Capítulo 15- Um ex- possuido

Ayame adentra a sua casa carregando Akito que havia adormecido na metade do caminho, exausta com todo o que tinha acontecido. Pede para que a empregada prepare uma sopa leve para Akito e vai para o parque onde encontra Mine sentada ao lado do berço terminando de costurar uma boneca depano.

- Olá chéfis, que bom que voltaram?- Mine os recebe sorrindo e então vê que Ayame coloca Akito na cama- o que houve com ela?

- Ela passou mal na reunião e agora está apenas dormindo- Acaricia o rosto frio de Akito.

Mine termina de costurar a boneca e entrega para Akari que agarra a boneca e sorri- Kawaii, ela é muito fofa...

- Como estão as coisas por aqui? Aka-chan lhe deu muito trabalho?- ele sorri e pega a filha no colo

- De forma alguma chéfis, sua filha é um amor, ela só chorou quando sentiu fome.

Estou orgulhoso de você querida, que bom que se comportou bem- beija o rostinho dela- muito obrigada Mine-chan e desculpe por tomar seu tempo

- Imagine chéfis, sempre que precisar pode contar comigo, adorei passar a tarde com ela- sorri e beija o rostinho de Akari.

Ayame e Akari acompanham Mine até a porta, quando retornam no quarto, Akito já está acordada.

- Que bom que acordou amor, como se sente? Está melhor?- senta ao lado dela com Akari no colo

- Sim – sorri- e como foram as coisas por aqui? Estava com saudades da Aka-chan- se ajeita melhor na cama

- Foi tudo tranqüilo, Mine-chan disse que ela se comportou muito bem, nossa filha está virando uma mocinha- beija o rostinho dela- agora eu e Aka-chan vamos ficar com você, não é, querida?

Akari estica os bracinhos para a mãe. Akito sorri e a pega no colo- mamãe também estava com saudades de você, está com fome?- abre o vestido e oferece um dos seios para Akari que realmente estava faminta.

Ayame só observa a cena enquanto espera a empregada trazer a sopa de Akito. Depois que Akari termina de mamar, Ayame faz Akito tomar toda a sopa e agora ela dorme, aparentemente tranqüila, enquanto ele vigia seu sono ainda preocupado e apreensivo com tudo o que aconteceu, até que, vencido pelo sono e pelo cansaço adormece também.

No dia seguinte, Ayame acorda com a campainha tocando, olha no relógio e vê que já são 10 horas da manhã; ajeita o quimono e se levanta indo atender a porta com cara de sono e com os cabelos despenteados. Diante dele, estava Kureno, também com cara de sono e abatido.

- Bom dia, Aaya nii-san, desculpe-me por acorda-lo cedo.

Ayame sorri- de forma, alguma, entre Kureno, bom dia !

Kureno retira os sapatos e adentra a casa de Ayame, Akito, que também tinha acordado está parada na porta da sala.

- Olá amor, já acordou, bom dia!-diz Ayame indo ate ela e lhe beijando os lábios.

- Ohayo Kureno-kun- diz ela sorrindo

- Ohayo Akito-san- responde ele enquanto a observa- eu vim porque precisava muito falar com você, desculpem-me pelo horário e por atrapalhar o descanso de vocês.

- De forma alguma, sente-se Kureno e fique a vontade, deseja um chá, ou um café?- oferece Ayame

- Um chá por favor- diz sentando-se no sofá

Akito se senta em um outro sofá e aguarda Ayame retornar, observa Kureno pensativa, era a primeira vez que se encontravam desde que ele a havia deixado há 1 ano e meio atrás, entretanto fazia tanto tempo, tinha sofrido muito naquela época, mas agora, a alegria de estar ao lado de Ayame era tanta que o passado de sofrimento tinha ficado para traz, mesmo tendo sofrido tudo que ela sofreu.

Kureno em silêncio também observa Akito, apesar de parecer um pouco cansada e abatida, ele podia notar que ela tinha um olhar doce, um semblante sereno, mais feminino, seus gestos tinham se tornado mais delicados. Ela usava um quimono de dormir rosa, estampado, bem diferente do quimono branco sem vida e sem cor que ela costumava usar quando morava na sede. Ele olha ao redor e nota que a casa é grande e arejada, confortável e que parece haver vida e alegria ali dentro, sorri satisfeito.

Ayame retorna trazendo chá e biscoitos e serve para todos, então senta-se ao lado de Akito.

- Vejo que está tratando muito bem Akito, Aaya nii-san. Akito me parece muito bem e me parece que ela é feliz.

Akito sorri – sim, eu sou feliz nessa casa - seus olhos têm um brilho diferente.

Ayame a abraça- nós somos felizes. Eu consegui tirar Akito daquela sede e lhe dar uma vida como ela merecia ter.

- Fico muito contente por isso. Não sabe o peso que me tira do coração. Quando eu a abandonei há 1 ano e meio atrás, eu me questionei muitas vezes se estava agindo certo. Mas era o melhor que eu tinha a fazer, minha presença ao se lado a sufocava e a fazia mal- ele olha gentil para ela- Por tempos eu pensei se deveria te ligar, se deveria te procurar de novo, para saber se você estava bem, mas não sabia se me ver também lhe faria bem. Foi então que um dia eu vi você e Aaya nii-san passeando em um parque, vocês me pareciam tão felizes, nesse dia meu coração se aliviou, ver o seu sorriso fez eu ter a certeza de que eu tinha feito o melhor por você. E eu quero aproveitar que estou aqui para pedir desculpas pelo sofrimento que te causei.

Akito sorri- não precisa se desculpar eu não guardo mágoas nem tristezas do passado.

Kureno sorri- além disso, tenho que me desculpar por não ter ido na reunião de família ontem, mas minha esposa passou mal ontem cedo e eu tive que acompanha-la ao hospital.

- E ela está bem, Kureno?- pergunta ela

- Sim- sorri- descobrimos que seremos pais

- Parabéns Kureno- dizem Akito e Ayame

- Fico feliz em saber que você também será pai. Ser pai é uma alegria indescritível.

- Arigato- sorri – imagino que deva ser, mas confesso que me surpreendi quando fiquei sabendo que você tinha se tornado mãe, Akito-san.

- Sim, foi um acidente, mas não me arrependo, eu tive uma menina há dois meses atrás - sorri

- E vocês duas estão bem?

- Sim, estamos muito bem, apesar de tudo o que aconteceu e você não deve nem estar sabendo

Ayame abraça Akito- não fique assim amor..

- Eu sei de tudo que aconteceu, mesmo não indo na reunião eu liguei depois para o Tori nii-san e fiquei sabendo de tudo o que tinha acontecido. Eu não vou deixar que ninguém te tire nada, eu fiquei a noite toda lendo e relendo meus livros de direito, até encontrar uma forma de te ajudar, era o mínimo que eu podia fazer por você, e eu encontrei uma forma de você não perder o posto de patriarca nem os bens que seu pai te deixou.

Ayame beija o rosto de Akito e sorri, então eles ouvem um choro de criança vindo do quarto.

- Acho que nossa princesinha acordou- diz Ayame

- Sim, e deve estar morrendo de fome pelo jeito. Kureno, com licença, vou busca-la e então você me explica melhor tudo isso.

Akito se levanta e vai ate o quarto buscar Akari, volta instantes depois trazendo o bebê enrolado em um xale rosa, Akari ainda chora desesperada.

- Calma querida, já estamos chagando. Desculpe-me pela demora- senta-se em um sofá, abre um pouco o quimono e oferece um dos seios para Akari que realmente estava faminta- pronto querida, não precisa mais chorar- acaricia o rostinho da filha enxugando as lágrimas

Ayame senta do lado de Akito e observa as duas- minha filha é linda, não é? – acaricia o rostinho da filha

- Sim, vocês formam uma família linda e eu não vou deixar que destruam essa felicidade. Ninguém pode te tirar a guarda de sua filha, Akito, a não ser que seja comprovado maus tratos, e isso seria um tanto quanto impossível - sorri- você me parece ser uma mãe muito carinhosa. Também não podem lhe tirar os bens pessoais, foram deixados para você, estão em seu nome. Eles ate podem te expulsar da família mas só em casos extremos, se você tivesse cometido algum crime serio, o que não foi o caso. Mas infelizmente eles podem te tirar o posto de patriarca sim, a lei é clara, uma garota não pode assumir o posto de patriarca, mas se o pai não tiver herdeiros homens, a filha mais velha pode assumir o posto até que se case, então o posto passa para o marido dela, que é o seu caso.

- Como assim? – pergunta Ayame – quer dizer que eu assumiria o posto de patriarca no lugar de Akito?

Akito houve tudo atentamente enquanto termina de amamentar a filha- É isso mesmo, Ayame deve assumir o posto de patriarca, mas... tem um detalhe, vocês se casaram ou estão apenas morando juntos?

- Nós nos casamos, queríamos dar para nossa filha uma família, nos casamos quando descobrimos a gravidez- responde Ayame- além disso eu tinha um pressentimento que seria bom nos casarmos.

- Casaram-se somente no templo ou perante a justiça também?

- No templo e perante a justiça- responde Akito

- Certo, então sem problemas. Preciso da certidão de casamento de vocês para que eu possa ir até a sede dar entrada nos papeis e conseguir passar o posto de patriarca para Ayame.

- Mas eu não sei ser patriarca, não tenho intenção de ocupar o posto da minha esposa.

- É a única solução, melhor manter em família do que deixar os bens da família serem divididos , além disso, Akito, você pode continuar assumindo o posto mas não oficialmente, é a única coisa que vai mudar.

Akito sorri- arigato Kureno, não sei o que fazer para agradecer.

Kureno sorri- não precisa, olhar para vocês tão felizes já me basta

- Arigato Kureno, seremos sempre gratos a você, vou agora mesmo buscar nossa certidão de casamento- beija o rosto de Akito e vai buscar o documento voltando instantes depois.

Kureno se aproxima das duas- ela é muito linda, me faz lembrar você quando bebê.

- Exatamente, eu vivo dizendo isso para Akky- Ayame sorri e se aproxima todo orgulhoso- ela tem os olhos, o rostinho, os lábios da Akky, mas tudo indica que terá os cabelos da mesma cor dos meus.

Kureno ri- sim, é verdade, ela tem algumas mechas prateadas. Ela parece tão bozinha, tão calma

Akito acaricia o rosto da filha- e ela é, só chora quando tem fome, não nos da nenhum tipo de trabalho. Quer segura-la? Assim já vai se acostumando...

- Eu quero- ele sorri e se aproxima de Akito.

Akito entrega a filha para ele- isso, só tome cuidado com a cabecinha dela.

Akari resmunga um pouco ao ser trocada de colo mas logo volta a se acalmar. Kureno segura a sobrinha um pouco desajeitado e fica encantando olhando-a .

Ayame abraça Akito e sorri - Não falei para você que tudo ia dar certo? Agora é só uma questão tempo

Akari volta a resmungar no colo de Kureno e começa a chorar. Akito se aproxima e a pega no colo

- Pronto querida, o que foi? Estranhou o colo do tio Kureno? – começa a embalar a filha ate ela se acalmar.

- Bom, vou aproveitar para ir embora, vou levar esses documentos ate a sede e contestar a decisão do conselho, assim que eu tiver alguma resposta eu entro em contato- sorri- foi muito bom ter visitado vocês.

- Volte sempre que quiser, Kureno e traga sua esposa também

- Você é uma boa mãe Akito, seja feliz- sorri e caminha em direção à porta.

Ayame o acompanha até a porta

- Continue cuidando bem dela, Aaya nii-san- ele sorri e se retira.

Ayame fecha a porta e volta para a sala, abraça Akito envolvendo a filha no abraço também