Depois de muitos pedidos, postei "tudo" aqui no FF, exceto o último capítulo que foi onde eu parei no Orkut. Vou postá-lo amanhã junto com o capítulo novo, certo? Reviews, reviews, reviews. To gostando de ver 3
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Na Sua Estante - Pitty
Nós temos a esperança de que as coisas vão melhorar, mas o que fazer quando ocorre o contrário? Esperar? Continuar tendo esperança? Ou simplesmente aceitar o que o destino traçou porque não há mais nada a fazer? Essa confusão estava acontecendo diariamente em minha mente após o aniversário de Thomas.
Depois de uma briga séria viria a fase de estranhamento até que algum acontecimento relacionado ao nosso filho fizesse tudo voltar ao normal, mas nas quase duas semanas após o primeiro ano de Thomas, Edward estava completamente mudado. Eu já tinha entendido que o hospital estava consumindo boa parte de seu tempo, mas ele voltava um pouco a ser o que era quando chegava em casa e brincava com o filho mesmo que por pouco tempo.
O que eu vi nesses dias foi um homem mais sério e calado, respondendo minhas perguntas monossilabicamente, algumas vezes eu até o flagrando sentado sozinho no sofá altas horas da noite quando chegava de um plantão. Parei de perguntar o que ele estava fazendo sentado no escuro após o terceiro dia que o vi fazendo isso e sua resposta foi "Nada. Volte a dormir". Dormir era a última coisa que eu fazia naquelas noites, conseguindo adormecer perto dos primeiros raios de sol anunciando a manhã chegando quando sentia a cama afundar ao meu lado. Ali eu vi sendo estabelecida uma rotina pior do que a anterior e que afetava mais ainda minha vida fora do casamento.
O trabalho foi o primeiro afetado, pois eu me tornei uma jornalista distraída que se perdia algumas vezes nas entrevistas que fazia com as bandas que deveriam render boas matérias. Depois de uma bronca séria de meu editor eu voltei a me concentrar mais no trabalho e a tentar esquecer que assim que voltasse para cara teria que encarar um marido distante e um filho afetado pela relação ruim dos pais.
Minha sorte foi ter Charlie por alguns dias na cidade me ajudando a distrair Thomas e não deixá-lo perceber que papai e mamãe mal se falavam mais, mas pai - mesmo quando a filha já tem quase trinta anos e é mãe já - consegue perceber quando seu bebê está passando por algo ruim. Tanto Charlie quanto René quando viva conseguiam descobrir através de minha voz quando algo estava errado, mas minha teimosia adolescente não me deixava desabafar e pedir um conselho a eles que já tinham vivido de quase tudo na vida de casados. Só que agora eu estava mais madura para aceitar que precisava do máximo de ajuda possível para aguentar os problemas.
Um dia antes de Charlie viajar para a Guatemala em uma nova escavação eu pedi para deixar o trabalho mais cedo porque minha cabeça estava perto de estourar de tanta dor. Eu estava quase perdendo o prazo daquela semana e precisei esperar três horas para uma banda me conceder uma entrevista ridícula de vinte minutos onde o vocalista quase não respondia as minhas perguntas e o manager deles ficava toda hora dizendo quantos minutos faltavam. Acho que ao completar dez anos de jornalista cultural eu teria um livro pronto falando sobre como alguns artistas eram um pé no saco.
Ao estacionar o carro na porta da garagem eu soltei um suspiro de alívio ao perceber que meu pai estava em casa distraindo Thomas. Como eu sabia apenas em olhar a porta da entrada que ele estava lá? Simples. Bastava ver as botinas de escavação que ele sempre usava deixadas arrumadas ao lado da porta porque desde que eu me entendo por Isabella Swan, Charlie anda só de meias em casa e na minha casa não seria diferente. Sorri ao relembrar as inúmeras brigas que minha mãe tinha com ele sobre as meias encardidas que davam muito trabalho para lavar e entrei pela porta da frente.
- Pai? - chamei deixando meu casaco pendurado no armário da entrada.
- Na cozinha, Bells. - ele gritou em resposta.
Eu o encontrei dando papinha de cenoura que a Abby fazia para o Thomas e os dois sorriram ao me ver chegando. Tom com seus dois dentes frontais e a boca suja de papa laranja e meu pai quase tremendo o bigode espesso que sempre teve.
- Hum, papinha de cenoura? - brinquei me aproximando de Thomas. - Até eu quero.
- Dei uma canseira nele brincando a tarde toda com a mini bateria que a Alice deu e ele acabou ficando faminto. - meu pai explicou enquanto Tom brincava com a colher suja de papinha como se quisesse me alimentar.
- Ele brincou ou você brincou? - retruquei desconfiada depois de vê-lo animado quando viu a bateria pela primeira vez.
- Quando você era bebê se interessava mais por brinquedos de encaixar e não tinha tanto brinquedos tecnológicos e legais.
- Tá certo, senhor Swan.
Tirei Thomas da cadeirinha e o sentei no balcão para pegar uma toalha de papel para limpar a sujeira que ele sempre fazia quando comia e Charlie se encostou ao nosso lado para observar como eu já tinha um ar materno bem apurado.
- Chegou cedo do trabalho... - ele comentou me passando mais uma toalha de papel.
- Pedi para terminar meu trabalho em casa porque minha cabeça está estourando de dor. Vou só tomar um analgésico e me trancar no escritório.
- Você anda tendo muita dor de cabeça ultimamente, Bells. Isso não é normal.
- É muita coisa para fazer. É trabalho, casa, filho...
- Marido também. - ele acrescentou me encarando com seriedade.
- Não é bem assim. - retruquei tentando amenizar a situação em nome da paz entre as famílias.
- Bella...
Eu não era capaz de mentir para meu pai, mas como eu poderia dizer que meu casamento estava uma merda, que meu marido mal falava comigo e que minha única alegria era quando Thomas fazia algo extraordinário sem que meus olhos enchessem de lágrimas e ele sentisse pena de mim? Eu não queria que ninguém mais sentisse pena de mim, estava cansada disso.
- Não venha me dizer que seu casamento está indo bem, - ele me alertou. - Porque o que eu vi nessas últimas duas semanas foi você e Edward fingindo muito mal que tudo estava como antes.
- Está tão na cara assim? - perguntei pegando Thomas no colo e seguindo para o andar superior.
- Vocês só faltam dizer em voz alta, Bella.
- É uma situação complicada, pai. Eu já tentei de tudo, mas parece que minha relação com Edward está fadada a ser assim.
- Vocês já conversaram sobre o que poderia ter acontecido? - ele perguntou me observando tirar a roupa de Tom para dar banho nele. - O que aconteceu para vocês chegarem a esse ponto?
- Não adianta mais conversar porque eu sei o que aconteceu com nós dois; nós casamos e tivemos um filho, foi isso.
- Então, você acha que todo mundo que casa e tem filho cedo tem um casamento como o seu? Não é bem assim e você sabe disso porque teve o exemplo de casa.
- Mas com mamãe e você foi diferente, sei lá.
- Todo casamento é diferente. Você e Edward são novos, estão começando a carreira de cada um agora, mas não estão sabendo lidar com os problemas por falta de conversa. Eu sei que vocês se amam e você não tem noção de como é horrível para quem está de fora ver vocês dessa forma.
Eu sabia, porque a cada visita que recebia em casa ou a cada jantar que íamos à casa dos Cullen dava para perceber que eles tinham perdido a esperança em relação a nós e estavam apenas assistindo um casamento de menos dois anos se desfazendo.
- Eu prometo que vou tentar melhorar a situação, mas não depende só de mim. - o informei.
- Edward é louco por você e pelo Thomas. - Charlie me disse. - Eu nunca vi um pai tão apaixonado como ele e já vi provas suficientes de que ele te ama de verdade.
- Eu sei... - murmurei antes de colocar Thomas na banheirinha e encerrar o assunto.
Aproveite e fiz um jantar simples para me despedir de Charlie. Como era esperado, Edward não apareceu e também não ligou para dizer que horas iria chegar em casa, mas eu não estava tão ligada nesse fato porque queria aproveitar minha última noite com meu pai antes de passar meses apenas conversando por e-mail e Skype. A saudade certa que eu sentiria dele me ajudou a não ficar sofrendo e pensando no meu casamento fracassado.
Não consegui dormir direito aquela noite e rolei por horas na cama vazia pensando em milhares de coisas, inclusive o que estava acontecendo com Edward. Ele não costumava ser tão distante assim mesmo quando nós estávamos brigados e seu comportamento dos últimos dias me dizia claramente que algo estava errado com ele. Eu só não conseguia identificar a causa de suas atitudes para tentar entender e quem sabe ajudar, pois apesar de todos os nossos problemas eu ainda amava muito Edward.
Ele era o homem da minha vida mesmo muita coisa tendo mudado entre nós dois, mesmo os problemas conseguindo encobrir os nossos raros momentos felizes. Era ele que fazia meu coração acelerar com uma declaração inesperada, minhas pernas bambearem com um beijo carinhoso, que me fazia sorrir imersas nas lembranças de um passado não tão distante. Há cinco meses as coisas ainda estavam bem, mas parecia que havia passado uma década desde nosso último segundo como Prince e Baby.
Sentindo que meu sono não iria chegar tão cedo, levantei da cama para tomar um copo d'água e checar Thomas também. Ele dormia como o anjinho que era em minha vida, mas meu coração caiu alguns centímetros em meu peito ao perceber que ele ainda tinha a mania de dormir de bruços com a mãozinha sobre o olho.
Tão Edward, pensei alisando seu cabelo arrepiado e o deixando dormir.
A luz da cozinha estava acesa e eu estranhei, porque tinha uma mania de desligar todas as luzes da casa antes de dormir e deixar apenas a da escada para servir de guia. Entrei com cautela no ambiente e encontrei a porta da geladeira aberta. No momento eu estava tão desnorteada que nem pensei que o mais óbvio seria pensar que Edward estava em casa e quando ele apareceu de trás da porta eu tomei um susto desnecessário.
- Droga, você me assustou. - falei levando minha mão ao peito e respirando fundo.
- Desculpe, eu não queria fazer barulho... - ele disse me fitando por apenas poucos segundos e logo desviando o olhar.
- Você não fez barulho. Eu que estava distraída.
Silêncio como nossa rotina dos últimos dias estava sendo. Fiquei parada na porta da cozinha o observando tirar o achocolatado pronto - algo que ele resgatou da infância ao se tornar pai - e colocar sobre a bancada para abrir a caixinha. Ele tomou um gole e respirou fundo encarando o mármore ao invés de encarar meus olhos como costumava fazer. Como gostava de fazer...
- Eu amo a cor de seus olhos, sabia? Lembram-me dois bombons de chocolate e me dá vontade de comê-los.
- Você às vezes é tão idiota, Edward.
- Vai dizer que você não ama esse idiota que quer comer seus olhos?
- Até que amo...
A maldita lembrança queimou em minha mente e isso foi o máximo que eu aguentei por uma noite. Poderia deixar o mesmo ambiente que ele e mais uma vez passar por cima da solução de nossos problemas por medo. A conversa realmente seria a única forma que revelar o que cada um estava sentindo com a situação, mas até o momento nenhum dos dois teve a coragem para tal. Até o momento em que eu me vi parada o observando se interessar mais pela tabela nutricional do achocolatado do que por mim.
- O que está acontecendo, hein? - perguntei cruzando meus braços.
- Oi? - ele retrucou sem entender minha manifestação.
- O que está acontecendo, Edward? Eu quero saber!
- Acontecendo com o quê?
- Com você! - faltou pouco para eu gritar aquilo, mas me controlei. - Com nós dois. Eu não estou mais suportando essa situação.
Ele suspirou, olhou para a bancada e levantou apenas os olhos para dizer:
- Nós realmente precisamos conversar.
Between The Lines - Sara Bareilles
EPOV
Ela estava me encarando com os braços cruzados e seu olhar exigia uma resposta minha o mais rápido possível. Eu não queria encarar seus olhos diretamente porque vê-los me fazia lembrar como eu os amava, como eles me tinham nas mãos. A única coisa que eu conseguia pensar naquele momento era como tinha sido idiota nos últimos tempos e como ela merecia uma explicação para minhas atitudes nada agradáveis. Mesmo que essa explicação não fosse a que ela esperasse receber.
- Anda, diz! - ela exigiu. - Diga-me que diabos está acontecendo entre nós dois porque eu não estou mais entendendo nada.
- É complicado... - falei coçando minha nuca, primeiro sinal de nervosismo.
- É mais que complicado, Edward. É insuportável. - sua voz estava mais dura e isso fazia com que eu me sentisse mais estúpido ainda. - Eu não estou te reconhecendo mais, você não me conhece mais. Ninguém nessa casa parece se entender e o que nós fizemos no último mês foi empurrar essa conversa com a barriga e fingir que tudo estava bem, mas quer saber? Eu cansei de fingir e eu quero ter essa maldita conversa agora.
- Eu também estou cansado de fingir que nada está acontecendo e é por isso mesmo que é complicado. - retruquei, mas meu tom era calmo. Culpado.
- O que é complicado, hein? O fato de você ter se tornando um completo estranho para mim nessas últimas duas semanas? De que seu filho só te viu no máximo três vezes nos últimos dias porque você vive enfurnado naquela porcaria de hospital mesmo quando não é necessário? Que merda você tanto faz lá? Responda! Descomplique a situação.
As acusações vindas dela eram verdadeiras e tinham fundamento, mas era justamente isso que estava me deixando como um fracote que não podia dizer a verdade. Por que eu estava me escondendo como um covarde no hospital, aceitando qualquer procedimento cirúrgico e ficando poucas horas em casa? Medo. Vergonha. Arrependimento. Qualquer sentimento que explicasse o que eu sentia naquele momento ao encarar Bella e ter decidido contar o que realmente estava acontecendo.
- Eu... - balbuciei abaixando os dois e tentando encontrar a melhor forma para lhe dizer o que pretendia. - Eu preciso te contar uma coisa.
- Ok. - a escutei dizer, mas ainda estava sem coragem para encará-la.
- É complicado porque...
- Qual o nome dela?
Levantei meus olhos surpreso com o questionamento e o que eu encontrei foi uma Bella de braços cruzados, lábios retraídos em uma linha e olhar duro. A combinação que me fez xingar mentalmente por tudo que eu tinha lhe feito sem ela ao menos saber.
- Não venha me dizer que não existe "ela" porque eu não sou idiota. - ela disse apontando o dedo indicador em desafio.
- Não é bem como você está pensando. - tentei me defender, mas sabia que era a frase mais idiota a ser dita.
- Essa é a frase mais idiota a ser dita nesse momento, Edward. - Bingo, pensei a vendo rir da ironia. - Nunca é como a gente está pensando, não é mesmo?
- Acredite em mim, Bella. Não é como você está imaginando...
- Então, você está confirmando meu pensamento? Por um segundo eu achei que você fosse dizer "Não, Bella. Não existe ela coisa nenhuma" e fosse me explicar outro motivo que te fizesse estar distante e ausente, mas pelo o que parece eu estou enganada.
Essa demora para contar só estava piorando a situação, mas eu fiquei com receio de afirmar seus pensamentos com sua reação a apenas um comentário que eu deixei escapar. Mas já que nós tínhamos chegado a esse nível na conversa, não adiantava mais voltar atrás e inventar uma mentira para amenizar. Eu tinha quase certeza que qualquer coisa que eu dissesse na situação que nós estávamos só iria piorar para meu lado, dessa forma, optei por ser verdadeiro. Era o mínimo que ela merecia.
- Se você tem alguma consideração por mim, me diga o nome dela. - Bella pediu quase em suplício e vi seus olhos caírem num olhar desesperado.
- Que diferença irá fazer? - retruquei tentando impedir que piorasse a cada resposta minha.
- Toda. Eu a conheço?
- Bella...
- Diga!
Bella tinha montado uma armadilha e me capturado corretamente. Eu não podia mais mentir nem dizer mais nada para melhorar um pouco... quer dizer, deixá-la menos pior do que já estava e ficaria. Eu só precisava respirar fundo e tomar coragem para revelar o que ela queria.
- Holly. - falei encarando a bancada como um covarde que era desde a semana anterior.
- O quê? - a escutei dizer esbravecida e certamente me fuzilando com os olhos. - Holly Thompson, nossa vizinha?
- É...
- Como... Eu não acredito! Como você pode ser cafajeste a esse ponto, Edward? Ela é uma criança! Você tem quase vinte e sete anos e fica transado por ai com garotinhas de 19 anos? Com calouras de faculdade? Eu... eu não acredito nisso.
- Eu não estou transando com calouras de faculdade, Bella. - me defendi mesmo que fosse inútil. A merda já estava feita. - Só aconteceu uma vez, eu juro.
- Não importa a quantidade de vezes que isso aconteceu. - ela gritou perdendo o último fio de controle e dando passos em minha direção. - Você me traiu e para piorar ainda mais foi com nossa vizinha que mal saiu da adolescência.
- Eu não...
- Não venha com esse papo furado de que você não queria fazer isso comigo. Você fez. Você não foi homem suficiente para chegar e me dizer que nosso casamento não estava mais dando certo e que você estava interessado em outra. Você destruiu minha confiança, acabou com nossa família. Você... acaba de enterrar o homem que eu pensava que conhecia.
- Bella, por favor. - pedi a vendo deixar a cozinha enfurecida e fui atrás. - Me escute, pelo amor de Deus.
- Escutar o quê? - ela se virou no pé da escada e seu rosto estava congelado em uma expressão de desgosto e raiva misturados. - Como você a comeu? Como você agiu como um canalha sem coração e trocou tudo o que nós tivemos por uma garotinha que não tem merda nenhuma na cabeça?
- Eu estou me sentindo o pior homem do mundo por ter feito isso com você. - falei me aproximando dela. - Eu... eu nem sei como te pedir perdão.
- Porque não existe perdão para isso. Acabou, Edward. - ela declarou e apertou os lábios enquanto tomava fôlego pelo nariz. - Você acabou com nosso casamento a partir do momento que não soube agir como um homem de verdade e fez isso comigo.
- Espere!
Bella tentou voltar a subir a escada, mas eu não queria terminar aquela conversa com ela declarando que nosso casamento havia terminado. Segurei seu braço sem puxá-la com força para ficar, mas ela estava desesperada para sumir de minha frente e se retorceu enquanto tentava continuar subindo. Porém, mesmo que eu não estivesse a segurando com força alguma, Bella sempre foi meio desastrada demais e acabou perdendo o equilíbrio no quarto degrau.
- Cuidado! - gritei tentando segurá-la, mas não reagi a tempo.
A queda não foi muito alta, mas o modo que seus pés se torceram enquanto ela caía a fez gemer de dor quando atingiu o chão sentada.
- Você está bem? - perguntei me abaixando ao seu lado e a vendo cair de costas com os olhos apertados de dor.
- Estou ótima. - ela mentiu tentando ficar de pé, mas estava claro que um de seus pés doía demais.
- Você está com dor, Bella. E mal consegue ficar em pé.
- Eu estou bem, Edward. - Bella retrucou voltando a ficar irada comigo. - Me solte, por favor?
- Não. - respondi colocando nossa briga no passado e a carregando no colo. - Eu vou te levar ao hospital.
- Eu não vou a hospital nenhum e...
- Bella, eu vou cuidar de você. É o mínimo que eu posso fazer.
Ela deveria estar com muita dor no pé torcido ou minhas palavras as atingiram de um modo que não foi minha intenção. Só de imaginar que ela poderia estar machucada - fisicamente e também emocionalmente - por minha causa já me fez sentir mais ainda a dor de ter sido um canalha com ela e nossa família. Bella tinha razão: um homem de verdade não iria agir da mesma forma que eu e não havia desculpa alguma para o que eu fiz.
Quase dez anos de relacionamento por água abaixo só porque eu não estava sabendo conciliar minha vida no trabalho com a familiar. Só porque eu não aguentei a pressão e me deixei ser levado por um encontro casual na biblioteca de Princeton na semana anterior. Uma carona de volta pra casa e toda merda estava feita, todo o arrependimento veio em minha mente e na de Holly assim que nós percebemos o que tínhamos feitos. Não foi apenas sexo; foi um marido traindo a mulher sem motivo algum, foi uma adolescente agindo sem imaginar as consequências daquilo na sua vida, na minha vida, na vida de Bella e até mesmo de seus pais se eles descobrissem um dia.
A minha falta de maturidade com toda a pressão externa que nós sofríamos em nosso casamento desde o começo - gravidez inesperada, carreiras começando e família querendo se meter mais do que deveria - eram problemas que podiam ter sido resolvidos com conversas, algumas concessões e paciência para esperar a fase difícil passar, mas eu tive que estragar tudo e estar me arrependendo até o dia de minha morte por ter feito uma merda tão grande.
[…]
