Into Your Gravity
Chapter Fourteen: Testrálios


"The simple lack of her is more to me than others' presence."
--Edward Thomas


Os dias seguintes passaram dolorosamente lentos para Tom. Durante Poções, Luna fazia dupla com Cat e não falava com ele, e para completar, durante as refeições evitava olhar para ele. Ele disse aos seus outros "amigos" (ou pelo menos aos que são próximos a ele) que ele não se importava, mas ele se importava sim.

Na sexta-feira a noite, uma semana depois, ele estava deitado na cama, inutilmente tentando dormir, de novo. Pouco depois da meia-noite, ele finalmente se levantou da cama com um grunhido, calçou os sapatos e deixou a sala comunal.

Embora tivesse sua insígnia de monitor presa as vestes, ele ainda andava silenciosamente, torcendo para não encontrar ninguém. E ele conseguiu chegar ao Hall de Entrava sem qualquer inconveniente, mas foi só quando chegou na porta de carvalho que permitia a saída para os terrenos que ele percebeu onde estava indo.

Droga. Para quê? Primeiro, estou indo só para congelar. Em segundo lugar, se me pegam eu nunca vou conseguir ser monitor chefe. Terceiro, não há nenhuma razão para ir lá sequer. Estes foram os pensamentos que passavam na mente dele enquanto ele abria a porta e descia os degraus e atravessava o gramado.

Ele zombou de si mesmo. Lá vou eu de novo, ignorando o meu próprio conselho. Ele suspirou e viu uma nuvem sair de seus lábios momentaneamente antes de se dissipar. Ele amaldiçoou-se por ter saído do castelo no meio da noite, em janeiro, mas ele ainda assim continuou andando.

Olhando para o céu escuro, ele observou várias constelações que tinha estudado em Astronomia. Não foi até que as árvores bloqueassem a sua visão das estrelas que ele desviou o olhar.

Ele apalpou o bolso procurando sua varinha, mas percebeu que ele havia deixado ao lado da cama quando ele saiu. Merda, agora vou ter que andar no escuro ainda por cima. Ele continuou andando, não tenho muita certeza para onde ia, e ocasionalmente tropeçava em alguma raiz que ele não conseguiu ver com a luz da lua e das estrelas apenas. Após vários minutos, ele olhou ao redor. Eu estou indo no caminho certo? Bem, isso parece familiar. Mas é tudo um monte de árvores idiotas, então é obvio que tudo pareça familiar.

Ele andou por vários minutos, lentamente chegando à conclusão de que ele devia estar indo na direção errada. Ele estava preste a dar meia volta quando ele se deparou com a clareira.

Nenhum dos animais negros estava lá, com exceção de um, que estava deitado no centro da clareira, mas não estava dormindo. Seus olhos vermelhos seguiam enquanto ele lentamente entrava na clareira. O animal não se mexeu, ele parecia relutante em se mover e quando Tom se aproximou do Testrálio ele viu o porquê.

Ele ficou sem ar, chocado, ele viu Luna encostada ao corpo da Testrálio. Ela estava dormindo, e ele ficou encarando o cabelo louro em cascata dela que estava sobre o Testrálio, belamente contrastando com sua pele escura.

Ele foi até ela, sendo que o testrálio não tirou os olhos dele durante todo o percurso, e se ajoelhou ao lado dela. Ele silenciosamente admirou a forma como os cílios longos dela delicadamente repousavam sobre seu rosto e do jeito que ela sorria levemente durante o sono. Finalmente, se sacudindo mentalmente, ele pegou os ombros dela e suavemente a sacudiu para acorda-la.

Ela bocejou com vontade e se espreguiçou. Ela abriu os olhos devagar e o observou se ajoelhar ao lado dela. Um sorriso se contorceu no canto dos lábios enquanto ela fazia carinho no testrálio, que, em seguida, levantou-se e sumiu para encontrar seus companheiros. "Eu achei que você viria aqui, Tom", disse ela, sonolenta.

Ele lutou contra o desejo de discutir com ela e, em vez disse: "Por que você acharia isso?"

Seus olhos dançaram alegremente quando ela olhou para ele. "Adormeci esperando por você, você sabe. Eu conheço você."

"Não, você não", ele disse irritado. "Obviamente não conhece, já que você estava tão chocada quando você ouviu falar dos meus planos para o meu pai."

A luz nos olhos desvaneceu-se, ela suspirou e disse: "Sim. Sobre isso ...".

"Nada que você diga vai me fazer mudar de idéia", disse ele ferozmente.

Ele se mexeu desconfortavelmente enquanto seus olhos o encaravam. "Diga-me, Tom, por que você veio aqui, então?" Quando ele não disse nada, ela continuou: "Você veio aqui para me ver, não é? E você sabia que eu iria tentar te fazer mudar de idéia, então, obviamente parte de você quer isso ou então você não estaria aqui, estaria?"

Ele fez uma careta para ela por um momento, mas seu olhar suavizou. "Eu não sei o que eu quero mais. E isso é tudo culpa sua."

Ela pareceu surpreendida. "Como pode ser minha culpa?"

"É só que você é ... diferente."

"Bem, sim, eu já ouvi isso antes."

Ele balançou a cabeça. "Não, você é realmente diferente. Eu não gosto disso."

Magoada, ela disse: "Então por que você não me deixa em paz?"

"Eu não gosto porque faz tudo ser muito mais difícil", ele respondeu com sinceridade.

"Sinto muito que eu faça as coisas mais difíceis para você, Tom", disse ela sem muita honestidade.

Ele zombou. "Não, você não sente. Você adora isso."

Ela deu de ombros, inocentemente, e tirou um fio de cabelo que estava caindo no rosto dela. O luar estava claro e brilhante na clareira, e Tom viu mais uma vez a contusão que ele tinha feito, agora tingido de verde e amarelo e ele sentiu a pontada de culpa agora familiar.

"Você poderia esconder isso?" ele disse, tentando soar como se ele não se importasse.

Por um momento ela o olhou confusa, como se ela não soubesse do que ele estava falando, mas depois ela seguiu olhar dele para o pulso dela. "Ah! Bem, eu não vejo porquê. Eu disse aos meus amigos que eu esbarrei com Grindylow, e eles têm dedos longos e finos como você, você sabe."

"Eu tenho certeza que eles acreditavam" ele disse sarcasticamente, enquanto olhava para seus dedos. Eles eram finos e longos de fato, e ele nunca tinha notado antes.

"Eles acreditaram, na verdade, então não se preocupe", ela respondeu.

Ela olhou fixamente para ele por um momento, e ele percebeu mais uma vez a falta antinatural de piscar. Ele não disse nada, no entanto. Em vez disso, ele se jogou de costas no chão e olhou para o céu noturno.

Depois de um instante ela se deitou ao lado dele, e seu aroma cítrico pairou sobre ele. Ele respirou profundamente, saboreando o cheiro. "Quando você vai me dizer a verdade sobre seu passado, Luna?" ele perguntou de repente.

Ela apoiou-se acima em seu cotovelo para olhar para seu rosto. "Quando você vai me dizer a verdade sobre o seu?" ela retrucou.

Ele não disse nada, então ela relaxou de volta para o chão, ela saboreando o aroma e a sensação da terra fria e dura.

"Estou com frio", disse ele depois de alguns momentos de silêncio.

"Sinto muito", ela respondeu vagamente.

"Você quer entrar?"

"Não", ela disse simplesmente. Ela puxou sua varinha e fez um feitiço para aquecer o ar em torno deles.

O silêncio é retomado e, finalmente, Tom adormeceu. Antes de adormecer completamente, ele sentiu Luna aproximar-se dele e descansar a cabeça sobre seu peito, usando-o como um travesseiro. Ele sorriu meio grogue e cochilou.


Ele acordou algum tempo depois, ainda estava escuro, mas o céu estava menos escuro do que antes. Olhando ao redor, percebeu que os testrálios voltaram para a clareira e estavam dormindo em torno dele e da Luna. Luna ainda estava com a cabeça no peito dele, e ela ainda estava dormindo, com aquele mesma aparência calma em seu rosto. A mão dela tinha um punhado das vestes dela agarradas firmemente. E ele percebeu, assustado que ele tinha os braços em torno dela, que ele rapidamente removeu. Devo ter feito isso enquanto eu estava dormindo ... Estava um frio maldito.

Mas não era por causa do frio, o feitiço que Luna tinha realizado ainda pairava no ar, e combinado com o calor dos corpos dos testrálios, estava bastante confortável. Ele fez uma careta e olhou para ela mais uma vez, bem quando os olhos dela se abriram.

Olhando para ele, ela disse, "Olá, Tom".

"Ótimo, você acordou. Podemos entrar agora? A terra não é exatamente confortável."

Ela se espreguiçou languidamente e Tom ficou tenso pensando no corpo dela se movendo contra o dele até que ela olhou no rosto dele de novo. "Você vai matar seu pai?"

Ele empurrou-a levemente e se levantou. "Eu não sei."

"Você sabe que se você matá-lo eu nunca vou perdoá-lo", disse ela.

"Eu não sei, ok?" ele cuspiu.

Ela acenou com a cabeça, mas viu a culpa por trás dos olhos dele. Sabendo que ela tinha feito o máximo de impacto que ela poderia, por agora, ela decidiu não pressioná-lo. Em vez disso, ela estendeu a mão e esperou ele aceitá-la e ajudá-la a se levantar, depois de um momento, ele relutantemente o fez. Depois de ficar de pé, ela apontou para um Testrálio a poucos metros que era ligeiramente menor do que os outros. "Você se lembra dele?"

Ele inspecionou o Testrálio. "Não. Eles são todos iguais."

"Esse é bebê que você acariciou primeiro. Lembra-se?

"Oh, certo. Ele é grande agora."

"Sim", disse ela, olhando para as árvores escuras.

Ele a olhava com o canto dos olhos. "Por que você gosta tanto deles?"

"Hã? Os Testrálios? Bem, eu não sei... Eu gosto de todas as criaturas. Especialmente do Othello", disse ela com um brilho nos olhos ", mas ele não quis sair de debaixo dos cobertores quentinhos da minha cama, então eu vim sem ele. Quanto ao testrálios, eles são tão incompreendidos. Olhe para eles. Muitas pessoas não podem vê-los, então eles são ignorados, e então aqueles que os vêem estão quase sempre com nojo deles. " Ela acariciou o nariz. "Eles realmente não vêem além do que parece ser."

Ela parecia perdida em pensamentos por um momento, mas depois olhou para ele e sorriu com ar sonhador. "Eu sempre tive um fraquinho por criaturas mal compreendidas."

Se perguntando por um instante se essa frase tinha um significado mais profundo do que transparecia, ele disse: "Então, vamos ficar aqui a noite toda?"

Ela aproximou-se dele. "Bem, acho que não."

Eles partiram por entre as árvores novamente, Tom estava contente que Luna estava lá dessa vez, porque ele estava certo de que ele teria vagado por várias horas, mas ela parecia saber onde estava indo. Dito e feito, poucos minutos depois eles saíram da floresta. Quando chegaram à porta dupla do castelo, Tom insistiu em acompanhar Luna até a torre Ravenclaw.

Antes dela desaparecer no salão comunal, ela se virou para ele e disse: "Sim, eu definitivamente gosto de testrálios". Então ela se foi.