorou.

Ele se senta em um banco de pedra vazio, a mão cobrindo o rosto, escondendo um sorriso maníaco e uma risada sem som.

Yzak: Com isso minha vingança está completa...

Flay agora amaldiçoava o lugar por estar tão cheio, viu pessoas com câmeras e tratou de se afastar, sua preocupação agora era onde diabos Kira estava metido? Enquanto sua mente processava vários xingamentos para alguma desocupada/carente/vadia que viesse ousar respirar ao lado dele.

Flay: Sai, Sai! – Ela aproveitou que ele parecia distraído e até um pouco ocupado, mas pra variar... ignorou.

Sai se vira para ela.

Sai: Flay. – Diz acenando.

Flay: Achei que o jornal não iria vir pra cá. Ou você não está a serviço?

Sai: Estava, já terminei meu trabalho. – Diz indicando a câmera em suas mãos.

Flay: Então você tem tempo livre. – Não era uma pergunta.

Sai: Sim, tenho.

Flay: Porque ainda não me chamou pra fazer alguma coisa?

Sai: Eh? – Sai fica meio abobalhado pela pergunta. Aparentemente seu cérebro registrou rápido demais que Kira não estava por perto. – Ah, quer beber alguma coisa?

Sai só vinha as festas da ZAFT a trabalho, nunca para se divertir. Estava acostumado a ver os outros fazendo o que se costuma fazer nessas festas, mas nunca tinha as feito.

Flay: O que você quiser.

Ainda não havia se esquecido de Kira ou de que iria matar qualquer garotinha, mas ultimamente tinha sentido falta de Sai, eles tinham se falado na fazenda e isso a fez sentir que eles pareciam mais distantes do que tudo.

Os dois se aproximam de uma das mesas, já havia um bom número de garrafas faltando. Sai apanha uma das poucas que conhecia e enche dois copos, entregando um a Flay. Fizera isso em silêncio. Queria arranjar algo para conversar. Algo que não pudesse se relacionar a Kira Yamato.

Flay: Você anda muito quieto – Diz depois de tomar metade do copo e de um silêncio desagradável que precisava ser quebrado.

Sai: E-eu só estava pensando na vida... – E fica encarando a bebida. – Já faz algum tempo desde que a gente se falou direito.

Uma festa da ZAFT não era exatamente o melhor lugar para se conversar a sério.

Flay: É verdade... você se afastou. – Não era verdade, quer dizer.. em parte era, ambos haviam se afastado e ela sabia disso, mas colocar as coisas dessa forma parecia fazer mais sentido do que admitir que eles não tinham nada em comum.

Sai não diz nada, apenas toma um gole de sua bebida.

Sai: Nós... ficamos com esse clima ruim...

Flay: Por quê? Nós somos amigos não é?

Sai: É... realmente é estranho... – E toma outro gole.

Flay: Não deveria ser assim, não é? O que tem de errado?

Sai apenas sorri enquanto toma um gole mais demorado que os outros.

Flay: Sai!

Sai: O que tem de errado... – Diz sem abaixar o copo, observando Flay por alguns instantes. – Nada. Como você disse, é minha culpa. – E toma o resto da bebida.

Flay: Não disse que é sua culpa... – E deixa o copo em cima da mesa com o resto da bebida – Apenas que você se afastou...

Sai novamente não diz nada. Não queria de jeito nenhum tocar no nome de um certo casaco branco, mas parecia cada vez mais difícil. Odiava ter que tocar nesse assunto, mas a bebida que lhe ardia as entranhas e a frustração acumulada por bastante tempo estavam lhe empurrando.

Sai: Você... nunca percebeu, não é?

Flay: O que...? – Pergunta piscando seguidamente.

Há algumas horas estava alegre e pulando sobre efeito da bebida, mas depois de um tempo parecia que o prazo já tinha terminado.

Sai: Os meus sentimentos. – Diz olhando nos olhos de Flay.

Flay: Eu... não...Sai...

Sai se aproxima de Flay e a beija, por alguns instantes ela fica sem reação, mas corresponde, o que não dura muito, já que ela parece lembrar que além de ter namorado, eles estavam em uma festa, e tudo que acontecia ia parar na primeira página do jornal.

Flay: Sai, isso não... – Diz olhando nos olhos dele, porém sem muita idéia do que dizer ao certo. Nada parecia certo.

Kira: Flay... – Diz com um copo na mão. Tinha uma expressão mista de surpresa e incredulidade.

Flay da um salto pra trás e ao focar bem a expressão de Kira, ela recua três passos, batendo na mesa.

Flay: Kira.

Kira deixa o copo sobre a mesa, se vira e se fasta. Sai permanece onde estava. Flay pega o copo e termina com o resto da bebida, ela olha rapidamente para Sai, não encontrando nada ao certo que pudesse expressar como se sentia e também não querendo ficar para uma nova conversa, ela segue atrás do namorado.

Os dois seguem até próximo a entrada do saguão, chegando lá, Kira para de andar.

Flay: Não... Você não... Eu não... – Diz embora não fizesse o menor sentido, só não poderia deixar que ele se afastasse sem que ao menos pudesse explicar o que era... inexplicável.

Kira: Então... Por que...? – Pergunta sem se virar.

Flay: Não é isso! Não é... eu não iria... – Mas pára de falar, não era capaz de terminar a frase. Era mentira, não era?

Kira: Não iria... o que?

Ela balança a cabeça negativamente, mesmo que ele não pudesse ver sua expressão angustiada. Aquela resposta não era o caminho certo. Ela não dizia mentiras e ela não o enganava. Então na verdade ela não tinha nada pra dizer, porque não fazia sentido.

Flay: O que? – Perguntou já com raiva de si mesma por ter ido atrás de Sai – Eu não fiz nada! – Gritou mais para si mesma do que como resposta para ele.

Kira vira o rosto para Flay. Um sorriso triste e um rastro de lágrimas adornava seu rosto.

Kira: Você... É uma péssima mentirosa... – E se vira saindo do prédio de artes.

Flay: Kira! – Mas ela só consegue ir até a porta, não tinha coragem, cara e nem palavras para segui-lo.

Continua...