XI

Beijos, flores e despedidas.

Harry meteu-se com sigilo entre as cobertas negras da cama de Severus, quem achava-se sumido em um profundo sono. Desde a hora do jantar, quem fosse seu professor de poções não tinha deixado de cabecear sobre a mesa. Planejando esta situação, Draco e Harry tinham estado conversando sobre Quidditch o tempo todo, o que aborrecia de maneira terrível ao professor.

A conversa de sobremesa sobre o mesmo tema tinha terminado por arrulhar de tal maneira, que quando o homem se levantou da mesa estava mais dormido que acordado. Com um: "boas noites", tinha deixado aos jovens imersos em seu conversa e tinha-se dirigido a sua habitação. Mal teve posto a cabeça sobre a almofada e fechado os olhos, o professor tinha caído rendido.

O rapaz deslizou-se com macieza até ficar colado às costas do homem, quem dormia de lado. Com timidez, cercou seu cintura com seu braço e escondeu seu rosto na parte de trás de seu pescoço. A mão que rodeava sua cintura trepou até posar sobre seu peito para ficar aí.

O corpo do jovem tremeu de forma quase imperceptível ao sentir como se amoldava ao corpo de seu professor, à perfeição. Como se um tivesse sido feito para o outro. Assim sentia dentro de seu coração que ele era a pessoa que tinha esperado durante toda sua curta vida. Só esperava ter uma vida mais longa para poder lhe demonstrar de todas as formas que ele desejava.

Recordou as palavras de Draco. E se não lhe dava tempo? Que passaria se na batalha ele perdia? Que passaria se a quem perdia era a Severus? Se arrependeria por não lhe ter demonstrado seu amor de uma forma mais profunda? Seria o tempo todo passado a seu lado, sem intimidade, um tempo perdido?

Suspirou enquanto sua fossa nasale inundavam-se com o perfume de seu namorado. Meteu seu nariz entre suas fibras escuras, longas até os ombros, e que nesse momento caíam com liberdade por toda a almofada. Beijou seu cabelo com doçura ao mesmo tempo que descobria que seu brilho não se devia a que fosse gorduroso. Era mais bem demasiado delgado, quase frágil. E cheirava delicioso.

Moveu a cabeça, negando. Não. Ele não perderia a batalha. Não morreria em mãos de Voldemort nem permitiria que Severus o fizesse. Eles teriam todo o resto de suas vidas para se amar. O tempo a seu lado não era tempo perdido. Jamais o seria porque Severus não se tinha cansado de lhe demonstrar seu amor de mil e umas formas. E por isso ele também não deixaria do fazer.

Mas sobre todas as coisas, ele jamais perderia a Severus. Não o permitiria baixo nenhuma circunstância.

Fechou os olhos enquanto colava-se mais a ele. Severus moveu-se com ligeireza e o rapaz ficou quieto. Não queria o acordar intencionalmente que precisava um bom descanso. Severus suspirou entre sonhos enquanto pronunciava seu nome, para depois seguir sonhando. Harry sorriu com macieza e desejou-lhe boas noites em silêncio. Aos poucos minutos ele também estava dormido.

ksoaksokaoskok**********

-...E então pensei "vamos, Sirius, só te divertirás por uns dias..." Mas qual foi minha surpresa quando me comentou que queria apresentar com sua família. Imaginas-te? Então decidi fazer malas e empreender viaje o mais cedo possível. E assim foi que tive que adiantar minha chegada a Paris...

Remus sustentava um copo em sua mão enquanto olhava para nenhum lugar. Ouvia sem ouvir a conversa de seu amigo ao mesmo tempo em que recordava seu recente encontro com Lucius. Esses últimos momentos junto a ele lhe tinham acordado muitas lembranças que cria ter enterrado para sempre.

-Remus... –A voz do animago fazer emergir de seus pensamentos.

-Dizias...? –Remus regressou sua atenção a seu melhor amigo, agradecendo no fundo o ter-se distraído por uns momentos para não ter que escutar sobre as conquistas do animago durante sua viagem a França. –E daí sucedeu então?

Sirius levantou-se do cadeirão para sentar-se junto ao licántropo. Durante todo o jantar o tinha notado ausente e isso o tinha preocupado.

-Estás bem? Há algo que te molesta?

-Por que me perguntas isso?

O animago deixou seu copo a um lado para observar os dourados olhos de seu amigo.

-Conheço-te muito bem. Estiveste muito distraído durante o jantar e não te terminaste o único copo que te servi. –Reclamou-lhe enquanto assinalava o copo, quase cheia, que o homem lobo ainda sustentava em sua mão. –Estás pensando no ocorrido aos Malfoy?

Remus sentiu-se alterado ao escutar a seu amigo. Se o saber-se um livro aberto para ele já era de por si muito frustrante, o que o animago quase adivinhasse seus pensamentos beirava no desesperante. Pôs-se de pé.

-Irás ao enterro da senhora Malfoy? –Perguntou o licántropo para dar por seu lado e que assim deixasse de lhe fazer perguntas.

-Quando será?

-Lucius comentou-me que será amanhã cedo. Suponho que a sepultarão na cripta familiar. Em sua mansão.

-Lucius? –O animago olhou-o, interrogante-. E quando falaste com ele?

-Faz umas horas... –O licántropo brincou com a copa em sua mão. –Quis ir ver como se encontrava.

-Por que fizeste isso? –Reclamou-lhe seu amigo. –Que eu saiba nunca tivemos uma boa relação com ele, nem com Snivellius.

-Severus, Sirius. E foste tu o que nunca teve uma boa relação. –Corrigiu-o Remus. –Eu nunca tive nenhum problema com eles. Ademais, parece-me que tivesse sido muito descortês de minha parte não o visitar quando vivo lá mesmo. E bem? Irás?

-Não o sei... –O animago se rascou a cabeça, pensativo-. Como tu mesmo o disseste, nunca tive uma boa relação com ele. E como Sniv... Snape estará aí, suponho que com menos razão irei.

-Como queiras. –O licántropo deixou o copo quase intacto sobre a mesinha de centro enquanto buscava sua capa.

-Já te vais?

-É tarde. –Acercou-se à lareira. –Quero levantar-me temporão para ver em que posso ajudar.

-Mas... nem sequer terminaste-te tua copa. –Sirius olhou-o com tristeza. –Molestaste-te outra vez comigo... Verdade?

Remus girou seu rosto ao escutar as palavras de seu amigo. Não passou inadvertida sua mirada de tristeza e não pôde evitar se acercar a ele. Abraçou-o com força enquanto o animago recargava seu queixo sobre seu ombro, abraçando-o também.

-Se é pelo do enterro então irei... –Remus pôde notar que sua voz tremia. –Mas já não te enojes comigo.

-Não estou enojado contigo, Sirius. –Tomou-o queixo para que o olhasse aos olhos. –E não te vou obrigar a ir se não queres. És livre de decidir.

-Então o pensarei.

-Estarei até as nove da manhã em meus aposentos. Se não me encontras aí, quer dizer que me marchei ao enterro. Se vens dantes dessa hora poderemos tomar café da manhã juntos.

-De acordo. Se decido-me aí estarei. –O animago alegrou-se ao saber que seu único amigo não estava molesto com ele. E sem pensá-lo duas vezes o beijou na bochecha, sem soltar seu abraço.

Remus não soube muito bem o que passou. Só esteve consciente que em um momento seu amigo lhe sorria e ao outro o beijava na bochecha. Fechou os olhos enquanto sentia o calor do beijo ainda em sua pele. Apertou mais o abraço em que tinha preso ao animago e roçou seu nariz contra sua bochecha, aspirando seu aroma, ao mesmo tempo em que unia seus lábios aos seus para tocar com macieza.

Foi um beijo ligeiro, fugaz. Sirius abriu seus azuis olhos em genuína surpresa ao mesmo tempo em que Remus separava-se dele, assustado por seu atrevimento. Soltou-o de imediato e antes de que o animago reagisse, tomou um punhado de pós e desapareceu pela lareira.

Sirius ficou parado um instante mais sem terminar de reagir. Quando o fez franziu o cenho enquanto observava o oco por onde o licántropo tinha desaparecido.

-Como pôde fazer isso? –Perguntou-se ao mesmo tempo em que movia a cabeça de um lado a outro, divertido pelas ocorrências de seu melhor amigo. –Nunca em minha vida tinha visto a ninguém desaparecer tão rápido por uma lareira...

hsauhsuahsu**********

Remus cambaleou e caiu sobre o tapete que tapizava sua sala. Levantou-se de imediato e pôs-se em guarda, esperando a chegada de um Sirius Black furioso e disposto a romper-lhe os dentes por ter tido o atrevimento de beija-lo. Sua respiração era agitada e suava profusamente.

"Como pude ser tão estúpido?" Perguntou-se enquanto olhava com firmeza para o fogo, esperando que mudasse de cor de uma hora para outra. E assim foi. O rosto do animago deixou-se transluzir no meio dos verdes fogos.

-Remus? –O licántropo não se atreveu a contestar. –Estás aí? Estás bem?

A última pergunta fez que o homem lobo franzisse o cenho, confundido.

-Queres que vá para lá? –À menção dessas palavras, Remus acercou-se para deixar que sua voz fosse escutada.

-Estou bem, Sirius... –Esperou resposta de seu amigo.

-Ainda bem... –O licántropo não entendia o que passava pela mente do animago. –Desapareceste tão rápido que por um momento pensei que te tinhas evaporado...

Remus quase foi-se de costas ao escutar o riso tão aberto de Sirius. Piscou várias vezes para comprovar que estivesse acordo.

-Remus? Estás-me escutando?

-Eh... sim, Sirius. Estou-te ouvindo. –Se rascou a cabeça, confundido. –Não estás molesto comigo?

-Molesto? Eu? –Remus viu como o rosto do animago se enchia de confusão. –Por que teria de estar molesto contigo?

-Bom... pois porque... –Suspirou. –Pelo de faz uns momentos...

-Faz uns...? A que te referes?

Remus via a cada vez mais difícil chegar no ponto. Mas era necessário sair da dúvida de uma boa vez.

-Refiro-me ao beijo. –Fechou os olhos esperando a explosão de seu amigo.

-Beijo? Que beijo? –Remus abriu grandes seus dourados olhos. –Ah! O beijo!

-...

-Não. Não estou molesto. –Remus sentiu uma grande alegria inundar seu peito. –Não tem nada de mau que dois amigos se dêem um beijo na bochecha. Por que? A ti te molestou?

-Eh... não. Claro que não. –Remus tratou de insistir. –Mas não falo disso.

-Então?

-Falo de... o que passou depois.

-Referes-te a quando se roçaram nossos lábios?

-Sim... isso.

-Ah, não te preocupes. –Remus sacudiu a cabeça, que já começava a lhe doer. O animago continuou falando. –Eu tive a culpa. Suponho que ias a beijar me na bochecha, mas eu me voltei e bom... um acidente qualquer o tem.

"Um acidente..."

-Bom... sim. –Remus sentiu que toda sua alegria se esparramava pelo mesmo tapete que ele provasse momentos antes. –Então... será melhor que me vá descansar.

-De acordo. –Sirius sorriu através dos fogos. –Que descanses. Talvez te veja amanhã cedo.

-Sim... talvez. –O rosto do animago desapareceu, deixando a Remus Lupin com a mesma sensação de um menino que, após ter almejado um doce, se lhe cai da mão antes de poder o provar.

Separou-se da lareira para dirigir a sua habitação, enquanto tirava-se a capa com lentidão, quase como um atomata. Quando entrou se desabou sobre a cama e fechou os olhos enquanto recordava o que para ele tinha sido um beijo.

"Para ele só foi um acidente..." Pensou com tristeza enquanto passava a ponta de seus dedos sobre seus lábios, que ainda guardavam a sensação dos lábios de Sirius. "Como pude ser tão estúpido?".

suahsuaushhaus**********

Eram poucas as pessoas que se encontravam no funeral de Narcisa Malfoy. Enquanto o sacerdote recitava as exéquias no pequeno, mas elegante cemitério da família, podiam ver-se na primeira fileira os rostos de Lucius e Draco. A petição de ambos, Severus também se achava sentado junto a eles.

Albus, Harry, Remus, Minerva e Hagrid encontravam-se na fila de atrás. E por trás deles Sirius, Arthur e Molly Weasley, junto a Ron e Hermione, quem ainda não podiam achar que se encontrassem aí.

Na última fila, Blaise Zabini tratava de conter as lágrimas enquanto via como os ombros de Draco se estremeciam de vez em quando, produto de seus soluços, os quais tratava de dissimular, em vão. Pôde ver como Severus posava por um momento sua mão sobre o ombro do rapaz, tratando de confortar lo. E pensou em quanto tivesse dado por ser ele o dono dessa mão confortadora.

-Estás bem? –Perguntou-lhe Oliver baixinho, enquanto tomava sua mão entre as suas. –Queres que nos vamos?

O castanho negou com a cabeça, incapaz de responder, pois sabia que do fazer não poderia conter as lágrimas por mais tempo. Oliver suspirou enquanto seguia sustentando sua mão entre as suas. E guardou silêncio.

Ao longe, podia ver-se uma fila de elfos domésticos lenços em mãos, chorando a perda de sua ama. Apesar de que Lucius nunca tinha sido um exemplo de paciência à hora dos tratar, Narcisa tinha sabido se ganhar o carinho de todos eles.

O sacerdote cantou os Salmos enquanto os presentes baixavam o rosto em sinal de respeito. Pouco depois o ataúde que continha o corpo de Narcisa foi depositado em sua abóbada e Draco se pôs de pé. Tomou a cadeira de rodas de seu pai e conduziu-o em frente a ela. Ambos arrojaram jasmins, suas flores preferidas enquanto murmuravam seu último adeus.

Quando voltaram a seu lugar, foi o turno de Severus e o resto dos presentes para deixar flores sobre sua tumba já coberta, e apresentar suas condolências aos Malfoy. Foram-se retirando um por um, deixando espaço para que pai e filho pudessem estar sozinhos com ela.

-Achas que ela está bem? –Draco agachou-se e acomodou uma rosa branca que tinha caído ao solo por acidente.

-Está-o, Draco. –O aristocrata suspirou enquanto tomava a mão da única família que lhe ficava. –E nós também o estaremos.

-Prometes-me? –Lucius esboçou um tênue sorriso enquanto apertava a mão de seu filho.

-Prometo-te.

-Senhor Malfoy... –Ambos voltaram ao escutar seu apelido. Mas foi Draco quem franziu o cenho ao ver à pessoa junto a ele. –Permita-me apresentar-lhes meus condolências.

Lucius assentiu com a cabeça enquanto volteava a ver a Draco. Não passou inadvertido para ele o gesto do rapaz.

-Conhecem-se? –Perguntou-lhe enquanto avaliava ao castanho com a mirada.

-Fomos... colegas de Colégio. –Respondeu o loiro.

-Então deixo-os, para que falem. –Afastou-se dantes que Draco pudesse fazer nada para o evitar.

-Que fazes aqui? –Perguntou-lhe com toda a frialdade que pôde reunir. –Não recordo ter dado permissão aos elfos para que te deixassem entrar.

O rapaz estendeu sua mão para obsequiar-lhe uma flor. Draco voltou a mirada para outro lado, desprezando-o.

-Só quero que saibas que... sinto muito o ocorrido e que... se alguma vez precisas-me...

-Não creio te precisar. –Draco voltou-se para ele, seu rosto sereno. –E também não acho que tu me precises. O único que não entendo é como pudeste ter o descaro de trazer a minha casa?

Blaise deu-se conta que Draco estava falando de Oliver, quem nesse momento se encontrava com Harry e Ron, sustentando uma conversa, alheio ao que ocorria a uns metros dele.

-Queria que soubesses que... ele é alguém maravilhoso e... queria que o conhecesses.

-Aonde queres tu chegar com tudo isto? –Perguntou o loiro, molesto pela forma em como falava dele. –Talvez pensas que poderíamos chegar a ser amigos?

O castanho não respondeu. Só suspirou enquanto deixava que Draco seguisse falando.

-Ou talvez pensas que assim poderás seguir com os dois ao mesmo tempo? Pensas que ficarei tranquilo sabendo que nos segues vendo a um a escondidas do outro? Ou talvez...?

Um flash de compressão surcou suas cinzas olhos quando chegou a esse pensamento.

-Achaste que poderia... compartilhar-te com ele e que os três...? –Ante o tênue rubor nas bochechas de seu ex namorado, o loiro terminou de compreender. –Nunca! Ouves-me? Nunca te compartilharei com ele. Nunca o amarei a ele!

Deu-se a meia volta para afastar-se o mais cedo possível. Blaise ficou parado no mesmo lugar, incapaz de reagir ante o desprezo de quem amava com todas suas forças. Viu ao longe que Oliver o buscava com a mirada.

Girou-se para que seu casal não visse as lágrimas que brotavam a torrentes de seus tristes olhos. Baixou a cabeça enquanto deixava que os soluços o afogassem. Entre suas lágrimas atingiu a ver as flores que cobriam a tumba de Narcisa.

Agachou-se com lentidão e depositou com doçura a flor que Draco desprezasse.

-Você sabe quanto o amo... –Murmurou o rapaz entre soluços. –Verdade que sim o sabe?

Uma suave brisa com aroma a jasmins revolveu seus cabelos castanhos. Blaise endereçou-se enquanto secava suas lágrimas. Após despedir com um beijo à mulher que desse a vida a uma das duas pessoas que mais amava, o jovem deu meia volta para refugiar no peito de Oliver, quem já o esperava com os braços abertos.

O moreno abraçou com ternura o corpo soluçante de seu namorado, deixando que suas lágrimas molhassem sua túnica cinza. Sentia-se impotente ao não saber o que lhe ocorria. Mas mesmo assim deixou que Blaise descarregar toda sua dor entre seus braços enquanto buscava a saída da enorme mansão.

hsuahsuhauhs**********

-Então... Isso foi o que ocorreu que não pudeste nos contar?

-Assim é, Hermione.

Harry e seus amigos encontravam-se ainda na mansão dos Malfoy. Após o enterro e por ordens de Lucius, os elfos tinham organizado um almoço e Draco tinha-lhe pedido a Harry que os acompanhassem. Agora estavam sentados em uma pequena mesa para quatro pessoas, no jardim. Os Weasley compartilhavam sua mesa com Sirius e Remus, e a professora McGonagall e Hagrid acompanhavam ao diretor em outra. Severus estava sentado em outra mesa, com Lucius e seu filho.

-Imagino-me que deveu ser difícil para o professor Snape ter que presenciar tudo. –Ron apertou o braço de seu amigo enquanto continuava. –Mas deveu ser pior que tu também o fizesses em teus sonhos.

-Não me recordes, Ron. –O moreno estremeceu-se de pés a cabeça. –A cada vez que me lembro sinto... uma grande raiva por todo o que esses monstros lhes fizeram.

Os rapazes guardaram silêncio. Voltearam para a mesa dos Malfoy, onde Lucius sustentava uma conversa com Severus enquanto Draco se concretava aos escutar. Ainda podia ver em suas cinzas olhos as sequelas do pranto.

-Que achas que vá passar agora que Voldemort pensa que têm morrido? –Hermione fez esta pergunta enquanto olhava a seu amigo.

-Não o sei, Hermione. Mas suponho que o senhor Malfoy quererá vingar a morte de sua esposa.

-Mas... ele não pode usar sua magia. Se delataria ante o Ministério. –O ruivo baixou o volume de sua voz. –Ademais... não poderá se enfrentar a ninguém em cadeira de rodas. Qualquer o venceria com facilidade.

-Não estejas tão seguro, Ron. –Sua noiva interveio. –Não esqueças que é um mago muito poderoso. Uma cadeira de rodas não vai ser obstáculo para que possa lutar.

-Achas que nos apoiará durante a batalha contra tu já sabes...?

-Não tenho nenhuma dúvida, Ron. –Harry suspirou enquanto dirigia sua mirada para a mesa onde seu namorado se encontrava. –Estou seguro que quando chegue o momento, ele será um dos elementos mais importantes na destruição de Voldemort.

Os três rapazes observaram quando Lucius Malfoy se afastou das mesas para o interior de sua mansão. Draco e Severus puseram-se de pé e o loiro dirigiu-se a eles.

-Meu pai e eu lhes agradecemos sua presença. –Os três assentiram às palavras do Slytherin. Hermione pôs-se de pé e deu-lhe um beijo na bochecha.

-Lamentamos muito o ocorrido. E queremos que saibas que se precisas algo, não duvides em recorrer a nós. –O ruivo assentiu às palavras de sua noiva.

-Obrigado, Granger... Weasley.

-Hermione...

-Ron...

-Hermione, Ron. –O loiro assinalou para a mesa dos Weasley. –Se desculpam-me...

Quando o loiro se afastou, Harry e Ron também se levantaram da mesa.

-Acho que acerca-se a hora de partir. –Viram como o loiro dizia algo e Molly o abraçava com ar maternal. Pouco depois eles também se punham de pé.

Enquanto Draco dirigia-se à mesa dos professores, Harry observou como Severus se levantava e caminhava ao interior da mansão.

-Suponho que regressarás a Hogwarts. –Ron viu que os olhos de Harry não se decolaram de seu namorado até que desapareceu por uma das grandes portas.

-Assim é. –Viu a Sirius e ao casal Weasley acercando-se a eles.

-Garotos, é hora de ir-nos. –Os rapazes assentiram e, após dar a Harry um abraço de despedida, partiram por trás dos elfos que os conduziriam para a saída.

-Será melhor que eu também me vá. –Sirius rodeou seu ombro com um braço e caminhou uns metros com ele-. Irei visitar-te seguido.

-Não esperarás a Remus? –Perguntou o rapaz, ao ver que o licántropo permanecia sentado na mesa.

-Disse-me que voltará com os demais. –Encolheu-se de ombros. –Não me agrada a ideia de regressar em companhia de Malfoy e Snivellius.

-Snape. –Harry suspirou tratando de não expressar sua moléstia.

-Sim, sim... Snape. –Abraçou-o com força. –Cuida-te muito.

-Tu também. –O animago separou-se dele e se dispôs a seguir aos demais. O rapaz então dirigiu-se a Remus, quem sorriu quando o viu vir.

-Disse-te que não quis o acompanhar?

-Assim é. –Olhou-o, interrogante. –Estás molesto com ele?

-Não o sei, Harry. –O licántropo respirou com força. –Não sê se estou mais molesto com ele que comigo mesmo.

-Posso saber a razão? –Harry correspondeu ao sinal de despedida que Albus e os demais professores lhes dirigiram. Supôs que mais tarde os veria no Castelo.

-Terás tempo para escutar as penas deste velho licántropo?

-Tenho o tempo todo do mundo para isso, Remus. –Tomou-o da mão. –E tu não és nenhum velho.

hsuahsuhashuah**********

Lucius Malfoy observava a habitação que durante quase vinte anos compartilhasse com sua esposa. A elfinha que se fazia cargo das coisas de Narcisa guardava seus pertences em seu closet e em sua gavetas, para depois fechar com um feitiço. O loiro tinha decidido que não se desfaria de nenhuma delas, e lhe tinha dado a ordem de selar suas gavetas para que ninguém mais pudesse as tocar.

Acercou a cadeira de rodas à enorme cama. As cobertas estavam limpas e colocadas com extremo cuidado, como ela gostava. Levantou a almofada de sua esposa e acercou-a a seu rosto. Sem importar que tivesse fundas novas, seu aroma ainda permanecia nela. Suspirou enquanto absorvia com deleite seu perfume. Fechou os olhos enquanto permitia-se recordar sua última noite com ela. Quando os abriu, viu que a pequena criatura o olhava com seus grandes olhos cheios de lágrimas.

-Amo Lucius, senhor... –O loiro manteve sua mirada azul sobre o pequeno ser. –Agora que a ama Narcisa já não está, Que passará com Eli, senhor?

Lucius franziu o cenho ao recordar que a elfinha tinha sido contratada pela família de sua esposa desde que Narcisa era pequena, e esta tinha decidido a levar a viver à mansão, onde tinha continuado lhe servindo de maneira exclusiva. Não podia a jogar sem mais, Narcisa nunca o tivesse feito, ainda se tratando de qualquer elfo. Muito menos dela.

-Ficarás aqui. Estarás a cargo de supervisionar que os demais elfos façam bem seu trabalho. E sobretudo, que ninguém entre a esta habitação em minha ausência, baixo nenhuma circunstância.

-Assim o farei, amo Lucius.

-Podes retirar-te.

Quanto a elfinha foi-se, Lucius deu-se conta que ainda sustentava a almofada entre suas mãos. Acercou-se de novo à cama para deixar em seu lugar, quando se percebeu de um objeto de cor escuro que permanecia escondido entre os dobras da coberta. Retirou a fina teia com cuidado para descobrir que se tratava da varinha de sua esposa.

Recordou então que a noite em que foram capturados por Voldemort a tinham deixado em suas respectivas cabeceiras, e não tinham tido tempo das tomar para se defender. O loiro rodeou a enorme cama até chegar ao outro extremo da cabeceira e levantou sua própria almofada. Sua varinha também estava aí.

Tomou ambas varinhas e as sustentou no ar uns momentos. Recordou que não devia utilizar a sua ou se delataria. Estava no meio desses pensamentos quando escutou que tocavam à porta.

-Lucius? –A voz de Severus deixou-se escutar do outro lado. –Estás aí?

-Adiante.

Severus entrou na habitação para encontrar a Lucius em frente a sua cama, varinhas em mãos.

-Sabes que não deves a usar, Verdade?

O loiro assentiu enquanto acercava-se a janela. Pôde distinguir que Remus ainda se encontrava no jardim, e que parecia sustentar uma conversa com Harry.

-Pensei que se iriam com os demais. –Severus seguiu a mirada do loiro.

-Tenho ordens de levar ao colégio, em pessoa. –E enquanto acercava-se também a janela. –O que não entendo é Por que Remus não se marchou com eles?

Lucius guardou silêncio. Ele também se acabava de fazer a mesma pergunta.

-Severus...

-Diga-me...

-Alguma vez tens amado a alguém?

A pergunta que o loiro lhe dirigiu. Apesar de ter sido parceiros, jamais se tinham tido a confiança suficiente para falar dessa classe de temas. Supôs que a morte de Narcisa o tinha sensibilizado de alguma maneira.

-Sim... –Respondeu com cautela enquanto seus negros olhos posavam-se no rapaz que conversava com o licántropo no jardim.

-Posso saber a quem?

-Não.

Lucius entendeu com clareza que não lhe ia dizer nada mais, de modo que não insistiu.

-Sabes? Cresci com a firme convicção de que um Malfoy jamais devia expressar seus sentimentos. Meus pais me inculcaram essa crença desde muito pequeno. Suponho que seus pais também o fizeram. De modo que a primeira vez que me dei conta que amava a alguém, preferi guardar silêncio e permiti que minha linhagem se impusesse sobre meus sentimentos.

-E tens mudado de opinião com respeito a isso?

-Jamais deixei de ser um Malfoy. Nem deixarei de sê-lo nunca. –Viu através da janela que Remus e Harry se punham de pé para seguir conversando enquanto admiravam as belas flores do jardim. –Mas... se alguma vez tivesse a oportunidade de dizer a essa pessoa quanto a amei. Quanto a sigo amando... então... não permitiria que meu nome fosse outra vez um obstáculo para poder lhe demonstrar.

Severus franziu o cenho enquanto observava ao loiro. Pela forma em como falava soube que não se estava referindo a sua falecida esposa. Mas então, a quem?

Seguiu a mirada azul do homem junto a ele, e abriu os olhos em franca surpresa ao descobrir a quem observava. Sacudiu a cabeça, negando a essa possibilidade tão absurda.

-Não falas de Narcisa, Verdadeiro?

-Não. –O loiro suspirou enquanto acariciava a varinha que pertencesse a sua esposa. –A ela sempre lhe disse que a amava. E não me arrependo de ter fato.

-É bom escutar isso.

-Tem sido diferente com Draco. Acho que tenho tratado de fazer o mesmo que meu pai fez comigo e que a sua vez meu avô fez com ele.

-Entendo. Mas acho que ainda estás a tempo.

-Assim é. Isso não significa que lhe direi à cada momento. Somos dignos Malfoy.

-É verdadeiro.

-Mas lhe demonstrarei. De vez em quando.

Ambos guardaram silêncio ante a última afirmação do loiro. Severus observou a Harry, quem nesse momento tomava o braço do licántropo e atraía-o para ele para o abraçar. Severus não soube porque, mas não sentiu fitas-cola ante a mostra de afeto de seu namorado para o melhor amigo de seus pais. Ele sentia que confiava nele, porque Harry tinha sabido se ganhar essa confiança.

Também observou que para seu namorado não era difícil expressar seus sentimentos. Tinha vezes em que, estando juntos, Harry não se tinha cansado de lhe dizer que o amava. Ele, em mudança, tinha correspondido a essas palavras de amor com alguns abraços e beijos, mas muito rara vez lhe tinha respondido o mesmo.

Ele não era nenhum Malfoy, mas, ao igual que Lucius, tinha crescido com a ideia de que expressar os sentimentos era uma mostra de debilidade. Seu "querido" pai tinha-se encarregado disso.

-E Draco? –A pergunta do loiro fazer emergir de seus pensamentos.

-Está em sua habitação. Empacando algumas coisas para levar-lhes a Hogwarts. –Afastou-se da janela. –Estás pronto para marchar-nos?

-Não irei com vocês. Ficarei aqui.

Severus franziu o cenho. De alguma forma ou outra, se imaginava uma resposta assim.

-És livre de decidir onde te ficar. –O professor acercou-se à porta-. Só me permite te recordar que Draco regressará a Hogwarts. E enquanto a ameaça de Voldemort siga latente, este lugar é tão seguro como o Caldeirão Furado.

Lucius guardou silêncio. Por um lado Severus tinha razão. Que ia fazer só nessa enorme mansão se Draco não ia estar com ele?

Endireitou-se para poder apreciar, com mais detalhe através da janela, a figura de Remus. Esse simples movimento lhe provocou uma dolorosa pulsada que percorreu toda sua coluna. Fechou os olhos enquanto mordia-se os lábios para não gemer.

-Estás bem? –Severus tinha observado todo e não passou inadvertido o gesto de dor de seu ex parceiro.

-Precisarei começar com meu tratamento o mais cedo possível. –Severus assentiu. –Mas não quero permanecer na enfermaria.

Severus compreendeu a que se referia. Lucius estava dizendo-lhe, muito a sua maneira, que aceitava ficar em Hogwarts.

-Lhe pedirei a Albus que te atribua uma habitação. Não podes te apresentar em San Mungo ainda. De modo que lhe direi a Poppy que te recomende um terapeuta para que comece a te tratar dentro do Castelo. –Abriu a porta enquanto continuava. –Irei por Draco. Te esperaremos no jardim.

-Severus... –O professor voltou-se ao escutar seu nome. –Obrigado.

O professor franziu o cenho, estranhado ante a atitude agradecida do orgulhoso aristocrata. Assentiu ao imaginar o grande esforço que deveu lhe significar mencionar tão humilde palavra.

-Não há de que.

Quando Severus se foi, Lucius mandou a chamar a um elfo para que empacara algumas de seus pertences, incluindo as varinhas de sua esposa e a sua.

Enquanto o elfo fazia o que seu amo lhe ordenava, o loiro permaneceu observando a Remus através da janela. Jamais o admitiria ante ninguém, mas o licántropo tinha sido outra razão muito importante para aceitar ficar em Hogwarts.

Viu que Draco e Severus se lhes uniam no jardim. Ordenou ao elfo levar-lhe a mala e dispôs-se a sair da mansão, não sem dantes dirigir uma última mirada à habitação na que tinha sido feliz os últimos vinte anos.

hsuahusaushuah**********

A luxuosa carruagem aterrissou com elegante lentidão nos terrenos do Colégio de Hogwarts. Draco e Harry foram os primeiros em descer. Ambos esperaram com paciência a que a cadeira de Lucius se posasse sobre solo firme. Remus e Severus baixaram por trás dele.

-Que farás agora? –Perguntou o moreno, enquanto observava a carruagem dos Malfoy ascender e perder no horizonte, onde umas nuvens cinzas anunciavam o cedo arribo de uma tormenta veraneia.

-Nada. Acho que darei uma volta pelas Torres. –O loiro seguiu a mirada do Gryffindor. –Aproveitarei a pouca luz que fica para fazer um pouco de exercício. Queres vir?

-Por suposto. –Ambos rapazes se afastaram dos maiores. –Faremos uma carreira para ver quem chega primeiro à Torre Norte...

-Tenham cuidado... –Remus falou em voz alta para que os garotos o escutassem enquanto se afastavam. –Terá tormenta elétrica.

Os rapazes assentiram às palavras do licántropo. Momentos depois desapareciam pela entrada principal.

-Irei falar com Albus para que te atribua uma habitação. –Severus girou-se para onde os rapazes despareceram. –Alguma parte do castelo que prefiras?

-Que não esteja cerca das masmorras... faz demasiado frio. –Lucius contestou de maneira lacónica enquanto repunha-se da surpresa que lhe causasse que seu filho e Potter se levassem bem.

O professor de poções encolheu-se de ombros, dando as obrigado em seu interior por não o ter de vizinho.

-Irás falar com Poppy sobre o terapeuta? –O loiro assentiu. –Então te verei mais tarde na enfermaria.

Severus encaminhou-se ao interior do Castelo. Remus, quem tinha escutado o intercâmbio de palavras de ambos Slytherin, não pôde evitar a curiosidade.

-Ficarás aqui?

-Assim é. –O loiro fez girar as rodas da cadeira. Uma punzada em suas costas fazer deter-se-. Não poderei me ir de aqui até estar melhor.

-Permites-me? –Remus tomou as abas da cadeira, ao ver que a Lucius lhe custava muito esforço avançar. O loiro deixou-se conduzir ao interior do Castelo.

-Não te molestes em acompanhar até a enfermaria. Poderei chegar sozinho.

-Não é moléstia. –O professor seguiu conduzindo a cadeira, sem fazer caso às palavras do loiro.

Andaram em silêncio alguns metros, até que por um das janelas puderam ver a Harry e Draco, sobrevoando o céu cinza como duas negras e majestosas aves.

-Não sabia que se levassem bem. –Remus compreendeu as palavras do loiro e assentiu.

-Desde faz em vários meses. –Encolheu-se de ombros em um gesto que Lucius não pôde ver. –Tenho entendido que a raiz de um acidente.

-Um acidente? –Lucius franziu o cenho. –Passou-lhe algo a Draco?

-Oh, não. Nada disso. –Remus sorriu, divertido, ante o alarmado tom de seu ex amante. –Em realidade foi ao revés. O inverno passado Harry teve um acidente no Bosque, e Draco salvou sua vida.

-Já vejo... –Lucius guardou um prolongado silêncio ante o relato de Remus. –Então Potter está em dívida com meu filho.

Remus voltou a sorrir ante o tom, agora soberbo, do aristocrata.

-Poderia dizer-se que sim. Molesta-te que eles sejam amigos?

-Não o sei... –O licántropo deixou que o viúvo ordenasse suas ideias. –Em outras circunstâncias estaria furioso. Mas... vendo pelo lado prático, é conveniente que Draco faça boas amizades com ele. Após tudo, é o "menino que viveu".

Remus só moveu a cabeça de um lado a outro. Lucius nunca deixaria de ser um Slytherin.

hsuahushaushuah**********

-Pois por mim não há nenhum inconveniente. Podes eleger entre as habitações dos professores no lado Oeste. Ou as da ala leste. Ainda que não é muito recomendável após a experiência com Draco. E falando de Draco, Que passou com o castigo?

-Não lhe apliquei o castigo por essa infração.

-Achei que já o tinhas feito. –Dumbledore deixou a um lado o livro que lia e se dirigiu a seu amigo. –Pensas aplicar-lhe ainda após tudo o que lhe passou?

-Não o creio. –Suspirou enquanto recordava aquela noite em que o bofeteou. –Já tem passado bastante tempo. Devia fazer no momento.

-Agora que seu pai viverá no Castelo, achas que é conveniente que Draco também se mude a suas habitações?

-Não só é conveniente. Senão também o mais recomendable. –O professor bisbilhotou entre a enorme biblioteca do velho mago. Um antigo livro de poções chamou sua atenção. –Lucius terá muitas dificuldades para desenvolver se sozinho. E duvido muito que lhe peça ajuda aos elfos, já sabes o orgulhoso que é. Draco poderia ajudá-lo estando com ele sem necessidade de que seu pai lhe peça.

-Entendo. –Albus fez-lhe um sinal a Severus de que podia se combinar com o livro que o professor sustentava em sua mão. Severus deixou-o sobre a mesa, aceitando-o. –Sabes que não poderá sair do Castelo, nem sequer para seguir com algum tratamento. Está Lucius consciente disso?

-Assim é. –O professor tomou assento adiante do diretor. –Ficou em que falará com Poppy para que lhe recomende um bom terapeuta. Conhecendo-o não duvido em que buscará ao melhor.

-Não vejo nada de mau em isso. Tem todos os recursos para resolve-lo.

-Efetivamente. –Ambos guardaram silêncio uns momentos. –Só espero que seja o bastante discreto.

-Eu também o espero. Quando lhe dirás a Draco que pode mudar com seu pai?

-Hoje mesmo.

-Bem, nesse caso... –O idoso pôs-se de pé, dando por concluída a reunião. –Elege a habitação que creias conveniente. Trata que seja o bastante cômoda e ampla para que possa manobrar sua cadeira de rodas.

-Acho que tenho a habitação adequada para eles. –Pôs-se de pé e tomou o livro de poções. –Te devolverei depois.

-Podes ficar-te. –O diretor moveu a mão restando-lhe importância. –Tenho outro exemplar na biblioteca de minha habitação.

Severus assentiu enquanto guardava o livro em sua túnica. Dirigiu-se à saída.

-Tenho estado pensando que seria conveniente que seguisses dando aulas de Duelo aos rapazes. –Comentou-lhe o diretor enquanto acompanhava-o à porta. –Assim não estarão ociosos durante o verão. Que te parece a ideia?

-Estou de acordo. Acho que Lucius e Remus também deveriam participar. Ambos são excelentes magos e têm muito que contribuir. Ainda que Lucius não poderá usar sua varinha, conhece muitos feitiços e contra feitiços que estou seguro, serão inestimáveis à hora da batalha.

-Então, que não se diga mais. Falarei com eles o quanto antes. –O idoso palmou o ombro de seu protegido. –Por verdadeiro, Onde estão os rapazes?

-Nas Torres. –Respondeu o professor enquanto esperava a que a enorme porta se abrisse. –Jogando carreiras.

-Já é algo tarde. Acho que deverias ir buscá-los. Está por anoitecer e se mau não lembrança, vi algumas nuvens de tormenta.

Severus franziu o cenho. Ele também acabava de recordar as nuvens, bem como a advertência de Remus. Conhecendo-os era muito provável que ainda seguissem voando. A ambos lhes apaixonava fazer ao grau de deixar que o tempo se lhes fosse sem se dar conta.

-Irei por eles assim que lhe mostre sua habitação a Lucius. Te verei mais tarde.

Severus saiu da direção para encaminhar à enfermaria. E enquanto pensava na habitação que tinha decidido lhe atribuir a Lucius, deixou que de seus lábios escapasse um travessa sorriso.

hsuahushauhshush**********

O elfo doméstico que Lucius tinha mandado chamar, se encontrava ordenando todas suas coisas no closet da habitação que Severus lhe atribuísse. Acabava de regressar da enfermaria, após falar com Poppy.

Esta lhe tinha dito que falaria com o melhor terapeuta, e que não tinha nenhum problema em que se mudasse a suas habitações, desde que as terapias as recebesse na enfermaria.

Quando o loiro lhe questionou sobre a razão, ela se concretou a lhe responder que na enfermaria dispunham de todos os aparelhos que precisaria e que, enquanto estivesse no Castelo, sua recuperação estava baixo sua responsabilidade. Portanto, desde o momento em que começasse com as terapias, até a hora em que voltasse a suas habitações, sempre estariam presentes ela ou seu auxiliar para atender qualquer complicação que pudesse se apresentar.

Não muito contente com a disposição da enorme enfermeira, e vendo que ainda após tantos anos ainda seguia o tratando como a um menino, o loiro se tinha armado de grande paciência e com uma mirada cheia de superioridade tinha saído da enfermaria com toda a elegância que sua mermada dignidade lhe tinha permitido.

Dignidade que desapareceu por completo quando se deu conta que Severus tinha escutado sua conversa e o olhava com um flash indecifrável em seus negros olhos. Não pronunciou palavra alguma durante o trajeto da enfermaria para sua nova habitação, a risco de receber algum sarcasmo por parte de seu ex parceiro. E em mudança, tinha-se limitado a assentir quando Severus lhe entregou a finque primeiramente.

E agora se encontrava só nessa enorme habitação. O elfo tinha-se marchado e então pôde-se tomar o tempo para examiná-la com atenção.

Não chegava nem à metade do tamanho de qualquer das habitações de sua mansão. Mas tinha que reconhecer que era um lugar bastante acolhedor. Tinha uma grande lareira em cujo canto de pedra esculpida podiam se apreciar gotas de ámbar incrustadas. Lucius observou-as detidamente e não pôde evitar comparar a cor e a forma das pedras com os olhos de Remus.

Acercou-se à lareira e pôde advertir que alguns fogos atingiam a tocar algumas dessas pedras, desprendendo um incomparável aroma a coníferas que o relaxou no instante. Suspirou para absorver a agradável fragrância enquanto seguia observando a habitação.

Em frente à lareira tinha uma ampla sala de pele de cor café escuro, que contrastava com um fino tapete de cor marfim. Lucius passou uma mão pela suave superfície de pele, advertindo sua extrema finura.

Seguiu observando por um momento mais a decoração da enorme sala, cujas paredes deixavam mostrar quadros de famosos pintores Renascentistas. Assomou-se a janela. Afora começava a escurecer e atingiu a ver que o céu estava coberto de negras nuvens. Supôs que choveria de uma hora para outra.

-Remus tinha razão... –Murmurou enquanto observava ao longe alguns raios que começavam a surcar o céu. –Terá tormenta elétrica.

Percorreu um longo corredor que supôs ligava às habitações interiores. Estava forrado por livreiros que o cobriam de andar a teto, repletos de livros de diferentes tamanhos e temas. Lucius pensou que poderia passar o resto de sua vida nesse lugar, e não terminaria de folhear tantos livros.

-Ao menos não me aborrecerei. –Disse-se enquanto abria a porta de uma habitação.

Após examinar o que decidiu seria o quarto de Draco, e que portanto seu filho teria que redecora-la se não estava conforme, decidiu entrar à que seria seu quarto.

Ficou conforme com ela. Era tão elegante e acolhedora como o mesmo salão. Mas o que mais gostou foi que tinha uma lareira de igual à que alumiava a sala. E quadros da mesma época Renascentista. Após examinar por um momento decidiu que eram originais. Perguntou-se quanto valeriam no mercado Muggle.

Uma intensa luz seguida de um trovão sacou-o de seus pensamentos. Assomou-se pela enorme janela de sua habitação, para observar que tinha começado a chover. As negras nuvens cobriam por completo o céu. O entardecer morria para deixar passo à escuridão da noite.

Atingiu a vislumbrar ao longe uns objetos que se moviam à altura das Torres. Franziu o cenho, preocupado, ao descobrir que se tratava de seu filho e de Potter.

-Estão loucos? –bufou enquanto via aos rapazes descer em picada para um ponto em particular. Enfocou sua vista para o lugar onde se dirigiam e atingiu a ver a Severus. Sua negra túnica movia-se com violência pelo vento proveniente do norte. O homem parecia bastante molesto dada a forma em como movia os braços com impulso.

-Ganharam-se uma boa reprimenda. –Murmurou enquanto seguia observando a um furioso Severus. Um intenso raio o cegou por um instante. Abriu os olhos ao mesmo tempo que escutava o trovão que o acompanhava. Dirigiu de novo sua vista para Severus, e viu que este corria com desespero para um dos rapazes.

Franziu o cenho enquanto seguia a trajetória da carreira de Severus, para sentir como seu coração se paralisava ao ver a um dos rapazes tendidos no frio solo do pátio onde se supunha desceriam a salvo.

O loiro permaneceu uns segundos sem poder reagir à visão ante ele. Quando Severus se agachou para o rapaz caído, pôde ver ao redor dele o que pareciam ser os restos ardentes de uma vassoura, e então o compreendeu tudo. Com o coração encolhido, e sem importar a terrível dor que lhe causava a suas costas, o loiro deu meia volta sobre sua cadeira e saiu o mais rápido que pôde de seus aposentos.

Afora e no meio da chuva, um jovem permanecia parado sem poder reagir, ao mesmo tempo em que observava como Severus tratava de reanimar o corpo do outro rapaz, sem vida entre seus braços após ter sido atingido pelo raio.

Continuará...

Próximo capítulo: Se não existisse uma amanhã.

Notas:

Quero agradecer a todos por seus reviews, e por seguir lendo esta história

Besitos.

Rebeca (K. Kinomoto)

Nota tradutor:

Nossa quem será que ficou sem vida? Me deixou de coração partido agora!

Quero reviews!