Capítulo 14: Quem entende as mulheres?

Porque eu... Eu acho que gosto de você. Acho que gosto de você. — Pansy repetiu pela enésima vez.

— Acho que entendemos essa parte, querida. — Colin deitou-se na perna de Luna. — Estavam os três (Pansy, Luna e Colin) deitados na enorme cama de casal da suíte de Luna. — O que não entendemos é o porquê de você ter saído de lá.

— Convenhamos, ele se declarou pra você. Ele não quer que você suma da vida dele. Também se importa. — Luna sentiu quando Pansy deitou-se ao seu lado na cama. — Sei que não é a declaração de amor que você esperava, mas não seja tão vitoriana assim.

— Não é questão de ser ou não vitoriana. Eu nunca gostei tanto de alguém, como gosto dele. — Os três olharam para o teto, esperando o tempo passar. — E não quero um amor pela metade. Quero-o por completo. Acho que mereço isso.

— Claro que merece. — Colin disse. — Dê tempo ao tempo. E não seja tão impulsiva. Lembre-se que a vantagem das mulheres sobre os homens é que só tem uma cabeça para pensar. — Ele deu uma piscadela para as meninas. — Ele virá até você. Se realmente se importar. Mas não saia de Londres ainda. Luna e eu temos que resolver umas coisas em Dublin, mas voltamos em breve. Não faça besteiras.

— Acho que já deu o tempo. — Luna afirmou. Olhando para o banheiro.

— Não quero fazer isso sozinha. — Pansy sentou-se e agarrou a mão dos outros dois.

— Estaremos aqui com você. — Luna sorriu.

Quando chegaram ao banheiro, os olhos de Pansy divisaram as outras cinco embalagens do teste de gravidez que fizera, e que estavam no lixo.

— Esse é o último, Pan! — Colin afirmou. — Se realmente for confirmado, não importa o que aconteça. Você não vai ficar só. Já faz parte dessa família. — Ele apontou para si mesmo e para Luna.

— Ok. — Pansy não se surpreendeu quando o sexto teste também deu positivo.

Olhou para os amigos e sorriu.

Recebeu um abraço dos dois. E sentiu-se segura.


Gina acordou bem devagar, parecia despertar das profundezas de um sonho maravilhoso. Recordava com satisfação a experiência de ter Draco envolvendo-lhe o corpo nu, entre beijos e carícias afetuosas. Satisfeita, roçou a face no travesseiro e sorriu.

O sorriso congelou quando a mão dele afagou-lhe os quadris.

Oh, Deus.

Ao abrir os olhos, os raios de luz que atravessavam as janelas ofuscaram-lhe a vista. Sentiu o corpo viril e quente de Draco colado ao dela.

Engoliu em seco e lembrou-se.

Sorriu outra vez.

Incrível. Absolutamente fantástico.

Estaria ele acordado? Como deveria agir? De maneira casual? Descontraída? Modesta? Supunha que a maioria das mulheres adoraria despertar ao lado do homem com o qual fizera amor a noite inteira. Aceitariam o fato, arriscariam um bocejo e diriam bom-dia.

Gina tinha vontade de cantar de alegria.

Devia ser o sangue da família Weasley, refletiu. Mordeu o lábio para não dar vazão ao ímpeto artístico.

Também queria dançar. Bem ali sobre a cama. Dançar, cantar e rir.

Mergulhando o rosto no travesseiro, sorriu abertamente. Uma canção que enfatizasse a beleza das manhãs seria perfeita.

Cantou para si mesma em pensamento.

— Ruiva, está acordada?

A voz de Draco assustou-a e, sem querer, deu um salto, socando-lhe o peito. Ele gemeu de dor.

— Desculpe. Eu o machuquei? — Desesperada, Gina virou-se para ele.

Esfregando o tórax, Draco sorria.

— Você podia beijar o local contundido — sugeriu. Ondas alucinantes de calor percorriam o corpo nu de Gina.

Deus, ambos estavam nus.

Na cama.

Sob a luz do dia.

Draco deslizou uma das mãos sobre o ventre macio.

— Oh, Draco, não quero que pense…

Ele passou o braço ao redor da cintura fina e puxou-a.

— Também não quero que você pense, Ruiva.

Então ele beijou-a com ardor, roubando-lhe os sentidos. Ela se entregou confiante e, perdida de amor, sentiu o roçar dos corpos nus.

Quando, por fim, ele se afastou, Gina encontrava-se ofegante e muito, muito estimulada. Abriu os olhos devagar e encontrou os de Draco que a observavam enlevado.

Ambos sorriram.

— Não sei ao certo o que fazer — ela confessou. — É minha primeira vez, sabe, nunca acordei com um homem a meu lado.

O brilho dos olhos cinza tornou-se mais intenso ante a inocente declaração.

— Você deve dizer que sou maravilhoso, preparar o café da manhã e servi-lo na cama.

Gina notou, surpresa, que ele brincava.

— O ritual é esse? Bem, você é maravilhoso. — Ela mordeu o lábio e baixou os olhos. — Mas como sou novata, não posso atestar com segurança.

— Ora, sou maravilhoso, sim. Na verdade, você me disse isso várias vezes durante a noite. —Disse prepotente.

— Eu disse? — Perguntou estranhando.

— Não em palavras. — Draco acariciou as curvas das costas e deteve-se no pescoço alvo. — Mas dizem que ações falam mais que palavras.

Ele começou a massagear os quadris de forma lenta e sensual. Gina prendeu a respiração.

— É o que dizem?

— É. — Ele voltou a beijar-lhe o pescoço.

Lutando contra a falta de ar, ela então começou a acariciar os braços fortes.

— Já se perguntou quem são essas pessoas?

— Não.

Quando os lábios quentes atingiram um dos seios, Gina parou de raciocinar. Mergulhou os dedos nos cabelos louros a fim de saborear a carícia suave em seu mamilo.

— Draco — suplicou. — Por favor.

Em pouco tempo, ele atendeu a súplica.

O homem passou a se considerar o homem mais feliz do universo.

Podia perceber o sorriso tolo em seu rosto, mas não se importava. Havia experimentado a noite mais incrível de sua existência e, naquele momento, abraçava a mulher mais encantadora do mundo.

Deitado, afagava os cabelos macios de Gina, fascinado pela textura sedosa. As mechas ruivas eram apenas uma das excepcionais qualidades que ela possuía. Havia outras ainda mais notáveis e, só de lembrá-las, sentiu o desejo crescer novamente.

Gina adormecera.

Draco podia ver o rubor da paixão que ainda permanecia sobre a pele suave. Por mais que ansiasse por repetir o ato amoroso, deixaria que ela repousasse. Afinal, pouco haviam dormido durante a noite.

Sorriu, maravilhado.

Oh, sim. Era um homem de muita sorte.

Podia ter tudo: Virginia e a melhor secretária do século.

Por que nunca se dera conta disso? Eram ambos maduros e responsáveis. Não haveria motivos que os impedissem de trabalhar durante o dia e se tornarem amantes à noite.

No entanto, tinha dúvida de que ela aceitasse tal condição. Dependeria dele distraí-la e não lhe dar chance para maiores reflexões. Pelo menos no momento presente, seria uma temeridade qualquer tipo de proposta nesse sentido. Sem dúvida, ela tentaria racionalizar a situação e poria tudo a perder.

Agiria com toda cautela, teria de ser diplomático e convincente ao expor suas intenções. Ela precisava de algum tempo para assimilar e acatar a ideia, sem discordar de que eram capazes de manter o relacionamento dentro e fora do escritório. Claro, Virginia veria quão simples podia ser.

Quão fácil.

Quão perfeito.

Tinham pela frente o final de semana, e ele pretendia manter a mente e o corpo dela ocupados. Segunda-feira de manhã, depois de dois dias juntos, Draco lhe apresentaria aquela proposta.

Ela aceitaria a relação.

Murmurando, Gina aconchegou-se nos braços de Draco. Ele beijou-lhe a testa. Que sensação boa e quente.

Sonolenta, Gina deslizou a mão sobre os músculos do tórax, e ele sentiu o sangue ferver.

Podiam dormir mais tarde, decidiu, impaciente.

Deitou-se sobre ela e observou os olhos castanhos se abrirem lentamente. Gina o abraçou, pronta para recomeçar outro interlúdio alucinante.

A campainha tocou.


Não era a primeira vez que Harry Potter sentia-se perdido na vida, mas definitivamente era a primeira vez em que se sentia estúpido.

Porque eu... Eu acho que gosto de você. – Repetiu em tom de chacota. - Que homem inteligente diz isso a uma mulher? — Hermione perguntou ao amigo.

— Não era pra você me julgar, lembra? — Ele olhou-a com um olhar indignado. E Hermione lhe retribuiu.

— Estou convivendo com você a menos de uma semana, Harry. E posso perceber o quanto você gosta dessa menina. Ela mexe com você, como Cho ou eu nunca mexemos. Vai negar que se sente mais vivo, quando está com ela? O brilho nos seus olhos muda... É mais impulsivo, mais vibrante, intenso... Diz-me quando que você já se sentiu assim antes?

— Eu... Eu... — Nunca colocara sobre essas perspectivas a Malfoy. Mas agora tudo parecia se encaixar.

— Admita, Harry. Admita para você mesmo. Você quer estar com ela. Não comigo. Desde a noite que passamos juntos, e ela apareceu com os irmãos, você não consegue me ver mais como mulher.

— Desculpe-me, Mi. — Ele acariciou a face da amiga. Estava na sala de sua casa, conversando com sua melhor amiga.

— Sabíamos que uma hora ou outra essa nossa relação com benefícios acabaria. Esse é o fim.

— Você está certa.

— Sempre estou. — Ela sorriu arteira. — Mas você tem que procurá-la. Afinal de contas, ela pode estar carregando um filho seu, e eu não me sentiria bem se não conhecesse uma parte sua.

— Valeu. — Ele a abraçou. E por um tempo eles ficaram assim.

— Está perdendo tempo aqui comigo. Já são sete e meia da manhã. Vá atrás dela.

Ele confirmou.

Mas antes iria tomar um banho.

Quando chegou ao corredor deu de cara, com um ruivo com cara de sono. Ronald nem mesmo ligou para Harry, apenas o cumprimentou com um aceno de cabeça, antes de entrar no banheiro.

O moreno voltou para a sala. Com o rosto corado e encarando Hermione Granger, que lhe sorria como um anjo.

— Ora, Harry, uma garota também pode se divertir.

Ela gargalhou quando ouviu o amigo gritar enquanto saia bufando de casa:

— Mas tinha que ser ele?


— Minhas tias! — Gina ficou pálida. — Ontem à noite, elas me disseram que fariam uma visita pela manhã.

Nem um balde de água fria os faria pular da cama com tanta rapidez como o toque insistente da campainha. Ela procurou algo para se cobrir, porém as roupas que usara na taverna não eram suficientes. Agarrou o edredom, enrolou-se nele e correu ao armário. Draco pegou a calça jeans e vestiu-a.

— Vou abrir a porta para elas — prontificou-se.

— Não! — Gina pegou o roupão felpudo.

— Tivemos uma festa de noivado ontem à noite, Ruiva. Ariel e Muriel pensam que eu moro aqui. Não creio que iremos chocá-las.

— Mas…

— Sem réplicas. — Ele beijou a ponta do pequeno nariz. — Farei café e conversaremos com elas por alguns minutos. Agora pare de se preocupar e vista-se.

A campainha tocou outra vez. Gina, nervosa, olhou em direção à frente da casa e depois para Draco. Respirou fundo e assentiu.

— Boa garota.

Ele passou pelo quarto de hóspedes, pegou uma camiseta e correu à porta da frente. Ariel e Muriel, usando as habituais roupas coloridas, sorriram.

— Bom dia — cumprimentaram em coro.

— Bom dia. — A voz fraca de Pansy foi ouvida. E Draco estranhou a aparência abatida da irmã.

Entraram na sala, carregando a bolsa de Gina e indagando se a sobrinha estava melhor, Draco garantiu-lhes o bem-estar dela. E enquanto preparava o café, ouviu-as contar detalhes sobre a festa.

Luna fugiu sorrateiramente na calada da noite, apesar de ter sido vista saindo do quarto de Blaise, pelas próprias tias. Colin e Pansy dormiram no mesmo quarto (sem protestos, porque agora Draco sabia que Colin era gay), Harry saiu correndo do Hotel, Rony e Hermione sumiram misteriosamente.

Foi uma noite muito agitada, segundo elas. Mas Draco percebeu que sua irmã não compartilhava da empolgação das tias de Gina.

Observou-a: olheiras, cabelo desgrenhado, pálida. E o pior de tudo, estava calada, sem fazer seus comentários pertinentes. Algo estava se passando com ela.

— Mas o ponto mais alto da noite, foi quando Blaise começou a cantar country. Devo dizer que sua família tem um talento excepcional. — Muriel observou o clima pesado entre os irmãos que se encaravam.

— Pagaria uma fortuna para ver esse espetáculo. E uma maior ainda pra ver meu irmão acordar de ressaca.

— Acredite, ele deve ter acordado tão bem quanto você. — Ariel apontou sugestivamente para um chupão no pescoço de Draco.

Ele não se lembrava daquilo. E o seu rosto ficou vermelho, fazendo com que todos rissem, inclusive Pansy.

Ariel e Muriel, com certeza, haviam trazido vida a Londres, e todos sentiriam saudade quando partissem.

Embora soubesse o quanto podiam ser divertidas e animadas, Draco acharia complicado viver sob o mesmo teto que as duas. Pensou na revelação que Gina lhe fizera na noite anterior, na necessidade de se sentir normal. Apesar do talento nato, ela almejava uma vida tranquila com uma rotina regular e um trabalho seguro.

E era toda dele. Em todos os sentidos.

Ele sorriu. O homem mais sortudo.

— Bom dia, querida — as tias disseram ao mesmo tempo.

Draco observou Gina entrar na cozinha. Ela havia colocado um vestido longo e prendera os cabelos para trás. Beijou as tias e o olhou, em um misto de timidez e travessura que atiçou os sentidos dele. Estava ansioso para de novo estar a sós com ela.

— Sente-se melhor? — Ariel perguntou.

— Sim, obrigada. — Gina corou antes de se servir de café. — Tive uma ligeira dor de cabeça. Mas já passou.

— Ginny. — Muriel puxou uma cadeira. — Sente-se, querida. Você também, Draco. Tia Ariel e eu gostaríamos de conversar com vocês.

A ruiva mais nova derrubou o café que despejava na xícara e encarou Draco. Ele deu de ombros e indicou-lhe a cadeira.

— Queremos que ambos saibam quão divertida foi esta semana para nós — Ariel disse. — No entanto, decidimos ir mais cedo à Flórida e passear por Miami.

— Vão embora? — Gina não conseguia acreditar.

— Hoje mesmo, se não se importar. — Muriel tocou a mão da sobrinha. — Há um táxi a nossa espera para nos conduzir ao aeroporto.

— Mas vocês…

— Voltaremos para o casamento, claro — Ariel assegurou-a. — Avisem-nos quando marcarem a data.

Gina fez menção de protestar, mas Muriel impediu-a.

— Querida, você sabe que odiamos despedidas. Basta nos dar um abraço e ligaremos quando voltarmos à Nova York.

Ambas se levantaram e abraçaram Gina. Draco, em seguida, viu-se envolvido em beijos.

— Vamos sentir saudade. — Ariel acariciou o rosto de Draco e sorriu. — Cuide bem delas, rapaz. Gina é uma joia rara. E sua irmã precisa de apoio.

Draco encarou o rosto de Pansy encharcado de lágrimas. As tias de Gina abraçaram a morena. E ela retribuiu.

Em seguida as tias se retiraram, cantarolando alguns versos, enquanto Gina e Draco as acompanhavam à porta.


— Blaise, pára de me enrolar e diz cadê a Pan! — Harry estava no saguão do hotel, apertando Blaise pelo colarinho da camisa.

— Cara, mesmo que eu soubesse não ia te dizer, porque com essa tua cara de assassino, fico preocupada se minha irmã seria a tua próxima vítima.

— Blaise é sério. Eu... Eu... Tenho que conversar com ela.

— Eu não sei que tanto assunto você pode ter com ela, cara. Tudo o que eu sei é que ela saiu desse hotel de manhã cedo, com as tias da Gina, agora pra onde foram eu não sei. E quer saber o que mais: nunca vi minha irmã tão triste e se isso tem algo haver com você...

— Ela está na casa da Gina. — Luna interrompeu Blaise, pegou em sua mão e lhe sorriu. — Espero que faça a coisa certa, Potter.

Ela sorriu.

Harry saiu em disparada, mas Luna o seguiu. Ele voltou lembrando-se de que não sabia aonde a secretária de Draco morava.

— Suspeitei que não soubesse. Dessa maneira, aproveito a carona para me despedir de minha prima.


— Eu posso ir ao banheiro? — Pansy perguntou pálida.

Gina assentiu.

O silêncio foi profundo e pesado após a saída das duas. Gina cruzou os braços e olhou para o chão.

— Acho que é tudo — murmurou.

— Como assim?

— Você sabe. Não precisa… continuar aqui.

— Quer que eu vá embora, Gina?

— Não.

Graças a Deus! Draco soltou o ar que ficara suspenso, segurou o lindo rosto e beijou os lábios rubros. No mesmo instante, sentiu o corpo de Gina derreter-se.

Silenciosa, ela sorriu, e eles foram para a sala.

— Sua irmã não me parece muito bem! — Gina constatou

Draco assentiu preocupado.

— Eu sei. —Ele estava com um olhar distante. Gina passou a mão pela face dele. Ele sobressaltou-se.

— Eu posso conversar com ela.

Ele apenas balançou a cabeça.

—Ela precisa ficar só. — Mesmo não sabendo sobre o que se tratava, ele tinha certeza de que quando ela precisasse dele, o procuraria. Eles sempre foram assim. E agora não seria diferente.

— Então não se preocupe. — Ela deu-lhe um de seus sorrisos mais doces. O que por alguns minutos o acalmou. Até a campainha tocar mais uma vez.


- Eu atendo. – Draco levantou-se e abriu a porta. Gina ficou sentada no sofá.

O loiro surpreendeu-se ao ver Harry e Luna, parados a porta. O moreno tinha uma cara de velório e a loira era totalmente o oposto.

- Posso entrar? – Harry perguntou sério.

- Com licença rapazes. – Luna entrou e sentou-se ao lado da prima.

- O que aconteceu, Potter? – Draco perguntou com preocupação evidente. – O que você fez?

- Eu vim consertar meus erros, Malfoy. E espero que sua irmã possa me perdoar.

- Sinceramente, não sei se ela quer te ver.

- Eu vou vê-la. – O moreno disse decidido, sustentando um olhar de desafio.

- Se você machucá-la será a última coisa que vai fazer. – Draco abriu caminho para que Harry passasse. Segunda porta a direita, é só seguir pelo corredor ao lado da escada.

Ele deu um longo suspiro. Não era muito bom nesse tipo de coisa, mas tinha que tentar se explicar.

Harry aparentava ser amargo e indiferente com os outros, porque já tinha se machucado demais. Era a sua forma de se proteger do mundo, nunca se envolver com alguém. Mas, Pansy Malfoy valia a pena! E mesmo que ele fosse um homem que geralmente sabia persuadir alguém no mundo dos negócios, quando se tratava de assuntos do coração ele tinha certa dificuldade.

Nem bateu na porta, apenas a abriu. Sabia que se fosse educado ela provavelmente nem o atenderia.

— Eu não sei como aconteceu, nem o porquê de ter acontecido, Pan... – Ele foi logo dizendo, para que ela não tivesse tempo de responder. Avistou-a sentada no chão do banheiro chorando. - Mas eu quero fazer parte da sua vida, porque você me faz ter vontade de ser um homem de verdade. Você me desafia, me mantém preso nos seus braços, me completa. Mesmo quando você descobrir que eu não sou a metade do homem forte que você pensa, eu quero que você fique comigo. Você me faz rir, me faz lembrar que eu sou simplesmente o "Harry" e quando eu olho pra você, eu vejo coisas que eu jamais teria imaginado para mim. Eu tenho vontade de dar mais de mim... E eu não estou falando de dinheiro ou de reputação... Estou falando de algo muito mais complexo, algo que eu tentei esconder de mim mesmo. – Ele pausou, um pouco desconfortável por estar falando tanto e ainda não ter chegado aonde queria. – Isso não tem nada haver com promessas, Pansy. É sobre descobrir o que nós significamos um para o outro, é sobre viver honestamente com o que esse sentimento – Apontou para o próprio peito – pode nos proporcionar. Eu quero que fiquemos juntos. É assim que deve ser, eu deveria ter te falado antes essas coisas, deveria ter percebido antes. – Ele abaixou-se, ficando com o rosto na mesma altura do que o dela e pegou a mão da morena, que estava paralisada tentando assimilar tudo o que ele lhe dizia, e a levou ao seu peito, para que sentisse o pulsar de seu coração. – É o certo, é o que o amor nos faz sentir... Eu sou seu da mesma forma que você é minha... E essa é a única certeza que eu tenho... Estar com você, é ser verdadeiro comigo mesmo. E se você me disser que não sente o mesmo, isso vai significar que eu não sei o que é o amor.

O silencio dela o assustou. Geralmente ela era do tipo que sempre tinha uma opinião.

Algum tempo se passou...

— Eu não sei mais o que dizer, Pan. – ele suspirou. — Se você realmente acredita que nós... Que ficarmos juntos não é uma coisa boa...

— Shiii! — Ela pediu. — Eu… Eu não consigo falar... — A voz embargada era notável. — Um choro incontrolável explodiu, subitamente. Pansy que sempre tivera uma resposta para tudo, se viu envolvida por um acumulado de emoções que a faziam ficar inerte, sabia que ele estava sendo sincero... Sorriu.

— Eu te amo. — Ele disse pela primeira vez. Ela o abraçou.

Passados alguns minutos, com Harry apenas afagando os cabelos femininos. A Malfoy resolveu que era hora de se pronunciar:

— Eu também te amo, Harry Potter. Eu sou apaixonada por você, desde sempre. Mesmo que eu não admitisse. Naquela noite em que dormimos juntos, eu sabia o que eu queria. Eu queria ter certeza de que você não era o certo pra mim, que eu devia te esquecer, depois que eu constatasse que não valia a pena. E eu fiquei acordada a noite toda, apenas rezando para que eu tivesse a chance de te deixar pra trás. Eu pensei que você nunca pudesse retribuir o sentimento...

— Pansy eu seria um idiota, se não amasse você.

— Eu te amo, Harry... E muito obrigada por não me fazer viver fingindo que eu não sentia nada.


Após o melhor final de semana de sua vida, não foi nada fácil retornar ao trabalho na segunda-feira.

O fato de Draco passar a manhã na construção de Tom Riddle deveria ter amenizado a tensão que ela sentia, mas Gina precisou digitar duas vezes os termos do projeto Riddle. Não conseguia soletrar as palavras e quase se esquecera de enviar os certificados de segurança a Daniel.

Pior, flagrou-se sonhando acordada pelo menos uma dúzia de vezes. E passou o dia cantarolando. Precisou morder a língua para conter o tom de voz.

Ela e Draco ainda não haviam conversado a respeito do que se passara entre eles, tampouco sobre as consequências que poderiam surgir. Durante o fim de semana, cada vez que tentava trazer o assunto à tona, ele logo a distraía.

Para seu constrangimento, Gina entregara-se à distração facilmente.

A lembrança de quão arrebatadores foram os momentos ao lado dele a fez corar. Sentia os reflexos do desejo ao menor pensamento que lhe viesse à mente.

Cada toque ou suspiro entre eles queimava-lhe a pele. Draco era um amante especial, com o qual todas as mulheres sonhavam. Atencioso e gentil em um momento, e, no outro, forte e audacioso. Ela mal conseguira recuperar o fôlego. Como agora.

Mas era segunda-feira. As tias haviam partido e o final de semana, por mais belo que houvesse sido, chegara ao fim. Não existiam razões para fingir.

Piscou algumas lágrimas, não iria chorar. Os dois dias com Draco significavam um encontro único. Recusava-se a lamentar. Porém tinha de enfrentar a realidade, confrontar o fato de que fizeram amor. E uma situação que outrora parecia improvável, agora se tornava impossível.

Com um suspiro, ajeitou o coque e forçou a atenção na tela do computador. Precisava terminar a lista de pagamentos até o fim do dia. Dada à morosidade com que trabalhava, não a encerraria nem em um mês.

Estava quase na metade da tarefa quando Draco entrou no escritório. Ela engasgou ao divisar a figura máscula. A calça de brim cobria as coxas musculosas; as mangas da camisa de flanela estavam dobradas, revelando os braços; as botinas aumentavam-lhe a estatura. Tudo em Draco parecia grandioso, concluiu ruborizada.

Mas quando ele sorriu, ela sentiu o corpo aquecer-se.

— Olá. — A voz soava rouca, os olhos permaneciam fixos nos lábios de Gina.

Era a mesma expressão que vira naquela manhã ao acordarem.

— Olá. — Ela elevou a voz. — A análise do solo, referente ao projeto de Riddle, está em sua mesa com os termos do contrato. Os desenhos do arquiteto de New Jersey chegaram, e sua irmã ligou.

Mantendo o olhar maroto, Draco aproximou-se. Gina inclinou-se sobre o arquivo.

— A secretária do sr. Riddle também telefonou. Ele mudou o vôo e vai... Vai chegar as onze da manha. Pede que você vá buscá-lo no aeroporto, se não for inconveniente.

— Tudo bem. - Céus, como era bonita, Draco pensou enquanto reparava o nervosismo explícito de Gina. Nunca a achara sensual naqueles trajes conservadores, e, depois do final de semana, sentia o ímpeto de desabotoar-lhe o casaco e soltar os cabelos tão bem penteados.

De propósito, permanecera mais tempo fora do escritório a fim de dar alguns momentos de solidão a ela. Sabia que no início seria estranho trabalharem e dormirem juntos. Mas ela se habituaria à ideia, seria uma questão de tempo e paciência.

Podia ver que ela se esforçava por manter a fachada profissional. Apertava um envelope tamanho ofício de encontro ao peito. Draco ficou extremamente orgulhoso ao notar que afetava a eficiente Virginia Weasley e queria afetá-la ainda mais.

Contudo, não era o momento de discutirem… o romance. E como ela parecia pouco à vontade, ele resolveu dar o primeiro passo para tranquilizá-la.

— Ginny…

— Draco, precisamos conversar. — Ela ergueu o queixo. — Podemos ir a sua sala?

— Claro. — Ele deixou-a entrar e fechou a porta. Ainda tinha a mão na maçaneta quando ela se virou.

— Quero que saiba quanto aprecio tudo que fez por mim. Não sei como agradecer.

Já que ela era muito reservada e jamais citaria a intimidade que partilharam, Draco deduziu que ela se referia ao falso noivado.

— Não precisa me agradecer. Gostei de conhecer suas tias. São mulheres fantásticas.

— Elas, com certeza, também gostam muito de você. — Gina fitou o envelope que segurava, respirou fundo e voltou a encará-lo. — E eu também.

Ele sorriu. Agora entrariam em um acordo. Era o momento exato para discutirem a situação, embora a escolha das palavras tivesse de ser cuidadosa. No entanto, não podia mencionar a parceira extraordinária que era e quanto adorara passar dois dias com ela. Isso a constrangeria.

— Ruiva…

— Adorei os últimos dois dias que passamos juntos — ela o interrompeu. — É um amante surpreendente. Você me fez sentir emoções que jamais imaginei existirem.

Mais uma vez, ela desviou o olhar. Ele ficou perplexo ante a facilidade de abordar o assunto com tanto orgulho e honradez. Ela podia vestir-se de forma puritana, mas não falava como tal.

A mente fértil e seus hormônios começaram a trabalhar. Queria possuí-la ali mesmo, naquele instante. O desejo aumentava conforme as fantasias fluíam. Olhou a mesa, repleta de papéis. Com um movimento, poderia esvaziá-la.

—… sempre serei grata, mas você certamente notou que agora tudo se modificou.

Draco se deteve. Algo lhe dizia que precisava prestar atenção ao que ela dizia, em vez de preocupar-se com seu desejo.

— A agência de empregos me garantiu que dessa vez enviará uma substituta competente.

— Substituta? Não entendi.

— Disse que a agência…

— Esqueça a agência. Que substituta?

— A minha, claro. Já lhe expliquei isso.

— Explique de novo.

Os ombros cederam, mas Gina não recuou quando ele chegou mais perto. Voltou a apertar o envelope contra o peito.

— Não posso trabalhar aqui, Draco. Não, depois desse final de semana. Com certeza, você compreende minha posição.

Ora, ele não compreendia mais nada desde o dia em que havia entrado no escritório e visto Francine sentada à mesa de Gina. Por que agora seria diferente?

— Não compreendo. Por que não pode trabalhar aqui?

— Porque nós… dormimos juntos.

Loucura. Era a maior sandice. Fingira ser o noivo enquanto as tias se encontravam na cidade, interpretara o papel para mantê-la como secretária e agora ela estava partindo? Porque dormiram juntos?

Havia esperado que Gina colocasse certa distância entre ambos agora que as tias tinham ido embora, mas jamais imaginara que pedisse demissão.

Seria mesmo possível entender as mulheres?

— O que aconteceu no final de semana — ele começou, cauteloso — não tem relação alguma com o trabalho. Admito que nos tornamos íntimos, mas somos adultos. Sem dúvida conseguiremos controlar nossos rompantes lascivos no escritório. O que fazemos à noite… — Draco se aproximou — ninguém precisa saber, exceto nós.

Gina quase se rendeu, porém se conteve.

— Sexo e trabalho não combinam.

— Nunca fizemos sexo na construtora. — Ele olhou a mesa. (Péssima horas para piadas) — Porém, podemos tentar.

— Não foi o que quis dizer. Refiro-me a interferências de outra ordem e que atrapalham o andamento profissional.

Interferências? Draco não sabia se a estrangulava ou beijava. Como não conseguiu decidir, levou as mãos aos bolsos.

— E quem lhe disse isso?

— Encontrei alguns artigos na Internet. Insolência, arroubo sexual e sofisticação são termos que utilizam para esclarecer o problema. Dormir com o patrão sempre acaba mal.

— Vamos ver se entendi. — Ele cerrou os dentes. — Está abrindo mão de seu cargo por causa de uma revista virtual?

— É claro que não. Os artigos apenas confirmam o que eu já sabia. Gostaria que fôssemos amigos, mas se eu permanecer aqui, Cedo ou tarde, voltaremos a nos envolver e haverá muita complicação para ambos.

Complicação? A vida tinha se tornado uma grande complicação desde que as tias de Gina haviam chegado à cidade. Ora, ele aprendera a lidar com complicações.

— Não vou aceitar sua demissão. — Draco segurou-a pelos braços. — Juntos saberemos administrar qualquer problema.

Não podia prometer que nunca mais faria amor com ela, pois seria uma deslavada mentira. Na verdade, queria envolvê-la naquele instante preciso. E à noite, e no dia seguinte e em tantos outros.

E também a queria no escritório.

Não poderia viver sem a amante e a secretária. A forte atração era recíproca. Mesmo agora ele divisava o desejo nos olhos castanhos. Os lábios se entreabriam. Por mais que necessitasse beijá-los, sabia que precisava se conter.

Virgínia precisava de tempo. Ela seria incapaz de evitá-lo para sempre.

— Vamos conversar durante o jantar — Draco sugeriu, soltando-a.

Gina entregou-lhe o envelope que segurava.

— Não, Draco. Não pretendo mudar de ideia. Ficarei na construtora até a próxima segunda-feira. Depois irei embora. Sinto muito.

Sem olhar para trás, Gina retirou-se da sala e fechou a porta. Draco blasfemou em voz baixa e fitou o envelope. Notou então que havia algo mais ali, abriu-o e retirou a aliança de noivado.

Ah, Virgínia Weasley!

Fizera tudo para mantê-la na empresa. O que mais ela poderia querer?

Furioso, rasgou o envelope e jogou os pedaços no cesto de lixo.

"Demissão?", pensou consigo. "Não, Ruiva."

Fim do capítulo.


Sei que deixei as coisas tensas, com a demissão da Gina, e que talvez possa parecer repetitiva essa história, mas prometo que não vai ser assim... Tenho uma carta na manga, e ela se chama: Tom Riddle... Ficaram curiosas? Hein?
Bjos muito especiais para todos vocês, e por favor, continuem lendo e comentando a fic!

Agradecimentos:

Schaala: brigada por continuar acompanhando nossa fic, principalmente por estar gostando de Pansy e Harry, já que eles não são um casal convencional! Espero que o Harry tenha conseguido se redimir com essa declaração... O que você achou? Bjos :*

Lika Slytherin: concordo com você! O mundo está carente de Malfoys assim! Kakakakakkaaka! Brigada por ter comentado, querida, isso nos faz muito feliz! E contribui para que os capítulos saiam mais rápido... Bjos :*

HinaLyka: nossa... Estávamos mesmo pensando igual então... Eu estava ouvindo a música ( love, sex and magic) e do nada nos inspiramos pra escrever o capítulo... Ficamos felizes ( karol e Drik) por você se lembrar da nossa fic (*.*)... E realmente, a Pansy foi descuidada mesmo, quando dormiu com o Harry, mas pelo menos eles estão descobrindo sentimentos bacanas . Feliz 2011 pra você também! Com muita prosperidade e saúde. Bjos :*

Kandra: kakakakak! Esses homens da fic, estão muito fanfarrões... Mas acho que o Harry está melhorando o comportamento, e você o que acha? Muito obrigada por comentar, bjos :*

Isa Potter: Homens e suas inabilidades com as palavras... O Harry podia ter dado uma enrolado, mas ele fez o que o coração sentia no momento, fez o que podia pra se proteger de uma "possível" enganação. Prometo focar mais no Draco e na Gina de agora em diante, até porque estamos entrando na reta final da fic... A sumidinha de final de ano, foi necessária... Eu estava meio cansada mesmo! Mas agora eu venho com tudo! Uhuu! Espero que você continue acompanhando. Bjos :*

Sally Luna: ai que honra pra nós, (Karol e eu, autoras da fic), que você tenha gostado da fic e da Pansy, porque eu devo admitir que também não sou muito fã dela no livro... E por isso, fazemos o possível para montar a personalidade dela de uma forma aceitável... Nossa, nem acredito que você leu essa fic de Yu Yu Hakusho ( momento tímido da Drik), foi a primeira fic que eu escrevi na vida todinha! E realmente, acho que ela deve ser editada... E muito obrigada pela sugestão . Quanto ao perfil, realmente... Precisa ter paciência pra fazer! Kakakakkaka! Bjos e obrigada por ler a fic!

Fire Within: verdade... Acho que no fundo, nós mulheres, temos que ser mais compreensíveis com os homens, mas é que as vezes eles extrapolam o limite... Que falta de tato a do Harry, mas acho que depois desse capítulo, ele está chegando na redenção... O que você achou? Bjos :* e brigada por ler e comentar.

DarkDream: aaah é! Um homem que sabe que o Harry vacilou... Isso significa que os homens sabem o que falam para agradar ou não uma mulher... Mas acho que o problema foi que o Harry estava desprevenido, foi muita informação só para uma noite... Ele se redimiu, não acha? Bjos e obrigada por comentar :*

Muito obrigada, galera por ler a fic e comentar! Espero que vocês continuem assim, isso nos motiva a postar mais rápido os capítulos

Bjos

Karol Kinomoto e Drik Phelton.