Olá fofas! *abraça*
Venho com mais um capítulo lindo pra vocês!
No final, há um recadinho muito importante e uma surpresinha!
Não deixem de ouvir a música linda desse capítulo! Local do jantar Beward e visual da Bella no meu perfil!
Just enjoy! :)
CAPÍTULO 10
Escolhas
"Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das conseqüências."
(Pablo Neruda)
• Chicago – IL – EUA
•Terça - feira •
BELLA POV
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Eu e Edward nos esquecemos do mundo. Era tão fácil ficar em sua companhia e esquecer o que eu enfrentaria em poucos dias: a verdade. A verdade da minha paternidade, a verdade sobre a minha origem, a verdade da minha vida.
Antes que dessem por falta de nós, o que realmente Alice faria quando chegasse em casa, resolvemos ir embora, mesmo com Edward insistindo para que ficássemos por mais um tempo. Era como se o encanto pudesse acabar. Como se voltássemos a estaca zero quando retornássemos a Rose Hill.
E eu entendia o seu receio porque eu mesma ainda não conseguia explicar o que acontecera minutos atrás. Eu não estava acreditando, parecia que tudo era um sonho e eu acordaria com alguém me sacolejando, forçando-me a voltar à realidade.
Eu queria realmente deixar o barco correr, sem pensar em conseqüências, nem em escolhas difíceis. Porque eu sabia que, a partir do momento que eu deixasse a razão guiar as minhas ações, eu mudaria minhas atitudes com relação a ele. Porque ele era o meu meio irmão e só.
As imagens da conversa com a minha mãe falando sobre os Cullen e Edward dizendo que eu não era sua irmã se mesclavam nas minhas lembranças. E se minha mãe tivesse mentido? E se ela mesma tivesse se enganado? Tremi só de pensar na possibilidade de estar enganada, de ter sido enganada.
Ao mesmo tempo em que queria logo tirar o peso do meu coração fazendo esse exame, eu sentia um aperto, um sentimento ruim... Porque eu sabia que, quando viesse a constatação do que eu suspeitava, eu teria que tomar alguma atitude definitiva. E seria doloroso para nós.
Seguimos para Rose Hill de mãos dadas, apesar da minha insistência para que Edward colocasse as duas mãos no volante. Sua mão era quente e convidativa, eu sentia uma segurança absurda só em segurá-la. Era como se o mundo pudesse acabar contanto que eu ficasse ao seu lado.
Assim que chegamos à mansão, fomos para os nossos quartos. Tudo muito lento, ninguém querendo que o momento acabasse logo. Talvez porque tínhamos medo do que nos esperava.
E agora eu estava aqui, deitada na cama, como uma idiota. Sonhando acordada com Edward Masen, o responsável pelo meu bom humor.
- Bom dia, flor do dia! – Alice estava entrando no meu quarto. – Tenho novidades pra você!
- Alice, me deixa dormir mais um pouco! – Menti, mas diante da sua insistência em ficar parada no meio do quarto, continuei. – Você não vai sair, vai?
- Não. – Bufei e sentei, enquanto Alice caminhava graciosamente até a cama. – Eu disse que tenho novidades pra você.
- Certo. – Cocei os olhos, acostumando-me com a claridade. – E por que estou com medo dessa sua novidade?
- Porque é uma boba! – Fiz uma careta pra Alice que me ignorou. – Arrumei um emprego pra você.
- Sério? – Senti-me animada. – Aonde?
- No ateliê. – Eu franzi o cenho, confusa. – Você vai trabalhar comigo, Bella.
- Alice... – Saí da cama, afastando o lençol. – Eu não entendo nada de moda!
- Você só será a minha secretária. – Eu cruzei os braços, esperando pelo resto das informações. – Você não fez algo parecido no escritório do Samuel? Atender telefonemas, agendar visitas...
- Fiz, mas... – Joguei os braços ao lado do corpo. – Eu não queria ser um peso na sua vida.
- - Peso? – Alice levantou-se, indo a minha direção. – Você vai trabalhar pra mim, Bella. Não será um favor. – Senti seus braços envolverem o meu corpo. – Samuel falou muito bem de você; além do mais, eu preciso de uma pessoa de confiança e nada melhor do que ser alguém da minha própria família.
De repente a palavra família teve um peso esmagador em cima de mim. Se fosse há um dia, eu teria achado a atitude de Alice comovente. Agora, ela me incomodava.
Família? Será que seríamos mesmo?
- Você confia realmente em mim? - Eu estava me sentindo culpada por Alice depositar tanta confiança numa pessoa que talvez a decepcionasse.
- Claro Bella... – Alice me soltou, colocando as mãos em meu ombro. -... Vamos lá! Não posso pagar muito porque o ateliê está começando agora, mas você terá um salário razoável e...
- Alice... – Fiz um sinal para que ela parasse. – Você sabe que a minha experiência como secretária é pouca, certo? – Ela assentiu. – Sabe ainda que eu não entendo quase nada de moda? – Alice riu debochadamente. – Que seja... Não entendo nada de moda... E mesmo assim quer que eu trabalhe com você?
- Isso. – Alice assumiu uma postura de mulher de negócios. – Eu quero contratá-la Isabella Swan. Algo me diz que eu não irei me arrepender... Topa?
De fato, eu precisava de um emprego. Não queria ser bancada por Alice, nem Samuel e muito menos por Ângela. O pouco dinheiro que me restava estava acabando e eu precisava enviar algo a Jasper de qualquer jeito. Ela não poderia esperar até a divisão dos bens.
- Topo. – Sorri e apertamos as nossas mãos. – Quando começo?
- Amanhã. – Assenti e ela continuou. – Pretendo lançar a minha coleção de lingeries em breve e vou precisar muito de você.
- Tudo bem, chefa! – Alice riu e eu revirei os olhos. – Vamos descer?
Tomei um banho relaxante e desci para tomar café. Pela primeira vez desde que eu estivera em Rose Hill eu me sentia leve... E até relaxada. O impossível tinha acontecido.
Mas meu sorriso murchou ao constatar que Edward não estava na sala de jantar.
- Cadê Edward? – Murmurei para Alice, pois não queria que Emmett, Rosalie e Mike ouvissem.
- Ele foi ao tribunal. – Alice respondeu. – Meu irmão acordou estranho, dizendo que tinha muitos assuntos a resolver.
Estremeci ao pensar em Edward julgando, dando o veredicto sobre algum caso. Ele trajando um terno preto, seu cabelo charmosamente bagunçado.
- Sei. – Respondi, imaginando se a nossa noite tinha algo a ver com o seu súbito ânimo.
- Bom dia Bella. – Mike levantou o rosto para me fitar. – Você sabe que faremos a exumação do cadáver do meu pai na quinta-feira?
- Sei sim. – Eu estava ciente de todo o processo. – Samuel me explicou muito bem.
- Correto. – Ele pigarreou antes de continuar. – Existem dois tipos de exames de DNA. Você fará o tipo de exame de DNA mais simples, o PCR, cujos resultados demoram até três dias.
- Tudo bem. – Aquela conversa estava me deixando desconfortável. – Eu quero fazê-lo logo. – Menti.
- Nós também. – Mike sorriu angelicalmente pra mim. Ele era tão bonito quanto Alice e Emmett, não mais que Edward. – Queremos logo que esse assunto fique resolvido, embora Alice já tenha certeza que você é uma Cullen.
- Tenho mesmo! – Alice sorriu pra mim ao pegar a minha mão. – Qual é a precisão do teste?
- Cem por cento. – Emmett sussurrou, sua aparência já estava bem melhor. – Não devemos nos preocupar. – Ele olhou pra mim e eu pude ver uma mancha arroxeada ao redor do olho direito.
- Bella, será tudo muito simples. – Mike segurou a minha mão e eu senti um arrepio percorrer todo o meu corpo. – Um médico vai tirar uma amostra de sua pele para compará-la com a de nosso pai. Se as moléculas de DNA combinarem, é prova positiva de que você é mesmo filha dele.
- Toda essa história de desenterrar um cadáver me deixa arrepiada... – Alice murmurou.
- É necessário, Alice. – Mike voltou a tomar o café. – Edward e Samuel já explicaram tudo e...
- Chega! – Rosalie levantou-se, batendo o guardanapo na mesa. – Vocês estão cegos? Ela é uma vadia impostora! – Emmett segurou o seu braço, mas não disse nada. – Não, Emmett, eu preciso...
- Você não precisa falar nada! – Eu me levantei, colocando o guardanapo em cima da mesa. – Você precisa é cuidar da sua vida porque da minha eu cuido! – Fui em sua direção lentamente. – Qual é o seu problema, Rosalie? Inveja, despeito ou falta de amor próprio? – Perguntei lentamente, para que ela entendesse cada palavra que eu dizia. – Não vou permitir mais que me trate assim. – Sentenciei.
- Não? – Ela colocou o cabelo loiro em cima do ombro. – O que vai fazer então? Vai me bater assim como Edward fez com Emmett por sua causa?
- Não... Porque com mulheres como você, agimos com sabedoria. – Olhei fixamente em seus olhos. – Você é nada pra mim. Insignificante, indiferente, anormal. O pior de tudo é que você ainda não percebeu isso. Não percebeu que não conseguirá infernizar a minha vida. – Menti.
Rosalie olhou-me incrédula, bufando de irritação. Alice segurou a minha mão, enquanto Mike e Emmett se mantinham alheios a tudo.
- Você não me conhece. – Rosalie murmurou antes de seguir para o seu quarto. – Definitivamente, você não me conhece.
Tentei demonstrar indiferença ao comentário de Rosalie, mas eu sabia que algo iria acontecer. Eu já há conhecia um pouco para saber que ela não levaria desaforo.
Mike e Emmett mostraram-se indiferentes, terminando de fazer suas refeições; já Alice sorria pra mim, mostrando que estava tudo bem.
Só eu que não tinha certeza disso.
Terminamos de tomar o nosso café e seguimos para o escritório, onde Alice me explicou sobre a minha remuneração e função no ateliê. Eu faria de tudo um pouco: Receberia novas modelos, agendaria visitas, faria alguns telefonemas e pagamentos. Um tipo de secretária pessoal.
- Bom, é isso que faremos amanhã... – Alice estava guardando alguns papéis do ateliê. -... Quero que você cheque meus e-mails e ligue para alguns estilistas interessados em nos visitar.
- Pode deixar. – Eu estava começando a ficar animada com o trabalho. Afinal, em breve eu poderia mandar algum dinheiro a Jasper. – Amanhã eu irei cedo com você.
- Creio que não será necessário... – Alice colocou a mão na boca porque estava prestes a rir.
- Mas eu preciso saber onde fica o ateliê... – Ignorei o seu comentário. – Além do mais, eu não tenho carro e não quero ficar incomodando o motorista.
- Isso não será necessário... – Alice soltou uma gargalhada e tampou a boca novamente. – O que foi?
- Nada... – Franzi o cenho, confusa. – Aconteceu alguma coisa que não estou sabendo?
- Claro que não... – Ouvimos um barulho de uma buzina. – Mas vai acontecer!
Alice pegou a minha mão e, antes que eu pudesse protestar, me arrastou até o jardim.
- Você não precisará pegar carona comigo ou com alguém... – Alice murmurou. – Veja só.
Quando olhei para a entrada da casa, vi Edward encostado em um carro. Era um Aston Martin?
- Bella... – Edward veio sorrindo ao meu encontro e por alguns segundos esqueci que estávamos acompanhados. -... O que achou do seu carro?
Por alguns segundo, eu precisei olhá-lo lentamente. Seu cabelo estava charmosamente bagunçado, como eu imaginara. Terno preto e calça social, gravata de linho e um sorriso torto nos lábios. Edward era lindo.
E estava me mostrando que, além da sua beleza física, tinha a interior... Que o fazia ser mais encantador e irresistível.
Definitivamente eu estava perdida... Quantas vezes eu dissera isso?
- Meu? – Olhei confusa de Alice para Edward. – Não... Eu não tenho um Aston Martin.
- Você não tinha. – Alice pegou uma chave que estava na mão de Edward. – Ele agora é seu.
- Eu não posso aceitá-lo. – Eu nunca aceitaria a oferta de Alice e Edward. – Por favor, não insistam.
- Mas Bella... – Alice segurou o meu ombro para que eu a encarasse. – Nós temos vários carros aqui... Você só terá o que já é seu por direito!
- Alice, eu quero agir corretamente. – Respondi, querendo que o assunto fosse encerrado. – Não quero que se preocupem comigo, por favor.
Edward não disse nada. Ele entendeu o que eu quis dizer.
E antes que eu pudesse ouvir as lamentações de Alice e os argumentos de Edward, fui em direção ao meu quarto. Aquele assunto estava encerrado pra mim.
Arrumei as compras que havia feito com Alice e liguei para Jasper. Em breve ele viria a Rose Hill, só precisava fazer algumas provas finais na Universidade. Dei a notícia que tinha arrumado um emprego e que em breve eu poderia mandar-lhe mais dinheiro.
Também liguei para Ângela e contei a novidade. Ela estava animada porque Ben havia ligado e eles tinham conversado. Fiquei feliz por ela.
Liguei para Samuel, mas ele não me atendeu. Então resolvi arriscar e ligar para a sua casa, de onde também não obtive retorno. Eu queria muito conversar com ele, resolver algumas questões que ficaram pendentes da festa.
- Bella? – Edward estava entrando no meu quarto. – Posso entrar?
- Pode sim. – Nós ainda não tínhamos conversado sobre o que acontecera na noite anterior. – Estou arrumando as roupas que Alice me deu.
- Claro... – Edward estava lindo com uma blusa branca e calça cáqui. – Queria fazer um convite a você.
- A mim? – Meu coração encheu-se de alegria por saber que as coisas não mudaram entre nós. – Alice já contou a novidade?
- Já. – Ele sorriu e ali eu percebi que, qualquer que fosse o convite, eu aceitaria. – E por isso mesmo estou aqui. Quero levá-la para jantar.
- Eu? – Eu estava atônita com o convite. – Edward, eu não quero que você e a Alice se preocupem comigo e gastem o dinheiro de vocês.
- Você precisa aprender a aceitar as nossas gentilezas. – Ele passou a mão no cabelo. Fazia isso só quando estava nervoso. – Precisa aceitar as minhas gentilezas, que eu posso dizer com toda convicção, são raras. – Nós sorrimos.
- Então um Aston Martin é uma gentileza? – Provoquei.
- Não... Um Aston Martin é um dos carros da família. – Edward aproximou-se mais de mim. – Nós não o usamos, então Alice achou conveniente dá-lo a você.
- Eu não posso mesmo aceitá-lo. Eu não me sentiria bem. – Fui em sua direção, olhando fixamente em seus olhos. – Não quero dar mais motivos para que pensem mal de mim.
- E se eu emprestá-lo? – Edward segurou o meu rosto delicadamente. – Assim que você tiver o suficiente pra comprar o seu próprio carro, você o devolve.
- Eu já disse a você que tenho um carro. – Fiz uma careta pra ele. – E que ele se encontra em Seattle.
- E eu já disse a você que uma peça antiga de exposição de carros não foi feita para trafegar em qualquer trânsito. – Seus dedos faziam um carinho suave na minha bochecha. – Eu só quero mantê-la segura.
- Obrigada... – Seu olhar era tão sincero que eu nunca duvidaria das suas intenções. – Mas me deixa pensar um pouquinho sobre isso?
- Tudo bem. – Ele sorriu vitorioso. – Aceita jantar comigo, Srta. Swan?
- Aceito sim, Sr. Cullen. – Diante do seu semblante sério, corrigi. – Aceito, Sr. Masen.
Edward beijou a minha mão antes de se retirar do meu quarto. A cada dia eu conhecia um Edward carinhoso, gentil, inteligente, sincero. E a cada dia eu me via encantada com alguma característica da personalidade dele.
Como eu não sabia se Edward queria que Alice ficasse ciente do nosso jantar, resolvi me arrumar sozinha. E eu estava em pânico por isso.
Nunca havia saído para jantar com alguém... Como seria? Eu era garota de freqüentar bares, lanchonetes, redes de fast-food e não restaurantes chiques e badalados de Chicago.
Como eu recusaria uma proposta de Edward? Senti que minhas mãos já estavam começando a ficar geladas; minhas pernas tremiam incessantemente. Eu estava andando em círculos pelo quarto sem saber o que fazer.
Era um encontro? Ou uma comemoração pelo meu emprego? Porque no parque foi uma situação completamente diferente: era como se estivéssemos estendido o passeio do shopping até o parque... E agora? Era um encontro mesmo?
Senti uma onda de ansiedade chegando, então resolvi sentar e colocar a cabeça entre as pernas. O que eu faria? Como me comportaria? Edward me levaria a um lugar reservado ou não? O que eu vestiria?
Decidi entrar logo na banheira. Enchi com sais relaxantes que Alice havia comprado pra mim e mergulhei meu corpo tenso, tentando de alguma forma me acalmar e diminuir a tensão.
Coloquei um roupão e arrumei o cabelo como Alice havia me ensinado. Eu o prendi pela metade, deixando os fios caírem ondulados pelas costas.
Não ousei muito na maquiagem com medo de errar e parecer uma palhaça. Optei pelo rosa, que é a cor que eu costumo usar nessas ocasiões. As unhas já estavam feitas, graças a Alice.
Fui para o guarda-roupa, agora repleto de peças de vestuário escolhidas pela minha nova chefe. Olhei para cada uma delas confusa; eu não sabia o que combinava com o quê. Eu não saberia fazer uma combinação sem a ajuda de Alice. Não mesmo.
Vasculhei qualquer peça normal, mas nada se encaixava aos meus olhos normais.
Até que achei um vestido preto, acinturado, de uma tal marca Miu Miu.
Nos pés, um Manolo Blahnik que eu estava aprendendo a conhecer e a gostar.
Coloquei alguns pertences numa clutch bege. Alice provavelmente ficaria orgulhosa em saber que eu lembrei o nome do tipo de bolsa que agora eu carregava.
Eu estava finalmente pronta.
Olhei-me no espelho. Até que o resultado fora realmente bom. Muito bom.
Então por que o meu estômago insistia em agitar-se?
Por que minhas pernas tremiam, apesar de eu estar em cima de um salto extremamente confortável e elegante?
Por que minhas mãos suavam apesar de eu estar em temperatura ambiente?
Eu não sabia.
Ou o melhor, sabia. Só estava com medo de encarar a realidade.
E ela estava me esperando. Em forma de um homem de quase dois metros, lindo, cavalheiro e estúpido, que fazia meu corpo obedecê-lo mesmo que ele não mandasse.
Respirei fundo e saí.
Para jantar com Edward Cullen, meu meio irmão.
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EDWARD POV
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- Alice, eu sabia que ela não iria aceitar... – Respondi, assim que vi Bella voltando à mansão. –... Com certeza, se sentiu ofendida.
- Ofendida? – Minha irmã não aceitava um "não" como resposta. – Edward, depois do exame, ela terá isso por direito. – Alice apontou para o carro. – Por que não aceitá-lo agora?
- Porque o exame ainda não foi feito. – Coloquei a mão no ombro de Alice. Eu tinha medo que ela se decepcionasse depois do exame. – Bella nunca faria isso.
- É eu deveria ter imaginado. – Alice bufou desanimada. – Mas tentei, e é isso que vale.
- Claro. – Tentei animá-la. – Eu queria muito que Bella ficasse com ele, fico preocupado com sua segurança e...
E, antes que eu pudesse concluir meu pensamento, Alice me olhava incrédula.
- Eu não acredito... – Alice murmurou. – Você já está aceitando Bella como irmã!
- Não, Alice... Não é nada disso! – Esclareci enquanto ela gargalhava. – Eu só me preocupo com ela como me preocuparia com qualquer um!
- Mentira! – Ela apontou o dedo pra mim. – Você é um filho da mãe mentiroso, Edward Cullen!
- Masen! – A corrigi. – E o que leva você a pensar nisso? – Balancei a cabeça, aturdido.
- Várias coisas... – Ela colocou o dedo no queixo. – Primeiro você não quer que Bella se relacione com Samuel, assim como você não queria que eu namorasse o Laurent!
- O Laurent era um filho da puta, assim como Samuel! – Eu estava tentando explicar, mas não estava conseguindo diante da mente mirabolante de Alice. – Quer dizer, os dois não prestam e...
- Sei... – Ela sorriu maliciosamente pra mim. – E segundo, essa preocupação toda... De irmão mais velho...
- Não é não, Alice. – Cocei a cabeça, irritado com a conversa. – Não confundam as coisas, você sabe a minha opinião a respeito.
Eu não queria que Bella se machucasse. Ela era propensa a confusões, eu sabia disso. E eu já estive perto dela em duas ocasiões para salvá-la: Uma, na boate. E outra, aqui em casa, na festa.
Eu precisava mantê-la segura. Eu precisava cuidar dela e esse pensamento já estavam me matando. Eu não conseguiria conviver com essa insegurança, relembrar o passado e não me preocupar.
- Mas você vai mudar, eu sei. – Alice sorriu tenramente pra mim. – Já está mudando. Eu vejo isso. – Alice colocou a mão lentamente em meu rosto.
Eu continuei olhando-a, mas não consegui responder nada. O que eu diria? Que ela estava se iludindo porque Bella provavelmente não era a nossa irmã e fora enganada? Ou que, mesmo que fosse eu já estava fodido por me sentir envolvido o suficiente para não voltar atrás? O que eu diria? O que eu explicaria?
Só balancei a cabeça e dei a conversa por encerrada, antes de puxar o pequeno corpo da minha irmã caçula para um abraço fraternal.
[...]
Fazia exatamente cinco horas que eu havia convidado Bella para um jantar. Eu estava tentando relaxar, lendo algum livro, mas era impossível. Flashes da noite anterior invadiam a minha mente constantemente.
Foi surreal passar a noite ao lado de Bella, numa roda gigante. Sorri com a lembrança do seu medo, seu cheiro, seus lábios delicadamente nos meus... Sua risada e seu olhar de menina vendo a cidade do alto. Foi tudo tão bom que eu tive medo de acordar e ver que tudo não passara de um sonho.
Mas não foi. Foi uma perfeita realidade. Eu e Bella.
Foi engraçado recordar de quando comi o cachorro-quente... Quando Edward Masen, o famoso juiz Draconiano faria uma coisa dessas? Nunca. Nem com Tanya eu era adepto de fazer programas do tipo. E ela era uma esposa maravilhosa que não insistia.
Mas eu estava disposto a mudar. Eu já poderia ver eu e Tanya juntos no Navy Píer ou no Millennium Park fazendo algum piquenique. Ou qualquer outro programa que uma família americana comum costumava fazer. Eu tinha planos, que foram interrompidos quando tudo aconteceu.
Assalto.
Um barulho de tiro.
Minha esposa caída no chão.
Nossos ingressos do cinema cheios de sangue.
"- Edward, eu te amo. Seja feliz."
Acordei sobressaltado. Havia pegado no sono, o livro caído no chão. Esses pesadelos não teriam fim? Joguei a cabeça para trás, apoiando-a na almofada, tentando controlar a respiração.
Fui até a janela e a abri. Fechei os olhos e deixei que brisa morna de Chicago me relaxasse, dissipando qualquer tensão que ficara pelo pesadelo... Tanya.
Seu nome fazia o meu peito explodir de dor... Eu a amava. Muito. Então o que eu sentia por Bella? Era possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? Porque com certeza eu ainda amava Tanya, com toda a força da minha alma... E Bella? O que eu sentia? O que ela sentia?
Passei a mão no cabelo nervosamente e fiquei pensando se não seria melhor cancelar o jantar. O que eu falaria? Falaria sobre a noite anterior? Sobre os meus sentimentos?
Não, disso eu não falaria... Eu nem sabia o quê falar ou como falar.
Sentei-me na cama, sentindo-me frustrado. O que eu estava fazendo? Confuso e ainda convidando Bella para jantar? Eu queria mesmo terminar de foder com a minha vida?
E foi quando eu me lembrei dos seus olhos e a paz que senti quando a envolvi em meus braços. Seu cheiro reconfortante e toda a dúvida se dissipando como fumaça, como se não existisse Carlisle, exame de paternidade e toda essa merda. Seus lábios tocando os meus, enquanto eu pensava não ser merecedor de sentir tão algo bom por ser um filho da puta pecador de todas as formas e maneiras.
Tomei um banho, deixando a água gelada cair em minhas costas, reconfortando-me. Coloquei um terno preto e uma blusa preta por baixo, sem gravata. Eu estava me sentindo um pouco sufocado. Só não sabia se era por causa do clima ou do pesadelo.
Saí lentamente e desci. Peguei o volvo e o coloquei no portão que dava acesso a parte de trás de Rose Hill. Mandei uma mensagem para Bella, pedindo que ela fosse ao local combinado.
Eu não sabia o que Bella acharia, mas com certeza não seria bom se alguém nos visse. Alice havia saído com algumas amigas estilistas, Mike estava trabalhando e Rosalie e Emmett estavam no quarto... Eu não queria arriscar.
Depois que aguardei exatamente vinte minutos após ter enviado a mensagem, visualizei Bella. E ela estava perfeita.
Um vestido preto que realçava cada curva do seu corpo; seu cabelo estava meio preso, deixando a mostra seu rosto. Ela estava elegante, segura. Eu pouco via a minha menina naquela mulher que estava prestes a entrar no meu carro.
Ajeitei-me no banco, pois estava me sentindo desconfortável. Eu já estava excitado com aquela visão, meu membro duro prestes a explodir na calça.
Controla-se, Edward Masen! Você não é mais um adolescente de dezesseis anos que vai ao primeiro encontro! – Minha consciência gritava.
- Obrigada por me esperar aqui. – Bella mencionou assim que entrou no Volvo. – Eu não saberia o que dizer a eles e...
- Tudo bem. – Coloquei a mão em seu rosto. – Eu também não saberia o que dizer.
Ficamos em silêncio, enquanto eu fazia um carinho suave em sua pele. Seus cílios estavam tremelicando enquanto sua bochecha começava a corar num tom particularmente charmoso.
- Eu estava com saudade disso. – Comentei, enquanto Bella abaixava os olhos.
- Disso o quê? – Ela perguntou, ainda olhando para o banco.
- Do seu calor. – Senti seu corpo vacilar diante do meu toque. – Da sua reação quando fica envergonhada.
- Você sempre me deixa envergonhada. – Ela sorriu, olhando-me diretamente. – Lembra de quando nos conhecemos?
- Claro. – Aproximei-me e fiquei a centímetros dos seus lábios. – Foi quando voltei a sorrir.
Bella sorriu provavelmente lembrando-se quando nos conhecemos em Rose Hill. Eu a fitava diretamente, sabendo que ela parecia com alguém que eu conhecia. Sem imaginar que ela era filha de Renée, minha ex-babá.
E agora eu podia perceber que ela tinha muitos traços da mãe. Os olhos, a boca e o nariz eram de Renee. A mulher que um dia eu já considerei tanto quanto a minha mãe.
- Vamos? – Bella murmurou, a boca entreaberta.
E antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, afundei minha mão em sua nuca, trazendo seus lábios aos meus. Sua língua veio de encontro a minha, provocando-a e eu sorri com a sua ousadia. Mordi seu lábio inferior e o puxei delicadamente. Queria que ver sua boca rubra assim como o seu rosto deveria estar.
- Acho melhor irmos jantar. – Encostei minha testa na sua, estávamos começando a suar. – Antes que eu inicie o nosso encontro aqui mesmo.
- T-tudo b-bem. – Bella gaguejou e eu achei adorável.
Liguei o carro e seguimos para o restaurante.
[...]
- Venha comigo. – Abri a porta do carona assim que estacionei. – Espero que goste da minha escolha.
- Tenho certeza que gostarei. – Bella segurou a minha mão firmemente e entramos. – Você faz ótimas escolhas. – Sorrimos ao lembrar o Navy Píer.
O Smith & Wollensky era um restaurante que servia uma comida formidável. O ambiente era acolhedor e, por se manter as margens do Rio Chicago, fornecia aos clientes uma vista privilegiada, principalmente ao entardecer e à noite.
- Edward... – Bella sorria encantada com a vista.
- Eu sei. – Eu me sentia vitorioso por dentro. – A vista é espetacular.
- É magnífica! – Bella sorriu pra mim e eu senti ali que já ganhara a noite. – Você já veio aqui?
- Já. – Pensei alguns segundos antes de completar a resposta. – Mas tem muito, muito tempo.
Entramos e fomos diretamente à parte privativa.
- Onde estão os outros clientes? – Bella virou-se para me perguntar, enquanto eu a seguia.
- Eu reservei essa parte privativa só pra nós dois. – Respondi, colocando a mão na base das suas costas.
- Eu não acredito! – Bella balançou a cabeça, incrédula. – Essa noite faz parte do manual "Como surpreender Bella Swan"? – Ela provocou.
- Faz. – Eu sorri com a provocação. – Mas também faz parte do manual "O que devo fazer para ter Bella Swan só pra mim?".
- Só pra você? – Ela mordeu os lábios sedutoramente e lá eu estava dando sinal de vida.
- Só pra mim. Eu me nego a dividi-la com alguém. – Afastei a cadeira para que ela se sentasse. – E eu não queria que olhassem e comentassem o quanto você está perfeita. – Sussurrei em seu ouvido, depositando um beijo suave entre a orelha e o pescoço.
Sentamos numa mesa próxima ao Rio Chicago, Bella estava encantada com a paisagem. E eu satisfeito por proporcionar alguma felicidade a ela.
- Como você descobriu esse lugar? – Bella estava com os olhos brilhando. – É tão bonito.
- Eu imaginei que fosse gostar. – Respondi, colocando a mão em suas costas. – É um lugar muito bonito mesmo.
E era perfeito para a noite que eu pretendia ter.
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BELLA POV
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Só pra mim. Eu me nego a dividi-la com alguém. – Edward afastou a cadeira para que eu me sentasse. – E eu não queria que olhassem e comentasse o quanto você está perfeita. – Sua voz rouca adentrava meus sentidos, o toque macio dos seus lábios em meu pescoço.
Ali ele já teria ganhado a noite, sem precisar de muito esforço.
O restaurante Smith & Wollensky era perfeito para a nossa noite. Quer dizer, mais que perfeito, porque nem nos meus melhores sonhos imaginei jantar num lugar assim.
- Vamos beber algo? - Edward tirou-me dos devaneios.
- Vamos. - Assenti. - Você escolhe?
- Com certeza. - Seus olhos perfuraram os meus e eu me perguntei em que parte da noite eu conduziria. Mas eu sabia que estava em ótimas mãos.
Mãos quentes e perfeitas, que nesse exato momento faziam um carinho suave no início da minha coluna.
- Frio? - Edward perguntou-me depois que meu corpo estremeceu pelo seu toque. - Nós podemos sair daqui e...
- Nã-não - Gaguejei, tentando reformular alguma frase coerente. - Aqui está ótimo.
- Que bom... - Seu sorriso pareceu me aquecer e eu esqueci qualquer calafrio que tivesse perpassado pelo meu corpo. - Vou pedir um champanhe.
O garçom aproximou-se de nós e Edward fez o pedido. Ele estava seguro, era tão fascinante vê-lo tomando todas as decisões e, por alguns segundos, o imaginei no trabalho, demasiadamente sério, viril, tão rígido consigo mesmo e com os outros.
E por incrível que pareça, eu gostei. Gostei de ver esse lado dele que já presenciei tantas vezes.
Será que algum dia ele me levaria ao local de trabalho? Com certeza se o convite fosse feito, eu não hesitaria duas vezes.
- Então quer dizer que você é a mais nova contratada de Alice Cullen... - Ele virou-se para mim depois de falar com o garçom. - Espero que tenha paciência e sorte para lidar com o gênio de Alice.
- Alice é um doce de pessoa. - Edward riu debochadamente. - Qual é? É feio rir dos irmãos pelas costas, Sr. Masen.
- Não estou rindo pelas costas, aquela fadinha do mal sabe disso... - Eu estava rindo. -... Alice sempre conseguiu o que queria e eu tenho muito orgulho dela por isso.
- É lindo ver a forma que vocês se interagem. - Eu estava relaxando mais com a conversa. - Apesar do tempo e da distância, o amor de irmãos prevaleceu.
- Eu sinto muito que não seja assim com Emmett e Mike. - De repente, seu semblante mudou. - Eles estão cada vez mais afastados de nós.
- Não é verdade. - Quis amenizar. - Você só precisa dar uma chance a eles.
- Emmett só terá a chance dele quando passar por uma clínica de reabilitação. - Eu sabia sobre os problemas dele com drogas. - E Mike... Bem, Mike era muito novo quando tudo aconteceu. Talvez não tenha dimensão dos fatos.
- Entendo... - Coloquei a mão em cima da dele. - Mike sabe pela ótica de Carlisle, certo?
- Certo. - Ele fez um carinho suave com o polegar na minha mão. - Mas eu errei quando deixei que Carlisle fosse uma grande influência pra ele, quando... - Ele estava desabafando. - Quer dizer, cada um com o seu problema. Esquecemo-nos dos outros.
- Mas vocês foram criados separadamente, Edward. O único culpado nessa história é Carlisle, que como pai, deveria ter dado uma base a vocês.
- Será, Bella? - Seus olhos estavam tristes. - Será que nós não somos mais parecidos com Carlisle do que imaginamos?
E antes que pudéssemos continuar a nossa conversa, o garçom interrompeu-nos.
- Aqui está senhor... - O garçom estava colocando as taças na mesa.
- Pode deixar que eu sirvo a bela dama que me acompanha... - Edward sorriu galanteador.
- Obrigada, cavalheiro. - Respondi sorrindo.
- Esse é um Armand de Brignac. - Edward estava pegando a garrafa e despejando o líquido em uma das taças. - É considerado o melhor champanhe do mundo. - Ele me entregou uma das taças. - O champanhe perfeito para a mulher perfeita. - Seus lábios encostaram-se levemente nos meus.
- Obrigada... - Eu ainda estava me acostumando com essa nova faceta de Edward. -
- Esse champanhe é complexo, picante e agradável... - Edward se aproximou de mim, a taça em uma das mãos. -... Sua acentuada fruta fresca é o que o torna tão palatável e irresistível. - Sua voz rouca ecoou em meus ouvidos. -... Ele agrada tão perfeitamente ao paladar dos conhecedores.
- Ele? - Perguntei irônica.
- Complexa, picante, agradável, irresistível... Quatro palavras que a definem tão bem, Isabella Swan... - Sua mão veio diretamente ao meu rosto. - Eu brindo a você. - Seus olhos perfuraram os meus. - A você que fez a minha vida reluzir.
- Mais que essa garrafa? - Minha garganta estava seca.
- Muito mais. - Seu sorriso torto encheu meu coração de paz. - Eu fui atraído pelo seu brilho... - Sua língua passeou vagarosamente pelos lábios. - Você fez a minha vida resplandecer-se... Torna-se notável aos meus olhos. - Sua boca estava tão próxima a minha. - Muito obrigado.
E antes que Edward dissesse mais alguma coisa que me fizesse desmoronar ali mesmo, colei a minha boca a sua, provando o gosto doce que há muito eu quis provar.
Sua mão esquerda ainda se mantinha em meu rosto, enquanto a direita descia lentamente pelo meu corpo, segurando firmemente cada pedaço dele, como se ele quisesse me marcar como sua.
Mas ele não precisava disso... Porque eu já era dele. Só dele.
Minhas mãos já estavam agitadas, mexendo nervosamente em cada mecha do seu cabelo e trazendo seu rosto pra mais perto do meu... Eu sentia que a qualquer momento o meu coração poderia esmagar-se com a aflição que sentia.
E eu nem sabia o porquê.
- Acho melhor pedirmos o jantar... - Respondi sem ar, enquanto Edward beijava o meu pescoço.
- Claro. - Ele murmurou contra pele do meu pescoço. - Eu já volto. - Edward beijou lentamente o meu pescoço, antes de levantar-se.
E só por imaginar a razão dele ir ao toalete, já me deixava excitada.
Alguns minutos ele voltou.
- Podemos pedir? - Assenti, sem olhar para o seu rosto, já que o meu provavelmente estava rubro. - Tem alguma preferência?
- Não... Confio no seu gosto.
Edward chamou o garçom novamente e pediu um steak tips au poivre.
- E traga um " El "Terre", sim? - O garçom assentiu e saiu com os nossos pedidos.
- Então... - Eu ainda estava me recompondo dos beijos. - Quando você volta a trabalhar?
- Logo após o exame de DNA. - Edward respondeu, sem olhar-me. - Dependendo do resultado, terei algumas providências a tomar.
- Claro... - Quis me bater por ter feito uma pergunta idiota. - Alice me disse que você foi ao tribunal hoje.
- Fui sim. - Edward parecia ser muito misterioso, às vezes. - Eu precisava ver como estava o meu apartamento.
- E? - Eu queria que ele me falasse mais sobre a vida dele.
- E está tudo em ordem. - Ele sorriu. - Contratei alguém para ir uma vez por semana e mantê-lo organizado.
- Gosta de morar sozinho? - Eu e a minha boca grande. - Quer dizer, eu...
- Agora gosto. - Edward parecia disposto mesmo a conversar. - Eu morei pouco tempo sozinho antes de me casar.
Pronto era a deixa que eu precisava.
- Edward... - Aproximei-me mais dele. -... E Tanya? Não, quer dizer... - Bufei, sem saber como iniciar a conversa. - E o casamento de vocês?
- Era perfeito. - Edward pareceu se perder, fitando a taça de champanhe. - Tanya era inteligente, linda e engraçada... - Edward riu sozinho. - Nós nos dávamos muito bem. Tínhamos gostos parecidos.
- Tinham? - Eu senti a pontada de ciúme e senti que iria pro inferno por isso.
- Tínhamos. - Edward sorriu perfeitamente torto. - Eu e Tanya fizemos faculdade de Direito juntos. - Ele tomou mais um gole do champanhe. - Demoramos em perceber que estávamos apaixonados um pelo outro. Samuel nos ajudou a perceber isso.
Samuel. Será que ele fazia parte de um triângulo amoroso?
- Os seus irmãos a conheceram? - Perguntei ingenuamente.
- Conheceram. Alice era a melhor amiga dela. - E mais uma pontada de ciúme. - Tanya a ajudou muito no início da carreira de modelo.
- Que legal! - Falei entusiasmada demais. - E vocês não quiseram ter filhos?
Edward me encarou e naquele momento eu não sabia se quem estava ali era o meu Edward de outrora, gentil, engraçado e carinhoso. Parecia outro Edward, o que eu conhecera em situações de tensão.
- Desculpa, Edward... - Coloquei a mão em cima da sua. - Não quis ser intrometida.
- Tudo bem. - Ele sorriu fracamente. - E já pensou sobre o Aston Martin? - Edward havia se fechado na sua bolha novamente.
Mas eu esperaria o tempo que fosse preciso para conhecê-lo mais.
- Eu já disse que não o aceito... - Ele me fitou com aqueles olhos perfeitos. - Isso não vale!
- O que não vale? - Ele me olhou novamente daquele jeito que fazia meu coração disparar.
- Isso não é justo... - Bati no ombro dele. - Você está trapaceando!
- Se usar de todos os artifícios possíveis para convencê-la a ficar com o carro é trapacear, eu sou um trapaceiro, minha cara. - Ele piscou pra mim.
- Droga! - Cruzei os braços como uma criança birrenta. - Eu aceito.
- O quê? - Ele colocou a taça em cima da mesa. - O que você disse?
- Eu aceito o carro. - Repeti, revirando os olhos. - Mas como empréstimo!
- Que seja! - Seus braços enlaçaram a minha cintura, afundando o rosto no meu cabelo - Seu cheiro é inebriante...
- O seu também... - Edward começou a depositar beijos suaves em cima da minha clavícula. -... Ainda bem que estamos sozinhos.
- Eu juro que esta não foi minha intenção... - Edward murmurou.
- O inferno está cheio de boas intenções... - Respondi com a respiração alterada.
- O amor nos leva ao inferno e ao paraíso... Mas sempre nos leva a algum lugar. - Edward respondeu, fitando os meus olhos.
- E aonde você prefere estar? - Perguntei, olhando para a sua boca entreaberta.
- Aqui. - Ele fechou os olhos e encostou a testa na minha. - Onde você estiver eu preferirei ficar. - Sua boca desceu lentamente pelo meu rosto. - Só por você.
E antes que iniciássemos outra sessão de beijos, o garçom nos interrompeu.
- Gostou? - Edward perguntou antes de tomar um gole de vinho.
- Sim... - Respondi com a boca cheia. - Desculpa. - Engoli a comida.
Enquanto terminávamos o nosso jantar, continuamos nossa conversa sobre carros.
Eu já tinha percebido que era uma grande paixão pra Edward.
- Bella, deseja sobremesa? - Edward perguntou assim que eu terminei a minha taça de vinho.
- Desejo. - Coloquei a taça na mesa. - O que vamos pedir?
- Petit gateau. - Eu comemorei internamente com o pedido. - Gosta?
- Na verdade... - Edward olhou preocupado. - Eu amo! Você realmente leu o manual direitinho...
- Eu nunca faço nada pela metade... - Ele pegou a minha mão delicadamente antes de depositar um beijo nela.
Tomamos a nossa sobremesa e nos levantamos para contemplar a paisagem do Rio Chicago. O clima estava ameno e sentíamos uma brisa suave.
Estava tudo tão tranqüilo, tão perfeito... A noite estava sendo maravilhosa e ainda longe de acabar.
Meu coração se apertara ao pensar na possibilidade de ir embora e deixar tudo para trás... E não ter outras oportunidades em passar momentos maravilhosos com Edward.
Por isso eu queria aproveitar tudo e prolongar ainda mais a sensação de felicidade que transbordava do meu corpo.
Edward abraçou-me por trás, a cabeça pousando em meu ombro. Sua respiração provocava cócegas em minha pele; mas eu queria mantê-lo próximo a mim.
Eu estava vivendo um sonho e um pesadelo. E não queria acordar. Bem, eu queria acordar e ver que tudo não passara de um mal entendido da minha mãe, uma confusão. Eu queria viver o que eu estava sentindo plenamente, sem amarras, sem limitações.
Porque eu não poderia mais viver sem Edward. Eu não queria. Não podia. Não sem sofrer, sem sentir o vazio dentro do meu peito; não sem sentir meu coração sendo esmagado e despedaçado aos poucos. Ele já estava em mim, mesmo que eu não quisesse.
E agora nós dois sozinhos, com a vista maravilhosa do Rio Chicago me fez pensar em tanta coisa... E agradecer. Agradecer por ter esse sentimento tão lindo dentro de mim, por senti-lo. É uma dádiva de Deus.
E eu tinha medo... Não pelo o que eu sentia, mas pelas conseqüências que isso traria.
Meu coração palpitava tão rápido dentro meu peito e me perguntei se Edward seria capaz de ouví-lo... E quando eu diria que a razão dele palpitar tão rápido era a existência dele e tudo o que eu sentia.
Música: Delicate - Damien Rice (Ouçam, não vão se arrepender!)
Começou a tocar uma música linda... E melancólica.
- Vamos dançar? - Edward me virou, já me levando ao centro da sala.
- Dançar música lenta? - Edward assentiu, dobrando a manga da camisa. - Eu não sei dançar esse tipo de música.
- Não tem problema. Devemos ficar assim. - Sua mão foi a minha cintura e aproximou ainda mais os nossos corpos. - E a sua mão deve ficar aqui. - Ele guiou a minha mão até o seu ombro.
Edward continuou me olhando e naquele momento, parecia que ele podia ver a minha alma. Então, eu deixei. Eu queria que ele visse o que eu não tinha coragem de falar.
Nossos corpos movimentaram-se lentamente... Edward sempre mantendo contato visual, nós estávamos sentindo a música.
Sua mão foi subindo lentamente até chegar ao meu rosto. A outra também fez o mesmo trajeto, enquanto eu deixava meu braço cair.
Edward segurou o meu rosto delicadamente, enquanto ainda nos olhávamos. Estávamos tentando nos despir dos nossos medos, receios e angústias; queríamos que o outro visse quem éramos.
E eu conseguia enxergar Edward além do meu menininho dos olhos tristes.
Sua boca foi diretamente a minha. O beijo foi lento, devagar, suave. Nossa respiração se chocando, ao mesmo tempo em que nossos lábios se mantinham unidos...Eu podia sentir o que estava por trás daquele beijo.
Era amor.
Nós estávamos na nossa bolha particular, tão nossa, tão única... Eu estava finalmente me sentindo protegida.
Amada.
Única.
Especial.
Eu finalmente me sentia como dizia a minha música.
- Ma Belle. - Edward sussurrou antes de beijar a minha testa.
Encostei minha cabeça em seu peito e ficamos por um tempo ali, dançando. Eu não sabia dizer se a música havia acabado, mas nós dois não queríamos nos separar, talvez com medo do amanhã, das próximas horas.
Era delicado, como dizia a música.
A nossa situação, o que sentíamos, as pessoas que conviviam conosco. Era tudo muito frágil e tínhamos medo de estragar o que estávamos construindo aos poucos.
A confiança. O respeito. O carinho.
Fechei os olhos e resolvi gravar tudo o que acontecera esta noite. A risada de Edward, seus beijos, seus carinhos, a música, a nossa dança. Não importava o que fosse acontecer daqui pra frente; eu tinha certeza que nesta noite eu fui feliz como há muito tempo eu não era. E seria eternamente grata a Edward por isso.
Victor Hugo disse que a suprema felicidade da vida é ter a convicção de que somos amados.
Agora eu entendia essa frase.
Foi uma noite linda. Eternamente gravada em minha memória.
[...]
Eu gostaria muito de levá-la para almoçar amanhã... - Edward estava na porta do meu quarto.
- Amanhã é o meu primeiro dia de trabalho... - Eu estava na ponta dos pés, o nariz em seu pescoço. - ... Não sei se Alice vai me liberar.
- Esqueceu que você está lidando com um juiz? - Edward levantou o meu rosto. - Alice poderá ser presa por trabalho escravo.
- Tudo bem, Juiz Masen. - Sorri pra ele. - Eu almoço com você amanhã.
- Me chama de novo de Juiz Masen? - Os olhos verdes de Edward estavam brilhando e ele encostou o meu corpo contra a parede. - Por favor?
- Juiz Masen. - Falei novamente, o rosto provavelmente rubro.
- Bella, Bella... - Edward me abraçou, quase me levantando do chão. - Desse jeito, eu não vou embora.
- Mas você precisa ir. - Dei um selinho rápido em seus lábios. - Amanhã o dia será longo.
- Tudo bem. - Ele tirou um fio de cabelo do meu rosto. - Almoço amanhã?
- Almoço amanhã. - Meu estômago já se revirava de expectativas. - Boa noite.
- Boa Noite, Ma Belle. - Eu ficava excitada em ouvir Edward falando francês. - Revê de toi ce soi...* - Ele sussurrou em meu ouvido.
- O que isso quer dizer? - Perguntei, enquanto ele beijava meu rosto.
Edward piscou pra mim e saiu, me deixando curiosa. Abri a porta pensando no que ele dissera... No dia seguinte, eu perguntaria a Alice.
Estava tudo muito escuro e sliencioso... Será que os outros já estavam dormindo?
Acendi a luz e tirei meus sapatos, deixando-os de lado. Soltei meu cabelo e fui para frente do espelho para ver como eu ainda estava.
- Boa Noite, Cinderela. - Vi o seu reflexo no espelho. Assustei-me, derrubando o frasco de perfume.
- Ro- Rosalie... - Abaixei-me, tentando pegar os pedaços de vidro. Estava tão nervosa que não percebi quando um perfurou a minha mão. - O que você está fazendo aqui?
- Eu faço as perguntas por aqui... - Rosalie levantou-se da poltrona e veio ao meu encontro.
- Saia do meu quarto agora! - Gritei, ainda no chão.
- Xi, não grite! - Ela sussurrou. - Ou você quer que eu conte a Alice que você e Edward estão juntos? Quanta decepção será pra ela...
- Você está blefando... - Respondi nervosa.
- Você pensa que eu não ouvi a conversa melosa de vocês? - Ela cruzou os braços. - Ou que eu não vi quando os dois saíram?
- Sua vagabunda! - Eu gritei enojada.
- Eu já disse pra não gritar! - Rosalie pisou em minha mão com o salto que usava, fazendo com que os outros pedaços de vidro perfurassem a minha pele. - E a vagabunda que está transando com o próprio irmão é você, e não eu.
- Você não sabe de nada... - Respondi, sentindo a minha pele rasgar onde ela estava pisando. - ... Eu sou muito diferente de você.
- Será que é? - Ela se abaixou. - Eu também tenho os meus pecadinhos, sabe Bella? - Ela jogou o cabelo por cima do ombro. - Edward já foi meu amante. - Ela sussurrou em meu ouvido. - Você ouviu? a-man-te.
Eu estava me sentindo tonta pelo cheiro do sangue... Será que eu ouvi direito?
- Edward já foi meu amante! - Rosalie levantou o meu rosto. - Isso ele não contou a você, contou?
Diante do meu silêncio, ela gargalhou.
- Eu sabia! - Ela cravou mais o salto em minha mão. - Por que você não pergunta a ele, hein? Pergunte a ele já que estão tão próximos!
- É mentira! - Eu estava lutando contra as lágrimas que insistiam em cair. - É mentira...
- Eu não vou ficar aqui discutindo isso com você. - Ela se levantou e tirou o pé de cima da minha mão. - Eu quero você longe do Edward! Se não todos ficarão sabendo desse romancezinho sujo de vocês...
O quarto de repente começou a girar, segurei-me na parede para não desabar.
- Eu já dei o meu recado... - Ela olhou em volta do quarto. - E se acha que eu estou mentindo, pergunta pro Edward... - Ela me olhou diretamente nos olhos. - Todos nós vamos nos encontrar no inferno, mais cedo ou mais tarde.
Encostei-me na parede, tentando prender a respiração. Eu precisava encontrar algo para estancar o sangue.
- Longe do Edward... - Ela sussurrou, antes de bater a porta atrás dela.
Deixei que as lágrimas lavassem o meu rosto... Eu sentia a dor física e emocional.
Será que era verdade? Eu precisava perguntar a Edward.
Fui engatinhando até uma gaveta, de onde tirei um pano qualquer. Enrolei-o na mão enquanto as palavras de Rosalie ecoavam em minha cabeça.
"Edward já foi meu amante" "Eu quero você longe dele"
Fui lentamente até a minha cama e me abracei, encolhendo as pernas.
O choro me esgotou e finalmente, eu adormeci.
Sem a alegria que me acompanhava antes.
.
.
* Revê de toi ce soi - Sonharei com você esta noite.
Bem, esse capítulo começou lindo e terminou tenso!
Mandei o POV extra do Edward do capítulo anterior pra quem comentou... Gostaram?
Não consegui mandar para Karol Tavares, Jadrine, Catarina Carvalho, Letty, Letcia.
Meninas, mandem o e-mail novamente todo separadinho por espaço (todos os caracteres)
Tenho também um brinde especial pra quem comentar esse capítulo.
Um capítulo extra - POV Rosalie!
Nesse capítulo extra teremos:
- O que ela acha sobre beward;
- Um flashback dela com Edward;
- Uma conversa importante com Alice.
Vamos lá! O comentário é rápido, fácil e indolor!
E deixem seus e-mails!
Beijos do juiz Masen!
