7VERSE : REALIDADE 5

EPILOGO VIDA 5: SOBREVIVENDO AO INFERNO

CAPÍTULO 11

AFASTANDO A ESCURIDÃO

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LOS ANGELES

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– Oi, Sam!

– Você é a ..

– Sou eu, Sam. Ruby. Estou de volta. E aí? Gostou da minha nova aparência? Confessa que prefere as morenas.

– O corpo que está ocupando ..

– É de uma garota que morreu de choque anafilático. Genevieve Cortese, uma professora. Juro que não tive nenhuma responsabilidade por essa morte. Eu só tive que ter paciência e esperar. Sabia que mais cedo ou mais tarde ia aparecer um corpo adequado. Alguém que agradasse você. Que fosse o seu tipo. Você pode investigar se não acredita em mim.

– Eu vou. Pode ter certeza.

– Sabe, às vezes demônios falam a verdade. Eu, pelo menos, falo. Para você, Sam, eu sempre disse a verdade. Eu soube do que aconteceu com o Adam. E soube também que o Inferno está em festa. Todo mundo querendo tirar uma casquinha. Ele não vai ter uma vida fácil lá embaixo. Bem, vida é forma de dizer, mas você me entendeu.

– Eu vou tirar ele de lá.

– Nenhum demônio de encruzilhada vai querer bater de frente com Alastair. Mas, mesmo que algum aceitasse, um pacto só vai levar você mais cedo para junto dele.

– Eu tenho o sangue do Azazel correndo nas veias. Quando morrer, eu vou para o Inferno não importa o que faça. Com o Adam pode ser diferente. Ele não merecia estar lá. Eu vou libertá-lo e, quando chegar a hora dele, a verdadeira hora dele, pode ser diferente. O destino dele pode ser outro.

– Querido, a hora dele já aconteceu. Não tem volta. E, sem seu irmão, você vai precisar de mim mais do que nunca. Eu posso tornar você mais forte, Sam. Forte o bastante para enfrentar a Lilith. Ela é a inimiga. Nossa grande inimiga. Foi ela quem atiçou os Cães do Inferno contra Adam. Não quer a sua vingança? Eu quero. Ela fez questão de me torturar pessoalmente quando me enviou de volta para o Inferno.

– Como fez para sair de lá novamente? Se você pode, talvez o Adam ..

– Sam, para o Adam sair de lá da forma como eu saí, ele teria que ser transformado em um demônio. Não é impossível, é claro. Eu própria já fui humana. Mas, não é fácil e não é rápido. Não menos que um século no tempo da Terra e isso para quem tem vocação.

– Mas, existem outras entradas, não existem? Mitos gregos falam de homens que entraram vivos no Inferno e saíram vivos de lá. Teseu. Hércules.

– Eles mal passaram das antecâmaras do Inferno. Os gregos não conheciam a culpa e, portanto, não se autocondenavam ao Inferno. O Hades grego não é o Inferno cristão. São administrações diferentes, digamos assim.

– Mas, sabe se estão ligados? Do Hades pode-se chegar ao Inferno?

– Não sei dizer. Só acho que, se essa rota existisse e se fosse fácil entrar e sair, o Inferno já estaria vazio há muito tempo.

Sam suspira desanimado.

– Acha que temos alguma chance? Quero dizer, contra Lilith.

– Com a minha ajuda, sim. E com a ajuda disto aqui.

– A faca! Você a recuperou.

– Sim, a faca capaz de acabar com a existência de qualquer demônio. Matá-los definitivamente. Pegue. Vai precisar dela.

– Vou mesmo.

Num movimento rápido, Sam gira o corpo e crava a faca no pescoço de Ruby, que exibe um olhar espantado antes de explodir em chamas e desaparecer para sempre.

– Samuel Winchester podia ser ingênuo o bastante para acreditar em você, vaca do inferno. Eu não sou. Por sorte eu estava aqui para não deixar ele fazer mais essa burrada. Eu e meus amigos vamos abortar o plano dos arcanjos de trazer o Apocalipse.

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Fora mais cedo que imaginara e mais demorado que gostaria. Não estava mais acostumado a ficar hospedado em hotéis de quinta. Felizmente acabara. Já podia voltar a ser ele próprio. Lars Necker, o nyx, volta a assumir sua própria aparência, deixa o quarto de hotel barato onde Sam estivera hospedado, pega seu esportivo de luxo e volta para seu próprio apartamento de andar inteiro com vista para o mar em Santa Monica. Sua missão estava cumprida. Além disso, tinha um bom motivo para voltar pra casa. Sorriu ao lembrar do belo homem que dormia em sua cama.

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INFERNO

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– Onde ele está, Crowley? Por favor, me diga onde está o Sam.

– Como eu poderia me negar a atender um pedido tão educado? O Sam está entretendo alguns amigos meus. Gente muito importante. Bem, não exatamente GENTE. Mas IMPORTANTES eles são, sem dúvida alguma. Seu irmão está sendo muito requisitado. Isso não me surpreende. Eu próprio tive uma pequena amostra destas .. deliciosas habilidades dele. Parece que ele nasceu com o dom. Ele sabe agradar um homem. E outros tipos de criaturas também.

– Crowley, eu fico no lugar dele. Liberte o Sam.

– Adam, se você faz mesmo questão eu posso providenciar para que você também entretenha meus amigos. Mas, libertar o Sam está completamente fora de cogitação. Seria um desperdício de talento. Ele é realmente fora de série. Além do mais, é fácil ver que ele GOSTA do que está fazendo. Ninguém fingiria tão bem. Se duvida de mim, pode ver com seus próprios olhos. É isso. Assim você fica mais tranquilo. Vou levar você para ver o Sam .. em ação.

– Não. Por favor, NÃO.

– Agora sou eu quem faz questão, Adam. Você VEM comigo. Vocês dois, tragam ele.

Adam é arrastado por intermináveis corredores cheios de portas de onde escapam sons que ele decididamente não gostaria de saber quem está produzindo e por qual motivo.

– Ali. Está vendo? Veja como ele está gostando. Ele está em êxtase.

A cena deixa Adam paralisado. O horror impede qualquer reação. Sua mente se esvazia. Ele fica ali imóvel, as lágrimas escorrendo sem que se dê conta. Como se a negação dos fatos pudesse mudar a realidade. A realidade que quem está ali na sua frente, totalmente entregue a algo que .. que ..

– Não, Sam. NÃO. NãÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃão.

Adam não consegue evitar que seu estômago se revire à visão daquela cena repugnante e expulse um conteúdo que ele tinha certeza não ter ingerido.

Todo o seu sacrifício fora em vão. Não pudera proteger Sam. Entendia agora que nunca tivera nenhuma chance de salvá-lo. Nem a si próprio.

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IDAION ANTRON

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Kälï fora pega de surpresa pelo avanço da escuridão. A escuridão que logo a envolveria não era simplesmente ausência de luz. Kälï manifestava-se naquele momento como chama, mas a luz que irradiava não atravessava a fronteira escura que vinha em sua direção, da mesma forma como não atravessava as paredes de pedra da caverna.

Ao ser envolvida pela escuridão, Kälï sentiu sua vontade sendo drenada e sua energia sendo absorvida. Sua forma contraiu-se, até estar reduzida a um ponto. Um ponto que pulsava com cada vez menos intensidade.

Aquela escuridão alimentava-se não apenas de luz, mas também de calor, de emoções, de pensamentos, de força vital. Como um buraco negro, a escuridão absorvia energia em todas as suas formas.

A primeira coisa a fazer era reconhecer a natureza do ataque. Aquilo que se apresentava como escuridão tinha natureza espiritual. Era uma alma humana corrompida além de qualquer esperança de salvação. Uma alma antiga, envenenada por uma dor que o tempo só fizera aumentar. Nela se instalara um vazio que nunca poderia ser preenchido. Uma fome que não podia ser aplacada. Um mal que não conhecia limites.

A alma corrompida acreditava que sofria a dor de um amor traído. Mas, não. Aquela alma não sofria por amor. Aquela alma nunca conhecera este sentimento. Houve vertigem. Houve exacerbação dos sentidos. Houve êxtase. Houve desejo de posse. Houve obsessão. Houve e continuou havendo. A obsessão não é um círculo. É uma espiral que cresce sem limites. Que exige sempre mais. Que não se satisfaz nunca.

Foi intenso, mas nunca foi amor.

Aquela alma inexperiente chamou de amor algo que sempre foi apenas uma doença da alma.

A doença que nascera na mente daquela menina apoderara-se de seus sentidos, pensamentos e emoções. Estava ali, à espreita, à espera DELE. Daquele que seria para sempre o centro do seu universo.

Ela o seguiria de forma obsessiva aonde quer que ele estivesse. Ela destruiria qualquer um que se pudesse entre eles. O seguiria até o Inferno. E era literalmente isso o que ela estava fazendo naquele momento. Ela seguiria Iάσων até o Inferno.

Kälï deu-se conta que o ataque não era dirigido somente contra ela. A escuridão também estava drenando calor dos corpos físicos dos argonautas. O frio intenso já queimava suas peles e acabaria por congelar-lhes o sangue nas artérias. Eles não sobreviveriam muito tempo.

Gabriel. Seu receptáculo humano seria o primeiro a morrer. Não. Isso ela não ia permitir. A bruxa não ia vencê-la. Por mais poderosa que fosse, a bruxa ainda era apenas humana.

Kälï era uma deusa, a mais poderosa de seu panteão, a própria personificação da natureza em seu eterno ciclo de vida e morte. Kälï trazia a vida através do sexo, assim como também trazia a morte. Mas, a morte não é o fim. Os seguidores de Kälï acreditam na reencarnação. Seus seguidores não vagam como eternos sonâmbulos numa dimensão morta. Eles vivem novas vidas nas ruas e estradas do mundo. Para eles, a morte é apenas o início de um novo ciclo. A morte é um novo começo.

Kälï é chamada de Deusa da Destruição, mas os ocidentais nunca traduziram adequadamente o real significado da sua figura, tida como demoníaca, e a origem do seu epíteto. Kälï não representa o Mal, representa a destruição do Mal. E, assim como destruíra o demônio Raktabija, ela também destruiria a feiticeira Μηδεια, que agora chamava a si mesma de Nathalie Helms.

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A ira inflama Kälï e sua chama mais uma vez resplandece. O fogo cresce e faz recuar a escuridão. Kälï ataca, mas seu ataque devastador poderia ser interpretado facilmente como um presente. Por qualquer um que não fosse Nathalie Helms.

O vazio escuro e gelado da alma de Nathalie Helms é preenchido por uma sensação totalmente nova. O ardor do sexo quando temperado pelo amor e por tudo aquilo que ele representa: comunhão de corpos e almas, celebração da vida, promessa de geração de uma nova vida, entrega total sem medo nem hesitação e elemento reforçador de todo amor verdadeiro. Algo sublime que ela nunca conheceu e que, agora que conhece, sabe que não pode mais viver sem. Algo inestimável que lhe é mostrado e depois subitamente negado. A bruxa grita em silêncio a sua perplexidade. Foi como ser despertada do mais belo dos sonhos por um balde de água fria e saber que a lembrança do que perdeu vai deixá-la para sempre incompleta.

À alma sombria não resta alternativa senão fugir através do portal no teto da caverna, onde Kälï não podia segui-la sem declarar guerra a Hades, o deus grego do submundo.

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UM ROSTO PARA LARS NECKER:

Os leitores habituais da fic devem lembrar-se da versão da realidade 6 de Lars Necker, o nyx (merman) que personificava Jay Padalecki. Sabemos que Necker da realidade 5 é um top model internacional, muito alto, de traços perfeitos e sorriso encantador. Para o papel, escalei o ator Armie Hammer, o protagonista de Lone Ranger (Cavaleiro Solitário).


08.12.2014