Episódio 6: O pássaro da rocha

Continuação de A marca na rocha

Capítulo um

Resumo: Conforme os exploradores começam a explorar a área descrita no mapa, começam a lamentar sua decisão. Viajando ao longo da montanha, encontram alguns dinossauros e alguns nativos não tão amigáveis. E à medida que avançam com as ameaças à sua volta, entram num confronto com o inimigo e são forçados a se separar. Como Marguerite e Roxton encontram-se no lado oposto de uma ravina que os outros, eles devem encontrar uma maneira de resolver seus conflitos e de reencontrar os outros antes de outro ataque. E afinal, o que estava fazendo Preston Hughes no platô?

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A montanha


Roxton encarou o dinossauro agora morto a sua frente, com suas garras e dentes enormes, o couro marrom escuro. Era de uma espécie com a qual nunca havia se encontrado. Um dinossauro grande, de focinho pontudo, altamente evoluído, bastante forte e resistente; lembrava um raptor, mas parecia capaz de rasgar algo em pedaços em questão de segundos.

"Que tipo de dinossauro é esse?" Roxton perguntou Challenger, que estava ao lado dele. Felizmente, Challenger percebeu rapidamente o dinossauro e tratou de atirar. Ele precisou dar três tiros antes de derrubar a fera, morrendo antes que Roxton pudesse ser seu café da manhã.

"Eu não tenho certeza" respondeu Challenger. "Mas não parece ser do tipo dócil. E pode haver outros nesta região."

Havia muitas pegadas ao redor do acampamento, provando que ele e Marguerite não eram os únicos a estarem acordados na noite anterior. Mas, quando Roxton examinou as pegadas, notou que algumas pareciam quase humanas, só um pouco maiores. Estavam todas misturadas com as pegadas de dinossauros e eram, definitivamente, recentes.

"Algumas dessas parecem quase... humanas" respondeu Challenger.

"Exatamente" respondeu Roxton. Então, ouviram alguns rugidos altos à distância que pareciam ecoar por toda a montanha. Todos os exploradores viraram-se para a direção dos ruídos, ouvindo-os melhor, e pareciam acompanhados por gritos de guerra ou algum tipo de cântico que definitivamente era de seres humanos.

"O que foi?" Veronica perguntou ao olhar para Challenger e Roxton.

"É melhor sairmos daqui" Challenger disse em tom apressado, já guardando suas coisas e jogando a mochila nas costas, enquanto os outros olharam para ele preocupados. "Não se preocupem, acredito que o que está fazendo aqueles ruídos está longe de nós." Logo após dizer isso, os ruídos soaram ainda mas fortes.

"George, tem certeza que esta é a melhor idéia?" Marguerite perguntou.

"Esses ruídos pareceram bem próximos" Malone acrescentou.

"Este é o caminho, o mapa aponta" Challenger rapidamente disse, olhando para o papel em suas mãos que havia tão fielmente guardado.

"Todos nós queremos saber aonde esse mapa leva, Challenger, mas não sabemos o que está nos rondando" disse Verônica. "Pode haver mais dinossauros como aquele nesta montanha."

"Talvez a única maneira de descobrir seja continuando" acrescentou Roxton calmamente, pegando o rifle e indo na direção de Challenger. Marguerite olhou-o por um momento e deu um passo em direção a eles.

"Certo" disse ela, pronta para continuar e descobrir ao encontro de quê estavam indo, apesar de uma parte dela estar tão apreensiva quanto Verônica. Depois de pensar um pouco mais, Verônica, Finn e Malone também concordaram que já estiveram em situações como essa antes e a melhor coisa a fazer era continuar.

A fuga


Eles haviam andado por milhas, na seqüência das montanhas, e observavam cuidadosamente a área em torno deles. No desfiladeiro do topo da montanha havia um precipício tão alto que parecia não ter fim. Uma camada de nuvens pairava em linha reta, mantendo sua visão muito limitada. Todos sabiam que a próxima marca identificada no mapa e que estava gravada na pedra parecia um pterodátilo inclinado, asas abertas, um bico longo, e sua cabeça como se olhasse diretamente para eles. Nenhum deles jamais havia visto algo semelhante, mas também nunca haviam explorado essa parte do vale antes.

À medida que caminhavam, Roxton olhava para Marguerite, que ia a um ou dois passos à frente dele, na parte de trás do grupo. Ele diminuiu o ritmo e começou a caminhar ao seu lado, sem deixar de manter o olhar atendo à frente. Ela o observou por um instante, sempre em guarda para qualquer coisa que pudesse cruzar seus caminhos.
"É um bom dia" comentou Roxton casualmente, olhando ao redor.

"Não está ruim" respondeu Marguerite, também muito casualmente. Ela não parecia querer realmente falar com ele naquele momento, mas como ela havia feito uma tentativa de começar a conversa da noite anterior, ele decidiu que poderia tentar iniciar a conversa de hoje.

"Dormiu bem?" Perguntou ele.

"Dormi" ela respondeu às pressas, ainda olhando pra a frente, pronta para disparar a qualquer dinossauro que estivesse à espreita. Ele percebeu que aquele não era o melhor momento, mas ficou surpreso quando ela finalmente lhe fez uma pergunta. "E você?"

"Na verdade, não" Roxton respondeu, balançando a cabeça. Ela finalmente olhou para ele.

"Ah" respondeu ela, observando o cansaço em seu rosto. Ele estava com olheiras desde que Claire chegou ao platô. Algo dentro dela sugeriu que ele não dormiu bem por todo esse tempo e seu corpo estava começando a demonstrar isso. Ele deu de ombros e sorriu por ela ter, finalmente, falado um pouco mais com ele.

Marguerite voltou sua atenção para Verônica e Malone, que estavam alguns metros à frente deles. Eles estavam conversando baixo, tentando tirar o máximo de proveito de uma situação tensa, flertando um com o outro e sorrindo. Roxton notou que ela estava olhando também. Uma parte dele ficou com inveja de sua felicidade, mas lembrou-se do quanto os dois estavam felizes já há algum tempo. E não importava o que ele estava sentindo, ele sabia que já estava na hora de Verônica e Malone finalmente tentarem tornar sua relação mais romântica.

Marguerite notou seu olhar sobre eles e tentou pensar em algo para dizer, mas não estava completamente segura do que dizer ao homem ainda. Claro, ela tinha um monte de palavras que atravessam sua mente, mas juntá-las e dizê-las em voz alta era muito mais difícil de fazer. Afinal, o homem ao lado dela era diferente da maioria dos outros. Ela lutou, riu e flertou com ele; confiava nele mais do que em qualquer outra pessoa e, nessas raras ocasiões, ela foi até capaz de derramar uma lágrima com ele. Mas depois de tudo o que aconteceu desde que se conheceram, ele era realmente o que ela precisava? Valia a pena salvar seu relacionamento depois de todo o mal que haviam causado um ao outro? Ela não teve a oportunidade de descobrir, naquele momento, pois Challenger parou rapidamente, subitamente tenso.

"O que foi?" Finn, que estava ao lado de Challenger, sussurrou.

"Algo está nos observando" respondeu Challenger, olhando ao redor. Roxton caminhou até ele e também sentiu-se arrepiar. Ele olhou ao redor e não viu nada, mas definitivamente havia algo. À esquerda estava um grande barranco por onde passaram, tentando encontrar uma pista do que seria esse pássaro gravado na pedra. Do outro lado, havia muitos arbustos e algumas árvores altas, que era onde parecia haver algo escondido, ou talvez alguém.

Roxton lentamente deu um passo à frente com seu rifle apontado. Ele não tinha a menor idéia do que seria aquela ameaça, mas seus instintos lhe diziam que havia algo. Temendo que algo aparecesse e os pegasse de surpresa, continuou avançando. Ao chegar perto de uma árvore, notou alguns arranhões, mas não viu nada. Enquanto olhava em volta, os outros prenderam a respiração com suas armas em punho. Já iam voltar quando ouviram o som e se deparam com três grandes dinossauros aproximando-se por trás, preparando-se para atacar...