No salão de festas de Suigestu Hozuki, Kushina se perguntava onde seus filhos poderiam estar. Naruto não dera o ar de sua graça até aquele instante, e alguns convidados já começavam a se retirar. Karin simplesmente havia desaparecido, sem avisá-la. Dois ingratos.

Seus filhos não se davam conta da sorte que haviam tido. Era como não se lembrassem de seus tempos de infância... Em vez de se colocarem de joelhos aos pés dela, e agradecerem, só lhe davam motivos para preocupação.

As circunstâncias pediam uma medida drástica. A partir daquela noite, Naruto e Karin seriam lembrados de quem, naquela família, dava as ordens.

Um burburinho desviou sua atenção para a porta principal, e ela franziu o cenho ao identificar Naruto ao lado de lorde Uchiha e de uma jovem morena. Os dois homens não estavam trajados segundo a formalidade exigida para a ocasião.

Assim mesmo, eram os dois exemplares masculinos mais formidáveis da festa. Um loiro e um moreno, ambos altos e atraentes.

Kushina não pôde deixar de sentir uma pontada de orgulho. Ambos pertenciam, afinal, à sua família.

Ao sentir o olhar de lorde Uchiha, porém, ela sentiu um frio na boca do estômago. Foi como se ele a trespassasse como uma espada.

Uma reação involuntária a fez recuar contra a parede. Não fosse Naruto segurá-lo com firmeza pelo ombro, talvez lorde Uchiha a tivesse agredido.

— Preciso lhe falar em particular, milady — anunciou o conde com voz controlada, embora soasse tal qual um trovão.

— É tarde. Karin e eu estamos de saída... Seu assunto terá de esperar até amanhã — ela respondeu, altiva.

— O assunto é urgente, mamãe — avisou Naruto. — Sua pasta de documentos foi entregue ao dr. Asuma.

Kushina sentiu novo baque. Por causa de Sakura, havia se distraído com algo que mantivera a sete chaves durante longos anos.

Talvez devesse ouvir, afinal, o que lorde Uchiha tinha a dizer... Ou ele poderia acusá-la diante dos convidados, alguns dos quais já começavam a se acercar com evidente curiosidade.

— Podemos conversar no escritório do sr. Hozuki — concordou rapidamente. Com isso, seguiu para a sala próxima, sentando-se atrás da escrivaninha do anfitrião, em patente demonstração de autoridade. — O que deseja me dizer de tão importante, milorde?... Seja breve. Como eu disse, já estava de saída.

— Quanto pagou a eles? — Sasuke disparou, acusador

— A quem se refere?

— Quanto pagou aos guardas de Newgate para que sumissem com Sakura?

Então Sakura já fora encontrada?! Assim, tão depressa?

Kushina respirou fundo. Nem tudo estava perdido! Se conseguisse manter o controle por mais alguns segundos, encontraria uma alternativa.

— Quem é você? — Olhou com desprezo para a mocinha morena ao lado de Naruto — Esta é uma reunião de família.

— Por isso mesmo. — A jovem desconhecida teve o desplante de avançar e se apoiar na mesa. — Sou Hinata Hyuuga, filha de Mebuki Haruno, a falecida condessa de Doncaster, e irmã de Sakura Haruno, filha do falecido conde. E devo avisá-la de que farei com que a enforquem por suas atrocidades!

Kushina sentiu o sangue abandonar o rosto.

— Pois deveria ter vergonha de se apresentar em público, filha de quem é! — rebateu, malévola.

Naruto pediu que a mãe se calasse, mas ela se recusou a ouvi-lo, praguejando ainda mais contra Hinata e ao descobrir que ela estava noiva de seu filho, levantou-se, em seguida para sair, no entanto, Sasuke obrigou-a a se sentar novamente.

— Sente-se e ouça com atenção! — Sasuke ordenou, sem admitir protestos. — Estes são meus termos, que deverá aceitar também por escrito se não quiser ocupar o lugar de Sakura na prisão.

Kushina estreitou os olhos. Teria se enganado a respeito do caráter do conde que todos apontavam como beberrão e irresponsável, principalmente com as mulheres que seduzia?

— Que termos são esses?

— Não haverá casamento entre mim e Karin. Mas, para evitarmos um escândalo, eu me tomarei guardião de seus filhos. Naruto se casará com Hinata com sua expressa aprovação, mas sua presença será vetada na cerimônia.

— Não, não e não! — Kushina se recusou, indignada.

— Doncaster ficará sob meu controle até Naruto completar vinte e um anos — Sasuke prosseguiu, como se não tivesse ouvido o aparte.

Kushina começou a se preocupar com o rumo da conversa. Ela jamais abdicaria de seu poder de decisão sobre a administração de Doncaster. Naruto estava enganado se acreditava que ela possuía planos de lhe passar o cetro.

Como se tivesse lido seus pensamentos, o rapaz a avisou:

— O advogado tem em seu poder todas as evidências de seus crimes, mamãe. Qualquer tentativa sua de defesa será inútil.

— A senhora será levada imediatamente para a Cornualha, onde viverá em uma pequena casa, com as despesas pagas. Não levará mais a vida a que está acostumada, mas uma modesta pensão permitirá seu sustento com dignidade — afirmou Sasuke.

Cornualha! Só de ouvir o nome, Kushina estremeceu. Ela jamais voltaria ao lugar onde nascera. Jamais retomaria à pobreza.

— Não voltarei para a Cornualha sob nenhuma hipótese.

— Partirá ao amanhecer — Sasuke informou, inabalável. — É sua melhor alternativa. A outra opção é a cadeia.

Kushina ainda se recusava a dar a mão à palmatória. Quando poderia imaginar que sua esperteza fosse ser suplantada pela de lorde Uchiha?

A verdade era que ela não contara que ele fosse realmente se apaixonar por Sakura.

— O que poderá fazer contra mim? Sou a atual condessa de Doncaster e meu filho me sucederá. Ele jamais permitiria esse abuso contra sua própria mãe. — Ao olhar para Naruto, no entanto, percebeu que ele estava de acordo com os outros. O traidor segurava a mão da intrusa ainda por cima. — Eu jamais concordaria com seus termos — retrucou, lívida.

— Nesse caso, farei questão de assistir ao seu enforcamento da primeira fila — Sasuke se limitou a dizer.

A atmosfera se tomou ainda mais opressiva dentro do escritório. Gotas de suor escorriam da testa de Kushina.

— Miserável!

Sasuke se levantou, dando a conversa por encerrada.

— Não vai defender sua mãe? — Kushina se voltou para Naruto, indignada. — Jamais o perdoarei!

Naruto suspirou, desgostoso.

— Foi você quem quis assim.

— Esteja pronta para partir ao amanhecer — Sasuke avisou finalmente.


No saguão, Mei andava de um lado para outro, ansiosa. O que Sasuke, Naruto e Kushina estavam conversando no escritório, que nunca terminavam? Kushina precisava subir urgentemente ao quarto de Suigetsu!

Quando a porta foi aberta, ela esboçou um sorriso de prazer ao notar que o humor da mulher parecia ainda mais negro. Perfeito para a ocasião.

— Por que demorou tanto aí dentro? Eu queria avisá-la que vi sua filha com o anfitrião.

— O que está querendo me dizer? — Kushina esbravejou, fazendo com que várias cabeças se virassem para observar a cena.

Mei indicou a escadaria com um gesto de cabeça, porém logo se distraiu de seu intento. Naruto deixava o escritório de Suigetsu em companhia de uma moça.

Ela não se importou. Correu para os braços dele, esquecida de tudo.

— Naruto, querido! Estive à sua procura esse tempo todo.

Hinata se interpôs entre os dois e Mei lhe endereçou um olhar atravessado.

— Quem é você? — exigiu, irritada.

— Eu é que pergunto — rebateu Hinata sem se intimidar.

Naruto tentou afastar Mei.

— Este não é um bom momento para conversarmos, Mei. Estou com minha noiva e está provocando uma cena outra vez.

Um ódio mortal a inundou. Noiva?!... Mas Naruto era dela!

Ergueu o queixo em um desafio. Precisava persuadi-lo a encontrá-la a sós. Eles sempre se entendiam a portas fechadas.

O problema era o tempo de que dispunha. Fatos escabrosos estavam prestes a eclodir: Kushina já havia alcançado o topo da escada.

— Naruto, não há tempo a perder... Sua mãe vai matar sua irmã!

Ele lançou um olhar para a escadaria, imaginando, pelas palavras da moça, o que viria a seguir.

— Eu não me importo.

— Não está entendendo! A vergonha se abaterá sobre a sua família!

— Isso já aconteceu — falou o rapaz, aborrecido.

Confusa, Mei subiu as escadas correndo e se colocou à frente de Kushina como se fosse tentar dissuadi-la, embora a guiasse até o quarto no fim do corredor. Sem bater, escancarou a porta. Se Suigetsu não tivesse tirado a roupa de Karin, ela o estrangularia!

— O que significa isto? — Kushina bradou à entrada do quarto. Sua filha nua, na cama do anfitrião?!

— Ah... O que posso responder? — Suigetsu puxou o lençol sobre a cintura, fingindo-se chocado. — Espero que entenda, senhora: sua filha e eu... fomos arrebatados pela paixão.

— É verdade — Karin concordou com voz sumida, como se estivesse embriagada. — Suigetsu e eu estamos apaixonados.

Kushina correu para a porta. Queria impedir que Naruto e lord Uchiha presenciassem a cena deplorável, mas era tarde demais.

— Sua tola! — gritou com a filha. — Tem noção da enormidade do erro que cometeu?

— Eu escolhi Suigetsu. É ele que eu quero — afirmou a menina, com voz trêmula.

Mei riu, debochada.

— Parece que teremos um casamento daqui a uma semana, de qualquer forma. Pena que o feliz noivo não será nosso Sasuke...

Kushina olhou para Mei como se quisesse fulminá-la.

— A culpa é toda sua!

Mei apoiou as mãos na cintura.

— Está me culpando, agora? Da próxima vez, pense bem antes de cravar uma faca nas costas de sua parceira!

Mei viu o braço de Kushina levantar, mas não se preparou para o golpe. O quarto mergulhou na escuridão e seu corpo tombou como se fosse uma pedra.


— Está pronta para mim?

Ao ouvir a voz de Naruto do outro lado da porta, Hinata se levantou sobre o cotovelo e mirou-se no espelho, em frente à cama. Havia desfeito as tranças e escovado os cabelos. A camisola de tecido fino, quase transparente, revelava sensualmente suas formas.

Parecia-se com a mãe e também com Sakura, mas a vida as colocara em circunstâncias diferentes. Por sorte, ela era uma mulher apaixonada e podia viver esse amor sem se envergonhar.

— Sim, Naruto. Estou pronta!

Seu marido entrou no quarto de roupão e chinelos, e Hinata sentiu que corava à sua aproximação. Era mesmo uma mulher de sorte. Entre tantas outras, Naruto a escolhera para ser sua esposa.

De repente tímida e insegura, mas decidida a se tomar uma excelente amante e companheira para ele, ela esboçou um sorriso.

Naruto se deteve. Estava tão sem jeito com a noiva quanto ela parecia estar com ele.

Mas eles se amavam! Já haviam se abraçado e se beijado muitas vezes, embora nunca houvessem avançado demais pelo campo das intimidades. Ele suspirou fundo. Era um homem sexualmente experiente, apesar de bastante jovem. Mesmo assim, não se permitira desonrar a mulher que queria para sua esposa pelo resto da vida. Soubera esperar pela noite de núpcias.

Hinata estendeu um braço e bateu na cama, indicando o lugar vazio. Ele se deitou devagar. Então afastou uma mecha de cabelos para trás da orelha de sua esposa, acariciou-lhe o rosto com o dorso da mão, depois foi descendo por seu pescoço, devagar, até alcançar a coxa roliça.

— Você é tão linda...

— Você também é lindo — ela murmurou, feliz, tocando seu peito sob o roupão, ansiosa por sentir o calor da pele do marido contra a sua.

— Nossos filhos serão lindos.

— Serão, mesmo.

— Espero que tenhamos muitos.

— Então será melhor começarmos logo... — Hinata sugeriu, querendo retomar a espontaneidade que sempre estivera presente no namoro.

— Está com medo?

— Não! — ela garantiu, como se o marido tivesse dito algum absurdo. Em seguida, hesitou. — Um pouco, talvez.

Ele a abraçou, rindo.

— Será maravilhoso.

— Eu tenho certeza que sim.

Por temor de que algum obstáculo pudesse impedir a concretização de seu sonho de amor, os dois haviam pedido uma licença especial e se casado na mansão de lorde Uchiha, com apenas o próprio Sasuke, o vigário e sua esposa, como testemunhas. Não houve tempo nem mesmo para que ela mandasse confeccionar um vestido de noiva.

A fiel Tsunade, arrependida por ter julgado Sakura tão mal, se oferecera para cuidar dos breves preparativos, até que Hinata chegasse a Doncaster, ocasião em que os noivos pretendiam comemorar com os amigos e vizinhos o feliz evento.

Seria uma grande e memorável festa, embora as pessoas certamente fossem notar a ausência da mãe do noivo.

Mas ninguém precisaria saber que a maléfica Kushina permanecia sob a estreita vigilância de lorde Uchiha, até que a casa para onde ele a remeteria na Cornualha, estivesse em condições de abrigá-la com um mínimo de conforto.

Karin e Suigetsu se casariam em breve, embora o noivo reclamasse, para quem quisesse ouvir, que havia caído em uma armadilha. O dote de sua noiva, afinal de contas, não era nem a metade do que o haviam feito crer.

— De que está rindo? — Naruto sorriu ao ver os dentes perfeitos da amada.

— De felicidade — Hinata confessou. — Não é incrível que sejamos marido e mulher?

— Também estou feliz. Quanto a nos tomarmos realmente marido e mulher... — Ele hesitou.

— O que foi?

— Tenho uma confissão a fazer — falou, subitamente corado. — Não sou virgem como você.

Hinata desconfiava disso desde que presenciara a cena de ciúmes de lady Mei.

— Não foi uma traição, Naruto. Isso é passado. De qualquer maneira, acho bom que você saiba o que fazer, porque eu não tenho a menor idéia!

Emocionado com a capacidade de compreensão de sua jovem esposa, ele se colocou sobre seu corpo e a beijou apaixonadamente.

— Eu vou lhe mostrar.


Oi genteeee! Capítulo em que finalmente, tudo dá mal pras nossas vilãs! Só eu que queria que a Kushina fosse enforcada? Sou malvada demais? hahahahahahahaha! Karin pega no flagra e agora, está com alguém que só queria o dinheiro dela. Eita lelê!

E terminando bem o capítulo, uma cena fofa de NaruHina. Owwwwwn! 3

Só tenho uma coisa a confessar... O próximo capítulo é o último, gente. ):

Biahcerejeira: Tá aí nosso desfecho pra Karin. Só falta a Sakura ter seu final. *-*

Bela21: Eu gostei bastante da vingança do Sasuke, atacando no ponto fraco dela: O dinheiro! Mas queria um final bem trágico pra ela. hahahahaha! Vamos saber o que o Sasuke fará pra Sakura ficar consigo novamente!

Grazy: Espero que tenha gostado! Fico lisonjeada por ter lido tudo em uma noite só. hahaha *-*

Susan n.n: Tá aí. Espero que goste!

Bem gente, é isso! O próximo - e último - não demorará a vir, prometo!

Beijos,

Uchiha Lily!