Nota: Os personagens de Naruto não me pertencem, pertencem a Kishimoto Masashi e empresas licenciadas. Fic sem fins lucrativos a não ser diversão. Feito de fã para fã.


Quem gostou de ver o Sasuke apanhando feio do Raikage levanta a mão! Eu? Eu A-M-E-I! Haha, gosto do Sasuke, mas fala sério ele tava se achando demais, não acham?


N/a: Nesse capítulo Kakashi e Sakura narram.


Obrigada: Hatake Pam, Tayna, Jade Miranda, Karina Angels, Tainan, Dika008, Haruka Taichou, Patty e Lirit T por terem comentado o capítulo anterior!

E que maravilha! Chegamos aos 101 reviews? Como os dalmatas? Haha isso sem dúvida me animou, tanto, que cá está mais um capítulo fresquinho pra vocês! ^^


Uma boa leitura a todos!


Um Mal Chamado Amor

Capitulo 13: Gato e Rato

Kakashi POV'S

Eu disse que ia embora, ia mesmo, mas ela me deteve. Quando Sakura percebeu que eu realmente ia embora e que não estaria na plateia para apreciar o seu showzinho, ela finalmente caiu na real.

-Kakashi; ela me segurou pelo braço e eu me voltei para fitar aqueles olhos incrivelmente verdes delineados de preto. Era difícil reconhecer a Sakura que eu conhecia embaixo daquela maquiagem pesada.

-Onde está o seu... amigo? –indaguei indiferente, obviamente referindo-me a Kiba ao ver que ela estava sozinha. Ela riu enfim me soltando.

-Está com... ciúmes, Kakashi?

Aquele riso matreiro mais uma vez brincava em sua face, o que me fazia lembrar da gennin que eu havia treinado. Aquela era a Sakura que eu conhecia, astuta, e, principalmente, alguém que adorava confirmar que estava certa. Sakura realmente adorava que lhe dessem razão, em especial quando eu lhe dava razão em alguma coisa.

Dei de ombros. Não daria esse gosto a ela, ainda que ela estivesse certa. Eu estava tão enciumado quanto poderia estar ou me recordava de ter estado alguma vez na vida.

-Só achei que estivesse; ponderei adicionando uma pontada de malícia ao timbre de voz. –Bem, só achei que você estivesse ocupada demais para correr atrás de mim.

O resultado?

O melhor possível, acreditem.

-Eu não corri atrás de você! –ela rebateu franzindo o cenho e ficando vermelha de raiva.

-Não? –indaguei num riso malicioso que só a irritou ainda mais.

-Acredite, não preciso correr muito para te alcançar, Kakashi; foi a vez dela dar de ombros e cruzar os braços na frente do corpo. Eu havia entendido e muito bem o que ela havia dito. Ela realmente estava disposta a pisar na ferida, não é?

-Tem razão, eu não sou tão jovem quanto o Inuzuka, não é? –respondi vendo a expressão no rosto dela mudar completamente.

-Não foi isso que eu quis dizer, Kakashi; ela me respondeu completamente séria e descruzando os braços, tentada a me pedir desculpas, mas eu não lhe daria tempo.

Ela não precisava me pedir desculpas.

Suspirei.

Realmente estava fazendo isso vezes demais ultimamente.

-Onde está o Kiba? Ele deve estar procurando por você; disse-lhe examinando o movimento do bar atrás dela. Dei-lhe as costas, mas ela mais uma vez me segurou pelo braço.

-Qual é o seu problema com relação a esse lance de idade Kakashi? Hã? Juro, jamais entendi.

Eu suspirei pesadamente e só então me voltei para trás. Será mesmo que ela não compreendia no que aquilo implicava? Era infinitamente mais complicado do que ela pudesse imaginar.

-Eu podia ser seu pai.

-Não mesmo.

Ela rolou os olhos totalmente descrente. Será mesmo que ela não conseguia ver aquilo sob o ângulo que eu via? Nem mesmo por um instante?

-Você não é tão velho assim e meu pai não me agarraria como você agarrou; ela completou num sorriso malicioso.

Não achei graça naquilo, mas ela sim. Sakura sorria. Gargalhava. Aquilo me atormentava dia e noite, mas para ela era motivo de riso? Sem dúvida me parecia injusto.

-Isso faz de mim apenas um velho pervertido então; murmurei sério e ela finalmente parou de rir. –Sabe quantos anos eu tenho, Sakura? –indaguei.

-Não, não sei, isso é segredo de estado, mas; ela ponderou fitando-me intensamente, seus olhos claros me esquadrinhavam. –É assim que você se sente quando está comigo? Hã?

-É. É exatamente assim que eu me sinto, Sakura; respondi sem mais delongas e sem conseguir desviar meus olhos das esmeraldas em sua face.

-Baka! –Sakura praguejou com os dentes cerrados e eu me perguntei se dessa vez realmente perderia um dente.Sabe como eu me sinto quando estou com você? –ela indagou e eu fiz que não com a cabeça, claramente ansioso em ouvir sua resposta. –Sinto-me querida. Protegida. Importante. Sinto-me amada, Kakashi.

-Sakura; eu ponderei. Estávamos outra vez voltando ao ponto em que partimos? Retrocedendo? –Eu já te disse que...

-CALE A BOCA! –ela gritou fazendo com que eu realmente me calasse e a ouvisse até o fim. –Quando estou com você eu me sinto feliz, você sabe por quê? Por que somos mais parecidos do que você pensa. Rimos juntos. Posso ser idiota e infantil com você porque você também é comigo. É divertido! E, quando você quer, ou melhor, permite, eu posso conversar de igual para igual com você. O que eu sinto por você vai muito além da vontade louca que eu sinto de te beijar e abraçar. O que eu sinto quando estou com você é algo que me completa. Sinto-me completa quando estou do seu lado e sei que você sente a mesma coisa, ainda que seja covarde para admitir isso em voz alta. Nós nos completamos Kakashi, essa é a verdade.

Kami-sama! Por que raios aquela garota tinha que ter sempre a razão? Hã? Sou eu quem devia lhe ensinar a viver e não ela. Quando a ouço falar com tamanha desenvoltura e certeza sinto-me um tremendo idiota. Sou mais que um velho pervertido, sou um velho pervertido e estúpido que não sabe demonstrar seus sentimentos. Eu realmente quero mais do que tocá-la e sentir seu corpo.

Quero muito mais.

E tenho medo do que sinto.

É novo.

É diferente.

E é... bom.

-Me beija.

-O que disse? –indaguei só então a percebendo mais perto de mim.

Sakura havia se aproveitado da minha distração e se aproximado. Ela havia repousado ambas as mãos sobre meu peito e brincava com o zíper do meu colete. Suas unhas estavam pintadas de vermelho e pareciam garras afiadas, reforçando a ideia de que realmente seria uma bela cópia da Godaime um dia. O salto alto que usava lhe conferia uma altura que não possuía, de forma que ela passava dos meus ombros aquela noite e podia me mirar diretamente nos olhos.

Quem era o gato e quem era o rato? A essa altura eu realmente já não saberia dizer.

-Me beija! Prove que eu não preciso do Kiba, de ninguém mais além de você; ela insistiu sem desviar aquelas esmeraldas travessas de mim. –Eu preciso de você, Kakashi...

Dizer que eu não senti vontade de agarrá-la e arrastar para um canto escuro do bar onde poderia satisfazer aquele pedido, realmente seria hipocrisia da minha parte. Contudo, eu apenas lhe permitir sentir-se no comando mais uma vez. Queria realmente saber até onde ela pretendia chegar. Estávamos afastados o suficiente para que ninguém nos ouvisse ou percebesse nosso joguinho, pelo menos até Kiba procurar por sua acompanhante. Eu ainda não entendia como ela havia fugido dele.

Senti a mão dela rumar até o meu rosto e sabia exatamente o que ela pretendia. Seus dedos finos e frios baixaram o tecido da máscara até o meu pescoço. Sakura agora mirava o belo estrago que havia feito mais cedo com seus punhos de aço.

-Gomen... Acho que eu realmente te machuquei; ela riu e então se aproximou colando seus lábios cor de sangue no canto da minha boca. Era a sua forma de me pedir desculpas, cobrir aquele pequeno ferimento com um beijo casto e terno.

Não contive um gemido e ela riu.

-Você realmente me quer, não é?

-Sakura.

-Você simplesmente não consegue esconder, Kakashi. E sabe? Acho que se eu beber umas doses a mais de álcool eu realmente vou me sentir preparada para lhe dar o que você tanto quer... Quer o meu corpo não é? Quer a minha virgindade? Eu te dou!

Eu podia sentir-me honrado com aquilo, ela realmente queria que eu fosse o primeiro, e eu de fato queria ser o primeiro e o último, mas a forma como aquilo foi dito? Aquilo me perturbou. Havia uma pontada de alucinação que só se intensificou com o acréscimo da palavra álcool. Álcool? Ela voltou a me beijar e por mais que eu tivesse bebido além da conta aquela noite, eu ainda estava sóbrio o suficiente para sentir o gosto do álcool vindo da boca dela. Ela havia bebido e não havia sido pouco. Afastei-a antes que ela aprofundasse aquela carícia.

-Você está... Bêbada? –indaguei e ela riu confirmando a minha indagação. Aquilo certamente foi um tremendo balde de água fria.

Ela precisava estar bêbada para me querer? No entanto, pela primeira vez aquilo tudo fazia sentido. Aquelas roupas, maquiagem, a encenação toda com Kiba? Uma Sakura sóbria certamente não faria aquilo tudo com tamanha desenvoltura, não sem se confundir com o vermelho do vestido. O álcool realmente transformava as pessoas.

-Vamos retire o selo, Kakashi. Eu deixo; ela gargalhou se afastando de mim.

A minha vontade era de jogar aquela garota atrevida sobre os ombros feito um saco de batatas e a arrastar para casa, dessa vez sim como um pai zeloso que pegava a filha adolescente fora de casa e fazendo besteira. O quanto ela teria de fato bebido? E o quanto eu realmente demorei em perceber aquilo? O álcool era capaz de fazer as pessoas agirem como idiotas, e, no meu caso, fazia com que perdesse a racionalidade. Pensar e perceber certas coisas antes delas de fato acontecerem havia sido minha prioridade a vida inteira, mas quando de fato precisava ser racional, eu me tornava aquela criatura emotiva e titubeante. Talvez fosse a convivência com Naruto, talvez fosse simplesmente por estar com ela.

-Vamos! Quero ser mais uma na extensa lista do copy-nin!

Ela mais uma vez se jogou em cima de mim tentando me beijar, mas eu a impedi. Segurei-a pelos pulsos e lhe dei um chocalhão. Ela que tanto havia falado sobre amor e sentimentos queria simplesmente me usar? Não me importo de ser usado, nunca havia me importado antes, mas por ela sim. Aquilo havia me machucado de um jeito que somente eu seria capaz de descrever. Aquela não era a Sakura que eu conhecia e queria.

-Não sou seu brinquedo, Sakura! –murmurei entre dentes enfim a soltando e ela cambaleou a minha frente. –Se realmente pretende brincar essa noite, acho que deve procurar pelo Kiba. Eu definitivamente não irei participar desse joguinho idiota e fazê-la me odiar por isso depois.

-Eu estou falando sério, Kakashi; ela me respondeu totalmente séria, como se tivesse voltado a se tornar sóbria.

-Eu também, Sakura; respondi e ela explodiu novamente comprovando o quanto eu estava enganado.

-Você quer mesmo que eu procure pelo, Kiba? Hã? Quer que eu entregue pra ele o que guardei pra você? Que droga, Kakashi! Eu realmente não consigo te entender; ela completou irada.

-Não quero uma mulher bêbada e desesperada, Sakura. Mas sim, talvez o Kiba queira; respondi no mesmo tom de raiva.

-Merda! –ela praguejou me apontando com o dedo em riste. –Eu fiz tudo isso por você e ainda sim você me manda procurar por outro?

Sakura apontou para si mesma exasperada e diante do meu silêncio resolveu continuar e finalmente encerrar aquela conversa. Sua expressão se anuviou como o assombro de uma tempestade.

-Espero que não se arrependa.

Ela me deu as costas e então sumiu de vista.

Eu podia, devia correr atrás dela e a impedir, mas eu havia aprendido uma coisa com o passar dos anos. Nossos erros, nossos tropeços e também nosso sofrimento são as únicas coisas capazes de nos fazerem crescer. Sakura precisava crescer e só cresceria quando aprendesse a arcar com as consequências de seus atos impensados sozinha.

Eu não faria absolutamente nada para impedi-la aquela noite.

Eu terminaria de me afogar em saquê quando chegasse em casa, mas não iria interferir na decisão final dela, ainda que a ideia de que outro homem que não fosse eu realmente a pudesse tocar aquela noite fizesse com que me amaldiçoasse naquele momento.

Teria eu realmente a impulsionado para aquilo?

Se sim, eu só esperava que ela realmente despertasse para a realidade antes de inevitavelmente se machucar e muito.


Sakura POV'S

Eu havia acordado com uma tremenda dor de cabeça aquela manhã e a primeira coisa que consegui pensar foi, em nunca mais tomar um porre na vida! Havia bebido tanto que até mesmo perdi a conta. Não me recordava ao certo do que eu havia ingerido ou o quanto e, principalmente, não me recordava de absolutamente nada sobre a noite anterior. A última memória ainda viva que eu possuía antes de me deixar levar pelo poder alucinógeno do álcool era sobre aquela desastrosa conversa com Kakashi.

Kakashi definitivamente era um tremendo desastre em minha vida.

Bufei ainda de olhos fechados e massageando as têmporas, meu estômago girava. No fim, minha intuição como sempre estava certa, e nada daquilo havia valido a pena, mas quem mandou ouvir os conselhos de Ino? Pegar suas roupas incrivelmente sexys emprestadas e deixá-la pintar o meu rosto daquele jeito? Hã? Eu não sou sexy, nada sexy. Eu havia até mesmo permitido que ela me desse garras vermelhas e postiças? Céus! Absolutamente nada daquilo valeu a pena, pois embaixo daquilo tudo eu ainda era a mesma Sakura de sempre.

Quando eu finalmente contei a ela o que havia acontecido entre mim e Kakashi, a coisa toda em Suna e também o papel ridículo de garotinha assustada, ou melhor, ratinha assustada fugindo das garras do gato que eu havia feito e mais de uma vez, ela faltou me estrangular.

"Testuda baka! Como pode desperdiçar uma oportunidade como essa, hã? Primeiro você diz que aquele homem não se aproxima ou reage e quando ele finalmente o faz, você foge? O que quer que ele pense? Hã? Fala sério! Se realmente quiser que ele fique de pé mais uma vez, e digo isso no sentido literal da palavra, acredite, você vai mesmo ter que se esforçar. Kakashi é um homem e precisa de uma mulher, não de uma garota insegura. Faça ele perceber que apesar de tudo você o quer e que finalmente pretende romper o selo..."

Ino realmente me mata de vergonha com esse seu jeito escandalosamente pervertido, mas sabem de uma coisa? Ela está certa, certíssima. Eu não sei o que deu em mim aquele dia, eu havia adorado o beijo dele, mas havia sentido medo, algo que mais uma vez voltou com força total quando ele mais uma vez me beijou, ou melhor, agarrou. Eu havia dado a ele o que ele queria, a desculpa para poder se afastar de mim, a prova incontestável de que eu temia as reações dele. Kakashi queria me assustar e havia conseguido.

Eu quero aquele homem, como eu quero, mas eu quero mais, um mais que ele não está disposto a me dar. E é isso me faz ponderar, esse algo mais, poder tocar no seu coração não apenas no seu corpo. Saber o quanto ele é mais experiente que eu? Isso é algo palpável e que eu sempre soube, algo que posso me acostumar e que realmente gosto de sentir. Gosto de senti-lo no comando, mas acredito que posso comandar também se ele me ensinar. Eu realmente quero que ele me ensine. Kakashi sempre foi um ótimo... professor. Seus métodos de ensino podem ser duvidosos, antiéticos, e por vezes arriscados, mas nesse caso quanto mais duvidoso e arriscado melhor.

Sinto que ao me igualar a ele nesse joguinho puramente sexual, de alguma forma ele vai me permitir ir mais além. Preciso ir mais além, me aprofundar em suas emoções e sentimentos caso contrário sinto que irei definitivamente perdê-lo.

Quando aceitei aquela pilhéria da noite passada, apenas decidi seguir os conselhos de Ino que havia me dito que eu precisava mostrar a ele eu já não era uma garotinha e há um bom tempo, que eu era mais esperta do que ele pensava e que ele podia de fato me perder se continuasse a brincar daquele jeito comigo. Segundo Ino era a minha vez de brincar e fazê-lo ponderar sobre seus atos impensados, realmente mostrar a ele que eu podia jogar aquele jogo usando das mesmas táticas que ele. Ino havia me dito que eu devia jogar pesado com Kakashi, mas ela realmente não sabia o quão complicado era aquele homem. E Kakashi? Kakashi realmente nunca faz algo sem pensar, sem arquitetar previamente um plano infalível. Ele joga comigo já sabendo as respostas e quantos passos à frente estará de mim.

Eu ainda estava divagando sobre Kakashi quando senti uma sensação engraçada nos pés. Sentia cócegas e pela primeira vez, consegui pensar em algo mais do que nos joguinhos com Kakashi. Sentia uma língua molhada e grossa lambendo meus dedos dos pés...

Imediatamente abri os olhos e saltei sentando sobre a cama. Minha cabeça rodou, mas eu logo recuperei minha capacidade de raciocinar. Eu estava em um lugar estranho e que eu sabia não se tratar da minha casa ou do meu quarto. Bagunçado demais, masculino demais. Aquele lugar cheirava a testosterona!

Eu estava nua e não pude impedir um grito de desespero quando a coisa que me lambia pulou em cima de mim, um enorme cão branco que balançava o rabo amistosamente e parecia esperar que eu lhe lançasse um graveto para brincar.

-AHHH!

Gritei encolhendo-me sobre a cama e puxando os lençóis. Akamaru se conteve e abaixou o focinho até o colchão num ganido triste, uma fera enorme, mas inofensiva.

Akamaru? Akamaru, um aposento estranho e roupas jogadas no chão? Meu vestido vermelho em frangalhos, como se tivesse sido destruído pelas presas afiadas de algum animal selvagem ao pé da cama? Ino ia me matar quando soubesse. Minha minúscula calcinha rendada vergonhosamente jogada em cima da escrivaninha no canto do quarto, ocupando o mesmo espaço que tinteiros e uma pilha de pergaminhos usados? Roupas masculinas igualmente espalhadas pelo quarto. Podia ficar pior? Podia ficar pior antes que eu finalmente despertasse daquele pesadelo?

Podia sim.

A porta do quarto se escancarou e um Kiba completamente nu e apressado adentrou o aposento fazendo com que eu gritasse outra vez.

-AHHH!

-O que aconteceu, Sakura? Ouvi o seu grito da cozinha e...

Kiba se aproximou ignorando meu rosto completamente vermelho de vergonha e a forma como eu me apertava ao travesseiro para poder me privar daquela visão. Uma visão não totalmente desagradável, admito, mas totalmente constrangedora.

Eu não estava acostumada com homens nus andando pela casa e falando comigo como se isso fosse a coisa mais natural do mundo, muito menos um homem nu e com aquele abdômen perfeito e rijo como aço. Eu realmente nunca pensei que Kiba pudesse ser assim embaixo das roupas, mas... Chega! Que loucura é essa, hã? Eu estou num lugar estranho, estou nua sem lembrar como fiquei, e tem um homem nu na minha frente, algo que realmente está me assustando. A-P-A-V-O-R-A-N-D-O!

-Kami-sama! Você é louco ou o que, para andar completamente nu pela casa? Vista alguma coisa! Que droga Kiba! –rebati lançando o travesseiro na direção dele que riu desviando e se sentando sobre a cama. Realmente, para ele, aquilo parecia normal.

Akamaru já havia sumido dali depois de tanto grito. Eu? Eu tapava meus olhos com ambas as mãos sentindo o meu rosto queimar. Aquilo só podia ser um pesadelo, não é? Eu só percebi que era real e que eu estava realmente acordada quando mais uma vez ouvi a voz macia e sensual de Kiba.

-Isso não pareceu te importar a noite passada, Sakura.

A noite passada? Voltei-me para Kiba a tempo de ver o riso malicioso em sua face. Seus olhos fendados e suas presas pontudas naquele sorriso sexy me faziam lembrar do meu vestido rasgado. Senti um arrepio na espinha. Dois mais dois são quatro, assim como bebida, decepção, aquele apartamento, nudez e... Um Kiba se comportando daquela forma tão íntima comigo? Aquilo só significava uma coisa.

-Céus! –suspirei deixando-me cair sobre a cama. –O que foi que eu fiz?


Kakashi POV'S

Eu nunca desejei tanto na vida poder voltar a trabalhar. O ócio realmente é a oficina do diabo! Ainda faltavam dias para eu poder finalmente voltar a me embrenhar na mata em missão, uma que eu espero ser bem longe de Konoha, o mais longe possível. Uma semana havia passado, uma semana sem topar com ela. Aquela sem dúvida havia sido a pior discussão que tive com Sakura. Eu estava doido para saber como ela estava e se ela realmente havia feito alguma besteira aquela noite, mas isso não era da minha conta, não é?

Podia não ser da minha conta, mas me importava.

Durante todos esses dias eu esperei por ela, que ela batesse na minha porta arrependida e admitisse que eu estava certo, mas isso nunca aconteceu. Sakura gostava de me ver admitir que ela estava certa? Eu também, eu também adorava quando ela admitia que eu é quem estava certo. Mas isso de certa forma me deixava feliz, talvez ela ainda continuasse sendo a minha garotinha, não é? Provavelmente ela havia se arrependido e desistido na hora H.

Isso certamente me pouparia o trabalho de aniquilar o Inuzuka e de me tornar um nuke-nin.

-Yo! Kakashi-sensei!

Kiba? E por falar no diabo...

Eu estava saindo de um dos becos estreitos de Konoha, com meu Icha Icha sob o nariz quando topei com o Inuzuka. Ele ria enquanto caminhava sem pressa junto de uma garota estranha e que corava quando ele lhe sussurrava sabe-se lá o que no ouvido.

Cachorro! Rouba a minha mulher e depois simplesmente a deixa para ir atrás de outro rabo de saia?

Kiba estava encurralando uma nova presa. Eu sou experiente o suficiente para saber quando um homem pretende levar uma mulher pra cama.

E eu só conseguia pensar numa coisa enquanto via o Inuzuka se afastar, em como estava Sakura, a minha Sakura. De um jeito ou de outro ela devia estar destroçada, magoada, mas se realmente tivesse cumprido aquela promessa estúpida que havia me feito, certamente estaria muito pior. Não gostava de pensar seriamente sobre aquilo, mas sabia que se tratava de algo possível.

E só havia um jeito de descobrir o que realmente havia acontecido, não é?

Indo até ela.


Sakura além de impulsiva era descuidada também. Descobri isso depois de entrar furtivamente pela janela da casa dela com enorme facilidade. A janela estava aberta e ela não estava em casa. Podia ficar ali e esperar por ela, mas eu não suportaria esperar nem um segundo a mais. Precisava vê-la e agora.

Rumei até o hospital e a encontrei mais rápido do que esperava. Ela estava na enfermaria e cuidava do joelho ralado de um garotinho. Descobri isso depois de umas poucas perguntas e decidi que seria tão soturno quanto pudesse. Ignorei escadas e portas e saltei até a janela no segundo andar que era onde ficava a enfermaria. Pensando melhor acho que ainda não estava com coragem o suficiente para encará-la de frente.

Sakura tinha os cabelos presos num coque frouxo e usava o longo jaleco branco de nin-médica, sequer notou a minha presença. Ela realmente estava concentrada no que fazia.

Quantas e quantas vezes eu estive no lugar daquele menino? Eu realmente havia perdido a conta.

Esgueirei-me furtivamente para trás de um dos biombos e passei a ouvi-la conversar com o menino. Eu estava há uma distância segura e ela realmente não estava esperando pela minha presença ali, não é? Pelo menos não havia me notado ainda.

"-Hajime-kun? Viu só, não foi nada, já estou quase terminando."

"-Se não fosse nada, papai não teria me trazido até o hospital; o menino rebateu choroso fazendo um tremendo bico."

"-Seu pai se preocupa com você, Hajime-kun, só isso; Sakura lhe respondeu."

"-Enfermeira-chan? –indagou o menino repentinamente e fazendo-a abandonar o curativo por alguns instantes."

"-Sim, Hajime-kun."

"-Você também não está se sentindo bem, não é?"

Aquilo foi como levar um soco no estômago. Quase abandonei meu esconderijo. Quase.

"-É, acho que não; Sakura respondeu vagamente voltando a cuidar do menino."

"-E por quê? –o menino insistiu e Sakura mais uma vez o fitou."

"-Por que ser adulto é chato, chato e complicado, Hajime-kun. Quando eu tinha a sua idade as coisas eram muito mais fáceis e eu não tinha tantas coisas parar pensar. Minhas decisões erradas ou não, interferiam muito pouco na minha vida, mas agora isso é diferente."

Um longo instante de silêncio se instaurou antes que eu mais uma vez ouvisse a voz do menino.

"-Enfermeira-chan?"

"-Sim, Hajime-kun."

"-Acho que você brigou com o seu namorado!"

Aquilo sem dúvida massageou meu ego.

"-Eu não tenho namorado, Hajime-kun; Sakura riu."

"-É um amor platônico então? –o garoto insistiu curioso e eu tive de me controlar para não rir e me delatar. Aquela conversa realmente estava ficando interessante."

"-Talvez."

Sakura enfim cedeu a curiosidade do menino, mas seu tom sério e melancólico fez com que o riso divertido que eu ainda mantinha nos lábios definitivamente morresse. As palavras que eu ouvi saindo da boca dela logo depois só confirmaram o que eu já sabia, o quanto ela estava magoada.

"-Mas... sabe? Alguém que te pede para procurar por outra pessoa depois de você gritar que o ama, realmente não deve sentir nada por você, não é?"

Os olhos do menino se arregalaram e sua boca pequena se abriu admirada, o que certamente a fez perceber que estava fazendo algo no mínimo estúpido. Estava abrindo o seu coração para uma criança como se ele fosse seu terapeuta.

"-Gomen! O que eu estou pensando, hã? Você é só uma criança, Hajime-kun. Eu realmente não posso te pedir conselhos amorosos, não é?"

Sakura riu envergonhada bagunçando os cabelos do menino que fez uma careta, a mesma que ela me fazia quando eu lhe bagunçava os cabelos.

"-Eu já tenho namorada! –o menino inflou o peito com orgulho querendo provar a ela que podia sim ser um terapeuta mirim. –Acho que posso te ajudar, enfermeira-chan! –completou fazendo Sakura rir outra vez. –O que foi não acredita em mim? Já tenho experiência nisso e eu acho que..."

"-Pronto, terminei! –Sakura depositou a mão gentilmente sobre o joelho do menino fixando melhor o curativo."

"-Não quer mesmo que eu te ajude, enfermeira-chan?"

"-Você já me ajudou, Hajime-kun."

"-Como? Eu não fiz nada."

"-Você simplesmente me ouviu."

Chega! Eu não posso mais ficar aqui ouvindo isso tudo. Eu tinha que sair dali e dessa vez realmente me afastar dela. Eu sou mesmo um maldito que só sabe ferir essa garota e quem me esfregou essa dura verdade na cara foi uma criança de cinco anos.

Era fácil fugir dali, saltar pela janela tão furtivamente quanto fiz ao entrar, mas acho que realmente acordei com o pé esquerdo essa manhã. Meu pé enroscou no maldito cortinado do biombo e quando percebi já estava estatelado no chão, lutando contra um emaranhado de pano que havia criado vida...

E o barulho? O barulho foi algo impossível de não ser notado.

Acho que o hospital inteiro deve ter ouvido.


Sakura POV'S

Eu ouvi aquele barulho estridente atrás de mim, o que interrompeu a conversa surpreendentemente adulta que eu estava tendo com aquele pingo de gente, mas a cena com que me deparei quando me voltei para trás realmente me surpreendeu.

A enfermaria estava vazia a exceção de mim e Hajime-kun, todos os biombos e camas também, o que me fez pensar se algum gato travesso havia entrado pela janela. Acertei, mas confesso que o gato em questão era bem maior do que eu pensava.

-Kakashi?

Sim, Kakashi, um Kakashi estatelado no chão e lutando contra as cortinas do biombo que pareciam ter criado vida.

-HAHA! –Hajime-kun gargalhou alto apontando para ele e eu não contive um meio sorriso. Realmente era algo jocoso de se ver.

O famoso copy-nin travando uma batalha inútil contra algo inanimado e aparentemente inofensivo? Eu estava surpresa em vê-lo ali, confesso, mas a coisa toda era tão ridícula que eu só conseguia rir. Ele olhava pra mim como se desesperadamente me pedisse ajuda, implorasse, e ao mesmo tempo me dissesse: Vai ter troco!

-Já posso ir, enfermeira-chan? –a voz de Hajime fez com que me voltasse para trás o surpreendendo de pé.

-Claro, Hajime-kun; assenti num sorriso.

-Arigato, enfermeira-chan! –ele me sorriu, mas continuou parado me fitando.

-O que foi, Hajime-kun? Eu te disse que já pode ir.

O sorriso matreiro que se desenhou naquele rostinho era o presságio de que aquele menino era mesmo muito mais astuto do que eu poderia imaginar.

-Ainda está sentindo dor? –indaguei. –Quer que eu...

-Não vai ajudar o seu... namorado, enfermeira-chan? –Hajime me interrompeu apontando Kakashi e eu não pude deixar de ficar mortalmente envergonhada.

Um homem cai da janela e ele imediatamente pensa que ele possa ser o meu hipotético namorado? Talvez Hajime-kun possa ler mentes. Ele é mais do que um terapeuta mirim. Confesso, estou com um pouco de medo dessa criança.

-Hajime-kun; ponderei sem graça enquanto o levava até a porta. –Ele não... Ele não é meu namorado; completei desconfortável depois de dar uma espiada dentro da enfermaria e ver que Kakashi já estava de pé e bufando.

-É sim. Você ficou vermelha quando eu disse isso.

Preciso dizer que fiquei vermelha de novo?

-Hajime-kun!

-E você riu. Ficou feliz em ver aquele ojii-chan atrapalhado!

-Haji...

-Ja ne!

Hajime se despediu de mim e correu para o pai que o esperava sentado do lado de fora da enfermaria. Suspirei. Aquilo realmente havia sido... estranho.

Eu não esperava encontrar Kakashi na enfermaria quando retornei, mas ele estava lá ajeitando o estrago que havia feito e pondo as coisas de volta no lugar.

-Essas coisas são... perigosas; ele me disse ainda de cenho franzido e irritado depois de finalmente botar o biombo onde estava.

-Precisa de um curativo também? –indaguei num sorriso jocoso e ele estreitou os olhos.

E o esperado aconteceu. O silêncio, um desagradável e maldito silêncio se instaurou entre nós. Meu sorriso morreu e não era diferente com ele. Nós apenas nos fitamos por um longo tempo. Eu não sabia o que dizer a ele, não depois de tudo o que havia acontecido.

-Pensei que a Godaime tivesse te obrigado a ficar bem longe do hospital por um mês; Kakashi resolveu enfim quebrar o silêncio.

-É verdade, mas eu já não aguentava mais ficar em casa e ela não sabe que eu estou aqui. Resolvi ficar bem longe dos centros cirúrgicos e cuidar de coisas pequenas na enfermaria exatamente por isso, para me manter oculta dos olhos de Tsunade-sama. Às vezes ela é maternal demais, sabe; respondi dando de ombros.

Mais uma vez, silêncio.

Era a minha vez de quebrá-lo antes que ele nos congelasse no tempo.

-Kakashi?

-Acabei de encontrar com o Kiba; ele disparou me deixando surpresa.

-Ah.

-Ah? –eu o vi arquear a sobrancelha.

Então era isso? Ele estava ali, uma semana depois só para saber se eu havia cumprido aquela promessa estúpida que havia feito? Tudo o que ele queria saber era se eu havia transado com o Kiba? Sem dúvida ele ainda esperava encontrar a garotinha virgem e apaixonada, não é mesmo? Eu te amo e ainda quero que você seja o primeiro? Será que ele realmente pensa que as coisas sempre caminham a seu favor? Mesmo quando tem tudo para dar errado? Que seus planos habilmente pré-traçados sempre acabam bem?

Kakashi era tão egocêntrico quanto Neji, essa era a verdade.

Eu sorri e ele franziu o cenho num vinco fundo de inquietação.

-Veio aqui realmente só para saber se foi bom, Kakashi? –indaguei indiferente e se ele estivesse sem máscara eu certamente o veria cerrar os dentes de raiva. Ele continuou em silêncio e eu resolvi continuar. –Foi sim, mais do que eu esperava que fosse, mesmo não tendo sido com o homem que eu amo.

Eu não precisava ter dito aquilo, principalmente a parte em que me referia ao homem que amo, mas eu realmente queria ver a reação no rosto dele.

Mas... Aquele maldito continuava impassível!

Talvez eu tivesse que ser mais... profunda? Direta? Acrescentar mais... detalhes? Talvez somente os sórdidos? Eu realmente não me sentiria satisfeita até vê-lo desabar, ou no mínimo me agarrar. A gente sempre terminava assim, não é? Brigando, discutindo, e depois se agarrando.

-Kiba é... bom. Ele realmente se preocupa com a mulher que está em sua cama, até mesmo com as inexperientes. E isso não foi problema pra ele, sabe? Coisa que aparentemente assusta certos homens...

Eu havia conseguido. A expressão dele se tornou incrivelmente dura, dura como pedra.

-Não se preocupe, ele cuidou bem de mim Kakashi; completei num sorriso malicioso e então lhe dei as costas.

Aproximei-me da maca onde havia cuidado de Hajime ainda há pouco. Lentamente comecei a organizar o kit médico que havia usado. Triunfante! Sim, eu estava triunfante, mas senti aquela sensação de triunfo ir por água à baixo ao perceber que Kakashi estava perigosamente atrás de mim. Perto, muito perto, perto demais. Ele havia se aproximado com a mesma rapidez furtiva com que havia entrado pela janela, e eu não havia percebido coisa alguma até sentir a respiração quente dele no meu pescoço. Senti os cabelos em minha nuca se eriçarem e minhas mãos se tornarem trêmulas. Derrubei a pequena caixa de algodão que estava em minhas mãos e me amaldiçoei por me sentir tão vulnerável perto dele.

O estopim enfim explodiu, mas eu acabei chamuscada também.

Senti aquela mão grande passar por debaixo do meu braço e então me abraçar pela cintura. Meu corpo colou no dele e o calor que senti tomando conta de mim, fez com que sentisse minhas pernas trêmulas. Eu devia o empurrar e dizer que não precisava dele, que estava machucada demais para jogar aquele jogo onde ninguém vencia, mas eu não queria. Eu simplesmente adorava sentir aquele arrepio gostoso quando ele me tocava.

E Kakashi sabia, sabia o quanto podia me provocar com muito pouco. Percebi que ele pretendia realmente me provocar quando senti seus lábios quentes roçarem minha nuca. Livres do tecido da máscara seus lábios macios haviam conseguido me arrancar um gemido baixo, o que certamente inflou o ego daquele maldito.

-Não é verdade; ele sussurrou contra o meu ouvido me causando outro arrepio. –Você mente muito mal Sakura.

Eu queria gritar, socá-lo, mas tudo o que consegui fazer foi gemer outra vez quando ele mordiscou o lóbulo da minha orelha. Eu queria sentir aquela língua mais uma vez na minha boca, buscando a minha, mas não daria esse gosto a ele.

-E você beija muito mal, Kakashi; soltei-me do abraço dele e o fitei.

Era uma tremenda mentira, mas que havia valido a pena. Ele franziu o cenho, mas depois sorriu. Droga! Realmente ninguém ganhava naquele jogo, muito menos eu.

-Está mentindo de novo; Kakashi rebateu se reaproximando de mim e me acuando contra a maca.

Aquilo era golpe baixo, não é? Eu tinha que mirar aquela maldita pinta e aquele maldito sorriso sexy? E realmente não podia ceder? Eu não era de aço oras!

-Você nunca deu um nó na minha língua; dei de ombros entrando no joguinho dele ou pelo menos tentando parecer convincente com meu blefe.

Vi os olhos dele abandonarem os meus para mirarem a minha boca e pensei que ele fosse me beijar, mas Kakashi me frustrou. Ele não cairia tão fácil, tão pouco me presentearia com um beijo selvagem que era o que eu de fato queria. Ele riu e aquele risinho malicioso e presunçoso me irritou.

-E o Kiba deu?

-Ele me deu muito mais do que você quis me dar, Kakashi; respondi séria e ele pareceu pela primeira vez dar crédito ao que eu falava.

-É mentira.

-Não, não é; retruquei me assustando com o quão sério ele havia repentinamente ficado.

A mão dele rumou até o meu rosto segurando-o com firmeza. Eu me via refletida nos olhos dele, mas estava disposta a continuar mentindo mesmo que ele usasse o sharingan em mim.

-Diga isso olhando nos meus olhos.

-Vai mesmo usar o sharingan em mim?

Tentei brincar afinal estávamos jogando, mas ele não estava para brincadeira. Meu risinho nervoso desapareceu. Aquele olhar era o mais profundo que um dia ele já havia me dado. Kakashi estava despudoradamente vasculhando a minha alma e eu me sentia nua diante dele.

-É verdade sim, eu dormi com o Kiba aquela noite. Já não sou mais a sua garotinha, Kakashi; completei com firmeza.

-Não acredito em você; ele enfim me soltou dando uns poucos passos para trás e eu suspirei aliviada.

-Isso é problema seu; rebati.

-Tem razão.

-Como? –indaguei confusa.

-Isso realmente não é problema meu; ele completou me dando as costas e rumando até a janela.

-Então é isso? Só isso? –indaguei sem conter a raiva que estava sentindo. Depois de deflorar a minha alma ele simplesmente diz que não importa?

Ele já estava na janela e sequer se voltou para me fitar. Eu tive vontade de chutá-lo janela abaixo.

-O que mais você espera de mim, Sakura? –ele finalmente indagou.

O que mais? Tudo! Será mesmo que ele era tão idiota para realmente acreditar em mim e em tudo o que eu havia dito? Nem mesmo eu acreditava em minhas próprias palavras. Senti aquele nó subindo até a garganta, mas reprimi as lágrimas amargas que eu sabia estarem pedindo para sair.

-Nada; respondi por fim e ele me mirou pelo canto dos olhos enquanto punha a máscara no lugar.

-Bom.

Bom? Ele simplesmente saltou pela janela e me deixou ali sozinha.

-EU REALMENTE TE ODEIO, KAKASHI!

Gritei e então soquei a parede ao meu lado, ela rachou e ruiu fazendo com que gritos fossem ouvidos hospital a fora. Não era um terremoto ou coisa parecida, apenas o meu ataque de fúria e frustração, mas todos aqueles que estivessem desavisados certamente pensariam num desastre climático.

-SAKURA!

-Tsunade-sama?

Sim, minha mestra, ela estava ali no cômodo ao lado atendendo um paciente, um velhinho de oitenta anos que parecia ter entrado em choque depois de ver a parede a sua frente ruindo em mil pedaços.

-Sakura, precisamos conversar e... AGORA!–Tsunade-sama me apontou a porta e seu grito estridente pareceu assustar ainda mais o velhinho que se encolheu.

-Gomen; desculpei-me depois de passar pelo buraco na parede e então segui o galope furioso de minha mestra.

Continua...


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