CAPÍTULO TREZE

Harry lutava contra um sentimento de desconforto, be bendo o café tépido, como se isso fosse acalmá-lo.

Estavam em reunião cerca de doze agentes, alguns funcionários da Divisão de Narcóticos, alfândega e policiais locais, a fim de estourarem a rede e captura rem o máximo de traficantes de drogas possível.

Mas Harry só pensava em tirar Gina de lá. Hoje.

Agora.

Porém, não podia fazer algo estúpido como telefo nar para o escritório ou aparecer lá. Teria de esperar que ela saísse e garantir que não voltasse.

Gina era uma voluntária; não havia razão para estar envolvida agora que havia perigo. Droga, Harry devia tê-la algemado evitando que ela fosse trabalhar. Ele se levantou, impaciente.

Adam olhou-o, confuso, mas Harry balançou a ca beça. Não tinha nada a acrescentar, não ouvira meta de da conversa. Olhou o relógio. Ele deixou a sala como se fosse ao banheiro.

Checou suas mensagens. Nenhuma de Gina. Ape nas do agente Wong da Interpol de Hong Kong, que deixara os números de telefone do escritório e de casa. Harry tentou o escritório primeiro.

— David Wong.

— Aqui fala o agente Harry Potter, FBI.

—Ah, sim, agente Potter. Você fez perguntas sobre Thomas Harrison?

— Sim.

— Um corpo foi encontrado ontem no porto. Con fere com sua descrição.

— Como ele morreu?

— Uma bala na nuca.

— Algum sinal de tortura?

— Impossível afirmar. O corpo estava em decom posição. Talvez a autópsia nos diga algo.

— Tem certeza que é Harrison?

— Não totalmente. Trazia um relógio com seu nome gravado e uma carteira com identificação esta va perto do corpo. Mas temos de confirmar a identi dade através da arcada dentária. Entretanto, era bran co e a altura e roupas conferem com sua descrição. Creio que seja o cadáver do Sr. Harrison.

— Parece que os assassinos não se importaram com que fosse identificado. Tem ideia de quando ocorreu a morte?

— Talvez algumas semanas. Eu lhe enviarei um relatório após a autópsia.

— Obrigado.

— Em troca, gostaria muito de receber qualquer informação relativa ao Sr. Harrison.

— Terá a nossa cooperação total, Sr. Wong. Obri gado pela informação. Manterei contato.

— Bom dia, agente Potter.

Quando desligou, Harry deu uma olhada na sala de reunião. Estava ansioso para fazer um resumo para o grupo.

Sabia estar quebrando algumas regras ao agir sozi nho, mas não tinha mais tempo. E violou outra regra ao telefonar para o número de Gina na Oceanic.

— Vamos menina, atenda! — Ele murmurou, xin gando ao ouvir a secretária eletrônica.

Tentou o telefone de casa... também na secretária eletrônica. Falou palavrões e pisou no acelerador.

— Olhem, eu posso explicar. — Gina protesta va ao ser levada para o depósito na mira de uma arma.

Agora que confirmara o envolvimento de Harrison no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro, come çou a imaginar as suas "férias" em Hong Kong.

Doug perguntou como se lendo sua mente:

— Foi Harrison que colocou você aqui?

— Harrison? O contador antes de mim?

— Sim, Harrison; aquele espertalhão.

— Ué, Harrison não está em Hong Kong?

Foi Draco que respondeu.

— Ele estava até que nossos amigos o encontra ram. — Ele mexeu em sua arma.

— Morto? — ela gritou.

— Sim, querida. Todos que nos atrapalham termi nam mortos. Mas em seu caso, demorará um pouco. — Fez um sinal para Eddie. — Amarre-a.

— Com o quê?

Exasperado, Draco passou a arma para Doug.

— Espere aqui.

Quando ele saiu, Gina tentou um sorriso confiante.

— Rapazes, sei que Draco está sob muito estres se neste momento. Por que vocês não me deixam fu gir e fingimos que isso nunca aconteceu?

— Fique calada — disse Ormond.

Bem, valeu a tentativa.

O conhecimento de que seu antecessor fora assas sinado a assustava, mas não podia entrar em pânico.

Tudo que ela conseguia pensar era o quanto gosta ria de ter ouvido Harry quando ele lhe disse para se afastar daquele lugar.

Mas parecia ser tarde demais. As portas pesadas se abriram e Draco Malfoy entrou trazendo sua bol sa e um par de algemas.

Engoliu em seco. Uma coisa era ficar indefesa em uma cama com um homem como Harry, outra era estar indefesa diante de três homens perversos.

Ela lutou, se torcendo e arranhando quando Draco a segurou. Ele grunhiu quando ela conseguiu chu tá-lo na canela. Mas os dois algemaram seu braço di reito em um cano de água.

Ela olhou para eles e levantou o queixo, determi nada a não ceder ao medo. O bom senso lhe dizia que eles não atirariam nela ali no depósito, e ela ainda tinha um punho e dois pés livres para se defender. Draco afastou-se para não ficar ao alcance de seu chute.

— Devia ter trazido corda! Acho melhor levá-la para minha casa. — disse Draco.

A algema tilintou contra o cano metálico confor me ela dava puxões. Se ele achava que lhe tiraria a roupa e faria coisas repugnantes com ela, estava mui to enganado.

— Sim. — Ormond se meteu. — Vamos fazer tudo rápido e limpo. — Era ele que tinha a arma.

— Eu a vi colocar algo na bolsa. — Disse Draco virando a bolsa sobre a mesa.

Olharam sua carteira, pastilhas, necessáire, cha ves, lenços de papel e, finalmente, dois CDs.

Draco olhou-a com maldade, pegou um dos CDs, virando-o em suas mãos.

— Então? — perguntou.

Sentia-se furiosa. Esses homens tranformaram uma boa empresa em algo vergonhoso. O que aconte cera com as pessoas decentes que trabalhavam ali?

Droga! Eles vão descobrir o que há nos CDs.

Tudo que ela podia fazer era ficar enrolando e es perar uma oportunidade de escapar.

— São uns... arquivos do final do mês. Queria tra balhar neles em casa.

— Pegue um laptop. — ordenou Draco a Or mond, que colocou a arma sobre a mesa e saiu.

Sem a arma apontada para ela, poderia pensar me lhor. Agora, eram dois contra um, a situação parecia melhor, mas ela estava algemada ao cano.

— Por favor, posso ir ao banheiro? — perguntou para Eddie, mas Draco não deixou.

Enquanto aguardava Ormond, Draco perguntou:

— Harrison era seu namorado?

— Não, já lhe disse, nunca o vi na minha vida.

— Deixe-me adivinhar. Ele deveria telefonar de Hong Kong e como ele não telefonou, você imaginou que foi traída e decidiu vir aqui e se ajudar.

— Não é nada disso. Aceitei o emprego porque queria mudar. Enquanto estava fazendo os relatórios do final do mês, encontrei esse arquivo que não com binava com o do meu computador. Isso foi o que você viu na minha tela. Sou uma funcionária muito cons cienciosa.

— Demais para o meu gosto.

— Mas eu não compreendo. O que Harrison fez?

— Como sei que já sabe, Harrison começou a pe gar amostras da mercadoria que trazemos da Colôm bia e seu vício em cocaína aumentou cada vez mais.

— Ele era viciado em drogas?

— É um hábito muito caro. Ele tentou organizar a sua própria operação paralela. Talvez tivesse imagi nado que já tinha sido descoberto porque roubou uma grande quantia em dinheiro e deixou o país.

Se tentou organizar sua própria operação, Harri son não estava sozinho. As coisas se encaixaram.

— O que aconteceu com Dominic Torreo, o trafi cante de drogas que foi morto?

— Bom. Ela é uma menina muito esperta, não é Doug? Dominic trabalhava com Harrison. Agora, ambos estão fora do negócio. Só não sei qual é o seu papel ou se mais alguém aparecerá.

— Claro que eu não trabalhava com eles. Eu não os conhecia. Não sei de nada.

Draco ligou o laptop e inseriu o CD. Logo o arquivo revelador apareceu na tela.

— Não sabia que ele mantinha uma cópia de tudo para si. — murmurou Draco, olhando para os núme ros e para Gina.

— Talvez você não esteja interessada nas drogas. O que você quer Gina? Chantagem?

— Não. Encontrei o arquivo e fiquei imaginando sobre o que se tratava. Foi só isso.

— Certo. E por que levar o arquivo para casa?

— Queria examiná-lo melhor em casa. Não gosta ria de fazer acusações contra meu antecessor.

— Minha nossa, você é muito boazinha. Não ia pe dir uma contribuição considerável para a sua própriaaposentadoria a fim de não revelar nossa operação?

— Que operação? Tudo o que sei é que o plano de aposentadoria parece ineficiente. Tenho algumas boas ideias para melhorá-lo.

—Ei, cara. — Eddie falou. — Talvez ela não saiba de nada...

— Você esqueceu o pacote que ela escondeu sob o caixote daquele lado? — Draco o lembrou, mos trando o local onde ela e Harry estiveram.

— Isso é sobre o empacotamento? O que houve, esqueci de reciclar?

— Não banque a idiota, Gina. Aquelas folhas de empacotamento que vinham da Colômbia eram re cicladas em um laboratório muito amigável que as transformava em cocaína de grande qualidade, com valor de mercado em torno de milhões. Mas você já sabia disso. Por que não nos conta para quem está tra balhando e esquecemos tudo. Sem mágoas.

Tentou parecer assustada.

— Se eu lhe disser, eles me matarão.

— Diga-nos tudo o que sabe, Gina, e veremos se poderemos colocá-la em nossa operação.

— Não vou decepcioná-lo, Draco.

— Diga-nos o que sabe.

— Olhe. Biscoitos. — Ormond se entediou com o interrogatório e abriu as gavetas. O saco de biscoitos fez um barulho alto quando ele enfiou a mão gorda e tirou um biscoito. Ela notou seus dedos peludos e lembrou-se da mulher do síndico que disse que um dos homens da mudança tinha os dedos peludos.

— Mmm. Adoro biscoitos — ele disse, mastigan do barulhento. Migalhas escuras desceram pelo quei xo.

— Será que você pode segurar a arma? — Draco o repreendeu.

— Sim, desculpe. — Ele sentou-se, apontando a arma em sua direção. A mão que segurava o biscoito pendia ao lado do corpo.

Gina percebeu algo se mexer. Algo preto e peludo com um rabo. De repente, um rato apareceu. Um gri to lhe escapou e com a mão livre apontou para o ani mal. Ele correu em direção ao saco de biscoitos.

— O quê? — Ormond olhou para onde ela aponta va e de repente instalou-se o caos. Ele gritou com medo do rato que, quase pegando o biscoito, acabou mordendo seu dedo. Ormond lançou-o longe, rugin do de raiva e, de repente, a arma disparou.

Um grito rouco cortou o ar. Era Eddie quem grita va, segurando a coxa que sangrava.

— Filho-da-puta, você atirou em mim!

Uma explosão sacudiu a frente do prédio. Em se guida, ouviu-se o som de um alarme.

— Que diabos... — Draco gritou. — Fique de olho nela. — Venha! — ordenou a Ormond, que o se guiu, chupando o dedo e xingando.

Era a única chance de Gina escapar.

Junto com o conteúdo de sua bolsa, seu chaveiro estava na mesa, com a pequena chave de prata bri lhando para ela como uma estrela inatingível. Era a chave colocada por Harry. A chave para as algemas compradas no sex shop. Ela sabia que Draco frequentava a mesma loja. Quem sabe a algema que a prendia fosse comprada no mesmo lugar? Parecia com as que tinha em casa. A chave seria igual? Eddie gemia. Se ela conseguisse se livrar dele...

— Eddie, deixe-me ajudá-lo.

Ele murmurou um palavrão.

—Você poderá sangrar até morrer. Aqueles dois fugiram e o deixaram aqui. Tire essas algemas de mim para que eu possa atar a sua perna.

— Não tenho a chave.

Confiar ou não confiar? Ela olhou para baixo e percebeu que ele tinha uma arma.

— Você tem de pressionar isso. Há toalhas no ba nheiro e talvez uma caixa de primeiros socorros.

Com muitos gemidos, Eddie foi até o banheiro, mas não fechou a porta, a fim de vigiá-la.

Ela levantou os braços, pegou o cano e balançou o corpo para frente. Os músculos de seu estômago gri taram em protesto à medida que ela tentava prender seus pés sob a mesa.

Soluçou de frustração e tentou novamente. Falhou mais uma vez.

— FBI! Fiquem onde estão!

— Harry! — ela gritou, estremecendo de alívio. Ele estava lá. Ele a salvaria. Tudo ficaria bem.

Tiros ecoaram.

Segundos depois, o alarme silenciou.

— Oh, meu Deus, Harry! Não. — Ele não tinha des ligado o alarme; ele queria que as autoridades inves tigassem. Draco deve tê-lo desligado. O que signifi cava que Harry poderia estar sangrando, ferido, precisando dela. Respirou fundo e tentou mais uma vez rangendo os dentes com o esforço.

Arfando, ela se inclinou e dessa vez conseguiu pe gar seu chaveiro. Colocou a pequena chave prateada no cadeado da algema.

Harry precisava dela. Tinha de encontrá-lo.

Girou várias vezes a chave. Quando estava desis tindo, ouviu o barulho do cadeado sendo aberto. Era o som mais lindo que já ouvira.

Libertou seu braço e correu. Viu Eddie desmaiado no chão do banheiro. Hesitou um segundo. Harry tam bém poderia estar no chão, sangrando. Não havia dú vidas sobre quem ela ajudaria primeiro.

Enquanto corria, encontrou uma chave inglesa. Eddie tinha uma arma; ela poderia voltar e pegá-la. Lembrou-se que não sabia como usá-la. Uma chave inglesa não era muito, mas lhe conferia segurança.

Abriu a porta. As luzes estavam apagadas. Havia apenas a iluminação fraca das luzes de emergência para guiá-la. Arrastou-se pelo corredor.

Virou em um canto e ouviu vozes.

— Onde está ela, seu filho-da-puta? — Era a voz de Harry, furiosa, ameaçadora. Seu coração bateu for te. Ele estava bem. Harry estava bem. Conseguiriam escapar dali.

Correu pelo corredor e parou. Lá estava ele, auto ritário, sua arma preta e assustadora apontando para Ormond, que se agachou.

— Quem?

Ambos estavam de lado e ela percebeu os olhos de Ormond se mexerem. Ele deveria estar olhando para Draco. Onde estavaele?

Quando ia avisar a Harry, Ormond disse:

— Gina

— Ela está morta — completou Draco, atrás de Harry, com a arma apontada para suas costas.

— Não! — Harry gritou.

— Você chegou tarde demais, meu velho.

Mas Harry parecia não acreditar. Seu rosto ficou su bitamente pálido: os olhos, sem vida.

— Não... Gina. — Sua voz estava rouca e cansada.

—Não se preocupe, rapaz apaixonado. Você a en contrará em breve. — Draco riu.

— Ela me enganou. Pensei que trabalhasse para Harrison, mas era do FBI. Muito conveniente.

Harry balançou a cabeça, como se uma abelha esti vesse zunindo em seu ouvido. Parecia estar se recom pondo, escondendo a dor.

— Abaixe a arma e coloque as mãos sobre a cabe ça. — Ele ordenou a Draco.

— Acho que não.

Harry virou a cabeça em direção a Ormond.

— Seu amigo aqui vai cantar como uma soprano.

— Draco, pelo amor de Deus, homem. — A voz de Ormond continha horror.

— Tudo bem. — Draco continuou como se Or mond não tivesse falado. — Você atira nele e eu atiro em você. Farei com que pareça que Ormond matou um agente do FBI e também estava envolvido em contrabando debaixo de meu nariz inocente. Ficarei muito triste, claro, e cooperarei com o FBI.

Faça alguma coisa Harry, Gina o instigou silen ciosamente.

— Diga-me o que fez com Gina. — Disse ele.

Naquele momento, ela soube que ele a amava tanto que não conseguia pensar com lucidez mesmo com a sua vida à mercê de um perigo horrível. Os olhos dela se encheram de lágrimas.

— Ele não fez nada comigo. — Ela disse, bem alto e claramente, dando um passo à frente e jogando a chave inglesa sobre Draco.

— Abaixe-se! — Harry gritou, quando ela viu a arma de Draco virar na direção dela.

Ela observou a chave girar no ar, em câmara lenta. Gina caiu no chão, ouviu a bala passar zunindo. Draco andou para trás, os olhos arregalados e a boca aberta em um gemido enquanto agarrava seu ombro e desmaiava.

Harry virou a arma em direção a Ormond, mas o ho mem não se moveu. Parecia que toda a luta o tinha nocauteado. Ele não parava de olhar para Draco.

— Você ia deixar ele me matar!

Em dois passos, Harry cruzou para o lado de Draco, chutando a arma de sua mão e a recuperando.

— Você está bem? — ele gritou para Gina. Ela aquiesceu, não confiando em sua voz. Harry se ajoelhou para checar o pulso de Draco.

— Ele está... morto? — Gina conseguiu perguntar.

— Merecia, mas está vivo.

Olhando em volta, ela foi até o computador e pe gou o cabo para amarrá-lo.

Gina pegou o cabo de um segundo computador e o passou para Harry, que amarrou Ormond.

O tremor que começou em suas pernas subiu para todo seu corpo. Ela colocou seus braços em torno de si mesma e tentou respirar enquanto Harry a ignorava continuava a trabalhar. Pegando seu telefone celu lar digitou números e deu ordens. Ela ouviu palavras esparsas: ambulância... polícia local... Divisão de Narcóticos, mas a mente não as decifrava.

Seu olhar encontrou Drcao, gemendo no chão. Havia uma grande mancha vermelha em sua camisa. Isso lembrou-a de Eddie, caído no banheiro.

— Eddie está ferido.

— Onde ele... — Harry olhou para ela — Aguente firme Gina, não desmaie. — Seus braços a envolve ram, quentes e fortes. — Olhe, querida. Já está tudo terminado. — Ele esfregou suas mãos grandes em seus braços para reanimá-la.

Uma sombra escura se materializou, depois outra. Ela notou o símbolo do FBI nas jaquetas pretas.

— Eddie está no banheiro do depósito. Foi um tiro — ela disse suavemente a Harry, não querendo falar com mais ninguém, não desejando nem mesmo se mover para longe de seus braços.

— Vamos pegá-lo. Você está bem?

— Sim.

— Bom. Vou pedir a alguém para levá-la para casa. Tenho algumas coisas para fazer aqui.

— Minhas chaves, minha bolsa. Estão lá atrás.

Harry deu algumas ordens em voz baixa e, antes que ela percebesse, já estava sendo levada para fora do prédio, para casa.

Um jovem agente foi designado para levá-la em casa.

—Isto não é necessário. — Ela lhe assegurou. O olhar cético do novato lhe dizia que ele concordava completamente com ela.

— São as ordens de Harry, senhora.

Ela preferia que Harry a tivesse acompanhado até sua casa, mas pelo menos ele pensou em sua seguran ça. Isso aquecia seu corpo frio de alguma maneira.

— Estou bem. Vou tomar um banho quente e irei para cama. Mas, obrigada. Pode voltar agora.

— Se a senhora tem certeza.

— Tenho. Obrigada. Ele partiu.

Gina sentia fome. Aqueceu uma lata de sopa e se forçou a tomá-la, sabendo que se sentiria melhor. De pois, preparou um chá de camomila e bebeu.

Examinando o armário de bebidas, encontrou um conhaque. Uma dose generosa deu consistência ao seu chá de ervas e a aqueceu completamente.

Subiu ao segundo andar, observando como cada músculo do corpo doía e tomou um banho quente, deixando as torneiras abertas até que a banheira qua se transbordasse. Água quente do lado de fora, líqui do quente dentro dela e, mesmo assim, ela ainda tre mia. Forçando seu pensamento para longe, concen trou-se no momento em que Harry acreditou que ela estava morta. Naquele momento, teve certeza que ele a amava.

Quando essa história acabasse, talvez eles pudes sem recomeçar. Gostaria de namorar Harry.

Quanto mais cedo conseguissem resolver o caso da Oceanic, mais rápido chegariam ao estágio de na moro. Agora que eles tinham o arquivo secreto de Harrison, seria fácil descobrir a rede de drogas e con denar Draco e seu bando. Pedaços do arquivo de

Harrison passaram por seus olhos como imagens de sonho.

Saiu da banheira e colocou seu roupão sobre seu corpo ainda molhado. Depois de uma busca rápida ela encontrou sua bolsa e tirou tudo que havia dentro. Sim, quem quer que tivesse arrumado sua bolsa in cluirá os CDs com os arquivos das aposentadorias.

Teve uma ideia. Era maluca, mas talvez funcio nasse.