Título:Chances
Capítulos: 13/?
Completa: [ ] Sim [X] Não
N/a: Esse capítulo originalmente eram dois, mas achei que seria sacanagem dividir e optei por deixar ele mais longo mesmo. Aproveitem minha benevolência!

Fraan Marques, thanks! Que bom que está curtindo, e obrigada por sempre deixar um review! *abraça*


CHANCES

Capítulo 13

Brennan respirou fundo, fazendo uma pausa e olhando à sua volta. Era bom voltar ao laboratório. Era bom passar seu dia com algo mais além de alimentar, acalmar e trocar dois bebês. Ela achou que não aguentaria, mas permaneceu cinco meses de licença em casa. As meninas exigiam muito de seu tempo e atenção, e ela havia se mantido ocupada. Mas nos últimos meses, com o estabelecimento da rotina e a ajuda da babá, ela havia conseguido até mesmo ajudar Zack em alguns casos, pelo computador.

Ela voltou a atenção para a ossada à sua frente. Pensar em tudo aquilo a havia feito perceber algo: Ela já estava com saudade das filhas. O melhor seria se concentrar no trabalho então. As meninas estavam com Amy, a babá que Booth havia recomendado e que havia se provado uma ajuda essencial. Em algumas horas Brennan poderia voltar para casa e ver as crianças.

-Ei, Bren. Acabei de terminar a identificação, o que acha?

-Ótimo, Angela. Você pode fazer uma busca pelas fotos das vítimas da explosão? Já faz alguns anos, mas tenho certeza que os parentes dele ficarão felizes em ser informados.

-Claro, querida. Ei, como estão as meninas?

-Bem. Provavelmente nem notaram que eu não estou mais em casa o tempo todo.

-É claro que notaram, ora. Ei, quando podemos sair para passear com elas novamente? Faz tempo que não as vejo.

-Talvez no sábado, Ange. Mas não sei, o tempo está esfriando cada vez mais. - Brennan voltou a atenção para os ossos, falando - Quando você voltar para sua sala pode avisar o Dr. Goodman que os ossos da exposição do mês que vem já foram preparados?

Angela concordou, sorrindo. Brennan havia voltado com força total ao modo trabalho.

Booth também percebeu isso, alguns dias depois. Domingo ainda era o dia sagrado para ele ver as filhas, ia para a casa de Brennan logo depois da missa da manhã, mas as visitas ocasionais que ele fazia depois de sair do trabalho estavam mais complicadas.

-Não, eu vou trabalhar até mais tarde hoje.

-Você vai, mas eu não vou. – disse ele pelo telefone – A babá está lá, não está? Assim a libero mais cedo.

-Booth, não tem como você sair de qualquer forma, o frio...

-Eu só quero ver elas, Bones! Não dificulte as coisas!

-Não é isso... ouça, hoje é sexta. No domingo você vai vê-las, não vai? Eu realmente preciso voltar ao trabalho.

Booth bufou. Enquanto ela estava em casa as coisas haviam sido tão mais tranquilas. Ela estava mais tranquila. Ela nunca negava a ele uma visita às filhas, por que começar com isso agora?

Ele não suportaria passar com Brennan a mesma coisa que já passava com Rebecca. E ele nem queria lembrar de Rebecca. Lembrar que, por mais um final de semana que deveria ser dele, ela havia arrumado outros planos e dito que "não havia nada a ser feito". Booth já não gostava da forma como Rebecca constantemente trocava de namorado, das figuras masculinas que ficavam passando pela vida do filho. Mas pior ainda era perder um dia que poderia ver Parker por que o novo namorado de Rebecca ia levá-lo em algum lugar.

Apenas duas horas depois ela saiu do Jeffersonian, e sua mente se desligou do trabalho, se lembrando do que tinha que fazer em casa. Deixou a bolsa e as chaves na mesinha do hall, dispensou Amy, e foi ver as meninas. Ela se agachou à altura das duas, que estavam deitadas em seu carrinho duplo, e ao vê-las sorrirem, lembrou-se de Booth.

Talvez ela tivesse sido um pouco dura com ele, e sem necessidade alguma. Não tinha decidido, não muito tempo atrás, que ele era alguém de confiança, e merecia tanto tempo com as filhas quanto possível?

Depois de pensar por algum tempo ela decidiu que precisava pedir desculpas, e discou o número dele.

-Booth? Você está em casa?

-Estou. - disse ele com uma voz de isso é óbvio se eu atendi ao telefone.

-Hoje não é o dia que você vai pegar o Parker na escola? - Brennan sabia que nas sextas-feiras ele normalmente sairia para jantar com o filho.

-O Parker ia sair com o Brent hoje.

-Quem?

-Brent. O novo namorado da Rebecca.

Brennan concordou. No dia que havia levado as meninas até o parque em que Parker jogava T-ball, havia conhecido Rebecca, que na ocasião, estava acompanhada por um homem.

-Ouça, Booth, quero me desculpar pelo meu comportamento mais cedo. Acredito ter feito o que alguns poderiam chamar de descortesia.

-Você foi rude.

-Eu sinto muito, Booth. Ouça, da próxima vez que quiser fazer isso... só passe aqui em casa. Ligue para Amy para avisar que você está vindo, e venha.

-Mas você mal quis me deixar ir hoje, o que vai fazer se eu aparecer sem avisar?

-Eu estava sobrecarregada com tudo que tinha pra fazer, queria apressar a conversa... eu já pedi desculpas, Booth.

Ela ouviu o silêncio do outro lado da linha.

-Eu confio em você. - disse, com uma voz mínima, fazendo uma pausa. Quando havia sido a útlima vez que ela falara aquilo para alguém? Se é que falara?

-Você acha que é muito tarde para passar aqui?

-É para você?

-Não. Acabei de chegar, não jantei ainda.

-Certo. - disse ele, sabendo que não conseguiria manter o orgulho e cedo ou tarde cederia - Passo em um restaurante e levo comida.

~X~

Booth estava sentado no sofá da casa de Brennan, as mãos fechadas sobre a barriga de Alexis, que estava em seu colo, deitada contra seu peito. Ele deixou um beijo na cabecinha dela, sentindo o adocicado perfume da bebê e sorrindo.

-Você quer que eu traga um prato para você? – perguntou Brennan, entrando na sala com dois copos de suco.

-Acho que vou ficar mais um pouco aqui, depois faço meu prato. – disse ele, ainda sorrindo. – Mas obrigado.

Ela voltou para a cozinha para pegar seu próprio prato, e logo se sentava no sofá oposto ao de Booth. Alexis havia tirado a mão da boca momentaneamente para poder soltar alguns murmúrios ininteligíveis.

-Alguém quer conversar? – disse Booth, a virando em seu colo para que a menina visse seu rosto. – Sim, você quer converar? Quer conversar, garotinha? Converse com o papai.

Brennan observava a cena, Booth aproximando e afastando o rosto, fazendo a menina rir. Se sentia culpada por ter sido tão rude com ele mais cedo, mas no momento não havia percebido. Estava no trabalho, totalmente focada em ser objetiva, e só queria retomar o serviço logo. Mas agora que estava em casa, sem nada para focar além das meninas, percebeu que não precisava ter falado daquela forma com ele.

Ela continuou a comer, pensando naquilo. Angela havia dito que, desde que as meninas nasceram, ela havia se tornado uma pessoa mais relaxada. E naquele momento Brennan percebeu que talvez a artista tivesse razão. Se ela não tivesse as duas filhas, o que estaria fazendo em uma noite qualquer como aquela? Escrevendo seu livro, ou revisando algo do trabalho, ou lendo revistas científicas. Nunca que estaria rindo ou se distraindo, como o fazia agora. As duas crianças necessitavam de muitos cuidados, mas à medida que cresciam e desenvolviam novas habilidades, também proporcionavam a ela momentos de diversão. Desde que haviam começado a gargalhar, ela sempre tentava incentivá-las para vê-las rindo. E esses pequenos momentos com as filhas a faziam esquecer completamente do trabalho.

Ela foi tirada de seus pensamentos por um choro, e imediatamente ergueu os olhos. Mas Alexis ainda sorria, o choro vinha do quarto. Ela deixou o prato de comida sobre a mesa de centro, e caminhou até o quarto das meninas.

Ela havia terminado de amamentar Sophia quando Booth entrou no quarto, com a outra bebê no colo, aos berros.

-Acho que ela está com fome.

Brennan concordou.

-Está no horário delas mamarem.

Um momento confuso se seguiu, Brennan sentada com uma menina no colo, e Booth em pé com a outra, nenhum dos dois sabendo como iriam trocar as bebês de colo.

-Coloque a Alexis aqui. – pediu Brennan por fim, estendo o braço livre. – Então pegue a Sophia.

Booth fez o que ela pedia, sentindo a pele dele roçar contra a dela enquanto lhe dava a criança. Se concentrando na tarefa, ele se virou para pegar Sophia.

-Acho que ela precisa de uma troca de fralda, Booth. – disse Brennan, com a voz suave, como se pedisse um favor.

-Estou aqui para isso, não é? – ele sorriu mas ela não correspondeu, se concentrando na filha que já procurava o bico do seio.

Booth foi até o trocador, sentindo-se um pouco frustrado com tudo aquilo. Brennan dava tantos sinais confusos que ele nunca sabia onde os dois estavam, quem dirá se ela havia mudado de ideia e havia a chance de um relacionamento.

Aquilo estava começando a cansá-lo.