Hugh notou que Lisa estava demorando em se juntar a ele no banho, então tratou logo de terminá-lo. Saiu do banheiro com uma toalha enrolada na cintura, olhou para a cama e não viu Lisa na mesma e nem em canto nenhum do quarto. Antes de pensar em ir procurá-la pelo resto do apartamento, ele voltou sua atenção para a cama e viu os papeis jogados sobre a mesma. Foi então que ele entendeu o que havia acontecido e sabia que Lisa não estaria mais em seu apartamento. Ele vestiu-se e foi à sua procura.

Lisa chegou a sua casa após ter pegado um taxi. A casa não era tão distante de onde Hugh morava. Magoada por se sentir enganada por ele, ela nem se deu ao trabalho de avisar que iria embora, e fez questão de desligar o celular caso ele tentasse ligar para ela.

Quando finalmente entrou em casa, as lágrimas que ela havia segurado no caminho, rolaram em seu rosto. Lisa jogou sua bolsa no sofá e sentou encolhida sobre o mesmo, abraçando as pernas contra seu peito, sentindo-se perdida. Não conseguia afastar da cabeça as coisas que Jô havia dito e a idéia de que ele iria deixá-la assim que se cansasse dela. Não conseguia deixar de imaginá-lo trepando feito louco com qualquer outra mulher naquela mesma cama, levando-a a loucura, extraindo prazer do corpo dela...

Era um pensamento irracional e sem sentido, que fazia com que ela se sentisse mesquinha e patética, e se manifestava em uma dor física.

Sua atitude de fugir daquele jeito foi um tanto quanto precipitada — ela sabia disso. Sua reação em saber que Hugh ainda continuava casado foi surpreendente até mesmo para ela. Lisa não tinha o porquê de sentir tanta raiva dele a ponto de fugir, não tinha motivos para se sentir enganada ou usada por ele, pois Hugh não havia dito nada a respeito de sua separação, nesse caso, sua não separação.

O fato era que Lisa estava envolvida demais com Hugh. Nunca imaginou que um dia ficaria tão dependente de um homem como estava dele. Todo aquele tesão que ela sentia havia se transformado em algo bem mais profundo, bem mais sério do que ela queria, e só quando viu que correria o risco de perdê-lo foi que se deu conta do quanto estava apaixonada por ele.

Três batidas fortes na porta fizeram-na se assustar. Lisa levantou o rosto e olhou na direção de onde vinham as batidas, respirou profundamente quando a idéia de que seria ele quem estava batendo surgiu em sua mente. Ela enxugou as lágrimas de seu rosto com as mãos e caminhou até a porta.

— O que aconteceu, Lisa? — Hugh pergunta assim que seus olhos encontram os dela.

— Não quero falar sobre isso agora, Hugh. Amanhã conversamos. — Lisa disse calmamente voltando a fechar a porta, mas antes que o fizesse Hugh a impediu.

— Eu quero falar com você agora. — ele disse áspero e entrou na casa.

— Hugh, por favor. — o jeito grosso no qual Hugh falou deixou-a completamente irritada.

— Feche a porta. — Hugh ordenou com um olhar severo.

Lisa obedeceu e fechou a porta atrás de si. Hugh a encarou em silencio por alguns instantes e ela continuou parada no mesmo lugar.

— Porque você foi embora daquele jeito? — ele pergunta tranquilamente.

— Quando eu decidi me envolver com você achei que estava separado.

— Mas eu estou separado. — ele diz elevando a voz.

— O papel que vi em seu quarto diz o contrário.

— Porra, Lisa. Aquilo é só um papel. — ao contrário dela, ele não parecia dar tanta importância ao documento.

— E eu? — Lisa se aproxima. — Sou o quê, Hugh. Uma simples foda? — ela pergunta olhando no fundo dos olhos dele.

Seu olhar de repente se tornou escuro, a expressão séria na qual ele olhava pra Lisa a fez pensar no pior. Hugh permaneceu em silêncio e sua hesitação só fez crescer a certeza dentro dela: ele não a queria. Não como um relacionamento sério de sentimentos mais profundos, e sim como uma relação onde somente o sexo existia e nada mais. Ela era uma simples foda sim.

— É melhor a gente parar por aqui. — ela disse e suas palavras foram como um punhal rasgando seu peito, e mesmo sentido isso continuou. — Foi bom, foi muito gostoso. Mas antes que tudo acabe em merda, é melhor não termos mais...

Hugh a beijou antes que ela pudesse terminar a frase, fazendo-a engolir as palavras que ele não queria ouvir. Seu tórax foi empurrado pelas duas mãos dela, que tentava mais do que tudo resistir àquele beijo. Mas Hugh era forte e a segurou com mais força, e próximos da porta ele a encostou na mesma, fazendo com que Lisa finalmente parasse de lutar contra o que mais desejava desde o momento que abriu a porta: um beijo.

O beijo era tão profundo quanto os sentimentos que Lisa sentia por ele. As lambidas eram rápidas e agressivas, Hugh devorava a boca de Lisa de uma maneira que a deixou toda molhada — pronta para ele. Agarrada nos cabelos dele, ela os puxava com certa força, como se sentisse raiva por nunca conseguir resistir àquele homem — e naquele momento era o que ela mais sentia, raiva.

Ofegante, Hugh encostou a testa na porta necessitando de um pouco de ar. Com o rosto grudado no pescoço dele, Lisa respirava todo aquele cheiro de banho-recém-tomado que ele exalava.

— Hugh...

— Não ouse me mandar embora. — ele disse de olhos fechados e testa ainda sob a porta. — Acha mesmo que você não é importante pra mim? — seus olhos encararam os dela. — O que porra estaria fazendo aqui, se você não significasse nada pra mim?

— Me desculpe. — sua voz saiu extremamente baixa. — Me comportei feito uma idiota. — ela diz envergonhada.

— Nunca mais fuja de mim daquela forma, entendeu? — suas mãos seguraram o rosto dela. — Nunca mais pense em desistir de nós, porque eu nunca vou deixar isso acontecer. Nunca.

Lisa o abraçou forte e fechou os olhos para segurar as lagrimas que ameaçavam cair. Não queria fazer papel de boba chorando feito uma adolescente apaixonada.

— Não costumo ser tão idiota assim. — ela volta a olhá-lo. — Juro. — seus perfeitos dentes brancos aparecem num amplo sorriso.

— Você não é idiota, Lisa. Você é gostosa. — ele diz apertando a bunda dela.

— Acho que me deixei levar pelas coisas que Jô me disse. — seu pensamento saiu alto demais, ela não pretendia contar sobre a conversa que teve com a ex dele, mas agora já era tarde demais.

— O quê?! — ele pergunta soltando-a.