Capítulo XIII
~A catedral das Rosas~
Sakura vai de patins até a mansão Daidouji, onde Tomoyo a aguardava ansiosamente…
Depois que deixou Syaoran no hotel, Sakura patinou até a Mansão Daidouji. Não era tão longe do hotel e não se cansou no meio do caminho. Aproveitou para curtir um pouco a brisa da tarde, as flores de pêssego que cresciam no verão e uma das coisas mais legais que tinha pelo caminho: um canteiro de rosas. Foi Tomoyo quem tinha plantado o canteiro, a jovem estilista tinha plantado algumas espécies que tinham no seu jardim pra revitalizar o canteiro, que perdeu todas as flores por conta de uma praga. Rosas são difíceis de criar, precisam de clima frio, pouca água e podas anuais, de trimestres em trimestres. Algumas espécies demoram quase um ano para ficarem prontas e bem maduras, e quando vendidas e podadas duram menos que uma semana no jarro! Pelo menos existem diversas espécies delas espalhadas pelo mundo. Sakura lembrou-se de estar em uma igreja, templo ou jardim. Se lembrou também de um sonho que tinha sonhado com a amiga, as duas em um jardim, cercadas de cerejeiras, rosas, cravos silvestres e outras plantas, as duas estavam alegres, pensando apenas em dançar:
– Vamos Sakura, as rosas nos esperam, as flores nos esperam! – Dizia Tomoyo no sonho.
– Ai, ai, ai, como eu tou feliz Tomoyo! – Dizia Sakura no sonho.
As duas dançavam no mesmo ritmo da queda das pétalas. Tudo ficou bem, em um turbilhão de alegria e felicidade. Sakura ficou hanyan/ai ai ai só de lembrar do sonho, ver o jardim e visitar a amiga que tanto amava:
– Como eu tou feliz hoje, não sei porque mas uma coisa dentro de mim diz que o melhor ainda está por vir.
Sakura aperta o passo com os patins e logo, logo chega na mansão. Tomoyo a esperava na frente dos portões, sentada no meio-fio. Um sorriso enorme saiu espontaneamente do lábio das duas, como se o céu estivesse abrindo especialmente para elas naquela tarde:
– Boa tarde Tomoyo! – Sakura puxa a amiga do meio-fio, segura os dois braços dela e começa a rodar com ela na calçada.
– Boa tarde Sakura! Eu vou ficar tonta sabia? – Tomoyo fecha os olhos e começa a gargalhar.
– Eu não tou nem aí não, quem manda me esperar no meio-fio sabendo que eu tou cheinha de felicidade pra gastar! – Sakura solta Tomoyo – você foi a culpada Tomoyo, agora vou ter que gastar com você! – Sakura começa a fazer cócegas em Tomoyo.
– Sakura, para vai, aqui na rua não, lá dentro de casa, hehehehe! – Diz Tomoyo no raro momento que Sakura deixou a amiga respirar.
Sakura continua fazendo cócegas na amiga e depois para:
– Então tá bom Tomoyo! Vamos lá dentro pra gente conversar! Eu tenho um montão de coisas pra falar com você! E nem sei por onde começar.
– Sakura eu fiz um bolo de morango, tá tão bom que eu reservei metade dele só pro Kero.
– Metade dele! O Kero vai engordar desse jeito!
– Sakura, na outra vez que ele esteve aqui ele comeu dois bolos inteiros!
– Hoeeee! Ele não me contou isso não! Ah ele me paga quando eu chegar em casa! – Sakura fecha os punhos.
– Sakura fica calma, vamos entrar porque o dia hoje é só alegria!
– Vamos lá Tomoyo! Só alegria hoje, outro dia eu me acerto com o Kero-chan!
As duas sorriem. Sakura faz uma alça com o braço e Tomoyo coloca o braço, sendo conduzida por Sakura até o interior da mansão.
Nesse dia quente de verão Sakura usava suas habituais bermudas curtas que mal cobriam a coxa, de cor marrom; uma camiseta polo de mangas curtas que não cobriam o braço direito de cor amarela e seu boné vermelho. Tomoyo usava um vestidinho rosa, cheio de lacinhos e babados, só que mais leve do que os outros que usava nos dias de verão, com botões e mangas bufantes e curtas.
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Na cozinha:
– E então Sakura, o que achou do meu bolo de morango com raspinhas de laranja?
– Tá uma delícia Tomoyo! – Sakura mastiga e engole um pedaço. – Foi você mesma quem fez? – Falando mastigando.
– Claro que sim Sakura, eu fiz pensando em você, e fiz pensando no Kero-chan também, espero que vocês gostem…
– Especialmente pra mim é? – Sakura fica com as bochechas vermelhas, fecha os olhos e segura a bochecha com as duas mãos – Eu tou adorando! Tou até com vontade de comer o bolo inteirinho e não deixar pedacinho nenhum pro Kero… – Sakura come e mastiga outro pedaço – Só pra ele aprender a deixar de ser comilão…
Tomoyo senta na frente de Sakura, fechando os olhos um pouquinho e apoiando o queixo com as mãos:
– Sabe Sakura, tem horas que você se parece com uma mostrenga mesmo! Hehehe! – Tomoyo acaricia os cabelos de Sakura.
– Quem que você tá chamando de mostrenga? – Sakura engole seco um pedaço de bolo. – Puxa Tomoyo-chan, você é minha melhor amiga, vacilo isso viu. – Sakura faz uma carinha triste.
– Não fica assim não Sakura. – Tomoyo faz carinho na bochecha de Sakura. – Você é muito linda pra ser uma mostrenga como o seu irmão fala…
– Tomoyo-chan, você me deixa envergonhada falando isso. – Sakura fica vermelha e distraída, deixando um pedaço de chantili escorregar pela boca. – Tou me lambuzando todinha!
– Toma aqui Sakura. – Tomoyo pega um lencinho e começa a limpar a boca de Sakura.
– Não me deixa mais envergonhada Tomoyo-chan, eu mesma podia me limpar… – Diz Sakura com as bochechas vermelhas de tanta vergonha.
– Que nada Sakura. – Tomoyo limpa os ombros e o peito de Sakura. – Eu gosto de te limpar; sabia que você fica linda lambuzada envergonhada desse jeito! Eu vou te filmar Sakura! Hehehe! – Tomoyo pega a sua câmera digital.
– Você não larga ela por nada não é? – Sakura pega um pouco de chantili do bolo e passa na cara de Tomoyo. – Agora nós duas estamos lambuzadas! Eh, eu acho que você vai ter que se filmar Tomoyo! – Sakura mostra a língua pra amiga.
– Sakura sua malvada. – Tomoyo fecha os olhos. – Mas eu sei de uma coisa que você não sabe Sakura… – Tomoyo coloca a câmera em cima da mesa e dá um olhar malicioso para Sakura.
– Hoe? O que você tá aprontando Tomoyo-chan? – Disse Sakura curiosa e temerosa com a brincadeira que Tomoyo estava armando para cima dela.
– Eu sei onde fica a lata de chantili Sakura! – Tomoyo abre o armário e pega a lata para jogar em Sakura. – Você vai ficar toda lambuzada Sakura. – Tomoyo agita a lata.
– Não vou não Tomoyo-chan, você também vai! – Sakura se levanta da mesa, corre e agarra as mãos de Tomoyo.
As duas ficam sorrindo e disputando para ver quem abriria a lata de chantili na cara da outra. Sakura vence a disputa e suja a cara de Tomoyo, mas rapidamente Tomoyo recupera a lata em meio das risadas de Sakura. As duas ficam jogando chantili uma na outra até que a lata acaba. Como o chantili não era grudento e pegajoso, as duas se limparam facilmente com toalhas. Não tinha muito chantili na lata também:
– Tomoyo-chan, depois sou eu que sou a malvada! Você me lambuzou todinha Tomoyo só pra se aproveitar de mim! – Diz Sakura se limpando.
– Sakura-chan, a câmera filmou tudinho, ouviu? Você ficou deliciosa Sakura!
– Ai, ai, ai, ai, ai, você não vai mostrar isso pra ninguém não é?
– Só se você quiser que eu mostre… que nem aquela foto sua segurando o rei Pinguim! – Tomoyo sorri.
– Você ainda tem isso com você? – Sakura faz cara de preocupada.
– Tenho sim Sakura, e vou ter ele sempre comigo, vou ter também todos os vídeos e todas as roupas que eu fiz pra você, vai ficar eternamente nos caixotes do sótão!
– Você não tem jeito mesmo não é? – Sakura estreita os olhos pra Tomoyo e segura os seus dos braços. – Acho que vou te dar um ataque de cócegas de novo!
– De novo não Sakura, vamos pro jardim, a gente ainda tem muita coisa pra conversar. – Tomoyo arregala os olhos, gargalhando e sentindo as cócegas com antecipação.
– Só por causa disso, esse "dinossauro" aqui vai te poupar. Mas fica sabendo que esse "dinossauro" aqui é sem jeito e não teve educação direito, portanto eu vou te encher de cócegas!
– Isso se você me pegar Sakura! – Tomoyo corre até os jardins da mansão.
– Ei não é justo Tomoyo! Volta aqui! Eu ainda nem terminei de tomar o chá! – Diz Sakura, com um tom de voz crescente, engolindo o copo de chá.
– Traz ele aqui Sakura! – Grita Tomoyo do jardim.
Sakura toma o que falta do gole de chá, agradece e parte pro jardim.
No jardim, depois de uns goles de chá verde, sentadas no pé de uma árvore estão Sakura e Tomoyo; Sakura estava sentada no pé da árvore e Tomoyo estava deitada no seu colo. Sakura fazia carinho no cabelo e na cabeça de Tomoyo, Tomoyo fechava os olhos, gostando do carinho, e as duas continuaram conversando, colocando o assunto da manhã em dia:
– Você só deu um selinho nele Sakura?
– Sim Tomoyo, se eu me atrevesse a beijar ele de verdade, na frente do hotel inteirinho ele teria um piripaque daqueles Tomoyo!
– Eu sabia Sakura, eu sabia que ele nunca iria beijar você.
– Como assim Tomoyo? Você já me disse isso no hospital e eu fiquei curiosa, a gente nem terminou aquela conversa direito… me conta tudinho, tintim por tintim porque a senhorita disse isso hein?
– É simples Sakura, ele simplesmente não está preparado pra você!
– Hoe? – Tomoyo sai do colo de Sakura e põe a cabeça no ombro da cardcaptor. Tomoyo segura as mãos de Sakura e fica acariciando elas:
– Se lembra no ano passado quando a gente capturou a carta vácuo? Ele não ia aparecer Sakura, fui eu e a Meiling que empurraram ele pra cá?
– Como assim Tomoyo?
– Sakura, eu odeio ver você triste, você ficava triste com aquela história toda de não ter falado pra ele a sua resposta pra pergunta dele, você deu aquele ursinho pra ele no ônibus em movimento… é frustrante te ver triste Sakura!
– Então ele não ia vir é?
– Claro que não Sakura! Ele ia ficar em Hong Kong a vida inteira e não ia te falar nada! Eu e a Meiling forçamos várias situações juntas pra você falar pra ele os seus sentimentos e dar a resposta pra ele…
Sakura faz uma cara de tristeza e decepção, soltando uma lágrima na beirada dos olhos.
– Fica assim não Sakura, eu não gosto de te ver triste. – Tomoyo se levanta e puxa Sakura junto. – Sakura ele gosta de você… – Tomoyo limpa a lágrima de Sakura com a mão.
– Eu me pergunto Tomoyo se ele me ama de verdade, se ele gosta de mim mesmo como ele fala; ai, ai Tomoyo, isso é frustrante viu? – Sakura abraça a amiga. – Não saber se uma pessoa gosta da gente de verdade… achar que só tá brincando com a gente, com o nosso coração…
– Sakura, achar a gente vai achar pra sempre; já leu o Ramayama? Até o final do livro o pobre Rama desconfia da esposa, ele só se redime quando ela morre; até mandar pra longe ele manda a esposa dele… pobre Sati!
– Tomoyo, eu tenho medo de isso acontecer comigo sabia? – Sakura começa a chorar no ombro da amiga. – Imagina se ele não volta e eu fico segurando vela que nem besta esperando por ele! Hoeeee!
– Sakura, tem muita gente que te ama… – Tomoyo faz carinho na cabeça de Sakura. – Você nem faz ideia do quanto… não vai ficar segurando vela não…
– Tem certeza disso Tomoyo?
– Sakura. – Tomoyo segura a cintura de Sakura e olha ela fixamente, com os olhos estreitos e a bochecha rosada. – Acho que é você quem está frustrada com isso tudo, por não ter beijado, ser a única da turma a não fazer isso; A Rika, já beijou, a Chiharu já beijou… só a gente não beijou ainda… a gente tá perdendo até pra Naoko, Sakura! – Tomoyo faz carinho na bochecha de Sakura, deixando ela vermelha.
– Perder pra Naoko é dose mesmo! Eu tou muito frustrada Tomoyo, muito mesmo! – Sakura enxuga o resto de lágrimas com as mãos. – A parte do ombro foi duro mesmo!
– Ela tava afobado Sakura, acho que seria o pior beijo da sua vida!
– Eu concordo com você Tomoyo. – Sakura, inconscientemente, coloca as mãos nos ombros de Tomoyo. – Seria o pior da minha vida! Eu não tenho certeza nem se ele vai voltar mais!
– Não fica assim Sakura. – Tomoyo agarra firme a cintura de Sakura e encosta a cintura dela na sua – Voltar talvez ele volte, mas de uma coisa eu tenho certeza. – Tomoyo se aproxima do rosto de Sakura. O coração das duas batiam a mais de cem com toda certeza. Sakura, involuntariamente, coloca as mãos nas bochechas de Tomoyo, tentando afastar um pouco a amiga.
– Do… do que você tem certeza Tomoyo? – Diz Sakura, gaguejando.
– Eu gosto muito de você Sakura pra permitir que alguém te faça triste!
Tomoyo prende a cintura de Sakura com as mãos, Sakura abre a boca com a reação de Tomoyo, Tomoyo se aproveita da situação e beija (Sim) beija Sakura e Sakura corresponde depois do susto, segurando no pescoço da amiga, puxando ela para si, fechando os olhinhos verdes. Um beijo mais profundo do que um selinho, os lábios das duas se mexiam, sugando uma do pulmão da outra o pouco de fôlego que ainda havia, fazendo seus narizes trabalharem. Inevitavelmente as línguas das duas interagiam entre si e separaram os lábios por instantes de tempo. Depois os lábios se uniram novamente e se mexeram por mais um tempo. Depois de uns cinco minutos de beijo, as duas se cansaram um pouco e os lábios pararam, apenas restando aquela sensação de repouso de fim de beijo, onde nenhum dos lábios queriam se desgrudar um do outro. Sentindo a presença de Sonomi, Sakura termina o beijo e tenta tomar um pouco de ar, sentando-se no chão do jardim, cansada e chocada com o que havia feito com Tomoyo, sem entender o que tinha acontecido direito. Tomoyo apenas sorria como sempre, com a boca aberta e os olhos roxos bem vivos e cheios de malícia que não se desgrudavam de Sakura um instante; por dentro Tomoyo sentia que tinha ganhado o primeiro prêmio da loteria, a liga dos campeões da Europa, o primeiro lugar da corrida, a medalha de ouro, a copa do mundo, o triplete (e qualquer título que você, meu caro leitor, estiver imaginando!), Sakura sentia que tinha mergulhado em uma dimensão que não queria estar, mas que gostou muito de visitar:
– To… Tomoyo-chan… o que.. o que é que aconteceu? – Diz Sakura, gaguejante
– Ora Sakura, a gente beijou! – Diz Tomoyo, fechando os olhos e sorrindo pra amiga.
– Eu não tou acreditando Tomoyo… VOCÊ me beijou? – Diz Sakura, com os olhos arregalados
– Sim Sakura, fui eu, não está acreditando? – Tomoyo se agacha e olha para Sakura sentada no chão. Sakura faz um aceno de negação com a boca, deixando ela bem aberta.
– Então eu vou ter que fazer você acreditar Sakura! – Tomoyo empurra Sakura para trás, deitando a amiga na grama do jardim. Tomoyo se deita (sim) se deita em cima de Sakura e rouba outro beijo da cardcaptor. Sakura tenta resistir, tenta tirar Tomoyo de cima de si, mas não consegue, afinal, tava tão bom sentir tudo aquilo que não custava ficar mais um "pouquinho" apreciando aquele sorvete de gosto especial sabor Tomoyo. E como Tomoyo beijava bem, nem dava pra acreditar! O seu primeiro beijo havia sido um golaço daqueles… e com a melhor amiga! Com certeza era uma memória para se manter a vida inteira! Mas e o depois? Sakura se sentiria a vontade o bastante para beijar uma garota em público? Sentia que gostava de garotas? Sentia que Tomoyo a amava secretamente mesmo empurrando "vocês sabem quem" para ela? Quanta dúvida e quando a dúvida surgia o beijo ficava ruim. Foi só esquecer que o beijo voltou a ficar bom de novo. E como Tomoyo sabia fazer esquecer das coisas! Com um carinho, um chamego na orelha e nos cabelos tudo se resolve! Deitada daquele jeito, no meio daquelas árvores, Sakura sentiu que o sonho que teve com Tomoyo se tornou realidade naquela tarde; era ela a "catedral das rosas" que fazia aquelas flores despencarem no chão, abrindo espaço para os novos frutos nascerem, já maduros. Esperou Tomoyo terminar o beijo (que durou outros cinco minutos) para voltar a pensar. Sonomi viu de camarote a cena, da janela da sala de estar que dava para o jardim dos fundos. Finalmente surgiam dois brotos na família Amamiya que tinham coragem para tudo!
– E aí Sakura, gostou? Viu que era um beijo? Pois eu amei te beijar essa sua boca sabor de chantili…
Sakura ficou calada com a boca aberta e olhos atônitos. Não sabia o que responder, por mais que tivesse gostado de tudo aquilo. Esperou a poeira baixar dentro de seu coração para que pudesse enfim fazer as perguntas que tanto desejava fazer para a amiga e se limitou a concordar com ela:
– A gente beijou não é? Duas vezes? Agora a gente não é mais BV…
– Pronto! Não foi nenhum bicho de sete cabeças, ou foi?
– Tomoyo-chan…
– Eu sei que você tá cheia de dúvidas na cabeça; não esquenta não Sakura, na hora certa você vai me perguntar e eu vou te responder tudo… mas por enquanto entenda isso como mais um dos tantos galhos que eu quebrei pra você e que eu tenho o prazer de quebrar – Tomoyo faz carinho no cabelo e na cara de Sakura, Sakura apenas aceita o carinho e fecha os olhos, mas não consegue sorrir como antes, as dúvidas estragavam tudo.
– Você tá preocupada Sakura se a minha mãe viu a gente se pegando? – Tomoyo dá um olhar malicioso para Sakura. Sakura faz um "sim" com a cabeça.
– Liga não tá? Se ela viu a gente pode ter certeza que ela nem vai perguntar pra gente! Ela tá envergonhada por ter visto a gente se beijando! Você vai ver!
Tomoyo pega Sakura pelas mãos e leva a cardcaptor para a sala de estar onde estava Sonomi bebendo chá; era o lugar onde ela ia quando chegava do trabalho:
– Oi mamãe! Tudo bem com a Senhora? – Diz Tomoyo, na maior cara de pau para a mãe, com toda a tranquilidade do mundo como se não tivesse acontecido nada, fazendo a empresária tossir o chá que estava tomando, com a surpresa que teve. Sonomi se recompõe e cumprimenta a filha, com a maior cara de vergonha do mundo:
– Oi Tomoyo; Oi Sakura! – Sakura não conseguia olhar para Sonomi. Sonomi percebe que as duas suspeitavam que ela tinha visto elas se beijando no jardim. Sakura ergue a cabeça e cumprimenta Sonomi, indo até ela:
– Oi Sonomi-san! – Sakura fica com as bochechas vermelhas como camarão. Sonomi, sabendo e fingindo não saber de nada, tenta quebrar o gelo:
– Sakura, porque… porque está fazendo essa cara!? – Diz Sonomi, gaguejando.
– Sabe o que é Sonomi-san, é que… – Sakura tenta pensar em uma desculpa quando é interrompida por Tomoyo:
– A Sakura tá com um problemão mamãe! Hehehehe!
As duas olham pra Tomoyo chocadas enquanto Tomoyo ria muito com aquilo. Ao menos em alguma coisa as duas concordavam sem ao menos precisaram comentar sobre o assunto: Como Tomoyo mantém tanta naturalidade diante daquilo tudo, daquela cena embaraçosa toda?
– Sonomi-chan, desculpa eu vir agora, mas é que eu só vim aqui conversar com a Tomoyo, colocar o assunto em dia, eu preciso ir embora, meu pai vai fazer a janta e ele tá me esperando… sabe como é né? Eu não vou pode comer o seu macarrão hoje. – Diz uma envergonhada Sakura.
– Te entendo perfeitamente Sakura! Toma aqui trinta mil ienes… (cerca de 1000 reais)
– Trinta mil ienes! Hoeeee! – Sakura fica assustada com a surpresa.
– Pra você pegar um táxi ou um ônibus pra sua casa, o que você preferir; você sabe o quanto eu gosto de você Sakura não sabe?
– Mas trinta mil ienes, puxa vida…
– É tudo o que eu te devo Sakura, por todo o constrangiment… ops, por tudo o que você vem fazendo pela Tomoyo, e…
– Eu não sou mercadoria Sonomi-san… – Diz Sakura, desolada.
– Eu sei Sakura, eu faço de coração… Toma! Não precisa me devolver, é um presente que eu te dou!
– Brigada Tomoyo-san! – Sakura abraça a sogr.. ops, digo, Sonomi!
Tomoyo até então se limitou a rir de tudo com os olhos fechados, imaginando que Sakura e a mãe se comportavam como duas "bobinhas" para uma coisa tão trivial que era beijar, pensou consigo. Quando viu Sakura abraçando Sonomi com os 30 mil ienes na mão não resistiu e abraçou as duas também:
– Ai que lindo! Eu vou abraçar também! – Tomoyo abraça a mãe e a amiga. Os braços de Sonomi e Sakura acolhem Tomoyo.
– Bem… Tomoyo leve a Sakura até o ponto de ônibus perto de casa…
– Com todo prazer mamãe! Vamos Sakura?
Sakura guarda os trinta mil ienes na carteira, calça uns sapatos que Tomoyo emprestou, coloca os patins na mochila de ovo e pega na mão de Tomoyo. Tomoyo não gosta e corrige a amiga:
– Assim não Sakura, faz a alcinha… – Pede Tomoyo de forma suplicante.
– Tá bom Tomoyo… – Sem jeito, Sakura faz a "alcinha".
– Agora sim! – Tomoyo coloca o braço na "alcinha" feita por Sakura. – Vamos Sakura. Já volto mamãe!
– Tchauzinho Sonomi-san!
– Tchau Sakura! – Quando as suas se foram, Sonomi fica se lamentando por dentro por não ter tido a coragem que nunca teve com Nadeshiko, mas se tivesse a coragem que Tomoyo mostrou naquela tarde, como teriam nascido Sakura e Tomoyo pra mostrar pra ela a coragem que nunca teve?
Até o ponto de ônibus Sakura ficou envergonhada. Não tinha cara para olhar para a amiga e nem sabia o que pensar. Só quando chegasse em casa e quando a cabeça esfriasse um pouco saberia o que fazer, o que pensar, mas enquanto isso apenas ficou ouvindo e conversando com Tomoyo:
– Você gostou Sakura da tarde de hoje?
– Tomoyo, se eu falasse pra você… se eu falasse pra você que eu não gostei… eu tou mentindo Tomoyo!
– Não fica assim Sakura, foi nosso primeiro beijo; vai ter outros ainda…
– Outros!? Hoe! – Sakura dá um passo pra trás com o susto – É por isso que você não se preocupa Tomoyo?
– Sim Sakura. Eu quebrei seu galho; vai me dizer que não tava morrendo de vontade?
– Vontade eu tenho Tomoyo, mas… mas… eu nunca imaginei que seria assim… que seria com você!
– Sakura, a lei da vida é o imprevisto, a gente nunca sabe o que vai acontecer, a gente simplesmente vive, mas a gente sempre espera pelo melhor…
– Entendo Tomoyo… entendo…
– Se quiser de novo Sakura é só me falar tá?
– Vou pensar Tomoyo… vou pensar – Sakura fica com o rosto vermelho. Tomoyo sorri de olhos fechados. No fim, o ônibus de Sakura chega.
– Olha lá Sakura, o seu ônibus, vou faze sinal pra parar.
Tomoyo faz o sinal e o ônibus para.
– Me liga Sakura se precisar; "você sabe quem" já falou comigo no telefone, a gente já combinou tudo antes de você chegar tá bom? Amanhã te pego as oito e meia na sua casa, as nove a gente pega ele e leva pro aeroporto; é pra evitar trânsito em Tóquio, tá bom?
– Tá certo Tomoyo, eu falo com ele mais tarde… Tchauzinho Tomoyo! – Sakura acena timidamente da porta do ônibus, ainda muito envergonhada com a situação.
– Tchau Sakura, até amanha! – As duas se despedem.
Quando o ônibus faz a curva e Tomoyo não mais vê Sakura, Tomoyo solta a voz, colocando a mão sobre a bochecha, sorrindo:
– Sabe de nada Sakura! Sabe de nada…
