Capitulo 14º

Missão Cumprida

"-Pára de correr Ginevra!"

Ela riu alto e continuou a andar sobre a areia o mais rápido que conseguia. Havia muito que as sandálias que calçava tinham ficado para trás, mas Draco insistia em persegui-la dignamente vestido e calçado. Talvez por isso ainda não a tivesse apanhado.

Então ele parou, sério, descalçou os sapatos e as meias e fez uma dobra nas calças negras e depois olhou para ela com um ar triunfante, antes de começar a correr.

Ela soltou um gritinho, infantil, e começou a correr.

"-Tarde de mais…" – Sussurrou-lhe entre risos.

"-Estou presa… rendo-me."

"-Que Weasley fraquinha que eu arranjei! Rende-se antes do primeiro beijo…"

Acomodou-se como podia na areia e puxou-o para um beijo fogoso.

"-Agora rendo-me…"

"-Se te rendes significa que a surpresa que os elfos prepararam fica sem validade…" – Comentou.

"-Surpresa? Que surpresa Draco?"

"-Não sei… Acho que envolvia champanhe ou assim… E morangos, sim morangos…"

"-Draco! De que estamos à espera então?"

"-Esperamos que retires o teu pedido de rendição?" – Sugeriu.

"-Pois então eu não me rendo!" – Disse rindo afastando-o.

"-Onde é que a menina vai?"

"-Buscar as minhas sandálias e correr para ver a surpresa que os elfos prepararam…"

"-Esquece as sandálias." – Disse pegando nos seus sapatos com a mão esquerda e entrelaçando a direita na dela.

"-Mas são as minhas sandálias de estimação…"

"-Amanhã compramos-te outras sandálias… As que quiseres…"

"-Vou ficar mal habituada quando isto acabar…"

"-Quando isto acabar?"

"-Quando isto acabar…" – Repetiu num murmúrio apertando mais a mão dele.

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"-Tens reuniões amanhã?" – Perguntou encostada ao peito dele.

"-Sim, duas."

"-E durante o resto da semana?"

"-Logo se vê…"

"-Tu nunca te cansas?"

"-Do quê?"

"-De ser um Malfoy. "

"-Claro que não! Não há nada melhor do que ser um Malfoy."

"-Mas e as responsabilidades? As reuniões de negócios? O status e a impressão que tens de manter?"

"-É algo a eu estou habituado desde sempre."

"-Hum…"

"-Qual é a tua cor favorita?" – Perguntou sem razão aparente, quebrando o silencio agradável.

"-Depende."

"-Depende do quê?"

"-Depende da cor do vestido que estiveres a usar." – Ela olhou-o com aquele olhar que significava nitidamente 'Ohhhh! Que romântico!' e beijou-o.

"-Vais dizer-me qual é a tua cor favorita? Espera! Deixa-me adivinha! Cor-de-rosa!"

"-Que engraçadinha Ginevra! Não, não é o cor-de-rosa…"

"-Então…?"

"-Vermelho. Mas ai de ti se alguém sabe disto!"

"-Isso explica a dúzia de gravatas vermelhas no armário, 'Oh grande Monitor dos Slytherin!'."

"-Não se brinca com um Malfoy, Ginevra."

"-Eu pensava que tu gostavas quando eu brincava contigo."- Murmurou ao ouvido dele

"-Isso é uma outra história…"

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"-Que fazes?"

"-Estou a terminar de escrever uns bilhetes."

"-Para quem, pergunto eu."

"-Um para a minha mãe e outro para o meu chefe."

"-Para o teu chefe?"

"-Sim. Tive de impor umas condições extras no meu contrato."

"-Como assim?"

"-'A Biografia de um Malfoy' vai ser a última coisa que eu faço naquele departamento."

Teoricamente tudo o que tinha dito era verdade, sabendo que biografia era uma metáfora para 'execução'.

Levantou-se da secretária e atou ambos os bilhetes à pata da coruja que aguardava no parapeito da janela.

"-Nem acredito que tudo isto vai acabar…" – Murmurou sentando-se no colo dele.

"-O que queres dizer com tudo isto?"

"-Ora, estas 'férias' maravilhosas…"

"-Sabes que podemos repetir a qualquer altura."

"-Não podemos Draco…"

"-Porque não?"

"-Porque amanhã… Esquece."

"-Porque amanhã o quê?"

"-Esquece. Eu devia… devia ir arrumar as minhas coisas…"

"-Os elfos fizeram isso por ti."

"-Então eu vou até à praia."

"-O botão de transporte está programado para daqui a duas horas."

"-Eu não me demoro."

"Vai ficar tudo bem…" – Sussurrou para si mesma ao caminhar pelo areal – "Tem de ficar tudo bem…"

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Era agradável acordar nos braços de Draco, ele sempre a mantinha apertada contra o próprio peito, de forma que a que ela se sentisse o mais confortável possível.

Uma coruja bicou na janela fazendo a ruiva mexer-se mais nos braços do homem a seu lado.

"-Bom dia…" – Ouviu-o a murmurar antes de sentir os lábios dele sobre os seus.

"-Bom dia…" – Sussurrou de volta – " A coruja está a ficar impaciente Draco, é melhor um de nós a deixar entrar."

"-Eu faço isso."

"-Obrigada." – Agradeceu enquanto ele se levantava da cama.

"-Adoro quando te passeias só de boxers." – Disse vendo Draco a avançar em direcção à cama, vestindo unicamente uns boxers justos e negros.

"-Pensei que gostavas mais quando estava sem eles." – Comentou beijando-lhe os lábios –"E a carta é para ti." – Disse passando-lhe um envelope negro.

Já sabia do que se tratava, era a resposta de Jonathan. Leu as linhas, rapidamente, constatando o que mais queria, quando cumprisse a missão estaria livre de todo e qualquer relacionamento com o grupo a que fazia parte.

"-De quem era?"

"-De ninguém em especial." – Respondeu enquanto a carta se evaporava no ar.

"-Óptimo" – Murmurou capturando os lábios dela num beijo fervoroso.

Beijava-a com vontade, as suas mãos a percorrem o corpo dela sem limites, sem restrições.

"-Estás doido?" – Perguntou vendo a camisa que vestia a ficar sem botões de um momento para o outro.

"-Ambos sabemos que há no meu armário muitas camisas destas, prontas a ser arruinadas."

"-Tão engraçado que ele está esta manhã."

"-És tu que me deixas assim…" – Respondeu beijando-a com fervor e atirando a camisa negra para trás das costas.

"-Deixo, é? E como é que eu te deixo mais?" – Perguntou sentindo os beijos dele a descerem pelo seu corpo.

"-Ansioso, apressado, precipitado e quente, muito quente."

"-Muito quente?"

"-Muito quente." – Sussurrou enquanto a livrava da última peça de roupa que vestia.

"-E isso é bom?" – Perguntou fazendo deslizar os boxers dele.

"-Não vai ser se demorares mais do que cinco segundos com esses boxers."

Com dificuldades atirou os boxers para longe. Os beijos tornaram-se mais ousados, as carícias mais intensas, os dois corpos colados.

"-A poção Draco!"- Lembrou exaltada afastando o seu corpo do dele – " E esqueci-me de trazer mais. Utilizamos a última a noite passada."

"-Sem stress" – Disse beijando-lhe os lábios.

Alcançou a mesinha de cabeceira e da primeira gaveta retirou um fraco com um liquido azul claro.

"-Aqui está, esquecida." – Disse passando-lhe o pequeno frasco, cujo conteúdo ela tomou num instante.

"-Tudo nos conformes agora." – Anunciou pousando o frasco vazio na pequena mesa ao lado da cama.

Ele beijou-a calmamente, de forma tão suave que ela estranhou. Beijou-lhe o pescoço e os ombros, pequenos beijos castos que fizeram a ruiva tremer. Foi com delicadeza que uniu o seu corpo no dela, lentamente, com se fizessem aquilo pela primeira vez.

O ritmo era lento, torturante, mas completamente delicioso. Mal desviavam os olhares, tal era o receio de quebrar aquela ligação que se criara entre eles.

E então, quando o prazer era tanto que mal conseguia manter os olhos focados ouviu-o sussurrar bem perto do seu ouvido.

"-Amo-te…"

Olhou-o bem nos olhos, vendo o sorriso que se formava na face dele, e beijou-o com ternura.

"-E eu a ti." – Murmurou de volta, entre dois gemidos intensos.

Deixaram-se ficar abraçados, presos um no outro como se o mundo fosse só eles os dois.

Draco passeava os seus dedos sobre o liso ventre dela provocando-lhe cócegas.

"-Isso faz cócegas." – Murmurou contra a pele quente do pescoço dele.

"-Faz?" – Perguntou divertido, aplicando um pouco mais de pressão contra a pele dela.

"-Faz, agora pára com isso Joshua."

"-O que é que tu disseste?"- Perguntou afastando-se dela no mesmo instante.

"-Para parares com as cócegas. Agora volta, estou a ficar gelada…" – Pediu esticando os braços na direcção dele.

"-Tu chamaste-me Joshua! Quem é esse idiota?"

"-Joshua? Ele é só um amigo Draco. E eu não te tratei por Joshua."

"-Trataste sim! E porque é que estavas a pensar nesse cretino enquanto estavas nos meus braços?"

"-Foi um lapso Draco. Não quer dizer nada!"

"-Achas que eu sou idiota Ginevra?"

"-Draco volta. Estas a ser uma criança!"

"-Se eu estou a ser uma criança vai ter com o teu só amigo Joshua, Weasley."

Congelou, ele tinha tratado por Weasley, ele nunca a tratava por Weasley. Viu-o a vestir-se rapidamente e a sair do quarto com um fechar de porta violento.

Enrolou-se no lençol e ergueu-se da cama. Então soube, Tinha de cumprir a sua missão.

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Apertou o último botão da saia e olhou-se ao enorme espelho. Só mesmo um homem vaidoso como Draco para ter um espelho tão grande no quarto. Tinha intenções de alcançar a camisa branca que repousava numa cadeira ao seu lado mas o som a porta a abrir-se fê-la parar.

Viu-o a aproximar-se, os passos calmos, o olhar decidido, mas não se mexeu. Aquele era um confronto inevitável e o seu prazo acabava no dia seguinte. Tinha de o fazer.

"-É agora Weasley" – Disse, a sua respiração quente bem perto do pescoço da ruiva, as suas mãos pousadas na cintura dela.

E nunca o seu sobrenome fora dito de forma tão ameaçadora, de forma tão fria, tão carregada de veneno.

Apesar de todo o veneno que a voz dele carregava as mãos mantinham-se suaves na cintura dela, atrevendo-se de quando em quando a tocarem o ventre liso e descoberto dela.

Odiou o toque dele, como odiava a sua presença naquele momento. Voltou-se, ia encarar aquele homem de frente.

"-Sim, é agora Malfoy."

Viu o sorriso sarcástico a formar-se na face dele, certo que ia sair vencedor. Mas não ia, não daquela vez, não se dependesse dela.

"-Mas antes, vamos prolongar o momento." – Pegou nos pulsos dela, de forma violenta contrastando com os toques suaves até então.

Empurrou-a até à cama. Ginevra tentou soltar-se mas as mãos dele estavam por demais apertadas em torno dos seus pulsos.

"-Isso magoa." – Reclamou tentando afastar o seu corpo do dele mas sem resultados.

"-Exacto, essa é a parte divertida. Afinal é para isso que aqui estás, não é Weasley? Foi para isso que te enfiaste na minha mansão, não foi? Para magoar, ou em linguagem corrente para me matar."

"-Malfoy solta-me!" – Ordenou fazendo o loiro rir de forma assustadora.

"-Weasleys não me dão ordens, ninguém dá. Mas considera isto uma benesse." – Disse soltando-lhe os pulsos fazendo-a cair, de costas, na cama.

Tentou levantar-se, tentou levar a situação a seu favor, mas ele impediu-a prensando as palmas das mãos contra o ventre dela.

"-Não, não Weasley. Não vamos a lado nenhum, pois não? A diversão ainda mal começou."

Uma das mãos dele continuou a prende-la enquanto a outra trilhou carícias pelo seu ventre e pelas suas coxas. Tentou esquivar-se do toque que a repudiava naquele momento, não queria sentir-se tocada por aquelas mãos geladas.

"-Agora diz-me Weasley, porque te mandaram a ti? É bem visível que táctica não tens nenhuma… Descobri o que tramavas antes mesmo de conseguires formular o teu plano idiota."

"-Porque é que me escolheram?" – Começou, a sua voz carregada de veneno – "A resposta está à vista. Nem um Malfoy consegue manter as mãos longe de mim."- A resposta dela só serviu para o loiro passear ambas as mãos no corpo dela, com mais intensidade.

"-Isso é mal menor. Agora explica-me, como é que tencionavas acabar comigo?" – Falava bem perto do seu ouvido, fazendo-a tremer.

Não queria aquele contacto, não queria estar se quer perto dele. Devia ter acabado com ele quando tivera oportunidade. Agora tinha de esperar pelo momento certo.

"-Tencionavas matar-me com Avada ou tinhas em mente algo mais violento?" – Perguntou, num tom afectado, prendendo os pulsos dela contra o colchão macio.

"-Algo sangrento proponho eu, para ter bem a certeza que não me vou ter de preocupar mais."

"-Sangrento diz a pequena Weasley. Pode providenciar-se. E que queres que faça contigo depois?"

Sentia o peso do corpo dele sobre o seu, sem lhe dar margem de movimento.

"Se eu conseguisse chegar-me um pouco mais para a esquerda…"

"-Então a pequena Weasley perdeu as palavras?" – Perguntou passando a mão direita sobre a face dela, libertando assim o pulso esquerdo da ruiva.

"-É da emoção" – Respondeu sarcástica afastando a face do toque dele.

De um momento para o outro apercebeu-se que se cedesse ao toque dele seria mais fácil atingir o seu objectivo. Foi com as mãos dele a vaguearem pelo seu tronco quase despido e os lábios dele praticamente colados aos seus que conseguiu finalmente alcançar a maldita jarra que repousava sobre a mesinha de cabeceira.

Atingiu-o na cabeça com a jarra, com toda a força que conseguiu reunir no momento. O loiro afastou-se, ambas as mãos no local lesado dando espaço para a ruiva se levantar.

"-Então é assim?" – Perguntou, vendo as mãos manchadas de sangue – "A ruiva quer brincadeira…" – Comentou aproximando-se dela.

Ergueu a varinha e apontou-a ao homem à sua frente.

"-Não te aproximes Malfoy."

"-E porque não Weasley?" – O olhar dele sobre ela era quase demoníaco, enquanto avançava lentamente em direcção a ela.

"-Porque se não eu acabo contigo!"

"-Mas não é isso que tens de fazer?"

Estava muito próximo mas a ruiva esquivou-se, não se ia deixar apanhar de novo.

"-Então ruiva, não vale a pena fugires. Daqui a pouco tudo isto vai acabar, ou pelo menos para ti."

A mão que segurava a varinha vacilou e a sua única arma quase caiu ao chão.

"-Não fiques nervosa ruiva. Eu prometo acabar contigo rápido. Isso claro depois de passarmos um agradável momento."

Era como o jogo do gato e do rato, ele aproximava-se e ela afastava-se, ele insistia e ela esquivava-se. Talvez devesse acabar logo com aquilo, talvez devesse dar por terminada a missão de uma vez por todas, mas faltava-lhe algo. Faltava-lhe coragem.

"Acaba com ele Gin… Tens de o fazer… Ele é só um Malfoy… O Malfoy… Ele não merece a tua piedade… Mesmo que seja… Não… ele não a merece… É só um feitiço… duas palavras e está tudo acabado."

Ele movia-se com destreza mas parecia não estar a dar o seu máximo, parecia estar apenas a testá-la, pois se quisesse certamente já a teria apanhado.

"-Di-las… diz as duas palavras que te vão livrar de estar mais tempo naquele grupo… Diz as duas palavras que mandam o Malfoy dar a volta sem retorno… São só duas palavras … É simples… Ou pelo menos parece…"

"-Fá-lo ruiva! Ou será que não és capaz?" – Tinha-a agarrada pelos pulsos e apontava a varinha dela ao próprio peito, provocando-a. –" Será que os teus sentimentos te impedem? Ou direi a tua consciência? Será que serias capaz de viver tranquila sabendo que tinhas morto o homem que…."

"-Avada Kedavra" – Gritou.

As mãos dele perderam a força do aperto largando os pulsos da ruiva, agora marcados pelo sangue. O corpo do loiro caiu quase instantaneamente no chão, sem vida com o sangue que escorria da ferida a manchar a carpete claro onde caíra.

Olhou o corpo do homem caído à sua frente. A face, sempre comedida, sem qualquer tipo de sentimento, apresentada agora o ar de surpresa, como se ele não esperasse a coragem que a levara a cometer tal acto.

Com cuidado e algum medo também aproximou-se do corpo ajoelhando-se a seu lado. Fechou, com a ponta dos dedos, os olhos acinzentados que a fitavam arregalados. Então ergueu-se com a frieza que foi capaz de reunir, vestiu a camisa branca penou na sua bolsa e através da lareira existente no quarto voltou ao seu apartamento via Flu.

Correu até ao banheiro e despiu-se completamente entrando no box, onde a água corria escaldante. Esfregou o seu corpo com força, principalmente os pulsos, tentando apagar a memória do toque dele, a presença do loiro na sua pele.

"Missão cumprida" – Pensou amargamente deixando as lágrimas misturarem-se com a água quente que lhe escorria pela face.

- - - - Fim do 14º Capitulo - - - -

Aqui está o 14º capitulo… Já só faltam dois… um dos quais já está escrito… Bem, eu disse que ela ia cumprir a missão… Mas pronto… quem duvidou da minha palavra devia repensar na minha crueldade!

Posto isto… comentem, ou não… Até porque comentar faz bem à saúde… Faz pensar… O que é bom…

Enfim… Parvoíces aside … Feliz Natal e Um grande ano novo, cheio de coisas boas… Porque é isso que é preciso!

Kika

24 / 12 / 05

Trio Sublime… Sempre a bombar : D

Aguardem!