A mesma saudação do Cap anterior e do anterior... hehehehehe
E agora Lizzie linguaruda??
Cap 14
Isso saiu sem querer e ela o olhou tentando disfarçar o embaraço.
- Você sabe... que... – ela levantou rapidamente e se sentiu tonta, vomitou quase em cima dele. Ele tomou um susto e se jogou para o lado. Por essa ambos não esperavam.
- Elizabeth! – ele exclamou preocupado.
- Estava demorando! Hoje pela manhã não tinha acontecido. – se lamentou tentando se recuperar.
- Você está bem?!
- Agora estou. – ela respirou profundamente.
- Então... – ele segurou o rosto dela entre as mãos e disse num tom tão sério e bravo que a fez tremer. – O que diabos você quis dizer com "relativa paz até o bebê nascer"?!
Ela começou a ofegar sem dar nenhuma resposta e ele ficou mais bravo ainda.
- Isso tem alguma coisa a ver com o que William te fez naquele maldito navio? Me responde Elizabeth!
Ela simplesmente sacudiu a cabeça em sinal de "não".
- Por favor Lizzie, eu preciso saber, se for isso, se for por isso que você está assim comigo! Eu não agüento mais a angústia que me consome por não saber o que aconteceu nesses dias que você ficou afastada de mim, à mercê daquele maldito peixe! – ele estava quase chorando, não agüentava o silêncio dela sobre esse assunto.
- Eu... eu não vou falar sobre o que aconteceu no Holandês Voador! Eu já disse e repito! – ela se enraiveceu também. Não estava em condições emocionais de falar de tudo aquilo ali, naquele momento, com ele. E como fora tonta ao deixar escapar uma frase tão inquietante para ele quanto essa.
- Mas que maldição é essa Elizabeth?- ele a sacudiu pelos ombros.
- Me deixe em paz Jack! Eu não vou falar nada! – ela gritou na cara dele.
- Pelo amor de Deus mulher! Se abra comigo! Eu sou seu homem Elizabeth e você é minha mulher, a mulher que eu amo, você tem que me contar! Se ele te ameaça de alguma forma, eu preciso saber para te proteger! Oh Bugger, responda! – ele estava em desespero.
Quando ela o ouviu dizer "Eu sou seu homem Elizabeth e você é minha mulher, a mulher que eu amo" seu coração disparou e ela pensou que morreria, teve vontade de pular em cima dele e fazer amor ali mesmo, mas as circunstâncias não permitiam.
- Eu não vou falar sobre Will! Conforme-se! – ela disse resoluta.
- Então porquê você falou aquilo? "Relativa paz até o bebê nascer"? Porquê?!
- Porque... porque sempre brigamos, você sempre turrão e teimoso e eu sempre com a razão! – ela disse, tentando soar debochada e disfarçar o turbilhão de emoções que ia dentro dela, desesperada por escapar do maldito interrogatório que ele lhe aplicava.
- Ha ha ha ha, muito engraçado! – ele fez careta. – Não foi isso o que você quis dizer e eu sei disso! – ele suspirou e a olhou com uma tristeza que doeu nela. – Às vezes parece que você está se despedindo de mim e eu não gosto nada disso!
- Deixe de besteira! – ela apenas o repreendeu e não disse mais nada.
Ele a olhou por um bom tempo, mas ela fingiu não se importar e deitou, ficando de olhos fechados. Ele se chateou e levantou.
- Vamos embora. – ele disparou.
- Vá você sozinho. – ela não abriu os olhos, apenas respondeu sem dar muita importância ao que ele dizia e virou para o lado, deixando-o furioso.
- Obrigado pela indiferença! – ele grunhiu e saiu com passos firmes e bravos. – Mas um dia eu vou descobrir o que aconteceu com você no Holandês! Ah se vou! – gritou para ela.
- Mas que diabo de mulher chata! Fala coisa com coisa e me deixa assim! Bugger Bugger Bugger! – ele saiu resmungando e pisando na grama, destruindo as florzinhas do caminho, estava furiosamente confuso. – O que será que ela quis dizer com relativa paz até o bebê nascer? – ele se corroia de curiosidade e medo dela estar aprontando alguma.
Elizabeth ficou onde estava e quando percebeu que ele tinha se afastado, desabou num choro alto.
Tinha vontade de morrer de tanta raiva que tinha de Jack e queria matá-lo também.
Ela não podia falar nada, ela bem sabia, se tentasse enganar Will... ele tinha feito ameaças terríveis!
Como iria doer quando esse ano se passasse. Jack não desistiria tão fácil de saber o que acontecera no Holandês Voador, ele a perturbaria sempre com isso!
Seria um inferno, mas ela teria que ser forte, se quisesse pôr seu plano de enganar Will com o medalhão e tentar fazer – ela mesma – um trato para que Styx a deixasse viver e salvasse Will!
Mas... E daqui a alguns meses?! Se ela se acostumasse e se apegasse demais a Jack e à vida que irão levar com a criança... iria ser difícil abandoná-los e... se ela pedisse mais tempo a Will... ele provavelmente a mataria na hora!
Teria que fazer Jack se conformar, teia que dizer que seu amor tinha acabado para que ele não fosse atrás dela, ela tinha que se convencer também que o louco amor dele não era tão forte assim,o que era uma grande mentira!
- Mas que diabos de pensamentos idiotas são esse Elizabeth Swann? – ela disse para si mesma, irritada. – Mas que inferno!
Ela não entendia essas mudanças assustadoramente repentinas de humor. Nem desconfiava que a gravidez e a vida lhe reservava sentimentos piores e mais confusos.
Poucas horas após o anoitecer, Jack e um bando de frades com candelabros nas mãos foram atrás dela, que dormia profundamente na grama macia.
- Lizzie! – gritou Jack temeroso de ter acontecido algo de ruim com aquela maluca.
Ela se espreguiçou e lhe deu um tapa quando ele a pegou em seus braços.
- Ai Lizzie! Eu estava preocupado com você! – ele disse fazendo bico.
- Sai daqui seu idiota! Me deixou sozinha e agora está com esse drama todo! – os frades riram da cena e Elizabeth acabou por sorrir para eles. – Eu estou bem, não dêem ouvidos a todos os chiliques do Jack, ele é um bobo!
- Eu não sou bobo! – ele a olhou com fogo nos olhos. – Ela adora me provocar! – ele riu e a puxou para abraçá-la, mas ela o repeliu e foi para o meio dos frades, que riam de Jack.
Ele ficou revoltado e foi atrás perturbando a conversa animada entre ela e os frades.
Chegando à cozinha, todos comeram, relativamente alegres, enquanto riam com as histórias que Elizabeth contava. Jack riu um pouco, mas na maioria do tempo ficava a olhando intensamente. Ela o olhava e sorria debochada.
- Adorei essa história da briga pela chave! – riu John. – E você correndo atrás deles minha pequena?
- Não, eu apenas os vi de relance John! Estavam Jack, Will e James em cima de uma roda de moinho! Quem pegasse a chave, abriria o baú e pegava o tesouro. – ela omitiu as circunstâncias da coisa toda, eles não acreditariam em maldições, manchas negras ou corações arrancados. – Eu estava brigando com outros piratas e lutando pelo baú.
- E como você lutava moça?! – perguntou uma freira, a Justine, de olhos arregalados.
- Com uma espada ora! – Elizabeth respondeu.
- Ohhhhhhhhhhhh! – todos exclamaram em coro.
- Ela luta bravamente, queridos amigos. – disse Jack provocador. – Will a ensinou muito bem a manejar uma espada. – ele estreitou os olhos.
Ela fechou a cara instantaneamente e o olhou com fúria.
- Quem afinal é esse Will que vocês tanto falam? – perguntou Gwen, austera. – Seu irmão, Elizabeth?
Jack e Elizabeth se entreolharam e ficaram sem ação.
- Quase isso tia Gwen! – disse Jack meio sem jeito, mas disposto a infernizar Elizabeth. – Um grande amigo nosso, muito bom ele era, mas morreu no mar, coitado, que Deus o tenha. – "Ou o Diabo!" – pensou ele furioso por estar defendendo aquele maldito traidor eunuco.
- Que triste! – disse Betthy. – Sinto muito Elizabeth.
- Não sinta. Isso já passou. – ela ficou séria.
- Então... – disse Cristiano, um outro frade. – Qual era o tesouro do baú?
- Ahhhhhh! Era um... um... – Elizabeth gaguejava e Jack ria. Ela engoliu em seco e olhou para ele pedindo ajuda, mas ele continuava sorrindo. – Pergunte ao Jack, foi ele quem abriu! – ele parou de rir instantaneamente.
- Tinha um coração feito de tecido velho e fedorento e umas cartas de amor. – ele disse na maior naturalidade possível, todos se espantaram e Elizabeth não pôde esconder um sorrisinho ao abanar a cabeça. – Imaginem, tanto trabalho para nada! Navegamos dias atrás daquele maldito baú e nada!
Todos riram e pediram mais histórias.
- Conta mais! Por favor! – suplicou Johanna.
- Acho que vou dormir gente. – disse Elizabeth. – Estou muito cansada.
Jack a olhou e se levantou olhando para ela como um cachorro no frio.
- Vamos meninas. – disse Gwen. – Já passou da hora de dormirmos e tenho certeza que a Senhora Sparrow e o Johnnie contarão lindas e fantásticas histórias amanhã!
Elizabeth sorriu e foi caminhando com as freiras. Era muito agradável ser chamada de Senhora Sparrow, mas era estranho também.
- Boa noite senhora. – diziam os frades um por um enquanto ela fazia o trajeto da mesa até a porta. Ela acenava com a cabeça e sorria.
Jack levantou e foi andando na direção dela. Ela parou e o olhou.
Frades e freiras se afastaram para que eles pudessem conversar e se despedir.
- Não me conformo com essa idiotice de me separarem de você! – ele disse chocho e com um bico enorme. – E ainda quero saber o que acontec...
- Boa noite Jack. – ela o interrompeu, se limitou a dizer isso e virou-lhe as cotas, não estava a fim de conversa com ele.
- Você não vai sem antes me dar um beijo! – ele a agarrou e a olhou profundamente. – E não vai ser na bochecha!
- Jack, pare com isso, aqui não! – ela tentou se desvencilhar em vão. – Aqui não! – ele cobriu a boca dela com um beijo daqueles que saem faíscas e ela não resistiu, nunca resistia.
Os que viram a cena não sabiam se sorriam ou se interrompiam o beijo mais bonito e fogoso que seus olhos tiveram o privilégio de ver.
Ela quebrou o beijo e ele a olhou abobalhado.
- Boa noite amor, agora você pode ir. – ele disse com aquele sorriso meio torto, o mais safado de todos. – Amanhã conversamos.
- Seu idiota! – ela disse por entre os dentes e o olhou com os olhos semicerrados. - Boa noite Jack! – ela deu-lhe um baita beliscão na barriga.
- Aiiiiiiiiiiiiiiii! – ele gemeu e ela correu. O povo todo do convento gargalhou e Jack ficou sem graça.
Passaram-se alguns dias e logo a rotina de convento aborreceu Elizabeth e Jack.
Namoravam como dois adolescentes o dia todo – quando não brigavam por que ele ainda queria saber o que tinha significado de "Relativa paz até o bebê nascer" e não se conformava com as respostas evasivas que ela lhe dava ou as farpas que ela soltava em cima dele em suas repentinas mudanças de humor – e à noite contavam histórias, ouviam umas poucas do pessoal do convento, aos domingos assistiam às missas – quer dizer, Elizabeth assistia, porque Jack ficava na torre, pois dali o mar podia ser visto – e logo tudo aquilo foi ficando enfadonho.
A barriga de Elizabeth ainda não dava sinais nenhum da criança crescendo, o que foi assustando tanto ela quanto Jack.
Ele fazia questão de examiná-la todos os dias, pôr o ouvido no umbigo dela, acariciá-la por horas e por incrível que pareceu a ambos, a ausência da barriga estava os angustiando – eles pensavam que seria melhor sem o bebê entre eles, mas algo mais forte os fazia desejá-lo com a mesma intensidade que se amavam. – isso era louco, mas era o que aqueles dois amantes tontos sentiam.
Numa manhã de sábado, Betthy voltou da cidade extasiada com a notícia que trazia.
- Pessoal! Pessoal! Vocês não imaginam o que vai ter na terça de carnaval!
De fato, fevereiro já estava passando.
Todos na varanda a olharam surpresos ao ver a moça alegre e esbaforida.
- Fale menina! – gritou Johanna.
- Vai ter um baile de máscaras em Nassau! Todos que estiverem fantasiados entram! Imagina só! No palácio do Governador!
- É mesmo?! Meu Deus! – disse Johanna alegre, mas depois franziu a testa. – Nem se anime, Gwen nunca nos deixará ir!
- Eu sei, mas é uma oportunidade ideal para Elizabeth e o pirata se divertirem, porque eles estão muito entediados aqui! Isso está estampado na cara deles! Dois aventureiros presos aqui por muito tempo, deve ser terrível! E eu sou noviça, não freira, portanto pode ser que Gwen me deixe ir com eles!
- Vá sonhando Betthy! – zombou Johanna.
- Vou mesmo, e vou espalhar a novidade para os outros! Veremos se Gwen não me deixará ir! – desdenhou da freira mais velha e saiu correndo.
Festa à vistaaaaaaaaaa
