Capítulo Treze.

"Olhei para o relógio no meu pulso ao mesmo tempo em que a porta da sala abriu e minha ansiosa e sorridente esposa, mais linda de todo o mundo, entrou toda agasalhada e de saltos altos. Vindo à minha direção, sentou no meu colo me beijando de surpresa de um jeito que ela só fazia dentro do quarto, mas depois que me amarrou na cama para conseguir algumas coisas que queria não duvido em mais nada que possa fazer".

Meu sapato voou na sua direção e quase bateu na sua cabeça, mas ele desviou a tempo. Peguei o outro par e arremessei sem pena. Eu queria machuca-lo de alguma forma. Seu jeito absurdo estava me dando nos nervos e meu limite estourou. Edward é um babaca épico!

- Em primeiro lugar, eu estava me sentindo extremamente bonita e você me fez sentir como se estivesse vulgar e fosse uma mulher qualquer querendo chamar atenção. – gritei e joguei meu secador de cabelo. – Eu estava lá por sua causa, passei a merda do inteiro para ficar a sua altura! Eu não entendi a necessidade de ficar o tempo todo me podando e rosnando como se eu fosse um cão que obedecesse a sons baixos!

- Eu não vou repetir, para de jogar coisas em mim.

Com ainda mais raiva, joguei uma almofada.

- Ficou como um cão espumando raiva ao invés de me dizer o que estava acontecendo, ficava me controlando e sendo estúpido. E advinha só? Encontro meu marido sussurrando com a assistente que tentou diversas vezes me fazer de tola na frente de pessoas que não conheço. Não é a cereja do bolo? Não! Você simplesmente age como se não foi nada demais e que podemos adiar uma briga. Eu quero e vou brigar agora.

- Eu não fiquei sussurrando, cacete! Dei uma ordem! É assim que eu falo com Victória: Ordeno. É minha funcionária!

- Ela é uma vadia! A pior noiva do século e eu achei que eu era desanimada, mas ela? Merece um prêmio! E a galinha loira da sua ex-namorada? Nossa!

- Ah não começa porque eu nem cheguei perto dela! Deixa de ser maluca! – gritou e praticamente me deu as costas, querendo encerrar o assunto. Não tão fácil.

- Sabe o que eu acho engraçado? Você pode ter uma ex-namorada! Mas eu? Nunca tive ninguém além de você a minha vida inteira e você era apenas uma promessa até dois meses atrás. Eu deveria ter fodido com metade dos caras do vilarejo para você me entender agora!

Edward virou e joguei mais uma almofada, batendo no seu braço. Ele me segurou, imobilizando meus braços e mordi seu ombro.

- Cala a boca!

- Por que? Eu estava tão nervosa e passei o dia inteiro... – resmunguei e até bati o pé no chão.

- Você é linda. – disse baixo. – Hoje estava além da explicação. Não estava preparado. Estou com uma raiva que não posso sequer computar. E te ver daquela forma me deixou ainda mais irritado porque eu não queria que ninguém te olhasse e te desejasse. Depois do que aconteceu... Não posso suportar que alguém te olhe desejando fazer o que não pode até mesmo contra a sua vontade.

- Não quero viver dessa forma. – sussurrei e saltei com sua mão no meu decote. Olhando profundamente nos meus olhos, rasgou a parte de cima do meu vestido. – Edward!

- Você era a mulher mais linda desta noite e sei que será de todas as outras. Lamento pelo meu passado, mas desde que deslizei esta aliança em seu dedo, sou somente seu e de ninguém mais. Não quero nenhuma outra mulher e muito menos viver em guerra. Não estou em um bom momento para brigarmos.

A honestidade do seu olhar me deixou completamente desarmada e aplacou minha fúria. Devo ter relaxado meus ombros porque ele continuou rasgando meu vestido.

- Essa roupa me deixou louco. – disse e meu vestido caiu todo no chão. – Ah puta merda.

Encolhi os ombros. Há algum tempo tenho vontade de usar um dos presentes de Leah e quando Rosalie encontrou as peças no meu closet ela rapidamente se uniu a Alice para me convencer a usar por baixo do vestido e fazer uma boa comemoração de um mês de casados. Saí do meio do vestido embolado em meus pés e observei a expressão assombrada do meu marido. Momentaneamente me preocupei se ele poderia ter um enfarto devido a vermelhidão do seu rosto, mas, logo me senti lisonjeada em deixa-lo sem fala pela segunda vez no dia.

Edward esfregou as mãos no rosto e me olhou de cima abaixo. Desceu sua mão por entre minhas pernas e tirou a pequena arma presa na tira de couro que a segurava com o delicado coldre que Jasper me deu de presente. Sentou na cama e ficou me olhando. Meu peito estava arfando, ansiosa com a sua reação.

- Estava usando isso aí a noite inteira do meu lado? – perguntou e balancei a cabeça, assentindo. – Dá uma voltinha, amor. – pediu de um jeito tão doce que tremi. Virei lentamente e parei um pouco de costas. A minha calcinha tinha uma delicada letra E com brilhantes. Corei até a raiz quando Leah me deu. Edward traçou o dedo pelo fio dental e tocou a letra gentilmente. Senti uma mordida na bochecha da minha bunda e um tapa forte. Gemi. – Vire-se. – ordenou e quando virei, tentou me puxar.

- Espera! Preciso de uns minutinhos!

- O quê? Não! Volta aqui. – tentou me segurar e corri para o banheiro.

Antes de qualquer coisa, eu precisava fazer xixi. Estava muito furiosa antes e agora minha bexiga está explodindo. Um pouco intimidada com o que viria acontecer, limpei-me cuidadosamente e retirei toda maquiagem, não querendo ficar como um panda logo em seguida. Edward sempre me bagunça muito. Abri a porta do banheiro e ele estava só de cueca me olhando daquele jeito que me deixava louca. Seu sorriso perigoso enfeitava o rosto que tanto sou apaixonada.

- Vem aqui. – pediu baixinho. – Você é tão gostosa.

Sorri corando e ele me segurou, descendo a mão da minha cintura para minha bunda ao mesmo tempo em que sua língua invadia minha boca. Com cuidado, me levou para cama e eu gemi de saudade, rapidamente ficando perdida em seu toque.

Abri os olhos assustada com meu sonho e puxei o lençol para cobrir meu corpo nu. Estava amanhecendo pela hora e Edward não estava na cama, com seu lado completamente frio. Adormeci logo que tomamos banho. A comemoração de um mês de casado com a pazes prévia de mais um motivo que temos para brigar deixou minhas coxas ardendo e estou dolorida em um monte de lugar. Edward ficou realmente louco essa noite e depois do que aconteceu, tive medo de nunca mais conseguir fazer sexo, porém, hoje foi a prova que o toque do meu marido é tudo que meu corpo deseja.

Levantei esticando meus músculos e vesti a camisola e um roupão porque estava muito frio e saí do quarto a procura dele. Olhei no andar debaixo e Mike saltou quando me ouviu. Abri um sorriso sem graça e saí, voltando para escada. Andei calmamente até o escritório, colocando o ouvido na porta e como ouvi mais de uma voz, reconhecendo pelo menos a de Jasper além a do Edward, decidi não entrar. O que eles estavam fazendo essa hora?

- Perdida, cunhada? – Emmett perguntou e virei na sua direção sem parecer culpada.

- Não. Procurando meu marido perdido. – respondi e ele riu. – Aconteceu alguma coisa?

- Nada que deva ficar preocupada.

- Ah sim... – murmurei e não sai de frente da porta.

- Sai da frente, criaturinha. Você não vai entrar agora.

Revirei os olhos e virei para o outro corredor, descendo para cozinha e já encontrei Malena andando de um lado ao outro. Ela não se importava que eu entrasse na cozinha e me deixava em paz. Já Sue me fazia parecer estar entrando na cozinha de outra pessoa e ter que pedir licença para buscar um copo de água. Peguei o pote de café e moí os grãos, enquanto passava, tirei do freezer uma massa de pão de canela e outra de pão recheado com queijo, colocando no forno enquanto Malena preparava o restante do café da manhã. O cheiro deve ter despertado Rosalie, porque ela logo veio para cozinha beliscando uma porção de biscoitos.

Ajudamos a colocar a mesa e sentei para comer. Alice desceu, ainda sonolenta, se jogou na cadeira e Rosalie lhe entregou uma xícara de café imensa. As duas estão em paz desde que Rosalie concorda que Jasper agiu como babaca ontem. E eu tenho certeza que meu irmão agiu daquela forma com uma garota que ele nunca viu antes porque Edward pediu. Sei que ele é naturalmente galanteador, mas aquela garota magricela com aparelhos nos dentes não faz muito o tipo dele. Jasper gosta de garotas como Alice. Talvez menos insanas que a minha cunhada maluquinha.

- Algo cheira muito bem aqui. – Edward apareceu apenas com sua calça do pijama. – Eu ia te acordar com o café da manhã, por isso pedi que Malena viesse cedo. – disse baixinho no meu ouvido e beijou minha boca. Era assim que eu queria ser acordada hoje.

- Mês que vem te espero na cama. – brinquei e ele sentou em seu lugar, puxando a cestinha com o pão de canela para sua frente. Rose e eu rimos. Edward não divide os pães então os dividi em duas cestas, para que meu irmão também pudesse comer. Emmett não liga para doces, ele briga pelos recheados.

Emmett e Jasper apareceram, cada um com uma expressão sonolenta. Será que eles dormiram?

- Ainda temos amanhã. – piscou e parecia de bom humor. Muito bom humor. Não sei se é pela quebra do nosso jejum sexual forçado ou porque algo além aconteceu. Ontem ele estava insuportável e hoje falta assobiar pelos cantos. Meu subconsciente franziu o cenho curioso. O que Edward está aprontando?

- Quais os planos para hoje?

- Voltaremos para casa depois do jantar. Tenho uma reunião amanhã cedo durante o café da manhã. – Edward respondeu e olhou algo no seu celular. – Victória enviou a lista de quem confirmou a presença para o jantar na quinta-feira.

- Estive pensando... Gostaria que Giana viesse me ajudar em algumas questões essa semana, preciso de ajuda em muitos detalhes do jantar e não acho justo sobrecarregar Victória. Ela está noiva e deve preocupar-se com o seu casamento. – disse a Edward, colocando parte do meu plano de tirar a influencia de Victória em ação. – Giana me parece ser muito eficiente em seu trabalho, bem mais que a sua assistente, no meu ponto de vista.

Edward me olhou seriamente e continuei impassível, comendo.

- Seja lá o que está planejando, pare agora mesmo.

- Não posso ter uma assistente também?

- Pode.

- Então por que mandou parar?

- Amor, nós casamos faz há um mês e eu já te conheço o suficiente para saber que sua cabecinha está tomada por um sentimento de possessão tão grande que está planejando algo contra a minha assistente.

- Ela é uma vaca. – Rosalie murmurou.

Edward apenas a olhou e eu ri.

- Ficou bastante obvio que ela estava tentando desfazer da Bella ontem. – Alice retrucou e olhou para o irmão. – Que falta de respeito. – provocou e ele me olhou com o cenho franzido.

- Ela fez alguma coisa que lhe deixou desconfortável?

- Várias. Eu sei me defender, é só você não entrar na frente para protegê-la. – sorri docemente e ele ergueu as mãos em defesa. – Vou esperar a Giana amanhã lá em casa.

Edward não falou nada, apenas me olhou por um tempo e antes de levantar, disse que iria pensar sobre Giana, mas eu sabia que foi apenas para não sair sem dar a última palavra. Jasper disse que iria dormir um pouco e Emmett convidou Rosalie para um banho na piscina aquecida, que ela rejeitou com um ar de desdém dizendo que iria terminar de ler seu livro e talvez mais tarde estivesse disponível. Reprimi o sorriso e saí da sala de jantar com Alice, deixando os dois sozinhos, flertando e discutindo ao mesmo tempo.

Voltei para o quarto e Edward estava deitado com tudo escuro, provavelmente para dormir. Como estava muito cedo, decidi que poderia me dar ao luxo de dormir um pouco mais com ele. Tirei o roupão e deitei do meu lado na cama sendo imediatamente abraçada. Beijando meu ombro, senti suas mãos subindo minha camisola até que entendi que queria que tirasse. O quarto estava bem quentinho e o edredom pesado. Sei que ele gosta de dormir bem agarradinho, mas sem roupas no caminho.

A prova de que ele apenas me esperou dormir para sair do quarto veio quando ele adormeceu abraçado comigo sem soltar nenhuma piadinha, mas não reclamei, porque gosto de estar com ele e muitas noites ele está fora ou apenas ficando algumas horinhas do meu lado até seu maldito telefone tocar e sair correndo, me deixando sozinha. Não voltei a dormir, estava mesmo sem sono, fiquei quieta até que ele despertou me apertando mais forte, movimentando-se de forma sugestiva.

- Existem muitas vantagens em dormir com uma mulher. – murmurou lambendo atrás da minha orelha.

- Principalmente a sua mulher. – rebati meio mal humorada. – Nunca dormiu com suas parceiras antes?

- Claro que não.

- Nem mesmo com a...

- Com ninguém, amor. Só você, porque é minha esposa e confio em ti.

Pensar em Tanya Denali deixou meu pensamento meio azedo. Ela era alta, bem magra, sem bunda, com pernas secas e dois peitos duros de silicone. O que Edward viu nela estava além da minha concepção. Sou orgulhosa dos meus atributos, mesmo que chore quando um jeans não dá em mim ou um sutiã fica extremamente apertado. Sou natural e ela falsa. Até seus dentes pareciam artificiais. Quando fomos apresentadas, soei o mais doce possível, o que a fez entender que eu era boba. Depois de três foras sutis que a deixaram vermelha, me afastei em direção ao meu marido. Edward não deu nenhum indicativo que falaria com ela e não falou, mas sinto ciúmes que um dia ela esteve com ele e experimentando daquilo que sempre foi meu.

A mão de Edward subiu para meu seio e ele riu quando tremi. Ainda rindo, separou minhas pernas e me tocou gentilmente, me deixando acesa.

- Acho que nunca fizemos nesta posição. – disse pensativamente e soltei um gemido baixo.

- Que posição? – perguntei ofegante.

- De lado, amor.

Minha mente estava nublada.

Sentir Edward me penetrar era uma sensação indescritível agora. Antes era um misto de dor e receio, mas as últimas vezes têm sido bastante agradáveis e a plenitude me faz desejar estar assim com ele a maior parte do tempo. Percebo no meu íntimo que sexo não é uma obrigação como esposa. É o meu próprio desejo. Posso estar com raiva ou até mesmo magoada, mas não deixo de deseja-lo por mim mesma. Seus movimentos eram lentos e suaves, me deixando tonta, suada e cada vez mais perdida. Com uma batida forte, gritei e era isso que ele queria, me ouvir. Tento me controlar quando sei que há pessoas acordadas pela casa, mas a cama estava batendo na parede e não me importei mais, me soltando completamente.

- Agora sim, porra. Não se controle. Eu quero te ouvir.

Pelo menos quando estamos transando. Uma mordida no ombro foi o suficiente para me fazer explodir, logo ele estava gozando dentro de mim e estremecendo diversas vezes. Edward não saiu de dentro de mim, continuamos abraçados, em silêncio até nossas respirações acalmarem. Soltei um suspiro quando o senti puxar e virei na sua direção. Ele estava meio aéreo ainda e eu gostava de assisti-lo perdido por minha causa. Beijei seus lábios.

- Aonde você vai? Não sairemos do quarto hoje até irmos embora.

- E os outros?

- Foda-se. Eu quero ficar com você.

Passar a manhã sozinha com Edward foi uma delícia e sem brigas. Não mergulhamos em nenhum assunto que nos fizesse brigar. Falamos sobre o que achamos do nosso primeiro mês e quais expectativas para vida de casados. Foi engraçado ouvir que ele achou que seria mais fácil, mas nada comigo é exatamente fácil e ele pensa duas vezes antes de me contar qualquer coisa. Fizemos sexo mais duas vezes e eu realmente estava dolorida na hora do almoço. Rosalie e Alice soltaram todo tipo de piada enquanto esperávamos os meninos para comer. Estranhei a demora. Edward estava bem no quarto, tomamos banho e eu reclamei de fome quando ele disse que eu poderia descer na frente e só atenderia o telefone.

- O Chefe pediu para avisar que não poderá descer para o almoço. O Sr. Swan e o Sr. Emmett estão lá com ele, no escritório, resolvendo um problema. – Mike disse solenemente e eu tentei não me irritar. Alice deu uma piscada para ele que saiu com as bochechas coradas.

- Conta. – Rosalie disse incisivamente e minha cunhada riu.

- Digamos que tivemos uma manhã bastante proveitosa.

- Alice! Seu irmão poderia ter pego vocês!

- Dava para ouvir que meu irmão estava muito ocupado e Emmett estava no quarto de Rosalie. – retrucou e abriu um sorriso triunfante para minha amiga.

- Eu li trechos do livro e o assisti dormir. Nada além disso, eu juro.

- Você é difícil. – Alice resmungou.

- Você transou com um dos soldados apenas para se vingar do Jasper ou por necessidade?

- Os dois? Eu não quero que Jasper saiba, mas sinto um gostinho de vingança a cada vez que ele me despreza. – murmurou beliscando um pouco de pão. – Não sei mais o que fazer. Eu o quero muito, mas ele está disposto a comer todas as bucetas do estado antes de me dar confiança.

- Já tentou ser menos psicótica e possessiva com ele? – Rose perguntou e eu ri. Uma missão impossível.

- Como assim? – Alice parecia realmente confusa e me lembrou muito o irmão quando não aceita ou assume sua personalidade irritante. – Não entendi, Rose.

Rosalie respirou fundo e arregaçou as mangas do roupão. Estava tão frio que não nos demos o trabalho de nos vestir apresentável. Eu estava com uma calça de Edward, pantufas de tigre, uma blusa de manga e o roupão dele, que era maior. Servi-me uma porção do risoto de frutos do mar enquanto Rosalie dizia a Alice a verdade: Que ela era psicótica com um cara que não era nada seu, nem parente e nem namorado.

- Faça a fofa. Seja amiguinha, sabe? Mostre pra ele que pode ter o mundo ao seu lado e não o espante com seus gritinhos, ataques de ciúme e sendo possessiva. O garoto acabou de descobrir que tem beleza e dinheiro para ter várias bucetas que não estão reclamando no ouvido dele sobre coisas bobas.

- Ah, entendi.

- Eu acho que deve mostrar que tem outros caras interessados. – entrei no assunto. – Jasper precisa saber que você é divina e tem concorrência no mercado.

- Isso é impossível. Nenhum garoto da escola está realmente interessado em se envolver comigo. Quem tem juízo se mantem distante e os mais ousados só querem algo escondido. Teria que ser alguém da família, mas quem em sã consciência vai querer me disputar com o futuro Capo? – retrucou com um suspiro cansado. – Eu odeio ter nascido nessa família.

- Somos duas. – bati minha taça de vinho na sua.

- Vocês são loucas? – Rosalie questionou um pouco irritada. – Vocês tem uma família, tudo bem que não são uma família normal, mas qual nesse mundo é? Gente, esses meninos amam vocês e eu não conheço seus pais, Alice, mas a sua mãe parece estar sempre presente mesmo distante e cuidando de vocês duas. Seria muito pior se fossem sozinhas no mundo, eu sei do que estou falando.

- Você não está sozinha, Rose. Não mais. – Alice assegurou do mesmo jeito que Edward havia assegurado dias atrás. Ele não tem muita paciência com a minha amiga, mas a acolheu e protegeu. Além do mais, ela é a testemunha de que eu cometi dois assassinatos por legitima defesa e meu marido acredita que até ela se tornar realmente de sua confiança, deve monitorar seus passos de perto. Rosalie não contará a ninguém, eu sei disso, mas ele não acredita.

- Estou muito feliz de fazer parte de algo e não reclamem na minha frente sobre isso. Cada tem seu defeito e é normal, vamos lidar com isso e planejar a sua vida com Jasper. – Rosalie retrucou e ela estava certa.

- No Jantar de Ação de Graças seu irmão convidou as pessoas mais próximas da família e alguns outros que ele deve manter por perto. Talvez a gente encontre alguém que se encante por você o suficiente para lutar. Você sabe como jogar seu charme, basta não ser vulgar ou chamar muita atenção ou Edward vai perceber e vai cortar as suas asas. – disse e Alice prontamente assentiu. – Ótimo, vamos terminar de comer. – disse e vi Mike passar da cozinha para escada levando alguns copos e uma garrafa de bebida. – Preciso descobrir o que tanto Edward fala no telefone. Será com Victória?

- Acho difícil. – Alice respondeu. – Ele fala muito com Alec.

- Primo Alec? Irmão da Jane?

- Ele mesmo.

- Nossa! Faz muito tempo que não encontro nenhum dos dois. Jane casou com Félix?

- Sim, mas eles se afastaram de você por motivos óbvios. Ambos são altamente envolvidos com a família e seu pai não queria que nenhum deles acidentalmente te contasse. Foi isso que ouvi Tio Marcus dizer ao vovô um dia antes do seu casamento. Vovô estava chateado que eles não foram, mas, você vetou muita gente que Edward queria convidar.

- Ah meu Deus! Eu não sabia que eram eles e o idiota do seu irmão também não disse nada! Eles confirmaram presença no jantar, agora que estou ligando os nomes! Que vergonha!

Terminamos de almoçar e Alice disse que iria fazer um tratamento facial no rosto e se escondeu no quarto. Rosalie e eu seguimos para o escritório, procurando um jeito de ouvir a conversa. Eu estava morrendo de curiosidade e meu marido se recusaria a me falar porque acha que certas informações não devem ser registradas em minha mente devido ao seu medo de me torturem por respostas.

- Agora ele está encurralado. – Emmett disse e ouvi o som de um copo bater no outro. – Um dia quero ser tão calculista como você. Eu já teria apertado o pescoço desse filho da puta até os olhos saltarem.

- Seja paciente, irmão. – Edward retrucou e seu tom de voz estava calmo. – Você vai descobrir que deixar a raiva borbulhar até o ponto de ebulição é mais divertido.

- Senhoras? – Mike limpou a garganta e nós viramos.

Rosalie e eu nem nos demos o trabalho de disfarçar. Saímos de fininho do corredor até porta dos nossos quartos. Fechei a porta do meu quarto, deitei na cama e liguei meu macbook, enviando um e-mail para Leah e Jacob contando algumas rotinas da minha vida e li os últimos que eles mandaram com um monte de fotos da vida badalada que ambos levam em Los Angeles. Me pergunto o que eu faria se tivesse a liberdade deles de ir a boates e a várias festas. Edward nunca me levou para dançar e decidi combinar de sair mais com Rosalie. Talvez Alice precise do irmão para entrar em alguma boate, se ele é capaz de cometer um monte de coisas ilegais, ele pode colocar a irmã dele dentro algum clube legal e badalado.

Peguei meu celular e enviei uma mensagem para ele, informando que queria sair hoje. Eu sei que ele tem uma reunião amanhã, mas eu posso dormir até meio dia já que não trabalho, então ele não está convidado para noites das garotas. Edward visualizou e não me respondeu, uma ocorrência muito comum, depois ele reclama quando fico ligando sem parar até que responda.

- Você quer ir a uma boate? – perguntou abrindo a porta do quarto. – Hoje? Amanhã eu trabalho cedo.

- Eu sei, mas quero ir com as meninas.

- Sem chance. Alice já não foi a aula sexta-feira. Ela não vai faltar amanhã.

- Tudo bem, ela fica em casa. Irei com Rosalie. – retruquei querendo saber até que ponto ele iria criar empecilhos.

- Não. Hoje você não vai. – disse e saiu do quarto.

Fiquei deitada na cama com a mente fervilhando de raiva por ter que, indiretamente ou não, pedir para sair. Não tenho autonomia para simplesmente sair de casa. Ou peço a ele ou não vou. Primeiro que não faço ideia para que lado é a saída do condomínio, segundo que não conheço Nova Iorque, terceiro que Edward é quem controla meu dinheiro. Ele não me proíbe de gastar e comprar coisas que quero, mas se quiser, pode muito fazer o que bem entender sem me consultar. Ontem na festa percebi o quanto a minha vida a partir de agora será bem assistida. Não é segredo que Esme é extremamente antipática e eu quis fazer diferente, amo a minha sogra, mas sei que conquisto as pessoas com a minha simpatia e sorrisos. Edward odiou até a morte toda a atenção que consegui, mas sei que colherei os frutos disso no futuro. Pessoas são pessoas, se elas fazem parte de uma família mafiosa ou não, não deixam de ser pessoas que gostam de ser bem tratadas e de sentirem-se importantes.

A festa foi um grande acontecimento. Conheci James, um homem estranho, de aparência até requintada, mas algo no seu jeito de andar e olhar o fazia feio e até mesmo irritante. Parece aquele amigo babaca do grupo e é muito fácil entender porque Edward não confia nele. Inveja grita em todos os seus poros. Também pude conhecer a face nada amigável de Victória e estava ainda mais obvio pra mim o quanto ela é aficionada pelo meu marido e isso me incomoda, mas não sei como fazer Edward enxergar que ela só é dedicada ao trabalho porque é apaixonada por ele. Felizmente pra mim, pude observar melhor as pessoas desse mundo obscuro que agora faço parte. Todos parecem famílias de capas de revista e que ninguém tem coragem de dizer o que realmente fazem. Chega ser estranho saber que tantas autoridades estão envolvidas até o fio de cabelo com Edward e como ele consegue controlar as ações ao seu redor. Seu jeito calculista me dá arrepios.

Levantei da cama quase na hora do jantar com muita dor de cabeça. Ainda precisava descobrir muita coisa para formular um pensamento coerente sobre a minha própria vida, mas sem esconder a minha insatisfação de não ter a liberdade de ir e vir, arrumei-me para o jantar e a pequena bolsa com algumas roupas que trouxe, deixando o vestido rasgado no fundo do closet e levando minhas joias. Assim que fiquei pronta, ele entrou no quarto pedindo que o esperasse para descer, não respondi nada e saí do quarto, irritada que ele tivesse o direito de simplesmente dizer não e ter um ponto final. Não pode ser justo. Será que estou louca em não aceitar? Será que reclamo demais?

Durante o jantar, Rosalie como sempre, estava vomitando suas merdas e fazendo todo mundo rir, exceto Edward, que só acha graça das suas próprias piadas e segura suas melhores risadas para quando estamos sozinhos. Alice e ela disputaram quem sabia mais trava línguas enquanto eu ainda pensava que sou jovem demais para ter a responsabilidade de ser a esposa perfeita, que não tem autonomia para decidir meus próprios passos. Edward não me deixa trabalhar, estudar e muito menos sair. E isso me faz questionar até que ponto a minha vida é minha. Se é que posso considerar que tenho algum tipo de vida. Posso ser facilmente comparada a um cachorro cujas decisões nunca pertencem ao bicho e sim ao dono.

Na viagem de helicóptero para casa também fiquei quieta. Deitei minha cabeça no peito de Edward, porque no fundo não acho que suas atitudes são culpa dele, mas sim da vida e forma que ele foi criado. Entendo que talvez seja muito para minha segurança frequentar boates, mas pode existir um meio termo e o fato dele nunca pensar em outra medida me irrita. Seus nãos me magoam profundamente. Quando desci do helicóptero, ele me pegou no colo e me deu um beijo, provavelmente perdido, sem saber como agir comigo quando estou bicuda e calada. Ele sabe reagir quando grito.

- Estou na duvida se quero saber ou não o motivo do seu bico.

- Nenhuma ideia?

- Sobre sair hoje? – perguntou com um suspiro. – É domingo e apesar da cidade nunca dormir, amanhã eu trabalho e você nunca foi a uma boate sozinha antes, porque diabos eu a deixaria ir sem ter absoluta certeza que saberá se virar.

- Odeio não poder tomar decisões na minha vida.

- Você é menor de idade, Bella. Mesmo casada, se não tiver 21 anos, não pode entrar em lugar nenhum e consumir bebidas alcoólicas. Claro que poderia ir a um dos nossos clubes, mas você sempre tem que ser petulante nas suas ideias e não me ouve.

- Estou te ouvindo.

- Já está fantasiando na sua cabeça que não tem controle de nada. E realmente não tem, porque se fizer algo que for colocar a sua segurança em risco, eu vou entrar na frente e te impedir.

- Eu tenho a sensação que a minha vida não me pertence. – murmurei encolhendo os ombros.

- Nossas vidas pertencem a outra, amor. Casamos. Mas, você é inocente e inexperiente em boates. Eu prometo a você que quando tiver certeza que sabe se virar sozinha, irá comigo sempre que eu precisar fazer algum turno noturno. Você dança com todos os guarda-costas que eu puder reunir e a louca da sua amiga e eu trabalho. Combinado?

Sorri feliz e mordi a minha língua sobre ele não saber um meio termo. Edward riu e me beijou.

- A cada dia que passa eu tenho certeza que irá me enlouquecer.

- Não faço promessas. – pisquei ainda sorridente. O telefone dele tocou e fui rápida o suficiente para pegá-lo e desligar o aparelho. – Você está sendo sequestrado, marido.

- Ah é? – perguntou divertido e segurou minha cintura.

- Nada de telefones ou trabalho até amanhã. – sussurrei contra sua boca.

- E o que a minha esposa vai fazer comigo?

- Te amarrar na cama, talvez.

As sobrancelhas dele subiram até quase tocar o cabelo.

- Tudo bem. Estou ao seu dispor, sequestradora.

Rindo da minha própria ousadia, arrastei Edward até nosso quarto, trancando a porta e comecei a despi-lo lentamente. Assim que ficou nu, joguei-o na cama usando as tiras do roupão para prender suas mãos. Ele ficou quieto me assistindo, sem interferir ou apresentar resistência mesmo quando usei o nó de escoteiro em seus pulsos. Afastei-me gentilmente e sorri para o meu trabalho. Nunca pensei em fazer isso, mas no momento que ele concordou com a ideia eu percebi que poderia ter alguma vantagem, mesmo usando sexo pelo caminho.

- Amor, essa noite será longa. – sorri maldosamente e pela primeira vez, ele me olhou desconfiado. Tirei toda a minha roupa. – Concessão numero um que devemos conversar.

- E qual é?

- Quero voltar a estudar, mesmo que seja um cursinho básico...